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domingo, 14 de agosto de 2011

Europa, de cristã à muçulmana!

Dom Redovino Rizzardo, cs*

Foi no ano de 622 que Maomé teve que deixar às pressas a cidade de Meca e refugiar-se em Medina a fim de fugir da perseguição de quem não acreditava nas revelações que ele asseverava receber diretamente do anjo Gabriel desde o ano de 610, dando origem ao Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. O crescimento da nova religião superou qualquer expectativa. Em poucos anos, a Ásia Menor e o Norte da África estavam nas mãos de seus adeptos, que não hesitavam em recorrer à espada quando se tratava de propagar a nova fé.
A etapa seguinte deveria ser a conquista da Europa, o continente mais importante da época. O primeiro passo foi dado em 711, com a invasão da Espanha e, pouco depois, de Portugal. A Europa entrou em pânico ante os frequentes ataques perpetrados por sarracenos e turcos. Foram centenas as cidades italianas saqueadas por eles. As Cruzadas, surgidas em 1095, foram o estratagema a que a Idade Média recorreu para se defender do inimigo, atacando-o em sua própria casa. As guerras se prolongaram durante vários séculos. A tomada de Constantinopla pelos muçulmanos, em 1453, só não lhes abriu as portas da Europa porque os cristãos foram vitoriosos em Belgrado (Sérvia), em 1456, em Lepanto (Grécia), em 1571, e em Alba Real (Hungria), em 1601.
De uns anos para cá, porém, de acordo a "profecia" do ditador líbio Kadafi, «há sinais de que Alá garantirá a vitória ao Islã na Europa sem espadas, sem armas, sem conquistas. Não precisamos de terroristas ou de bombas homicidas. Os mais de 50 milhões de muçulmanos da Europa a transformarão num continente islâmico em poucas décadas».
É o que está se verificando de uma forma pacífica e tranquila através do controle da natalidade dos europeus e da explosão demográfica dos migrantes muçulmanos que se dirigem ao continente em busca de melhores condições de vida. Enquanto que nos países que formam a União Europeia a média da taxa de fertilidade é de 1.38, a dos muçulmanos é de 8.1.
Assim, em poucos anos, a Europa – como a conhecemos hoje – não passará de lembrança do passado. Foi o que percebeu e declarou o governo alemão: «A queda da população alemã já não pode ser detida. Sua espiral descendente é irreversível. Em 2050, a Alemanha será um estado muçulmano». No Reino Unido, o nome mais comum dado a meninos nascidos em 2009, foi Maomé. No momento, há mais de 50 milhões de muçulmanos na Europa, número que poderá dobrar nos próximos vinte anos. Tudo indica que, dentro de, no máximo, dez anos, o Islamismo ocupará o primeiro lugar em número de adeptos num continente que, por ter renegado o seu passado cristão, não sabe que rumo tomar.
A pergunta que políticos, sociólogos e religiosos se fazem é se isso resultará num avanço ou num recuo para a humanidade... Para o Islamismo, talvez signifique um bem pela conversão em massa de outros povos, tão almejada por seus fiéis.
A meu ver, porém, o bem que poderá advir será diferente, e atingirá tanto os muçulmanos quanto os europeus. Os primeiros porque, em contacto com outras culturas, passarão por uma crise benéfica, que os levará a transformar a radicalidade que os distingue – e que pode virar fanatismo, intolerância e terrorismo – em diálogo e respeito por quem pensa diferente. Os segundos, porque aprenderão dos muçulmanos a não fazer da ciência, da técnica e do bem-estar material um ídolo, mas a reassumir uma identidade construída durante séculos de história cristã.
De fato, diferentemente do que acontece em muitos países ditos cristãos, para a maior parte dos muçulmanos, fé e cultura, religião e política, se integram de tal forma, que renegar a fé é trair o povo e a nação. É por isso que alguns deles não vêem nenhum mal em transformar a sharia em lei nacional ou em declarar guerra santa a quem teima em permanecer no caminho do mal...
A expansão do islamismo na Europa e no mundo poderá dar vida a um novo Islã, tolerante, democrático e aberto ao diálogo – de acordo, aliás, com o espírito propugnado por algumas "suras" do Alcorão.
*Bispo de Dourados.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Islã na Europa: entre a convivência e a intolerância

ZP11060207 - 02-06-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-28121?l=portuguese
Encontro dos delegados para as relações com os muçulmanos

ROMA, quinta-feira, 2 de junho de 2011 (ZENIT.org) - “São 11 milhões os muçulmanos na Europa: a presença deles é um fato na vida dos países e das paróquias, assim como são um fato as muitas experiências de diálogo compartilhadas para encontrar uma linha comum de orientação”. Dom Duarte da Cunha, secretário do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, apresentou assim os motivos do II Encontro dos Delegados das Conferências Episcopais para as Relações com os Muçulmanos no velho continente, que aconteceu em Turim neste 31 de maio.
“O CCEE optou por dois temas, o das relações entre a Igreja, o Estado e o Islã na Europa e o da Islamofobia, ou seja, o perigo da difusão de uma sensação de medo e de intolerância com o Islã”.
O encontro “tem um caráter puramente pastoral. O diálogo teológico foi conduzido pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, com o objetivo de uma reflexão intraeclesial, diferenciando-se de muitos outros encontros organizados no passado junto a representantes de outras confissões cristãs e comunidades muçulmanas”.
“É necessário acolher este processo em desenvolvimento”, prosseguiu o secretário da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Episcopal do Piemonte-Valle d’Aosta, Dom Andrea Pacini, “que é o da inserção madura das comunidades muçulmanas no contexto europeu”.
A Europa representa “uma grande oportunidade para o Islã se enriquecer e voltar a expressar a sua identidade puramente religiosa, mais que política, jurídica e social”.
Isto “constitui um desafio para o Islã, mas interessa muito também aos vários componentes da sociedade civil europeia e às igrejas, porque, dentro dos estados europeus em que a liberdade religiosa é garantida, é importante tecer relações entre as comunidades religiosas para contribuir o mais possível a uma convivência pacífica e harmoniosa dentro de todas as sociedades”.
Também há “consequências muito práticas, como compartilhar as capelanias hospitalares, militares, penitenciárias e universitárias, que oferecem oportunidades de diálogo concreto e não só ocasional”.
“O Islã”, afirmou o arcebispo de Túnis, Dom Maroun Lahham, “não é um bloco monolítico. As diferenças são muitas conforme os contextos. É mais fácil que eu me entenda com o mufti de Hebron do que com o bispo de Estocolmo, já que os palestinos e os cristãos árabes têm 15 séculos de história com os muçulmanos do Oriente Médio, o que nos torna conscientes de pertencer à mesma cultura e mentalidade. Este é um fator forte de coexistência. Para um cristão árabe, por exemplo, a Europa se negar ao acolhimento é uma coisa contrária à sua cultura”.
A consequência negativa desta convivência secular é “o mal-entendido que equipara o cristão com o ocidente e com as suas escolhas políticas e econômicas”. Neste âmbito, “a família, a mesquita e a escola, as três principais instituições do mundo islâmico, não fazem muito para definir os cristãos. Nem sequer se fala de cristãos, mas de não- muçulmanos”.
A propósito de preconceitos, “o Oriente Médio não é um foco de terrorismo e os movimentos não foram criados contra os cristãos, mas por causa da situação política”. Foi acolhida muito positivamente, segundo Lahham, “a unidade do povo palestino, porque assim o interlocutor do processo de paz será um só”, mas “é necessário que por parte de Israel exista vontade política neste sentido” e que Israel “não tenha medo da paz”.
O bispo tunisiano também expressou sua confiança quanto aos movimentos revolucionários do norte de África, “protagonizados por jovens cultos, hábeis no uso da internet e que não suportavam mais os regimes que os dominavam”. “É preciso olhar sempre com otimismo para esses movimentos pró-democracia e confiar nestas situações que se aplicarão também aos cristãos, com certeza na Tunísia, mas também no Egito. Eu tenho certeza de que não devemos ter medo”.
Chiara Santomiero

