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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Ser cristão e cientista em perfeita unidade
Entrevista com Ricardo Ribeiro, físico e diretor da Licenciatura em Física da Universidade do Minho
Quando se discute o equilíbrio entre Fé e Ciência são poucos os testemunhos de vida que o assumem tão inteiramente como Ricardo Mendes Ribeiro. Físico e atualmente diretor da Licenciatura em Física da Universidade de Minho, Ricardo Ribeiro é investigador em nanotecnologia, com especial relevância para o estudo do grafeno. Lecciona cadeiras de Física Contemporânea e, para melhor servir este propósito, publicou no ano passado um livro que vem colmatar um vazio na bibliografia dessa área.
Este é o perfil pelo qual muitos o conhecem. Ricardo Ribeiro é também diretor do Centro Universitário do Minho, um local onde se promove uma formação integral para estudantes universitários, incluindo a vertente espiritual seguindo os ensinamentos de S. Jose Maria.
Serão Fé e Ciência duas ruas compridas sem acessos, sem passeios comuns? Pode ser a Física uma ponte?
Não existe qualquer contraposição entre a Ciência e a Fé (refiro-me à Fé Católica). A realidade é extraordinariamente rica e para a captarmos (nunca o faremos completamente) temos de a ver de diversas perspectivas, nas suas diversas dimensões. Neste sentido, a Ciência e a Fé são complementares, juntamente com outras formas de conhecimento que existem e não são nem ciência nem Fé. Por outro lado, ambas as formas de conhecimento são profundamente racionais e buscam a Verdade. Por isso não podem contradizer-se mutuamente. Além disso, têm objetos e métodos de estudo diferentes, o que torna impossível haver uma contradição entre os dois.
Pode o grafeno falar de Deus? De que forma se pode ver Deus na investigação de materiais bi-dimensionais, no Centro de Física?
A Física leva a Deus de uma forma muito especial, porque estudamos a Criação que Ele fez, onde depositou um carinho enorme, que encheu de belezas extraordinárias a todos os níveis... É de facto um modo de conhecer a Deus; Ele manifesta-se na Criação, da mesma maneira que o pensamento e a habilidade do escultor se manifestam na obra de arte. Um Físico conhece essas leis que são um lampejo da Inteligência divina, vê belezas que os outros não conseguem captar, e maravilha-se! Ele fez estas coisas para nós explorarmos, deliciar-nos, maravilhar-nos. É uma beleza puramente intelectual, racional.
Que influência teve Josemaria Escrivá - Fundador do Opus Dei - na vida do físico e como continua hoje a influir no quotidiano do Diretor do Departamento de Física?
Há muitos aspectos em que os ensinamentos de S. Jose Maria me influenciam. Talvez salientasse um: o amor à Liberdade. Amor que implica um respeito profundo pelos pensamentos e modos de ser dos outros. Uma verdadeira tolerância com as pessoas, acompanhada por um amor à verdade que não me permite dizer que está certo aquilo que está errado. Nisto há um grande paralelismo com o modo de funcionar dos Físicos. Buscamos a verdade, e fazemo-la passar pelo crivo da crítica construtiva, até ao extremo. Admitimos sempre alguém que pense de maneira diferente, mas tem de o fazer de uma forma congruente, sempre na busca do que é a verdade e não do ter ou não ter razão. Podia dar tantos exemplos!
Que proposta apresenta o Opus Dei para contrariar a evanescência espiritual das comunidades académicas - os pequenos centros de investigação, os grandes laboratórios? Pode um investigador ser santo?
Eu não falo em nome do Opus Dei, não tenho autoridade para isso. Mas o Opus Dei não apresenta mais soluções para os problemas da humanidade que a própria Igreja. Para responder a essa pergunta, é melhor ver o que o Papa disse na Alemanha há uns dias atrás:
"Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por «santos» os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais. Aqui torna-se evidente que cada batizado - ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares ações - é santificado por Deus. No Batismo, o Senhor acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante. Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efetivamente santo. Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objeto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria. Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza ações ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar mas nunca imitar na própria vida. Como é errada e desalentadora esta visão! Não há nenhum santo, à exceção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez. Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, como sobretudo de quantas vezes vos erguestes. Não exige ações extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós. Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos. Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz. Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos porque a Sua graça actua em vós." Isto aplica-se a qualquer cristão, e aos cientistas também.
Voltando às duas ruas - Fé e Ciência - tenham elas os nomes Opus Dei e Física do Estado Sólido, como determina cada uma o sentido da vida do Ricardo?
