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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um dos bispos mais idosos do mundo critica o filme “Anjos e Demônios”



.-   OBispo Emérito do Nardò-Gallipoli (Itália), Dom Antonio Rosário Mennonna, de 103anos de idade e um dos três bispos vivos nascidos em 1906, criticou o conteúdodo filme Anjos e Demônios e a qualificou de “estupidez inútil”.
Segundoa imprensa, o Prelado assinalou que a obra, baseada no livro de Dan Brown demesmo nome, “tem um conteúdo altamente denegatório, difamatório e ofensivo paraos valores da Igreja e o prestígio da Santa Sé”.
Pessoaspróximas a este Prelado indicaram que ele “ficou impressionado e profundamenteturbado pelo conteúdo do filme”.
DomMennonna convidou aos bispos a denunciar o filme por atacar a fé de milhões depessoas e difundir espetáculos obscenos.

O Fato e seu contexto A Fraude do "Código Da Vinci": Um best-seller mentiroso

Por: Pablo J. Ginés Rodríguez 08/01/2004
O Código Da Vinci é uma novela de ficção anticatólica que está sendo um êxito de vendas em todo o mundo. Com mais de 30 milhões de exemplares vendidos, traduzida em 30 idiomas e com os direitos para transformá-la em filme vendidos à Columbia Pictures e ao diretor Ron Howard (com Russell Crowe como ator principal) trata-se já de um acontecimento próprio da cultura de massas. Os protagonistas se vêem envoltos em um thriller de aventura, decifrando a simbologia secreta na pintura do Leonardo Da Vinci. E a mensagem que transmite a novela é basicamente a seguinte:
1.. Jesus não é Deus: nenhum cristão pensava que Jesus fosse Deus até que o imperador Constantino o considerou como Deus no concílio da Nicéia, em 325.
2.. Jesus teve como companheira sexual Maria Madalena; seus filhos, portadores de seu sangue, representam o Santo Graal (sangue de rei = sangue real = Santo Graal), fundadores da dinastia Merovíngia na França (e antepassados da protagonista da novela).
3.. Jesus e Maria Madalena representavam a dualidade masculino-feminina (como Marte e Ateneu, Isis e Osíris); os primeiros seguidores de Jesus adoravam "o sagrado feminino"; esta adoração ao feminino está oculta nas catedrais construídas pelos Templários, na secreta Ordem do Priorado de Sion -a qual pertencia Leonardo Da Vinci- e em mais de mil códigos culturais secretos.
4.. A maligna Igreja Católica inventada por Constantino que, em 325, perseguiu os tolerantes e pacíficos adoradores do feminino, matando milhões de bruxas na Idade Média e no Renascimento, destruindo todos os evangelhos gnósticos dos quais não gostavam e preservando apenas os quatro evangelhos que melhor lhe convinha. Na novela, o maquiavélico Opus Dei trata de impedir que os heróis revelem o segredo: que o Graal representa os filhos de Jesus e Madalena e que o primeiro deus dos "cristãos" gnósticos era feminino.
Tudo isto não é vendido como uma crônica, novela ou história de ficção em relação a um passado alternativo, a uma Europa imaginária. Tenta-se comercializar como erudição, pesquisa histórica e trabalho sério de documentação.
Em uma nota no princípio do livro, o autor, Dan Brown, declara: "todas as descrições de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos nesta novela são fidedignas". Como veremos, isto é falso: os enganos, as invenções, as tergiversações e os simples boatos abundam por toda a novela. A pretensão de erudição cai ao chão ao se revisar a bibliografia que usou: os livros “sérios” de história ou de arte escasseiam na biblioteca do Brown, e brilham em troca as paraciências, os esoterismos e as pseudo-histórias conspirativas.
Mas isso não impediu à imprensa de elogiar o "trabalho histórico" que permeia o livro. Por exemplo, o Chicago Tribune maravilhou-se por considerar que o livro contém uma "história” fascinante e documentada que equivale a vários doutorados"; o New York Daily News mencionou uma "pesquisa impecável"; o crítico do Jornal da Catalunha (12/12/03), Ramón Ventura, disse que "entender a novela como um panfleto anticristão é não entender que se trata de um relato de aventuras pouco conhecidas da história, onde se combinam os mistérios da religião com os enigmas da arte; Dan Brown escreve com a paixão e a erudição de Matilde Asensi em seu último livro de verbetes.
A editora do livro na Espanha, Aránzazu Sumalla, que encontrou uma mina de ouro para a sua pequena editoria Umbriel (O Código Da Vinci vende 2.400 livros por dia na Espanha, 125.000 nos primeiros 50 dias), não entende que na página Web do Opus Dei se critique negativamente o livro, que apresenta o Opus como uma seita destrutiva disposta ao assassinato e outras técnicas imaginárias, com o detalhe de que o assassino Silas faz parte da “corporação” e usa o cilício. Segundo a editora "trata-se de uma obra de ficção". Mas Dan Brown, em sua própria página Web, diz bem claro que não escreveu só uma novela cheia de despropósitos para divertir: "Como comentei antes, o segredo que revelo foi sussurrado durante séculos. Não é meu. É certo que pode ser a primeira ocasião em que o segredo se desvela com o formato de um thriller popular, mas a informação não é nova. Minha sincera esperança é que O Código da Vinci, além de entreter as pessoas, sirva como uma porta aberta para que comecem suas pesquisas".
O resultado é que as vendas de livros pseudo-históricos sobre a Igreja, os evangelhos gnósticos, a mulher no cristianismo, as deusas pagãs, etc. dispararam. A livraria eletrônica Amazon.com é a primeira beneficiada, combinando O Código da Vinci com livros de pseudo-história neopagã, de feminismo radical e de new age. A ficção é a melhor forma de educar as massas, sendo que, disfarçada de ciência (história da arte e das religiões neste caso), engana melhor os leitores. Como afirma o ditado: "Calunie, porque algo fica, e se caluniares com dados que soem como científicos – embora inventados – fica mais”.
Constantino inventou o cristianismo?
Toda a base "histórica" de Brown repousa sobre uma data: o concílio de Nicéia do ano 325. Segundo suas teses, antes desta data o cristianismo era um movimento muito aberto, que aceitava "o divino feminino", que não via Jesus como Deus, conforme estava escrito em muitos ‘evangelhos’.
Neste ano, de repente, o imperador Constantino, um adorador do culto -masculino- ao Sol, se apoderou do cristianismo, desterrou "a deusa", converteu o profeta Jesus em um herói-deus solar e , ao modo stalinista, fez desaparecer os evangelhos dos quais não gostava.