sábado, 14 de maio de 2011

Reflexões sobre o desaparecimento de bin Laden

Daniel Pipes | 12 Maio 2011 Artigos - Terrorismo O desaparecimento de Osama bin Laden se encaixa em um padrão de menor ênfase islâmica no terrorismo e cada vez mais na atividade política. Bin Laden era somente uma parte da Al-Qaeda, que constitui somente uma parte da iniciativa terrorista islâmica, que por sua vez é só uma parte do movimento islâmico, de maneira que o anúncio de sua morte nesta madrugada em mãos do governo norte-americano supõe uma escassa diferença em nível operacional. A guerra contra o terrorismo não variou significativamente, e muito menos foi ganha. Porém, dado que bin Laden simbolizava o terrorismo islâmico, sua presença gozadora das gravações de vídeo e audio que apareceram durante quase 10 anos após o 11 de setembro, mobilizavam seus aliados e frustravam seus inimigos. Em troca, sua execução por parte das forças norte-americanas em Abbottabad, Paquistão, orgulha os americanos com seu país, alenta as instituições da segurança e da Inteligência e supõe um golpe importante aos islâmicos. O que se deve vigiar de agora em diante: 1. Por parte dos norte-americanos: durarão mais de uns quantos dias o repentino orgulho e a unanimidade, ou voltarão a surgir os reparos esquerdistas de costume? 2. Com relação aos islâmicos: que magnitude vai ter a reação causada porque a administração de Zardari consentiu que as forças norte-americanas tivessem matado bin Laden em território paquistanês? E quantos interesses norte-americanos ou americanos dentro e fora do país vão ser objeto de atentados terroristas em represália à execução do líder simbólico da jihad? Ao menos durante as primeiras horas, os muçulmanos deram o silêncio como resposta. Na Arábia Saudita, por exemplo, uma informação concluía que as emoções oscilam entre "a alegria, o lamento, a negação e uma torrente de teorias conspiratórias". Examinado a panorâmica geral, o desaparecimento de Osama bin Laden se encaixa em um padrão de menor ênfase islâmica no terrorismo e cada vez mais na atividade política. O que a Al-Qaeda pode apresentar que valha a morte e a destruição que provocou? Mais concretamente: aonde conduziu seus esforços à implantação da Shari'a (a lei islâmica)? A esses efeitos, o que Komeini conseguiu com a República Islâmica do Irã, que ameaça ser derrubada dentro de não muito tempo? Os islâmicos que trabalham dentro do sistema, que constroem instituições educacionais, midiáticas, jurídicas e políticas aspirando a implantar a Shari'a são muito mais formidáveis. O executivo islâmico eleito da Turquia tem esperanças muito mais promissoras de que o executivo revolucionário do Irã. Os islâmicos estão começando a se dar conta de que trabalhar desde dentro do sistema tem mais possibilidades de triunfo do que tratar de destrui-lo.

domingo, 24 de abril de 2011

O Islã na Zâmbia: pequeno e significativo

ZP11042402 - 24-04-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-27811?l=portuguese
Entrevista com o escritor Pe. Félix Phili

ROMA, domingo, 24 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A comunidade islâmica na Zâmbia é pequena, mas despertou atenção nas últimas três décadas, segundo o professor Pe. Félix Phili, Missionário da África, autor do livro Muslim Associations and Resurgence of Islam in Zambia.
No programa de televisão "Deus chora na Terra", da Catholic Radio and Television Network (CRTN), em colaboração com Ajuda à Igreja Necessitada, o Pe. Phili fala do livro e do Islã na Zâmbia.
- Pe. Félix, o que o levou a escrever este livro?
Pe. Phili: Esse livro é um desenvolvimento da pesquisa que eu fiz para a minha tese doutoral na Escola de Estudos Africano-Orientais. Eu trabalhei muito com a comunidade muçulmana da Zâmbia para reunir a informação, e prometi que devolveria essa ajuda para eles. Então escrevi o livro e eles puderam ver o resultado desse trabalho.
- Qual foi a inspiração para o livro?
Pe. Phili: A força que existe na comunidade muçulmana do nosso país. Pouco antes de eu começar a pesquisa, existia muita preocupação e medo da comunidade muçulmana, que não se baseava de verdade em informação objetiva. As pessoas especulavam sobre o que tinham visto e eu vi nisso um tema interessante para pesquisar, e também uma forma de apresentar um conhecimento claro sobre o que realmente ocorria no país.
- Houve alguma pessoa ou acontecimento determinante?
Pe. Phili: Não. Como parte da preparação, eu estudei com a intenção de trabalhar com os muçulmanos do norte da África. Já tinha feito quatro anos de trabalho missionário na Tunísia. Quando tive a oportunidade do doutorado, comecei a pensar no tema que poderia trabalhar. Um amigo falou: "Por que não o Islã na Zâmbia?". Para ser franco, eu me surpreendi. Quase nem existem muçulmanos na Zâmbia, só uns poucos aqui e ali, mas eles me disseram: "Sendo tão poucos, não sabemos muito sobre eles, então seria bom que você pesquisasse".
- Seu livro se chama The Resurgence of Islam, mas o Islã é só 0,5% da população. Que ressurgimento é esse? É um crescimento do Islã?
Pe. Phili: O termo foi escolhido de propósito e tem a ver com a história dessa comunidade de fé. Na verdade, os muçulmanos chegaram ao país antes que os cristãos, mas a presença deles só foi sentida de verdade nas últimas três décadas. É um tipo de ressurgimento de uma comunidade que já existe, que se torna presente de modo mais eficaz; há um novo dinamismo dentro dessa comunidade. É isso o que eu quero dizer com ressurgimento.
- Você disse que o Islã chegou à Zâmbia antes do cristianismo. De onde ele veio?
Pe. Phili: Os primeiros muçulmanos eram comerciantes árabes. Depois de muito tempo na costa leste da África, eles começaram a se aventurar mais no interior do continente. Vieram a maioria como comerciantes. No começo eles não estendiam o Islã em si, porque só faziam assentamentos temporários. Mas depois, lentamente, alguns assentamentos foram ficando permanentes, e eles construíram uma relação com os indígenas; havia algumas poucas tribos que colaboravam estreitamente com eles; algumas dessas tribos se converteram ao Islã. Foi o caso de boa parte do povo Yao, do Malaui, que também é um fator de presença do Islã na Zâmbia. E são essas duas as primeiras comunidades que fizeram o Islã vir para a Zâmbia.
- O dinheiro para a construção de mesquitas, clínicas e escolas, por exemplo, está vindo de pessoas da Zâmbia ou de outros países árabes, ou de muçulmanos do exterior?
Pe. Phili: Não temos evidências claras de que algum país muçulmano ou árabe em particular esteja patrocinando o Islã na Zâmbia, a não ser, de modo indireto, a Agência Muçulmana Africana. É uma ONG, que, de alguma forma, ajuda por exemplo na construção de mesquitas, mas é mais no sentido de coordenar a construção de edifícios religiosos do que de promover diretamente a expansão do Islã. Dentro da comunidade asiática da Zâmbia, que tem muito envolvimento com comércio, houve financiamento local de algumas estruturas simples, principalmente nas áreas rurais. Também existem alguns muçulmanos fora do país que dão assistência aqui dentro da África. Essas famílias vêm para cá e promovem a construção de orfanatos e a escavação de poços. Então há recursos que vêm de fora do país, sim, mas não é de um modo coordenado, é espontâneo.
- O trabalho assistencial é uma parte importante do Islã ou é um fenômeno baseado nas organizações assistenciais cristãs? Parece um fenômeno relativamente novo.
Pe. Phili: As duas coisas. Por um lado existe o modelo cristão. A comunidade muçulmana se baseia de alguma forma nesse modelo, mas a motivação mais profunda deles vem de algo que existe dentro do próprio islã, através do que nós chamamos de sacat: todo muçulmano com certa renda deve pagar, em tese, uma certa quantidade...
- Como o conceito cristão tradicional da esmola?
Pe. Phili: Parecido... Então isso levanta alguns recursos. Esses recursos são para ajudar os membros mais pobres da comunidade e, tradicionalmente, atendem as necessidades imediatas das pessoas, mas, com o desenvolvimento geral da sociedade na Zâmbia, isso também foi se transformando, proporcionando educação, saúde e desenvolvimento. Em certo sentido, eles não apenas copiaram o nosso modelo, porque dentro do sistema religioso deles existe essa possibilidade de reunir recursos, parecida com o que os cristãos fizeram antes deles.
- Como os cristãos reagem a isso? Estão preocupados?
Pe. Phili: A reação cristã foi meio que esquecer a história recente, a vinda dos missionários cristãos ao país. Os missionários cristãos fizeram o que agora os muçulmanos estão fazendo. Os tempos mudaram. Houve muitas alegações contra a comunidade muçulmana, dizendo que agora eles estão comprando conversões com incentivos materiais.
- Este é um argumento válido?
Padre Phili: Em certo sentido é um argumento válido, mas como eu disse, os tempos mudaram, e a comunidade muçulmana oferece os mesmos serviços que os missionários cristãos ofereceram antes. A principal crítica a este tipo de postura é que é uma maneira de se aproveitar dos pobres na sociedade, porque as pessoas têm necessidades materiais. De algum modo, indiretamente, a forma de oferecer-lhes os serviços faz com que as pessoas sintam que há certas expectativas. Esta tem sido uma das críticas contra a comunidade muçulmana – dizer que se aproveita dos pobres da sociedade e, ao oferecer-lhes estes serviços, alcançar novos convertidos.
- Isso implica a questão de que até que ponto é válida esta opção de vida. Se se está em um momento de necessidade, até que ponto entra de verdade a fé de uma pessoa?
Padre Phili: Em certo sentido isso depende de cada indivíduo, porque, no geral, no islã não há catecismo. Se se tem a oportunidade, pode-se preparar e ensinar alguém o que é o islã, antes de se converter, mas na maioria dos casos a conversão é mais ou menos instantânea. Aprende-se como ser muçulmano só depois de se ter convertido. Também se dão conta de que a ajuda que oferecida é mínima; em ocasiões se resume a um cobertor, por exemplo – ainda que isso signifique muito para alguém da zona rural, especialmente durante a estação fria –, mas logo se espera que, ao participarem de modo contínuo dos encontros e se apresentarem como muçulmanos, possam receber mais ajuda.
- Qual é a resposta dos cristãos de Zâmbia? Há preocupação de choques entre cristãos e muçulmanos?
Padre Phili: Há uma inquietante associação com formas extremistas que estão se dando em outros lugares. Nesse sentido, a comunidade cristã, a Igreja católica em particular, tem expressado sua cautela ao dizer que o islã torna-se visível e está crescendo.
- Como a Igreja católica tenta trabalhar com os muçulmanos?
Padre Phili: Tem havido alguns esforços aqui e ali para chegar à comunidade muçulmana. As comunidades muçulmanas locais em si, ao menos algumas delas, estão muito abertas aos cristãos e à Igreja católica em particular, mas até o momento não há verdadeiras estruturas permanentes ou meios que coordenem uma colaboração estreita entre as duas comunidades.
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Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Deus chora na terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por ‘Catholic Radio and Television Network’, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vaticano(Cristianismo) x Islamismo: Fatos


