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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Dom Dolan: que o legado de 11S seja de esperança
ZP11091204 - 12-09-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-28818?l=portuguese
O 10º aniversário é um momento para recordar e seguir adiante
WASHINGTON, segunda-feira, 12 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – O 10º aniversário dos ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 é um momento não somente para ser lembrado, mas também para seguir adiante, segundo o presidente da Conferência Episcopal dos EUA.
DomTimothy Dolan, de Nova York, disse isso em uma declaração divulgada alguns dias antes do aniversário. Este comemora os 10 anos do sequestro dos quatro aviões que colidiram em Nova York, Washington, Shanksville e Pensilvânia. No total, 3 mil mortos como resultado dos ataques, incluindo os 19 sequestradores.
“Recordamos com respeito os afetados diretamente por esta tragédia, os que morreram, ficaram feridos ou perderam seus entes queridos – escreveu Dom Dolan. De forma especial, recordamos a generosa resposta (de policiais, bombeiros, sacerdotes e outras valentes pessoas) dos que arriscaram, e muitas vezes perderam, suas vidas esforçando-se corajosamente para salvar outros.”
Estima-se que mais de 400 profissionais, incluindo 343 membros do corpo de bombeiros, morreram em Nova York no dia 11 de setembro. Muitos deles perderam a vida quando as torres caíram.
O arcebispo disse que é importante não somente recordar os ataques, mas também a resposta: “Nós nos dedicamos à oração e à ajuda mútua. As mãos se abriam em oração e ao serviço de todos os que haviam perdido tanto”.
Indo mais longe, Dom Dolan disse que, como país, “continuamos decididos a rejeitar as ideologias extremistas que perversamente utilizam a religião para justificar ataques contra civis inocentes”.
“Este 10º aniversário do 11S pode ser um tempo de renovação”, acrescentou.
“Há 10 anos, nos âmbitos religioso, político, social e étnico, nós nos unimos como um só povo para curar as feridas e defender-nos do terrorismo.”
“À medida que enfrentamos os desafios atuais, das pessoas desempregadas, da lutas das famílias e dos contínuos perigos das guerras e do terrorismo, convoquemos o espírito de unidade do 11S para enfrentar os nossos desafios. Rezemos para que o último legado do 11S não seja o medo, mas a esperança para um mundo renovado.”
O dia 12 de setembro
Em um artigo publicado na última quarta-feira no site Catholic New York, Dom Dolan disse que, além do que aconteceu em 11S, havia muito a aprender do dia seguinte, 12 de setembro. Relatou como o pároco de St. Peter, perto da Zona Zero, lhe disse: “Nós, cidadãos de Nova York, não recordamos somente os horrores e os sofrimentos de 11S; também comemoramos o dia 12 de setembro”.
“Demorei um pouco para entender o significado desta frase”, confessou o arcebispo. Mas então explicou: “Os moradores de Nova York estavam sobressaltados, bravos, entristecidos e chocados pela morte e destruição inesquecível de 11S, sim; mas não estavam paralisados ou derrotados!”.
“Recuperaram-se de imediato, tornando-se pessoas de fé, oração, esperança e amor intensos, tão rapidamente quanto começou o resgate, a recuperação, a reconstrução e a assistência. E, desde então, não pararam.”
“O 11S poderia ter nos transformado em animais estáticos, paranoicos e viciosos, e nossos atacantes dementes teriam nos vencido – continuou Dom Dolan –, ou extrair a parte mais nobre da alma humana, como o sacrifício heroico, a solidariedade no serviço, os esforços infinitos no resgate, as comunidades unidas, as orações pelos que morreram e pelas suas famílias em luto, a cura e a renovação.”
“O 11S não teve a última palavra, mas sim o dia 12”, concluiu.
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Texto completo da declaração no site de ZENIT (em inglês): www.zenit.org/article-33379?l=english
Artigo do Catholic New York: www.cny.org
domingo, 11 de setembro de 2011
Bento XVI sobre o 11 de setembro: Rejeitar a violência e resistir à tentação do ódio
Bento XVI sobre o 11 de setembro: Rejeitar a violência e resistir à tentação do ódio
ANCONA, 11 Set. 11 / 04:02 pm (ACI/EWTN Noticias)
Ao presidir este meio-dia (hora local) a oração do ângelus dominical da localidade italiana de Ancona, o Papa Bento XVI recordou novamente os trágicos eventos de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque, e alentou a "rejeitar a violência, como solução dos problemas” e a “resistir à tentação do ódio".
Logo depois da Missa que presidiu na cidade de Ancona, aonde chegou para dar encerramento ao Congresso Eucarístico italiano que realizado durante esta semana, o Santo Padre disse que a oração do ângelus permite contemplar a Maria.
"Graças ao ‘Fiat’ da Virgem, o Verbo se fez carne e habitou entre nós", disse e logo encomendou a Itália à Virgem de Loreto, para que em toda esta nação se faça presente "Cristo Ressuscitado, fonte de esperança e de consolo para a vida cotidiana, especialmente nos momentos difíceis".
Seguidamente o Santo Padre afirmou que "hoje o nosso pensamento se volta também para o 11 de setembro de dez anos atrás".
"Ao recordar ao Senhor da Vida as vítimas dos atentados executados naquele dia e as suas famílias, convido os responsáveis das Nações e os homens de boa vontade a rejeitar a violência, como solução dos problemas”, disse.
Bento XVI também exortou "a resistir à tentação do ódio e a operar na sociedade, inspirando-se nos princípios da solidariedade, da justiça e da paz".
O Papa enviou ontem uma carta ao Presidente da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), Dom Timothy Dolan, na que assegurou que "nenhuma circunstância pode justificar atos de terrorismo" e na qual ele elevou suas orações pelas vítimas dos atentados.