Para qualquer leitor com um pouco de cultura histórica esta hipótese é absurda, ao menos por duas razões:
1.. Há textos que demonstram que o cristianismo antes de 325 não era como considera a novela e que os textos gnósticos eram tão alheios aos cristãos como atualmente são as publicações "new age": parasitárias e externas.
2.. Ainda que Constantino almejasse mudar a fé de milhões, como poderia obter êxito em um concílio que contava com a presença de milhões de cristãos e também de centenas de bispos? Muitos dos bispos de Nicéia eram veteranos que sobreviveram às perseguições de Diocleciano, e levavam em seu corpo as marcas da prisão, da tortura ou dos trabalhos forçados por manter sua fé. Iriam deixar que um imperador mudasse sua fé? Acaso não era essa a causa das perseguições desde Nero: a resistência cristã contra serem assimilados como um culto a mais? De fato, se o cristianismo antes de 325 tivesse sido como o descrevem os personagens de Brown e muitos neognósticos atuais, nunca teria sofrido perseguição, já que estaria alinhado perfeitamente com tantas outras opções pagãs. O cristianismo foi sempre perseguido por não aceitar as imposições religiosas do poder político e proclamar que só Cristo é Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Jesus é Deus?
Na novela, o personagem do historiador inglês Teabing afirma que na Nicéia se estabeleceu que Jesus era "o Filho de Deus". Um reexame dos evangelhos canônicos, escritos quase 250 anos antes de Nicéia, apresenta 40 menções a Jesus como Filho de Deus. O que Brown está fazendo é copiar de um dos livros pseudo-históricos que mais plagiou para fazer seu best-seller, “Holy Blood,Holy Grial” no qual se afirma que "em Nicéia se decidiu por votação que Jesus era um deus, não um profeta mortal".
A verdade é outra. Os cristãos sempre pensaram que Jesus é Deus e é desse modo que figura nos evangelhos e em escritos cristãos muito anteriores a Nicéia. Por exemplo, e para desgosto de mórmons, Testemunhas de Jeová ou muçulmanos (três credos atuais que negam que Jesus seja Deus) podemos ler o que Tomé diz ao ver Jesus ressuscitado:
[João 20,28] Ho Kurios mou ho Theos mou (Meu Senhor e meu Deus)
Ou em Romanos 9,5; carta ditada por São Paulo a Tércio em casa de Gayo, em Corinto, no inverno de 57-58 d.C:
"deles (dos judeus) descende Cristo, segundo a carne, o qual é, sobre todas as coisas, Deus bendito para sempre".
Ou em Tito 2,13:
" na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo ".
Ou em 2Pedro1,1:
" Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa ".
E fora dos evangelhos há os textos de Padres da Igreja muito anteriores a Nicéia:
"Pois nosso Deus, Jesus Cristo, foi, segundo o desígnio de Deus, concebido no ventre de Maria, da estirpe de Davi, mas pela ação do Espírito Santo" [Carta aos Efésios de Santo Inácio do Antioquia, c.35-C.107 d.C].
"Se tivesse entendido o escrito pelos profetas, não teria negado que Ele [Jesus] era Deus, Filho do único, incriado, insuperável Deus" [Diálogo com o Trifón, São Justino Mártir, c.100-C.165 d.C].
"Ele [Jesus Cristo] é o santo Senhor, o Maravilhoso, o Conselheiro, o Formoso na aparência, e o Poderoso Deus, vindo sobre as nuvens como juiz de todos os homens" [Contra os hereges, livro 3, São Irineu de Lyon, C. 130 -200 d.C].
"Só Ele [Jesus] é tanto Deus como Homem, e a fonte de todas as nossas coisas boas" [Exortação aos gregos, de São Clemente de Alexandria, 190 d.C].
"Só Deus está sem pecado. O único homem sem pecado é Cristo, porque Cristo também é Deus" [A alma 41:3, pelo Tertuliano, ano 210 d.C].
"Embora [o Filho] fosse Deus, tomou carne; e tendo sido feito homem, permaneceu como era: Deus" [As doutrinas fundamentais 1:0:4; por Orígenes, c.185-C.254 D.C.].
Estas citações -e muitas outras- demonstram que os cristãos tinham como clara a divindade de Cristo muito antes de Nicéia. De fato, em Nicéia o debate era sobre os ensinamentos de Ário, um sacerdote herético da Alexandria que em 319 ensinava que Jesus não era Deus, mas um deus menor. De 250 bispos, só dois votaram a favor da postura de Ário, enquanto que o resto afirmou o que hoje se recita no Credo, que o Filho de Deus foi gerado, não criado e que é da mesma natureza (substância, homoousios¹) que o Pai. Ou seja, que Deus Filho é Deus, igual a Deus Pai, também Deus; são um mesmo Deus, porém em distintas Pessoas. Em que pese esta unanimidade dos padres conciliares, o historiador Teabing na novela diz que Cristo foi "designado Deus" por uma estreita margem de votos!
Um historiador que não sabe história
Teabing também diz uma série de coisas sobre como o cristianismo inventado por Constantino não era mais que paganismo. "Nada no Cristianismo é original", diz o personagem. Escrevemos sublinhadas as afirmações do Código da Vinci e a seguir comentamos cada uma.
- Os discos solares egípcios se converteram em halos (auréolas) de Santos católicos.
A arte cristã tem que expressar conceitos bíblicos, como as caras luminosas de Moisés (no Sinai) e Jesus (na Transfiguração).
Para isso, usam um recurso comum, os halos ou nimbos que já usavam a arte grega e a romana. Os imperadores romanos, por exemplo, aparecem nas moedas com cabeças radiantes.
- Os pictogramas de Isis amamentando o milagroso bebê Horus foram o modelo para as imagens da Virgem Maria com o Menino Jesus.
A imagem de uma mãe amamentando é comum nos egípcios, nos romanos, astecas ou qualquer outra cultura que represente a maternidade. Isis, nos primeiros séculos de nossa era, já não era uma deusa popular da agricultura egípcia, e sim um culto enigmático de tipo iniciátório para elites greco-romanas, culto que, por certo, não incluía rituais sexuais que tanto agradam ao autor. Os artistas cristãos, na hora de representar Maria junto a Jesus (uma mãe com um menino), usaram os modelos artísticos da sociedade da qual faziam parte.
-"A mitra, o altar, a doxologia e a comunhão, o ato de comer Deus, foram tomados diretamente de religiões enigmáticas pagãs anteriores.”
A mitra dos bispos dificilmente pode estar inspirada em religiões enigmáticas antigas: não aparece no Ocidente até meados do século X, e no Oriente não se usa até a queda de Constantinopla, em 1453.