Milhares de muçulmanos protestam contra Papa dizendo: "Conquistar Roma é a solução".
22.09.2006
Milhares de muçulmanos foram às ruas de Jerusalém, da Cisjordânia e de Gaza nesta sexta-feira para protestar contra o papa Bento 16. O pontífice causou indignação no mundo muçulmano na semana passada, após citar trechos de um texto medieval que critica o profeta Maomé e diz que o islamismo foi disseminado pelo mundo por meio "da violência".

Posteriormente, o papa disse que não pretendia criticar o islã, mas a comunidade muçulmana em todo o mundo exige um pedido formal de desculpas de Bento 16. No início desta semana, extremistas atacaram sete igrejas na Cisjordânia e em Gaza, sem causar danos nem feridos.

Nesta sexta-feira, Bento 16 anunciou que receberá na próxima segunda-feira (25) embaixadores dos países muçulmanos reconhecidos na Santa Sé, assim como os líderes da comunidade muçulmana de Roma, anunciou nesta sexta-feira a imprensa italiana.

Na terceira principal mesquita islâmica, a Al Aqsa, em Jerusalém, centenas de muçulmanos balançavam bandeiras pretas e cartazes com frases como: "Conquistar Roma é a solução".

Manifestantes gritavam: "O Exército do islã retornará. O protesto se dispersou pacificamente".

Na cidade de Nablus, na Cisjordânia, membros do Hamas tomaram as ruas, gritando slogans contra o papa e trazendo bandeiras verdes do Hamas. Levantando as mãos para os céus, mais de 2.000 manifestantes gritavam: "Nós agüentamos a fome, a prisão e a ocupação, mas não toleramos ofensas ao profeta. Nós sacrificaremos nossas vidas pelo profeta".

Marchando pelas ruas de Nablus, alguns chamaram o papa de "covarde" e "agente dos EUA".

No norte de Gaza, mais de 1.000 membros do grupo extremista Jihad Islâmico gritavam e carregavam bandeiras pretas. Khader Habib, um líder do grupo disse à multidão que os comentários do papa "indicam que ele não compreende o islã nem o profeta".

Em Ramallah, centenas de partidários do Hamas marcharam pelas ruas do centro da cidade.

Fonte: UOL notícias
Notícia 2:
Al Qaeda jura derrotar a cristandade
19.09.2006
A ira voltou a inflamar o mundo islâmico, quando mal se havia apagado a cólera que o percorreu em fevereiro passado, da Nigéria às Filipinas, passando por todo o mundo árabe, o Irã e o sul do continente asiático - onde se concentra quase a metade dos fiéis da religião de Maomé -, devido às caricaturas do profeta. A Al Qaeda, através de vários grupos terroristas associados à rede, prometeu levar a "guerra santa até a derrota" da cristandade.

" Quebraremos a cruz e derramaremos o vinho ... Deus ajudará os muçulmanos a conquistar Roma ... nos fará capazes de cortar o pescoço ... dos infiéis e dos déspotas", diz um texto publicado na Internet pelo Conselho Consultor Mujahedin, grupo que serve de guarda-chuva para a Al Qaeda no Iraque. O grupo adverte: "Aos devotos da cruz, (o papa) e o Ocidente, dizemos que os derrotaremos da mesma forma que estão vendo todos os dias no Iraque, Afeganistão e Chechênia".

No Irã, o líder supremo da revolução islâmica, aiatolá Ali Khamenei, também reagiu com dureza às palavras do papa. Sem mencionar pelo nome o presidente dos EUA, George Bush, Khamenei referiu-se à "cruzada contra o Islã empreendida por certos políticos" e considerou que o discurso de Bento 16 é "o último elo" dessa "cadeia de complôs" contra a fé de Maomé. Segundo Khamenei, os muçulmanos devem enfrentar uma grande conspiração, que, começando pela invasão do Iraque e continuando pelas "caricaturas insultuosas" ao profeta, pretende criar "crises inter-religiosas no mundo e fomentar o confronto entre as religiões", informa a agência France Presse.

O dirigente xiita indicou que os protestos devem ser dirigidos contra o Grande Satã, nome usado para designar os EUA no Irã. "Todo mundo deve considerar que o Grande Satã é o responsável", por ser quem se beneficia das "injustas palavras do papa", indicou o chefe espiritual da revolução islâmica e substituto de seu fundador, Khomeini.

O porta-voz do governo iraniano indicou que as desculpas apresentadas pelo papa são "um bom gesto", mas explicou que "não é suficiente". O porta-voz salientou que "é necessário que o papa expresse de maneira mais clara e franca que suas palavras foram pronunciadas por engano e que as corrija o mais cedo possível", informa a agência Reuters.

Enquanto isso, sucedem-se as manifestações de protesto. Na segunda-feira em Basora, a segunda cidade do Iraque, mais de 500 pessoas queimaram uma efígie do pontífice e o grupo radical sunita Ansar al Suna ameaçou os ocidentais, especialmente italianos e alemães: "Reservamos para vocês a espada, em resposta à sua arrogância".

No Marrocos, o rei Mohamed 6º também se levantou como um dos principais defensores do Islã. Além de ser o chefe de Estado ele também é Comendador dos Crentes em seu país. Depois de protestar e chamar seu embaixador no Vaticano, continuou ontem pelo terceiro dia sua atividade diplomática.

"Dirijo-me ao senhor", afirmou em uma carta enviada ao papa, "na sua qualidade de chefe da Igreja Católica, para lhe pedir que tenha com o islã o mesmo respeito que com os demais cultos". A carta foi publicada ontem pela agência oficial de imprensa marroquina, MAP. O Islã, insiste, "exorta à paz e à moderação e rejeita, pelo contrário, a violência".

No Egito, o Parlamento solicitou que sejam congeladas as relações diplomáticas com o Vaticano e exigiu que o papa apresente "desculpas diretas e claras".

Por sua vez, o chefe da União Mundial de Ulemás (sábios) Islâmicos, o egípcio residente no Catar Yusef al Qaradaui, instou todos os muçulmanos do mundo a expressar sua ira na próxima sexta-feira. Mas Al Qaradaui ressaltou que devem ser manifestações não-violentas, nas quais não se ataquem os cristãos ou as igrejas, e pediu que não se repitam os tristes acontecimentos de fevereiro passado, quando mais de dez pessoas morreram em diversos países em protestos contra as caricaturas de Maomé, informa a agência Efe.

O governo islâmico da Somália afirmou na segunda-feira que deterá e levará à justiça os que mataram no domingo a freira italiana Leonella Sgobarti. Na Jordânia, vários deputados cristãos e muçulmanos protagonizaram uma reunião de uma hora e 14 sindicatos assinaram um comunicado no qual se considera que as palavras de Bento 16 "alimentam a feroz campanha de ódio lançada pelo sionismo internacional". O texto salienta que são "insultantes" para os árabes em geral, tanto cristãos como muçulmanos. As reações violentas também se sucederam. Na Indonésia, a Frente de Defensores do Islã, grupo radical do país com maior população muçulmana do mundo - 85% dos 230 milhões de habitantes -, pediu a "crucificação do papa". que qualificou de "pequeno e vil".

Centenas de simpatizantes desse grupo protestaram diante da embaixada do Vaticano em Jacarta, com cartazes que identificavam o Vaticano com o "eixo do mal", terminologia usada por Bush para referir-se ao Iraque, Irã e Coréia do Norte.

Na Turquia, um homem de 29 anos disparou contra uma igreja protestante de Ancara, sem causar vítimas. O papa deverá viajar para esse país em novembro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Fonte: UOL notícias
Notícia 3:
Grupo armado iraquiano ameaça atacar o Vaticano
Grupo armado iraquiano ameaça atacar o Vaticano e Roma
da France Presse, em Dubai

Um grupo armado iraquiano, Jaiech al Mujahedin, ameaçou em um comunicado divulgado neste sábado cometer atentados contra Roma e o Vaticano, em resposta às palavras do papa Bento 16 sobre o islã e o jihad ["esforço" que o muçulmano deve desempenhar para difundir e proteger o islamismo].