Na carta o Santo Padre reitera que "toda vida humana é preciosa aos olhos de Deus e deve se economizar nenhum esforço na tentativa de promover em todo mundo um genuíno respeito pelos direitos inalienáveis e pela dignidade dos indivíduos em todo lugar".
Como parte dos atos que o Vaticano está organizando em lembrança das vítimas dos atentados, a Missão Permanente da Santa Sé perante a ONU em Nova Iorque celebrou ontem uma Missa na Catedral do St. Patrick às 17:30h, presidida pelo Arcebispo Francis Chullikatt, Núncio ante este organismo.
As tragédias do 11-9
Em 11 de setembro de 2001 o grupo terrorista Al Qaeda seqüestrou dois aviões comerciais nos Estados Unidos. Dois deles colidiram contra as Torres Gêmeas no World Trade Center provocando a completa destruição destes edifícios.
Os terroristas seqüestraram outros dois aviões, um dos quais impactou contra uma das paredes do Pentágono na Virginia, e o outro caiu em campo aberto.
Como resultado dos atentados morreram umas de 3 mil pessoas e outras 6 mil resultaram feridas.
O lugar onde estavam estes edifícios foi rebatizado depois como Zona Zero, aonde chegou o Papa Bento XVI, em sua viagem de abril de 2008, para rezar pelas vítimas destes trágicos eventos.
Antes de realizar sua viagem aos Estados Unidos, o Santo Padre tinha feito um pedido explícito para que esse momento de oração na zona do desastre fizesse parte do programa oficial na visita a este país e à sede da ONU em Nova Iorque.
O 11 de setembro
Em 2001 tivemos o triste fato da destruição das Torres Gêmeas nos Estados Unidos, ocasionando pânico em todo o mundo. Foi a expressão que revelou até que ponto chega a violência entre as pessoas. Como consequência, tivemos a ceifa de tantas vidas.
Diante de um acontecimento como esse, a sensação natural é de vingança. Parece até que não cabe aí a palavra "perdão". A morte de Bin Laden foi consequência disto. No coração de muita gente brotou um sintoma de alívio, de corte do mal pela raiz.
Não só esse fato, mas sofremos tantos atos de violência todos os dias sejam nos assaltos, nos lares, no trânsito, na ação das quadrilhas defendendo pontos de venda de drogas etc. É sinal de que todos nós estamos na vulnerabilidade.
Fomos criados para a vida e a morte natural. Na verdade, a pessoa humana é patrimônio da humanidade. Não existe para ser objeto de violência e de vingança. Nos ensinamentos de Jesus Cristo, a felicidade passa pelo perdão, "até setenta vezes sete".
Num mundo de violência e vingança, não é fácil entender o Mistério do Amor de Deus. É o Mistério do Perdão como gesto profundo de gratuidade. Não é a vingança por vingança, que causa cada vez mais violência, deixando o povo sem esperança.
O rancor e a raiva são coisas detestáveis, que prejudicam o relacionamento humano. O perdão é sempre mais forte do que a vingança. Conseguimos usufruir da vida se for na liberdade e no respeito mútuos, no saber entender a diversidade.
Só a justiça é capaz de construir relações novas e um mundo novo. Ela leva ao perdão de qualidade, a gestos de nobreza e de bênçãos de Deus. É a superação do "olho por olho e dente por dente". Aquilo que as nações não têm conseguido fazer.
A morte e a destruição nos nivelam a todos. Só aí vão cessar o rancor e a raiva. O ensinamento de Deus se apóia na misericórdia e na capacidade do perdão em todas as circunstâncias.
***
Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto - SP
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O terrorismo do mal e do pecado: a tragédia na Noruega
27de
julho de 2011 (Notícias Pró-Família) - A Noruega é um dos lugares mais
belos da terra. Um paraíso nórdico de fiordes, litoral, geleiras e
florestas. Os noruegueses têm merecidamente orgulho de sua sociedade
pacífica e próspera.
Pois bem, hoje a Noruega está num estado de choque total e absoluto depois de um dos atos de terrorismo mais cruéis e a sangue frio desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Os noruegueses estão desesperadamente tentando explicar essa matança sem lógica. O assassino tem sido descrito como um extremista de direita, um cristão fundamentalista, um fanático anti-imigração e mentalmente doente. O mais provável, em minha opinião, é que ele seja um fascista.
Mas há duas razões básicas desse ato horrível que poucos na Noruega, ou no resto do mundo ocidental inclusive, reconhecerão: o mal e o pecado.
Entenda: a Noruega é um dos países mais seculares da Europa ocidental. Quase nada restou da fé cristã que no passado dominava o país.
Por isso, sem a compreensão cristã da natureza humana caída, o povo da Noruega fica apenas com o luto, mas sem uma explicação para o horror que lhes sobreveio.
Tudo o que posso pensar é numa visita que fiz a uma prisão de segurança máxima fora de Oslo na década de 1980. Conto-lhe esse caso no meu livro How Now Shall We Live? (Como viveremos agora?) Fui cumprimentado pela carcereira, que era psiquiatra. Ela me guiou num passeio pelo lugar, que parecia mais um laboratório do que uma prisão. Vimos tantos outros psiquiatras que perguntei à carcereira quantos dos presos ali eram casos de doença mental.
Ela respondeu: "Todos eles, é claro".
Fiquei espantado, e perguntei: "Verdade?"
"Veja bem", disse ela, "qualquer um que comete um crime violento tem obviamente um desequilíbrio mental".
Essa era a expressão máxima do modelo terapêutico. As pessoas, assim segue esse tipo de raciocínio, são basicamente boas, de modo que qualquer um que faça algo tão horrível quanto isso só pode ser doente mental. E a solução é terapia. É uma maneira tragicamente falha e inexata de ver a natureza humana. E, conforme fiquei sabendo apenas alguns dias mais tarde, é uma maneira muito perigosa.