Eu não tenho uma vida esquizofrénica. Eu sou uma só pessoa que é cristã e cientista (e muitas coisas mais), em unidade de vida. Não deixo de ser Físico quando rezo nem deixo de ser cristão quando estou a investigar. Não há duas ruas. Há o meu caminho, a minha vocação, querida e amada por Deus, que inclui ser cristão e ser cientista, em perfeita unidade. Procuro que o meu trabalho seja oração, diálogo íntimo com Deus, imagem do que será no Céu, onde continuarei a ser Físico (e a maravilhar-me com as belezas da criação, nessa altura muito melhor compreendidas) e cristão (ou seja, apaixonado por Cristo)
***
José Roberto Staliano
blog: http://uneserinterativa.blogspot.com
Texto foi retirado do site "Spe Deus", que por sua vez, retirou do site da "Opus Dei"
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Fé e Razão
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Os limites do método científico
ZP11082302 - 23-08-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-28674?l=portuguese
Curso de verão sobre o padre Jaki, físico falecido em 2009
MADRI, terça-feira, 23 de julho de 2011 (ZENIT.org) – A importância de reconhecer os limites do método científico, que impede a ciência experimental de tratar de realidades não quantificáveis, foi exposta como uma das principais contribuições do sacerdote e físico húngaro Stanley Jaki.
Especialistas abordaram o tema Ciência e Fé em Stanley Jaki, em curso de verão no Colégio Maior San Pablo CEU, neste julho, em Madri, cidade onde o padre faleceu há dois anos.
Os expoentes destacaram, como aspectos principais do pensamento de Jaki, os limites do método científico, a diferença entre ciência experimental e saber humanístico e a importância de distinguir ciência e fé sem opô-las.
Participaram, entre outros, Jacques Vauthier, matemático e professor de Filosofia da Ciência da Sorbonne; Manuel Maria Carreira, físico e filósofo da Universidade de Comillas, Espanha, e Paul Haffner, professor do Ateneu Regina Apostolorum, de Roma.
As instituições organizadoras do Congresso foram a Universidade CEU San Pablo e o Ateneu Regina Apostolorum.
Questão metodológica
Stanley Jaki se preocupou com os limites do método científico tentando continuamente separar o objeto da ciência e o objeto da religião. Em entrevista de 1991, ele citava Maxwell: “Uma das provas mais difíceis para uma mente científica é conhecer os limites do método científico”.
À pergunta sobre quais são esses limites, Jaki respondia: “Os limites da ciência (e ao falar de ciência me refiro aqui à física) são fixados pelo seu próprio método”.
“O método da física versa sobre os aspectos quantitativos das coisas em movimento. Só podemos aplicar legitimamente o método científico-experimental quando captamos aspectos quantitativos nas coisas. Mas quando nos surgem perguntas como ‘isso é belo?’, ou ‘existe isto?’, ou ‘esta ação é moralmente boa?’, estamos nos perguntando coisas que a ciência não pode responder”.
Segundo os expoentes do congresso, esta é uma ideia fundamental e “muito sadia”, e há unanimidade na epistemologia atual, não só entre os católicos.
Ciências e humanidades
Em razão dos limites do método científico, o cientista e sacerdote húngaro afirmou que a ciência experimental não é capaz de tratar de realidades que não são quantificáveis ou medíveis, e que pertencem ao saber humanístico.
Sobre a distinção entre saber humanístico e ciência experimental, Jaki afirmava: “Os estudos humanísticos e os científicos têm que ser feitos por separado. Não se deve tentar fundi-los, porque eles partem de premissas diferentes e empregam métodos diferentes”.
“Nos estudos humanísticos, por exemplo, quando estudamos Dante, não perguntamos quantas letras existem na obra dele. Mas é uma pergunta que no campo científico seria lógica”.
Jaki indicou que “devemos cultivar tanto os aspectos quantitativos das coisas quanto aqueles que não são mensuráveis”.
Contra o cientificismo
Os expoentes também destacaram que o padre Jaki denunciou o cientificismo como um enfoque da ciência que não reconhece os limites do seu próprio método.
Jaki afirmou que o grande crime deste século é dizer que o único verdadeiro conhecimento é aquele que pertence ao campo do mensurável quantitativamente.
Perguntado sobre as consequências mais relevantes, o padre húngaro respondia: “É um crime porque estas aplicações unilaterais do método quantitativo chegam a privar o ser humano da sua compreensão dos aspectos incomensuráveis da existência”.
Segundo Jaki, “a principal consequência é a relativização dos pontos de vista morais”.
“Em vez de agirmos numa perspectiva moral, segundo a qual uma ação é intrinsecamente boa ou intrinsecamente má, agora seguimos um modelo behaviorista”, explicava.
Para o cientista, “esta é a base do relativismo moderno, que se fundamenta na crença de que existem vários padrões de comportamento ou estilos de vida alternativos. E não se fazem mais perguntas a respeito”.