"Juramos destruir sua Cruz no coração de Roma (...) e que o Vaticano será atacado e vai chorar por seu papa", afirma o texto divulgado na internet, que critica duramente os "cristãos 'sionizados' e os cruzados cheios de ódio".

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lidando com os inimigos criados em nossa casa

A Europa está reconhecendo, mesmo que tardiamente, esses comissários politicamente corretos devem ser colocados de lado se o mundo livre quiser se opor à crescente ameaça dessa jihad criada em casa.
Há algum tempo ficamos sabendo que Nazaré é um centro da al-Qaida. O sheik Nazem Abu Salim Sahfe, que é o imã árabe-israelense da mesquita Shihab al-Din na cidade, foi acusado de promover e recrutar pessoas para a jihad (guerra santa) global e de convocar seus seguidores a causarem danos aos não-muçulmanos.
Dentre outras tramas originadas nos sermões de Sahfe, estava o assassinato do motorista de táxi Yefim Weinstein em novembro de 2009. Os seguidores de Sahfe também tramaram assassinar o papa Bento XVI durante sua viagem a Israel em 2009. Eles incendiaram vários ônibus com turistas cristãos. Raptaram e esfaquearam um entregador de pizza. Dois de seus discípulos foram presos no Quênia em viagem para se juntarem às forças da al-Qaida na Somália.
Com seu indiciamento, Sahfe se junta a uma lista crescente de jihadistas nascidos e criados em Israel e em sociedades livres em todo o mundo, que rejeitaram suas sociedades e abraçaram a causa da dominação global islâmica. Atualmente, o membro mais proeminente desse grupo é Anwar al-Awlaki, líder da al-Qaida nascido nos Estados Unidos.
Autoridades americanas descrevem Awlaki como o homem mais perigoso do mundo. O registro de sua trilha jihadista é estarrecedor. Parece que não houve nenhum ataque grave nos EUA ou na Grã-Bretanha dos quais Awlaki não tivesse participado -- inclusive os ataques de 11 de setembro em Nova Iorque e os ataques de 7 de julho em Londres.
Sahfe e Awlaki, como quase todos os jihadistas proeminentes do Ocidente, são homens privilegiados. Suas histórias pessoais são uma refutação ao popular mito ocidental de que um jihadista nasce da frustração, da pobreza e da ignorância. Esses dois homens, como quase todos os jihadistas ocidentais proeminentes, têm formação universitária.
Portanto, as histórias deles também desmentem a fantasia ocidental de que a aderência à causa da jihad é gerada pela pobreza. Esses homens e seus colegas são filhos de famílias ricas ou de confortáveis famílias de classe média. Eles jamais conheceram a privação.
Armados com seus confortos materiais, seus graus universitários, e seu conhecimento nativo dos caminhos da democracia e dos hábitos da liberdade, esses homens escolheram tornar-se jihadistas. Eles escolhem a submissão ao islã, em vez dos direitos democráticos, porque é o que preferem. São idealistas.
Isso significa que todas as considerações ocidentais padronizadas sobre a necessidade de expandir os benefícios para o bem-estar dos muçulmanos, ou a abstenção de reforçar as leis contra as comunidades deles, ou, ainda, de dar às mesquitas imunidade contra vigilância e fechamento, ou buscar cooptar líderes jihadistas, tratando-os como vozes muçulmanas com credibilidade, são atitudes erradas e contraproducentes. Esses programas não neutralizam as intenções ou ações de supremacia deles. Eles incentivam os supremacistas islâmicos ocidentais, sinalizando-lhes que estão vencendo a batalha. Suas sociedades ocidentais não são páreo para eles.
Temos visto uma série de declarações de líderes políticos da Europa, indicando que estão dispostos a considerar o abandono desses clichês politicamente corretos. Por exemplo, a afirmação da chanceler alemã Angela Merkel, de que "definitivamente, o multiculturalismo não deu certo", é amplamente entendida como um evento divisor de águas.
Em uma coluna do Wall Street Journal, o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair reconheceu que existe um problema com muçulmanos que não se assimilaram na Grã-Bretanha. Como ele mesmo colocou, o sentimento de anti-imigração não é geral, mas particular. Ele se relaciona, admite Blair, ao "fracasso de uma parte da comunidade muçulmana em resolver e criar uma identidade que seja tanto britânica quanto muçulmana".
Blair admitiu que, devido à recusa do establishment* europeu em reconhecer o problema do crescimento do "supremacismo" islâmico na Europa, milhões de europeus estão, atualmente, rejeitando o establishment com suas ortodoxias politicamente corretas e votando em favor de políticos anti-sistema, que estejam dispostos a tratar do problema. Ele pediu uma abordagem continental à imigração, cujo objetivo seria impedir jihadistas de explorarem o sistema para destruí-lo.
Declarações como as de Merkel e de Blair são insuficientes. Mas o simples fato de que um número expressivo de europeus está disposto a quebrar a barreira politicamente correta para forçar esses líderes a admitirem e talvez a tratarem dos desafios das minorias muçulmanas supremacistas não-assimiladas significa que a Europa está dando os primeiros passos em direção ao tratamento de desafios que o islã jihadista impõe à segurança, cultura e civilização daquele continente.
Talvez o mais emblemático dessa mudança tenha sido o recente movimento do governo de Merkel para finalmente fechar a mesquita em Hamburgo, onde os conspiradores do 11 de setembro se encontravam e planejaram seus atos de guerra contra os EUA.
É preocupante, mas os sistemas dos dois países que mais foram alvejados pela jihad global, os EUA e Israel -- permanecem em profunda contradição a respeito dos desafios de jihadistas criados dentro de casa, embora a maioria dos recentes ataques e tentativas de ataques jihadistas contra os EUA tenha sido realizada por cidadãos americanos.
A contradição dos EUA com respeito à natureza da ameaça jihadista foi demonstrada em toda sua glória politicamente correta no discurso do presidente Barack Obama a estudantes indianos na Universidade St. Xavier em Mumbai. Em resposta ao questionamento de um dos alunos sobre a maneira que o presidente via a jihad e os jihadistas, Obama elogiou o islamismo como "uma das grandes religiões do mundo". Ele prosseguiu, afirmando que a maioria avassaladora dos muçulmanos vê o islamismo como uma religião de "paz, justiça, imparcialidade e tolerância".
A mensagem de Obama não foi apenas enganosa e inadequada, mas foi também profundamente ofensiva aos que o ouviam. Há dois anos, naquele mesmo mês, Mumbai tinha sido o local de um ataque maciço de um comando jihadista contra alvos em toda a cidade, e os residentes de Mumbai ainda estão tratando das feridas daquele ataque.
A declaração de Obama também ignorou a contribuição dos EUA àquele ataque. O suspeito de planejar os massacres em Mumbai foi um cidadão americano chamado David Coleman Headley, de Chicago, a cidade natal de Obama. Além disso, Headley (ex-Daud Sayed Gilani) serviu durante muitos anos como agente duplo. Um traficante de drogas condenado, ele foi enviado ao Paquistão como agente da Drug Enforcement Agency (DEA). Enquanto estava lá, treinou em campos de formação de jihadistas do grupo Lashkar-e-Taibe.
Obama deixou de observar que talvez, devido ao trabalho de Headley na DEA, os agentes americanos ignoraram os testemunhos de duas das ex-esposas dele em 2005 e 2007, de que ele era membro do Lashkar-e-Taibe, afiliado à al-Qaida paquistanesa com enfoque na Índia, dirigido pela Agência de Inteligência Inter-Serviços do Paquistão.
Em vez de tratar dessas questões, ou do fato de que os EUA recusaram pedidos de extradição de Headley para a Índia, Obama falou vagamente aos alunos que é função de gente jovem de todas as religiões rejeitar os extremistas e a violência.
Headley, logicamente, é apenas um dentre os muitos americanos jihadistas que têm imposto os frutos da contradição politicamente correta da América a respeito da ameaça islâmica criada dentro de casa. Nos meses que seguiram os ataques de 11 de setembro, o Departamento do Exército dos EUA cortejou ativamente Awlaki como parte de seu programa de alcançar os muçulmanos. Awlaki, naquela época capelão muçulmano da Universidade George Washington, foi cortejado a despeito de suas ligações documentadas com três dos seqüestradores de 11 de setembro.
À medida que os israelenses acordarem para a realidade da al-Qaida em Nazaré, nossoestablishment esquerdista permanece em contradição sobre seu papel em permitir essa realidade. Shihab AL-Din, a mesquita de Sahfe, foi estabelecida como uma mesquita triunfante adjacente à Igreja da Anunciação nos momentos que antecederam a mudança do milênio. Naquela época, o Vaticano lançou um protesto sem papas na língua contra sua construção.
Na esperança de triunfar sobre Sahfe e seus semelhantes, o então primeiro-ministro Ehud Barak, e o então ministro das Relações Exteriores e da Segurança Pública, Shlomo Ben-Ami, rejeitaram as objeções do Vaticano. Eles até mesmo doaram o terreno para a mesquita através do Departamento de Terras de Israel.
Sahfe retornou o favor, interrompendo a homília do papa João Paulo II na Igreja da Anunciação durante sua visita em março de 2000, com um chamado à oração na mesquita. Meses mais tarde, a mesquita Shihab AL-Din era um dos pontos principais para a incitação de tumultos anti-judaicos no setor árabe, já em outubro de 2000.
Hoje, juízes esquerdistas juntamente com políticos esquerdistas e formadores de opinião impedem todos os esforços feitos por políticos e pelo público para admitir e tratar da crescente falta de cumprimento das leis e das tendências jihadistas da minoria muçulmana de Israel. Medo da Suprema Corte politicamente correta tem intimidado as autoridades, impedindo-as de decretar a ilegalidade do Movimento Islâmico. Esforços para combater a tomada ilegal de terras e construções têm sido impedidos pela mídia esquerdista, grupos de pressão patrocinados principalmente pelo New Israel Fund [Fundo do Novo Israel] e pelos tribunais. Até mesmo medidas simbólicas, como a recente decisão do governo para se requerer dos imigrantes não-judeus que jurem lealdade ao Estado têm sido perversamente atacadas pelo establishment esquerdista de Israel como sendo fascista e racista.
Mas, como a Europa está reconhecendo, mesmo que tardiamente, esses comissários politicamente corretos devem ser colocados de lado se o mundo livre quiser se opor à crescente ameaça dessa jihad criada em casa.
O que isso significa para Israel é que tem que ser encontrado o espaço político e legal para rapidamente dar início à aplicação da lei, equivalente a uma operação de contrainsurgência. Israel deve fazer cumprir suas leis com tanto zelo e dedicação no setor muçulmano quanto o faz no setor judeu. Isso quer dizer que a Shihab al-Din e outras mesquitas jihadistas devem ser fechadas.
Isso quer dizer que os grupos jihadistas como o Movimento Islâmico devem ser decretados ilegais e seus líderes têm que ser processados por traição e por outros crimes relevantes. O mesmo é verdade para todos os líderes árabes, agrupamentos políticos e organizações sociais que promovem a destruição de Israel.
Leis sobre edificações e de zoneamento devem ser cumpridas. Terras do Estado que foram tomadas devem ser devolvidas, se necessário à força, inclusive com o envolvimento das Forças de Defesa de Israel.
Portanto, também os direitos judeus devem ser protegidos. Como os muçulmanos, os judeus têm o direito de comprar terras e casas em todo o país. Os judeus que quiserem viver em comunidades islâmicas majoritárias devem ter a proteção da lei, assim como os muçulmanos que moram em Tel Aviv e no Alto Nazaré a têm.
Justamente por isso, o governo deve iniciar uma campanha para ganhar de volta a lealdade de seus cidadãos muçulmanos. Ele deve colocar no poder líderes que abracem sua identidade como israelenses e que busquem a integração de muçulmanos israelenses em uma sociedade mais ampla. As autoridades devem se certificar de que os muçulmanos israelenses que queiram se integrar não sejam discriminados pelos judeus nem intimidados por outros muçulmanos.
Os comandantes das IDF têm falado longamente sobre a natureza da guerra que está por vir. As observações deles se concentraram naquilo que já é amplamente admitido -- que a população civil de Israel será alvejada por mísseis de longo alcance.
É desapontador, mas eles ignoraram a nova ameaça mais significativa que o front interno está enfrentando atualmente: a probabilidade de que os inimigos externos de Israel recebam assistência efetiva de seus cidadãos muçulmanos.
Quase uma década depois dos ataques de 11 de setembro, a jihad global permanece a ameaça central para o Ocidente, e não é por causa de sua popularidade no Paquistão ocidental. Ela permanece a ameaça central para o mundo livre por causa de sua popularidade entre os muçulmanos do mundo livre.
Para permanecerem livres, as sociedades livres devem abandonar nossos impedimentos politicamente corretos e tratar dessa ameaça crescente a tudo que valorizamos.