O altar é –como o próprio cristianismo– de origem judia, não pagã. Há 300 referências a altares no Antigo Testamento. O altar dos sacrifícios do Templo de Jerusalém é o ponto de referência do judaísmo antigo e do simbolismo cristão. Nada a ver com cultos pagãos.
A Doxologia (doxa=glória; logos=palavra) não é mais do que a oração do Glória: "Glória a Deus nas alturas e na terra paz aos homens; louvamos-Te, bendizemos-Te, adoramos-Te." Usa, pois, linguagem puramente cristã, com conceitos trinitários, e utilizando continuamente passagens do Novo Testamento. Nada a ver com cultos enigmáticos pagãos.
A comunhão e "comer Deus": parece que nos níveis superiores do culto a Mithras existia uma ceia sagrada de pão e água ou pão e vinho. Não há dados que indiquem que os mitraístas considerassem que nessa ceia "comiam um deus" nem nada similar. De novo, a origem de benzer e compartilhar o pão é judia, como explica com detalhe Jean Danielou em sua obra, A Bíblia e a liturgia. Parece que Jesus instituiu a Eucaristia cristã durante uma chabourá, uma refeição sagrada judia. Não há relação com cultos enigmáticos pagãos.
- O domingo, dia sagrado cristão, foi roubado aos pagãos
Falso. Desde o começo, os cristãos viram o dia depois do Sabbath, quer dizer, o primeiro dia de cada semana, como o mais importante, dia de sua reunião. Já o faziam em época de São Paulo (ver At 20,7: " no primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão", ou 1 Cor 16,2, quando Paulo pede para reunirem as coletas e dízimos no primeiro dia da semana). Danielou, em A Bíblia e a Liturgia, dedica todo o seu capítulo 16 a falar do "Oitavo dia", com citações de Inácio de Antioquia, da Epístola de Barnabé, da Didaqué, todos autores de fins do século I e princípios do séc. II Todos falam do "dies domenica" (dia do Senhor). São Justino, por volta de 150 d.C. é o primeiro cristão a usar o nome latino de dia do Sol para referir-se ao primeiro dia da semana.
Já no concílio de bispos hispânicos de Elvira, em 303 d.C. se proclamou: "se alguém na cidade não vem à igreja três domingos seguidos será excomungado por um tempo curto, para que se corrija". Só 20 anos depois, em 321, Constantino declara oficialmente o domingo como dia de descanso e abstenção do trabalho. Ou seja, o domingo é um "invento" cristão, posteriormente adotado pela sociedade civil, e não uma festa pagã roubada por cristãos, justamente o contrário do que diz a novela de Brown.
-Também ao deus hindu Krishna, recém-nascido, são oferecidos ouro, incenso e mirra
Extraído, ao que parece, do livro pseudo-histórico The World's Sixteen Crucified Saviours, [Os 16 salvadores do mundo crucificados] escrito por Kersey Graves, em 1875, e rejeitado inclusive por ateus e agnósticos, embora muito popular e copiado na Internet. Graves não fornece nenhuma documentação de suas afirmações. A menção a ouro, incenso e mirra parece simplesmente uma invenção. Na literatura hindu isto não se encontra em nenhum lugar. O Bhagavad-Gita (séc. I d.C.) não menciona a infância da Krishna. Nas histórias sobre o Krishna menino de Harivamsa Purana (c.300 d.C) e de Bhagavata Purana (c.800-900.dC.) tampouco estão presentes.
- O deus Mithras, nascido em 25 de dezembro como Osíris, Adonis e Dionisios, com os títulos "Filho de Deus" e "Luz do Mundo", enterrado na rocha e ressuscitado 3 dias depois, inspiraram muitos elementos do culto cristão.
Na realidade, a festa pagã de 25 de dezembro em Roma foi criada pelo imperador Aurélio em 274, muitos anos após os cristãos latinos terem celebrado 25 de dezembro como data do nascimento de Cristo.
Embora na novela falem de Mithras como um deus "morto, enterrado na rocha e ressuscitado três dias depois", esta afirmação não está presente em nenhum texto nem tradição antiga acerca de Mithras. Ao que parece é outro dos empréstimos tirados do panfleto de Kersey Graves, em concreto do capítulo 19 do The World's Sixteen Crucified Saviours. É obvio que Graves não fornece documentação.
Gnosticismo a serviço do feminismo radical
Por que o mundo vai tão mal, há guerras, violência e contaminação? A resposta do feminismo radical e do Código da Vinci é singela: a culpa é do cristianismo, que é machista:
"Constantino e seus sucessores masculinos converteram com êxito o mundo do paganismo matriarcal até a Cristandade patriarcal mediante uma campanha de propaganda que demonizou o sagrado feminino, eliminando a deusa da religião moderna”. Como conseqüência, "a Mãe Terra se converteu em um mundo de homens, e os deuses da destruição e da guerra impõem seu ônus. O ego masculino mantém-se há dois milênios sem equilibrar-se com sua balança feminina. Uma instabilidade marcada por guerras, alimentadas com testosterona, numa situação excessivamente indesejável de sociedades misóginas e de uma crescente falta de respeito pela Mãe Terra”.
Isto seria evitado se fosse seguido o "cristianismo" gnóstico, conforme alguns grupos e tendências que consideravam o divino como masculino-feminino, em relações harmônicas, inclusive andróginas. Jesus -segundo os gnósticos do séc. II e os newagers feministas do séc. XX- necessita de um oposto feminino que lhe complete; sua consorte seria Maria Madalena. Documentos que o sustentam: os evangelhos apócrifos, textos gnósticos imaginativos sem base histórica.
Enquanto os evangelhos canônicos são do séc. I, nenhum texto gnóstico é anterior ao séc. II. Muitos são do séc. III, IV ou V. Em meados do séc. II a Igreja já tinha claro que os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João eram os inspirados pelo Espírito Santo, e só duvidava no cânon de dois ou três textos. É falsa a idéia da novela de que em 325, com Constantino, dentre "mais de 80 evangelhos considerados para o Novo Testamento", só foram escolhidos quatro. Estes quatro já estavam selecionados há mais de 200 anos, como lemos nos textos do Justino Mártir (150 d.C) e de Santo Irineu.
No Código da Vinci há material de muitos tipos: new age, ocultismo, teorias conspiratórias, neopagãos, wiccas, astrologia, empréstimos orientais e ameríndios. Uma salada de fruta cuja base é o coquetel gnóstico-feminista. Há pouca pesquisa verdadeira sobre o Santo Graal, mas muito furto.
Desse modo, nos cita um texto que de fato existe, o Evangelho de Maria Madalena, uma obra gnóstica tardia, escrita por autores de uma seita gnóstica, de fora do cristianismo. Nele, Maria beija na boca de Jesus e isso causa a inveja dos apóstolos. Segundo Teabing, o historiador da novela, "Jesus era o primeiro feminista. Pretendia que o futuro de sua igreja estivesse em mãos de Maria Madalena".
