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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Das manifestações pacíficas ao mais puro terrorismo


As manifestações de rua, iniciadas em junho de 2013, já passaram por vários estágios.
Inicialmente, manifestantes de esquerda, do Movimento Passe Livre (MPL), começaram a “desfilar” em São Paulo (e também em outras cidades, como Porto Alegre), para azucrinar o governador Geraldo Alckmin. Como todos sabem, é ponto de honra para o PT eleger Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde, como futuro governador de São Paulo. É uma aposta pessoal de Lula, como foram os “postes” Dilma Rousseff e Fernando Haddad. E o ministro está bastante visível na mídia, principalmente devido ao Programa Mais Médicos - com destaque para os milhares de “companheiros” contrabandeados de Cuba.
O mote foi o "Passe Livre", ou seja, a exigência de transporte gratuito para os estudantes. Na ocasião, o MPL era contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus em São Paulo. Tanto o governador Alckmin, quanto o prefeito Haddad, caíram na arapuca e anunciaram que não haveria mais aumento. Resultado: Haddad irá aumentar o IPTU, em 2014, em até 50%, para cobrir o rombo.
Nessa primeira fase das manifestações, houve ações de vândalos, que foram combatidos com vigor pela polícia. A esquerda acusou a polícia de ser violenta - com apoio irrestrito da mídia, já que alguns jornalistas ficaram feridos durante as manifestações. Outros prefeitos, Brasil afora, também suspenderam o aumento das passagens de ônibus. Ficaram todos reféns de arruaceiros.
Num segundo momento, os esquerdistas do MPL perderam a condução das manifestações. Foi quando o povo apareceu em massa, centenas de milhares, em várias capitais, especialmente estudantes de classe média, que faziam questão de não se vincular aos partidos políticos, expulsando os que conduziam bandeiras vermelhas do stalinismo, como as do PT, PSTU, MST e congêneres, rasgando e queimando muitas delas. Os cartazes que os manifestantes carregavam foram bem significativos: críticas aos políticos, aos serviços de Saúde, à Educação, aos transportes precários, à corrupção, aos gastos bilionários com a Copa etc. A esquerda se sentiu acuada e começou a acusar os manifestantes como sendo da "extrema direita" - o que faz até hoje, com o apoio da mídia em geral, incluindo a jornalulista Tereza Cruvinel no Correio Braziliense. E olha que as cruzes suásticas que apareceram na avenida foram carregadas por esquerdistas acusadores, não pela dita “extrema direita”. Era a máxima de Lênin sendo colocada em prática: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.
Depois da suspensão do aumento das passagens de ônibus, os esquerdistas do MPL em São Paulo deram por encerradas as manifestações, mas por pouco tempo, e logo continuaram os protestos, junto com os sem-teto na periferia da cidade, contra o “latifundiário rural e urbano”. Como se comprovou, caíram as máscaras dos farsantes do MPL, que na verdade não lutam pelo passe livre, mas pela implantação do comunismo no Brasil. Nessa ocasião, Lula convocou uma manifestação-pelego em São Paulo, para mostrar força, mas que se revelou um tremendo fracasso. O objetivo, como sempre, foi atentar contra o governo de Geraldo Alckmin. Na mesma época, que também incluíram manifestações contra Sérgio Cabral, governador do Rio, as passeatas eram essencialmente pacíficas, mas, invariavelmente, terminavam violentas, por conta de carbonários mascarados do Anonymous tupiniquim e dos Black Blocs, de anarquistas e outros – com o apoio ostensivo dos também esquerdosos Fora do Eixo e Mídia Ninja, cujos líderes, como Pablo Capilé, são amigos de longa data de autoridades petistas.
Junto com as manifestações populares, afloraram as intenções bolivarianas de Dilma Rousseff. Primeiro, foi a pretendida convocação de uma Constituinte exclusiva, para reforma política, a qual foi enterrada em menos de 24 horas. Depois, foi sugerido um plebiscito urgentíssimo, para tratar da mesma reforma política, que deveria ser realizado ainda em 2013, antes de outubro, de modo a valer para as próximas eleições, em 2014. Essa proposta também foi para o beleléu, ainda bem, pois iria apenas desperdiçar dinheiro público, via TSE. Por que não colocar em plebiscito algumas questões realmente essenciais para o Brasil, como a menoridade penal e – por que não? - a pena de morte para crimes hediondos, junto com as eleições de 2014, como fazem os EUA regularmente, sem acréscimo de despesas?
E quem Dilma recebeu de braços abertos no Palácio? Dentre os manifestantes, apenas os líderes dos baderneiros esquerdistas, como o MPL. A presidente afirmou que as “manifestações ajudaram a melhorar a vida do brasileiro”. É verdade. A vida dos vidraceiros e dos fornecedores de tapumes melhorou muito, com a reposição milionária desses materiais depois da ação dos chamados vândalos, que na verdade não passam de terroristas em estado puro.
Aí, veio o pulo do gato do PT: o Programa Mais Médicos, que meses antes havia sido descartado pelo governo, no dizer do pinóquio Alexandre Padilha. Esse programa atenta contra a legislação trabalhista, já que os escravos cubanos de jaleco branco – a maioria do contrabando importado – irão receber apenas uma pequena parcela do salário, em torno de 7%, sendo que a maior parte, a do leão, irá para os cofres da ditadura cubana, de modo a fortalecer o regime comunista-terrorista da Ilha. Com essa patifaria, serão enviados cerca de R$ 1,3 bilhão para Cuba nos próximos 3 anos e ninguém deve se surpreender se parte desse valor bilionário voltar ano que vem ao Brasil, para “bombar” a campanha da reeleição de Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, esses médicos de péssima formação (se é que realmente são médicos) irão para as regiões mais pobres do Brasil, no interior e na periferia das metrópoles, para fazer proselitismo comunista justamente junto à população analfabeta e mais carente. Com a falta de médicos brasileiros voluntários para trabalharem nessas regiões pobres, o governo petista, maquiavelicamente, conseguiu colocar a população pobre contra a classe médica. Afinal, é fácil convencer um analfabeto que os médicos brasileiros são interesseiros e que os cubanos são solidários e amigos dos pobres, já que deixaram o conforto do paraíso de Cuba para trabalhar quase de graça no purgatório brasileiro.
Trata-se de um verdadeiro atentado contra a Segurança Nacional, um cavalo-de-troia ultrajante, porque nada impede que os guerrilheiros-espiões cubanos, fantasiados de médicos, se unam às organizações de extrema esquerda do Brasil, junto com as FARC do Foro de São Paulo, de modo a criar focos de guerrilha, tanto rural, como urbana – o que já ocorre em alguns Estados, como Rondônia, Pará e Minas Gerais.
O Exército sofreu a humilhação de ser obrigado a dar hospedagem e comida aos integrantes do cavalo-de-troia cubano em seus quartéis, durante a fase de estágio, antes de eles seguirem para seus destinos. Aos médicos que irão trabalhar na Amazônia, principalmente compostos por cubanos, o Exército vai oferecer um estágio de guerra na selva, o que vale dizer que a instituição militar está formando guerrilheiros comunistas que mais tarde terá que combater. Do jeito que as coisas vão, não será surpresa se no próximo Dia do Soldado o comandante do Exército aparecer fantasiado com a farda de Fidel Castro e a boina de Che Guevara – obviamente acolitado por guerrilheiros cubanos camuflados de branco.
O Conselho Federal de Medicina e seus Conselhos estaduais também foram humilhados pela tirania petista e obrigados a conceder documentação aos médicos contrabandeados pelo PT, que não fizeram o Revalida, como manda a legislação brasileira. A ditadura petista está apenas começando e já provou que não tem limites, pois também aparelhou o STF, com advogados pró-PT, como Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli, de modo a inocentar os ladravazes do mensalão petralha. [A propósito, é possível que em 2014 o STF se pronuncie sobre o mensalão tucano, ou seja, sobre o processo que envolve o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo; em ano de eleição, seria o timing perfeito para tentar dinamitar a candidatura de Aécio Neves.]
Como as passeatas se tornaram cada vez mais violentas, a massa de manifestantes ordeiros não voltou mais às ruas. Hoje, as avenidas do centro do Rio e de São Paulo se tornaram um palco iluminado de terroristas, que a mídia insiste em chamar apenas de “vândalos”, os quais têm um único objetivo: depredar e incendiar tudo o que encontram pela frente. E a polícia, que apanhou dos manifestantes e da imprensa, faz corpo mole, tanto no Rio, como em São Paulo, deixando que a baderna se repita, sem fim. Só depois de tudo estar destruído é que a polícia põe os bandidos para correr, não prendendo ninguém - o mesmo vergonhoso esquema “espalha-bandido” feito pela PM nos morros cariocas, sem confronto, nem prisão de bandidos ou captura de armas, para instalação da farsa chamada Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Quando, finalmente, a polícia leva alguns incendiários para a delegacia, para prestar depoimentos, logo são soltos. Não faltam dezenas de “advogados de cadeia”, recrutados pela OAB local, para liberar de imediato quem deveria ficar longo tempo no xadrez. Na noite seguinte, num círculo vicioso sem fim, os terroristas voltam à cena do crime, cada vez mais fortalecidos e ousados.
Geraldo Alckmin que se prepare para 2014. “Vai ser o diabo”, como prometeu Dilma Rousseff. Não será surpresa se os chefões do PCC convocarem novamente seus assassinos para matar policiais e “tucanos”, e votar em candidatos do PT, como ocorreu em 2006, depois de São Paulo ser palco de atos terroristas de todos os tipos, com incêndios de ônibus, ataques a bala contra postos policiais, PMs e agentes penitenciários. Não foi mera coincidência a matança de mais de 100 policiais paulistas, em 2012, ter ocorrido num ano que elegeu o petista Fernando Haddad. Vergonhoso foi Alckmin não ter ido a nenhum desses funerais, de modo a prestar solidariedade às viúvas e aos órfãos dos militares. Na percepção de nossos governantes, militar é feito para levar chumbo.
Este é o Brasil atual, o país da impunidade por excelência, refúgio seguro de terroristas e de bandidos em geral. Por isso, nosso País ainda não tem uma lei antiterrorista para se proteger contra os “vândalos” das cidades e do meio rural (MST). Seria querer muito de uma presidente que um dia foi terrorista da VAR-Palmares, que pertence a um partido que é membro do Foro de São Paulo e abriga terroristas em nosso território, como o italiano Cesare Battisti e Olivério Medina, das FARC, e teve o descaramento de afirmar na Assembléia-Geral da ONU, no dia 24/09/2013, que “O Brasil sabe se proteger. Repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas”.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O papel da fé na política internacional

ZP11090401 - 04-09-2011 Permalink: http://www.zenit.org/article-28754?l=portuguese Religião e conflitos globais ROMA, domingo, 4 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – No décimo aniversário do 11 de setembro, permanece vivo o debate sobre o papel da religião nos conflitos e na política. O recente livro Religion, Identity and Global Governance: Ideas, Evidence and Practice (University of Toronto Press) traz uma valiosa contribuição ao debate, recopilando muitas atas de uma conferência de outubro de 2007. John F. Stack, professor na Universidade Internacional da Flórida, analisa num dos capítulos o desafio à teoria das relações internacionais. Antes mesmo dos acontecimentos da última década, estava claro que a religião, longe de ter desaparecido, é uma poderosa força global, afirma Stack. Nos Estados Unidos, por exemplo, as influências protestantes e evangélicas tiveram importante papel na política interior. A religião voltou aos países da antiga União Soviética desde a queda do comunismo, e a influência do islã tem sido evidente na África, Ásia e Europa. Mas Stack observa que a teoria das relações internacionais ignora o papel da religião. Em muitos casos, durante o século XX, os pensadores influentes em ciências sociais teorizaram que a religião não só é irrelevante, mas ainda que desapareceria de modo gradual. A sobrevivência da religião e sua evidente influência na política forçou, depois, a mudança de perspectiva. A religião é importante, explica Stack, e é uma dimensão básica da vida humana que influencia cultura, tradição e visões do mundo. “As crenças religiosas podem não agradar aos estudiosos sociais do Ocidente, que analisam o comportamento dos indivíduos, grupos, movimentos sociais, estados, mas ressoam profundamente nos valores e nas opções mais básicas”. Stack admite que é difícil avaliar o papel concreto da religião e discernir se ela é uma mera manifestação de outros fatores étnicos, culturais ou de afirmação de um grupo. Reação laicista Na última década, vivemos uma verdadeira explosão de estudos sobre religião e assuntos internacionais, escreveu Ron E. Hassner em seu capítulo. Hassner, professor adjunto na Universidade da Califórnia em Berkeley, diz que foram publicados mais livros sobre o islã e a guerra desde o 11 de setembro do que desde a invenção da imprensa até aquela data. Ele deplora o que chama de “reação laicista e borbulhante”, que caracterizou um bom número de livros. “Rejeitar a religião como se fosse apenas uma forma perigosa de demência de grupo não é só irracional, mas também inútil, porque não se pode rejeitar a religião e ao mesmo tempo querer entendê-la”. Hassner acusa escritores como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchins de afirmar que há uma relação causal entre religião e guerra. Ao mesmo tempo, eles rejeitam como falsa qualquer associação com a promoção da moral, da cultura e da ciência. Em seu texto, Cecília Lynch, professora da Universidade da Califórnia, propõe uma postura de estudo da religião diferente da de Dawkins. É importante considerar a prática da religião e não unicamente a doutrina, afirma ela. Temos que entender também que a religião, embora proporcione diretrizes éticas, sempre deixa espaço para a interpretação. As doutrinas e tradições religiosas, segundo Lynch, não podem cobrir todas as possibilidades na hora de prescrever um comportamento. Devemos considerar a crença e a prática religiosa como moldadas pelas circunstâncias e tradições históricas, além de fatores econômicos e sociais contemporâneos. Um dos aspectos da religião em que Lynch se concentra é o compromisso com a atividade humanitária. Nos conflitos das últimas décadas, envolvendo tanto cristãos quanto muçulmanos, suas organizações humanitárias respectivas começaram a trabalhar juntas. As organizações laicas tiveram que se adaptar para trabalhar em sociedades de maioria muçulmana. Desde os acontecimentos de 2001, porém, alguns países olham com desconfiança para as organizações humanitárias islâmicas. Guerra justa James L. Heft, padre marianista e professor na Universidade do Sul da Califórnia, analisa a doutrina da guerra justa e como ela é interpretada por João Paulo II. Segundo Heft, João Paulo II desenvolveu uma compreensão dos ensinamentos sobre a guerra justa que tornou mais difícil justificar a guerra, e também as enquadrou num marco ético que privilegia os meios não violentos de resolução de conflitos. Esta tendência se iniciou muito antes de João Paulo II, diz Heft. Depois que a Igreja católica perdeu os Estados Pontifícios e seu poder temporal, ela se viu livre para defender melhor os direitos dos outros e passou a se opor à guerra com mais intensidade. Este desenvolvimento ficou especialmente evidente na encíclica de João XXIII Pacem in Terris, publicada em 1963. Em 4 de outubro de 1965, dirigindo-se às Nações Unidas, Paulo VI exclamou: “Basta de guerra, guerra nunca mais!”. Heft escreve que João Paulo II defendia os direitos humanos em suas encíclicas e discursos e se opunha repetidamente à guerra. Não descartava inteiramente o uso da força, mas o limitava cuidadosamente. Os acontecimentos de 1989, que determinaram a libertação sem guerra da Europa do Leste, confirmaram as convicções do papa na força dos métodos não violentos, afirma Heft. Ele tocaria no tema dois anos depois, na encíclica Centesimus Annus. Nos anos seguintes, João Paulo II se oporia com firmeza à invasão do Iraque. Heft observa, porém, que João Paulo II apoiou com cautela a derrocada do governo talibã do Afeganistão. Na mensagem para a Jornada Mundial da Paz de 2002, o papa afirmou que existe um direito a defender-se contra o terrorismo. Defendeu também a intervenção humanitária na antiga Iugoslávia. Em geral, a consciência de João Paulo II das consequências da guerra o fez rejeitar a violência, mas não é correto apresentá-lo como um pacifista, conclui Heft. Religião e Resolução de Conflitos Abordando a questão da paz, Robert B. Llloyd fala dos enfoques para a resolução de conflitos baseados na religião. Lloyd, professor associado da Universidade Pepperdine, assinala que personalidades, como a ex-secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, tinham afirmado que a diplomacia baseada na religião era uma ferramenta útil de política externa. Lloyd concentrou sua atenção sobre o cristianismo. O mundo não tem carecido de mediadores – observa ele –, mas o mediador cristã difere devido à formação recebida em uma comunidade religiosa concreta. Lloyd fala da longa história de mediação da Igreja Católica. O Tratado de Tordesilhas, de 1494, patrocinado pelo Papa Alexandre VI, resolveu o conflito entre Espanha e Portugal pelo controle das terras recém-descobertas na Ásia, África e Américas. Mais recentemente, em 1984, um tratado foi assinado entre o Chile e a Argentina para resolver uma disputa sobre as ilhas do Canal de Beagle. A mediação da Igreja ajudou a resolver um conflito que levou os dois países à beira da guerra. Lloyd também se referiu à Comunidade de Sant’Egidio. Desempenhou um papel fundamental na mediação para acabar com uma guerra de 15 anos em Moçambique. Existe alguma coisa que distingue a mediação cristã? Lloyd identificou algumas diferenças. Os cristãos enfatizam a reconciliação ou a construção de novas relações onde não existiam. Outra preocupação é o resultado justo. A importante questão da justiça que é encontrada nas Escrituras fornece uma motivação adicional para os cristãos, quando comparados com outros mediadores. Uma terceira característica é a preferência pela negociação e, sobretudo, por estabelecer linhas de comunicação que não teriam existido entre as partes. Como seus colegas leigos, os mediadores cristãos nem sempre são bem sucedidos, mas Lloyd afirma que isso mostra como uma forte identidade religiosa não é apenas fonte de conflito, mas também um meio de paz e reconciliação.

