quinta-feira, 18 de julho de 2019

DO PRATA AO AMAZONAS: Uma breve explicação do hino da Congregação Mariana

Já na primeira estrofe há uma convocação ao congregado mariano para se alistar no exército do Senhor, que de norte a sul e de leste a oeste deste país continental deve se enfileirar (organizar) para lutar pelo reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo, pregado e continuado pela Santa Igreja Católica. É um chamado para lutar pela fé cristã, contra os seus poderosos inimigos: as armadilhas do demônio, as conspirações do mundo e a maldade do pecado.
E nesta ardorosa luta este pequeno exército é orientado, guiado, inspirado e motivado por Maria, mãe de Deus e nossa mãe. É ela quem nos dá força e valor para superar as grandes batalhas da vida contra as forças das trevas. Ela é soberana, segue na nossa frente, carrega a nossa bandeira e faz tremer os nossos inimigos.
E estes inimigos do reino de Cristo e de tudo que o representa (a Igreja, Nossa Senhora, os santos e todos os cristãos) são poderosos e incansáveis. O averno ruge (os infernos) combate com todas as suas armas, especialmente a da mentira, que ilude, atrai e aliena. Através de ideias e ações revolucionárias, como o Iluminismo liberal e racionalista, concretizado na Revolução Francesa e nas revoluções liberais do século XIX, propagado pela Maçonaria, procurou destruir as monarquias cristãs, a própria Igreja e toda a cultura cristã ocidental (“altar e trono quer destruído”). Os seus frutos foram o relativismo moral, a descristianização, a dessacralização da sociedade e os novos movimentos revolucionários materialistas e ateus.
Contra tudo isso é que o congregado é convocado a lutar (“por Deus e por nossa vida”) com as armas da fé, da oração, dos sacramentos, da caridade, e especialmente da devoção à Imaculada Conceição. É sob a proteção de Maria Imaculada que não devemos temer a espada da ridicularização ou mesmo do martírio, a vitória é certa, pois ela já esmagou a cabeça da serpente e triunfou, triunfa e triunfará sobre todo o mal.
A guerra é santa, pois o nosso ideal é o Reino de Deus, um ideal celeste. E Jesus afirmou que esse reino não é deste mundo. Não lutamos por utopias, pela construção de paraísos perfeitos aqui na terra, mas pela salvação das almas, “seguindo a Maria, Virgem Pura, como seus filhos, que sempre queremos ser”.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

DIALÉTICA DA SECULARIZAÇÃO


Disse o cardeal Ratzinger (papa emérito Bento XVI) no diálogo com Habermas sobre a Dialética da Secularização (sobre a razão e a religião) realizado em 2004 na Academia Católica da Baviera que o crescimento do conhecimento científico produziu uma nova visão de mundo e de homem que abalou as certezas morais, deixando à ciência toda a responsabilidade sobre o ser humano. Mas afirmou que a ciência não pode alcançar toda a dimensão humana e sim apenas aspectos parciais. Disse ainda que os debates científicos não serão capazes de produzir uma consciência ética renovada.
Para Ratzinger o princípio da maioria não pode ser a única origem do direito, pois deixa sem solução a questão dos fundamentos éticos do direito, uma vez que a história comprova que as maiorias podem ser cegas ou injustas. Na verdade existem valores e direitos que decorrem da essência do ser humano, não apenas da vontade geral consensual, e que por isso são invioláveis.
Sobre a questão dos limites ao poder disse que apenas a razão não é suficiente, que emancipada das tradições religiosas ela torna-se ameaçadora. A hybris da razão é perigosa. Ela produziu a capacidade do homem destruir a si mesmo, criou as bombas atômicas, a possibilidade da destruição e do caos total.
Defendeu que a fé tem muito a dizer sobre o ser humano, que não contradiz a racionalidade e a liberdade humana e que deve haver uma correcionalidade entre a razão e a fé (uma autolimitação), entre razão e religião, que elas podem se purificarem e se curarem mutuamente e numa relação de complementaridade, numa perspectiva interculturalista, construírem uma ética universalista, que amplie os direitos e ao mesmo tempo seja uma ética de deveres.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A EDUCAÇÃO 4.0 DA ERA DIGITAL, A CULTURA DA INOVAÇÃO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUALIFICADOS PARA UMA ESCOLA NOTA 1000.