Durante essa visita preguei o Evangelho aos presos. Eles estavam completamente insensíveis à mensagem. Mas quando eu estava indo embora, uma funcionária cristã da prisão veio até mim. Ela disse que havia orado para que alguém confrontasse os presos com a mensagem sobre pecado e salvação. Ela estava frustrada com o sistema prisional da Noruega, onde não havia nenhum conceito de responsabilidade pessoal. Portanto, não havia nenhuma razão para os presos buscarem uma transformação pessoal.
Alguns dias mais tarde, fiquei sabendo da notícia trágica: a jovem funcionária com quem eu havia conversado foi incumbida de escoltar um preso para fora da prisão para assistir a um filme como parte da terapia dele. No caminho de volta para a prisão, ele a matou.
A questão importante é esta: quando tentamos dar razões convincentes sobre o mal moral, fracassaremos em nossos esforços de reprimi-lo. Não podemos dar explicações sobre a conduta humana sem reconhecer que somos criaturas caídas propensas ao pecado.
Como um triste comentário final sobre a tragédia de Oslo, a sentença máxima que um criminoso pode receber na Noruega é 21 anos. Por isso, a não ser que ocorra algo fora do comum, o terrorista de Oslo estará de volta às ruas em 2032. Uma porta-voz da polícia de Oslo explicou desta forma: "O que o mundo precisa compreender sobre a Noruega é que esse incidente representa nossa perda da inocência, pois temos sido um país muito seguro de se viver, até agora". Ela então acrescentou: "Não existe nenhuma razão para se manter as pessoas a vida inteira na prisão".
Mas há e sempre haverá. Chama-se pecado.
***
por Chuck Colson
Publicado com a permissão de Breakpoint
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Pois bem, hoje a Noruega está num estado de choque total e absoluto depois de um dos atos de terrorismo mais cruéis e a sangue frio desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Os noruegueses estão desesperadamente tentando explicar essa matança sem lógica. O assassino tem sido descrito como um extremista de direita, um cristão fundamentalista, um fanático anti-imigração e mentalmente doente. O mais provável, em minha opinião, é que ele seja um fascista.
Mas há duas razões básicas desse ato horrível que poucos na Noruega, ou no resto do mundo ocidental inclusive, reconhecerão: o mal e o pecado.
Entenda: a Noruega é um dos países mais seculares da Europa ocidental. Quase nada restou da fé cristã que no passado dominava o país.
Por isso, sem a compreensão cristã da natureza humana caída, o povo da Noruega fica apenas com o luto, mas sem uma explicação para o horror que lhes sobreveio.
Tudo o que posso pensar é numa visita que fiz a uma prisão de segurança máxima fora de Oslo na década de 1980. Conto-lhe esse caso no meu livro How Now Shall We Live? (Como viveremos agora?) Fui cumprimentado pela carcereira, que era psiquiatra. Ela me guiou num passeio pelo lugar, que parecia mais um laboratório do que uma prisão. Vimos tantos outros psiquiatras que perguntei à carcereira quantos dos presos ali eram casos de doença mental.
Ela respondeu: "Todos eles, é claro".
Fiquei espantado, e perguntei: "Verdade?"
"Veja bem", disse ela, "qualquer um que comete um crime violento tem obviamente um desequilíbrio mental".
Essa era a expressão máxima do modelo terapêutico. As pessoas, assim segue esse tipo de raciocínio, são basicamente boas, de modo que qualquer um que faça algo tão horrível quanto isso só pode ser doente mental. E a solução é terapia. É uma maneira tragicamente falha e inexata de ver a natureza humana. E, conforme fiquei sabendo apenas alguns dias mais tarde, é uma maneira muito perigosa.
Durante essa visita preguei o Evangelho aos presos. Eles estavam completamente insensíveis à mensagem. Mas quando eu estava indo embora, uma funcionária cristã da prisão veio até mim. Ela disse que havia orado para que alguém confrontasse os presos com a mensagem sobre pecado e salvação. Ela estava frustrada com o sistema prisional da Noruega, onde não havia nenhum conceito de responsabilidade pessoal. Portanto, não havia nenhuma razão para os presos buscarem uma transformação pessoal.
Alguns dias mais tarde, fiquei sabendo da notícia trágica: a jovem funcionária com quem eu havia conversado foi incumbida de escoltar um preso para fora da prisão para assistir a um filme como parte da terapia dele. No caminho de volta para a prisão, ele a matou.
A questão importante é esta: quando tentamos dar razões convincentes sobre o mal moral, fracassaremos em nossos esforços de reprimi-lo. Não podemos dar explicações sobre a conduta humana sem reconhecer que somos criaturas caídas propensas ao pecado.
Como um triste comentário final sobre a tragédia de Oslo, a sentença máxima que um criminoso pode receber na Noruega é 21 anos. Por isso, a não ser que ocorra algo fora do comum, o terrorista de Oslo estará de volta às ruas em 2032. Uma porta-voz da polícia de Oslo explicou desta forma: "O que o mundo precisa compreender sobre a Noruega é que esse incidente representa nossa perda da inocência, pois temos sido um país muito seguro de se viver, até agora". Ela então acrescentou: "Não existe nenhuma razão para se manter as pessoas a vida inteira na prisão".
Mas há e sempre haverá. Chama-se pecado.
***
por Chuck Colson
Publicado com a permissão de Breakpoint
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
quarta-feira, 23 de março de 2011
Recopilação de Mensagens de João Paulo II sobre a paz e o terrorismo
Um ano após o 11 de setembro: " Violência nunca mais! Guerra nunca mais! Terrorismo nunca mais! Em nome de Deus, que todas as religiões tragam à terra Justiça e Paz, Perdão e Vida, Amor!"