* Grupo dominante ou elite.
Caroline Glick nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de política externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomática e editora de suplementos sobre questões estratégicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é www.carolineglick.com

Publicado na revista Notícias de Israel 2/2011 - http://www.Beth-Shalom.com.br
http://www.carolineglick.com/e/2010/11/addressing-our-homegrown-enemi.php

O Islamismo ameça o Ocidente




Em uma entrevista publicada nesta sexta-feira (27.07.07) pela revista alemã Süddeutsche Zeitung, o secretário pessoal do Papa Bento XVI, padre Georg Gaenswein,  lançou uma advertência sobre a expansão do Islã no Ocidente. Ele disse que:  
“Não podemos negar as tentativas do Islã de se estender pelo Ocidente e não deveríamos ser muito compreensivos a ponto de não ver que isso ameaça a identidade da Europa”. (Berlim , 27 Jul 2007 (AFP) 
Georg Gaenswein trabalha e vive ao lado de Bento XVI. Ele e outros cinco colaboradores – entre os quais quatro religiosos italianos – dividem um apartamento do Vaticano. 
O secretário particular do Papa disse que: “A Igreja católica vê isso claramente e não tem medo de dizê-lo em público”. “O conceito (Islã) agrupa escolas muito diferentes… algumas delas usam o Corão para justificar o uso das armas”. Mas, para Gaenswein, o Vaticano está tentando promover o diálogo inter-religioso em nível internacional. 
O secretário do Papa classificou de “profético” o controvertido discurso que o Papa pronunciou na Universidade de Regensburg durante sua visita à Alemanha, em setembro passado, no qual aparentemente relacionou o Islã com a violência.  “O discurso pretendia precisamente contra-atacar a ingenuidade existente; está claro que não há só um Islã e ao Papa não consta que nenhuma autoridade fale a todos os muçulmanos”. 
Em seu discurso de setembro do ano passado, Bento XVI citou um imperador medieval cristão que classificava alguns dos ensinos do profeta Maomé de “malvados e desumanos”. Bento XVI atribuiu então a ira muçulmana a um “erro infeliz”, mas não se desculpou pelos comentários. 
A Igreja busca o diálogo ecumênico também com o islamismo, mas não pode ignorar os erros de muitos dos seus adeptos, que inclusive estimulam o terrorismo em nome de Alá, e montam esquadrões suicidas que tiram a vida de muitas pessoas inocentes. Sabemos que o islamismo, estimula a guerra santa, a Jihad, o que tem amedrontado o mundo. Por outro lado os muçulmano vem para os paises ocidentais, vivem livremente sua religião, controem suas mesquitas e vivem sua fé sem serem perturbados; o mesmo não acontece com os cristãos em terras dos muçulmanos; muitas vezes não podem construir igrejas e muitos são proibidos de viver a fé católica e de pregar o Evangelho, sob pena de morte. Isto acontece em paises com o Arábia Saudita, Indonésia, Irã, etc. A Igreja ama a caridade mas sabe que a verdade não pode ser sacrificada em nome da caridade. Onde estaria para o ocidente esta ameaça do islamismo, declarada pelo secretário do Papa? Em primeiro lugar pelo terrorismo que mata milhares de inocentes e que amedronta hoje o mundo ocidental. Segundo porque os muçulmanos estão invadindo a Europa ocidental e se reproduzindo muito mais que os europeus; sabemos que segundo suas leis, um muçulmano pode se casar até com cinco mulheres e ter com elas  muitos filhos. Não se pode esquecer que foi num processo semelhante a este que o Império Romano do Ocidente foi dominado pelos bárbaros no ano 476, depois de uma longa penetração dos germânicos até nos comandos do exército romano. Isto pode se repetir na Europa hoje “mutatis mutandis”. Não é sem razão que o Secretário do Papa se pronunciaria sobre um tema tão delicado… 
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

sábado, 30 de outubro de 2010

O Islamismo e a Igreja

D. ESTEVÃO BETTENCOURT

Enquanto no Ocidente o Cristianismo se propagava sempre mais, no Oriente e no Norte da África sofreu sérias restrições por parte do Islamismo fundado no século VII

A pessoa de Maomé

Maomé (Muhammad´ibn´Abdallag´ibn´Mottalib) nasceu em Meca (Arábia Central) provavelmente em 580. Faleceu com pouco mais de 50 anos, em 632. Desde adolescente, viajava com seu tio comerciante em caravanas pela Arábia, a Assíria e a Mesopotâmia, o que lhe proporcionou o contato com judeus e cristãos.

Por volta de 610/11, Maomé efetuou sua ´´conversão´´. Profundamente impressionado pela desunião dos homens entre si, tornava´se cada vez mais meditativo: entregava´se a severas práticas de mortificação e retirava´se para a montanha a fim de rezar a sós. Certa vez, na ´´Noite do Destino´´, terá tido uma visão: em sonho, estranho personagem lhe apareceu trazendo nas mãos um rolo de pano coberto de sinais e mandando´lhe que lesse; após relutar contra essa ordem no sonho, Maomé acordou, consciente de que finalmente um livro descera em seu coração. Percebia uma voz que lhe falava em nome de Deus, atribuindo´lhe a missão de reformar as crenças, pôr termo à idolatria e às disputas religiosas do seu povo, indicando a todos o caminho do céu. Muito perturbado, contou o ocorrido a sua esposa Kadija, que foi consultar um primo seu, Varaka, homem sensato e culto, que exclamou: ´´Deus o escolhe para ser profeta de nova fé!´´ Após repetidas visões, ignorando quem era o personagem que lhe aparecia, Maomé julgava´se perseguido por espíritos e pensava em suicidar´se, quando, certa vez, a estranha voz lhe declarou: ´´Sou o anjo Gabriel e tu serás o apóstolo do Senhor´´.