domingo, 20 de março de 2011

Decepção na estreia

RUBENS RICUPERO


A diplomacia brasileira só terá credibilidade se for fiel a princípios, valores e aos direitos humanos


A ABSTENÇÃO sobre a Líbia no Conselho de Segurança revela como a política externa do novo governo continua distante dos valores democráticos do povo brasileiro.
Com efeito, seja qual for a intenção, a consequência objetiva do voto seria condenar ao massacre os que tiveram a coragem de lutar pela liberdade, gerando admiração no Brasil e no mundo.
Seria, se Brasília não soubesse que a resolução dispunha dos votos para passar. O Brasil garante assim o melhor de dois mundos: não se compromete, pois outros se incumbirão do trabalho necessário e sofrerão o desgaste.
Por que se abster? Segundo a representante do Brasil, porque não cremos que a interdição de voos seja a medida mais indicada para resolver a questão.
Qual seria então essa medida? Os apelos, as exortações, o bloqueio dos bens, o embargo de armas, a abertura de processos no Tribunal Internacional por crimes contra a humanidade?
Mas tudo isso se tentou na resolução anterior, aprovada com o voto do Brasil, só despertando no ditador Gaddafi desprezo e pouco caso.
Desta vez, em contraste, bastou aprovar a resolução para o governo líbio anunciar o cessar fogo, sinal de como estavam errados os diplomatas brasileiros. Por que então a abstenção? A medida é legal, prevista na Carta da ONU. Tinha sido pedida pela Liga Árabe, órgão regional competente. Não foi precipitada, uma vez que se tinham esgotado antes todas as sanções menos graves, conforme exige a Carta.
Medidas de proteção a civis que possam implicar uso de força só devem ser contempladas em último caso, mas essa é exatamente a situação na Líbia. É difícil imaginar exemplo mais extremo do que país onde o governo bombardeia seu próprio povo e ameaça desencadear repressão sem piedade!
Na coluna de 6 de março, lembrei que do parágrafo 139 da declaração das Nações Unidas de 2005, assinada pelo presidente Lula, consta o compromisso de proteger as populações contra o genocídio, os crimes de guerra contra a humanidade e operações de limpeza étnica por meio de "ação coletiva decisiva e em tempo, caso os meios pacíficos se provem inadequados e as autoridades nacionais falhem em proporcionar a proteção".
Lembrei que não seria fácil cumprir tal dever com o voto da China, que não se dissociou do massacre de Tiananmen e da Rússia, que mantém a repressão no Cáucaso. Não imaginei que esses países de rabo preso, mais a Índia, com seus constantes problemas na Caxemira, fossem receber a cúmplice adesão do Brasil.
Ao contrário dos três BRICs, nosso país não é potência nuclear nem militar, dispondo apenas da força da persuasão e do exemplo.
Por tal motivo, a diplomacia brasileira só terá credibilidade se mostrar fidelidade a princípios e valores, aos direitos humanos e à proteção de quem luta pela democracia, condenando, sem seletividade nem hipocrisia, as violações onde quer que ocorram, na Líbia, no Iêmen, em Bahrein.
As primeiras declarações da presidente Dilma fizeram nascer a expectativa de que Brasília se afastaria do oportunismo calculista do governo passado. É uma pena que, no primeiro teste difícil, a diplomacia comece a desapontar nossa esperança.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Joana d’Arc, exemplo para políticos, segundo Papa

ZP11012608 - 26-01-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-27095?l=portuguese



“Encontrou a força para amar a Igreja até o fim, mesmo no momento da condenação”

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - A vida heroica e a trágica morte de Santa Joana D'Arc são um exemplo para os cristãos, especialmente para aqueles engajados na política.
Isto foi afirmado hoje pelo Papa Bento XVI em sua catequese, dentro do ciclo dedicado às santas mulheres da Idade Média, e que hoje quis dedicar a Joana, "a donzela", a jovem heroína francesa que foi executada na fogueira por seus inimigos políticos.
Joana (1412-1431), originária da aldeia de Domrémy, recebeu uma série de revelações divinas sobre a missão que deveria cumprir, libertando seu povo do domínio inglês, no contexto da Guerra dos Cem Anos.
Com apenas 17 anos, ela liderou os exércitos franceses a várias vitórias, principalmente ao levantamento do Cerco de Orléans (1429), que ajudou a restaurar o trono de Charles VII.
Capturada pelos ingleses, abandonada por seus aliados e com um tribunal eclesiástico manipulado por interesses políticos, Joana foi acusada de heresia e condenada à fogueira, onde morreu com apenas 19 anos.
Reabilitada 25 anos mais tarde pelo Papa espanhol Calisto III, foi canonizada em 1920, por Bento XV. Sua figura teve um grande impacto sobre escritores como Charles Péguy, e uma profunda influência sobre outra grande santa francesa, Teresa de Lisieux.
O Papa quis destacar dois aspectos da vida da santa francesa, como exemplos para os cristãos de hoje. Por um lado, sua ação política; por outro, seu amor pela Igreja.
Ambos, segundo o Pontífice, estão enraizadas no amor profundo de Joana por Jesus Cristo: "o Nome de Jesus, invocado pela nossa santa até os últimos momentos da sua vida terrena, foi como a respiração da sua alma, como o bater do seu coração, o centro de toda a sua vida".
Esta santa, explicou o Papa, "compreendeu que o Amor abraça toda a realidade de Deus e do homem, do céu e da terra, da Igreja e do mundo. Jesus esteve sempre em primeiro lugar durante toda a sua vida, segundo sua belíssima afirmação: ‘Nosso Senhor é o primeiro a ser servido'".
Joana concebia Jesus como o "Rei do céu e da terra", e em seu estandarte "pintou a imagem de ‘Nosso Senhor, que sustenta o mundo', um ícone de sua missão política".
Portanto, sublinhou o Papa, "a libertação do seu povo é uma obra de justiça humana, que Joana cumpre na caridade, por amor a Jesus".
"Sua vida é um belo exemplo de santidade para os leigos que trabalham na política, especialmente nas situações mais difíceis", acrescentou.
Por outro lado, Bento XVI quis destacar da santa seu amor pela Igreja, apesar do trágico final devido às intrigas das quais participaram os teólogos e prelados que contribuíram para sua injusta condenação.
Em Jesus, afirma o Papa, "Joana contempla também a realidade da Igreja, a ‘Igreja triunfante' do céu e a ‘Igreja militante' da terra".
"Em suas palavras, ‘de Jesus Cristo e da Igreja eu penso que são um só'. Esta afirmação, citada no Catecismo da Igreja Católica, tem um caráter verdadeiramente heroico no contexto do Processo de Condenação, na frente de seus juízes, homens da Igreja, que a perseguiram e condenaram."
"No amor de Jesus, Joana encontrou a força para amar a Igreja até o fim, mesmo no momento da condenação", sublinhou o Papa.
Para o Pontífice, Joana d'Arc é uma das "figuras mais características dessas ‘mulheres fortes' que, no final da Idade Média, carregaram sem medo a grande luz do Evangelho nas complexas vicissitudes da história".

sábado, 18 de dezembro de 2010

Papa: Estado deve proteger papel da religião na esfera pública

ZP10121710 - 17-12-2010
Permalink: http://www.zenit.org/article-26827?l=portuguese 
Ao receber o novo embaixador da Itália junto à Santa Sé

ROMA, sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - A dimensão religiosa favorece o progresso real do país e, portanto, é necessário proteger o seu papel no domínio da esfera pública. Isto foi afirmado hoje pelo Papa Bento XVI, ao receber o novo embaixador da Itália junto à Santa Sé, Francesco Maria Greco, por ocasião da apresentação de suas cartas credenciais.
Em seu discurso ao diplomata, o Papa disse acompanhar de perto, com a oração, "as vicissitudes da alegria e da tristeza" do país, desejando que o Senhor possa conservar "o precioso tesouro da fé cristã" e "os dons da concórdia e da prosperidade".
Bento XVI recordou como, "no difícil momento histórico atual, nacional e internacional", a comemoração dos 150 anos da unificação da Itália oferece a oportunidade de uma "reflexão não apenas de cunho comemorativo, mas também de caráter projetual".
O Pontífice afirmou que a Igreja na Itália não busca "poder, privilégios ou posições de vantagem econômica e social", mas somente que lhe seja assegurado "o exercício pleno da liberdade religiosa" e que se reconheça "o papel legítimo das religiões e das comunidades religiosas na esfera pública".
Além disso, a história e a cultura italianas estão "tão profundamente marcadas pela Igreja Católica" que, quando se tentou, no passado, negá-las ou marginalizá-las, "foram causados perigosos desequilíbrios e dolorosas fraturas na vida social do país".
Neste contexto, o Papa se referiu à "tentativa de eliminar dos locais públicos a exposição dos símbolos religiosos" e expressou seu reconhecimento ao governo italiano por ter agido "em conformidade com uma visão correta da laicidade e à luz da sua história, cultura e tradição, encontrando nisso o apoio positivo também de outros países europeus".
A Itália, apoiada por vinte outros países, apelou à Câmara contra a decisão de 3 de novembro de 2009 sobre o caso Lautsi.
Finalmente, Bento XVI recordou que, atualmente, ainda há "flagrantes violações da liberdade religiosa" e por isso desejou que "cresça em todas as partes a conscientização deste problema" e "se intensifiquem os esforços para ver realizado, em todos os lugares e para todos, o pleno respeito à liberdade religiosa".
(Mirko Testa)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Presidente

O Brasil elegeu a primeira mulher para a presidência do país. Mais de 55 milhões de brasileiros votaram em Dilma, do PT, contra os mais de 43 milhões de votos para José Serra, do PSDB. A votação expressiva da oposição bem demonstrou o NÃO ao presidente Lula de grande parcela da população, contrastando com os mais  de 80% de aprovação ao seu governo segundo as pesquisas.
Lula movimentou a máquina governamental de uma forma sem precedentes na história deste país, elegeu Dilma, ex-guerrilheira marxista, nome escolhido a dedo pelo PT, tendo em vista que grandes medalhões do partido estiveram envolvidos em escândalos como o do mensalão.
No pronunciamento, logo após ser anunciada a sua  vitória oficial, Dilma se comprometeu a obedecer a Constituição, defender a democracia, a liberdade de imprensa, de culto, de expressão... E vale lembrar que durante a campanha se propôs a não mudar a legislação do aborto, opinião diferente da que tinha até então, pois sempre se manifestou  favorável à descriminalização do aborto, e mudada em função da grande perda de votos no primeiro turno e do debate nacional, que mostrou como grande parte da sociedade brasileira defende a vida.
Cabe à sociedade brasileira, a partir de janeiro de 2011, acompanhar os atos de governo de Dilma, verificando se estarão de acordo com as promessas citadas. É preciso que a sociedade conheça os mecanismos de fiscalização e encontre formas de fazer campanhas e pressões  para que uma vez no poder a presidenta não governe sem  prestar contas a ninguém, fazendo o que bem entender .Os 43 milhões de votos da oposição deixaram claro que o povo não deu uma carta branca ao PT.
É necessário ficar de olho nos projetos de leis que pretenderão aprovar no Congresso Nacional em 2011 e nos anos seguintes. O aborto, o casamento de pessoas do mesmo sexo e a retirada de símbolos religiosos dos lugares públicos, por exemplo, possivelmente serão colocados na pauta de votação e vale destacar o perigo de sua aprovação, tendo em vista que a maioria deles tem sua origem em deputados do PT e que a maioria do Congresso será governista.
É necessário mudar a cultura geral da nação de não se interessar pela política e de não cobrar dos governantes. Precisamos exigir que os compromissos sejam cumpridos, que Dilma governe de acordo com os bons princípios e valores do nosso povo, heranças históricas do Cristianismo no nosso país. E ficou claro no debate nacional que tais valores devem ser no mínimo respeitados e que, portanto, o novo governo entenda que o  Estado é laico, não ateu.

Professor Faria

sábado, 9 de outubro de 2010

O funk-funk filosófico-liberticida de Marilena Chaui

Um ato de apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff ocorrido ontem na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, dá conta da democracia e da imprensa que os petistas querem para o Brasil.

Liderada pelos professores Marilena Chaui (filosofia) e Dalmo Dallari (direito), a manifestação foi escancaradamente ilegal. A Lei Eleitoral veda expressamente, sem qualquer ambigüidade, o uso de prédios públicos para fins eleitorais ou partidários. Então se recorre à trapaça: a chamada Sala dos Estudantes foi requisitada para a suposta “reunião de um grupo de estudo”. Não obstante, Chaui, Dallari e outros professores da faculdade se revezaram na defesa da candidatura Dilma, nos ataques ao tucano José Serra e, principalmente, à imprensa, aquela que Franklin Martins quer controlar. Que retrato melhor se pode obter do petismo senão uma manifestação ilegal de professores de direito numa faculdade de direito?

Marxilena Chaui, a Tati Quebra-Barraco do marxismo, da filosofia e da fusão do pensamento de Spinoza com o pragmatismo de Delúbio Soares, mandou ver no seu funk-funk filosófico-liberticida. Num país academicamente sério, esta senhora teria desaparecido junto com a desconstrução que José Guilherme Merquior fez do “seu” livro “Cultura e Democracia”, que ele demonstrou pertencer, em grande parte, a Claude Lefort. Mas ela seguiu impávida, escrevendo artigos semanais para os jornais, em especial para a Folha, que abria e ainda abre espaço para esses “inteliquituais”.

Segundo um site da patota, “Marilena Chaui defendeu que lideranças de esquerda e do PT deixem de atender jornalistas da imprensa convencional, em uma espécie de boicote a pedidos de entrevista. ‘Para defender a liberdade de expressão, é preciso não falar com a mídia’, propõe Marilena Chaui. Ela acredita que a mídia dá espaço para figuras do partido e de movimentos sociais apenas para ‘parecer plural’, mas promovendo um ‘controle de opinião’ sobre o que é publicado.”

Não se animem, leitores! Isso não vai acontecer. Esquerdistas não podem ver um microfone ou um gravador. Falam pelos cotovelos. Um dos alvos do ataque da turma foi o suprapartidário Manifesto em Defesa da Democracia, com quase 80 mil assinaturas, lançado, diga-se, em frente à faculdade, não dentro dela — os petistas não permitiram! Na “democracia deles”, um ato suprapartidário não pode ter lugar dentro da faculdade; já uma patusca que faz a defesa oblíqua da censura e de uma candidata à Presidência pode!

Marilena foi além — porque ela sempre vai. Segundo disse, a eleição não pode se transformar num “plebiscito sobre o aborto”. Plebiscito? O tucano José Serra é contra a legalização. Então quem é a favor? Só pode ser a sua adversária, aliada de Marilena: Dilma Rousseff. Marxilena sempre é muito divertida.

No tal site de esquerda de onde extraio aquela magnífica fala de Marilena, escreve um sujeitinho: “Recentemente, Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, assumiu a posição para a imprensa como partido de oposição no país.” Ai, ai… “Assumiu a posição para a imprensa!!!” Eu não sei qual analfabetismo deles é mais saliente: o moral, o profissional ou o literal.

O autor alude a uma afirmação minha, feita durante debate no Clube Militar. Contestando, então, a bobagem de Lula segundo a qual a imprensa era um partido, ironizei — e minha fala está gravada: “Se bem que, em certo sentido, ele tem razão; a oposição no governo Lula foi tão mixuruca, que coube à imprensa a tarefa de defender os Artigos 5º e 220 da Constituição”. E afirmei que, dadas as muitas vezes em que o governo Lula os transgredia ou tentava transgredi-los, a deesa que a imprensa fazia da Constituição não deixava de ser uma espécie de oposição. Ou seja: eu estava contestando Lula, ironizando Lula e combatendo os arreganhos autoritários de Lula. Como é que um esquerdistazinho, um discípulo da professora do funk-funk liberticida registra isso? “Reinaldo Azevedo afirmou que a imprensa é um partido”. “Eles” querem mudar a imprensa para começar a trabalhar com o modelo de precisão que exibem em suas reportagens. A besta ao quadrado sabe muito bem o que foi que eu falei. Mas ele não tem compromisso com o fato, e sim com a sua “tarefa”.

À Folha, o professor de direito penal da USP Sérgio Salomão Shecaira afirmou que se tratou de um “ato pró-Dilma, não algo antiimprensa”. E emendou: “Atacamos bastante o PSDB, como resposta ao ‘Manifesto em Defesa da Democracia’, lido em frente à faculdade há algumas semanas”. Shecaira, como se nota, confessa a clara transgressão à Lei Eleitoral. Basta agora o PSDB acionar os meios legais competentes. A confissão está aí.

Já dei algumas chineladas lógicas nesse Shecaira — uma delas está aqui Este senhor é autor de uma tese estupenda. Em 2007, ele andou enroscando com a política de segurança de São Paulo. Afirmava esse Colosso de Rhodes da lógica que era um absurdo o estado ser aquele que mais prende bandidos se é um dos que têm os menores índices de homicídio do país. Ao doutor em direito penal, com currículo para 400 talheres, não ocorreu que onde ele via contradição havia relação de causa e efeito. Shecaira é daqueles que se negam a reconhecer que haver mais bandidos na cadeia implica menos bandidos matando na rua. Ele ainda tentou espernear afirmando que a redução dos homicídios em São Paulo se devia ao Estatuto do Desarmamento, à diminuição do desemprego etc. Só não explicou por que, então, efeito semelhante não se registrou em outros estados. No Nordeste, houve aumento do número de homicídios.

Assim são muitos dos nossos “acadêmicos”: com a ética de Marilena, o amor pelo estado de direito de Dalmo Dallari e a lógica cristalina de Shecaira. E todos lá, desrespeitando a lei e violando o estado de direito numa faculdade de direito — em nome, claro, dos desígnios mais sublimes do povo, que eles conhecem, no máximo, de ouvir falar!
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

“Padre pela Vida” denuncia mentira abortista do PT

Questão de saúde pública?