O que ninguém cita é o versículo 114 do famoso texto gnóstico Evangelho de Tomé, onde Jesus diz que Ele fará de Maria Madalena "um espírito vivente que se pareça com vocês, varões. Porque cada mulher que se faça a si mesmo varão entrará no reino dos céus". O gnosticismo antigo é reciclado por antagonistas da Igreja atual, mas para isso necessitam rechaçar alguns aspectos do gnosticismo antigo, que na realidade era machista, elitista, desprezava o corpo e todo o material e é difícil de vender como "o autêntico cristianismo".
Assim, o entusiasmo do autor pelos "ritos de fertilidade", que tanto admiram -e praticam- os protagonistas, não tem nada a ver com a fertilidade, obviamente, e sim com o prazer sexual.. É um sinal dos tempos, mas também uma pura herança gnóstica: gerar, dar vida a novos corpos é mau. Justo o contrário do que prega o cristianismo! Sexo sem concepção. Pode-se supor que a próxima novela trate de clonagem, quer dizer, de concepção sem sexo.
Outros muitos enganos
Sandra Miesel, uma jornalista católica especializada em literatura moderna popular, não pôde deixar de fazer uma lista da miscelânea de erros do livro, como, por exemplo, com relação a sua "impecável" documentação.
a. Diz-se que o planeta Vênus se move desenhando um pentagrama, o chamado "pentagrama do Ishtar", simbolizando a deusa (Ishtar é Astarté ou Afrodite). Ao contrário do que diz o livro, a figura não é perfeita e não tem nada a ver com as Olimpíadas. As Olimpíadas são celebradas a cada quatro anos e em honra de Zeus, nada a ver com os ciclos de Vênus nem com a deusa Afrodite.
b. O novelista diz que os cinco anéis das olimpíadas são um símbolo secreto da deusa; a realidade é que quando se organizaram as primeiras olimpíadas modernas o plano era começar com um e ir acrescentando um anel em cada edição, mas ficaram em cinco.
c. Na novela apresentam-se a larga nave e o vão central de uma catedral como um tributo secreto ao ventre feminino, com as nervuras como pregas sexuais, etc. Isto foi tirado do livro de pseudo-história “The Templar Revelation”, onde se afirma que os templários criaram as catedrais. É obvio que é falso: as catedrais foram encarregadas pelos bispos e seus cônegos, não aos templários. O modelo das catedrais era a igreja do Santo Sepulcro ou as antigas basílicas romanas, edifícios retangulares de uso civil.
d. O Priorado de Sion realmente existe, é uma associação francesa registrada desde 1956, possivelmente originada depois da II Guerra Mundial, embora clamem ser herdeiros de maçons, templários, egípcios, etc. É incrível a lista de Grandes Mestres fornecida pela novela: Leonardo Da Vinci, Isaac Newton, Victor Hugo.
e. A novela diz que o tetragramaton YHWH, o nome de Deus em hebraico, vem de Jehová, uma união física andrógina entre o masculino Jah e o nome pré-hebreu de Eva, Havah". Ao que parece, ninguém explicou a Brown que YHWH (que hoje sabemos que se pronuncia Iahwé) começou a pronunciar-se "Jeová" na Idade Média ao interpolar-se entre as consoantes as vogais de "Adonai".
f. As cartas do tarot não ensinam doutrina da deusa; foram inventadas para jogos de azar no séc..XV e não adquiriram associações esotéricas até finais do séc. XVIII. A idéia de que os diamantes do baralho francês representam pentáculos é uma invenção do ocultista britânico A.E. Waite. O que dirão os esotéricos do baralho espanhol com suas copas -símbolos sexuais femininos- e suas espadas -símbolos fálicos, possivelmente como os paus-?
g. O Papa Clemente V não eliminou os templários em um plano maquiavélico nem jogou suas cinzas no Tíber, que está em Roma. Pois Clemente V foi o primeiro papa em Avignon. Toda a iniciativa contra os templários foi do rei francês Felipe, o Formoso. Maçons, nazistas e agora os neognósticos querem ser os herdeiros dos templários.
h. Mona Lisa não representa um ser andrógino, mas a Madonna Lisa, esposa de Francesco de Bartolomeu do Giocondo. Mona Lisa não é um anagrama dos deuses egípcios Amón e ISA (Isis).
i. Na Último Última Ceia de Leonardo, não aparece o cálice e aparece o jovem e elegante São João, o discípulo amado. A novela diz que o jovem bonito na realidade é Maria Madalena, que ela é o Graal. A verdade é que não aparece o cálice porque o quadro está descrevendo a Última Ceia tal como descrita no Evangelho de São João, sem a instituição da Eucaristia, mais concretamente quando Jesus avisa que "um de vós me trairá" (João 13,21).
j. A novela fala que Leonardo recebeu muitos encargos da Igreja e "centenas de lucrativas comissões vaticanas". Na realidade Leonardo passou pouco tempo em Roma e apenas lhe deram algum encargo.
k. A novela apresenta o Leonardo como um homossexual ostentoso. Na realidade, embora em sua juventude tenha sido acusado de sodomia, sua orientação sexual não está de todo clara.
l. A heroína, Sophie Neveu, usa o quadro de Leonardo “A Madonna das Rochas” como um escudo e o aperta tanto a seu corpo que se dobra: é assombroso, porque se trata de uma pintura sobre madeira, não sobre tecido, e de quase dois metros de altura.
m. Segundo os protagonistas da novela, "durante trezentos anos a Igreja queimou na estaca a assombrosa cifra de cinco milhões de mulheres". Esta é uma cifra repetida na literatura neopagã, como a da wiccas, da new age e a do feminismo radical, embora em outras webs e textos de bruxaria atual se fale de 9 milhões. Os neopagãos necessitam de uma "shoah" própria.
Quando consultamos historiadores sérios vemos que se calcula que entre 1400 e 1800 foram executadas na Europa cerca de 30.000 a 80.000 pessoas por bruxaria.
Nem todas foram queimadas. Nem todas eram mulheres. E a maioria não morreu pelas mãos de oficiais da Igreja, nem sequer de católicos. A maioria das vítimas vincula-se à Alemanha, coincidindo com as guerras camponesas e protestantes dos séc. XVI e XVII. Quando uma região trocava de denominação, abundavam as acusações de bruxaria e a histeria coletiva. Os tribunais civis, locais e municipais eram especialmente entusiastas, sobretudo nas zonas calvinistas e luteranas. De qualquer forma, a bruxaria foi perseguida e castigada com a morte por egípcios, gregos, romanos, vikings, etc... O paganismo sempre matou bruxos e bruxas. A idéia do neopaganismo feminista de que a bruxaria era uma religião feminista pré-cristã não tem base histórica.
