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sábado, 29 de junho de 2013

A escolha do Brasil

 | Categoria: Sociedade


Só há uma solução para o Brasil e ela passa por aquela premissa estabelecida pelo Papa Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est: "um governo sem princípios morais não passa de uma quadrilha de malfeitores".
A Revolução Francesa que sacudiu a Europa no final do século XVIII não foi um fenômeno espontâneo devido às péssimas circunstâncias sociais da época, mas um processo planejado, cuja meta era uma só: derrubar a monarquia e, consequentemente, a Igreja Católica. Logo que o rei da França decidiu convocar os Estados Gerais - o parlamento - a fim de resolver os problemas referentes aos impostos, a burguesia passou a redigir uma Constituição e com ela, os pressupostos para o golpe. O final dessa história todos já conhecem: do liberté, egalité et fraternité, chegou-se à guilhotina.
Qualquer semelhança com o que ocorre no Brasil há quase um mês não é mera coincidência. Trata-se da mesma lógica revolucionária de outrora que usa o furor das massas para conquistar suas metas. Apesar da heterogeneidade dos grupos que marcham país afora - e das pautas desconexas - todo esse movimento está sendo cooptado por grupos esquerdistas dedicados à implantação do socialismo em terras brasileiras. Negar isso é vendar os olhos e brincar de cabra cega, saindo à procura de um alvo que não se sabe de onde veio, nem como chegou onde está.
Há mais de uma década o filósofo Olavo de Carvalho denuncia a ação do Foro de São Paulo na América Latina e as suas estratégias subversivas. Para se ter ideia do naipe das figuras que compõem essa organização, num dos encontros em 2008, um dos palestrantes não hesitou em prestar condolências ao então chefe da narcotraficante e terrorista FARC, morto no mesmo ano pelo exército colombiano. É mais ou menos como prestar condolências à Al-Qaeda pela morte de Osama Bin Laden. E embora esses fatos sejam públicos, faz-se um silêncio sepulcral a respeito, enquanto os partidos filiados a essa agência socialista vão ocupando os espaços e disseminando o caos na sociedade.
É bem verdade que o povo que está nas ruas é maciçamente contrário à presença das siglas políticas, mas isso não impede a presença de militantes esquerdistas que apregoam pautas que não estão no itinerário da maior parte da população. Assim, aproveitam-se dos números para empurrarem projetos totalmente imorais e absurdos. Veja, por exemplo, a publicação no site da Câmara dos Deputados a respeito de uma reunião que pretende tratar, entre outras coisas, da afirmação da laicidade do Estado contra o Estatuto do Nascituro. Ora, quem mais defenderia isso a não ser as velhas militâncias esquerdistas e anticlericais? Destarte, uma Constituinte para reforma política, como propôs a presidente Dilma Rousseff, é uma oportunidade ímpar para sepultar de vez o que ainda resta de moral cristã no Brasil, pois, quem mais faria essa reforma senão os que já detêm o monopólio do poder?
O Foro de São Paulo e seus militantes estão nas ruas junto ao povo para criar instabilidade. Eles querem mais poder, mais socialismo. E a população que engrossa as suas fileiras, achando que está protestando contra a corrupção e tudo isso que está aí, nada mais faz que servir de caixa de ressonância para bandeiras que nem de longe a representam. Se o protesto é contra a corrupção, porque até agora não se levantou cartazes pedindo a prisão dos mensaleiros e uma auditoria dessa organização criminosa que é o Foro de São Paulo? Por que, como se diz no velho ditado, não se tem dado nome aos bois? Para que a corrupção exista, é preciso que alguém a pratique.
Só há uma solução para o Brasil e ela passa por aquela premissa estabelecida pelo Papa Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est: "um governo sem princípios morais não passa de uma quadrilha de malfeitores". Se a nação brasileira de fato pretende reconstruir o país, urge, em primeiro lugar, solidificar as bases que o sustentam, ou seja, os princípios inegociáveis da lei natural: o direito à vida desde a concepção até a morte natural, o matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher e o direito à educação dos filhos. Urge, portanto, tirar do poder o ideal socialista - e com ele seus propugnadores - que há mais de um século perverte e mata sociedades inteiras. O Brasil deve fazer uma escolha. "Vede: proponho-vos hoje bênção ou maldição" (Cf. Dt 11, 26). Fazer-se de marionete nas mãos dos radicais esquerdistas, ou desmascarar de uma vez por todas essa ideologia perversa e, assim, mostrar que realmente "o gigante acordou".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tempo de conclave e conversão



Enquanto chegam a Roma os cardeais para o conclave, duas forças se mobilizam buscando influenciá-los.

A renúncia de Bento XVI traz para a agenda dados e fatos da história recente da Igreja Católica. No meio deles a disputa entre conservadores e progressistas. Durante as últimas décadas foi-se tornando explícita a desastrosa ideologização e o engajamento político de extensos setores da Igreja, numa seqüência que começou com a preparação do terreno pelos Cristãos para o Socialismo (CpS), avançou com a concepção de uma Igreja Popular, ganhou suposta base filosófica através da Teologia da Libertação (TL) e se ramificou com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). No fundo, era o velho biscoito marxista molhado em água benta e servido segundo a estratégia de Gramsci.
Essas idéias ganharam os seminários, encantaram segmentos da hierarquia, coincidiram com a ostpolitik do Vaticano nos anos 60 e 70, influenciaram o Concílio Vaticano II, fizeram adeptos em expressivos segmentos da intelectualidade laica e cativaram a tal ponto a maioria das editoras religiosas que por volta dos anos 80 era quase impossível encontrar um livro católico que não estivesse contaminado pela TL. No Brasil foi terrível a influência dessas idéias sobre a CNBB, no topo, e sobre os seminários, na base. Editavam-se, em profusão, documentos e livros que funcionavam como difusores do credo marxista dos autores da moda, cujos nomes, necessariamente, enfeitavam as notas de rodapé: Leonardo Boff, Frei Betto, Jon Sobrino, Pablo Richards, Gustavo Gutierrez, entre outros. As próprias assembléias da entidade dos bispos ganhavam muito mais destaque pelo conteúdo político dos depoimentos de alguns participantes do que pela orientação pastoral. Era evidente o alinhamento da face mais visível da Igreja Católica no Brasil com o discurso utópico e voluntarista, marxista e comunista, oposicionista e oportunista do partido que hoje hegemoniza o poder no Brasil.
Ao longo de quatro décadas, em centenas de artigos, mostrei que essa distorção e perda de foco está entre as causas da deserção de muitos fiéis que têm fluído para outros credos em busca da espiritualidade que a minha Igreja se omite em lhes proporcionar. Sempre esclareci que o amor cristão aos pobres não se pode confundir com o ódio ideológico aos ricos. Sempre sustentei a importância das autonomias. Sempre disse que a militância política é um espaço dos leigos e não dos seus pastores nem dos documentos eclesiais. Conquistei inimigos. Nossa! Quantos inimigos me apareceram!
Por aqueles descaminhos, a CNBB, inúmeras dioceses e pastorais ajudaram a construir e saudaram a vitória petista em 2002 como a concretização do Reino de Deus. Lá estava Frei Betto, ao pé da orelha de seu messias de Garanhuns. O humilde metalúrgico do ABC arribava, enfim, à Brasília terrestre, montado no burrico de sua simplicidade. Com a diferença de que Lula chegava mais popular do que Jesus em Jerusalém. O marido de Marisa Letícia vinha para instaurar o reino definitivo aqui e agora. A estrela avermelhou-se e se instalou nos jardins do Alvorada. Hosana ao filho de dona Lindú!
No entanto, o homem das promessas desembarcou na terra prometida para não cumprir qualquer delas. O barbudo em quem depositavam tantas esperanças precipitou-se do trono de nuvens desde o qual julgava, dedo em riste, os bons e os maus, para associar-se aos maus e aos piores. Não fez qualquer milagre. Não multiplicou pães. Não pôs a correr vendilhões. Antes, chamou-os para os banquetes do poder. Deixou o burro a pastar e adquiriu um avião novinho em folha. Uniu-se aos fariseus, aos doutores da lei, aos trocadores de moeda e virou, ele mesmo, cobrador de impostos. E o seu partido, levado ao poder pela mão de tantos religiosos, passados dez anos, ataca por todos os flancos o depósito precioso dos valores e do ensino cristão.
O momento político interno que passa a viver a Igreja com o processo sucessório de Bento XVI será, também, tempo quaresmal. Tempo para exame de consciência. Tempo de revisão de vida. Enquanto chegam a Roma os cardeais para o conclave, duas forças se mobilizam buscando influenciá-los. São as forças mundanas clamando agendas mundanas e as forças inimigas empenhadas na maligna missão de prevalecer contra a Igreja. Não, não prevalecerão!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular


 | Categoria: Notícias



Que a mídia secular não é o melhor meio para se informar a respeito da Igreja Católica, isso não é novidade. Basta fazer uma rápida leitura nas manchetes dos principais jornais do país a respeito da renúncia do Papa Bento XVI para se ter a certeza de que o amadorismo reina nessas aclamadas agências de notícias. No entanto, acreditar na simples inocência desses senhores e cobri-los com um véu de caridade por seus comentários maldosos e, muitas vezes, insultuosos não seria honesto. É necessário compreender muito bem que muitos desses veículos estão ardorosamente comprometidos com a desinformação e com os princípios contrários à reta moral defendida pela Igreja. Daí a quantidade de sandices que surgiram na mídia nos últimos dias.
Logo após o anúncio da decisão do Santo Padre, publicou-se na imprensa do mundo todo que a ação de Bento XVI causaria uma "revolução" sem precedentes na doutrina da Igreja. Uma atrapalhada correspondente de uma emissora brasileira afirmou que a renúncia do papa abriria caminho para as "reformas" do Concílio Vaticano II e que isso daria mais poderes aos bispos. Já outros declaravam que os recentes fatos colocavam em xeque o dogma da "Infalibilidade Papal", proclamado pelo Concílio Vaticano I. Nada mais fantasioso.
É verdade que uma renúncia tal qual a de Bento XVI nunca houve na história da Igreja. A última resignação de um papa aconteceu ainda na Idade Média e em circunstâncias bem diversas. Todavia, isso não significa que o Papa Ratzinger tenha modificado ou inventado qualquer novo dogma ou lei eclesiástica. O direito à renúncia do ministério petrino já estava previsto no Código do Direito Canônico, promulgado pelo Beato João Paulo II em 1983. Portanto, de modo livre e consciente - como explicou no seu discurso - Bento XVI apenas fez uso de um direito que a lei canônica lhe dava e nada nos autoriza a pensar que fora diferente. Usar desse pretexto para fazer afirmações tacanhas sobre dogmas e reformas na Igreja é simplesmente ridículo. Quem faz esses comentários carece de profundos conhecimentos sobre a doutrina católica, sobretudo a expressa no Concílio Vaticano II.
Outros comentaristas foram mais longe nas especulações e atestaram que a renúncia do Papa devia-se às pressões internas que ele sofria por seu perfil tradicionalista e conservador. Além disso, as crises pelos escândalos de pedofilia e vazamentos de documentos internos também teriam pesado na decisão. Não obstante, quem conhece o pensamento de Bento XVI sabe que ele jamais tomaria essa decisão se estivesse em meio a uma crise ou situação que exigisse uma particular solicitude pastoral. E isso ficou muito bem expresso na sua entrevista com o jornalista Peter Seewald - publicada no livro Luz do Mundo - na qual o Papa explica que em momentos de dificuldades, não é possível demitir-se e passar o problema para as mãos de outro.
Mas de todas as notícias veiculadas por esses jornais, certamente as mais esdrúxulas foram as que fizeram referência às antigas "profecias" apocalípiticas que prediziam o fim da Igreja Católica. Numa dessas reportagens, um notório jornal do Brasil dizia: "O anúncio da renúncia do papa Bento 16 fez relembrar a famosa "Profecia de São Malaquias", que anuncia o fim da Igreja e do mundo". É curioso notar o repentino surto de fé desses reconhecidos laicistas logo em teorias que proclamam o fim da Igreja. Isso tem muito a dizer a respeito deles e de suas intenções.
Por fim, também não faltaram os especialistas de plantão e teólogos liberais chamados pelas bancadas dos principais jornais do país para pedir a eleição de um papa "mais aberto". Segundo esses doutos senhores, a Igreja deveria ceder em assuntos morais, permitindo o uso da camisinha, do aborto e casamento gay para conter o êxodo de fiéis para as seitas protestantes. A essas pretensões deve-se responder claramente: A Igreja jamais permitirá aquilo que vai contra a vontade de Deus e nenhum Papa tem o poder de modificar isso. A doutrina católica é imutável. Ademais, os fiéis jovens da Igreja têm se mostrado cada vez mais conservadores e avessos à moral liberal. Inovações liberais para atrair fiéis nunca deram certo e os bancos vazios da Igreja Anglicana são a maior prova disso.
O comportamento vil da mídia secular leva-nos a fazer sérios questionamentos sobre a credibilidade e idoneidade dos chefes de redações que compõem as mesas desses jornais. Das duas, uma: ou esses senhores carecem de formação adequada e por isso seus textos são recheados de ignorâncias e nonsenses, ou então, esses doutos jornalistas têm um sério compromisso com a desinformação e a manipulação dos fatos, algo que está diametralmente oposto ao Código de Ética do Jornalismo. Se fôssemos seguir a cartilha desses órgãos de imprensa, hoje seríamos obrigados a crer que Bento XVI liberou a camisinha, excomungou o boi e o jumento do presépio, acobertou padres pedófilos e mais uma série de disparates que uma simples leitura correta dos fatos seria o suficiente para derrubar a mentira.
Na sua mensagem para o Dia Mundial da Comunicação de 2008, o Papa Bento XVI alertou para os riscos de uma mídia que não está comprometida com a reta informação. "Constata-se, por exemplo, que em certos casos as mídias são utilizadas, não para um correcto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos", denunciou o Santo Padre. Bento XVI assinalou que os meios de comunicação devem estar ordenados para a busca da verdade e a sua partilha. Pelo jeito, a imprensa secular ainda tem muito a aprender com o Santo Padre.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

SUDÃO E SUDÃO DO SUL DEVEM EVITAR A GUERRA


ZP12042510 - 25-04-2012
Permalink: http://www.zenit.org/article-30170?l=portuguese



É a advertência da Caritas Internacional

ROMA, quarta-feira, 25 de abril de 2012 (ZENIT.org)- A Caritas Internacional teme uma guerra iminente entre o Sudão e o Sudão do Sul, com trágicas consequências humanitárias para ambos, a menos que eles interrompam a ação militar que está em curso.
O Sudão do Sul se separou do Sudão em julho passado, após referendo a favor da independência. Foi a culminação do Acordo de Paz Global de 2005, que acabou com duas décadas de guerra. Até agora, porém, as áreas de contenção que incluem a demarcação da fronteira, o status das áreas disputadas em Abyei, Kordofan Sul e Nilo Azul e os direitos sobre o petróleo não foram resolvidos. A confederação da Caritas, com mais de 160 agências de ajuda católicas, teme que os recentes enfrentamentos levem os dos países ao extremo.
Há preocupação também com o uso de uma retórica extremista pelos oficiais, que está incitando um clima de medo. Os ataques no Sudão contra os cristãos, como o saque da Igreja Presbiteriana Evangélica em Cartum no sábado passado, são profundamente preocupantes. Cerca de 500.000 sudaneses do sul vivem no Sudão. As relações entre os predominantes sudaneses muçulmanos e os cristãos sudaneses do sul continuam boas.
O secretário geral da Caritas Internacional, Michel Roy, afirma: "A Caritas apela ao Sudão e ao Sudão do Sul para interromperem as ações militares na fronteira. Não é tarde para os dois governos evitarem a guerra. A paz só pode ser conseguida na mesa de negociação e com a completa implementação do Acordo de Paz Global".
"A comunidade internacional fracassou na tarefa de evitar o risco iminente de guerra e precisa honrar seus compromissos para garantir que todos os temas pendentes sejam resolvidos pacificamente".
"Dois milhões de pessoas morreram na guerra passada. Todos serão perdedores em outro conflito. Os povos do Sudão e do Sudão do Sul desejam a paz. Seus governos e a comunidade internacional conseguiram grandes coisas ao acabar com a guerra, e não podem permitir que as conquistas se percam".
"Ambas partes devem exercer a moderação. Têm o dever, para com seu povo, de garantir a sua segurança. Isto inclui refrear a linguagem acalorada que incita à violência contra as minorias. A Caritas Internacional permanece em solidariedade com o povo do Sudão e do Sudão do Sul e está comprometida no apoio aos esforços da Igreja para proporcionar assistência humanitária e fomentar a paz entre as duas nações".
A Caritas Internacional procura mais informações depois que seu escritório Sudan Aid fechou as portas em Nyala, Darfur, obrigado pelas forças de segurança. O Sudan Aid faz parte dos esforços de ajuda a 500.000 pessoas em Darfur, onde distribui comida, água limpa, cuidados de saúde e outras formas de ajuda humanitária.
As organizações da Caritas têm operações no Sudão e no Sudão do Sul, incluindo planos de pré-emergência para enfrentar uma volta aos combates, o que provocaria uma grande onda de refugiados.

sábado, 7 de abril de 2012

APRESENTADO O TERCEIRO RELATÓRIO SOBRE A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA NO MUNDO


ZP12040504 - 05-04-2012
Permalink: http://www.zenit.org/article-30059?l=portuguese