Complementaridade
O coordenador do curso, Leopoldo Prieto, afirma que “assistimos a uma nova onda de pressões de uma pretensa ciência biológica militante ateia”.
“Diante de um dogma clássico do cientificismo, que afirma que ciência e fé são incompatíveis, o padre Jaki reitera uma doutrina clássica da Igreja”, diz Prieto. “Ou seja, que existe uma distinção de métodos entre elas, mas nenhuma oposição, e sim perfeita complementaridade”.
Para o padre Jaki, ciência e fé são dois modos de aproximação, ambos racionais, com métodos diferentes.
Padre e cientista
Stanley Jaki nasceu em 1924 em Győr, Hungria. Sacerdote beneditino, foi professor de História e Filosofia da Ciência na Universidade Seton Hall de South Orange, Nova Jersey.
Permalink: http://www.zenit.org/article-28674?l=portuguese
Curso de verão sobre o padre Jaki, físico falecido em 2009
MADRI, terça-feira, 23 de julho de 2011 (ZENIT.org) – A importância de reconhecer os limites do método científico, que impede a ciência experimental de tratar de realidades não quantificáveis, foi exposta como uma das principais contribuições do sacerdote e físico húngaro Stanley Jaki.
Especialistas abordaram o tema Ciência e Fé em Stanley Jaki, em curso de verão no Colégio Maior San Pablo CEU, neste julho, em Madri, cidade onde o padre faleceu há dois anos.
Os expoentes destacaram, como aspectos principais do pensamento de Jaki, os limites do método científico, a diferença entre ciência experimental e saber humanístico e a importância de distinguir ciência e fé sem opô-las.
Participaram, entre outros, Jacques Vauthier, matemático e professor de Filosofia da Ciência da Sorbonne; Manuel Maria Carreira, físico e filósofo da Universidade de Comillas, Espanha, e Paul Haffner, professor do Ateneu Regina Apostolorum, de Roma.
As instituições organizadoras do Congresso foram a Universidade CEU San Pablo e o Ateneu Regina Apostolorum.
Questão metodológica
Stanley Jaki se preocupou com os limites do método científico tentando continuamente separar o objeto da ciência e o objeto da religião. Em entrevista de 1991, ele citava Maxwell: “Uma das provas mais difíceis para uma mente científica é conhecer os limites do método científico”.
À pergunta sobre quais são esses limites, Jaki respondia: “Os limites da ciência (e ao falar de ciência me refiro aqui à física) são fixados pelo seu próprio método”.
“O método da física versa sobre os aspectos quantitativos das coisas em movimento. Só podemos aplicar legitimamente o método científico-experimental quando captamos aspectos quantitativos nas coisas. Mas quando nos surgem perguntas como ‘isso é belo?’, ou ‘existe isto?’, ou ‘esta ação é moralmente boa?’, estamos nos perguntando coisas que a ciência não pode responder”.
Segundo os expoentes do congresso, esta é uma ideia fundamental e “muito sadia”, e há unanimidade na epistemologia atual, não só entre os católicos.
Ciências e humanidades
Em razão dos limites do método científico, o cientista e sacerdote húngaro afirmou que a ciência experimental não é capaz de tratar de realidades que não são quantificáveis ou medíveis, e que pertencem ao saber humanístico.
Sobre a distinção entre saber humanístico e ciência experimental, Jaki afirmava: “Os estudos humanísticos e os científicos têm que ser feitos por separado. Não se deve tentar fundi-los, porque eles partem de premissas diferentes e empregam métodos diferentes”.
“Nos estudos humanísticos, por exemplo, quando estudamos Dante, não perguntamos quantas letras existem na obra dele. Mas é uma pergunta que no campo científico seria lógica”.
Jaki indicou que “devemos cultivar tanto os aspectos quantitativos das coisas quanto aqueles que não são mensuráveis”.
Contra o cientificismo
Os expoentes também destacaram que o padre Jaki denunciou o cientificismo como um enfoque da ciência que não reconhece os limites do seu próprio método.
Jaki afirmou que o grande crime deste século é dizer que o único verdadeiro conhecimento é aquele que pertence ao campo do mensurável quantitativamente.
Perguntado sobre as consequências mais relevantes, o padre húngaro respondia: “É um crime porque estas aplicações unilaterais do método quantitativo chegam a privar o ser humano da sua compreensão dos aspectos incomensuráveis da existência”.
Segundo Jaki, “a principal consequência é a relativização dos pontos de vista morais”.
“Em vez de agirmos numa perspectiva moral, segundo a qual uma ação é intrinsecamente boa ou intrinsecamente má, agora seguimos um modelo behaviorista”, explicava.
Para o cientista, “esta é a base do relativismo moderno, que se fundamenta na crença de que existem vários padrões de comportamento ou estilos de vida alternativos. E não se fazem mais perguntas a respeito”.