Cidade do Vaticano (Agência Fides) - 11 de setembro de 2001: 11 de setembro de 2002: um ano com João Paulo II pela paz entre os homens e a harmonia entre as religiões 11 de setembro de 2001 - Telegrama ao Presidente Bush "Impressionado com indizível horror pelos desumanos ataques terroristas... urge-me expressar ao Senhor e seus concidadãos minha profunda dor e minha proximidade na oração...Rogo a Deus para que ajude ao Senhor e ao povo americano, nesta hora de sofrimento e de provação"
12 de setembro de 2001: Audiência Geral na Praça de São Pedro "Ontem foi um dia escuro na história da humanidade, uma terrível afronta à dignidade do homem...Mas a fé nos sai ao encontro nestes momentos nos quais qualquer comentário parece inadequado...Embora a força das trevas pareça prevalecer, o fiel sabe que o mal e a morte não têm a última palavra"
(Texto completo)
13 de setembro de 2001: Discurso ao novo embaixador dos Estados Unidos na Santa Sé "Neste momento de luto nacional...quero garantir pessoalmente minha profunda participação na dor do povo americano e minha sentida oração pelo Presidente, pelas autoridades civis e pelos que trabalham nas operações de salvamento"
(Texto completo)
16 de setembro de 2001: Ângelus no término da Santa Missa celebrada em Frosinone "Que a Virgem leve consolo e esperança a quantos sofrem por causa do trágico atentado terrorista... Maria acolha os defuntos, console os sobreviventes, proteja as famílias particularmente atingidas, e nos ajude a não cair na tentação do ódio e da violência"
(Texto completo)
19 de setembro de 2001: Audiência Geral na Praça São Pedro "Vos convido a rezar nestes dias para que Deus Onipotente guie a mente e o coração dos responsáveis pelo mundo de maneira que prevaleçam os caminhos da justiça e da paz"
(Texto completo)
23 de setembro de 2001: - Ângelus ao término da Santa Missa celebrada em Astana, Cazaquistão "Desejo fazer um fervoroso chamado a todos, cristãos e seguidores de outras religiões, para que cooperem para edificar um mundo sem violência, um mundo que ame a vida e se desenvolva na justiça e na solidariedade. Não devemos permitir que o que aconteceu conduza à exasperação das divisões. A religião não pode ser usada nunca como motivo de conflito".
(Texto completo)
10 de outubro de 2001: Aos peregrinos de língua inglesa presentes na Audiência Geral "Convido a todos a rezar pela paz e a trabalhar para edificar um mundo sem, baseado no respeito da dignidade de todos os seres humanos"
(Texto completo)
11 de outubro de 2001: Na X Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos "A um mês dos desumanos ataques terroristas...confiemos, uma vez mais, à eterna misericórdia do Deus de nossos pais, as inúmeras vítimas inocentes. Peçamos consolação e consolo para seus familiares e parentes, prostrados pela dor...imploremos para todos os homens de boa vontade, tenacidade e perseverança para perseguir os caminhos de justiça e de paz"
14 de outubro de 2001: Oração do Ângelus "Com motivo da atual situação internacional, convidei as pessoas e as comunidades a que rezem o Rosário pela paz. Renovo hoje também este convite, destacando que o Rosário é contemplação de Cristo em seus mistérios, em íntima união com Maria Santíssima"
(Texto completo)
3 de novembro de 2001: Mensagem à Conferência da FAO "Após os terríveis acontecimentos de 11 de setembro, deu início a amplos debates sobretudo ao que se refere à justiça e à urgência de remediar as injustiças. Em uma perspectiva religiosa, a injustiça é o desequilíbrio radical onde o homem se rebela contra Deus e contra seu próprio irmão".
(Texto completo)
6 de novembro de 2001: Em "Pope John Paul II Cultural Center" de Washington "Os trágicos acontecimentos que estremeceram a comunidade internacional durante os últimos dois meses nos fizeram, mais uma vez, conscientes da fragilidade da paz e da necessidade de edificar uma cultura de diálogo e de cooperação respeitosa entre todos os membros da família humana".
(Texto completo)
9 de novembro de 2001: Ao Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso "Diz-se que assistimos a um autêntico conflito entre religiões...Entretanto, isso significaria falsificar a própria religião...Quando nascem conflitos, a paz pode ser unicamente o resultado de um processo de reconciliação, e isso requer humildade e generosidade".
(Texto completo)
10 de novembro de 2001: A uma delegação de Bombeiros de Nova York "Dou calorosas boas-vindas à delegação do Departamento de Bombeiros de Nova York, muitos dos quais perderam a vida no ataque terrorista de 11 de setembro. Deus Onipotente conceda às famílias atingidas consolo e paz, e a vós, a força e o valor necessários para prestar vosso grande serviço a vossa cidade"
(Texto completo)
9 de dezembro de 2001: Ângelus "Na atual situação internacional, tão complexa, a humanidade está chamada a mobilizar suas melhores energias para que o amor prevaleça sobre o ódio, a paz sobre a guerra, a verdade sobre a mentira e o perdão sobre a vingança."
(Texto completo)
10 de janeiro de 2002: Discurso ao Corpo Diplomático Credenciado na Santa Sé "A luta legítima contra o terrorismo da qual os odiosos atentados do dia 11 de setembro são a expressão mais feroz, voltou da dar a palavra às armas. Perante da bárbara agressão e aos massacres, coloca-se, não apenas a questão da legítima defesa, mas tam´bem a dos meios mais adequados para erradicar o terrorismo, como também a da busca das causas que estão na origem de ações similares, e as das medidas a serem tomadas para dar início a um processo de "cura", que permita superar o medo e evitar que o mal se acrescente, e à violência, mais violência."
25 de janeiro de 2002: Empenho pela paz junto aos líderes religiosos do mundo "Violência nunca mais! Guerra nunca mais! Terrorismo nunca mais! Em nome de Deus, que todas as religiões tragam à terra Justiça e Paz, Perdão e Vida, Amor!"