Poder-se-ia continuar dissecando os erros e os simples enganos deste best-seller mentiroso. Para não falar de sua qualidade literária. Mas vale a pena tanto esforço por uma novela? A resposta é sim: para milhares de jovens e adultos, esta novela será seu primeiro, possivelmente único contato com a história antiga da Igreja, uma história regada pelo sangue dos mártires e a tinta de evangelistas, apologetas, filósofos e Padres. Não seria digno dos cristãos do séc. XXI ceder sem luta nem resposta ao neopaganismo o espaço que os cristãos dos primeiros séculos ganharam com sua fidelidade comprometida com Jesus Cristo.
Notas do autor:
Para este artigo utilizei muito material de Carl Orlson, um dos responsáveis pela magnífica página www.envoymagazine.com
Aos leitores da língua inglesa recomendo visitar http:/www.envoymagazine.com e todos os seus links sobre as relações entre cristianismo, gnosticismo e paganismo.
Fonte:
E-cristians.net - 09 / 01 / 03 -
(http://www.e-cristians.net/listados/marcos.asp?ide=5513&cat=hecho&lan=esp)
Artigo publicado em Info - Spes
Boletim Informativo da Fundação S.P.E.S.
Nº 61 - Janeiro de 2003
Cortesia de: José María Baamonde
E-mail: infospes@yahoo.es

Anjos e Demônios, o filme baseado na novela de mesmo nome que sairá à luz no dia 15 de maio de 2009


Joseph Dias, secretário geral do Foro Secular Católico (CSF) explica os conteúdos anti-católicos do livro e o filme; e se une ao boicote da Liga Católica (Catholic League - EUA).
O BOICOTE…
Não comprem o livro, não vão ao cinema.
Nota do editor: A Liga Católica (EUA) e o Foro Secular Católico (CSF –Índia) uniram suas forças para proibir o filme anti-católico de Dan Brown "Anjos e Demônios" que será lançado em maio. No seguinte artigo, Joseph Dias, secretário geral do CSF explica uma por uma as mentiras do livro de Brown que leva o mesmo nome: Anjos e Demônios. Particularmente iluminador é o testemunho do pessoal do filme que dá a conhecer o Padre Bernard O'Connor, um sacerdote canadense e oficial da Congregação para as Igrejas Orientais da Santa Sé que esteve em Roma o ano passado, quando o diretor Ron Howard estava filmando a obra. Ou seja, quem sabe, talvez Dan Brown, Tom Hanks e Opie Taylor são os Illuminati…
Por Joseph Dias
Dan Brown, o autor do Código de Da Vinci, parece haver-se convertido em um perito na arte do anti-catolicismo e agora leva sua agenda anti-católica um pouco mais adiante com seu livro "Anjos e Demônios". Além disso, o Co-produtor, Brian Grazer, quer que esta nova obra seja "menos reverente" que o Código de Da Vinci, quer dizer, ainda mais liberalmente anti-católica, o qual já é, se é que se detenha somente no livro.
As pessoas não poderiam reclamar dos realizadores, se estes tivessem deixado de lado figuras históricas e à própria Igreja Católica ao fazer sua obra "de culto". Entretanto, isto não foi o que aconteceu e o filme menciona uma série de personagens históricos e eventos, cobrindo de mentiras e de uma satanização da Igreja Católica toda a trama. As mentiras no filme tornam difícil que alguém o separe da ficção; e aqueles que não estão familiarizados com a história da Igreja Católica estão condenados a ir-se, depois de vê-lo, com uma má opinião d'Ela.
A HISTÓRIA
Tom Hanks representando Robert Langdon
O protagonista em ambas as obras, O Código Dá Vinci e Anjos e Demônios, é o especialista em simbologia de Harvard, Robert Langdon (personagem interpretado por Tom Hanks). Em Anjos e Demônios (o filme baseado no romance de mesmo nome que sairá à luz no dia 15 de maio de 2009), Langdon é recrutado pela CERN (Organização Européia para a Investigação Nuclear) para investigar o que aconteceu com uns de seus físicos: ele foi encontrado morto com um misterioso símbolo gravado no peito. Este símbolo era o de uma sociedade secreta que se acreditava extinta há muito tempo, a Irmandade dos Illuminati.
Com o tempo, Langdon se convence cada vez mais de que os Illuminati retornaram. De acordo com Brown, a organização, que tinha a Galileu entre seus membros, foi fundada para afirmar a supremacia da ciência sobre a irracionalidade da religião, especialmente o catolicismo. Agora procura a vingança, tendo capturado a anti-matéria, uma perigosa substância descoberta pelo cientista que foi assassinado. A missão de Langdon é deter os Illuminati antes que destruam o Vaticano com uma bomba de tempo feita de anti-matéria.

Por que são anti-católicos tanto o livro como o filme?
* Um sacerdote e uma religiosa se unem para inseminar-se artificialmente: pode-se apreciar a representação de um jovem sacerdote que antes de converter-se em Papa se apaixona por uma religiosa. Ambos desejam um filho, mas também querem permanecer castos, por isso recorrem à inseminação artificial.
* Distorção de fatos concernentes à vida real: O engano de Brown está em que intercala personagens da vida real como Copérnico e Galileu, assim como organizações verdadeiras, como os Illuminati; com assuntos reais como a ciência e a religião; para chegar assim às suas próprias e elaboradas conclusões, que não têm nenhuma raiz histórica nem se apóiam em fatos históricos; e terminam sendo simples e flagrantes mentiras.
* Falso retrato da Igreja Católica: Dan Brown sabe o que a história diz e mesmo assim, deliberadamente a representa mal. Sua distorção de propósito da verdade está pensada para caluniar a Igreja Católica. Brown quer mostrar que a Igreja Católica vê a ciência como um inimigo e que não se deterá ante nada para jogá-la em uma esquina.
* Mentiras sobre a CERN e a anti-matéria: Brown começa com uma página de "fatos" em que menciona a CERN. Ele a descreve como uma entidade a Suíça que criou a anti-matéria, “a mais poderosa fonte de energia conhecida pelo homem". É tão poderosa que "uma só grama de anti-matéria contém a energia de uma bomba nuclear de 20 kilotons, o tamanho da bomba jogada sobre Hiroshima”. Isto simplesmente não é certo.
* A CERN clarifica o assunto com feitos: A CERN recebeu muitas perguntas sobre o que Brown alega, tanto assim dedicam uma seção especial em sua página Web para respondê-las. Por exemplo, a Web Page precisa que “CERN não é um instituto suíço, a não ser uma organização internacional”; está localizada na Suíça e parcialmente na França. A anti-matéria sim existe, e é criada rotineiramente na CERN, mas “não existe a possibilidade de usar a anti-matéria como uma 'fonte' de energia".