Complementaridade
O coordenador do curso, Leopoldo Prieto, afirma que “assistimos a uma nova onda de pressões de uma pretensa ciência biológica militante ateia”.
“Diante de um dogma clássico do cientificismo, que afirma que ciência e fé são incompatíveis, o padre Jaki reitera uma doutrina clássica da Igreja”, diz Prieto. “Ou seja, que existe uma distinção de métodos entre elas, mas nenhuma oposição, e sim perfeita complementaridade”.
Para o padre Jaki, ciência e fé são dois modos de aproximação, ambos racionais, com métodos diferentes.
Padre e cientista
Stanley Jaki nasceu em 1924 em Győr, Hungria. Sacerdote beneditino, foi professor de História e Filosofia da Ciência na Universidade Seton Hall de South Orange, Nova Jersey.
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Stanley Jaki
sábado, 11 de junho de 2011
Discurso do Papa a seis novos embaixadores
ZP11060906 - 09-06-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-28180?l=portuguese
“A técnica que domina o homem o priva da sua humanidade”, adverte
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 9 de junho de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, o discurso que Bento XVI dirigiu hoje aos novos embaixadores da Moldávia, Guiné Equatorial, Belize, República Árabe da Síria, Gana e Nova Zelândia, ao recebê-los em audiência no Vaticano por ocasião da apresentação das suas cartas credenciais.
***
Senhora e senhores embaixadores:
Recebo-vos com alegria nesta manhã, no Palácio Apostólico, para a apresentação das cartas que vos acreditam como embaixadores extraordinários e plenipotenciários dos vossos respectivos países ante a Santa Sé: Moldávia, Guiné Equatorial, Belize, República Árabe da Síria, Gana e Nova Zelândia. Agradeço-vos pelas amáveis palavras que me dirigistes da parte dos vossos respectivos Chefes de Estado. Por gentileza, transmiti-lhes minha cordial saudação e meus votos respeitosos pelas suas pessoas e pela alta missão que cumprem ao serviço dos seus países e do seu povo. Também desejo saudar, através de vós, todas as autoridades civis e religiosas das vossas nações, assim como ao conjunto dos vossos compatriotas. Minhas orações e meus pensamentos se dirigem também, naturalmente, às comunidades católicas presentes em vossos países.
Como tive a oportunidade de encontrar-me com cada um de vós de maneira particular, desejo agora falar-vos de maneira mais ampla. O primeiro semestre deste ano esteve marcado por inúmeras tragédias que atingiram a natureza, a tecnologia e as pessoas. A magnitude dessas catástrofes nos interroga. O homem é o primeiro, é bom recordar isso. O homem, a quem Deus confiou a boa gestão da natureza, não pode ser dominado pela tecnologia e tornar-se seu súdito. Esta consciência deve levar os Estados a refletirem juntos sobre o futuro a curto prazo do planeta, frente às suas responsabilidades sobre a nossa vida e a tecnologia. A ecologia humana é uma necessidade imperativa. Adotar em tudo uma maneira de viver respeitosa do ambiente e apoiar a pesquisa e a exploração de energias limpas que preservem o patrimônio da criação e não sejam perigosas para o homem devem ser prioridades políticas e econômicas. Neste sentido, é necessário revisar totalmente nosso enfoque da natureza. Esta não é unicamente um espaço por explorar ou lúdico. É o lugar de nascimento do homem, sua “casa”, por assim dizer. É essencial para nós. A mudança de mentalidade neste âmbito, ainda com as contradições que carrega, deve permitir chegar rapidamente à arte de viver juntos, que respeite a aliança entre o homem e a natureza, sem a qual a família humana corre o risco de desaparecer. Deve ser realizada, portanto, uma reflexão séria e devem ser propostas soluções precisas e viáveis. O conjunto dos governantes deve se comprometer a proteger a natureza e a ajudar a que desempenhe sua função essencial na sobrevivência da humanidade. Nas Nações Unidas me parece que são o marco adequado desta reflexão, que não deverá se obstaculizar por interesses políticos e econômicos cegamente partidários, para dar prioridade à solidariedade sobre o interesse particular.