Documento é do Observatório Internacional Cardeal Van Thuan

ROMA, quinta-feira, 5 de abril de 2012 (ZENIT.org) - Na Sala Paulo VI, repleta, a Universidade Pontifícia Lateranense organizou a apresentação do Terceiro Informe sobre a Doutrina Social da Igreja no mundo.
Assistiram à apresentação numerosas personalidades, como o reitor da Universidade Católica do Sagrado Coração, professor Lorenzo Ornaghi, o secretário da Conferência Episcopal Italiana, dom Mariano Crociata, e o próprio reitor da Universidade Pontifícia Lateranense, dom Enrico Dal Covolo.
O evento foi promovido pelo Movimento Cristão de Trabalhadores (MCL) e apresentado pelo seu presidente, Carlo Costalli. O presidente do Observatório, dom Giampaolo Crepaldi, encerrou o evento.
Dal Covolo resumiu o contexto temático e temporal do relatório ressaltando o debate internacional promovido pela Caritas in Veritate, escolhida como guia.
O ano passado foi marcado pela “grande crise econômica e financeira” e pelas suas consequências extremas, observou ele, particularmente em algumas áreas do planeta. Entre essas consequências estão os comportamentos prejudiciais já denunciados pela encíclica pontifícia, que têm na sua base uma concepção exclusivamente materialista do desenvolvimento e da pessoa em geral.
A bússola do agir humano deve ou deveria ser sempre a caridade que promove a virtude e incentiva a dimensão decisiva da gratuidade, necessária nas relações humanas e sem a qual nenhuma sociedade permanece de pé. Porém, destaca o texto deste ano, a Doutrina Social da Igreja ainda tem vários inimigos, internos e externos.
São as “correntes” denunciadas pelo pontífice na viagem apostólica a Portugal, que prendem massivamente a sociedade civil e até os organismos eclesiais à secularização progressiva da doutrina social.
Para vencer os obstáculos, Dal Covolo considera necessária mais consciência e preparação: o estudo do informe representa uma ocasião valiosa de formação e de crescimento para todos os que hoje estão sinceramente empenhados na construção de uma sociedade política e econômica mais justa.
Já Crepaldi observou que a missão principal do Observatório é gerar “um serviço contínuo em fidelidade ao magistério do Santo Padre”, com ênfase na dimensão do servir, o que inclui o estudo e a conseqüente difusão, inclusive especializada, de tudo o que o pontífice transmite nos seus pronunciamentos e documentos.
O secretário da Conferência Episcopal, dom Crociata, retomou os conteúdos do relatório, recordando em particular o quanto são perniciosas as novas ideologias da sociedade relativista, como as propagadas frequentemente por agências da ONU em matéria de “saúde reprodutiva e filosofia do gênero”.
Crociata mencionou o incômodo debate internacional das últimas semanas sobre a possível licitude do infanticídio, levantado por um artigo de dois pesquisadores italianos em uma notável revista “científica”. Faz sentido escandalizar-se com tais afirmações se já faz décadas que a maior parte dos estados ocidentais legalizaram o aborto, que, para usar as palavras do Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes, é um “abominável delito”? Com que autoridade um Estado pode falar de moralidade se, ao longo de anos, ele foi dos primeiros vetores da imoralidade, permitindo-a abertamente e até promovendo-a, com suas próprias leis?
O professor Ornaghi, por sua vez, falou da elaboração do conceito de “cultura” e das suas consequências públicas, tanto para o bem quanto para o mal.
A Doutrina Social da Igreja, segundo ele, volta a apelar com insistência para a urgência de uma reflexão adequada sobre o desenvolvimento, querendo ampliar os horizontes da cultura que as classes dirigentes dos nossos países frequentemente restringem a um radical positivismo científico. O desenvolvimento, porém, não é apenas o que pode ser medido: Aristóteles, um pagão, ensinava que o ser humano é constitutivamente social, o que o leva, por natureza, a estar com os outros e a se relacionar com os outros. Daqui brota a família como o primeiro corpo social.
Mas como é considerada hoje a família para os fins do desenvolvimento? O papa João Paulo II, no célebre discurso à Unesco em Paris, em 2 de julho de 1980, falava da necessidade de reconhecer um “primado da família”, explicando que ela é “um ambiente criador fundamental de cultura”. Cada nação, segundo João Paulo II, tem a sua soberania mais profunda fundamentada não nos confins geopolíticos que todos vemos, mas na sua cultura histórica e no primado da família dentro da obra da educação, o que frequentemente não vemos.
Para os cristãos, a esperança não é uma ideia, mas uma certeza concreta, porque se fundamenta na própria Revelação. Em nome desta esperança, concluiu Crepaldi, o cardeal Van Thuân ofereceu a vida, desgastando-se pelo bem da Doutrina Social da Igreja após anos de autêntico martírio e sacrifício pessoal

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mais de 50000 cristãos fogem dos seus lares na Síria por causa da violência

Damasco, 28 Mar. 12 / 10:04 am (ACI/EWTN Noticias)

Quase todos os cristãos na cidade de Homs, arrasada pelo conflito na Síria, fugiram de lá devido à violência e à perseguição, ao mesmo tempo em informes reportam que suas casas foram atacadas e sitiadas por fanáticos vinculados ao Al-Qaeda.

Diversos informes oficiais assinalam que perto de 90 por cento de cristãos deixaram seus lares, e a violência levou a que se tema que a Síria possa converter-se em um "segundo Iraque", com ataques às igrejas, seqüestros e expulsões de cristãos.

O êxodo de mais de 50 000 cristãos produziu-se em sua maioria durante as últimas seis semanas. Isto faz parte da "limpeza étnica" posta em marcha por grupos militantes islâmicos vinculados ao Al Qaeda, de acordo à organização internacional católica Ajuda à Igrejaque Sofre (AIS).

Homs era o lugar de uma das maiores populações cristãs da Síria, e fontes da Igreja assinalam que os fiéis levaram a pior parte da violência. Eles escaparam a povoados, muitos dos quais estão nas montanhas, a 30 milhas fora da cidade.

Islamistas teriam ido de casa em casa nos bairros de Hamidiya e Bustan al-Diwan, em Homs, e obrigaram os cristãos a fugir, sem dar-lhes a oportunidade de recolher seus pertences.

A crise em Homs incrementou o temor de que islamistas estejam ganhando influência na região, ante o vazio de poder deixado pela derrota de outros governos árabes.

As comparações com o Iraque são sinistras. A violência contra os fiéis nesse país ocasionou que a população cristã passasse de 1,4 milhões ao final de 1980 a menos de 300 000 na atualidade.

Tanto na Síria como no Iraque, a Igreja branco de ataques porque se percebe como próxima aos regimes sob o ataque de partidas opositores e grupos rebeldes.

O levantamento na Síria começou em março de 2011, com protestas que buscam uma reforma política. O levantamento se tornou cada vez mais militarizado e mais de 8000 pessoas morreram no conflito no último ano, segundo as cifras da ONU.

Muitos na oposição da maioria Sunita do país, enquanto as minorias religiosas continuam respaldando ao presidente Bashar al-Assad.

A exilada Irmandade Muçulmana de Síria afirmou que não monopolizará o poder em um novo regime, mas respaldará um estado democrático com igualdade para todos os cidadãos e respeito pelos direitos humanos.

Em 26 de março, as forças do governo de Síria bombardearam Homs e realizaram blitz por toda a cidade. Um grupo de direitos humanos diz que as forças governamentais parecem estar preparando-se para retomar o poder das zonas da cidade retidas por rebeldes, informou a Associated Press.

O governo acusou os insurgentes de terrorismo e de conspiração internacional, enquanto que o próprio regime enfrenta acusações de tortura e massacre de civis.

A comunidade cristã sofreu ataques terroristas em outras cidades.

No dia 18 de março, a explosão de um carro bomba teve como alvo o bairro cristão de Alepo, perto da igreja de São Boaventura, dos frades Franciscanos. Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) se encontra agora auxiliando as famílias das vítimas deste atentado.

"As pessoas que estamos ajudando têm muito medo", disse o Bispo de Aleppo, Antoine Audo, que fiscaliza o programa de ajuda. "Os cristãos não sabem o que lhes prepara o futuro. Eles temem que não retornarão aos seus lares".

Os deslocados de Homs estão desesperados por conseguir comida e refúgio. Ajuda à Igreja que Sofre anunciou um pacote de ajuda urgente de 100 000 dólares para aliviar suas necessidades.

Cada família receberá 60 dólares cada mês para mantimentos básicos e alojamento. Os organizadores da assistência esperam que eles possam retornar aos seus lares para o verão.

Dom Audo disse à AIS que é muito importante ajudar aqueles que se encontram em perigo.

"Rezem por nós e trabalhemos juntos para construir a paz em Síria", disse o prelado.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Igreja Católica e o mundo atual




Não é a primeira vez, nestes 20 séculos, que a Igreja Católica parece perder relevância, fiéis e atualidade na mensagem. Isso aconteceu na queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C) e do Oriente (1453 d.C.), na invasão da Europa pelos mouros (711 d.C), na invasão dos povos bárbaros, na crise da Renascença, com o aparecimento dos diversos ramos do protestantismo (Lutero, Calvino, Zwinglio), no Iluminismo, nas Revoluções Francesa, Mexicana ou Espanhola, na perda dos Estados Pontifícios e mesmo durante a 21 Guerra. Voltaire tinha certeza de que acabaria com a religião católica e Nietzsche proclamava que Deus morrera.

Tem, porém, sempre ressurgido, com força maior e santos renovadores, como São Francisco de Assis, São Bernardo, Santo Inácio de Loyola, São José Maria Escrivã, mostrando a permanência de uma mensagem que não necessita de marketing, pois penetra no íntimo dos homens de boa vontade, dispostos a viver valores familiares, profissionais e sociais.
Mesmo a grande crítica que se fez à Idade Média não se sustenta, se tivermos presente que graças à Igreja Católica, criou-se o maior instrumento de cultura da civilização ocidental, que é a Universidade. Quase todas as ciências evoluíram a partir de cientistas sacerdotes, desde a astronomia à física, matemática ou genética.

O próprio processo de Inquisição - a história demonstra que o número de condenados, em séculos de Inquisição, foi muito menor do que os mortos em qualquer batalha sem expressão daquela época - permitiu a evolução do direito processual moderno, com a eliminação das ordálias, substituídas pelo contraditório. O certo é que a Igreja Católica tem conhecido um renascer fantástico, como as últimas jornadas da juventude em Madrid demonstraram.
Por outro lado, as figuras dos dois últimos Papas (João Paulo II e Bento XVI), quando se pensava que a Igreja Católica estaria desaparecendo, levaram e levam multidões, que acolhem com entusiasmo a figura de Sua Santidade por onde passa.
É bem verdade que vivemos período de múltiplos choques, que procurei retratar no meu livro A era das contradições. Hoje, o egoísmo e a autorrealização, alimentados por uma expansão da desfiguração familiar, do avanço das drogas, da corrupção e da falta de fidelidade, tanto na família quanto nos negócios, fizeram com que muitos se afastassem da religião católica, que não transige no que há de permanente em seus valores.