Ou a escola se transforma ou ela terá grandes dificuldades para sobreviver às demandas da nova sociedade, às disputas comercias e às concorrências ferozes da guerra mercadológica educacional, pois estática já não atenderá mais às necessidades do exigente mercado de trabalho e da sociedade midiatizada, marcada pelas inovações tecnológicas, pela digitalização e pela globalização. Entenda-se aqui a escola como um todo institucional funcionando nos moldes tradicionais, oriundos das necessidades criadas na época do 1ª Revolução Industrial. E tais mudanças devem ser rápidas e radicais, começando por uma transformação das mentalidades educacionais, desde a gestão de recursos e de pessoas, passando pela coordenação/orientação dos processos pedagógicos e chegando à cultura da inovação, que revolucione na prática os espaços de aprendizagens por excelência, como as salas de aula, bibliotecas, laboratórios, pátios, todo o ambiente escolar e as práticas pedagógicas inerentes a estes espaços.
Uma das afirmações mais repetidas nos congressos, feiras pedagógicas, programas de capacitação e eventos educacionais em geral, no Brasil e no mundo, é que “temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”. Temos escolas e professores brilhantes, inovadores, com práticas excepcionais, mas muitas vezes isolados como ilhas de modernidade. Mas via de regra o que ainda prevalece na realidade são escolas e professores acomodados, temerosos e resistentes às inovações, que não conseguem conectar a educação com o mundo real, alunos desestimulados e desinteressados e famílias indiferentes, onde cada um dos atores joga a culpa dos fracassos sobre os outros, sem fazer uma auto reflexão acerca das suas respectivas responsabilidades.
A revolução técnica científica criou o meio técnico científico informacional e nos últimos anos acelera os processos da 4ª revolução industrial, que impactam na dinamização das atividades econômicas, nas relações sociais e na cultura de um mundo cada vez mais globalizado, integrado e dinâmico. Fala-se o tempo todo de digitalização, de inteligência artificial, robótica e realidades virtuais, que produzem uma mudança de época, na qual estão inseridos os nossos alunos. Aliás, eles não viveram num mundo sem celular, sem internet, sem a comunicação virtual e sequer conseguem vislumbrar esta realidade. Suas experiências dizem respeito às realidades virtuais interativas, dinâmicas e aceleradas. Dizem alguns estudos que até a configuração cerebral e a lógica de pensar já mudou por influência dos impactos da tecnologia. Essa nova geração de jovens cresceu usando intensivamente as tecnologias digitais e se comunica mesclando comunidades virtuais e reais, em rede, de acordo com as suas necessidades. Para eles a escola se tornou uma instituição alheia ao seu mundo, onde as práticas de copiar, ouvir passivamente, reproduzir conhecimentos são consideradas irrelevantes em suas vidas cotidianas, em um paradoxo com as sensações e oportunidades oferecidas pelo universo midiático onde estão inseridos. Mas em geral estão asfixiados por tanta informação e carentes de orientação e referências éticas para lidarem com elas e transformá-las em conhecimentos significativos, úteis para a melhoria da qualidade de suas vidas e para a transformação da realidade do mundo.
Neste cenário é que os especialistas em educação tanto falam que a necessidade de orientar o aluno para o desenvolvimento de novas habilidades é dever de uma escola 4.0. Modelos que se reduzem ao uso de livros didáticos, lousa, ao aluno fazedor de cópias e decorebas (escola 1.0), ao uso de hardware e softwares sem interatividade (2.0) ou o uso de múltiplos recursos, mas com decisões centradas no professor, sem o protagonismo do aluno, não são suficientes. A escola 4.0 prioriza metodologias ativas, ambientes inovadores, cooperativos, a cultura maker (aprender fazendo), a resolução de problemas, a programação, a incorporação das tecnologias ao universo escolar sob a intencionalidade da perspectiva pedagógica, buscando aproximar o aluno da realidade e prepará-lo para dar respostas satisfatórias aos novos desafios propostos.
 Não se trata de demonizar e abandonar as boas práticas da escola tradicional, como a disciplina, o cuidado com a formação de valores e a ênfase nos conteúdos. A própria aula expositiva continua sendo importante, desde que seja bem dada, dialogada e interativa, de forma que prenda a atenção do aluno e seja motivadora para aquisição de conhecimentos. Os conteúdos são fundamentais, extremamente importantes, pois ninguém raciocina e constrói pensamento crítico sobre o nada, sobre o vazio. Mas podem ser construídos a partir de metodologias mais dinâmicas, lúdicas e prazerosas. Assim, as metodologias ativas devem ser complementares dessas práticas mais tradicionais, formando um conjunto misto e harmônico, que colabore para aprendizagens ricas e significativas.