Convém também perguntar-se sobre o justo lugar da técnica. As proezas das quais é capaz caminham lado a lado com desastres sociais e ecológicos. Ao ampliar-se o aspecto relacional do trabalho no planeta, a técnica imprime à globalização um ritmo especialmente acelerado. No entanto, a base do dinamismo do progresso corresponde ao homem que trabalha e não à tecnologia, que não é mais que uma criação humana. Apostar tudo nela ou acreditar que é o único agente de progresso ou de felicidade entranha uma coisificação do homem que conduz à cegueira e à miséria quando ele mesmo lhe atribui e delega a ela poderes que não tem. Basta constatar os “estragos” do progresso e os perigos que apresenta à humanidade uma técnica todo-poderosa e finalmente não controlada. A técnica que domina o homem o priva da sua humanidade. O orgulho que gera faz nascer em nossas sociedades um economicismo intratável e certo hedonismo que determina os comportamentos de maneira subjetiva e egoísta. O enfraquecimento da primazia do humano entranha uma confusão existencial e uma perda do sentido da vida. Porque a visão do homem e das coisas sem referência à transcendência desarraiga o homem da terra e, mais fundamentalmente, empobrece a própria identidade. É, portanto, urgente chegar a conjugar a técnica com uma forte dimensão ética, já que a capacidade que o homem tem de transformar e, de certa forma, de criar o mundo através do seu trabalho se baseia sempre no primeiro dom original das coisas, realizado por Deus (João Paulo II, Centesimus annus, 37). A técnica deve ajudar a natureza a prosperar na linha querida pelo Criador. Trabalhando assim, o pesquisador e o cientista aderem ao desígnio de Deus, que quis que o homem seja o cume e o gestor da criação. As soluções baseadas neste fundamento protegerão a vida do homem e sua vulnerabilidade, assim como os direitos das gerações presentes e as vindouras. E a humanidade poderá continuar beneficiando-se do progresso que o homem, pela sua inteligência, consegue realizar.
Conscientes do risco que a humanidade corre frente a uma técnica vista como uma “resposta” mais eficiente que a vontade política ou o paciente esforço educativo por civilizar os costumes, os governantes devem promover um humanismo respeitoso da dimensão espiritual e religiosa do homem. Porque a dignidade da pessoa humana não varia com a flutuação das opiniões. Respeitar sua aspiração à justiça e à paz permite a construção de uma sociedade que promove a si mesma, quando apoia a família ou rejeita, por exemplo, a primazia exclusiva das finanças. Um país vive da plenitude da vida dos cidadãos que o compõem, cada um sendo consciente das suas próprias responsabilidades e podendo fazer valer suas próprias convicções. Por outro lado, a tensão natural ao verdadeiro e ao bem é fonte de um dinamismo que gera a vontade de colaborar para realizar o bem comum. Assim, a vida social pode se enriquecer constantemente, integrando a diversidade cultural e religiosa através da partilha de valores, fonte de fraternidade e de comunhão. A vida em sociedade deve ser considerada, antes de tudo, como uma realidade de ordem espiritual, e os responsáveis políticos têm a missão de guiar os povos rumo à harmonia humana e à sabedoria tão desejadas, que devem culminar na liberdade religiosa, autêntico rosto da paz.
Ao começar vossa missão ante a Santa Sé, eu vos asseguro, excelências, que encontrareis sempre em meus colaboradores a escuta atenta e a ajuda que podeis necessitar. Sobre vós, vossas famílias, os membros das vossas missões diplomáticas e sobre todas as nações que representais, invoco a abundância das bênçãos divinas.
[Tradução: Aline Banchieri.
Permalink: http://www.zenit.org/article-28180?l=portuguese
“A técnica que domina o homem o priva da sua humanidade”, adverte
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 9 de junho de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, o discurso que Bento XVI dirigiu hoje aos novos embaixadores da Moldávia, Guiné Equatorial, Belize, República Árabe da Síria, Gana e Nova Zelândia, ao recebê-los em audiência no Vaticano por ocasião da apresentação das suas cartas credenciais.
***
Senhora e senhores embaixadores:
Recebo-vos com alegria nesta manhã, no Palácio Apostólico, para a apresentação das cartas que vos acreditam como embaixadores extraordinários e plenipotenciários dos vossos respectivos países ante a Santa Sé: Moldávia, Guiné Equatorial, Belize, República Árabe da Síria, Gana e Nova Zelândia. Agradeço-vos pelas amáveis palavras que me dirigistes da parte dos vossos respectivos Chefes de Estado. Por gentileza, transmiti-lhes minha cordial saudação e meus votos respeitosos pelas suas pessoas e pela alta missão que cumprem ao serviço dos seus países e do seu povo. Também desejo saudar, através de vós, todas as autoridades civis e religiosas das vossas nações, assim como ao conjunto dos vossos compatriotas. Minhas orações e meus pensamentos se dirigem também, naturalmente, às comunidades católicas presentes em vossos países.