O homem tem, todavia, uma necessidade fantástica de Deus e, quando não busca o verdadeiro, elege outros deuses, como ocorreu com o nacional socialismo ou os deuses do cotidiano (dinheiro, sexo, poder, drogas etc.).
Tal choque entre o mundo das virtudes e o mundo do egocentrismo é algo que permanecerá até o fim dos séculos. Mas, como as estações se renovam, renova-se, de igual forma, a mensagem de Cristo, que se torna sempre nova, apesar de seus 2.000 anos. Essa é a razão pela qual, nada obstante as críticas e ataques que recebe de todos os lados, a nave da Igreja singra buscando os homens, não como uma empresa busca clientes, mas, desinteressadamente, para que encontrem um sentido de vida que Ihes dê a verdadeira dimensão da existência.


***
Ives Gandra da Silva Martins - Advogado tributarista, professor e jurista

sábado, 3 de março de 2012

A vida cristã em Damasco, na Síria, onde Paulo se converteu





Ainda que o cristianismo em Damasco tenha suas raízes nos tempos anteriores a São Paulo, a pequena comunidade atual luta por sobreviver. Precisamente porque a Igreja é uma minoria em terra muçulmana, cada cristão sai da pauta cultural, explica o arcebispo católico Samir Nassar, de Damasco. O bispo, que cumpriu 60 anos em 5 de julho, serve a Igreja local desde 2006. Nesta entrevista, ele fala das dificuldades enfrentadas pela Igreja, mas também das razões para a esperança. Damasco, onde o senhor é arcebispo, é uma cidade que está no coração do cristianismo, onde São Paulo perdeu a vista e a recuperou novamente. Poderia nos falar da situação atual dos cristãos em Damasco? Dom Nassar: A Síria é um país cristão muito antigo. Nela, há 33 mil igrejas. A Síria era predominantemente cristã e ainda temos muitos lugares cristãos famosos. Temos muitas igrejas cristãs que ainda estão vivas. Os cristãos no país não são convidados; têm suas raízes e viveram ao lado dos muçulmanos desde o século VII.O cristianismo, no entanto, estava profundamente enraizado na Síria antes do Islã. Sim, antes de São Paulo, porque São Paulo foi batizado e foi capaz recobrar a vista em Damasco, o que significa que o cristianismo existia aqui antes de São Paulo. Como são os cristãos na Síria hoje? Dom Nassar: Temos três tipos de igrejas. Em primeiro lugar, temos as igrejas monofisitas, que são as ortodoxas sírias e as ortodoxas armênias; têm seu patriarca, que mora em Damasco. Depois, temos a ortodoxa grega, a maior igreja da Síria; e finalmente, temos muitas igrejas católicas. Além disso, certamente, há algumas igrejas protestantes. Todas essas igrejas são muito antigas, exceto as protestantes, que chegaram durante o último século; as demais igrejas se remontam aos apóstolos. Eu pertenço à Igreja Maronita, que foi fundada no século V por São Maron, um monge que costumava morar em algum lugar entre Alepo e Antioquia. Nos primeiros mil anos, estivemos na Síria e, depois, mudamos para as montanhas libanesas; agora estamos em todos os lugares, na Austrália, na América. Mais da metade da população está fora do Oriente Médio. Voltemos à Síria. Que porcentagem da população da Síria é cristã? Dom Nassar: Oficialmente, somos cerca de 8%. Alguns dizem que não passamos de 5%. Somos uma minoria. Isso seria mais ou menos um milhão de pessoas, em uma população de 21 milhões. Como o senhor descreveria a relação atual entre cristãos e muçulmanos na Síria? Dom Nassar: Vivemos juntos durante 1.400 anos. Algumas vezes, tivemos problemas, mas vivemos juntos. Compartilhamos e vivemos juntos e, no meu bispado em Damasco, tenho uma mesquita precisamente do lado do meu quarto, e por isso escuto suas orações e eles podem escutar a nossa oração também. Coexistimos no dia-a-dia. Uma criança cristã frequenta uma escola local, que é de maioria muçulmana; lá, as crianças cristãs aprendem o Alcorão e o Islã. Elas se tornam muçulmanas? Dom Nassar: Pouco a pouco, vão se familiarizando mais com o Alcorão e com Maomé que com Jesus Cristo. Nós lhe damos uma hora de catequese e, para isso, temos de enviar um ônibus ou um carro para trazer as crianças e depois levá-las de volta. Algumas vezes elas vêm, outras vezes não, e uma hora de catequese não é suficiente. Então, tentamos encontrar a forma de conservar a nossa Igreja viva nesta terra da Bíblia. Se uma moça deseja se casar com um muçulmano, ela tem de se converter? Dom Nassar: Sim, é um problema. E se um cristão quiser se casar com uma muçulmana, também tem de se converter. Esta é uma lei muito antiga e não pode ser mudada. Ninguém obriga esse homem a se casar com uma moça muçulmana, mas 95% das moças são muçulmanas, apenas 5% são cristãs; há mais opções do lado dos 95%, então, quando se casam, também perdemos nossa gente. E quanto à questão da conversão? Há muçulmanos que vão às igrejas católicas maronitas, interessados em converter-se? Como o senhor responderia a este tema da conversão, sendo que no Islã a conversão é castigada com a morte? Dom Nassar: Isso é fanatismo, mas muitos muçulmanos vêm à nossa igreja; aprendem o catecismo, acompanham nossos encontros, mas não podem ser batizados. Se quiserem, podem ser cristãos no seu coração, mas não podem mostrar isso. Então são... cristãos escondidos? Dom Nassar: Não podem mostrar, mas nós os recebemos de coração aberto e alguns vêm à Missa diariamente, aos estudos da Bíblia e à catequese, Vêm, mas para os de fora, eles têm de permanecer sendo muçulmanos. Então, o senhor tem de ter muito cuidado; quando um jovem vem até o senhor e deseja se converter, como o senhor lida com a situação? Dom Nassar: Posso recebê-lo, mas não posso batizá-lo, para não ter problemas com o governo... Mas é uma Igreja feliz. Não somos muitos, mas somos uma pequena Igreja muito ativa e dinâmica; temos uma vida ecumênica belíssima. Trabalhamos juntos. Em Damasco, somos 9 bispos: 5 ortodoxos e 4 católicos, e nos reunimos uma vez ao mês para compartilhar nosso trabalho pastoral, rezar juntos e organizar nosso trabalho. E tudo vai bem. Na Igreja, quando as pessoas vêm à Missa, não são somente católicos; alguns são ortodoxos e outros, cristãos. Minha gente também vai à Missa na igreja ortodoxa, e isso nos torna quase uma família. O que seria do Oriente Médio sem a Síria? No sentido de que a Igreja Católica no Iraque está desaparecendo rapidamente e assim está ocorrendo em todo o Oriente Médio, exceto no Líbano, mas inclusive lá os jovens estão indo embora... Dom Nassar: Se você olha para o Oriente Médio, tem a guerra entre a Turquia e o Curdistão, tem a guerra no Iraque, a guerra entre os palestinos e Israel, a guerra do Líbano; e a Síria é o único país pacífico na região. É por isso que todo mundo vem para a Síria, porque é o único lugar pacífico para viver, para trabalhar, para rezar e aprender; é uma cidade universitária. Sem a Síria, a maioria das pessoas abandonaria o Oriente Médio. Iriam embora, emigrariam. O senhor tem esperança na Igreja? Dom Nassar: Tenho que ter. Somos a Igreja da esperança. Não podemos ser pessimistas; esta é a nossa fé para nos convertermos em mártires. Vi alguns iraquianos cristãos que são felizes, apesar da perseguição. Jesus Cristo, depois de tudo, foi um refugiado, um mártir, e me dá a força na minha fé neste mundo; e é belíssimo demonstrar quão importante é para nós permanecer aqui. Fonte: ZENIT

SÍRIA: A COMUNIDADE DE MAR MOUSSA, VÍTIMA DE UM ATAQUE ARMADO

ZP12022906 - 29-02-2012 Permalink: http://www.zenit.org/article-29811?l=portuguese Cerca de 30 homens encapuzados invadiram o mosteiro MAR MOUSSA, quarta-feira 29 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) .- Na quarta-feira passada, 22 de Fevereiro, a comunidade de Mar Moussa na Síria sofreu um ataque armado. De acordo com um comunicado divulgado pela comunidade do mosteiro de Mar Moussa el-Habachi, na quarta-feira 22 de fevereiro, por volta das 18 horas, realizou-se os seguintes fatos: "Cerca de 30 homens armados, que, com exceção do comandante, estavam mascarados, invadiram o celeiro do mosteiro, onde havia alguns funcionários. Saquearam as instalações em busca de armas e dinheiro, perguntando onde estava o padre responsável. Um dos funcionários foi obrigado a levar algumas pessoas armadas para a outra parte do mosteiro. Ali, quatro freiras foram fechadas em uma sala sob vigilância, quando se preparavam para ir para a oração. Em seguida, alguns dos agressores entraram na igreja. A comunidade monástica, reunida para a meditação lembrou-lhes que este espaço estava consagrado à oração e merecia respeito. Os homens armados obrigaram os presentes, sob ameaças, a se reunirem em um canto da igreja. Depois interceptaram outras pessoas no mosteiro tratando-as de uma forma brutal. Então, sem causar maiores danos, continuaram, sempre sem sucesso, a buscar armas e dinheiro, destruindo todos os meios de comunicação que eles encontraram. Durante o ataque, o responsável do grupo tirava fotos com o seu celular. Depois de permitir que continuassem a oração, ordenou que os presentes permanecessem na igreja durante uma hora. " "O superior do mosteiro – continua o comunicado – estava em Damasco, e só pôde voltar na madrugada da quinta-feira". O comunicado disse que "aqueles que tinham autoridade entre as pessoas armadas tinham declarado em seguida a sua intenção de não prejudicar as pessoas presentes no mosteiro, e realmente cumpriram sua palavra durante a agressão". Naturalmente, continua o comunicado, "surge a questão sobre a identidade do grupo armado. Impossível no momento dar uma resposta certa. Parece ser que se trata de homens acostumados com o uso de armas, a fim de atender seus interesses materiais. Fica totalmente obscurecida a razão pela qual procuravam armas em um mosteiro conhecido há anos pela sua escolha e sua promoção da não-violência." "Agradecemos a Deus – conclui o comunicado – pela proteção dos seus anjos e oramos durante a missa pelos nossos agressores e suas famílias. Apesar destes acontecimentos dolorosos, não perdemos a paz e nem o desejo de servir à reconciliação. "

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Quando a religião é uma desgraça...