A educação 4.0 é concebida a partir de novos paradigmas. O aluno passa a ser o protagonista e o professor o orientador qualificado para a construção eficaz dos conhecimentos. O aluno assume um papel mais ativo e torna-se o sujeito do seu próprio conhecimento. No entanto, é imprescindível notar que a máquina não vai substituir o professor, pois a interatividade, a mediação e a orientação serão sempre essenciais para os processos de aprendizagens. Sempre aprendemos na interação com o mundo, com as pessoas, que nos transmitem os saberes produzidos ao longo do tempo.  
Neste contexto a qualificação dos profissionais da educação é a condição sine qua nom para que ocorram as mudanças significativas na direção da cultura da inovação. Neste processo a gestão assume o papel de agente principal das mudanças. Urge a necessidade de uma gestão motivadora da equipe, que deve criar na escola um ambiente de formação continuada, através de reuniões e apoio ao estudo e à formação. Cabe também ao gestor atender com qualidade a clientela, aplicar racionalmente os recursos, priorizando a questão da qualidade dos processos pedagógicos, bem como acompanhar o andamento das práticas educacionais, tudo sob a perspectiva da gestão democrática, onde todos são envolvidos e participam ativamente das decisões. A Escola de hoje requer um professor mais crítico, criativo, que participe e que empreenda, que tenha mais dinamismo em lidar com as situações imprevisíveis e solucionar problemas. Nesse sentido, é que a escola deve se tornar o lócus formativo, onde se possam compartilhar experiências, socializar reflexões, fazer um trabalho colaborativo e produzir conhecimentos efetivos. Para isso os professores terão de se encontrar muito e interagir qualitativamente.
Essa cultura da inovação é contemplada na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que foi homologada e tem caráter normativo, força de lei. Ela deverá reorientar obrigatoriamente todos os currículos a partir de 2020. Nas suas 10 competências gerais, a base evidencia a necessidade da construção e valorização do conhecimento a partir da investigação, experimentação, argumentação e comunicação, da fruição e (re) elaboração de repertório cultural, centrados no protagonismo do aluno como sujeito da construção do seu próprio saber. Também é competência geral da BNCC a cultura digital, que diz: “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”. Assim, o aluno deverá ser capaz de usar as ferramentas digitais para resolver problemas, criar e apresentar produtos digitais, como páginas da web, vídeos, aplicativos, usar linguagens de programação, dominar algoritmos, entender os impactos da tecnologia na sociedade e fazer uso ético dos diversos recursos tecnológicos.
Outra demanda da nova sociedade presente na BNCC é que a escola deverá ensinar as competências e as habilidades socioemocionais. Os impactos dos avanços tecnológicos serão cada vez mais avassaladores sobre as atividades econômicas, sociais e culturais, transformando a maneira como trabalhamos e a maneira como vivemos. Segundo pesquisas do Fórum Econômico Mundial 65% dos jovens que estão começando o ensino fundamental trabalharão, daqui há 15 ou 20 anos, em profissões que hoje nem existem e terão que lidar com frustrações, ter grande capacidade de adaptação, de reinvenção e, portanto, de regulação emocional. Segundo os especialistas a escola deverá desenvolver competências socioemocionais como a autoconfiança, a empatia, o julgamento para a tomada de decisões, a liderança, a resiliência, enfim, as habilidades de autoconhecimento, de comunicação, de relacionamentos e a consciência social.
Diante de toda essa complexidade das relações sociais impactadas pela tecnologia, das novas contribuições da neurociência sobre como o cérebro aprende à escola caberá o papel de se transformar, racionalizar e modernizar os seus diversos espaços de conhecimento, personalizar o seu atendimento educacional, aplicar as metodologias ativas como a sala da aula invertida, o ensino híbrido e tantas outras, além de priorizar a criação e resolução de problemas, sem que o professor ofereça as respostas prontas, incorporar as tecnologias nos currículos, inclusive o tão polêmico uso do celular na sala de aula. As aulas deverão ser mais dinâmicas, lúdicas, prazerosas, onde os alunos poderão fazer experimentações, debates, dialogar, aprendendo através da interatividade e cooperação. A escola 4.0 deverá oferecer atividades extracurriculares como o xadrez, aulas de música, práticas esportivas, além da promoção de eventos culturais que aproximem a comunidade e reforcem a parceria entre a família e a escola. Tudo isso é uma questão de sobrevivência da escola e deverá acontecer dentro do padrão dos valores e da identidade da escola e da comunidade por ela atendida, conciliando a inovação cultural com as tradições de sucesso da instituição. É assim que se forma para a vida.
José Antônio de Faria