SÃO PAULO, 21 Set. 10 / 06:19 pm (ACI).- Em um vídeo lançado recentemente, o Pe. Berardo Graz, conhecido como o “Padre Pela Vida”, que também é coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, denuncia a mentira do PT, cuja candidata à presidência Dilma Roussef, seguindo o discurso do presidente Lula, pretende considerar o aborto como “assunto de saúde pública” e promover a legalização desta prática anti-vida com a desculpa de salvar a vida de mulheres que morrem ao abortar. Para o Padre Graz, este é só um pretexto para seguir promovendo a agenda do capitalismo abortista de organizações como a Fundação Ford.

O Pe. Berardo denuncia a falsidade do argumento pelo qual está sendo proposta à opinião do pública a descriminalização do aborto. Ele diz que na boca dos políticos, incluindo o Ministro de Saúde, o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, o aborto “é uma questão de saúde pública”. “É, mas não nos termos em que está sendo apresentado”, explicou o sacerdote. “É, porque está se matando uma criança”.

Com relação à morte de mulheres, que sustenta a tese pela qual se pretende legalizar o infanticídio no pretexto de evitar a morte de mulheres , o Padre Graz explicou que o aborto é a última causa pela qual as mulheres morrem no Brasil.

Segundo o “Padre Pela Vida” No Brasil morrem mais ou menos 400 mil mulheres por ano. Destas 400 mil, só 1.500 ou 1.600 mulheres, morrem enquanto estão passando por uma gravidez. “Se formos ver o item aborto dentre estas 1.500 só 200 morrem por causa de aborto”. O Pe. Graz faz uma ressalva explicando “Aborto ainda não especificado, porque dentre destas 200, várias morrem por aborto espontâneo”, ou por alguma patologia da reprodução como por exemplo a gravidez ectópica. “Na realidade vitimas de morte por aborto clandestino ou aborto provocado não chegam a 100, ou até menos”, assevera o sacerdote, assegurando que “dentre todas as causas de morte de mulheres, o aborto é a última”.

No entanto, o sacerdote alerta para o fato de que se está colocando esta causa no topo da lista de causas de mortalidade das mulheres porque “esta é a estratégia que a Conferencia do Cairo, a Conferencia de Pequim sugeriram para fazer aceitar o aborto por parte da opinião pública”.

O Padre Graz ressalta que desde o começo dos anos 90 o Relatório da Fundação Ford, que é uma das fundações norte-americanas que estão difundindo o aborto no mundo inteiro por interesses do capitalismo internacional, vem buscando introduzir o aborto como causa de morte materna, quando estas são pouquíssimas.

Depois de relatar que o governo do PT está seguindo à risca esta agenda do relatório Ford, “sendo serviçal dos interesses do capitalismo internacional no controle demográfico”, o padre Berardo alerta para o perigo de introduzir o aborto como um suposto direito sexual e reprodutivo: “Dizer que a mulher tem direito de matar o seu próprio filho, sem considerá-lo como um outro indivíduo, uma outra pessoa, é ir contra a própria natureza”.

“Na realidade esta luta para introduzir o aborto na nossa sociedade” é “uma luta para desacreditar aqueles que são os princípios da lei natural”, concluiu o “Padre pela Vida”.

Para assistir o vídeo com o posicionamento do Padre Berardo, e o alerta que ele faz sobre a participação do Partido dos Trabalhadores nos interesses do capitalismo internacional, visite:

http://www.youtube.com/watch?v=mvvfe0YOwf4
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Internet e religião podem explicar queda da petista

03 de outubro de 2010 | 0h 00
Análise: José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo

A queda de Dilma Rousseff (PT) na pesquisa Ibope foi homogênea. Ela caiu praticamente em todos os segmentos de renda e escolaridade, perdeu eleitores no Sul, no Sudeste e no Nordeste, e entre homens e mulheres. Há sinais de que a internet e a religião podem ter tido papel chave nesse movimento.

A consistência na queda sinaliza que não se trata de oscilação eventual da candidata do PT, mas, possivelmente, a retomada de uma tendência de queda que ela havia demonstrado no começo da semana passada. Sugere também que a causa é algo que atinge indiscriminadamente eleitores de todas as classes sociais e regiões do País.

A novidade da reta final da campanha foi a queda de Dilma entre os eleitores evangélicos. Até o começo da semana, a petista havia perdido 7 pontos nesse segmento. Entre outros motivos, por causa da polêmica na internet sobre sua opinião a respeito do aborto.

Vários vídeos explorando a mudança de posição da petista sobre o assunto viraram hits de audiência no YouTube. Em um deles, ela aparece defendendo, durante entrevista em 2007, a descriminação da prática. Em outro vídeo, um pastor pede aos fiéis para não votarem em ninguém do PT, por causa das posições do partido sobre o aborto. O clipe de 11 minutos tinha sido visto 2,8 milhões de vezes até ontem.

A grande beneficiária da queda de Dilma foi a evangélica Marina Silva (PV), que cresceu entre irmãos de fé e empatou com José Serra (PSDB) nesse segmento, que soma 20% do eleitorado.

A campanha de Dilma acusou o golpe e agiu rápido para estancar a sangria de votos. Organizou uma reunião de última hora com líderes religiosos na quarta-feira e estimulou bispos e pastores evangélicos, como Edir Macedo, da Igreja Universal, a pregarem o voto na petista.

Num primeiro momento, a estratégia pareceu funcionar e as pesquisas realizadas no meio da semana passada mostraram Dilma estabilizada, inclusive entre os evangélicos.

A pesquisa de véspera indica que a onda de rejeição à petista se estendeu dos evangélicos para os católicos. Dilma manteve sua intenção de voto entre os primeiros, mas caiu entre os fiéis da Igreja. Bispos e padres católicos também pregaram contra a descriminação do aborto nas últimas semanas. O efeito só está aparecendo agora.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Crise com a aliança ocidental vem em momento propício para paquistaneses

IGOR GIELOW
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ataque ocidental a soldados paquistaneses, a despeito da tragédia humana, caiu como uma luva para o governo de Islamabad.
Anteontem mesmo o diretor da CIA pressionava pessoalmente o chefe do serviço secreto do Paquistão a renovar seus ataques contra os insurgentes islâmicos.
Com a enchente bíblica que devastou o país nos últimos meses, o Exército paquistanês teve de concentrar esforços em operações humanitárias, abandonando ofensivas nas áreas tribais, a zona sem lei junto à fronteira afegã na qual se escondem várias lideranças terroristas.
Agora os EUA insistem na volta das operações. Washington desconfia do jogo duplo de Islamabad, que fomentou por anos grupos extremistas para servir de linha auxiliar no seu conflito com a arquirrival Índia.
Por outro lado, o Paquistão reclama com razão que seu esforço de guerra não é reconhecido. Desde 2001, perdeu 3.000 soldados e 8.000 civis no conflito; os ocidentais não perderam 2.000 militares.
E num país em que o Exército é a principal instituição, a presença militar estrangeira é tabu. Mesmo a ação de aviões-robôs americanos nas áreas tribais é dissimulada oficialmente, e a morte de soldados paquistaneses nas mãos de ocidentais constitui um passivo político muito custoso.
Como 80% dos suprimentos não-bélicos das forças ocidentais no Afeganistão são levados todos os dias a partir da cidade paquistanesa de Torkham, o fechamento da rota é o recado mais vigoroso que Islamabad pode dar agora.
De todo modo, o Paquistão também não pode prescindir do Ocidente. Só os EUA colocaram mais de US$ 15 bilhões no país desde o 11 de Setembro. Se politicamente a crise é útil para os paquistaneses, não é de se esperar que ela dure indefinidamente.

Correa provocou caos no Equador, dizem especialistas

Rio - O comportamento pouco democrático do presidente do Equador, Rafael Correa, foi decisivo para instalação do cenário de instabilidade governamental e crise de relacionamento no país, segundo analistas ouvidos pelo Terra nesta sexta-feira. "Esta história de bater no peito e ver quem grita mais alto para conseguir as coisas só piorou a situação, o jeito como ele age provocou a situação. O presidente deveria encarar isso como uma lição de governabilidade", afirmou o professor e pesquisador do laboratório Tempo Presente da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Daniel Chaves.

Apesar de Chaves considerar excelente o governo de Correa, desta vez, para ele, o presidente causou um transtorno da ordem. "Os responsáveis pela segurança, fizeram a insegurança", disse ele e afirmou que o presidente precisa aprender que nem tudo é resolvido "por quem é mais macho".

Centenas de policiais foram às ruas do país e tomaram vários quartéis, entre eles o maior, de Quito, protestando contra um decreto ratificado pelo Congresso Nacional que acaba com os bônus de oficiais de polícia e das Forças Armadas. Os manifestantes também ocuparam o aeroporto internacional da cidade.

Os eventos na quinta-feira terminaram com o resgate, por soldados e policiais de elite, de Correa de um hospital na capital do país, onde foi mantido contra vontade durante várias horas por policiais dissidentes. O presidente foi resgatado após troca de tiros entre os soldados e os policiais que participavam do cerco a Correa.

Para o professor de Relações Internacionais da Unicamp, Reginaldo Moraes, o cenário do Equador é similar ao que vem sendo observado na Bolívia, Venezuela, Paraguai e outros. "Os países da América Latina estão querendo promover mudanças e estão encontrando oposição", disse Moraes. Segundo ele, "qualquer distribuição de renda diferente, gera protestos". A dificuldade em dialogar do presidente Rafael Correa agravou ainda mai o sentimento de insatisfação entre os policiais, de acordo com o professor. Segundo Moraes, porém, nos próximos dias deve haver uma reorganização no país e a situação deve se normalizar.

Golpe de Estado
Em entrevista à imprensa do Equador na madrugada desta sexta-feira, o presidente disse que o ocorrido se tratava de um golpe de Estado articulado pelos partidos de oposição. A possibilidade foi descartada pelos especialistas entrevistados pelo Terra.

"Houve uma dramatização por parte do presidente, não acredito em um golpe, a saída é a conciliação", disse Chaves. O professor de Relações Internacionais, Reginaldo Moraes, tem a mesma opinião e considera o momento vivido pelo país latino como uma "situação tensa".

O coordenador do Instituto de Estudo Econômico Internacional da Unesp, Luis Fernando Ayerbe explica que um protesto salarial se tornou mais profundo e ganhou conotação política. Em relação à situação interna, Ayerbe diz que "com certeza o Correa saiu prejudicado". No entanto, ele ressaltou o apoio internacional, dos países da Unasul, em caso de um possível golpe de Estado.

"Agora, ele precisa se fortalecer, dialogar com a população e parar de querer controlar pela força". Ayerbe descartou um golpe de Estado, se o presidente tomar as devidas providências e negociar os salários com os representantes dos manifestantes.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Terrorista marxista é a próxima presidente do Brasil

Henrymakow.com | 08 Setembro 2010
Artigos - Eleições 2010

Os brasileiros parecem corrompidos o suficiente para aceitar o fato como normal. Mas a provável eleição de Dilma Rousseff escandaliza os observadores internacionais.

"Meu amigo, eles acharam a fórmula. Dê ao povo um celular, TV a cabo, a "sensação" de que eles estão participando da economia e eles não vão nem pensar em liberdade. Bilhões de peões, a assim chamada classe média da China, os pobres "em ascensão" do Brasil, não têm nenhuma idéia do que foi a Carta dos Direitos ou a Carta Magna. A soma total deles, como uma horda de bárbaros, vai esmagar os pobres americanos, o último povo do mundo que tem alguma tradição subsistente de liberdade e direitos individuais. Esse pessoal nouveau-riche do Terceiro Mundo vai queimar a constituição por uma TV nova, comprada em 12 prestações no cartão de crédito."



SÃO PAULO, 26 de agosto (Reuters) - A candidata do partido governante no Brasil, Dilma Rousseff, disparou na frente de seu principal adversário no próprio estado natal dele, como mostrou no sábado uma nova pesquisa de opinião, parecendo se encaminhar para uma vitória acachapante na eleição de 3 de outubro.



Rousseff, do partido governante, o Partido dos Trabalhadores, de Lula, tinha 49 pontos na última pesquisa Datafolha, 20 pontos à frente de Serra. O resultado é semelhante à sua vantagem de 47 contra 30% na pesquisa Datafolha anterior, lançada há cinco dias."

De nossa sucursal em São Paulo (postado originalmente em 8 de abril de 2009, atualizado em 26 de agosto de 2010, sob o subtítulo de "O Purgatório do Brasil está prestes a começar")

Caro Henry,

Depois de ver aquele artigo com a ficha policial de Hitler, veja que interessante esta outra. Dilma Rousseff, a atual chefe de gabinete de Lula (um cargo ministerial), foi escolhida pelo Partido dos Trabalhadores para secundar o ex-operário (e agora milionário) Lula na presidência. Lula é um dos mais corruptos presidentes da história e um instrumento dos marxistas.

O pai de Dilma foi um comunista búlgaro.

No topo da ficha: TERRORISTA / ASSALTANTE DE BANCOS

Embaixo:

Profissão: Desconhecida
Atividades:

1967 - agente do Movimento Política do Trabalhador.

06/10/68 - assalto ao banco Banespa, Rua Iguatemi, $ 80 00.

12/10/68 - planejou o assassinato do capitão [americano] Charles Chandler [levado a cabo com frieza, na frente de sua casa, sua mulher e filho].

11/12/68 - assalto à Loja de Armas Diana, Rua do Seminário, 48 armas [roubadas].

??/04/69 - Comando de Libertação Nacional [outra organização terrorista].

24/01/69 - Assalto ao Depósito de Armas Quitaúna - 63 fuzis FAU, 3 revólveres INA, 4 unidades de munição.

18/07/69 - Assalto à casa do Governador Ademar de Barro [o dinheiro nunca foi recuperado].

01/08/68 - Assalto ao Banco Mercantil de São Paulo.

??/09/69 - Congresso da VAR Palmares [organização terrorista] em Teresópolis.

20/09/69 - Assalto ao Quartel da Polícia de Rio Branco.

Estas pessoas receberam vultosas pensões vitalícias porque foram presas. As famílias das pessoas que elas mataram não recebem absolutamente nada. Ela galgou ao topo dentro do governo porque é comunista.

Outro importante amigo de Lula e dirigente do Partido, José Dirceu, também foi terrorista e foi treinado em Cuba [um traidor do Brasil, na verdade]. Dirceu foi o chefe do pior esquema de corrupção da história do Brasil e ainda está livre e trabalhando como "consultor" do governo (eminência parda).

Toda a máquina do governo foi posta a serviço de Dilma. Ela vai a todas as inaugurações de obras e é exaltada por Lula.

É este tipo de gente que está sendo usada pela Nova Ordem Mundial para nos escravizar. Eu deixo um aviso, especialmente para os americanos que gostam de Chavez e Castro: Obama, amiguinho de William Ayers, não está longe destes caras. É isto que está guardado para os Estados Unidos?

O Purgatório do Brasil está para começar

O triste das próxima eleição do Brasil é que ela não será decidida com base em princípios ou valores. Ninguém liga se Dilma matou ou assaltou. É só populismo na forma mais selvagem. Ela é a Dona Lula. Os pobres se beneficiaram um pouco com o fim da inflação e se esqueceram de que esta situação foi herdada por Lula.

O interessante é que o Partido dos Trabalhadores não é nem comunista (Nota do editor: aqui há um equívoco: o PT é, sim, um típico partido comunista) nem o amparador dos trabalhadores. O IBGE, a maior instituição de estatísticas do Brasil, acaba de publicar a informação de que o analfabetismo no Brasil aumentou durante o reinado de Lula. O saneamento básico está no mesmo nível que estava na época de sua coroação. 50,000 brasileiros morrem de morte violenta, a maior parte causadas por armas e drogas contrabandeadas para o país pelos terroristas marxistas das FARC, aliados de Lula. Quem liga? Eu tenho um cellular e um aparelho de tevê. A próxima Copa do Mundo vai ser no Rio.

Por outro lado, o Banco de Desenvolvimento Federal (BNDES) recebeu este ano 100 bilhões de dólares para emprestar para grandes corporações, a fim de "comprar" sua boa vontade em relação ao governo durante este ano de eleição. Os capitalistas conseguem o dinheiro entre 3,5% a 7%, enquanto que o governo paga de 10% a 12% aos bancos. O banco Itaú teve o maior lucro entre todos os bancos das Américas, incluindo os dos Estados Unidos.

Outros gestos magnânimos do governo incluem a distribuição de concessões de TV e rádio a capitalistas e políticos, uma rede de TV para os líderes de sindicatos (que tomam um dia de salário dos trabalhadores e não podem ser auditados - Lula nos livre!) e a definição de focos de investimento dos fundos de pensões de companhias estatais, na casa das centenas de bilhões de dólares. Com eles, você está feito ou frito.

FASCISMO

Esta é uma economia fascista, na mais pura acepção do termo. Mussolini ficaria orgulhoso.

É difícil para a gente comum entender como o comunismo mudou, de uma utopia social, para este fascismo cru. (Nota do editor: fascismo É socialismo) A razão é que eles mantêm a velha fachada em causas culturais, como aborto de graça, casamento gay, globalismo, radicalismo ecológico, etc. Igual à China, eles dizem como se deve viver a vida privada. Censura ou "controle da mídia" está na agenda de Dilma, como está em pleno curso na Argentina e Venezuela hoje. O sigilo fiscal dos advarsários de Dilma foi quebrado impunemente. Direitos constitucionais básicos não valem nada para o Partido dos Trabalhadores e eles estão desafiando os direitos de propriedade. Um bando de camponeses comunistas, todos financiados e liderados por agitadores profissionais, vai invadir fazendas, matar gente (como eles fazem) e a questão vai ser decidida por aclamação popular, em uma comuna.

Estamos sendo preparados para sermos peões do governo mundial.