Após os atentados que, no dia do Natal de 2011, mataram dezenas de católicos na Nigéria - atentados que foram repetidos nos primeiros dias de janeiro de 2012, com outras tantas vítimas -, dentre os muitos leitores que se manifestaram em portais da internet, gravei a opinião de dois deles. O primeiro, que se assina simplesmente "Ateu", escreveu: «Quando alguém adota uma religião - qualquer uma: cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo, espiritismo - a primeira coisa que morre nele é a humanidade. Depois, a tolerância, a compaixão e o senso de justiça. E tenho dito!». O segundo, cujo nome - não sei se fictício - é Tonho, parece querer justificar os desmandos atuais de algumas religiões trazendo à memória as culpas da Igreja Católica na Idade Média: «Já não houve fundamentalismo católico? A Santa Inquisição? Os acusados de heresia não eram queimados vivos em praça pública?». Mais do que com Tonho, preciso concordar com o ateu: a religião é uma desgraça para todos quando, ao invés de um encontro com um Deus que é sempre e somente amor, ela se transforma numa ideologia a serviço dos interesses humanos. Não será por isso que aumenta constantemente o número dos ateus? Se a religião não é capaz de transformar as pessoas em cidadãos que atuam por um mundo justo e fraterno, para nada serve. Sobre os massacres ocorridos na Nigéria, a Organização das Nações Unidas assim se manifestou: «A ONU condena nos termos mais fortes esses ataques e expressa suas condolências ao povo da Nigéria, assim como às famílias que perderam entes queridos. O Secretário-Geral apela mais uma vez para se pôr fim a todos os atos de violência sectária no país, e reitera sua firme convicção em que nenhum objetivo pode ser justificado com o recurso da violência». "Nenhum objetivo", muito menos a religião, cuja tarefa principal deveria ser a promoção da paz e da concórdia. É o que declarou também o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi: «O atentado contra as igrejas na Nigéria, precisamente no dia de Natal, manifesta infelizmente mais uma vez um ódio cego e absurdo, que não tem nenhum respeito pela vida humana». Mas não é apenas na Nigéria que a religião é instrumentalizada pela maldade humana. No Iraque, nenhuma missa foi celebrada na noite do Natal, para não pôr em risco a segurança dos fiéis, aterrorizados por inúmeros ataques perpetrados contra eles. (No dia 31 de outubro de 2011, foram mortos 57 cristãos). Outro fato doloroso aconteceu no Tadjiquistão, no dia seguinte ao Natal. Um jovem de 24 anos foi morto a facadas por um grupo de muçulmanos enfurecidos quando ele visitava familiares e amigos na madrugada de segunda-feira, vestido como Ded Moroz - o Papai Noel da tradição russa. De acordo com as fontes policiais, o assassino gritou na hora do crime: "Infiel!". Totalmente diferente deve ser o relacionamento entre as religiões que desejam subsistir. A indiferença, a desconfiança e o ressentimento que as mantêm distantes uma da outra, precisam ser substituídos pela estima, pelo diálogo e pelo encontro. É esta também a convicção do teólogo espanhol, Pe. Andrés Torres Queiruga: «O diálogo não é um capricho, mas constitui uma condição intrínseca da verdade, porque não é possível aproximar-se sozinhos, fechados no egoísmo dos próprios limites, da riqueza infinita da oferta divina. Unicamente juntos, dando e recebendo, num contínuo intercâmbio de descobertas e experiências, de crítica e enriquecimento mútuos, é que se vai construindo na história a resposta à revelação salvífica. Cada religião reflete a verdade à sua maneira e a partir de uma situação particular. Todavia, à medida que elas sobem e se aperfeiçoam, se aproximam entre si, segundo a famosa frase de Teilhard de Chardin: "Tudo o que sobe, converge". Talvez, por isso, convenha ir substituindo - ou pelo menos completando - a palavra "diálogo" pela palavra "encontro". O diálogo pode implicar a conotação de uma verdade que já se possui plenamente e que vai ser "negociada" com o outro, que também já tem a sua. O encontro, pelo contrário, sugere muito mais um sair de si, unindo-se ao outro, para ir em busca daquilo que está diante de todos». *** Dom Redovino Rizzardo Bispo de Dourados (MS)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Exposição revela os Arquivos Secretos do Vaticano

Museus Capitolinos abrem exposição "Lux in Arcana" em 1º de março ROMA, quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) - Um evento único na história da Igreja: a partir de 1º de março até 9 de setembro, ficará aberta para visitação a mostra Lux in Arcana: O Arquivo Secreto do Vaticano se revela. Uma centena de códigos, pergaminhos, arquivos, registros e manuscritos serão temporariamente transferidos do Arquivo Secreto Vaticano para os Museus Capitolinos, em Roma. Os documentos cobrem a história desde o século VIII até o XX. Esta será a primeira vez, e talvez a única, que esses documentos secretos vão cruzar as fronteiras do Vaticano. A exposição Lux in arcana, organizada por ocasião do quarto centenário da fundação do Arquivo Secreto Vaticano, tem como objetivo explicar e dizer o que é e como funciona o Arquivo dos Papas, ao mesmo tempo em que "torna visível o invisível" e abre acesso a algumas das maravilhas que até o momento estavam custodiadas em cerca de 85 km lineares de estantes. Entre os documentos de época que poderão ser vistos, está o manuscrito em que Galileu Galilei abjurou das suas teorias, aceitando a condenação da Igreja (1633); o Privilegium Ottonianum, com que o Imperador Otto I da Saxônia se comprometeu a defender o pontífice de eventuais ataques e agressões (962); a excomunhão de Martinho Lutero (1520); a carta em que o papa Celestino V fez a "grande recusa", renunciando ao papado (1294); o dogma da Imaculada Conceição, assinado por Pio IX (1854), entre outros muitos. O olhar do visitante passará através dos tempos, encontrando figuras históricas tão diversas como Wolfgang Amadeus Mozart (de quem está exposta a decoração pontifícia), Abraham Lincoln (com o discurso que encerrou a escravidão nos Estados Unidos) e Napoleão Bonaparte (será exposto o Tratado de Tolentino, que obrigou o papa Pio VII a entregar manuscritos valiosos e importantes obras de arte). A Lux in arcana é realizada em colaboração com organismos como o Departamento de Assuntos Culturais e do Centro Histórico e a Superintendência do Patrimônio Cultural de Roma. A exposição estará aberta todos os dias, exceto às segundas-feiras, das 9h às 20h. O ingresso integrado Museu + Exposição custará 12 euros na versão inteira, mas há descontos e gratuidades previstas. A gratificação é concedida, por exemplo, a crianças menores de 6 anos, a grupos de escolas de ensino fundamental e médio, a portadores de necessidades especiais e ao seu respectivo acompanhante, além dos usuários de passes como o RomaPass e o Roma&Più Pass. Mais informações e reservas no site www.luxinarcana.org

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Após a morte de Kim Jong-il, a reunificação das duas Coreias é possível"

Monsenhor Peter Kang, lider dos bispos de Seul, expressou otimismo para o futuro SEUL, segunda-feira, 19 de dezembro, 2011 (ZENIT.org) - A morte do ditador Kim Jong-il poderia representar uma virada para a reunificação das duas Coreias. Entre os bispos coreanos há um otimismo sobre o destino geopolítico da região após a morte do ditador de Pyonyang. *** "Esperamos que o Senhor de luz e coragem para os irmãos norte-coreanos para retornarem a uma política centrada no diálogo, na paz, na reconciliação", disse à Agência Fides, Dom Peter Kang, presidente da Conferência Episcopal sul coreana ". "Nós não esperávamos um evento como esse - acrescentou o prelado -. Desejamos que este seja um motivo para desenvolver um processo de reunificação. Não conhecemos os detalhes da atual situação política na Coreia do Norte. " Kim Jong-il foi sucedido por seu filho Kim Jong-un, trinta anos, um personagem sem "nenhuma experiência política", de acordo com o líder dos bispos da Coreia do Sul e que "parece haver muita confiança por parte do povo coreano". A situação política na Coreia do Norte poderia, então,passar por um período mais ou menos longo de transição, cheio de incerteza e instabilidade, com o resultado do possível declínio do Partido Comunista no poder há 60 anos. A morte de Kim Jong-il poderia, na verdade, marcar uma virada na história da Coréia. "Poderia ser um sinal de que o Senhor quer uma transformação fundamental no país", disse monsenhor Kang. Mais cauteloso forams os comentários do reverendo Kim Tea Sung, secretário-geral da Conferência coreana da Religião para a Paz, segundo o qual "o futuro do país é uma questão muito delicada neste momento". "A morte do 'caro líder' - disse à Fides o reverendo Kim - poderia deixar um vazio e criar problemas muito sérios na vida social e política. Esperamos que no Norte não acontece agora um momento de conflito, que traria sofrimento para a população." Kim, no entanto, esperava que continue e se reforce a cooperação e o diálogo entre os líderes religiosos das duas Coreias. Um reunião está marcada para a próxima quinta-feira, 22 de dezembro, na Coreia do Norte, após um precedente encontro em Pyongyang, enquanto uma delegação de norte-coreanos é esperada no Sul, no próximo ano. "Nossa esperança é que este processo de troca continue, mesmo com a nova liderança política no Norte, para reforçar um clima de cordialidade e amizade entre o Norte e e Sul da Coreia", concluiu o Rev. Kim. Tradução: MEM