Como tive a oportunidade de encontrar-me com cada um de vós de maneira particular, desejo agora falar-vos de maneira mais ampla. O primeiro semestre deste ano esteve marcado por inúmeras tragédias que atingiram a natureza, a tecnologia e as pessoas. A magnitude dessas catástrofes nos interroga. O homem é o primeiro, é bom recordar isso. O homem, a quem Deus confiou a boa gestão da natureza, não pode ser dominado pela tecnologia e tornar-se seu súdito. Esta consciência deve levar os Estados a refletirem juntos sobre o futuro a curto prazo do planeta, frente às suas responsabilidades sobre a nossa vida e a tecnologia. A ecologia humana é uma necessidade imperativa. Adotar em tudo uma maneira de viver respeitosa do ambiente e apoiar a pesquisa e a exploração de energias limpas que preservem o patrimônio da criação e não sejam perigosas para o homem devem ser prioridades políticas e econômicas. Neste sentido, é necessário revisar totalmente nosso enfoque da natureza. Esta não é unicamente um espaço por explorar ou lúdico. É o lugar de nascimento do homem, sua “casa”, por assim dizer. É essencial para nós. A mudança de mentalidade neste âmbito, ainda com as contradições que carrega, deve permitir chegar rapidamente à arte de viver juntos, que respeite a aliança entre o homem e a natureza, sem a qual a família humana corre o risco de desaparecer. Deve ser realizada, portanto, uma reflexão séria e devem ser propostas soluções precisas e viáveis. O conjunto dos governantes deve se comprometer a proteger a natureza e a ajudar a que desempenhe sua função essencial na sobrevivência da humanidade. Nas Nações Unidas me parece que são o marco adequado desta reflexão, que não deverá se obstaculizar por interesses políticos e econômicos cegamente partidários, para dar prioridade à solidariedade sobre o interesse particular.
Convém também perguntar-se sobre o justo lugar da técnica. As proezas das quais é capaz caminham lado a lado com desastres sociais e ecológicos. Ao ampliar-se o aspecto relacional do trabalho no planeta, a técnica imprime à globalização um ritmo especialmente acelerado. No entanto, a base do dinamismo do progresso corresponde ao homem que trabalha e não à tecnologia, que não é mais que uma criação humana. Apostar tudo nela ou acreditar que é o único agente de progresso ou de felicidade entranha uma coisificação do homem que conduz à cegueira e à miséria quando ele mesmo lhe atribui e delega a ela poderes que não tem. Basta constatar os “estragos” do progresso e os perigos que apresenta à humanidade uma técnica todo-poderosa e finalmente não controlada. A técnica que domina o homem o priva da sua humanidade. O orgulho que gera faz nascer em nossas sociedades um economicismo intratável e certo hedonismo que determina os comportamentos de maneira subjetiva e egoísta. O enfraquecimento da primazia do humano entranha uma confusão existencial e uma perda do sentido da vida. Porque a visão do homem e das coisas sem referência à transcendência desarraiga o homem da terra e, mais fundamentalmente, empobrece a própria identidade. É, portanto, urgente chegar a conjugar a técnica com uma forte dimensão ética, já que a capacidade que o homem tem de transformar e, de certa forma, de criar o mundo através do seu trabalho se baseia sempre no primeiro dom original das coisas, realizado por Deus (João Paulo II, Centesimus annus, 37). A técnica deve ajudar a natureza a prosperar na linha querida pelo Criador. Trabalhando assim, o pesquisador e o cientista aderem ao desígnio de Deus, que quis que o homem seja o cume e o gestor da criação. As soluções baseadas neste fundamento protegerão a vida do homem e sua vulnerabilidade, assim como os direitos das gerações presentes e as vindouras. E a humanidade poderá continuar beneficiando-se do progresso que o homem, pela sua inteligência, consegue realizar.
Conscientes do risco que a humanidade corre frente a uma técnica vista como uma “resposta” mais eficiente que a vontade política ou o paciente esforço educativo por civilizar os costumes, os governantes devem promover um humanismo respeitoso da dimensão espiritual e religiosa do homem. Porque a dignidade da pessoa humana não varia com a flutuação das opiniões. Respeitar sua aspiração à justiça e à paz permite a construção de uma sociedade que promove a si mesma, quando apoia a família ou rejeita, por exemplo, a primazia exclusiva das finanças. Um país vive da plenitude da vida dos cidadãos que o compõem, cada um sendo consciente das suas próprias responsabilidades e podendo fazer valer suas próprias convicções. Por outro lado, a tensão natural ao verdadeiro e ao bem é fonte de um dinamismo que gera a vontade de colaborar para realizar o bem comum. Assim, a vida social pode se enriquecer constantemente, integrando a diversidade cultural e religiosa através da partilha de valores, fonte de fraternidade e de comunhão. A vida em sociedade deve ser considerada, antes de tudo, como uma realidade de ordem espiritual, e os responsáveis políticos têm a missão de guiar os povos rumo à harmonia humana e à sabedoria tão desejadas, que devem culminar na liberdade religiosa, autêntico rosto da paz.