Uma pergunta comum que fazem às autoridades desta organização é: “Fazem a anti-matéria como se descreve no livro?” A resposta é clara: "Não". Todo mundo quer saber que tão perigosa é a anti-matéria em realidade. A CERN precisa que esta é "totalmente segura, dadas as diminutas quantidades nas que a fazemos. Seria muito perigoso se fizéssemos alguns gramas, mas isto tomaria milhões de anos".
* A Igreja Católica usa qualquer meio para liderar a vingança: Mais importante ainda, Brown diz na seguinte página que "a Irmandade dos Illuminati é um fato". E o que procuram os Illuminati? No livro se diz que “os Illuminati foram caçados sem piedade pela Igreja Católica”. No trailer do filme, Tom Hanks, que faz o papel de Langdon, diz sobre a sociedade secreta que “a Igreja Católica ordenou um massacre brutal para silenciá-los para sempre. Eles voltaram para a revanche". Nas páginas 39-40 do livro, diz-se que os Illuminati foram fundados no século XVI, o filme afirma o mesmo. Na página 223 se diz que "a palavra da Irmandade de Galileu começou a difundir-se na década de 1630 e que os cientistas de todo o mundo faziam uma peregrinação secreta a Roma esperando poder unir-se aos Illuminati….”.
O diretor do filme, Ron Howard, concorda: “Os Illuminati se formaram no século XVII. Eram artistas e cientistas como Galileu e Bernini, cujas idéias progressivamente foram ameaçando o Vaticano”. Brown, em seu sítio Web, reafirma esta idéia central: “é um fato histórico que os Illuminati queriam vingar-se do Vaticano no século XVII. Os primeiros Illuminati –os da época do Galileu– foram expulsos de Roma pelo Vaticano e caçados sem misericórdia”.
* Mentiras sobre os Illuminati: A verdade é que nenhum membro dos Illuminati foi caçado e muito menos assassinado por parte da Igreja Católica. Saber exatamente quais foram os Illuminati demonstra quão falsas são as afirmações do Brown. Os Illuminati foram fundados por um professor de leis chamado Adam Weishaupt, na Baviera, Alemanha, em 1 de maio de 1776. Não duraram muito: paralisou totalmente em 1787. Este não é um assunto em disputa, assim arrastar Galileu a esta fábula é bastante desonesto. Ele morreu em 1642, quase 150 anos antes que os Illuminati fossem fundados. Brown tem que saber tudo isto porque em seu próprio sítio Web há uma seção sobre os Illuminati que corretamente precisa sua fundação em 1776!
* Canonização e a Santa Comunhão "emprestadas" do paganismo: Anjos e Demônios afirma que a tradição da Igreja da canonização está tirada de um antigo rito "para fazer-se deus". Mas os Santos não são pessoas feitas deuses, e em nenhum caso as origens pagãs da canonização poderiam haver-se explicado com precisão porque não são tais. Não existe, além disso, absolutamente nenhuma evidencia para a afirmação do Brown sobre o fato que morrer pelos pecados dos outros seja uma idéia cristã roubada ao legendário rei asteca Quetzalcoatl. A Santa Comunhão, segundo Brown, é um conceito que foi tirado dos astecas. Mas o fato concreto é que a Cristandade precede à civilização asteca por mais de 1000 anos.
* Mais mentiras históricas sobre personagens reais: O livro considera que a CERN inventou a Internet, o que é claramente falso. Ela lhe dá crédito a dois repórteres da BBC (da Inglaterra) que ganharam o Prêmio Pulitzer, em que pese a que este prêmio só se entrega a americanos. Afirma além que Winston Churchill foi um “católico incondicional”, quando a verdade é que nunca foi católico. Apresenta a idéia de que a Igreja Católica é muito rica, quando em realidade seu orçamento anual de operação se poderia comparar ao de um quinto da Universidade de Harvard (EUA). O livro diz que Copérnico foi assassinado, quando a história precisa que morreu de um ataque. O texto assinala além que Galileu foi um pacifista, embora não há evidências de que o fora. Brown toma uma crença: que os cientistas cristãos consideram inadequado o tratamento médico para uma pessoa jovem e o atribui falsamente ao catolicismo. Pinta além disso, falsamente, aos católicos como opostos ao ensino da evolução e identifica a uma organização protestante, a Christian Coalition (Coalizão Cristã) como uma entidade católica, quando não o é.
*O Papa Pio IX retratado como um desviado sexual: Brown quer promover todo tipo de estereótipo negativo sobre a Igreja Católica. Um dos favoritos de todos os tempos é a alegada fobia da Igreja ante a sexualidade. Por isso não deve surpreender que Brown presente o Papa Pio IX como um "maníaco eliminador de pênis" que destruiu grandes obras de arte. “Em 1857 –diz Brown na página 159– o Papa Pio IX decidiu que a representação masculina completa poderia incitar à luxúria dentro do Vaticano. Assim tomou um cinzel e um martelo e destruiu todas as genitálias de todas as estátuas masculinas dentro da Cidade do Vaticano”.
Pio IX, em vez de ir caminhando pelo Vaticano com seu martelo em mão, golpeando as estátuas masculinas entre as pernas, em realidade apoiou prodigamente as artes e premiou aos artistas por suas contribuições. É também conhecido por ter restaurado as pinturas no Vaticano.
*O Papa Urbano VIII rejeita ao escultor Bernini e a escultura de Santa Teresa (de Ávila): Brown guarda suas melhores armas para a suposta má reação do Papa ante a obra mestra de escultura de (Gian Lorenzo) Bernini, “O êxtase da Santa Teresa”. Segundo Brown, “o Papa Urbana VIII tinha rechaçado 'O êxtase da Santa Teresa' por ser uma obra sexualmente explícita para o Vaticano. Assim que a desterrou a alguma escura capela no outro lado da cidade”. Na mesma página, a 442, lê-se que “a escultura, como qualquer pessoa que a viu pode testemunhar, era algo menos algo cientista-pornográfico, mas certamente não científico". Na seguinte página escreve que "a estátua representava a Santa Teresa sobre suas costas na agonia de um intenso orgasmo".
Novamente, Brown simplesmente cria "fatos" que calcem em sua agenda. Para os principiantes na escultura, Teresa não está sobre suas costas, mas sim sentada. Quanto a Urbano VIII, não foi um adversário de Bernini, mas sim foi seu amigo e patrono. Em uma biografia de Arthur Lubow sobre este grande artista, se precisa que durante os 20 anos de pontificado de Urbano VIII, Bernini foi tratado como se fora da realeza pelo Papa. De fato, Bernini foi o favorito de todos os Papas enquanto viveu, e foi condecorado com a Cruz da Ordem de Cristo.