Prevejo tempos difíceis à frente para o Brasil. Dilma é incompetente e cabeça dura. A dívida pública brasileira quase triplicou e está para explodir, devido às altas taxas de juros. O boom na exportação de minérios e agro-commodities que deu à popularidade de Lula tamanho impulso pode acabar a qualquer momento, especialmente se uma crise pesada atingir o dólar. O nível de tributação no Brasil é um dos mais altos do mundo, em 40, 5%, e a burocracia, com 85 diferentes impostos na última contagem, é astronômica. Eles não vão conseguir aumentar mais os impostos para sustentar os cabides de emprego do governo e a corrupção.

Quando o governo quebrar, os programas sociais que sustentaram a popularidade de Lula estarão em risco. Sem as exportações em expansão, haverá menos empregos e é possível que vejamos distúrbios e protestos. As coisas sempre foram fáceis demais neste país, onde a comida cresce até numa rachadura de calçada. Talvez seja hora de os brasileiros amadurecerem para o sofrimento.



PS: Dilma não é búlgara, seu pai é que era. Ele fugiu de seu país porque era um ativista comunista. Supreendentemente,(?) no Brasil ele foi um capitalista, e muito rico. Dilma teve uma vida burguesa, morando numa grande casa e estudando em escolas particulares. Sempre é bom pertencer à elite comunista.

Terrorista marxista é a próxima presidente do Brasil

Henrymakow.com | 08 Setembro 2010
Artigos - Eleições 2010

Os brasileiros parecem corrompidos o suficiente para aceitar o fato como normal. Mas a provável eleição de Dilma Rousseff escandaliza os observadores internacionais.

"Meu amigo, eles acharam a fórmula. Dê ao povo um celular, TV a cabo, a "sensação" de que eles estão participando da economia e eles não vão nem pensar em liberdade. Bilhões de peões, a assim chamada classe média da China, os pobres "em ascensão" do Brasil, não têm nenhuma idéia do que foi a Carta dos Direitos ou a Carta Magna. A soma total deles, como uma horda de bárbaros, vai esmagar os pobres americanos, o último povo do mundo que tem alguma tradição subsistente de liberdade e direitos individuais. Esse pessoal nouveau-riche do Terceiro Mundo vai queimar a constituição por uma TV nova, comprada em 12 prestações no cartão de crédito."



SÃO PAULO, 26 de agosto (Reuters) - A candidata do partido governante no Brasil, Dilma Rousseff, disparou na frente de seu principal adversário no próprio estado natal dele, como mostrou no sábado uma nova pesquisa de opinião, parecendo se encaminhar para uma vitória acachapante na eleição de 3 de outubro.



Rousseff, do partido governante, o Partido dos Trabalhadores, de Lula, tinha 49 pontos na última pesquisa Datafolha, 20 pontos à frente de Serra. O resultado é semelhante à sua vantagem de 47 contra 30% na pesquisa Datafolha anterior, lançada há cinco dias."

De nossa sucursal em São Paulo (postado originalmente em 8 de abril de 2009, atualizado em 26 de agosto de 2010, sob o subtítulo de "O Purgatório do Brasil está prestes a começar")

Caro Henry,

Depois de ver aquele artigo com a ficha policial de Hitler, veja que interessante esta outra. Dilma Rousseff, a atual chefe de gabinete de Lula (um cargo ministerial), foi escolhida pelo Partido dos Trabalhadores para secundar o ex-operário (e agora milionário) Lula na presidência. Lula é um dos mais corruptos presidentes da história e um instrumento dos marxistas.

O pai de Dilma foi um comunista búlgaro.

No topo da ficha: TERRORISTA / ASSALTANTE DE BANCOS

Embaixo:

Profissão: Desconhecida
Atividades:

1967 - agente do Movimento Política do Trabalhador.

06/10/68 - assalto ao banco Banespa, Rua Iguatemi, $ 80 00.

12/10/68 - planejou o assassinato do capitão [americano] Charles Chandler [levado a cabo com frieza, na frente de sua casa, sua mulher e filho].

11/12/68 - assalto à Loja de Armas Diana, Rua do Seminário, 48 armas [roubadas].

??/04/69 - Comando de Libertação Nacional [outra organização terrorista].

24/01/69 - Assalto ao Depósito de Armas Quitaúna - 63 fuzis FAU, 3 revólveres INA, 4 unidades de munição.

18/07/69 - Assalto à casa do Governador Ademar de Barro [o dinheiro nunca foi recuperado].

01/08/68 - Assalto ao Banco Mercantil de São Paulo.

??/09/69 - Congresso da VAR Palmares [organização terrorista] em Teresópolis.

20/09/69 - Assalto ao Quartel da Polícia de Rio Branco.

Estas pessoas receberam vultosas pensões vitalícias porque foram presas. As famílias das pessoas que elas mataram não recebem absolutamente nada. Ela galgou ao topo dentro do governo porque é comunista.

Outro importante amigo de Lula e dirigente do Partido, José Dirceu, também foi terrorista e foi treinado em Cuba [um traidor do Brasil, na verdade]. Dirceu foi o chefe do pior esquema de corrupção da história do Brasil e ainda está livre e trabalhando como "consultor" do governo (eminência parda).

Toda a máquina do governo foi posta a serviço de Dilma. Ela vai a todas as inaugurações de obras e é exaltada por Lula.

É este tipo de gente que está sendo usada pela Nova Ordem Mundial para nos escravizar. Eu deixo um aviso, especialmente para os americanos que gostam de Chavez e Castro: Obama, amiguinho de William Ayers, não está longe destes caras. É isto que está guardado para os Estados Unidos?

O Purgatório do Brasil está para começar

O triste das próxima eleição do Brasil é que ela não será decidida com base em princípios ou valores. Ninguém liga se Dilma matou ou assaltou. É só populismo na forma mais selvagem. Ela é a Dona Lula. Os pobres se beneficiaram um pouco com o fim da inflação e se esqueceram de que esta situação foi herdada por Lula.

O interessante é que o Partido dos Trabalhadores não é nem comunista (Nota do editor: aqui há um equívoco: o PT é, sim, um típico partido comunista) nem o amparador dos trabalhadores. O IBGE, a maior instituição de estatísticas do Brasil, acaba de publicar a informação de que o analfabetismo no Brasil aumentou durante o reinado de Lula. O saneamento básico está no mesmo nível que estava na época de sua coroação. 50,000 brasileiros morrem de morte violenta, a maior parte causadas por armas e drogas contrabandeadas para o país pelos terroristas marxistas das FARC, aliados de Lula. Quem liga? Eu tenho um cellular e um aparelho de tevê. A próxima Copa do Mundo vai ser no Rio.

Por outro lado, o Banco de Desenvolvimento Federal (BNDES) recebeu este ano 100 bilhões de dólares para emprestar para grandes corporações, a fim de "comprar" sua boa vontade em relação ao governo durante este ano de eleição. Os capitalistas conseguem o dinheiro entre 3,5% a 7%, enquanto que o governo paga de 10% a 12% aos bancos. O banco Itaú teve o maior lucro entre todos os bancos das Américas, incluindo os dos Estados Unidos.

Outros gestos magnânimos do governo incluem a distribuição de concessões de TV e rádio a capitalistas e políticos, uma rede de TV para os líderes de sindicatos (que tomam um dia de salário dos trabalhadores e não podem ser auditados - Lula nos livre!) e a definição de focos de investimento dos fundos de pensões de companhias estatais, na casa das centenas de bilhões de dólares. Com eles, você está feito ou frito.

FASCISMO

Esta é uma economia fascista, na mais pura acepção do termo. Mussolini ficaria orgulhoso.

É difícil para a gente comum entender como o comunismo mudou, de uma utopia social, para este fascismo cru. (Nota do editor: fascismo É socialismo) A razão é que eles mantêm a velha fachada em causas culturais, como aborto de graça, casamento gay, globalismo, radicalismo ecológico, etc. Igual à China, eles dizem como se deve viver a vida privada. Censura ou "controle da mídia" está na agenda de Dilma, como está em pleno curso na Argentina e Venezuela hoje. O sigilo fiscal dos advarsários de Dilma foi quebrado impunemente. Direitos constitucionais básicos não valem nada para o Partido dos Trabalhadores e eles estão desafiando os direitos de propriedade. Um bando de camponeses comunistas, todos financiados e liderados por agitadores profissionais, vai invadir fazendas, matar gente (como eles fazem) e a questão vai ser decidida por aclamação popular, em uma comuna.

Estamos sendo preparados para sermos peões do governo mundial.

Prevejo tempos difíceis à frente para o Brasil. Dilma é incompetente e cabeça dura. A dívida pública brasileira quase triplicou e está para explodir, devido às altas taxas de juros. O boom na exportação de minérios e agro-commodities que deu à popularidade de Lula tamanho impulso pode acabar a qualquer momento, especialmente se uma crise pesada atingir o dólar. O nível de tributação no Brasil é um dos mais altos do mundo, em 40, 5%, e a burocracia, com 85 diferentes impostos na última contagem, é astronômica. Eles não vão conseguir aumentar mais os impostos para sustentar os cabides de emprego do governo e a corrupção.

Quando o governo quebrar, os programas sociais que sustentaram a popularidade de Lula estarão em risco. Sem as exportações em expansão, haverá menos empregos e é possível que vejamos distúrbios e protestos. As coisas sempre foram fáceis demais neste país, onde a comida cresce até numa rachadura de calçada. Talvez seja hora de os brasileiros amadurecerem para o sofrimento.



PS: Dilma não é búlgara, seu pai é que era. Ele fugiu de seu país porque era um ativista comunista. Supreendentemente,(?) no Brasil ele foi um capitalista, e muito rico. Dilma teve uma vida burguesa, morando numa grande casa e estudando em escolas particulares. Sempre é bom pertencer à elite comunista.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Tocqueville 200 anos

Félix Maier

"Eu confesso que na América eu vi mais do que a América; eu vi a imagem da democracia mesmo, com suas inclinações, seu caráter, seus preceitos e suas paixões, o suficiente para aprender o que devemos temer ou o que devemos esperar do seu progresso” (Alexis de Tocqueville, 1834).

“A vantagem real da democracia não é, como já se disse, favorecer a prosperidade de todos, mas apenas servir ao bem-estar do maior número” (Alexis de Tocqueville, in A Democracia na América).

Em meados do desastroso Annus Lulae 3 (Annus Domini 2005), quando pipocavam denúncias e mais denúncias da corrupção petista, o senador Eduardo Suplicy deu de presente a Lula o livro mais famoso de Alexis de Tocqueville, A Democracia na América. Provavelmente, era uma indireta de Suplicy ao presidente, para que não se candidatasse à reeleição, sistema eleitoral condenado por Tocqueville no citado livro, pois o governante – segundo o liberal francês -, desde o primeiro dia da posse, não pensaria em outra coisa senão na reeleição, utilizando toda a máquina administrativa federal para tal intento. Não creio que Lula tenha lido o livro, um calhamaço de quase 600 páginas (*), pois o próprio presidente já declarou que recebe muitos livros de presente e apenas folheia algumas páginas. Talvez o livro Sobre o Ócio, de Sêneca, fosse mais recomendável para Lula, especialmente como companhia para suas ociosas viagens turísticas a bordo do Air Force 51, o Aerolula...

Em 29 de julho de 2005, deveria ter sido comemorado o 200º aniversário do politólogo e sociólogo francês Alexis Charles Henri Maurice Clérel de Tocqueville (1805-1859). Nome longo, de um verdadeiro príncipe, que na verdade é, ao menos em Sociologia, Tocqueville foi um dos mais ilustres liberais clássicos que o mundo já conheceu, ao lado de Adam Smith, Friedrich von Hayek, Michael Novak, Ludwig von Mises, Raimond Aron, Jean-François Revel, Milton Friedman, além dos brasileiros Antônio Paim, Roberto Campos e José Osvaldo de Meira Penna. E por que Tocqueville não mereceu nenhum tipo de comemoração? Da mesma forma que o presidente Emílio Garrastazu Médici, um dos mais ilustres presidentes do Brasil, não mereceu nesse ano nenhuma lembrança pela passagem dos 100 anos de seu nascimento: boicote dos meios de comunicação. A mídia brasileira, dominada por um ranço revanchista de esquerda sem limites, para quem o Muro de Berlim continua mais firme do que as milenares muralhas da Cidadela de Saladino, no Cairo, nomes como Tocqueville são olimpicamente ignorados, como se nunca tivessem existido, e governantes como Médici são satanizados como a pior coisa que já existiu nestes trópicos. O pouco que foi dito sobre Tocqueville no Brasil nos últimos tempos pode ser visto no texto de Luiz Fernando Alves Evangelista, LULA PRESIDENTE: Uma Reflexão Sobre a Democracia no Brasil (http://www.achegas.net/numero/oito/luiz_evangelista_08.htm).

Em 1831, com apenas 26 anos de idade, Tocqueville viajou para a América do Norte, vindo a publicar em 1835 o primeiro volume de La Démocratie en Amerique, considerado até hoje o melhor livro sobre o funcionamento do sistema político norte-americano; em 1840, Tocqueville publicaria o segundo volume sobre o assunto.

“Descontente com o novo regime implantado na França com a Revolução de 1830, Alexis de Tocqueville, descendente de um família ultra-realista que padecera o diabo na época do Terror (1793-4), decidiu-se viajar para a América do Norte. Ele e um outro jovem jurista como ele, chamado Gustave de Beaumont, encontraram um pretexto para vir estudar as instituições penais norte-americanas, aportando em Newport, Rhode Island, em nove de maio de 1831. Durante os onze meses seguintes, os dois farão um longo périplo de 7.500 quilômetros por boa parte da América do Norte, passando por 18 dos 24 estados que então compunham a União, percorrendo-a de Nova Iorque ao Canadá e dali até o Sul, a Nova Orleans. Das margens do Mississipi, rumaram depois para o norte, para Washington DC, e dali de volta para Nova Iorque, onde tomaram um barco para a França em 20 de fevereiro de 1832. No caminho, entrevistaram até dois ex-presidentes” (http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/democracia.htm).

Em seu livro, Tocqueville profetizou o avanço dos americanos, em levas migratórias, do Texas até o Pacífico, terras que foram conquistadas à força do México. Se em 1831 eram 24 Estados, hoje o gigante americano é composto por 50, além do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital Washington, e Porto Rico, Estado livre associado. A respeito, já questionava um célebre barbudo alemão: “É uma infelicidade se a rica Califórnia foi arrancada dos mexicanos preguiçosos que não sabiam o que fazer dela?” (Karl Marx, in Nova Gazeta Renana, 1849; cit. por Ipojuca Pontes in Politicamente Corretíssimos, pg. 21).

O direito sagrado da propriedade é, inequivocamente, um dos fatores que proporcionaram a riqueza americana: “Por que, nos Estados Unidos, país da democracia por excelência, ninguém faz ouvir contra a propriedade em geral as mesmas queixas que muitas vezes ressoam na Europa? Será necessário dizê-lo? É que na América não existem proletários. Como cada qual tem um bem particular a defender, reconhece em princípio o direito de propriedade”. Tocqueville foi o primeiro pensador a observar o que viria a ser denominado “paradoxo da pobreza”. Depois de uma viagem que fez à Inglaterra, em 1833, escreveu Mémoire sur le paupérisme, onde diz: “Quando se cruza os vários países da Europa, somos surpreendidos por um espetáculo extraordinário e aparentemente inexplicável. Os países que aparecem como os mais empobrecidos são aqueles que na realidade abrigam menores quantidades de indigentes”. A Inglaterra, mais industrializada que os outros países europeus, na época comportava maior número de indigentes nas ruas!

Tocqueville era católico fervoroso. Deus, religião e fé são palavras corriqueiras em sua obra. Qual o sociólogo, hoje, que ousaria escrever sobre Deus, sobre a importância da religião entre os povos? A maioria dos sociólogos atuais, como Emir Sader e FHC, é composta por esquerdistas e ateus (desculpe o pleonasmo!). Tocqueville foi um precursor de Max Weber ao analisar a força do protestantismo, vale dizer, do puritanismo na criação do pujante capitalismo americano. “Quando cheguei aos Estados Unidos, foi o aspecto religioso do país que desde logo me atraiu a atenção. À medida que prolongava minha permanência, percebia as grandes conseqüências políticas que decorriam desses fatos novos. (...) A cada um deles, exprimi minha admiração e expus minhas dúvidas: achava que todos aqueles homens não diferiam entre si a não ser em minúcias; mas todos atribuíam principalmente à completa separação da Igreja e do Estado o império pacífico que a religião exerce em seu país” (pg. 227). E complementa: “Foi a religião que deu nascimento às sociedades anglo-americanas: é preciso nunca esquecer isso; nos Estados Unidos, a religião confunde-se, pois, com todos os hábitos nacionais e todos os sentimentos que a pátria faz nascer; isso lhe dá uma força particular”. Tocqueville observou que se, de um lado, havia uma profusão de credos protestantes nos EUA, por outro, todos tinham o mesmo objetivo final, já que “a moral do cristianismo é a mesma”: “Nos Estados Unidos, as seitas cristãs variam ao infinito e se modificam constantemente, mas o próprio cristianismo é um fato estabelecido e irresistível, que nunca se faz necessário atacar nem defender. Tendo admitido sem exame os principais dogmas da religião cristã, os americanos são obrigados a receber da mesma maneira grande número de verdades morais que daí decorrem e que por aí se explicam” (pg. 323). Tocqueville não viu em outro lugar em que “o amor ao dinheiro tenha um lugar maior no coração do homem e onde se professe desprezo tão profundo pela teoria da igualdade permanente de bens. Mas a fortuna circula ali com uma rapidez incrível, e a experiência ensina que é raro ver duas gerações recolherem o seu favor” (pg. 48). Tocqueville comprovou que no capitalismo americano a mobilidade social é espantosa, os ricos de hoje podem ser os arruinados de amanhã; os milionários de amanhã podem ser os pobres de hoje. Para o autor francês, um ponto fundamental para a pujança americana foi o nível médio em conhecimentos alcançado por seus cidadãos: “Por isso, encontra-se uma multidão imensa de indivíduos que têm o mesmo número de noções mais ou menos iguais em matéria de religião, história, ciências, economia política, legislação e governo” (pg. 49).