Ao começar vossa missão ante a Santa Sé, eu vos asseguro, excelências, que encontrareis sempre em meus colaboradores a escuta atenta e a ajuda que podeis necessitar. Sobre vós, vossas famílias, os membros das vossas missões diplomáticas e sobre todas as nações que representais, invoco a abundância das bênçãos divinas.
[Tradução: Aline Banchieri.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
As bençãos da tecnologia
June 22, 2008
by Samuel Gregg
Nos últimos trinta anos, um certo grau de ceticismo sobre os méritos da tecnologia vieram à tona nas reflexões e escritos de muitos cristãos. Sem dúvida, os bons cristãos têm razão para estarem preocupados com os usos que muitas vezes são dados à tecnologia. Quando Hannah Arendt cunhou a expressão “banalidade do mal”, não se referia à mentalidade burocrática que, com relativa eficiência, tratava de matar os judeus europeus. Ela também tinha em mente o modo pelo qual a tecnologia moderna fazia com que a matança em série de seres humanos parecesse menos enlouquecida, menos sanguinária, e até mesmo um tanto desapaixonada.
Cada vez mais os acontecimentos tecnológicos quotidianos, tais como a popularização do e-mail e da Internet, são, por vezes, retratados por alguns cristãos como facilitadores da despersonalização da vida humana e dos relacionamentos. Outros cristãos parecem suspeitar da associação da tecnologia com a emergência da modernidade, ou seja, um período da história no qual as exigências da Revelação são, muitas vezes, vistas como se fossem desafiadas pelos avanços da ciência.
Certa vez, Karl Marx argumentou que a sociedade tecnológica facilitava o ateísmo. Sem dúvida, há um tanto de verdade nessa afirmativa. Os avanços tecnológicos criam para nós um mundo cercado de produtos feitos pelo homem. Muitos de nós vivemos numa cultura repleta de aparelhos mecânicos pelos quais moldamos nossas vidas, e em estruturas sem precedentes na história, dominadas por certas características construídas pelo homem. Como resultado, a tecnologia nos dá uma imagem de nossas obras. Essa auto-imagem é o que muitos seres humanos consideram, admiram e, às vezes, cultuam.
O problema do auto-consumo e do culto idólatra de si mesmo têm, no entanto, atormentado o homem desde o princípio. Ocorreu em todas as culturas e em todas as épocas, não importando o grau de desenvolvimento tecnológico. No mundo romano atingiu uma espécie de apogeu com a auto-atribuição de divindades por parte dos Césares.
Será possível, então, que os cristãos pensem em tecnologia de alguma forma que evite, ao mesmo tempo, tanto a romantização do mundo pré-moderno e natural, mas também o “cientificismo” que nos faz crer que que a percepção da verdade é essencialmente limitada ao conhecimento da técnica?
Devemos ter em mente que o mal não procede da tecnologia em si. O mal deriva do pecado original e das livres escolhas dos seres humanos que preferem o mal ao bem. Portanto, o problema geralmente não é a tecnologia, mas como ela é usada. Dificilmente esse é um novo dilema.
Leonardo Da Vinci, que também era um engenheiro, desistiu de publicar os planos de um submarino que projetou porque considerava injusto atacar, sem aviso prévio, um adversário que não pudesse ver quem o atacava. Poderíamos supor que a decisão de Da Vinci foi ditada por um estranho código de cavalheirismo renascentista. O raciocínio de Da Vinci, entretanto, pressupunha simplesmente que a tecnologia estava sujeita a uma ordem maior: os ditames da lei moral divina, a única ordem que poderia dar à tecnologia um significado apropriado e determinar os fins para os quais poderia ser usada. Assim, devemos considerar que os submarinos não precisam ser empregados somente para fins violentos. Eles, de fato, têm servido para revelar ao homem muitas das glórias, anteriormente ocultas aos homens, como o mundo submarino criado por Deus.
Na verdade, é difícil pensar em algo que nos dê uma imagem mais poderosa da manifestação da Criação de Deus do que os imensos espaços solares que a astronomia nos permite vislumbrar. Em outras palavras, a tecnologia permitiu perceber uma parte do mistério complexo e interligado do universo de um modo nunca antes imaginado por Galileu ou Ptolomeu.
E nisso reside a maior de todas as ironias. Foi precisamente por realizar o mandato do livro do Gênesis de preencher a Terra e subjugá-la, que os seres humanos não só participam da ampliação do ato criador, mas também adquirem maior percepção das maravilhas da Criação. Por intermédio da tecnologia, cada vez um número maior de cientistas começa a vislumbrar o projeto e a ordem das coisas, onde muitos de seus ancestrais só viam a escuridão e o caos.