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

"Vamos passar a história a limpo"


A historiografia marxista desconstruiu a nossa história. Tendo como fundamentos teóricos o materialismo histórico, a luta de classes e a revolução permanente, os historiadores materialistas "vestiram" os fatos históricos nessa "camisa de força", reinterpretando e adaptando-os aos seus objetivos revolucionários, num propósito claro de mudar toda a história e apagar do nosso imaginário a tradição e a nossa identidade, para que a mentalidade seja mudada, tudo seja relativizado e os "novos valores" aceitos.
Assim, por exemplo, a expansão marítima europeia e a colonização são vistos unicamente como um projeto mercantilista, da ganância da riqueza, "esquecendo" que o motor dessa história foi o ideal cruzadista, o espírito missionário, o desejo da expansão do Cristianismo e da salvação das almas, expressos claramente em inúmeros documentos de época, como os Diários de Colombo, a Carta de Caminha, as cartas dos jesuítas, os documentos régios e tantas outras riquíssimas fontes primárias.
Todo o papel missionário e civilizacional dos jesuítas é silenciado ou "reinterpretado". Eles são vistos como aliados do projeto colonizador explorador e destruidor da cultura dos povos nativos. Nenhuma linha elogiosa ao trabalho heróico dos religiosos, que fundaram cidades, missões, colégios, protagonizaram a educação no Brasil, cuidaram da saúde dos mais frágeis, protegeram os índios da escravização, lutaram contra os poderosos, combatendo a escravidão, a exploração e os maus tratos. Não mostram que os jesuítas moldaram os costumes, influenciaram na racionalização da política e da administração, criaram hábitos caritativos, desenvolveram as ciências, as artes e toda a cultura do Brasil.
Em nome da história "coletiva", do processo coletivo da construção da história, desconstruíram ou simplesmente ignoraram as biografias e realizações de personagens e heróis que mudaram os rumos da história do nosso país. Assim fizeram com o padre José de Anchieta, José Bonifácio, dom Pedro II, princesa Isabel, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e tantos outros. Mas valorizam e idolatram os líderes rebeldes, de ações revolucionárias, como o comunista Luís Carlos Prestes, que liderou a Intentona Comunista e Carlos Marighela, líder guerrilheiro contra o governo militar, considerado na época como terrorista.
Na verdade os fatos históricos são objetivos, aconteceram realmente e a história não pode se transformar numa Torre de Babel, onde cada um faz sua interpretação a serviço da sua "bandeira" ideológica e dos seus ideais e muito menos num tribunal, que julga tudo e todos à luz dos seus princípios e causas. É importantíssimo o resgate do estudo das fontes primárias e a busca da objetividade da história.

sábado, 6 de outubro de 2018

Hipocrisias de muitos que ...