* Brown eleva à ciência ao lugar de Deus: Na página 31, um dos personagens do Brown se regozija ao dizer que "logo se provará que todos os deuses são falsos. A ciência dará a resposta a quase todas as perguntas que o homem possa fazer". Assim, que coisa resta? “Só restam algumas perguntas", escreve Brown, "e essas são as perguntas esotéricas”. Como por exemplo o verdadeiro sentido da existência! Na página 218, Brown se emociona tanto com a promessa da ciência que para expressá-lo usa itálicos e exclama: "A Ciência é Deus!". Na página 474, fica totalmente claro: “A medicina, as comunicações eletrônicas, as viagens espaciais, a manipulação genética são os milagres sobre os que falamos com nossos filhos. Estes são os milagres que levamos como prova de que a ciência nos dará todas as respostas". E logo se lança pelo ouro: "As antigas histórias sobre imaculadas concepções, sarças ardentes e mares abertos já não são relevantes. Deus se tornou obsoleto. A ciência ganhou a batalha".
Nesta perspectiva, há algo que a ciência não possa fazer? Evidentemente não. Aqui Brown apresenta sua postura mais extrema (página 658): “A ciência veio para nos salvar da enfermidade, da fome e da dor! Hei aqui a ciência, o novo Deus dos milagres infinitos, onipotente e benevolente! Ignorem as armas e o caos”. A ciência deu um elixir para os problemas pessoais: “Esqueçam a solidão fraturada e o perigo interminável. A Ciência está aqui!”.
* O fato é que o catolicismo promoveu a ciência e a astronomia: a Ciência não teria progredido se não tivesse sido assim. “Nos últimos 50 anos”, afirma o professor Thomas E. Woods, Jr., “virtualmente todos os historiadores da ciência… chegaram à conclusão de que a Revolução Científica se deveu à Igreja”. Para o sociólogo Rodney Stark a razão pela que a ciência emergiu na Europa e não em nenhum outro lugar, foi o catolicismo. “sabe-se que na China, no Islã, na Índia, na Grécia antiga e em Roma, todos tiveram uma muito desenvolvida alquimia. Mas somente na Europa esta alquimia se transformou em química. Por essa razão, muitas sociedades desenvolveram elaborados sistemas de astrologia, mas solo nisto Europa levou a astronomia".
O rol pioneiro dos católicos na astronomia está fora de discussão. J.L. Heilborn da Universidade de Califórnia em Berkeley escreve que “A Igreja Católica ajudou mais que ninguém financeira e socialmente ao estudo da astronomia por mais de seis séculos, da recuperação dos estudos antigos durante a última etapa da Idade Média até a Ilustração". Somente os alcances científicos dos jesuítas alcançaram todos os cantos da terra.
O que fez ao catolicismo tão amigo da ciência e por que a ciência se originou na Europa e não em outra parte? Stark sabe o porquê: “Porque o Cristianismo representava a Deus como um ser racional, sensível, confiável e onipotente, e o universo como sua própria criação pessoal. entendia-se então que o mundo natural tem uma estrutura estável, racional, legal, que espera (em realidade que convida) à compreensão humana".
* A Igreja e Galileu, muitas falsidades: Os mitos sobre Galileu são tantos que somente uns poucos se dão o trabalho de consultar os fatos históricos para saber o que em realidade aconteceu. Brown explora esta ignorância ao máximo. Quando afirma na página 41 que os "dados do Galileu estavam fora de discussão”, não chega nem perto da verdade. Por exemplo, sabemos que as marés se explicam pelas forças gravitacionais da lua. Mas a fixação de Galileu sobre a terra girando ao redor do sol não lhe permitiu compreender isto, ele pensava que as marés deviam compreender-se a partir do fato de que a terra girava ao redor do sol. E o que é mais importante, o que colocou a Galileu em problemas não foram suas idéias mas a sua arrogância: fez afirmações que não podia sustentar cientificamente.
Se Galileu foi castigado por sustentar que a terra gira ao redor do sol, então por que Copérnico não foi castigado? Afinal de contas, Copérnico teve esta idéia antes mesmo que Galileu chegasse a ela, e assim como Galileu, Copérnico era católico. A diferença está em que Copérnico foi um cientista honesto: estava contente afirmando suas idéias a modo de hipótese. Galileu repudiou fazer o mesmo, inclusive quando não podia as provar.
Se a Igreja Católica quis tirar o Galileu do mapa, então como se explica que fora gabado por seu trabalho em Roma em 1611? Por que o Papa Paulo V o acolheu? Por que se fez amigo do futuro Papa, Urbano VIII? Francamente, Galileu nunca se meteu em problemas antes de começar a insistir em que o sistema copernicano era positivamente certo. Quando esteve de acordo tratando isto como uma hipótese ou como uma proposição matemática, não sofreu nenhuma sanção.
Em 1624, o Papa Urbano VIII deu a Galileu medalhas e outros presentes, e lhe rogou que seguisse realizando seu trabalho. De acordo com Woods, “Urbano VIII lhe disse ao astrônomo que a Igreja nunca tinha declarado que o sistema do Copérnico era herético, e que a Igreja nunca faria isso". Isto, é obvio, não é o que Brown quer que acreditemos. Oito anos depois, Galileu escreveu em seu "Dialogo sobre os principais sistemas do mundo", e o fez a pedido do Papa. Mas esta vez Galileu assinalou que a teoria copernicana era empiricamente certa. Além disso, apresentou-se como teólogo, não somente como matemático, e esteve de acordo em fazê-lo. A Igreja não estava contente, e se sentiu marcada por ele. De igual modo, a comunidade científica não estava impressionada. Sua arrogância era terrível para muitos fora da Igreja assim como dentro dela.
É fácil para nós dizer que a Igreja reagiu exageradamente com Galileu. Isto é certo. Mas é também importante notar que ele nunca foi torturado e não passou um só dia na prisão. Foi confinado ao arresto domiciliário em uma modesta casa durante 9 anos. Inclusive passou um tempo na casa do Arcebispo de Siena. Não é exatamente a experiência tipo gulag (campos de trabalhos forçosos russos no tempo do Stalin aonde morreram milhões de pessoas) que nos têm feito acreditar. Seria interessante saber como Brown explicaria o fato que o primeiro líder da Pontifícia Academia para as Ciências não foi outro que seu "mártir" favorito Galileu Galilei!