Premonição de Tocqueville a casos como o do Iraque sob o governo George W. Bush, que quer fazer daquele país uma democracia? “De resto, muito longe estou de crer que devemos seguir o exemplo da democracia americana ponto por ponto e imitar os meios de que se serviu para atingir com os seus esforços essa meta; pois não ignoro qual é a influência exercida pela natureza do país e os fatos antecedentes sobre as constituições políticas, e consideraria um grande mal para o gênero humano se a liberdade tivesse de produzir-se em todos os lugares seguindo os mesmos caminhos” (pg. 2340).

Há equívocos em Tocqueville, ao falar de raça: “Não creio que a raça branca e a raça negra possam vir, em parte alguma, a viver em pé de igualdade” (pg. 273). Porém, o sociólogo observa que nos EUA já existe uma enorme miscigenação: “Existem partes da América onde o europeu e o negro se cruzaram de tal forma que é difícil encontrar um homem que seja inteiramente branco ou inteiramente negro: chegadas a esse ponto, pode-se dizer que as raças estão realmente misturadas” (pg. 273).

Chamou a atenção de Tocqueville algumas excentricidades puritanas antigas, então em franco desuso, como a proibição do uso do tabaco. “Em data de 1649, assiste-se à criação, em Boston, de uma associação solene cuja finalidade é coibir o luxo mundano dos cabelos longos” (pg. 39).

Tocqueville critica a legislação americana sobre fiança, cujos “costumes parecem contrários ao conjunto do estado social”: “A legislação civil e criminal dos americanos não conhece mais que dois meios de agir, a prisão e a fiança. O primeiro ato de um processo consiste em obter fiança de um réu, ou, se ele recusa, em fazê-lo encarcerar; depois é que se discute a validade do título ou a gravidade das acusações. É evidente que semelhante legislação é dirigida contra o pobre e favorece apenas o rico. O pobre nem sempre pode pagar a fiança, mesmo em matéria civil, e se é constrangido a ir esperar a justiça na prisão, depressa a sua inação forçada o reduz à miséria” (pg. 43).

Para finalizar, voltemos a Lula e ao livro de Suplicy. Considerando o lamaçal em que nosso presidente se afundou, e tendo em vista preservar a biografia de Lula, sugiro que nosso presidente leia O Vendedor de Passados, do escritor angolano José Eduardo Aqualusa. Na obra, o personagem Félix tem a faculdade de criar biografias ou “passados”, de acordo com o que desejam os interessados que o procuram. Quem sabe Lula não peça a criação de um novo personagem, cheio de virtudes, longe da imagem que passou a ter depois que se comprovaram as denúncias da corrupção petista, da qual ele e unicamente ele é o principal culpado. Quem sabe Lula não possa encomendar um passado limpo a Félix – ao personagem de Aqualusa, não a mim! – recebendo, por exemplo, um trono num emirado árabe? Ou então Lula não passe a ser presidente perpétuo de uma republiqueta africana, do tipo “Pongo Pongo”, imortalizado no livro satírico de Meira Penna, Cândido Pafúncio?

(*) TOCQUEVILLE, Alexis de. A Democracia na América, Editora Itatiaia Limitada, Belo Horizonte, 1987, 3ª edição (Tradução de Neil Ribeiro da Silva).



Fonte: http://www.webartigos.com/articles/1657/1/Tocqueville-200-Anos/pagina1.html#ixzz10UFFZNDC

Quem merece seu voto?

Sex, 24 de Setembro de 2010 09:00 cnbb .Esta pergunta é, sem dúvida, um grande desafio posto a cada cidadão às vésperas das eleições deste ano. Isso, porque esta resposta não deve ser construída, simplesmente, com a força e o discurso do mais sofisticado marketing pautado na propaganda eleitoral que incorporou aquele tom antigo – associando à imagem do candidato suas promessas ou referências ao que ele fez.

No ar, de certo modo, está a dívida quanto à discussão de propostas mais consistentes e abrangentes como as exigências de reformas do Estado, tributária, política. É uma aberração apresentar-se ao eleitor e trabalhar o convencimento para que ele dê o seu voto por conta de promessas e mesmo das realizações passadas. Este discurso, na verdade, revela a lacuna na educação de um povo que pode se deixar convencer por argumentos emocionais e pelo tratamento de suas necessidades básicas como se fosse um atendimento benevolente gerando devedores e tendo no voto o pagamento ou retribuição. É lúcido pensar e defender que não basta adotar esquemas de proteção e de oferta de tudo aquilo que é direito do cidadão. É preocupante, no cenário da sociedade brasileira, o quanto o emocional vai presidindo o embate político, influenciando nas escolhas pela ausência da clareza que advinda da consciência dos que são destinatários e portadores de um qualificado processo educativo. A consciência sóciopolítica está, intrinsecamente, ligada ao nível de educação recebida e cultivada. Por isso mesmo, estas eleições revelarão o nível da cultura política existente no tecido da sociedade brasileira.

Ainda falta um longo caminho a percorrer, como fruto de processo educativo mais amplo e qualificado, para se compreender que a política, além da arte de transigir, é particularmente a arte de cuidar e garantir a justa ordem da sociedade e do Estado, seu dever central. Este entendimento acende um facho de luz na pergunta acerca de quem merece seu voto. É importante lembrar o Papa Bento XVI na sua Carta Encíclica Deus caritas est, 2005, quando diz que “a política é mais do que simples técnica para a definição de ordenamentos públicos: a sua origem e o seu objetivo estão precisamente na justiça, e esta é de natureza ética”. Ora, se a justiça é a origem e o objetivo da política e sua implementação é de natureza ética, conclui-se que ter ficha limpa é critério primeiro e fundamental para definir alguém como merecedor do seu voto.

A sociedade brasileira compreendeu e aderiu ao Projeto de Lei Ficha Limpa aprovado, um entendimento que não tem o menor sentido de ser adiado porquanto a moralização da política é uma das mais urgentes exigências e anseio da sociedade brasileira. Essa garantia de qualificação na candidatura se entrelaça com uma série de critérios importantes para que alguém seja merecedor de voto. Inquestionavelmente, torna-se merecedor do seu voto quem passa pelo crivo dos valores que possam permitir que o eleito respeite e lute pela democracia, priorize direitos sociais para configurar um novo cenário, particularmente, para os mais pobres, sem jamais perpetuar programas e benesses que os mantenha reféns de comodidades geradas e de preguiças que atrasam o passo na conquista da própria autonomia. O merecimento do seu voto, em qualquer cargo, Executivo ou Legislativo, não pode ser uma decisão determinada pelo marketing político que amordaça consciências e não permite a configuração de critérios que assegure ao cidadão seu direito de escolher, não por obrigação a ser paga, mas na liberdade e autonomia que compõem a vivência autêntica da cidadania.

Na lista dos valores para configurar critérios que possam ser alavancas de juízos adequados na escolha, incluem-se o respeito à vida em todas as suas etapas, desde a fecundação até o declínio natural, o compromisso com a democracia, o respeito à liberdade de imprensa, o olhar e compreensão do pobre como sujeito e não como simples destinatário - incluindo a discussão sobre religião e a laicidade do Estado.

Nessa direção os católicos precisam se posicionar mais clara e diretamente nas suas escolhas para usufruir do seu direito, por diálogo e intercâmbio, de contar com governantes e parlamentares capazes de pautar suas ações pelos valores do Evangelho e na fidelidade a princípios e valores, não simplesmente a interesses que possam abrir caminhos a negociações espúrias. Os católicos, no exercício de sua cidadania, como outros, todos, têm o desafio de fazer a diferença pela força de escolher quem merece seu voto. Este desafio e embate devem ser enfrentados com fé e coragem.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

sábado, 18 de setembro de 2010

Eleições 2010 – Vida Limpa

Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro

O direito à vida é o primeiro dos direitos naturais, é um dos direitos supra-estatais (como ensinava o eminente jurista Pontes de Miranda – Comentários à Constituição de 1946, 3ª ed., Tomo IV, pg. 242-243: “não existem conforme os cria ou regula a lei; existem a despeito das leis que os pretendem modificar ou conceituar. Não resultam das leis, precedem-nas; não têm o conteúdo que elas lhes dão, recebem-no do direito das gentes”), porque diz respeito à própria natureza humana e daí o seu caráter inviolável, intemporal e universal (cf. Manoel Gonçalves Filho, Comentários à Constituição Brasileira de 1988, Saraiva 1990, vol. I, p. 23).

Direito originário, condicionante dos demais direitos da personalidade – direito fundamental absoluto – o direito à vida é um direito-matriz, explicitamente mencionado no artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988 (“à inviolabilidade do direito à vida” é gratuito ‘petreamente’, isto é, qualquer ação contra a vida, toda medida que permite interrompê-la em seu desenvolvimento intra-uterino ou em qualquer fase da existência, seja qual for a justificação, é, inequivocamente, inconstitucional e anticonstitucional e, portanto, um ato de lesa-sociedade).

Convém considerar que desde a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, o caráter laical do Estado Brasileiro marcou profundamente a legislação do país, e nas Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988, tutelaram, e atualmente continua tutelando, os direitos humanos fundamentais: “à liberdade, à segurança individual e à propriedade” (Constituições de 1891, 1934, 1937), “à inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade” (Constituições de 1946, art. 141 e de 1967, art. 150), “à inviolabilidade do direito à vida” (Constituição de 1988, art. 5º).

Certamente esse Estado brasileiro laical, desvinculado logicamente da religião, mas respeitando todas as crenças existentes no Brasil, não se inspirou em princípios e em sentimentos religiosos ao redigir esses artigos que assegura constitucionalmente os direitos fundamentais dos seus cidadãos e certamente fundamentaram-se somente na dignidade da pessoa humana e não apenas na fé religiosa.

A ordem jurídica repetindo, – não só a religiosa – é quem socialmente exige o respeito e a proteção ao bem supremo da pessoa, que é a vida humana em todas as fases de suas manifestações. Reconhece assim que a vida humana jamais é uma concessão jurídico-estatal e, inclusive, o direito a ela transcende ao direito da pessoa sobre si mesma, mas é um direito natural anterior à constituição do Estado e da própria sociedade.

A pessoa humana não vive só para si, mas também, para a sociedade, e para o bem do Estado, já que ela não só é portadora de humanidade, mas é patrimônio da humanidade.

Nelson Hungria, conhecido e afamado jurista brasileiro, afirmava que quem pratica o aborto não opera ‘in materiam’, mas atua contra um ser humano na ante-sala da vida civil, o que acaba acarretando com esse ato homicida numa civilização da violência e da morte.

O titular da vida humana é unicamente a própria pessoa, que desde a sua concepção tem seus direitos garantidos (conforme o artigo 2º do Código Civil Brasileiro de 2002, o artigo 41 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o preâmbulo da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança), e tem personalidade jurídica formal, desde seu momento inicial na fecundação, embora adquira só com o nascimento a sua personalidade jurídica material.

Ainda que não nascida tem capacidade de direito, não de exercício, devendo aos pais ou o curador zelar pelos interesses como são amparados pelo sistema jurídico brasileiro.

Não é válido portanto o argumento de que cabe à mulher o direito absoluto de dispor livremente da sua saúde reprodutiva, pois uma vez que há uma vida semelhante à sua no seu útero e em desenvolvimento, esse caráter absoluto deixa de existir. Uma vez que é mãe a sua saúde reprodutiva continuará sendo um direito associado a deveres constitucionais básicos: assistir socialmente ao filho (cf., art. 203), proporcionar-lhes alimento (cf., art. 5º, LVII), cuidar do filho se tem anomalias físicas ou psíquicas (cf, art. 227, § 1º, II). Inclusive se corre o risco de vida estando grávida ou se o filho resultou de um estupro, deve saber que a vida humana concebida é um bem jurídico maior e qualquer ação contra ela é um crime horrendo, ainda que não se aplique uma pena contra ele (caput do artigo 128, do Código Penal Brasileiro). A exclusão da culpabilidade não significa a exclusão da juridicidade, já que o aborto sempre é um crime contra a pessoa humana (conforme o Título I – “Dos crimes contra a Pessoa”, parte especial do Código Penal Brasileiro).

O crime do aborto existe sempre e mesmo que haja discussão acadêmicas, política-partidárias, legislativas e, até mesmo, haja um plebiscito com resultado a favor do aborto legal, não se irá tornar ético um ato profundamente anti-ético, anti-social e, sobretudo, anti-natural e sangrento.

Nesse período de campanha eleitoral quando se procura uma renovação dos quadros executivos e legislativos do país e dos estados brasileiros o tema do aborto e demais temas correlatos – eutanásia, anticoncepção abortiva, distanásia, segurança pública, atendimento hospitalar público – podem ficar escondidos, sob o manto midiático de manchetes chamativas a respeito das pesquisas de opinião pública ou do crescimento econômico-social promovido por governantes e partidos a eles ligados.

O povo brasileiro não pode continuar sendo ingênuo e continuar na atitude de omissão política. O exemplo que ele deu na campanha ficha limpa é demonstrativo do seu poder transformador da sociedade.

É necessário que os brasileiros tirem a venda dos olhos e enxerguem com nitidez nos olhos dos seus candidatos e vejam neles a intenção, sem eufemismos de palavras, de defender realmente a vida humana desde a sua concepção até o seu final natural, que eles e elas mostrem nos seus programas de governo e nos seus projetos legislativos a vontade política de promover a natureza e a finalidade social da família brasileira fundada sobre o casamento entre o homem e a mulher, e que respeitem de verdade a inteligência dos cidadãos, não enganando-os mais com palavras e slogans políticos vazios.

Votar conscientemente é um direito e não só um dever político! Enganar conscientemente e “marqueteiramente” os eleitores é um crime contra a nação! Governar e legislar a favor da Vida Limpa, sem manchas ou poças sanguinolentas, é a esperança dos milhões de eleitores que são a favor da vida do brasileiro!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

ORIENTAÇÕES SOBRE POLÍTICA E ELEIÇÕES

DOM FERNANDO ARÊAS RIFAN
Bispo Titular de Cedamusa
Administrador Apostólico


ORIENTAÇÕES
SOBRE POLÍTICA E ELEIÇÕES

AOS SACERDOTES E FIÉIS
DA ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA PESSOAL
SÃO JOÃO MARIA VIANNEY


ORIENTAÇÕES SOBRE POLÍTICA E ELEIÇÕES

Caríssimos sacerdotes e fiéis da nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Embora não tenha nenhum partido político nem faça campanha partidária, a Igreja pode e deve orientar os seus fiéis sobre a importância de seu voto consciente.

“A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política... não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça... não poderá firmar-se nem prosperar” (Papa Bento XVI, Deus caritas est, n. 28).

Com a proximidade das eleições, pois, venho alertá-los para o grave dever de votar corretamente, com consciência cristã, escolhendo o melhor candidato, segundo os critérios que passamos a apresentar.

1. GRAVIDADE DA SITUAÇÃO POLÍTICA ATUAL

A situação política atual é de fato decadente. Parece estar falando de nosso tempo o notável Eça de Queirós, que, em 1871, escrevera com sua verve inconfundível: “Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita... Ninguém crê na honestidade dos homens públicos... A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do atual governo? Não!”

E, parece que a crise vem de longe, nesse nosso país, desde que trocaram o nome cristão de “Terra de Santa Cruz” pelo de Brasil, como escreveu o historiador Simão de Vasconcelos: “...Terra de Santa Cruz, título que depois converteu a cobiça dos homens em Brasil, contentes do nome de outra madeira bem diferente do da cruz e de efeitos bem diversos”.

Infelizmente, a corrupção eleitoral ainda é um problema enraizado na mentalidade do nosso povo. Muitos acham natural a troca do voto por algum favor do candidato. É preciso instalar uma nova consciência política e mudar a situação com o nosso voto. Voto não se vende. “Voto não tem preço, tem conseqüências”. Não vote apenas levado pela propaganda, pela maioria, pelo interesse financeiro pessoal ou por pressão. Cada um é responsável pelo seu voto e suas conseqüências.

E a corrupção econômica não é a única nem a mais importante. Pior ainda é a corrupção dos costumes, da moral e, sobretudo, das idéias, com a implantação do relativismo, do materialismo e do ateísmo. Como cristãos, nós sabemos que a base da moral e da ética é a lei de Deus, natural e positiva, traduzida na conduta pelo que se chama o santo temor de Deus, ou a consciência reta e timorata. Uma vez perdido o santo temor de Deus, perde-se a retidão da consciência, que passa a ser regida pelas paixões.

É importante conhecer e divulgar informações a respeito dos candidatos: quem são eles, que é que já realizaram em prol da população, qual é a sua história, quais são suas propostas, suas idéias, a quem apóiam e estão ligados, sua origem política, seu partido e qual a linha ideológica do seu partido.

É fundamental discernir o perfil ético e as verdadeiras motivações dos que se apresentam como candidatos. É necessário também examinar o programa do partido ao qual está filiado o candidato. Não vote em candidatos despreparados e sem metas claras, incapazes de uma política consistente: eles serão facilmente manobrados por outros. Desconfie de candidatos oportunistas, dos que praticam a compra de votos, prometendo favores. É bom desconfiar de candidatos sustentados por campanhas financeiras vultosas que facilitam a compra de votos, pois eles podem tentar recuperar, de alguma forma, o investimento realizado, utilizando-se dos privilégios adquiridos no exercício da função publica. E não vote em partidos cujo programa contenha princípios contra a lei natural e cristã.