Doravante o ´´Iluminado´´ pôs´se a pregar nova forma de religião: o ´´Islam´´ ou, em árabe, a Submissão, Dedicação à Vontade de Deus. Maomé apoiava´se na fé em um só Deus, Allah, criticando os cultos pagãos, predizendo iminente catástrofe e apresentando reivindicações sociais em favor dos pobres. Tais proposições só fizeram irritar a aristocracia de Meca, de sorte que Maomé granjeou para si adversários cada vez mais hostis, temerosos pela sorte de seus ídolos e de suas rendas comerciais. Resolveu então transferir´se para a cidade de Medina na noite de 16/07/622. Tal acontecimento tomou o nome de Hidjra ou Hegira, Fuga, e assinala o início da era maometana.

Em Medina Maomé, apoiado pela população local, revelou dotes de hábil chefe político. Visando a unir numa só população coesa seus compatriotas árabes, começou a estender o seu domínio por meio de expedições de ataque a caravanas comerciais. Os sucessos obtidos iam´lhe assegurando crescente número de adeptos, até que finalmente em 629 Maomé conseguiu entrar em Meca e tomou posse do famoso santuário desta cidade dito ´´a Caaba´´, donde removeu os ídolos. Nos anos seguintes, foi dilatando o seu poder mediante guerras. Finalmente, aos 08/06/632, veio a morrer. A sua obra estava suficientemente adiantada para despertar a consciência religiosa e nacional dos árabes e lançá´los, coesos, à conquista de numerosas nações estrangeiras mediante a prática da ´´guerra santa´´.

As proposições do Islam

As fontes doutrinárias do Islam são o código sagrado do Corão (em Árabe, recitação, declamação, pois o texto devia ser recitado no culto) e a tradição oral dita Sunna.

O Islam é monoteísta, ou seja, reconhece um só Deus Criador, A diferença do politeísmo, que professa muitos deuses, e do panteísmo, que identifica tudo com a Divindade. Acontece, porém, que o monoteísmo do Islam não é originário da Arábia mesma, mas derivado do monoteísmo judaico´cristão. Maomé nunca se apresentou como o fundador de uma religião nova, e, sim, como o novo profeta de tradições mais antigas; a teologia que ele ensinou, deriva´se de três blocos religiosos anteriormente existentes:

1) a antiga religião Árabe, de índole politeísta. Cultuava pedras ´´divinas´´, consideradas como mansões de seres superiores, cujas graças os homens procuravam atrair a si. Um resquício deste culto é a veneração da ´´Pedra Negra´´, situada na Caaba em Meca;

2) a religião israelita, professada por judeus residentes na Arábia, onde se entregavam ao comércio e à agricultura. Foi desse patrimônio judaico que Maomé derivou as grandes linhas de sua orientação religiosa: existe um só Deus, que se foi revelando aos profetas da humanidade: Adão, Abraão, Moisés, Jesus Cristo, e consumou a sua revelação por meio de Maomé, o maior de todos os profetas. A inserção de Maomé na linha do judaísmo explica o uso da Bíblia no ensinamento islamítico assim como certos costumes muçulmanos (as purificações legais, a observância do talião, a poligamia ...). Maomé, porém, não se identificou com o pensamento bíblico, porque via em Jesus Cristo não o Filho de Deus feito homem, mas um profeta eminente (coisa que os judeus não aceitavam);

3) a religião dos cristãos: Maomé a conheceu principalmente em suas viagens. Tais cristãos eram geralmente nestorianos e monofisitas. (ver capítulo 9), que lhe apresentaram um Cristianismo debilitado; nunca chegou a ler os Evangelhos.

Sem se comprometer nem com o judaísmo nem com o Cristianismo, Maomé se definiu como continuador da religião de Abraão e de seu filho imediato Ismael, personagens muito mais antigos do que Moisés e Cristo na história sagrada (na verdade o povo árabe é descendente de Ismael, filho de Abraão e Agar). Para justificar sua independência religiosa, Maomé atribuiu a judeus e cristãos ´´o grande erro de terem falsificado os livros sagrados e o monoteísmo de Abraão e Ismael´´.

A Moral maometana prescreve cinco grandes deveres, tidos como ´´pilastras da Religião´´:

1) professar a fé (praticamente o maior pecado para os muçulmanos é a apostasia da fé ou a adesão à idolatria e ao paganismo);

2) orar cinco vezes por dia (ao alvorecer, ao meio´dia, pelas 3/4 horas da tarde, ao pôr do sol, no primeiro quarto da noite), cumprindo´se, de cada vez, as abluções rituais prescritas;

3) jejuar durante o mês inteiro de Ramadã, desde o nascer até o pôr do sol diariamente;

4) dar esmola aos pobres,(o que compreende também a obrigação de dar hospedagem momentânea seja a quem for e a qualquer hora);

5) peregrinar a Meca uma vez na vida.

O Corão autoriza todo homem a ter quatro esposas legítimas e tantas concubinas escravas quantas seus recursos financeiros lhe permitam. O conceito de guerra santa é central no Islamismo e foi responsável pela rápida propagação árabe nos séculos VII e VIII; morrer em batalha armada torna o maometano ´´mártir´´, ou seja, herói religioso; de resto, a noção de ´´predestinação´´, que inevitavelmente assinala a cada indivíduo a hora da sua morte, muito concorreu para precipitar destemidamente os discípulos de Maomé na aventura de fazer a guerra.

A expansão do Islamismo

1. Depois da morte de Maomé, os sucessores (califas = lugar´tenentes) chefiaram expedições conquistadoras e predatórias a países vizinhos e distantes da Arábia. Esse avanço arrebatou ao Império bizantino uma bela porção de seus territórios e ameaçou seriamente a própria cultura helenística.

Também o Cristianismo foi altamente prejudicado pela expansão maometana. Os califas Abu Bekr (632´4) e Omar (634´44) conquistaram a Palestina, a Síria, o Egito e a Pérsia. Assim os Patriarcados de Antioquia (637), Jerusalém (638) e Alexandria (642) ficaram sob a dominação árabe. Tornou´se instável a condição dos cristãos residentes naquelas regiões, especialmente caras à fé por serem o berço do Cristianismo; tal situação explicará o surto das Cruzadas na Idade Média. A expansão árabe foi facilitada pelo fato de que os cristãos estavam divididos entre si nos territórios invadidos: os litígios cristológicos, em particular os monofisitas, jogavam população e governo imperial um contra o outro. Em conseqüência, os monofisitas egípcios chegaram a saudar com alegria as tropas árabes invasoras, pois estas lhes levavam a emancipação frente a Bizâncio!

O Califa Othmam (644´56) mandou invadir também a Armênia, Chipre e o Norte da África (especialmente Cartago). Cartago, grande centro cristão, caiu em 698; as tropas muçulmanas foram avançando para o Ocidente, atravessaram a Espanha de Sul a Norte e chegaram até Poitiers na França.

Constantinopla sofreu intenso cerco nos anos de 717´18, mas resistiu às pressões bélicas. Finalmente os muçulmanos estabeleceram a sua capital ou a sede do seu Império no califado de Bagdad (750´1258).

Os maometanos não sufocavam o Cristianismo nos territórios ocupados, embora lhe fizessem restrições. Apenas na Arábia os cristãos e os judeus foram obrigados a emigrar. Como quer que seja, o Cristianismo sofreu graves perdas em conseqüência da expansão islâmica; o Norte da África, que era uma região de vida cristã intensa e férvida, foi aos poucos perdendo o seu cunho evangélico; isto, em parte, se explica pela debilitação que as longas controvérsias teológicas acarretaram, como dito atrás.

Os muçulmanos não deixaram de procurar ganhar adeptos entre os cristãos; favoreciam as conversões ao Islam e ocasionalmente praticavam pressões e proselitismo. Entre as medidas proselitistas podem´se citar: isenção de impostos para os apóstatas, emancipação dos escravos que se convertessem, e dos servos da gleba sujeitos a senhores cristãos. Muito ao contrário, quem se passasse do lslamismo para o Cristianismo, era passível de morte; em conseqüência, tornava´se difícil e estéril o trabalho dos missionários da lgreja. Compreende´se que, em tais circunstâncias, tenha havido numerosas deserções da fé cristã, sem possibilidade de se preencherem as lacunas abertas nos quadros da Igreja.

O desaparecimento do Cristianismo implicava decadência cultural e até retorno à barbárie. Tal foi o caso, certamente, do Norte´ocidental da África. Em 1055 contavam´se aí cinco sedes diocesanas, já quase sem importância; a última delas, Cartago, extinguiu´se por completo em 1160 aproximadamente.