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Igreja Católica na Coreia do Norte II

Coréia do Norte Nos últimos dois anos não ocorreram quaisquer mudanças significativas em termos de liberdade religiosa na Coréia do Norte... Iisto apesar de uma maior abertura demonstrada pelo regime comunista de Pyongyang em relação aos missionários da Igreja Católica e da Igreja Protestante, os quais, devido ao seu trabalho humanitário, puderam entrar no país com maior facilidade. A prática religiosa permanece, na realidade, estritamente proibida. Na Coréia do Norte, apenas o culto da personalidade de Kim Jong-Il e do seu pai Kim Il-Sung é permitido. O regime comunista tentou sempre impedir a prática da religião, especialmente por parte de budistas e de cristãos. Os crentes são obrigados a aderir a organizações controladas pelo partido. Os crentes não registrados e qualquer indivíduo envolvido em atividades missionárias são frequentemente sujeitos a uma perseguição brutal e violenta. Desde que o regime comunista foi estabelecido, em 1953, que cerca de 300 mil cristãos desapareceram, e dos padres e das religiosas que na altura viviam na Coréia do Norte nada se sabe, sendo que se parte do princípio que tenham sido perseguidos até à morte. De momento, pensa-se que cerca de oitenta mil pessoas se encontram a definhar em campos de trabalho, sujeitas à fome, à tortura e até mesmo à morte; no entanto este número baixou dos cerca de cem mil do último ano. Ninguém sabe se estes números (providenciados pelas ONGs que operam no país e que desejam manter o anonimato) são ou não precisos; e, no caso de o serem, não se apresentam razões para a diminuição nos valores. Antigos funcionários norte-coreanos e ex-prisioneiros afirmaram que os cristãos que estão nos campos de reeducação e nas prisões são tratados de forma pior do que os restantes detidos. De acordo com um documento secreto enviado a todos os quartéis militares do país em Setembro de 2007, a religião "está a espalhar-se como um cancro no seio das forças armadas da Coréia do Norte, cuja missão é defender o socialismo". Por esta razão a religião “deve ser erradicada sem demora pois provém dos nossos inimigos em todo o mundo". O documento foi tornado público por um membro do Comitê para a Democratização da Coréia do Norte, um grupo de exilados e refugiados políticos que o mandaram traduzir e publicar. "Não devemos ler os documentos, escutar ou ver as emissões de rádio ou de televisão, ou os materiais vídeo ou áudio elaborados pelo inimigo. O inimigo está a usar a rádio e a televisão para lançar falsa propaganda [religiosa e anti-socialista] através de notícias estratégicas e de intriga, muito bem-feitas", advertia o folheto. "Estão a colocar espiões em delegações internacionais que atravessam as nossas fronteiras para disseminar as suas religiões e convicções supersticiosas". Este material “é como um veneno que corrompe o socialismo e paralisa a consciência de classe" até mesmo entre os nossos soldados e "agora mais do que nunca" os soldados têm de o extirpar e montar guarda para prevenir o seu regresso”. Na Coréia do Norte, o Estado definiu cinquenta e uma categorias sociais. Um indivíduo que pratique uma religião que não se encontra sob o controle do Governo encontra-se evidentemente no fundo da tabela social, com menos oportunidades de educação, de emprego, de ajuda para obter alimentos, e encontra-se constantemente sujeito a uma violência brutal. As autoridades reivindicam que o país desfruta de liberdade religiosa e que esta está protegida pela Constituição. De acordo com números oficiais do Governo, existem dez mil Budistas, dez mil Protestantes e quatro mil Católicos no país, mas estas estimativas referem-se apenas a membros de associações oficialmente sancionadas. Em Pyongyang, existem três igrejas, duas protestantes e uma católica. Estas duas igrejas protestantes são usadas para difundir a propaganda do regime e os pastores no seu seio comparam o "querido líder", Kim Jong-Il, a um semi-deus. Na única igreja católica existente, não existe nenhum padre norte-coreano, mas as orações em grupo têm lugar uma vez por semana e, em casos excepcionais, as cerimônias religiosas são levadas a cabo por padres de etnia coreana, embora de nacionalidade estrangeira. A fome e a perseguição religiosa estão a fazer com que muitos norte-coreanos fujam do país. Se forem capturados, são frequentemente condenados à morte ou a trabalhos forçados. Um acordo entre a China e a Coréia do Norte tornou ainda pior uma situação que já era grave, pois os líderes chineses concordaram, na prática, em tratar os refugiados norte-coreanos como sendo "imigrantes ilegais" e repatriarão todos os que forem descobertos em território chinês, se necessário à força. Uma refugiada norte-coreana de 28 anos, identificada apenas pelo pseudônimo Park Sun-ja de modo a proteger a sua identidade, testemunhou perante uma conferência internacional sobre as violações de direitos humanos na Coréia do Norte. Foi citada pela LifeSiteNews como tendo dito que o infanticídio e o aborto forçado são práticas comuns nos campos de detenção da Coréia do Norte "e são levados a cabo de forma ainda mais brutal se a mãe for uma crente religiosa, qualquer que seja a sua religião". O que ela tem para dizer é chocante. "Eu ouvi os gritos tanto da mãe como da criança através das cortinas (num hospital). E testemunhei, através duma cortina parcialmente aberta, uma enfermeira a cobrir a face da criança com uma toalha molhada, em cima de uma mesa, sufocando-a. O bebe deixou de chorar cerca de dez minutos depois", disse Park. "Todos os prisioneiros que ali estavam acreditam que todas as crianças são imediatamente mortas à nascença e embrulhadas num pedaço de pano antes de serem queimadas numa colina ali perto", disse ela, acrescentando que o método habitual para induzir o nascimento precoce da criança era através de injeção. "Eu não consigo sequer imaginar como ela [a mulher acima mencionada] se deve ter sentido", afirmou Park. "Ouvi dizer que este tipo de atos tinha lugar no passado, mas depois de eu os ter visto com os meus próprios olhos, não senti que estivesse a viver numa sociedade civilizada". Park foi apanhada na China no ano 2000 e foi enviada durante dois meses para o campo de detenção da província de Shinuiju, onde viu o infanticídio acontecer. Conseguiu fugir para a Coréia do Sul em 2002. Igreja Católica Em várias ocasiões, Bento XVI mencionou os nossos "irmãos norte-coreanos" e convidou o mundo a rezar por eles. "Eu estou [. . .] consciente dos gestos práticos de reconciliação empreendidos para o bem-estar de todos na Coréia do Norte", disse o Papa durante a visita ad Limina Apostolorum feita pelos bispos coreanos em Dezembro de 2007. "Eu apoio estas iniciativas e invoco o cuidado providencial de Deus todo-poderoso sobre todos os norte-coreanos", acrescentou. O Papa estava a referir-se às muitas iniciativas caridosas empreendidas pela Igreja na Coréia do Sul em nome da população do Norte. Mas algo mudou desde o ano passado: a atitude do regime norte-coreano. Enquanto que dantes os trabalhadores cristãos declarados eram tratados como espiões ocidentais, eles são agora bem-vindos. Como parte desta "nova atitude", o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Pyongyang deu a sua bênção à construção do Centro de Reconciliação Nacional do Povo Coreano em Paju, na província de Gyeonggi-do, perto da fronteira com a Coréia do Norte. A decisão sobre este projeto partiu da Arquidiocese de Seul para "promover as relações com a Igreja norte-coreana" e "favorecer uma abordagem amistosa" aos habitantes do Norte. O regime comunista chamou-lhe "uma idéia positiva". O centro irá incluir um edifício de dois andares, um servindo como seminário, o outro para uso litúrgico, com uma igreja expiatória, um pequeno santuário e um auditório. O seminário, que poderá alojar cerca de cem pessoas, inclui uma área de estudo e um museu religioso. O Comitê de Reconciliação Nacional, presidido pelo Bispo Kim Un-hwi, tem a seu cargo o projeto e selecionou recentemente o arquiteto que irá projetar a estrutura. Os primeiros desenhos já se encontram disponíveis para exame público. O projeto irá cobrir uma área de 2.200 pyong (um pouco menos do que um hectare) e será