2. A POLÍTICA E O BEM COMUM

A palavra “política” vem do grego “pólis”, que significa “cidade”. Os gregos estavam organizados em cidades-estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade e coletividade. O termo “política” indicava todos os procedimentos relativos à “polis”ou cidade-Estado. Segundo Aristóteles, Política é a ciência que tem por objeto a felicidade humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na “polis-cidade”) e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva da “polis”). O objetivo de Aristóteles com sua Política é justamente investigar as formas de governo e as instituições capazes de assegurar uma vida feliz ao cidadão.

Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política, I, 1,9). E, continua Aristóteles, “toda a cidade é evidentemente uma associação, e toda a associação só se forma para algum bem, dado que os homens, sejam eles quais forem, tudo fazem para o fim do que lhes parece ser bom”. E Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado.

“A comunidade política existe... em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. Quanto ao bem comum, ele compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes).

Daí se conclui que a cidade – o Estado - exige um governo que a dirija para o bem comum. Por isso não se pode separar a política do poder.

Assim sendo, a política é de interesse e responsabilidade de todos os cidadãos. Todos têm essa grave responsabilidade na escolha daqueles que vão deter o poder e no acompanhamento das administrações públicas, pois é o bem comum que está em jogo.

Quando o exercício do poder, executivo ou legislativo, ao invés da procura do bem comum, se transforma em instrumento para se obter benefícios particulares, quando o poder legislativo não se propõe fiscalizar mas ser conivente com os desmandos do executivo, quando, nas eleições, já se antevê o jogo da corrupção e os candidatos apostando mais na força do dinheiro do que na força da persuasão de suas propostas administrativas, então as previsões não são de uma política sadia para o bem de todos os concidadãos.

3. AS FORMAS DE GOVERNO

Discute-se muito qual seria a melhor forma de governo. Para a maioria dos sociólogos cristãos a melhor forma de governo seria a monarquia. Para Winston Churchil, a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras! Para Santo Tomás de Aquino, a melhor forma de governo seria a monarquia, temperada com a aristocracia e a democracia. Ou seja, uma só cabeça, que, seguindo os conselhos dos melhores e ouvido o povo, governasse harmonicamente a sociedade.

O Papa Leão XIII solucionou essa discussão dizendo que qualquer forma de governo, desde que correta, poderia se enquadrar dentro dos princípios cristãos e ser apoiada pelos católicos.

O mal são os abusos e as deteriorizações. A corrupção da monarquia é a tirania, o absolutismo, o despotismo. A corrupção da aristocracia é a oligarquia, o governo das "mafias", das "panelinhas". E a corrupção da democracia é a demagogia, o populismo.

Assim como a melhor forma de governo seria a união do que há de melhor nas tres modalidades, monarquia, aristocracia e democracia, assim também a pior forma de governo seria a união das deteriorizações e abusos das três formas de governo.

Já imaginaram um governo demagógico, ao mesmo tempo tirânico e mafioso?
A demagogia é anárquica: na ânsia de querer agradar a todos, acaba por agradar somente aos maus, aos marginais, aos desordeiros, enquanto que os cidadãos de bem ficam acuados e indefesos. O populismo agrada à massa e prejudica o povo.

As "panelinhas" e grupos mafiosos são fáceis parasitas de governos populistas e demagógicos, que, para ganhar as eleições, tiveram que se apoiar neles.

E, uma vez tomado o poder, a tirania se exercerá sobre quem não se alinhar ou não concordar. E os castigos e represálias não se farão esperar.

Os frutos desse desgoverno serão a insegurança, a perseguição, o pânico, o triunfo da marginalidade, a corrupção das instituições, a anarquia, o caos social. Afinal, o povo não tem o governo que merece? Será que estamos fazendo por merecer isso?

4. LIBERDADE RESPONSÁVEL

“O desenvolvimento humano integral supõe a liberdade responsável da pessoa e dos povos, pois nenhuma estrutura pode garantir tal desenvolvimento fora e acima da responsabilidade humana” (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate).

“Tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial -, é afirmar o dever do homem, de todos os homens de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade. A política é uma maneira exigente – não a única – de viver o compromisso cristão ao serviço dos outros” (Paulo VI, Octogésima Adveniens 46).

Como a palavra “liberdade” está sujeita a muitas interpretações errôneas, a Igreja, no seu Catecismo, faz questão de nos ensinar o seu correto significado:

“O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. Fugindo da lei moral, o homem prejudica sua própria liberdade, acorrenta-se a si mesmo, rompe a fraternidade com seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina. O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade do homem, sobretudo em matéria religiosa e moral. Mas o exercício da liberdade não implica o suposto direito de tudo dizer e fazer. ‘É para a liberdade que Cristo nos libertou’ (Gl 5,1).”

“Todos os homens estão obrigados a procurar a verdade, sobretudo naquilo que diz respeito a Deus e à sua Igreja e, depois de conhecê-la, a abraçá-la e praticá-la. Este dever decorre da própria natureza dos homens e não contraria um respeito sincero para com as diversas religiões que re¬fletem lampejos daquela verdade que ilumina a todos os ho¬mens, nem a exigência da caridade que insta os cristãos a tratar com amor, prudência e paciência os homens que vivem no erro ou na ignorância acerca da fé.”

“O dever de prestar a Deus um culto autêntico diz respeito ao homem individual e socialmente. Esta é a doutrina católica tra¬dicional sobre o dever moral dos homens e das sociedades em relação à verdadeira religião e à única Igreja de Cristo. Evan¬gelizando sem cessar os homens, a Igreja trabalha para que estes possam penetrar de espírito cristão as mentalidades e os costumes, as leis e as estruturas da comunidade em que vivem. O dever social dos cristãos é respeitar e despertar em cada homem o amor da verdade e do bem. Os cristãos são chamados a ser a luz do mundo. Assim, a Igreja manifesta a realeza de Cristo sobre toda a criação e particularmente sobre as sociedades humanas. O direito à liberdade religiosa não significa nem a per¬missão moral de aderir ao erro nem um suposto direito ao erro, mas um direito natural da pessoa humana à liberdade civil, quer dizer, à imunidade de coação externa nos justos limites, em matéria religiosa, da parte do poder político.”

“A Igreja convida os poderes políticos a referir seu julgamento e suas decisões a esta inspiração da verdade sobre Deus e sobre o homem: ‘As sociedades que ignoram esta inspiração ou a recusam em nome de sua independência em relação a Deus são levadas a procurar em si mesmas ou a tomar de uma ideologia os seus referenciais e os seu objetivos e, não admitindo que se defenda um critério objetivo do bem e do mal, arrogam a si, sobre o homem e sobre seu destino, um poder totalitário, declarado ou dissimulado, como mostra a história’ (João Paulo II, encíclica Centesimus Annus).”

“A tal propósito, convém recordar uma verdade que hoje nem sempre é bem entendida ou formulada com exatidão na opinião pública corrente; a de que o direito à liberdade de consciência e, de modo especial, à liberdade religiosa, proclamado pela Declaração Dignitatis humanae do Concílio Vaticano II, está fundado sobre a dignidade ontológica da pessoa humana e, de maneira nenhuma, sobre uma inexistente igualdade entre as religiões e os sistemas culturais humanos”.

“Nesta linha, o Papa Paulo VI afirmou que “o Concílio, de modo nenhum, funda um tal direito à liberdade religiosa sobre o fato de que todas as religiões e todas as doutrinas, mesmo errôneas, tenham um valor mais ou menos igual; funda-o, invés, sobre a dignidade da pessoa humana, que exige que não se a submeta a constrições exteriores, tendentes a oprimir a consciência na procura da verdadeira religião e na adesão à mesma”.

“A afirmação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa não está, portanto, de modo nenhum em contradição com a condenação que a doutrina católica faz do indiferentismo e do relativismo religioso; pelo contrário, é plenamente coerente com ela” (CDF, Nota Doutrinal citada).

5. A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO

“É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou... Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade...” (Gal 5, 1,13). É a grande tese de São Paulo aos Gálatas. “Liberdade” é realmente uma palavra sedutora. Por isso há que compreendê-la no correto sentido, como nos explica a Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”.

O Evangelho de Jesus Cristo é mensagem de liberdade e força de libertação. Mas a libertação é antes de tudo e principalmente libertação da escravidão radical do pecado. Seu objetivo e seu termo é a liberdade dos filhos de Deus, que é dom da graça. Ela exige, por uma conseqüência lógica, a libertação de muitas outras escravidões, de ordem cultural, econômica, social e política, que, em última análise, derivam todas do pecado e constituem outros tantos obstáculos que impedem os homens de viver segundo a própria dignidade. Discernir com clareza o que é fundamental e o que faz parte das conseqüências é condição indispensável para uma reflexão teológica sobre a libertação.

Na verdade, diante da urgência dos problemas, alguns são levados a acentuar unilateralmente a libertação das escravidões de ordem terrena e temporal, dando a impressão de relegar ao segundo plano a libertação do pecado e, portanto, de não atribuir-lhe praticamente a importância primordial que lhe compete. A apresentação dos problemas por eles proposta torna-se, por isso, confusa e ambígua. Pior ainda são certas formas da teologia da libertação que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista.

É sempre bom recordar a profissão de Fé do povo de Deus, do Papa Paulo VI: “Confessamos que o Reino de Deus, começado aqui na terra na Igreja de Cristo, ‘não é deste mundo’ (cf. Jo 18,36), ‘cuja figura passa’ (cf. 1Cor 7,31), e também que o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. Mas com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles "não possuem aqui na terra uma morada permanente" (cf. Hb 13,14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes...”.


6. A IGREJA E A POLÍTICA

Na doutrina social da Igreja, Política é “uma prudente solicitude pelo bem comum” (João Paulo II, Laborem exercens, 20). A Igreja está ao serviço do Reino de Deus, anunciando o Evangelho e seus valores e “não se confunde com a comunidade política nem está ligada a nenhum sistema político” (Gaudium et Spes, 76). Mas os cristãos participam na vida pública como cidadãos. “Os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na ‘política’, ou seja, na multíplice e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum” (João Paulo II, Christifideles laici, 42).

Por isso, “os que são ou podem tornar-se aptos para exercer a difícil e muito nobre arte da política preparem-se para ela; e procurem exercê-la sem pensar no interesse próprio ou em vantagens materiais” (Gaudium et Spes, 75 f).

A certeza da vida eterna não inibe o empenho pela construção de uma sociedade justa, fraterna, mais cristã e humana nem suprime a exigência do cumprimento dos deveres de ordem temporal. Quem se torna cristão sente-se no dever de contribuir para melhorar as condições da vida temporal e ver aumentar a sua eficácia nos trabalhos cotidianos (cf. Mater et Magistra, Gaudium et Spes, Solicitudo Rei Socialis, Centesimus Annus, passim).

“É preciso ter em grande consideração o bem comum... É o bem daquele « nós-todos », formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social... Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência de justiça e de caridade. Comprometer-se pelo bem comum é, por um lado, cuidar e, por outro, valer-se daquele conjunto de instituições que estruturam jurídica, civil, política e culturalmente a vida social, que deste modo toma a forma de pólis, cidade... Todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis... Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político” (Bento XVI, Caritas in Veritate, 7).


7. LAICIDADE E LAICISMO

Para a doutrina moral católica, a sadia laicidade, entendida como autonomia da esfera civil e política da religiosa e eclesiástica – mas não da moral – é um valor adquirido e reconhecido pela Igreja, no mundo atual. “No domínio próprio de cada uma, comunidade política e Igreja são independentes e autônomas” (Gaudium et Spes, 76). “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, explica Nosso Senhor (Mt 22,21). Laicidade seria um legítimo “laicismo”, que é a independência dos poderes da Igreja e do Estado, que não isenta a “César” do dever de dar a Deus o que é de Deus.

Laicismo, ao contrário, como é entendido hoje, seria uma autonomia da esfera civil em relação a Deus, à Lei Natural e à moral, equiparando-se assim ao indiferentismo e ao relativismo religioso, terminando no ateísmo prático e teórico: “uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus”.

É assim que nos adverte a Congregação para a Doutrina da Fé, na sua “Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política”: “Graves perigos atuais, que penetram nas legislações e comportamentos: relativismo cultural, pluralismo ético, decadência e dissolução da razão e dos princípios da lei moral natural. Reivindica-se a autonomia para as escolhas morais. Leis que prescindem dos princípios da ética natural, deixando-se levar exclusivamente pela condescendência com certas orientações culturais ou morais transitórias, como se todas as concepções possíveis da vida tivessem o mesmo valor”.

“Tal concepção relativista do pluralismo nada tem a ver com a legítima liberdade dos cidadãos católicos de escolherem, entre as opiniões políticas compatíveis com a fé e a lei moral natural, a que, segundo o próprio critério, melhor se coaduna com as exigências do bem comum. A liberdade política não é nem pode ser fundada sobre a idéia relativista, segundo a qual, todas as concepções do bem do homem têm a mesma verdade e o mesmo valor”.

O Papa João Paulo II, na linha do perene ensinamento da Igreja, afirmou repetidas vezes que quantos se encontram diretamente empenhados nas esferas da representação legislativa têm a “clara obrigação de se opor” a qualquer lei que represente um atentado à vida humana.

“Neste contexto, há que acrescentar que a consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer, com o próprio voto, a atuação de um programa político ou de uma só lei, onde os conteúdos fundamentais da fé e da moral sejam subvertidos com a apresentação de propostas alternativas ou contrárias aos mesmos. Uma vez que a fé constitui como que uma unidade indivisível, não é lógico isolar um só dos seus conteúdos em prejuízo da totalidade da doutrina católica. Não basta o empenho político em favor de um aspecto isolado da doutrina social da Igreja para esgotar a responsabilidade pelo bem comum. Nem um católico pode pensar em delegar a outros o empenho que, como cristão, lhe vem do evangelho de Jesus Cristo de anunciar e realizar a verdade sobre o homem e o mundo” (Congregação para a Doutrina da Fé, Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, de 24 de novembro de 2002).

8. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Na política, o católico deve estar bem ciente dos princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que devem servir de pauta à sociedade, baseados na lei natural e na busca do bem comum, e ver se os seus candidatos adotam esses princípios (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja do Pontifício Conselho “Justiça e Paz” e Dicionário de Doutrina Social da Igreja, Luiz Carlos Lessa, Editora LTr).

1º. SUBORDINAÇÃO DA ORDEM SOCIAL À ORDEM MORAL ESTABELECIDA POR DEUS:
“O aspecto mais sinistramente típico da época moderna consiste na tentativa absurda de se querer construir uma ordem temporal sólida e fecunda prescindindo de Deus, fundamento único sobre o qual ela poderá subsistir” (João XXIII, Mater et Magistra 214).
“Não há justiça onde não haja Deus” (Rui Barbosa)
“A solução dos graves problemas nacionais e internacionais não é apenas uma questão de produção econômica ou de uma organização jurídica ou social, mas requer valores ético-religiosos específicos, bem como mudanças de mentalidade, de comportamento e de estruturas” (João Paulo II, Centesimus annus 60).
“Hoje se propõe escolher entre caminhos que conduzem à vida ou caminhos que conduzem à morte (cf. Dt 30, 15). Caminhos de morte são os que levam a dilapidar os bens que recebemos de Deus através daqueles que nos precederam na fé. São caminhos que traçam uma cultura sem Deus e sem seus mandamentos ou inclusive contra Deus, animada pelos ídolos do poder, da riqueza e do prazer efêmero, a qual termina sendo uma cultura contra o ser humano e contra o bem dos povos latino-americanos” (Documento de Aparecida, 13).
“Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século, erro destrutivo, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como inclusive dos capitalistas. Falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundante, e por isso decisiva, que é Deus. Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito de ‘realidade’ e, em conseqüência, só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas” (Bento XVI, Discurso inicial em Aparecida, 3).

2º. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA:
Antes do cristianismo, havia uma desigualdade discriminatória visceral na sociedade, onde seres humanos eram considerados coisas, e continua a haver, quando o verdadeiro cristianismo está ausente. À luz da doutrina cristã, todos são pessoas, porque igualmente criados à imagem e semelhança de Deus e remidos pelo sacrifício de Jesus Cristo: qualquer ser humano passou a ser pessoa através das idéias cristãs do amor fraterno e da igualdade perante Deus. “A dignidade da pessoa humana se fundamenta em sua criação à imagem e semelhança de Deus” (Catecismo da Igreja Católica, 1700).
Depois de Jesus Cristo, “já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3,28).

3º. SOLIDARIEDADE:
Solidariedade aqui é sinônimo de “amizade” (Leão XIII), “caridade social” (Pio XI) e “civilização do amor” (Paulo VI).
“O homem deve contribuir, com seus semelhantes, para o bem comum da sociedade, em todos os seus níveis. Sob este ângulo, a doutrina da Igreja opõe-se a todas as formas de individualismo social ou político” (CDF, Nota Doutrinal acima citada)

4º. A BUSCA DO BEM COMUM, ou seja, “o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, 26).
“A realização do bem comum constitui a total razão de ser dos poderes públicos” (João XXIII, Pacem in terris 54).

5º. A OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES:
“O Estado, na proteção dos direitos particulares, deve preocupar-se, de maneira especial, dos fracos e dos indigentes. A classe rica tem menos necessidade da tutela pública. A classe indigente, ao contrário, sem riquezas que a ponham a coberto das injustiças, conta principalmente com a proteção do Estado. Que o Estado se faça, pois, sob um particularíssimo título, a providência dos trabalhadores, que em geral pertencem à classe pobre” (Leão XIII, Rerum Novarum 20).

6º. NÃO AO IMPÉRIO DO DINHEIRO, à tendência de “converter o lucro em valor supremo” (Bento XVI, Discurso inicial em Aparecida, 2), posto acima da moral. Não, portanto, ao “capitalismo selvagem”. Sim ao capitalismo sadio: sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada, da responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana: economia de mercado.