O ideal da teocracia até hoje é muito vivo entre os muçulmanos; preconizam um império terrestre regido pelo poder religioso; tenha´se em vista o que ocorre atualmente no Irã e no Paquistão. Este império terrestre, para defender´se ou expandir´se, conta com cidadãos belicosos, pois a bem´aventurança celeste é prometida não propriamente aos pacíficos, mas àqueles que morrem na guerra santa. Em tais condições torna´se instável a sobrevivência e, mais ainda, a expansão missionária dos cristãos.

2. As leis religiosas e morais do Islamismo têm em mira principalmente os pecados públicos (mais suscetíveis de definição legal). O lslamismo reconhece quase exclusivamente o foro externo (ou o comportamento visível da pessoa). Os ditames da consciência ou o foro interno são menos levados em conta na avaliação da conduta humana. Ora precisamente este traço do Islamismo provocou no decorrer dos tempos uma reação ou o surto e o cultivo da vida mística em ambientes islâmicos; assim a Mística veio a ser inseparável da religião da lei em muitas correntes maometanas. Entre os dizeres mesmos do Profeta não faltam os que inculcam a religião interior ou o predomínio dos bens do espírito sobre os da carne. Maomé chegou a falar de purificação da alma, apresentou a vida presente como ´´água que passa e erva que fenece´´ (Sur. X 25; XIII 18); afirmou a prevalência da devoção interior sobre os sacrifícios rituais (Sur. XXII 28). Assim o Corão mesmo era capaz de inspirar não somente uma religião formalista, mas também uma piedade muito intensa e profunda. Foi o que se deu nos círculos árabes que entraram em contato com sistemas religiosos dos povos vizinhos, em particular com o Cristianismo; criou´se assim uma autêntica mística muçulmana, da qual dois grandes expoentes são Al´Hallaj (8224; 922) e Al´Ghazali (8224; 1111)

Especialmente a corrente sufita dedicou´se ao cultivo da vida interior. A palavra árabe que corresponde a Mística é tasawwuf, derivada do termo suf, lã. Significa originariamente ´´vestir´se de lã´´; a roupa de lã era o traje que os antigos ascetas ou monges usavam. Designava, aos olhos do público, a vida retirada do mundo que o asceta levava. Quem se veste assim, no Islamismo, é chamado sufi. Deste vocábulo se deriva sufismo, o designativo da Mística islâmica.

A partir do século XII foram´se formando comunidades de sufitas ou derviches21, que seguiam os ensinamentos dos grandes mestres; observavam Regras de vida cenobítica assemelhando´se às Congregações religiosas do Catolicismo. Cada comunidade constava de um grupo relativamente pequeno de sufitas, que no convento viviam de esmolas, e de um grupo maior de leigos, que permaneciam no mundo, mas se reuniam oportunamente para cumprir certas práticas religiosas sob a direção de seus mestres. Algumas destas comunidades subsistem até hoje.

Nos século XIII/XIV fizeram´se sentir no sufismo influências do Extremo´Oriente, principalmente do hinduísmo; caracterizaram´se em práticas como posições corporais e a repetição amiudada do santo nome de Deus. O panteísmo assim se introduziu em vários círculos da mística islâmica, acarretando certa degenerescência da mesma.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O drama dos Cristãos no Sudão

O Islã
Sudão, o país mais extenso do continente africano, vive desde sua independência em 1956 uma situação de conflito inter-religioso, que foi aumentando década após década, até chegar na década de noventa a uma situação insustentável, condenada repetidas vezes pela comunidade internacional.

Desde sua independência, o país teve a aspiração de converter todo seu território em terras do Islã. O processo de arabização e islamização foram constantes e prova disso foi a introdução da Lei Islâmica em 1983 pelo Presidente Nimeiri. O fato originou uma guerra civil que perdura até hoje e que foi crescendo provocando morte e destruição, principalmente a partir do golpe de estado realizado pelo exército sudanês em junho de 1989 e respaldado pelo líder dos "Irmãos Muçulmanos", Dr. Hasan Al-Turabi, "eminência cinza" do regime.

Apesar da Constituição afirmar que o Sudão é um país pluri- religioso, na prática o governo trata ao Islã como a religião de Estado.

Iniciou um processo de radical arabização e islamização de todo o território nacional, sendo isto um dos maiores e mais importantes objetivos da revolução. Assim pois, as minorias cristãs e outras minorias foram duramente prejudicadas, o que originou a reação dos bispos católicos, que na Carta Pastoral A Verdade vos fará livres (26) condena o governo por sua campanha discriminatória de islamização e execução da Lei Islâmica, que está levando o país à desarmonia e é uma barreira que impede uma verdadeira, justa e duradoura paz no Sudão.

O yihad

Outro obstáculo para a paz foi a proclamação da guerra santa (yihad) contra o sul do país em 1992. A isto, colaborou a criação da Força da Defesa Popular (PDF), em fins de 1989, com a concreta finalidade de converter todo o território sudanês em um estado islâmico de inspiração fundamentalista, cujo artífice foi Hasan Al-Turabi, e que pretende impor o fundamentalismo islâmico puro e duro no Sudão para logo estendê-lo a outros países da África e do mundo.

Logicamente, este novo Governo sudanês ocasionou uma clara e aberta perseguição dos cristãos, tornando a guerra civil do Sudão em uma autêntica guerra de religiões. Esta situação levou aos bispos a publicar uma série de cartas pastorais em apoio às comunidades cristãs e acusando abertamente o governo por sua política discriminatória contra as minorias cristãs no país. Digna de menção é a carta pastoral A verdade vos fará livres e Unidos e Fiéis onde se exorta aos cristãos a permanecer fiéis a sua fé apesar da situação de perseguição, com a escalada da guerra santa no Sul, a destruição de campos de refugiados, restrições de ajuda humanitária, prisões arbitrárias, detenções, torturas, expulsão de sacerdotes e religiosos de seus postos de trabalho, fechamento de igrejas e centros de atividades eclesiásticas, processo de arabização e islamização, etc. Situação esta, que não favorece o processo de paz, cada vez mais distante, a causa da violência e das restrições dos mais fundamentais direitos humanos.

Testemunhos cristãos

"O fundamentalismo islâmico é de por si violento. Estes violentos estão dispostos a tudo, também a ataques terroristas. Por isso, o fundamentalismo islâmico alimenta o terrorismo e inclusive a determinação a lutar (...). O elemento religioso é utilizado pelos árabes muçulmanos como desculpar para combater aos africanos: aqueles dizem que o Islã está ameaçado pelos infiéis, a quem são chamados cristãos", disse o bispo de Yei, Dom Erkolano Lodu Tombe.

A Guerra Santa continua e quase dez anos depois somente cabe dizer que as conseqüências soa nefastas: bombardeios aéreos contra população civil, criando destruição, trauma e morte; ações perversas das milícias muçulmanas que provocam assaltos, seqüestros, escravidão e violações; destituições, roubos de casas e de propriedades; deslocamentos forçados de massas de gentes com milhões de refugiados, etc.

O papel da Igreja

A Igreja católica sempre trabalhou em um espírito de coexistência pacífica e de abertura religiosa. Desgraçadamente, a Igreja sempre foi considerada como uma igreja estrangeira, influenciada pelos poderes colonialistas. Mais ainda, os cristãos encontram-se em fogo cruzado: os árabes no norte e a guerrilha no sul.

O norte a considera como amiga e mantenedora das guerrilhas; portanto, é inimiga do Sudão. O certo é que a Igreja manteve-se sempre à margem de qualquer ideologia política e a única coisa que fez foi defender a justiça e a paz no país. Com esta finalidade, pronunciou-se repetidas vezes em defesa dos direitos humanos, particularmente a liberdade religiosa no Sudão.

A Igreja católica enfatiza incessantemente que não é uma Igreja estrangeira, mas sudanesa, e que seu trabalho se orienta principalmente a:

Defender os direitos de seus fiéis como a liberdade de praticar sua fé; seu direitos a não ser submetida ao processo de arabização e islamização levado a cabo até hoje pelo governo;
defender os cristãos submetidos a toda classe de perseguição; promover a justiça, defender a dignidade humana e os direitos humanos denunciando continuamente as conseqüências devastadoras da guerra civil no sul.

A Igreja acredita no diálogo, porque é essencial para alcançar a paz e a reconciliação, destacando que todas as partes têm que colaborar, principalmente o governo que deve preparar o terreno para tal diálogo de paz, um diálogo que o Governo prometeu nas que não cumpriu.

Direitos humanos e lei islâmica

O tema dos direitos humanos está no centro da tormenta já que se quer impor a toda a nação um modelo de estado islâmico, baseado na aplicação da lei islâmica.

Nas últimas décadas, a comunidade muçulmana esforçou-se por buscar uma alternativa à Carta Universal dos Direitos Humanos de 1948 por meio de outra Carta que fora menos leiga e mais em linha com os princípios da religião islâmica. Assim surgiram a Declaração dos Direitos Humanos no Islã (1981), a Declaração dos Direitos Humanos do Cairo (1990), e a Carta Árabe dos Direitos Humanos (1994). Com elas, os muçulmanos tentam dar aos direitos humanos um fundamento confessional já que todo direito provém de Deus.