22 de maio de 2002: Encontro com os representantes das religiões em Baku, Azerbaijão "Desde este país, que conheceu e conhece a tolerância como valor preliminar de toda sã convivência civil, queremos gritar ao mundo: Chega de guerra em nome de Deus! Chega de profanação de seu santo nome!... Enquanto tiver voz, gritarei: "Paz, em nome de Deus!."
(Texto completo)
21 de julho de 2002: Ângelus "Os trágicos acontecimentos de 11 de setembro do ano passado e do conflito na Terra Santa têm projetado sobre o mundo uma sombra escura. Mas Jesus exorta seus discípulos a não ter medo... Os jovens cristãos, que se encontrarão em Toronto, estão dispostos a responder a Cristo: Aqui estamos!"
(Texto completo)
O terrorismo e o medo - uma reflexão
A
prazo, a principal consequência dos atentados terroristas de Nova
Iorque e de Washington vai ser uma recessão. Não tanto uma recessão
económica, que já está à vista, mas uma recessão da confiança das
pessoas em relação à sua vida pessoal e social.
O medo de ataques terroristas a uma escala nova e global, como os que vimos em 11 de Setembro, está a deixar as pessoas cheias de medo. Naturalmente, nos Estados Unidos isso é mais sensível, mas esse sentimento alastrar-se-á inevitavelmente a todos os países ocidentais e, em seguida, aos restantes países.
Os apelos à serenidade e a constatação de que a origem do mal – o terrorismo – está a ser atacada, não impedirão que a atitude e a vida dos Estados, das organizações e das pessoas venham a ser diferentes daqui para o futuro.
Tal como se passa com certos males incontroláveis que afectam o nosso comportamento individual e social, como é o caso das doenças incuráveis, da droga ou da criminalidade urbana, é preciso atacar a origem dos males, descobrindo as suas causas verdadeiras e profundas, prevenindo e acautelando as pessoas em geral e, sempre que seja caso disso, punindo aqueles que contribuem para a proliferação do mal.
O mesmo se terá de passar com a actual luta contra o terrorismo. Nada justifica o acto terrorista e a sociedade tem de puni-lo. No entanto, de nada serve a punição se as suas causas não forem combatidas na origem. E, para isso, é essencial não hostilizar os países islâmicos e, muito menos a religião islâmica. É preciso compreender a cultura dos povos islâmicos e ajudá-los a progredirem no sentido da adopção de regimes tolerantes e democráticos, equitativos e justos. Sem justiça, compreensiva e humana, não haverá paz nas consciências nem na sociedade.
Porém, ameaças à vida humana e social sempre hão de existir, sejam elas de origem criminosa (droga, terrorismo, etc.), natural (catástrofes naturais como inundações, terramotos e outras), ou patológica (tantas doenças ainda incuráveis, como o cancro ou a SIDA).
O homem e a sociedade são limitados e há que aceitar essas limitações e saber viver com elas, embora lutando persistentemente contra elas; mas a humildade relativamente à nossa condição de seres limitados e frágeis é condição necessária para atingir a serenidade e a confiança possível. É que apesar dessa condição, temos uma grande força moral e uma sólida convicção num destino que nos transcende.
Fonte Ecclesia
O medo de ataques terroristas a uma escala nova e global, como os que vimos em 11 de Setembro, está a deixar as pessoas cheias de medo. Naturalmente, nos Estados Unidos isso é mais sensível, mas esse sentimento alastrar-se-á inevitavelmente a todos os países ocidentais e, em seguida, aos restantes países.
Os apelos à serenidade e a constatação de que a origem do mal – o terrorismo – está a ser atacada, não impedirão que a atitude e a vida dos Estados, das organizações e das pessoas venham a ser diferentes daqui para o futuro.
Tal como se passa com certos males incontroláveis que afectam o nosso comportamento individual e social, como é o caso das doenças incuráveis, da droga ou da criminalidade urbana, é preciso atacar a origem dos males, descobrindo as suas causas verdadeiras e profundas, prevenindo e acautelando as pessoas em geral e, sempre que seja caso disso, punindo aqueles que contribuem para a proliferação do mal.
O mesmo se terá de passar com a actual luta contra o terrorismo. Nada justifica o acto terrorista e a sociedade tem de puni-lo. No entanto, de nada serve a punição se as suas causas não forem combatidas na origem. E, para isso, é essencial não hostilizar os países islâmicos e, muito menos a religião islâmica. É preciso compreender a cultura dos povos islâmicos e ajudá-los a progredirem no sentido da adopção de regimes tolerantes e democráticos, equitativos e justos. Sem justiça, compreensiva e humana, não haverá paz nas consciências nem na sociedade.
Porém, ameaças à vida humana e social sempre hão de existir, sejam elas de origem criminosa (droga, terrorismo, etc.), natural (catástrofes naturais como inundações, terramotos e outras), ou patológica (tantas doenças ainda incuráveis, como o cancro ou a SIDA).
O homem e a sociedade são limitados e há que aceitar essas limitações e saber viver com elas, embora lutando persistentemente contra elas; mas a humildade relativamente à nossa condição de seres limitados e frágeis é condição necessária para atingir a serenidade e a confiança possível. É que apesar dessa condição, temos uma grande força moral e uma sólida convicção num destino que nos transcende.
Fonte Ecclesia
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
OS SETE PECADOS MORTAIS DO TERRORISMO
2 de Agosto de 2010
Resumo: Em artigo profético, o historiador Paul Johnson alertava no final dos anos 70 para o perigo que o terrorismo e suas variáveis representavam para todo o mundo ocidental.