7º. NÃO AO SOCIALISMO.
“Os cristãos, hoje em dia, sentem-se atraídos pelas correntes socialistas e pelas suas diversas evoluções... contudo, tal corrente foi e continua a ser, em muitos casos, inspirada por ideologias incompatíveis com a fé cristã” (Paulo VI, Octogesima Adveniens, 31).
“Podem resumir sua teoria nesta fórmula única: a abolição da propriedade privada” (Manifesto do Partido Comunista, pp 62 e 38 – Marx e Engels).
“O socialismo, como doutrina ou fato histórico ou ação, se é verdadeiro socialismo, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã” (Pio XI, Quadragesimo Anno, 117).

8º SIM À SOCIALIZAÇÃO.
Entendida no sentido de crescimento e interação de relações sociais, crescente desenvolvimento de formas associativas no campo econômico e social, com a finalidade de resolver as necessidades sociais dos indivíduos e dos grupos, sem se precisar recorrer ao Estado. (cf. João XXIII, Mater et Magistra).

9º SUBSIDIARIEDADE ou ação subsidiária do Estado, que não absorva a iniciativa das famílias e dos indivíduos.
Baseado no princípio de que o homem é anterior ao Estado e que a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica e uma prioridade real, Pio XI ensina: “Assim como é injusto subtrair aos indivíduos o que eles podem fazer com a própria iniciativa para confiá-lo à coletividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais elevada o que sociedades menores e inferiores poderiam conseguir é uma injustiça, um grave dano e perturbação da boa ordem social”.
“Não é justo que o indivíduo ou a família sejam absorvidos pelo Estado” (Leão XIII, Rerum Novarum, 52). Que as famílias possam ter iniciativa privada, por exemplo, para construir creches e escolas, sem que o Estado possa interferir, mas sim, subsidiar. Que haja, pois, da parte do Estado, incentivo e subsídio à iniciativa privada na geração de empregos e na educação.
Nem, portanto, o Estado gigante do socialismo, nem o Estado raquítico do liberalismo econômico. Nem o Estado onipresente, nem o Estado omisso. Nem o Estado absorvente, nem o Estado passivo. A expressão “Estado forte” pode muitas vezes clamufar o significado de um Estado gigante, que não adota o princípio da subsidiariedade. Governos, tanto federais, como estaduais e municipais, que detêm a maioria dos empregos na sociedade, onde a maioria vive em função do governo e dele dependente, são realmente Estados gigantes que não adotam o princípio da subsidiariedade.

10º PRIORIDADE DO TRABALHO SOBRE O CAPITAL.
“Ambos têm necessidade um do outro: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital” (Leão XIII, Rerum Novarum, 28).
“O trabalho é causa eficiente primária, o capital é um instrumento ou causa instrumental” (João Paulo II, Laborem exercens, 12).
“É preciso acentuar o primado do homem no processo de produção, o primado do homem em relação às coisas” (João Paulo II, Laborem exercens, 12f).

11º. DESTINAÇÃO UNIVERSAL DOS BENS, sem prejuízo do direito de propriedade privada.
“O direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum, subordinado à destinação universal dos bens” (João Paulo II, Laborem exercens, 19).

12º. O JUSTO SALÁRIO:
“Acima dos acordos e das vontades, está uma lei de justiça natural, mais elevada e mais antiga, que o salário não deve ser insuficiente para assegurar a subsistência do operário sóbrio e honrado” (Leão XIII, Rerum novarum 63).

9. “DIREITOS HUMANOS”: um programa.

O atual governo elaborou um plano ou proposta de ação para agora e para o futuro, uma carta de intenções, que tem provocado justas reações adversas, pois contraria princípios da lei natural e divino-positiva, bem como normas da verdadeira democracia. Chama-se “Programa nacional de Direitos Humanos 3 – PNDH-3”.

A propósito desse Programa, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, fez sua declaração, na qual, entre outras afirmações, se lê:

“A Igreja Católica considera o movimento rumo à identificação e à proclamação dos direitos humanos como um dos mais relevantes esforços para responder de modo eficaz às exigências imprescindíveis da dignidade humana (cf. Concílio Vaticano II, Declaração Dignitatis Humanae, 1). O Papa João Paulo II, em seu Discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas, em 21 de outubro de 1979, definiu a Declaração Universal dos Diretos Humanos como "uma pedra miliária no caminho do progresso moral da humanidade”.

“O Brasil foi uma das 171 nações signatárias da Declaração de Viena, fruto da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, em 1993, sob o signo da indissociabilidade entre Democracia, Desenvolvimento Econômico e Direitos Humanos”.

“No entanto, em sua defesa dos Direitos Humanos, a Igreja se baseia na concepção de Pessoa Humana que lhe advém da fé e da razão natural. Diante de tantos reducionismos que consideram apenas alguns aspectos ou dimensões do ser humano, é missão da Igreja anunciar uma antropologia integral, uma visão de pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus e chamada, em Cristo, a uma comunhão de vida eterna com o seu Criador. A pessoa humana é, assim, sagrada, desde o momento de sua concepção até o seu fim natural. A raiz dos direitos humanos há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano (cf. Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 27). ‘A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador’ (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, 153). Tais direitos são ‘universais, invioláveis e inalienáveis’ (JOÃO XXIII, Pacem in Terris, 9)”.

“Diante destas convicções, a CNBB tem, ao longo de sua história, se manifestado sobre vários temas contidos no atual Programa Nacional de Direitos Humanos. Nele há elementos de consenso que podem e devem ser implementados imediatamente. Entretanto, ele contém elementos de dissenso que requerem tempo para o exercício do diálogo, sem o qual não se construirá a sonhada democracia participativa, onde os direitos sejam respeitados e os deveres observados”.

“A CNBB reafirma sua posição, muitas vezes manifestada, em defesa da vida e da família, e contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos. Rejeita, também, a criação de ‘mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União’, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas”.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família emitiu nota, assinada por Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina, PR, dizendo que “manifesta sua discordância, indignação ética e repúdio às propostas do Programa Nacional de Direitos Humanos. A sociedade brasileira já se manifestou a respeito do retrocesso democrático e do caráter autoritário destas propostas governamentais. A dimensão ética defendida pelo Programa impõe a ditadura da laicidade, não respeita a nação brasileira que é religiosa, fere a lei natural, manipula a autêntica visão dos Direitos Humanos, transformando-os em direitos arbitrários. Repudiamos toda lei ou doutrina que em nome dos Direitos Humanos, defende o aborto, destrói a família, desrespeita o direito natural e impõe o pensamento de uma minoria. O povo brasileiro já se manifestou em sérias pesquisas contrário ao aborto, ao casamento de pessoas homossexuais e elegeu a família como o maior bem social. A democracia e a ética foram gravemente lesadas neste lamentável episódio... O que deve ser revista é a ética laicista e contrária à vida, ao matrimônio e à família, defendida neste Programa. Não se pode em nome dos Direitos Humanos defender o direito de matar e de destruir o matrimônio e a família”.

Dom Aldo de Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba, PB, ressalta ademais que “o decreto reflete a ideologia marxista, inspirando a libertação do povo. Assim desde os anos 70 apregoam os fautores da esquerda festiva. Notemos duas mudanças anticonstitucionais no texto do tal decreto. Primeira: a desestabilização do legítimo direito de propriedade, ao fomentar invasões de propriedades pelos movimentos e organizações populares (leia-se MST, congêneres). Segunda: praticamente legitima a invasão e a tomada de propriedades, pelo exercício de mediação entre invasores e vítimas de invasão, antecedendo uma eventual decretação de reintegração de posse, por parte do juiz. Pela Constituição, invasão é crime. Pelo novo decreto, invasores adquirem status legal dos antigos proprietários. Essas propostas açodam a insegurança no campo. Não se trata de ocupar terras devolutas, mas invadir propriedades produtivas... A grande aberração do documento é manipular os Direitos Humanos, transformados em panacéia de ideologia. Vejam só! O decreto estabeleceria a profissão para prostitutas. Ora, as pessoas que se tornaram vítimas da difícil ‘vida fácil’, por certo gostariam de se libertar dessa triste condição vexatória. O decreto estatui a prostituição, a promiscuidade...”.

Sobre o assunto, a nossa Administração Apostólica também publicou a seguinte nota: “A Cúria da nossa Administração Apostólica e seu Bispo, S. Exa. Dom Fernando Arêas Rifan, aproveitam a oportunidade para, até em defesa dos verdadeiros direitos humanos, corretamente sempre defendidos e apoiados pela Igreja, expressar seu total repúdio ao PNDH 3 (Plano Nacional de Direitos Humanos 3) do atual governo, pois, embora contenham boas proposições, que reconhecemos, no entanto sua linha de princípios e grande parte de suas diretrizes, metas e sugestões, expressa ou veladamente, contradizem a moral natural e cristã, especialmente quando pretendem, entre outras posições errôneas, adotar o aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a adoção por casais homoafetivos, a regulamentação profissional da prostituição, a proibição dos símbolos religiosos nos estabelecimentos públicos e a proteção aos invasores de propriedades”.

As reações da Igreja se juntam às reações dos militares, dos produtores rurais, da imprensa e do povo brasileiro em geral, atingidos nos seus legítimos direitos e princípios.

Ademais, há que se ressaltar a nota de intolerância desse Plano Nacional de Direitos Humanos.
Diz o “Plano Nacional” que um dos seus objetivos é o de “desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”.

Sobre este ponto, é muito pertinente o comentário de Dom Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, em artigo no Globo de 15/1/2010, sob o título “A intolerância anunciada”, do qual citamos alguns trechos.

“A decisão de não ter símbolos já é uma opção por um dos segmentos religiosos. Um país laico é aquele que respeita todas as religiões e sabe acolher a cultura de seu povo. Ditaduras intolerantes são aquelas que impõem ou uma única religião ou apenas o ateísmo. Na democracia todos podem se manifestar e são chamados a respeitar as idéias dos outros”.

“A cultura cristã e católica integra a história de nosso país. Temos nomes de cidades, ruas, locais e até mesmo em nossa bandeira idéias e símbolos ligados a diversos grupos que fazem parte de nossa nacionalidade”.

“Trata-se, antes de tudo, de uma questão de preservação da memória de nossa história e das raízes culturais da nossa identidade brasileira. Querer coibir a ostentação dos símbolos da cultura que berçou e construiu a nossa história é, isto sim, um verdadeiro sinal de intolerância”.

“O papel do Estado não é o de promover uma ideologia laicista, como se o laicismo não fosse também uma forma de religião. A função do Estado laico, longe de ser a de provocar o desenraizamento cultural e religioso ou coibir a manifestação pública de símbolos religiosos é a de garantir a liberdade religiosa à sociedade e a seus membros, em suas múltiplas manifestações, preservados a justa ordem pública e o respeito devido à diversidade”.

“A Igreja sempre procurou e procura estar em defesa dos direitos e valores humanos, porém, os dúbios caminhos ora escolhidos são realmente comprometedores e não ajudarão na construção de uma nação mais justa e solidária, que é o sonho comum de todos nós”.
“A estátua do Cristo Redentor, que, do cume do Corcovado, é um símbolo não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil, que a ninguém ofende, seja para todos nós um anúncio de alegre acolhimento na construção da paz e da fraternidade e que dá a todos as boas-vindas de um povo, feliz, livre e que quer viver e construir a paz!”.

As cidades de São Paulo e São Luiz, os Estados de São Paulo e Santa Catarina, os acidentes geográficos batizados com nomes de santos católicos, tais como o Rio São Francisco, a baía de Todos os Santos, são exemplos, entre muitos, das nossas raízes e nossa cultura cristã. Teriam eles que mudar de nome, por causa da religião do ateísmo que se pretenderia implantar?
Embutido também no espírito desse Plano Nacional (PNDH-3), sob o equivocado pretexto de que o Estado é laico, está programado o combate ao ensino religioso confessional nas escolas públicas, pretendendo difundir assim a religião atéia e agnóstica. Na verdade, o que querem é banir a religião do espaço público, relegando-a apenas à vida particular de cada um.
10. A DEFESA DA VIDA

São graves e oportunas as palavras de João Paulo II na Carta Encíclica "Evangelium Vitae" (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana): “Com o tempo, as ameaças contra a vida não diminuíram. Elas, ao contrário, assumem dimensões enormes. Não se trata apenas de ameaças vindas do exterior, de forças da natureza ou dos ‘Cains’ que assassinaram os ‘Abéis’; não, trata-se de ameaças programadas de maneira científica e sistemática. O século XX ficará considerado uma época de ataques maciços contra a vida, uma série infindável de guerras e um massacre permanente de vidas humanas inocentes....Estamos perante uma objetiva conjura contra a vida que vê também implicadas Instituições Internacionais, empenhadas em encorajar e programar verdadeiras e próprias campanhas para difundir a contracepção, a esterilização e o aborto.”

João Paulo II, na linha do perene ensinamento da Igreja, afirmou repetidas vezes que quantos se encontram diretamente empenhados nas esferas da representação legislativa têm a “clara obrigação de se opor” a qualquer lei que represente um atentado à vida humana.

Por conseguinte, candidatos que são a favor do aborto não podem, de modo algum, receber voto de um católico. Nem partidos que, em seus estatutos e programas, defendem o aborto.
Há que se ter em mente que o voto hoje pertence ao partido, mais que ao candidato. Daí ser necessário, além de considerarmos as qualidades de cada candidato, termos em conta o programa de cada partido, para não apoiarmos o erro e, com o nosso voto, estarmos elegendo esse programa de ação, ao qual estarão sujeitos os candidatos, sob pena de perderem seu mandato.

Bem alertou Dom Antônio Augusto Dias Duarte: “As ideologias assumidas por alguns partidos muitas vezes obrigam seus membros de um modo tão impositivo e coercitivo que até impedem o exercício da liberdade das consciências, tendo que agir no Congresso a favor de projetos de lei que violam direitos fundamentais dos cidadãos e cláusulas pétreas da Constituição Brasileira, e o pior de tudo é que essas ideologias partidárias estão comprometidas com organismos não governamentais e instituições financeiras internacionais que vem reinterpretando a Declaração Universal dos Direitos Humanos a fim de satisfazer interesses particulares de grupos minoritários” (Eleições 2010 - Visão Limpa, Zenit, 15/8/2010).


11. HOMOFOBIA E CULTURA HOMOSSEXUAL

Na linha de Santo Agostinho, que dizia que Deus odeia o pecado, mas ama o pecador, adotamos, nesse assunto, a posição do Catecismo da Igreja Católica (2357-2359), que nos ensina que as pessoas que apresentam inclinação homossexual, objetivamente desordenada, devem ser acolhidas com respeito e compaixão, evitando-se para com elas todo sinal de discriminação injusta. Elas também são chamadas à virtude e à santidade, que podem alcançar com o autodomínio e a graça de Deus. Somos, portanto, contra a homofobia.

Diferente disso, está a atual cultura homossexual, com propagandas, passeatas e promoções de todo o tipo, incentivando, clara ou sublinarmente, que os atos objetivos de homossexualidade seriam algo normal e de acordo com a moral, sendo apenas uma questão de opção sexual, o que é um grave erro.

São Paulo, apóstolo, fala “com lágrimas”, que muitos “se gloriam daquilo de que se deveriam envergonhar” (Epístola aos Filipenses 3,19). E, referindo-se aos pecados e perversidade dos pagãos, o mesmo apóstolo nos recorda a moral natural: “Por isso, Deus os abandonou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador... Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario” (Epístola aos Romanos 1, 24-27).

Aliás, já no Antigo Testamento, Deus já havia condenado os atos homossexuais: “Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável” (Levítico 20, 13).

Por isso, São Paulo, desejoso de nossa salvação, nos adverte: “Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os homossexuais (em latim ‘molles’ e ‘masculorum concubitores’), nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus” (I Epístola aos Coríntios 6, 9-10).

Como essas palavras não são minhas, mas apenas citações da Sagrada Escritura, quaisquer acusações de homofobia ou discriminação devem ser dirigidas ao seu próprio autor principal, isto é, a Deus!

É claro que candidatos que intencionam favorecer leis que, nessa matéria, são contra a Palavra de Deus e o Magistério da Igreja, não podem receber o voto dos católicos.

12. O PROBLEMA DA TERRA

A) A QUESTÃO AGRÁRIA

Nessa polêmica questão, há que, inicialmente, recordar o princípio dado pelo Papa Leão XIII, o Papa da questão social, de que não há solução para os problemas sociais e econômicos sem o concurso das virtudes morais e religiosas. Os problemas econômicos em geral não são só econômicos; são sobretudo morais. Daí a necessidade de soluções morais.
E a Igreja intervém nessa questão como guarda da Lei Natural e da Lei Positiva de Deus, da Moral e da Paz entre os povos, lembrada do seu fim sobrenatural e da missão que lhe foi confiada por seu Divino Fundador de encaminhar todos os povos à salvação.
Assim, a Igreja prega o desapego dos bens materiais, combate a ganância e a ambição, mas defende o direito de propriedade, pois o 7o Mandamento da Lei de Deus, ‘Não furtar’, supõe evidentemente que cada um tenha o direito de possuir o que é seu, verdade reafirmada no 10o Mandamento, ‘Não cobiçar as coisas alheias’.
E não se resolve a questão social com doutrinas fundadas no puro materialismo e na cobiça desenfreada dos bens terrenos, prescindindo do nosso fim último ultra-terreno.
Ademais, a doutrina cristã ensina que a paz não virá da igualdade absoluta de uma sociedade sem classes, mas da cooperação fraternalmente cristã de classes sociais dispostas hierarquicamente de modo proporcional e harmônico, sob os ditames da justiça e da caridade, que assim diminuirão a distância entre essas classes.

Vale recordar o que já dizia Abraham Lincoln no Congresso dos EUA em 1860: “Não se pode criar prosperidade desencorajando a poupança; fortalecer o fraco enfraquecendo o forte; ajudar o assalariado destruindo o patrão; favorecer a fraternidade humana encorajando a luta de classes; ajudar os pobres arruinando os ricos; evitar aborrecimentos gastando mais do que se ganha; ajudar os homens fazendo por eles o que eles próprios podem fazer”.