Demonizam a ditadura militar, com alguma razão, mas não citam uma palavra sequer contra as guerrilhas terroristas e as ditaduras cubana e da Venezuela, violadoras dos direitos humanos...
Acusam os conservadores de fascistas, mas flertam com as ditaduras de esquerda, com os seus discursos e práticas totalitárias, até assassinas...
Acusam os discursos em defesa da pátria, da legítima defesa, da família e da vida de discursos de ódio, mas têm como ídolos Marx, Lenin, Che Guevara, Trotsky e tantos outros teóricos da revolução armada, defensores da destruição das "instituições burguesas", como a igreja e a família ...
Apontam a agenda conservadora como portadora do caos, mas tentam esconder os projetos criminosos de poder, o "vale tudo", inclusive a corrupção, em benefício do "bem maior" da revolução...
Chamam seus discordantes de nazistas, mas veneram o socialismo, defensor da ditadura do proletariado, do deus Estado controlado pelo partidão, ente supremo ...
Discursam em favor da paz, os "portadores" da verdade e do bem, que até se dizem religiosos, mas que no fundo apregoam a luta de classes e o ódio às elites, às classes médias e chegam a defender a "lógica do assalto", o "direito" de rebelião...
Dizem defender os pobres, mas na verdade os instrumentalizam para a conquista e a manutenção do poder...
Defendem a democracia, as liberdades individuais, mas chamam de ignorantes, alienados, fascistas, racistas e de tantos outros adjetivos pejorativos os que ousam discordar das suas ideias ... é a defesa da liberdade e da tolerância, do direito de escolha, da paz e do amor ... para os que pensam como eles ...

BRASIL, PAÍS SOCIALISTA?


Quando alguém cita o Foro de São Paulo e diz que o Brasil é um país de viés socialista, controlado pela mentalidade de esquerda é logo rotulado de ignorante, alienado e até de fascista, acusado de acreditar e fazer eco da teoria da conspiração. Mas, vamos pensar:
Há uma hegemonia intelectual no Brasil. Intelectuais foram cooptados pelo pensamento socialista, que conquistou corações e mentes, como queria Gramsci. Eles dominam a produção e a divulgação do pensamento no país, através das universidades e do controle da mídia.
Nas universidades mais de 80% dos professores apresentam conteúdos e bibliografias únicas, de orientação de esquerda. Autores conservadores são praticamente desconhecidos no Brasil.
O mercado editorial é controlado por essa mesma tendência. O maior comprador dos seus livros é o governo. E uma comissão do MEC é que avalia estes livros, impondo regras de acordo com o seu viés ideológico para a compra dos mesmos.
A classe artística foi literalmente comprada pelo Estado através da Lei Rouanet, que repassou bilhões para a promoção da cultura, privilegiando artistas engajados.
Uma razoável parte do empresariado ficou atada, dependente do Estado, através de financiamentos do BNDES, de repasses do governo e de prestação de serviços contratados muitas vezes superfaturados em troca de propina.
Milhões de reais são repassados aos sindicatos, atrelados ao Estado, que não prestam contas a ninguém, nem fazem alternância de poder nos seus principais cargos.
ONGs alinhadas ao pensamento de esquerda recebem milhões, inclusive de grupos e fundações estrangeiras globalistas. Muitas dessas ONGs são pontas de lança de uma agenda progressista, como a liberação do aborto e a legalização das drogas.
E tal agenda progressista avançou consideravelmente no Brasil e nos países da América Latina, especialmente nos que criaram o Foro de São Paulo, com o objetivo de expandir o projeto socialista por meio de uma agenda comum revolucionária. A ideologia de gênero, por exemplo, recebe patrocínio através de bolsas de projetos de pesquisa, que visa inundar o mercado editorial, chegar aos livros didáticos e ser disseminada por toda a sociedade, destruindo as famílias e desconstruindo o próprio sujeito.
Por fim, o Estado torna-se gigante, quase um deus, regulador das atividades econômicas, parâmetro da moralidade, arauto do bem e do mal, supremo educador, sufocando as liberdades e os direitos dos indivíduos e das famílias.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A pedagogia católica



A contemporaneidade é uma mudança de época, uma ruptura com o passado, com os seus valores e as suas instituições, uma transformação radical das relações sociais, acelerada pelos avanços tecnológicos, pela era digital e pelas relações virtuais. E o seu caráter laicizante, antirreligioso, materialista e relativista renega todo o patrimônio civilizacional construído pela Igreja Católica, seus princípios e valores, desenvolvidos ao longo de vinte séculos de história pela educação católica (formal e não formal).  Nesse contexto, a pedagogia atual assumiu um caráter utilitarista, pragmático, materialista, revolucionário, transgressor da ordem social cristã e propulsor da revolução cultural.