© 2004 MidiaSemMascara.org
Uma equivocada abordagem do terrorismo é vê-lo como um dos muitos sintomas de uma grave doença de nossa sociedade, parte de um padrão de violência que inclui a delinqüência Juvenil, a elevação das taxas de criminalidade, os distúrbios estudantis, o vandalismo, a fraude no futebol e tudo o mais que pode ser atribuído à sombra ameaçadora da bomba atômica, aos divórcios cada vez mais freqüentes, aos serviços de bem-estar social inadequados e à pobreza. Esta analise geralmente termina na conclusão sem sentido e derrotista de que a própria sociedade deve ser acusada: “Somos todos culpados”.
O terrorismo internacional não é parte de um problema geral humano. É um problema especifico e identificável em si mesmo. E porque é específico e identificável, porque pode ser isolado do contexto que o engloba, é um problema que tem soluções. Este é o primeiro ponto que deve ficar claro. Dizer que o problema tem soluções não significa subestimar seu tamanho e seu perigo. Ao contrário: é quase impossível exagerar a ameaça que o terrorismo representa para nossa civilização. Como o assassínio de lorde Mountbatten e de 21 outras pessoas pela ala provisória do IRA nos fez recordar, a ameaça é mais imediata — e, portanto, de certa forma mais grave — que o risco da guerra nuclear, da explosão demográfica, da poluição global ou da exaustão dos recursos naturais. Estas ameaças à nossa civilização podem ser, têm sido ou foram contidas. Mas isso não aconteceu com o terrorismo. Muito ao contrário. O terrorismo está cada vez mais presente, e uma razão pela qual ele constitui um perigo tão grave e crescente é que muito poucas pessoas no mundo civilizado — governos e parlamentares, televisões e jornais, o público, em geral — levam o terrorismo suficientemente a sério. A maioria das pessoas, a quem falta um adequado conhecimento da história, tende a subestimar a fragilidade de uma civilização. Elas não percebem que as civilizações declinam, da mesma forma como se desenvolvem. As civilizações podem ser, e têm sido, destruídas por forças malignas. Em nossa história documentada houve ao menos três idades tenebrosas. Uma ocorreu no terceiro milênio antes de Cristo e esmagou a civilização do Antigo Império egípcio, a cultura que construiu as pirâmides. Outra aconteceu perto do final do segundo milênio antes de Cristo e destruiu a Grécia Micênica, a Creta Minoana, o Império Hititta e muito mais. Estamos mais familiarizados com a terceira, que destruiu o Império Romano do Ocidente no quinto século depois de Cristo. A Europa levou 800 anos para se recuperar do desastre, em termos de organização, capacidade técnica e padrão de vida. Houve um fator comum a todas essas grandes catástrofes. Elas ocorreram quando a divulgação da tecnologia dos metais e a disponibilidade de matérias-primas possibilitaram às forças do barbarismo igualar ou superar as forças civilizadas na qualidade e quantidade de suas armas. Porque, em última instância, a civilização se mantém ou perece não pelos seus pactos, mas pela espada.
Édward Gibbon escreveu no fim de seu grande livro, O Declínio e a Queda do Império Romano: As nações selvagens do globo são o inimigo comum da sociedade civilizada, e podemos bem nos perguntar com ansiosa curiosidade se a Europa ainda está ameaçada pela repetição de tais calamidades que antigamente oprimiram os exércitos e as instituições de Roma. Escrevendo na década de 1780, no limiar da revolução industrial, Gibbon pensou poder responder sua própria indagação com uma negativa razoavelmente confiante. Ele considerou corretamente que o poder do mundo civilizado aumentaria, e acreditou que os princípios científicos e racionais sobre os quais tal poder se apoiava estavam-se tornando cada vez mais firmemente estabelecidos, ano após ano. Agora, aproximadamente 200 anos depois, não podemos estar seguros disso. Os princípios da ciência objetiva e da razão humana, a noção do primado da lei, a supremacia da política sobre a força, estão sendo submetidos, em toda parte, a um desafio intencional e encarniçado. As forças da selvageria e da violência que constituem esse desafio tomam-se mais audaciosas, mais numerosas e, sobretudo, melhor armadas. As armas à disposição dos terroristas, sua capacidade e, não menos importante, as técnicas organizacionais com as quais eles empregam tais armas e habilidades, estão-se aperfeiçoando aceleradamente — a um nível mais rápido do que as contramedidas de que lança mão a sociedade civilizada.
Tomemos o exemplo mais recente: a Irlanda do Norte. A ala provisória do IRA e o grupo terrorista marxista INLA agora estão matando membros das forças de segurança à razão de dez por mês. A última vez que as forças de segurança mataram um terrorista foi em novembro de 1978. Existem duas razões para isso. A primeira é a substituição da velha estrutura amadorística do IRA por aquilo que o correspondente da BBC para assuntos de defesa chama de “uma moderna força clandestina, bem organizada e bem equipada, com uma clássica estrutura celular, forte e quase impossível de ser penetrada ou quebrada”. A segunda é que o alcance e a qualidade das armas agora usadas pelos terroristas irlandeses está-se tornando formidável. A qualidade desse arsenal e da organização ficaram plenamente demonstradas no dia 27 de agosto. Pelo menos nesse teatro, o barbarismo está conquistando terreno à civilização.
Os sete pecados
Esses ameaçadores aperfeiçoamentos do terrorismo tornaram-se possíveis graças à disponibilidade de apoio internacional, abastecimento e serviços de treinamento para os terroristas. O terrorismo já não é mais um fenômeno puramente nacional, que pode ser destruído no nível nacional. É uma ofensiva internacional — uma guerra aberta e declarada contra a própria civilização — que apenas pode ser derrotada por uma aliança ativa entre as potências civilizadas. O impacto do terrorismo — não apenas sobre os indivíduos, não apenas sobre as nações isoladas, mas sobre a humanidade como um todo — é intrinsecamente mal. E assim é por um número de razões demonstráveis que eu chamarei de os sete pecados mortais do terrorismo.