Se a Igreja Católica era tão anti-ciência, por que o Papa Bento XIV outorgou o imprimatur (permissão eclesiástica oficial para a impressão de uma obra católica) à primeira edição dos trabalhos completos do Galileu? Assim o fez em 1741. E se necessitamos melhores provas para demonstrar que o abrasivo do Galileu teve algo que ver com a resposta da Igreja, deve considerar-se que cientistas como o P. Roger Boscovich seguiram explorando as idéias copernicanas enquanto Galileu foi encontrado "veementemente suspeito de heresia". Também deve notar-se que aos católicos nunca lhes proibiu ler a Galileu, inclusive os livros científicos de todo tipo circularam livremente durante e depois da censura ao Galileu.
As razões do Bill Donahue
Segundo Bill Donahue da Liga Católica dos Estados Unidos, “dentro de pouco, a equipe formada por Dan Brown e Ron Howard terão gerado na audiência a crença de que Galileu era membro de uma sociedade secreta, os Illuminati, e que esse grupo procura vingar do Vaticano pela história anti-ciência da Igreja Católica. O fato é que Galileu morreu quase 150 anos antes que os Illuminati fossem fundados em 1 de maio de 1776. Por que mentir então? Porque sua meta é mostrar à Igreja Católica como uma inimizade da ciência, e qual outra melhor forma que usar para isto o seu mártir favorito, Galileu? A vítima perfeita, mencionada perseguição do Galileu, é citada assim como prova da guerra da Igreja contra a razão".
“Galileu nunca foi aprisionado ou torturado. Seu confinamento foi uma detenção domiciliária, embora não garantido, e estava mais em função de sua arrogância que das suas idéias: persistiu em apresentar idéias (tiradas de Copérnico, um cientista católico que nunca foi castigado) como cientificamente precisas, algo do que inclusive cientistas de seu tempo duvidavam".
* Testemunhos em contra da Igreja de parte do pessoal que produziu o filme: O Padre Bernard O'Connor, um sacerdote canadense e oficial da Congregação para as Igrejas Orientais da Santa Sé, estava em Roma o ano passado enquanto o diretor Ron Howard filmava a obra. O'Connor se encontrou duas vezes com o pessoal da mesma e conversou de maneira informal com 20 deles. Estava vestido casualmente de modo que ninguém se deu conta de que era um sacerdote. Falaram abertamente, pensando que era somente "um turista amistoso". O Padre escreveu um artigo sobre sua experiência na revista mensal, Inside the Vatican (Dentro do Vaticano). Um dos trabalhadores que disse ser um dos "encarregados" opinou assim: "a Igreja miserável está contra nós outra vez e nos está causando problemas". Logo, falando de seu amigo Dan Brown, acrescentou “como muitos de nós, ele com freqüência diz que faria algo para demolir esta detestável instituição, a Igreja Católica. E triunfaremos. Já verão”. Quando o Padre O'Connor lhe pediu que precisasse suas afirmações, o oficial de produção disse "ao final desta geração não existirá mais a Igreja Católica, ao menos não na Europa ocidental. E em realidade os meios merecem muito crédito por seu desaparecimento".
“Finalmente o público está entendendo nossa mensagem", disse logo. A mensagem está claramente definida: "a Igreja Católica tem que ser debilitada e eventualmente desaparecer da face da terra. É a primeira inimizade da humanidade. Sempre o foi". Este mesmo senhor lhe dá o crédito disto à "televisão, Hollywood, as indústrias da música e de vídeo, junto com cada um dos jornais que existem, pois todos dizem o mesmo". Este sujeito também mencionou o papel que algumas universidades jogaram para minar o catolicismo.
Quais são os Illuminati e o que se diz que têm feito?
Em realidade, os Illuminati foram homens da Ilustração que acreditaram possuir algum tipo de conhecimento especial que lhes permitiria reformar a Alemanha. Weishaupt, seu fundador, pedia a seus seguidores que deixassem a suas famílias e amigos –a modo de culto– para que pudessem construir uma sociedade revolucionária. Antes de morrer, renunciou a todas as sociedades secretas e se reconciliou com a Igreja Católica. Mas nada disto se diz porque Brown quer que acreditemos que os Illuminati ainda existem.
Apesar de que os Illuminati morreram faz muito tempo (em 1787), a seguinte é uma lista de algumas das coisas que se diz realizaram. Os Illuminati teriam sido responsáveis pelo assassinato dos seguintes presidentes (do EUA): Abraham Lincoln (1861-1865), William Henry Harrison (1841), Zachary Taylor (1849-1850), James Garfield (1881) e William McKinley (1897-1901). Também foram "provavelmente" responsáveis pelo assassinato do Warren Harding (1921-1923) e "possivelmente" do Franklin Roosevelt (1933-1945). De qualquer modo, a morte da Princesa Diana também teria sido obra dela.
Certamente esta sociedade secreta "deixou seu rastro na história". Aqui menciono alguns dos fatos históricos que seriam sua responsabilidade: a Revolução Francesa; a Revolução Russa; animar a Marx e Engels para que escrevessem o Manifesto Comunista; uma tentativa de derrocar aos Estados Unidos; persuadir o Papa para que dissolva aos jesuítas (os quais são considerados por alguns como os fundadores dos Illuminati); manipular ao Juiz (John) Marshall (1801-1835), Presidente da Corte Suprema dos Estados Unidos para que entregue os "poderes implícitos" do governo federal; instigação de levantamentos na Europa na década de 1840; manipulação de Lincoln para que adote um imposto gradual.
Diz-se também que os Illuminati teriam apoiado: a Reserva Federal (do EUA), as Compensações de trabalhadores, a 16º emenda (adoção de um imposto federal aos ganhos); a Liga de Nações, a Partida Comunista; o Plano Marshall; as Nações Unidas, o Conselho par as Relações Exteriores, a Comissão Trilateral e o Banco Mundial.
Também teria jogado um papel importante para fomentar a Primeira guerra mundial, a Segunda guerra mundial (teriam animado a Hitler a invadir a Polônia), a Guerra Fria e o 11 de setembro. É responsável além dos ataques ao cristianismo e por dividir aos judeus ortodoxos dos conservadores. A AIDS, o Ébola e o Síndrome da Guerra do Golfo seriam também criação dos Illuminati. Inclusive seriam responsáveis pelo Furacão Katrina e da Cruz Vermelha (que se beneficiou do mesmo).
Joseph Dias é o Secretário Geral do Foro Secular Católico (CSF). Com comentários de Bill Donahue, Liga Católica (Catholic League – o EUA)
Tirado de: http://fratres.wordpress.com/2009/03/25/angels-demons-joseph-dias-separates-truth-from-lies-in-the-book-joins-the-catholic-league-in-calling-for-boycott-of-the-catholic-bashing-film/