B) A REFORMA AGRÁRIA

É claro que a Igreja é a favor de uma justa distribuição das terras, no respeito ao direito de propriedade. Mas, apresentar a Reforma Agrária simplesmente como solução para os problemas sociais pode ser ilusão. O meio universal de prover às necessidades da vida é o trabalho, quer se exerça em terreno próprio quer no alheio. Por isso a Igreja advoga que haja, para todos, trabalho digno remunerado com justiça.
E a Reforma Agrária compulsória e fragmentadora, de estilo socialista e confiscatório, não encontra respaldo na doutrina cristã e na Lei de Deus.
Torna-se necessária, sim, uma política agrária que promova uma reforma agrícola, baseada na função subsidiária do Estado e na livre iniciativa, fundada no direito de propriedade, tudo impregnado da verdadeira justiça e fraternidade cristãs.
“A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende de modo algum imiscuir-se na política dos Estados, mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação... A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente... Aberta à verdade, qualquer que seja o saber donde provenha, a doutrina social da Igreja acolhe-a, compõe numa unidade os fragmentos em que freqüentemente a encontra, e serve-lhe de medianeira na vida sempre nova da sociedade dos homens e dos povos” (Bento XVI, Caritas in Veritate, 9).

C) A INVASÃO DE TERRAS

Sobre esse polêmico tema, não nos devemos guiar pelo que dizem, acham ou agem estes ou aqueles membros da Igreja. Ouçamos o que nos ensinou, sobre o assunto, o Papa venerável João Paulo II:
“Ocorre a colaboração esclarecida e permanente com o poder público a quem cabe a condução do processo para a implementação de uma nova política fundiária que melhore a distribuição de terras e crie condições efetivas de um trabalho produtivo e compensador para o produtor rural e o homem do campo. Por outro lado, é necessário recordar a doutrina tradicional de que a posse da terra ‘é ilegítima quando não é valorizada ou quando serve para impedir o trabalho dos outros, visando somente obter um ganho que não provém da expansão global do trabalho humano e da riqueza social, mas antes de sua repressão, da exploração ilícita, da especulação e da ruptura da solidariedade no mundo do trabalho’ (Centesimus annus, 43)”.Mas recordo igualmente, as palavras do meu predecessor Leão XIII quando ensina que ‘nem a justiça, nem o bem comum consentem danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto’ (Rerum Novarum, 55)”. “A Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas” (Discurso aos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, na sua visita “ad limina”, março de 1996).

Assim, o Papa é a favor de uma nova política fundiária que melhore as condições do homem do campo, mas é contrário tanto à utilização da posse da terra apenas como meio de especulação e exploração ilícitas como também às invasões da propriedade alheia.


13. POLÍTICA E COERÊNCIA CRISTÃ:

“O Concílio exorta os cristãos, cidadãos de ambas as cidades [terrena e celeste], a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que vamos em demanda da futura, pensam que podem por isso descuidar os seus deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé ainda os obriga mais a cumpri-los, segundo a vocação própria de cada um. Mas não menos erram os que, pelo contrário, opinam poder entregar-se às ocupações terrenas, como se estas fossem inteiramente alheias à vida religiosa, a qual pensam consistir apenas no cumprimento dos atos de culto e de certos deveres morais. Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Gaudium et Spes, 43).

O ensinamento social da Igreja não é uma intromissão no governo de cada País. Não há dúvida, porém, que põe um dever moral de coerência aos fiéis leigos, no interior da sua consciência, que é única e unitária. “Não pode haver, na sua vida, dois caminhos paralelos: de um lado, a chamada vida ‘espiritual’, com os seus valores e exigências, e, do outro, a chamada vida ‘secular’, ou seja, a vida de família, de trabalho, das relações sociais, do empenho político e da cultura” (João Paulo II, Christif. Laici).

“Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política, deverão se esforçar os cristãos solicitados a entrarem na ação política por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho” (Paulo VI, Octogésima Adveniens, 46).

“Também para o cristão é válido que, se ele quiser viver a sua fé numa ação política, concebida como um serviço, não pode, sem se contradizer a si mesmo, aderir a sistemas ideológicos ou políticos que se oponham radicalmente, ou então nos pontos essenciais, à sua mesma fé e à sua concepção do homem...” (cf. Paulo VI, Octogésima Adveniens, 26).

A Igreja proclamou São Tomás Moro padroeiro dos Governantes e dos Políticos, exatamente porque soube ser coerente com sua posição católica até ao martírio.

Tomás More era ativo na vida política. Fora eleito duas vezes para o Parlamento, Representante da Coroa, Juiz, Cavaleiro, Presidente da Câmara dos Comuns e Chanceler do Reino da Inglaterra. Não querendo dar o seu apoio ao plano de Henrique VIII que desejava assumir o controle da Igreja na Inglaterra e dissolver o próprio casamento para se casar com outra mulher, São Tomás Moro opôs-se duramente a esse cisma e ao divórcio, pedindo demissão do seu cargo. Retirou-se da vida pública, resignando-se a sofrer, com a sua família, a pobreza e o abandono de muitos que, na prova, se revelaram falsos amigos. Aos que o pressionavam dizia: “Se tivesse duas almas, poderia arriscar uma delas, mas como só tenho uma, preciso salvá-la”. Foi condenado por alta traição e decapitado. Antes de morrer disse ao povo: “Morro leal a Deus e ao Rei, mas a Deus antes de tudo”. O célebre filme da sua vida, vencedor de seis Oscar, tem o título: “O homem que não vendeu a sua alma”.

Nesse clima de corrupção e venalidade que invadiu o nosso sistema político, eleitoral e governamental, possa o exemplo de Santo Tomás More ensinar aos nossos governantes e políticos, atuais e futuros, que o homem não pode se separar de Deus, nem a política da moral, e que a consciência não se vende por nenhum preço, mesmo que isto nos custe caro e até a própria vida.

14. POLÍTICA E VIRTUDES CRISTÃS

O exercício da política, não como administração correta e honesta da coisa pública, mas transformada em politicagem, constitui-se no oposto das virtudes cristãs, que são a base da verdadeira civilização. E é isso o que leva muita gente a não ter esperança na política como solução para os problemas sociais nem nos políticos como leais condutores do povo. Daí a indecisão na hora de escolher um bom candidato.

Basta analisar algumas das virtudes cristãs. A virtude da humildade, por exemplo, essencial ao cristianismo e à pacífica convivência humana, é a que menos se vê na política. A humildade consiste no esquecimento de si mesmo, na ausência de egoísmo, no desprendimento, na modéstia com relação a si próprio. E o que se vê comumente no exercício da política é o contrário, é o império do "EU": "porque os outros são isso ou aquilo, mas EU não..."; "porque os outros não fizeram, mas EU fiz, Eu faço, EU farei, etc."... Exatamente o linguajar do fariseu do Evangelho, que foi reprovado por Deus: "Graças vos dou, ó Senhor, porque não sou como os outros homens... EU...".

A virtude da pobreza, isto é, do desprendimento, do desapego dos bens materiais e do dinheiro: sua ausência dispensa demonstração. Qual é hoje o político realmente despreocupado com o próprio bolso, que deseja trabalhar exclusivamente em benefício do seu próximo? Quem entrasse na política, que de si é um exercício de altruísmo e caridade, deveria sair do cargo que lhe foi confiado com a mesma condição financeira com que entrou. Conhece o leitor algum raro político dessa espécie?

E as virtudes da honestidade, da não acepção de pessoas, da caridade desinteressada, do comedimento nas palavras, do respeito para com o próximo, do amor pela verdade, da convicção religiosa, da constância, da fidelidade nas promessas, do cumprimento da palavra dada?

15. BEM-AVENTURADO O POLÍTICO...

Na intenção de contribuir um pouco na escolha dos melhores candidatos, publicando algumas reflexões sobre o perfil moral do político, feitas pelo Cardeal Van Thuân, presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz. São as "bem-aventuranças do político":

1º - Bem-aventurado o político que tem consciência do próprio papel.
2º - Bem-aventurado o político de quem se respeita a honorabilidade.
3º - Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para o próprio bem.
4º -Bem-aventurado o político que se considera fielmente coerente e respeita as promessas eleitorais.
5º - Bem-aventurado o político que constrói a unidade e, fazendo de Jesus o seu centro, a defende.
6º - Bem-aventurado o político que sabe escutar o povo antes, durante e depois das eleições.
7º - Bem-aventurado o político que não tem medo, sobretudo da verdade.
8º - Bem-aventurado o político que não tem medo da mídia, porque no momento do julgamento deverá responder somente a Deus.

Bem, o contrário de bem-aventurado é maldito. Poderíamos fazer a lista de maldições. Por exemplo: Maldito o político que trabalha para o seu próprio bolso e não para o bem comum; maldito o político que só escuta o povo antes e depois o esquece completamente, quer dizer, durante a campanha nos abraça e depois, nem nos conhece; maldito o político que não tem temor de Deus, e assim por diante.

Você deve votar nos bem-aventurados e não nos malditos, porque felicidade e maldição são contagiosas.

Você vai usar esse critério na sua escolha, ou vai votar por interesse do seu próprio bolso ou sem critério algum?! Nesse caso, é você que mereceria o adjetivo antônimo de bem-aventurado.

16. QUEM VENCE AS ELEIÇÕES?

Nem sempre vence as eleições quem merece nem quem deveria vencer. Por quê?
Muitos consideram as eleições como expressão da verdadeira vontade popular, manifestada pela maioria. Chegam mesmo a dizer: "vox populi, vox Dei", "a voz do povo é a voz de Deus". Mas será mesmo assim? Será que realmente ganham os melhores os mais preparados para o cargo? Vence a eleição quem tem mais sabedoria, prudência, competência, honestidade, ou vence quem grita mais, quem foi melhor apresentado pelos marqueteiros e formadores de opinião, criadores de sonhos no imaginário popular?!

É a grande discussão sociológica e filosófica sobre a verdadeira representatividade? Já foi dito com propriedade: "sufrágio universal, mentira universal!". Sim, porque muitas vezes o povo vota influenciado pela propaganda, pelos formadores de opinião, pelas pesquisas, sem muita reflexão e conhecimento pleno do que significa o seu voto.

Jesus foi condenado à morte, a pedido da maioria da população. Na eleição proposta pelo governador romano, Pôncio Pilatos, entre Barrrabás e Jesus, este último foi fragorosamente derrotado, porque o povo sufragou Barrabás, revolucionário e homicida, condenando o inocente à morte. Certamente as pesquisas de opinião já davam a vitória a Barrabás!

Mas, por que Jesus perdeu essa eleição? A morte de Jesus foi realmente o desejo da maioria do povo? Jesus, tão querido por todos, cercado pelas multidões, aclamado pela população ao entrar em Jerusalém, foi condenado por esse mesmo povo, cinco dias depois?! Ou será que esse povo foi manobrado por uma minoria ruim, mas muito hábil? O Evangelho diz que os chefes, os manipuladores de opinião, influenciaram o povo a que pedisse Barrabás e condenasse Jesus. Ele mesmo, ao morrer na cruz, pediu por eles perdão ao Pai, dizendo que eles não sabiam o que faziam. Já não eram mais povo; tinham se tornado massa.

Quando deixamos de raciocinar, nos tornamos como animais, fáceis de conduzir irracionalmente. A civilização se torna barbárie. O povo se torna massa. O povo pensa, a massa não. O povo decide, a massa é conduzida e manobrada. Nem sempre podemos dizer que a eleição seja expressão da vontade do povo. Talvez seja só da massa. Não é sem razão que os meios de comunicação, rádio, jornal, televisão, são apelidados de meios de comunicação de massa, "mass media". E os revolucionários são chamados de agitadores das massas.

Quem definiu magistralmente a diferença entre povo e massa foi o Papa Pio XII na sua célebre alocução de Natal de 1944, antiga mas sempre atual: "Povo e multidão amorfa, ou como se costuma dizer, massa, são dois conceitos diversos. O povo vive e se move por vida própria; a massa é por si mesma inerte e não pode ser movida senão do exterior. O povo vive da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais - em sua própria posição e segundo seu modo próprio - é uma pessoa cônscia das respectivas responsabilidades e convicções. A massa, pelo contrário, espera o impulso do exterior, fácil joguete nas mãos de quem quer que lhe explore os instintos e as impressões, pronta a seguir, alternadamente, hoje esta bandeira e amanhã aquela. Da exuberância de vida de um verdadeiro povo a vida se difunde abundante no Estado e em todos os seus organismos..."

Uma ocasião para se perceber a diferença entre povo e massa são as eleições. Quem vota em quem grita mais, dá mais dinheiro, agrada mais, é povo ou massa? Quem vota sem refletir ou raciocinar, quem é levado só pela propaganda e não pela verdade e pela razão, é povo ou massa? É homem ou irracional? Votemos como povo e não como massa.

17. ORIENTAÇÕES E CRITÉRIOS PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES
(DOS BISPOS DO ESTADO DO RIO DO REGIONAL LESTE 1 DA CNBB)

O Brasil está vivendo um momento peculiar – oportunidades e dificuldades – na sua história. De um lado, por seu crescimento interno e pelo seu destaque no cenário internacional, por outro pela continuidade de desigualdades sociais perversas, e pela corrupção que corrói e abrange todas as estruturas e instituições, prejudicando seriamente a credibilidade da classe política.
A Igreja, comprometida com o bem comum e a defesa irrestrita da dignidade e dos direitos humanos, apóia as iniciativas que contribuam para garanti-los a todos e denuncia distorções inaceitáveis presentes em vários programas, que como veremos ferem os princípios que norteiam a doutrina social cristã. O que está em jogo é uma visão da pessoa humana e da sociedade, solidária com a dignidade de todos, a favor da vida e aberta ao transcendente.
Para iluminar este processo eleitoral, a comunidade eclesial – que pela sua universalidade não pode se identificar com interesses particulares, partidários ou de determinado candidato/a – busca oferecer critérios de escolha e discernimento para as pessoas de boa vontade e cidadãos responsáveis. Também deseja que sejam votados candidatos coerentes com a defesa dos princípios éticos e cristãos.

Em consonância com estes mesmos princípios apresentamos as seguintes orientações e critérios:
Antes de tudo, é necessário “valorizar o voto” que decide a vida pública do nosso País e dos nossos Estados nos próximos anos. O meu voto é precioso! Não se compra! Nele se manifesta a minha liberdade e a minha decisão. Recentemente obtivemos a vitória do projeto de lei denominado “Ficha Limpa” que por decisão do TSE se aplicará nestas eleições. Cabe agora vigiar e cuidar para eliminar do pleito aqueles candidatos corruptos que contaminam o cenário político e destroem a democracia.

1. O primeiro critério para votar em um candidato é a defesa da dignidade da Pessoa Humana e da Vida em todas as suas manifestações, desde a sua concepção até o seu fim natural com a morte. Rejeitamos veementemente toda forma de violência, bem como qualquer tipo de aborto, de exploração e mercado de menores, de eutanásia e qualquer forma de manipulação genética.

2. O segundo critério é a defesa da Família na qual a pessoa cresce e se realiza. Por isso devem ser votados aqueles candidatos que incentivam, com propostas concretas, o desenvolvimento da família segundo o plano de Deus. Opõem-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por casais homoafetivos, à legalização da prostituição, das drogas e ao tráfico de mulheres.

3. O terceiro critério é a liberdade de Educação pela qual os pais têm o direito de educar os filhos segundo a visão de vida que eles julguem mais adequada. Isso comporta uma luta pela qualidade da escola pública e pela defesa da escola particular, defendendo o ensino religioso confessional e plural, de acordo com o princípio constitucional da liberdade religiosa, reconhecido também no recente Acordo entre Brasil e Santa Sé.
4. O quarto critério é o princípio da solidariedade, segundo o qual o Estado e as famílias devem ter uma particular atenção preferencial pelos pobres, àqueles que são excluídos e marginalizados. Deve-se garantir uma cidadania plena para todos/as, assegurando o pleno exercício dos direitos sociais: trabalho, moradia, saúde, educação e segurança.

5. O quinto critério é o princípio de subsidiariedade, ou seja, haja autonomia e ação direta participativa dos grupos, associações e famílias fazendo o que podem realizar, sem interferências ou intromissões do Estado. Este deve apoiar e subsidiar, nunca abafar ou sufocar as liberdades e a criatividade das pessoas. Assim elas poderão exercer uma cidadania ativa e gestora.

6. Enfim, diante de uma situação de violência generalizada, os candidatos devem, de forma concreta e decidida, comprometer-se na construção de uma Cultura da Paz em todos os níveis, particularmente na educação e na defesa da infância e da adolescência.

Do ponto de vista prático nas paróquias e em nossas associações e movimentos, se dê grande importância a este momento eleitoral e se realizem debates sempre com vários candidatos de vários partidos, em vista da realização do bem comum. Durante os eventos promovidos pela diocese ou pelas paróquias nunca devem aparecer faixas, cartazes ou outro tipo de sinais que identifiquem e apóiem os candidatos.

O trabalho político, ao qual todos somos chamados, cada um segundo a sua maneira de ser, é uma forma de mostrar a incidência do Evangelho na vida concreta, visando à construção de uma sociedade justa, fraterna e equitativa. Em conseqüência haverá uma esperança real para tantas pessoas céticas, desnorteadas e confusas com a política atual. É uma grande oportunidade que os católicos e todas as pessoas de boa vontade não podem perder.

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Com essas orientações, você já sabe em quem votar ou, pelo menos, em quem não votar e impedir sua vitória com seu voto.

Que Deus nos abençoe e Nossa Senhora Aparecida proteja o nosso Brasil

Campos dos Goytacazes, RJ, 15 de agosto de 2010
Festa da Assunção de Nossa Senhora.

+ Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo – Administrador Apostólico.