Primeiro, o terrorismo é a exaltação deliberada e fria da violência sobre todas as formas de atividade política. O terrorismo moderno emprega a violência não como um mal necessário, mas como uma desejável forma de ação. Existe um claro antecedente intelectual na presente onda de terrorismo. Este surge não apenas da justificação leninista e trotsquista da violência, mas do pós-guerra, da filosofia da violência derivada de Nietzsche, através de Heidegger, e largamente popularizada por Sartre, seus colegas e discípulos. Desde 1945, ninguém influenciou mais os jovens do que Sartre e ninguém fez mais para legitimar a violência da esquerda. Foi Sartre quem adaptou as técnicas lingüísticas, comuns na filosofia alemã, de identificação de certos sistemas políticos com o equivalente de “violência”. Assim justificando a violência de correção ou as respostas. Em 1962, ele disse: “Para mim, o problema essencial é rejeitar a teoria segundo a qual a esquerda não deve responder à violência com a violência”.
Algumas pessoas influenciadas por Sartre foram muito mais além —principalmente Franz Fanon. Sua mais influente obra, “Les Damnés de La Terre” que tem um prefácio de Sartre, provavelmente desempenhou um papel maior na divulgação do terrorismo no Terceiro Mundo do que qualquer outro tratado. A violência é apresentada como libertação, um fundamental tema sartreano. Para um negro, escreve Sartre em seu prefácio, “atirar em um europeu é matar dois pássaros com uma cajadada, porque destrói um opressor e o homem que ele oprime ao mesmo tempo”. Matando, o terrorista renasce — livre. Fanon pregou que a violência é uma forma necessária de regeneração social e moral para o oprimido. “Apenas a violência”, ele escreveu, “a violência cometida pelo povo, a violência organizada e instruída pelos seus líderes, possibilita às massas compreender as verdades sociais e fornece-lhes sua chave”. A noção da “violência organizada e instruída”, conduzida pelas elites, é a fórmula para o terrorismo. Fanon vai além: “Ao nível dos indivíduos, a violência é uma força purificadora. Ela liberta o oprimido de seu complexo de inferioridade e de seu desespero e inação”.
É precisamente esta linha de pensamento, de que a violência é positiva e criativa, que capacita os terroristas a cometer os atos horríveis pelos quais são responsáveis. O mesmo argumento — quase que palavra por palavra — foi usado por Hitler que repetia, interminável, “a virtude está no derramamento de sangue”. Portanto, o primeiro pecado mortal do terrorismo é a justificação moral do assassínio, não apenas como um meio para um fim, mas por si mesmo.
O segundo pecado mortal é a supressão deliberada dos instintos morais do homem. Os organizadores do terrorismo descobriram que não é suficiente fornecer a seus recrutas as justificações intelectuais para o assassínio: a instintiva humanidade que há em nós deve ser sistematicamente embotada, ou do contrário rejeitará o sofisma. Na Rússia dos anos 1870 e 1880, os grupos de terror Neznavhalie favoreciam o que chamavam de “terror sem motivos” e consideravam qualquer assassínio uma “ação progressiva”. Uma vez adotado o terror indiscriminado, o grupo sofre rapidamente a desintegração moral — de fato, o abandono de qualquer sistema de critérios morais torna-se um elemento essencial de seu treinamento. O fato é brilhantemente descrito na grande novela antiterrorista de Dostoievski, “Os Possuídos”, pelo diabólico Stavrogin, que argumenta que o grupo terrorista somente pode ser unido pelo medo e pela depravação moral: “Persuada quatro membros do círculo a matar um quinto”, ele diz, “sob a desculpa de que ele é um delator, e você os terá amarrado em um só nó pelo sangue derramado. Eles serão seus escravos”. Esta técnica está sendo indubitavelmente usada por alguns grupos terroristas. Neles, as recrutas são submetidas a repetidos estupros, ou forçadas a tomar parte de atos coletivos de depravação sexual, de forma a anestesiar os reflexos morais e a prepará-las para a brutal transformação de suas naturezas que os seus futuros “deveres” exigirão. A teoria está baseada na presunção de que nenhum homem ou mulher pode ser efetivamente um terrorista enquanto mantiver os elementos morais da personalidade humana. O segundo pecado mortal do terrorismo é uma ameaça não apenas à civilização, mas à humanidade como tal.
O terceiro pecado mortal é a rejeição da política como um meio normal pelo qual as comunidades resolvem seus conflitos. Para os terroristas, a violência não é apenas uma arma política, para ser usada in extremis: a violência é um substituto para todo o processo político. Os terroristas árabes, o IRA, a quadrilha Baden-Meinhof, os Exércitos e Brigadas Vermelhas do Japão e da Itália e outros, nunca mostraram qualquer desejo de se engajar no processo político democrático. Rejeitam a noção de que a violência é uma técnica a ser empregada como último recurso, a ser adotada apenas se falharam todas as outras tentativas para se obter justiça. Assim fazendo, eles rejeitam a vertente do pensamento civilizado, baseada, como boa parte de nossa gramática política, nos teóricos do contrato social do século XVII. Hobbes e Locke trataram corretamente a violência como a antítese da política, uma forma de ação característica do arcaico reino do estado da natureza. Eles viam a política como uma tentativa para criar um mecanismo para evitar o barbarismo e tornar possível a civilização: a política torna a violência desnecessária e também antinatural para o homem civilizado. A política é uma parte essencial da maquinaria básica da civilização e, rejeitando a política, o terrorismo tenta fazer inexeqüível a civilização.