construído de modo a refletir o velho estilo da arquitetura sacra norte-coreana conforme existia antes da divisão. A arquitetura das igrejas norte-coreanas é conhecida como um 'estilo arquitetônico inculturado' porque tem por base conceitos tradicionais coreanos de arquitetura. Além disso, e graças ao empenho dos Católicos da Coréia do Sul, o Hospital Católico Internacional Rason da Coréia do Norte foi ampliado. De acordo com a AsiaNews, as instalações ficam situadas na província de Hamgyeongbuk-do, no Leste do país. O hospital, que abriu as suas portas em 2005, foi construído com a ajuda do Serviço Médico da Cooperação Católica Internacional, graças à cooperação entre a Congregação de Santo Otílio da Ordem Beneditina e a Igreja Católica da Coréia. O edifício de três andares cobre uma área de 25.000 m² e está apetrechado com equipamento terapêutico e de diagnóstico. Possui cem camas e emprega oitenta médicos, enfermeiras e pessoal médico. "Os hospitais católicos dão esperança para a paz e a cooperação. Espero que este hospital, em particular, possa abrir caminho para uma futura cooperação", disse Notker Wolf, O.S.B (Ordem de São Bento), abade da congregação de Santo Otílio, no dia da sua inauguração. "Que um hospital possa abrir na Coréia do Norte com a ajuda e a assistência da Igreja é uma ocasião feliz", afirmou o Monsenhor Paul Ri Moun-hi, Arcebispo de Daegu (Coréia do Sul), presidente da fundação católica que providencia os fundos para o projeto. "Os esforços da Igreja Católica a favor da reconciliação e da unidade das duas Coreias não só constituem uma missão importante para a população coreana, como também para a paz e para a humanidade como um todo". Porém, apesar dos esforços da igreja, ninguém deverá pensar durante um minuto que seja que o regime comunista está a facilitar o seu trabalho. A situação para a Igreja Católica na Coréia do Norte permanece atroz. Com o fim da guerra civil em 1953, as três jurisdições eclesiásticas locais e toda a comunidade católica foram brutalmente apagadas do mapa pelo regime estalinista. Nem um único padre local foi deixado vivo e todos os clérigos estrangeiros foram expulsos. Nos primeiros anos de perseguição por Kim Il-Sung, o primeiro ditador da Coréia do Norte, cerca de 300 mil católicos desapareceram. Ainda assim, o Papa manteve vivo o clero ao atribuir sedi vacanti et ad nutum Sanctae Sedis (ou seja, sés vagas, sob a administração de bispos externos designados por Roma) a ordinários sul-coreanos. Neste momento, além do Cardeal Cheong, de Seul, que administra a diocese de Pyongyang, o Monsenhor John Chang Yik, Bispo de Ch'unch'on no Sul, é o administrador para Hamhung, e o Frei Simon Peter Ri Hyeong-u, abade do Mosteiro Beneditino de Waegwan, é o administrador para Tokwon, na Coréia do Norte. Para sublinhar a perseguição pelo regime norte-coreano, o Annuario pontificio, o Anuário Pontifício do Vaticano, ainda lista o Monsenhor Francis Hong Yong-ho como Bispo de Pyongyang. Embora ele não seja visto desde 10 de Março de 1962, nunca foi declarado morto oficialmente (se estivesse vivo, teria 101 anos de idade). A partir deste momento, não existe nenhuma instituição da Igreja, nem padres residentes na Coréia do Norte. Depois da inauguração da primeira igreja Ortodoxa em Agosto último na capital da Coréia do Norte, os Católicos são a única comunidade sem um sacerdote. Oficialmente, o número de Católicos é de 800, bem menos do que os três mil recentemente reconhecidos pelo Governo. A auto-denominada Associação Católica da Coréia do Norte, uma organização criada e dirigida pelo regime, ainda reivindica representar os Católicos locais, mas a Santa Sé sempre desencorajou as visitas dos seus líderes a Roma devido às contínuas dúvidas sobre o seu estatuto legal e canônico. Existem fortes indicações de que são na realidade funcionários do Partido Comunista e não católicos. A única igreja católica não tem padre mas organiza um momento de oração semanal em grupo. Mas tais locais de culto não são mais do que "montras" para os poucos turistas que conseguem visitar o país. Outras confissões religiosas cristãs Em Dezembro de 2005 que quatro cristãos ortodoxos norte-coreanos se encontram a estudar na cidade russa de Vladivostok para atualizar o seu sacerdócio, por um período de três meses. O grupo incluía um padre, dois diáconos e um estudante de música sacra. Para completarem os seus estudos, encontravam-se na Catedral de Svyato-Nikolsky, estudos esses que incluíam explicações teóricas e exemplos práticos de liturgia ortodoxa eslava. O grupo era liderado por Peter Kim Chkher, presidente da Comissão Ortodoxa Norte Coreana, e incluía os dois diáconos, Theodore e Ioann, e Kim En Chang, um diplomado da Escola de Música de Gnesiny. A Comissão Ortodoxa foi criada pelo Governo norte-coreano em 2002. O Frei Dionisy Pozdnyayev, padre ortodoxo do Patriarcado de Moscou, que tem sido o sacerdote dos estrangeiros que vivem na capital da Coréia do Norte a convite do Governo norte coreano, chama à Comissão "um sinal do reconhecimento oficial da Ortodoxia". Os quatro membros convidaram o Arcebispo Veniamin, de Vladivostok e Primorye, para a consagração da nova Igreja da Trindade, em Pyongyang, cerimônia que teve lugar em 2006. O chão da nova igreja foi benzido no dia 24 de Junho de 2003 pelo Arcebispo Ortodoxo Kliment Kapalin. Os representantes norte-coreanos disseram na ocasião que era "importante" para os crentes ortodoxos em Pyongyang terem a oportunidade de praticar a sua fé, e expressaram a "esperança" de que a construção da igreja fortalecesse os laços entre a Rússia e a Coréia do Norte. Para o embaixador russo na Coréia do Norte, Andrei Karlov, a igreja marcou "o regresso da Ortodoxia à Coréia depois de uma longa ausência". No início do século XX, cerca de dez mil coreanos converteram-se à Ortodoxia em cidades como Seul (Coréia do Sul), Wonsan (Coréia do Norte) e em muitas aldeias, em resultado do trabalho de missionários russos. Mas a regência colonial japonesa e o regime estalinista puseram fim à evangelização. Mais tarde, a atividade missionária viria a recomeçar na Coréia do Sul, país que conta atualmente com quatro igrejas ortodoxas. A delegação que veio a Vladivostok não é a primeira do gênero a chegar à Rússia proveniente da Coréia do Norte. Quatro norte-coreanos prosseguiram os estudos no Seminário Teológico do Patriarcado de Moscou entre 2003 e 2005, enquanto dois estudantes russos da Academia Teológica de Moscou estudaram o idioma e a cultura coreana na Universidade Kim Il-Sung, em Pyongyang. O Frei Dionisy afirmou que os quatro estudantes coreanos em Vladivostok se estão a concentrar no estudo da língua russa (incluindo o eslavo eclesiástico, que é usado na liturgia) e o catecismo, de modo a que possam preparar outros para o batismo. O Patriarca Alexis II de Moscou e de Toda a Rússia aprovou a escolha de Vladivostok como o local de formação do clero coreano. Graças a esta "ponte", uma delegação de cristãos ortodoxos russos, incluindo clérigos e membros da hierarquia da Igreja, puderam celebrar o Pentecostes com a pequena comunidade ortodoxa coreana. De acordo com uma declaração emitida pela diocese ortodoxa de Vladivostok, a "visita à capital da Coréia do Norte coincide com a celebração do Pentecostes. Neste dia, o primeiro templo ortodoxo, que foi aberto em Pyongyang em Agosto de 2006 e consagrado em honra da Trindade geradora da vida, celebra a sua festa de dedicatória". Muitos peritos vêem esta abertura inesperada como um sinal da "necessidade desesperada" de Pyongyang do apoio da comunidade internacional. Como resultado de políticas agrícolas e econômicas desastrosas, o país está à beira do colapso. A população vive só com um terço do que as Nações Unidas consideram o mínimo de calorias diárias necessárias para um ser humano. Mas apesar destes problemas, Kim Jong-Il manteve uma atitude de aparente indiferença à situação e continuou a bradar à "vitória do sistema socialista" no país. Deste modo a ajuda da Rússia, assim como a da China, tornou-se a única maneira do ditador manter a dignidade, permitindo, ao mesmo tempo, que os norte-coreanos possam sobreviver. Dados do País • Área (km²) 120.538 • População 23.912.000 • Cristãos 502.152 • Católicos --- • Dioceses --- • Refugiados ---