Fiel a sua missão de ensinar dada por Jesus Cristo a Igreja Católica tornou-se a grande educadora da humanidade. Ao longo de dois mil anos a Igreja educou por meio da catequese, da pregação, da arte, fundou e espalhou escolas e universidades por todo o mundo.  Grandes educadores como Hugo de São Vitor, São Tomás de Aquino, Santo Inácio de Loyola, São João Batista de La Salle, São João Bosco e tantos outros fizeram verdadeiras revoluções educacionais, criando modelos inovadores, inclusivos e integradores das pessoas mais excluídas da sociedade, resgatando-as das suas periferias existenciais. A Igreja desenvolveu a noção de escola e todo o sistema educacional que temos hoje, sistematizando currículos, metodologias de ensino e aprendizagens, sistemas avaliativos, enfim, todo o arcabouço pedagógico que norteou a educação ocidental.  As consequências foram o progresso das ciências, o aperfeiçoamento das relações humanas e sociais e o desenvolvimento de uma civilização nos moldes do Evangelho, com os seus altos e baixos, sucessos e fracassos, acertos e erros, ocasionados pelas contingências tipicamente humanas.

Assim, podemos dizer que existe uma pedagogia católica, um corpo sistêmico educacional construído sob o influxo do catolicismo. Essa pedagogia parte da concepção de homem como um ser racional, composto de corpo e alma, criado por Deus a sua imagem e semelhança, de natureza decaída pelo pecado original, tendente ao mal, mas resgatado pela Redenção e pela Graça, livre nas suas escolhas, capaz de Deus, da prática do bem e destinado ao transcendente, ao céu.

Partindo do princípio da racionalidade e espiritualidade da natureza humana, da dignidade e equidade das pessoas, originadas da filiação divina e do seu destino comum, a educação católica sempre procurou promover a formação integral da pessoa humana, nos seus aspectos cognitivos, afetivos, físicos e espirituais. E a educação da inteligência para o conhecimento da verdade e do bem, assim como a educação da fé para o transcendente, para a vida do espírito, constituem os seus pilares, a verdadeira educação para a sabedoria. Conhecer e contemplar a verdade, combater os vícios e praticar as virtudes, cultivar os bens do espírito forma pessoas sábias e felizes.

A pedagogia atual tem chamado a atenção para a necessidade do desenvolvimento das competências socioemocionais, de formar nos educandos o autoconhecimento, o autocontrole, o conhecimento e a superação dos seus limites, o altruísmo, a solidariedade, a empatia, a convivência e a aceitação do outro para a construção de relacionamentos saudáveis.  Mas nada disso é novo.  Muitos destes são valores e princípios do Evangelho, ensinados sempre nas escolas católicas e que já fizeram parte da cultura de grandes períodos da história e de civilizações, como na Idade Média, nos reinos e nas sociedades cristãs, mas que foram esquecidos pela nossa sociedade por influência dos processos revolucionários dos últimos duzentos anos, pelas ideologias materialistas e ateias, que dessacralizaram e descristianizaram as relações sociais.

O que agora surge como propostas inovadoras por diversos pedagogos e pela BNCC, como a educação integral, o desenvolvimento das competências socioemocionais e o protagonismo do aluno como sujeito da educação sempre foi praticado pela pedagogia católica. O método das disputatios dos escolásticos já entendia o aluno como o sujeito do seu próprio saber, Hugo de São Vitor propunha a humildade e outras virtudes humanas como fundamentos da aprendizagem e da educação para a sabedoria. O método pedagógico dos jesuítas, da Ratio Studiorum, propunha a formação científica e racional da pessoa, a disciplina, além de promover na prática o teatro, a música e outros recursos metodológicos para a aprendizagem, hoje chamados pelos teóricos de pedagogia ativa. São João Bosco enfatizou a pedagogia do amor, centrada no acolhimento e na dedicação ao outro, no diálogo e na alegria, como pilares da educação.

Somente através da concepção correta da natureza humana, do conhecimento do eu, do entendimento das circunstâncias atuais de guerra cultural contra a civilização ocidental, construída com base no direito romano, na filosofia grega e na moral judaico cristã, somente a partir do ensino e da (re) assimilação dos valores perenes, da prática das virtudes e fuga dos vícios, será possível a realização de práticas pedagógicas efetivas para a construção de relações sociais mais saudáveis. Do contrário teremos apenas discursos vazios e estéreis.