O Estado totalitário
Entretanto, o terrorismo não permanece neutro na batalha política. Não tem tendência, a longo prazo, para a anarquia: ele leva ao despotismo. O quarto pecado mortal do terrorismo é que ele se associa ativamente, sistematicamente e necessariamente à propagação do Estado totalitário. Os países que financiam e sustentam a infra-estrutura internacional do terrorismo — que dão aos terroristas refúgio e abrigo, bases e campos de treinamento, dinheiro, armas e apoio diplomático como um assunto de deliberada política de Estado — são, sem exceção, Estados despóticos. Todos esses Estados têm governos militares ou policiais. A noção de que o terrorismo se opõe às “forças repressivas” da sociedade é falsa — de fato, é o contrário da verdade. O terrorismo internacional, e os vários movimentos terroristas a seu serviço, é inteiramente dependente da boa vontade e do apoio ativo de Estados policiais.
O que nos traz ao quinto pecado mortal. O terrorismo internacional não representa perigo para o Estado totalitário. Esta espécie de Estado sempre pode-se defender através do assassínio judicial, da prisão preventiva, da tortura de prisioneiros e suspeitos, e do completo controle das atividades terroristas. Estes Estados não têm de se limitar ao primado da lei ou a qualquer outra consideração de humanidade ou ética. O terrorismo apenas pode fincar pé em um Estado onde o Poder Executivo sofre alguma espécie de restrição legal, democrática e moral. O regime do Xá do Irã foi derrubado — e os terroristas tiveram um papel importante na operação — não porque ele era implacável, mas porque hesitou em ser implacável. O efeito destas vitórias terroristas não é a expansão, mas contração da liberdade e da lei. O Irã agora é um Estado totalitário, onde o primado da lei não mais existe, e um Estado a partir do qual os terroristas podem operar com segurança e com ativa assistência oficial. Assim, o quinto pecado mortal é que o terrorismo discrimina entre o Estado de Direito e o Estado totalitário, em favor deste último. Ele pode destruir a democracia, como destruiu o Líbano, mas não pode destruir um Estado totalitário.
A base do terrorismo está no mundo totalitário — é de lá que vem seu dinheiro, treinamento, armas e proteção. Mas, ao mesmo tempo, ele apenas pode operar efetivamente na liberdade de uma civilização liberal. O sexto pecado mortal do terrorismo é que ele explora o aparelho de liberdade das sociedades liberais e, portanto o ameaça.
Ao defrontar-se com a ameaça do terrorismo, uma sociedade livre deve armar-se. Mas o simples processo de se armar contra o perigo interno, ameaça as liberdades, decoro e padrões que fazem uma sociedade civilizada. O terrorismo é uma ameaça direta e contínua a todos os instrumentos protetores de uma sociedade livre. É uma ameaça à liberdade de imprensa. É uma ameaça ao primado da lei, necessariamente atingido pela legislação de emergência e pelos poderes especiais. É uma ameaça ao habeas corpus, ao processo de humanização dos códigos penais e da civilização de nossas prisões. É uma ameaça a qualquer sistema de controle dos excessos da polícia, das autoridades carcerárias ou de quaisquer outras forças restritivas da sociedade. Já o sétimo pecado mortal do terrorismo opera, paradoxalmente, na direção oposta. Uma sociedade livre que reage ao terrorismo pelo recurso aos métodos autoritários se prejudicará necessariamente. Mas um perigo muito maior — e muito mais comum hoje em dia — é que tais sociedades livres, em sua ansiedade para evitar os excessos autoritários, deixam de se armar contra a ameaça terrorista, e assim abdicam à sua responsabilidade de manter a lei. Os terroristas têm êxito quando conseguem provocar a opressão, mas triunfam quando encontram o apaziguamento. O sétimo e mais mortal dos pecados do terrorismo é que ele solapa a vontade de uma sociedade civilizada de se defender. Temos visto isso acontecer. Encontramos governos negociando com terroristas — negociações que visam não a destruição ou desarmamento dos terroristas, pois tais negociações podem por vezes ser necessárias, mas negociações cujo resultado inevitável é ceder em parte às exigências dos terroristas. Encontramos governos providenciando dinheiro de resgate para terroristas, ou permitindo que cidadãos privados o façam, até mesmo auxiliando no processo pelo qual esse dinheiro chega às mãos dos terroristas. Encontramos governos libertando criminosos condenados, em resposta a exigências de terroristas; concedendo a terroristas o status, direitos, vantagens e, acima de tudo, a legitimidade de interlocutores em negociações. Encontramos governos concedendo a terroristas condenados o status oficial e privilegiado de prisioneiros políticos, o que é sempre uma asneira e uma rendição. Encontramos governos se submetendo às exigências — uma parte invariável da estratégia terrorista — de inquéritos oficiais, ou investigações internacionais, sobre alegados maus tratos a terroristas suspeitos ou condenados. Encontramos jornais e redes de televisão — e, freqüentemente, redes estatais de televisão — colocando governos democráticos e terroristas em um nível de igualdade moral. Encontramos governos se omitindo em seu dever de persuadir o público de que os terroristas não são políticos desencaminhados. Eles são criminosos. Eles são criminosos extraordinários, de fato, de vez que representam uma ameaça não apenas para os indivíduos que assassinam sem compaixão, mas para toda a matriz da sociedade. Mas mesmo assim continuam criminosos.
Em suma, o sétimo e mais mortal pecado do terrorismo é que ele tenta induzir a civilização a cometer o suicídio.
Artigo publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, 07/10/1979. Disponível também em institutoliberal.org.
Paul Bede Johnson (Manchester, 2 de novembro de 1928) é um escritor, jornalista e historiador britânico. Tornou-se célebre na década de 1950 escrevendo, e mais tarde como editor, na revista New Statesman. Escritor prolífico, é autor de mais de quarenta livros e contribuidor de muitas revistas e jornais. Associado à esquerda no início de sua carreira, consolidou-se como um importante historiador conservador. Johnson é católico. Escreveu “Tempos Modernos: o mundo dos anos 20 aos 80″, publicado pela editora Instituto Liberal.
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