Igreja Católica na Coreia do Norte

por Alberto Garuti Cinqüenta anos de ditadura tentaram apagar todos os sinais visíveis da Igreja católica no país. Será que a semente, que antes foi lançada, morreu? ão existe nenhuma estrutura de Igreja na Coréia do Norte, mas isso não quer dizer que não existam católicos. A perseguição contra a pequena Igreja católica deste país começou no fim do ano 1945, quando as forças de ocupação soviéticas impuseram um regime comunista. Em 9 de maio de 1949, os 123 missionários do vicariato apostólico de Wonsan foram presos, em seguida os 14 de Pyongyang, alguns dias depois. Em pouco tempo, não havia nenhum padre católico em liberdade. O governo comunista norte-coreano decidiu eliminar totalmente a fé católica: cinco bispos, 82 padres, 25 monges, 34 religiosas e quatro seminaristas morreram mártires. Havia cerca de 50 mil católicos na Coréia do Norte, no momento da tomada do poder pelos comunistas: alguns conseguiram fugir para a Coréia do Sul e o que aconteceu aos outros, ninguém ficou sabendo nada. Contudo, em 1985, o governo norte-coreano convidou ao país uma delegação do Conselho Ecumênico das Igrejas, e esta constatou a presença de vários milhares de cristãos, especialmente protestantes, sem templos nem igrejas. A SEMENTE NÃO MORREU Atualmente, os cristãos são poucos, mas é muito provável que, se a evangelização pudesse recomeçar, muitas pessoas abraçariam o cristianismo. Eis alguns exemplos. O padre Gerard Hammond, missionário de Maryknoll, está na Coréia do Sul desde 1960. Ele já visitou várias vezes a Coréia do Norte em missões humanitárias. Durante uma dessas viagens, viajando de carro e sentado ao lado do motorista norte-coreano, ele começou a rezar o terço, enquanto o outro o olhava. Num certo momento, o carro deu um solavanco, o padre fez um movimento brusco e, por causa disso, o terço que estava segurando quebrou. O padre pediu ao motorista que parasse um momento para descansar e lhe perguntou se tinha por acaso uma pinça. O motorista perguntou para que serviria e o padre lhe mostrou o terço quebrado. O motorista disse que ele mesmo o consertaria, mas para isso saiu do carro e se afastou, indo além de uma curva, para não ser visto pelos ocupantes do carro que vinha atrás. Pouco depois, voltou com o terço consertado e disse: "Eu sei o que é. Minha avó tinha um". Em seguida perguntou para que servia e o padre disse que servia para rezar, especialmente para pedir a Deus a unificação do povo coreano. O motorista ficou muito satisfeito e sorriu a viagem toda. Outra vez, o mesmo padre estava visitando um hospital e viu um homem idoso, muito doente, que perguntava ao médico quem ele era. O médico disse isso ao padre e acrescentou que o paciente não tinha muito tempo de vida. O padre se apresentou e disse ser um sacerdote católico. O doente respondeu, chorando, que conhecia os padres católicos. O padre não poderia fazer um discurso religioso pois isso era proibido e havia outros pacientes na mesma sala. Então, ele se expressou nestes termos: "Eu sei o que existe no seu coração. Aperte a minha mão. Sei que você irá para um lugar onde estará muito feliz". E, bem baixinho, ao ouvido, lhe disse que Jesus o estava esperando. Também aquela pessoa sorriu, contente. Provavelmente é isso o que restou dos antigos cristãos. Os filhos, nascidos sob o novo regime, ouviram alguma coisa dos pais ou dos amigos, guardaram uma lembrança e uma impressão em seu coração de algo que seria muito bonito seguir, mas que não puderam porque, durante muitos anos, foi taxativamente proibido. A SEMENTE COMEÇA BROTAR Mas algo começa a mudar. Todo domingo na igreja católica da capital, Pyongyang, os cristãos agora se reúnem para a oração dominical. Não há missa porque não há padre: todos foram mortos ou exilados no começo da revolução e nunca mais foi permitido ter um. Os cristãos se reúnem para um culto; se por acaso estiver presente algum padre estrangeiro, de passagem, esse pode celebrar. No total, seriam três mil católicos em todo o país, dos quais 800 na capital. Existem até uns pequenos grupos engajados, por exemplo, a Associação Católica Romana da Coréia (Acrc), formada por católicos nascidos depois da guerra da Coréia (1950-53), que procura manter os contatos com os católicos que moram longe da capital, visitam freqüentemente os católicos em suas cidades e orientam sua vida de fé. Mas isso é muito pouco no meio dos 23 milhões de norte-coreanos. Além desses poucos sinais visíveis, certamente existem traços de religiosidade na população. É o que os exemplos já citados mostram. Mas será sempre pouca coisa, se pensarmos que o regime, durante cinqüenta anos, proibiu qualquer manifestação religiosa. O pouco que restou começará a brotar com força, tão logo haja uma maior abertura no país. Coréia do Norte: um país de contrastes Quem tiver que ir da capital Pyongyang à cidade de Nampo pode usar uma das mais modernas estradas do mundo: cinco pistas asfaltadas em cada direção, bem separadas por firmes divisões entre um sentido e o outro. Ela foi construída por 50 mil voluntários num trabalho que durou dois anos. Um pequeno detalhe chama a atenção: quase não se encontram carros trafegando por ela. Se alguém perguntar a um norte-coreano por que construíram uma estrada como essa, se há tão poucos carros no país, ele responderá: "Para o futuro". Um futuro, contudo, que parece muito distante. No fim dos anos noventa, uma carestia matou dois milhões de habitantes. Agora o problema diminui, mas a fome continua. Conforme estatística da Unicef, em 2001, 45% das crianças abaixo dos cinco anos eram subnutridas. As terras cultiváveis são muito poucas nas duas Coréias. A do Sul importa 70% dos alimentos que consome, a do Norte deveria fazer a mesma coisa, mas não há dinheiro, pois as indústrias são poucas e quase todas a caminho da falência. Apesar disso, continuam os trabalhos faraônicos, para alimentar no povo ideais de grandeza, e o investimento na compra de armamentos. As Igrejas cristãs da Coréia do Sul fazem grandes esforços para ajudar os irmãos do Norte, enviando grandes quantidades de arroz, fertilizantes e vários gêneros alimentícios. A mesma coisa fazem os budistas. O governo, agora, permite e aprova essas atividades.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Manifestação copta é violentamente reprimida

ZP11101401 - 14-10-2011 Permalink: http://www.zenit.org/article-29048?l=portuguese Egito: primavera árabe se transforma em outono bárbaro Por Robert Cheaib ROMA, sexta-feira, 14 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Até o domingo passado, continuava brilhando nos olhos da juventude a imagem dos egípcios, muçulmanos e cristãos unidos num grito despertado pelos desejos mais nobres: liberdade, justiça e a esperança de um futuro melhor. Até o domingo passado. Porque a imagem de carros blindados esmagando de modo bárbaro os manifestantes paralisados afoga o sonho e abre os olhos para um horizonte que escurece a primavera árabe. O sonho, cujos protagonistas eram os muçulmanos e os cristãos do Egito, reunidos como um só povo na praça Tahrir, se desvanece sob a máquina da violência e se transforma em pesadelo, com um cenário imprevisível. Uma manifestação pacífica terminou com cenas de violência inaudita descritas pelo jornal saudita Al-Hayat como “o acontecimento mais sanguinário depois da revolução de 25 de janeiro, que levou à queda da ditadura de Hosni Mubarak”. O número das vítimas, segundo o Ministério da Saúde egípcio, é de 24 mortos e 212 feridos. Tudo começou no domingo 9 de outubro, com um protesto dos cristãos coptas, indignados com o ataque recente contra uma igreja em Assuan, no sul do país. Os manifestantes repudiavam o silêncio das autoridades. Os coptas pediam a renúncia do governador da província de Assuan, Mustafa As-Sayyed, acusando-o de causar o ataque. As-Sayyed declarou, segundo o jornal Tariq Al-Akhbar, que a igreja era ilegal, porque o edifício tinha sido transformado em igreja através da manipulação de autorizações. Os extremistas, com base nessas declarações, incendiaram o lugar de culto cristão. No dia seguinte ao ataque, As-Sayyed, em vez de condenar a violência, afirmou que “não houve ataque algum porque em Assuan não existem igrejas”, segundo o site cristão Coptreal. Tais declarações fomentaram a indignação copta que levou ao protesto. Os manifestantes partiram do bairro de Shabra rumo à sede da televisão nacional, pedindo a tutela do estado para os lugares de culto cristão e a paridade de direitos para todos os cidadãos. Os manifestantes pediam também a renúncia de As-Sayyed, acusando-o de apoio aos extremistas islâmicos. A multidão, constituída também por muçulmanos que apoiam os direitos dos cristãos, deplorava ainda a linha parcial adotada pela televisão estatal, que incentiva sentimentos anticristãos. Durante a manifestação, alguns vândalos começaram a jogar pedras e a disparar contra a multidão. Os coptas responderam com mais pedras. As forças da ordem e o exército agiram então com violência, reprimindo os manifestantes inclusive com veículos blindados. Um sacerdote copta, o padre Daoud, declarou ter visto um carro blindado arrastar cinco manifestantes. A situação degenerou em caos, com o exército e a polícia disparando gases lacrimogêneos e balas de borracha contra os manifestantes, que revidaram jogando tudo o que estivesse ao seu alcance. A televisão estatal declarou que os manifestantes conseguiram queimar alguns carros da polícia. O exército está impondo toque de recolher desde a manhã da segunda-feira, 10 de outubro. A France Press informou sobre os feridos e os mortos no hospital copta do Cairo, relatando ter visto diversos cadáveres totalmente desfigurados. O Al-Hayat relata que, à noite, um grupo de muçulmanos pacíficos marchou até o hospital copta manifestando solidariedade aos cristãos. Reação da Igreja copta Em comunicado a Zenit, o Conselho dos Patriarcas e bispos católicos do Egito comentou os acontecimentos, pedindo ao conselho militar e ao governo egípcio que “assumam suas responsabilidades nacionais e gerenciem a situação custodiando a justiça e tutelando a dignidade de todos os cidadãos, sem discriminações”. Os prelados egípcios católicos afirmaram ainda que a Igreja católica no Egito “eleva suas orações a Deus para proteger o Egito e seu povo” e assegura a oração pelas vítimas dos últimos episódios de violência. O Egito foi cenário de crescentes tensões inter-religiosas nos últimos meses. Diversas igrejas cristãs foram alvo de ataques terroristas. As novas autoridades mudaram algumas leis discriminatórias que impunham severas restrições à construção de lugares de culto cristãos, mas enfrentam grande resistência de correntes fundamentalistas que aspiram ao poder presidencial nas eleições deste novembro.