Nesse sentido, a tecnologia pode ajudar a desmistificar e “des-divinizar” o mundo material ao nos despertar para a majestade dAquele que o criou.
Jean Daniélou, um jesuíta estudioso da Patrística, certa vez observou que o homem primitivo identificava o sobrenatural em todos os lugares, mas isso se devia, em grande parte, à sua ignorância. Dessa forma, percebeu Daniélou, a tecnologia pode ajudar a “libertar a religião e a percepção humana do sobrenatural do incômodo fardo do pseudo-sobrenatural e do pseudo-religioso”.
Tudo isso nos leva a reconhecer que não há necessidade de denegrir Bill Gates para exaltar Santo Agostinho, da mesma forma que também não precisamos degradar a tecnologia humana para exaltar as obras de Deus. Quanto maiores as conquistas da tecnologia humana, segundo o divino ordenamento moral, escreveu Daniélou, Deus se mostra ainda maior ao homem.
Nesse sentido, não devemos ser excessivamente temerosos das conquistas tecnológicas do homem. Certamente, o cristão deve exigir que o uso que o homem dê à tecnologia, como a todas as outras escolhas, se conforme à Lei moral de Deus, uma lei possível de ser conhecida pela fé e pela razão. Mas, quanto maior o homem e suas conquistas tecnológicas, mais os cristãos devem perceber que ainda maior Ele deve ser – o Deus feito homem, o Alfa e o Ômega de todos os tempos, Jesus Cristo – de quem herdamos nossa própria grandeza.
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Samuel Gregg
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
As ciências naturais e suas limitações
domingo, 29 de agosto de 2010
A Tecnologia salva a humanidade?
A tecnologia é fundamental para o progresso e o desenvolvimento da humanidade. O ser humano, dotado de racionalidade por Deus, cria tecnologia para facilitar o seu viver. Foi assim ao longo da história da humanidade. Desde as cavernas até os modernos arranha-céus do século XX, desde a descoberta do fogo até a invenção do chipp, o homem buscou aprimorar sua vida sobre a terra.
Mas a tecnologia que cria o progresso, salva vidas, nem sempre foi utilizada para o bem estar da humanidade. Quantas vezes modernas técnicas serviram para matar, basta ver como as guerras do seculo XX, em especial as duas guerras mundiais, aprimoraram a arte de matar. O século XX produziu 100 milhões de mortos. Outro aspecto que vale destacar é a questão da tecnologia como meio de inserção social e redução das desigualdades sociais, o que de certa forma tem acontecido a passos lentos. Ocorre toda uma exclusão digital que alimenta a exclusão social, uma vez que quem não tem acesso a era digital acaba por se excluir do mercado de trabalho.
A tecnologia salva a humanidade? Depende. Se utilizada para o bem é capaz de salvar vidas e desenvolver a qualidade de vida. Mas, mal utilizada, usada para o mal ou sem princípios da ética e da moralidade é prejudicial para a sociedade. Como é o caso da pesquisa com células tronco embrionárias, autorizadas recentemente nos Estados Unidos, que mata embriões humanos em nome da "ciência". Diz o Papa Bento XVI na sua nova Encíclica, Caridade na Verdade, que um dos graves erros modernos é a absolutização da técnica, compreender a teconologia como capaz de resolver todos os problemas da humanidade. A ciência não resolve tudo, o homem não pode prescindir da família, dos valores morais e de Deus.
professor Faria.
Mas a tecnologia que cria o progresso, salva vidas, nem sempre foi utilizada para o bem estar da humanidade. Quantas vezes modernas técnicas serviram para matar, basta ver como as guerras do seculo XX, em especial as duas guerras mundiais, aprimoraram a arte de matar. O século XX produziu 100 milhões de mortos. Outro aspecto que vale destacar é a questão da tecnologia como meio de inserção social e redução das desigualdades sociais, o que de certa forma tem acontecido a passos lentos. Ocorre toda uma exclusão digital que alimenta a exclusão social, uma vez que quem não tem acesso a era digital acaba por se excluir do mercado de trabalho.
A tecnologia salva a humanidade? Depende. Se utilizada para o bem é capaz de salvar vidas e desenvolver a qualidade de vida. Mas, mal utilizada, usada para o mal ou sem princípios da ética e da moralidade é prejudicial para a sociedade. Como é o caso da pesquisa com células tronco embrionárias, autorizadas recentemente nos Estados Unidos, que mata embriões humanos em nome da "ciência". Diz o Papa Bento XVI na sua nova Encíclica, Caridade na Verdade, que um dos graves erros modernos é a absolutização da técnica, compreender a teconologia como capaz de resolver todos os problemas da humanidade. A ciência não resolve tudo, o homem não pode prescindir da família, dos valores morais e de Deus.
professor Faria.
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