Por outro lado, a aplicação da lei islâmica, como no caso do Sudão, provoca não poucas críticas por parte da comunidade internacional ocidental. A visão cristã/ocidental vê na aplicação da lei islâmica uma série de críticas contra violações dos direitos humanos mais fundamentais:

a pena capital por apostasia (ridda);

as penas corporais (hudûd);

e finalmente três desigualdades: a superioridade do homem sobre o escravo, do muçulmano sobre o não-muçulamano, e do homem sobre a mulher.

Todos estes elementos vão contra os direitos humanos mais fundamentais pelo que a aplicação da Lei Islâmica viola os direitos humanos e origina discriminação, onde os cristãos sofrem as conseqüências de um regime totalitarista.

Obstáculos para o diálogo

O fundamentalismo islâmico continua sendo um obstáculo para o verdadeiro diálogo.

De fato, o Papa João Paulo II, em sua exortação apostólica Ecclesia in Africa, insta claramente: "Cristãos e muçulmanos estão chamados a comprometer-se na promoção de um diálogo imune aos riscos derivados de um irenismo de má lei ou de um fundamentalismo militante, e levantando a voz contra políticas e práticas desleais, assim como contra toda falta de reciprocidade em relação à liberdade religiosa".

No Sudão, esta reciprocidade em relação à liberdade religiosa, brilha por sua ausência por parte do Governo fundamentalista de Jartum; por isso a Igreja continua lutando pela justiça e a paz.

sábado, 28 de agosto de 2010

O Papa, o Islã e a covardia

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
17 de setembro de 2006.
Deus tem suas datas. No domingo em que o mundo islâmico, em polvorosa, se ergue em protesto contra o Papa Bento XVI, a Igreja proclama o evangelho da cruz: “Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz e me siga” (Mc 8,34).
Mas a cruz não é palavra que se ouça com freqüência em muitas igrejas. Fez sucesso, nos últimos tempos, uma visão adocicada e inócua do cristianismo e de Jesus. Para alguns, Jesus seria um destes pacifistas meio hippies e nômades que vivem apregoando obviedades inofensivas. Se assim fosse, não se explicaria como o homem foi acabar pregado numa cruz. Se Jesus fosse assim, não mereceria nem sequer respeito, muito menos fé e adoração!
O cristianismo não prega a salvação desta vida a qualquer custo. A mensagem de Cristo é corajosa e destemida, e continua incomodando a muitos. O Evangelho, no mais das vezes, custa ao evangelizador sua própria vida.
É isto o que Jesus, a duras penas, ensina a Pedro no evangelho deste domingo (Mc 8,27-35). O Príncipe dos Apóstolos professa a fé da Igreja: “Tu és o Messias”. Mas, logo em seguida, o divino Mestre anuncia que esta fé tem a cruz como conseqüência. Cruz que deve ser corajosamente carregada, não somente pelo Cristo, mas também por seus discípulos.
A covardia faz com que Pedro chame Jesus à parte e tente, timidamente, repreender o Mestre. Mas o Senhor não tolera segredinhos ao pé do ouvido e, diante dos discípulos, dirige a Pedro talvez as palavras mais duras de todo o evangelho: “Vai para longe de mim, Satanás!... Quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la”!
Os cristãos apreciam a paz e a tranqüilidade, mas não a qualquer custo. O Papa Bento XVI é o sucessor de Pedro, mas não é o imitador de seus erros. O timoneiro da Igreja é um homem e não um verme.
Recapitulemos os acontecimentos dos últimos dias. Em visita a sua terra natal, o Papa teve a oportunidade de proferir, mais uma vez, uma aula magistral na mesma Universidade onde fora professor. O tema da aula: fé, razão e universidade. Durante seu discurso, o Papa demonstra de forma irrefutável que a irracionalidade não tem nada de divino. E, neste contexto, denuncia o uso da violência e do terror.
Alguns dias depois, como bomba de efeito retardado, o mundo muçulmano explode em indignação, acusando o Papa de “convocar uma nova cruzada”.
Logo em seguida, assistimos as tentativas infrutíferas da Santa Sé de dialogar com o mundo islâmico, que faz ouvidos de mercador. As declarações se deram num crescente hierárquico: o diretor da Sala de Imprensa, o Secretário de Estado e, finalmente, o próprio Sumo Pontífice. A imprensa brasileira, por ignorância ou por má fé, reportou estas declarações da pior maneira possível: “Papa lamenta o discurso que fez”. Seja maldade, seja burrice, esta gente parece não ter compromisso com a verdade.
As três declarações são claras: o Papa não lamenta o que disse. Lamenta apenas duas coisas: a) que o seu discurso tenha sido mal interpretado e b) que as sensibilidades tenham reagido assim. Mas o conteúdo do que ele disse permanece de pé. E o que disse de tão grave?
Disse o que muitos enxergam, mas poucos têm coragem de dizer: usar Deus e a religião para justificar a violência é contrário à natureza de Deus e da própria religião.
O Islamismo é uma religião que merece respeito. Mas, em alguns lugares, não se pode negar que esta religião foi raptada por uma ideologia de irracionalidade e violência. Esta ideologia política abusa do nome de Alá e da religião Islâmica para justificar uma carnificina de inocentes.
Apesar das explicações do Papa, o que se vê? Protestos de governantes islâmicos, queixumes de líderes religiosos, bombas incendiárias, ameaças de ataques terroristas ao Vaticano e passeatas, várias passeatas, aos gritos de que o Papa seja enforcado e os inimigos do Islã massacrados. Tudo isto, ironicamente, demonstra apenas uma coisa: o Papa tinha razão. A irracionalidade e a violência não podem seqüestrar uma religião desta forma!
Os seguidores e os líderes muçulmanos devem compreender uma coisa. Eles podem ter a nossa tolerância, mas só conquistarão nosso respeito quando usarem suas passeatas, declarações e protestos para condenar, não um homem de Deus, mas a brutalidade monstruosa do terrorismo. Só esta atitude poderá redimir o Islamismo aos olhos do Ocidente.
Mas também o Ocidente precisa se redimir. Nossa sociedade, covarde, preferiria, como o Pedro do evangelho, que o Papa ficasse calado. Este mesmo Ocidente que hipocritamente recrimina os Papas de negligência diante do nazismo, agora exige prudência diante do surgimento de um regime ainda pior: o fascismo de inspiração islâmica. Na verdade a doença do Ocidente não é apenas covardia. Se fosse assim, uma simples chamada ao brio e à virilidade resolveria o problema. A doença é mais grave. Trata-se de AIDS espiritual.
O corpo com AIDS, já não sabe distinguir entre o vírus inimigo e o alimento saudável. O organismo não tem coragem de dar ao vírus o seu nome próprio, por temor de “ofender-lhe os nobres sentimentos”! Tal a doença do Ocidente: AIDS espiritual; falta-nos força moral para identificar o mal e, uma vez identificado, combatê-lo. Com isto, a violência, o fanatismo e a irracionalidade irão continuar sem seus nomes horrendos, disfarçados simpaticamente de legítima defesa, fervor e devoto arrebatamento.
Mas, a nós brasileiros, tudo isto importaria muito pouco, se a pusilanimidade fosse apanágio exclusivo do além-mar. Por aqui, enquanto os PCCs e Comandos Vermelhos reduzem nossas cidades ao estado de sítio, falta-nos um Bento XVI.
Nossos eminentes pastores, católicos e evangélicos, nos envergonham ao acorrerem pressurosos na defesa dos direitos dos... delinqüentes. E, se a mídia chique e as ONGs de esquerda se acotovelam para aplaudir os novos profetas, uma população inteira de covardes se tranca dentro de casa, como tantas velhinhas que, de mãos trêmulas, desejam assegurar suas últimas jóias.
“Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la!” Não nos damos conta que, querendo salvar nossas vidas, renunciamos à própria liberdade. Os cristãos desejam a paz, mas não a qualquer custo. Desejam salvar esta vida, mas não fazem dela um valor absoluto.
Não nos iludamos, quando homens de esquerda vierem com seu discurso “a favor da vida” (e invariavelmente também a favor do aborto!) e desejarem salvá-la, custe o que custar. A vida de que falam não é a vida verdadeira. A política “a favor da vida” é o novo nome do velho materialismo.
Os terroristas, aqui e além-mar, contam com isto. Contam com o materialismo que se instalou no Ocidente. Materialista, geralmente, não arrisca a vida. Ele não terá outra! Contam com nosso materialismo, mas aqui se enganam. A fé cristã ainda não está morta. Ainda há quem diga: “Vosso amor vale mais do que a vida”. Contam com o materialismo e, por isto, odeiam as palavras do velho Papa. Eles sabem que elas, e somente elas, podem acordar o grande gigante adormecido. O gigante que gerou este Ocidente, democrático e livre: o homem cristão.

sábado, 14 de agosto de 2010

ISLÃ

O fundamentalismo islâmico

No referente ao que se costuma chamar "Mundo islâmico" -cujo rosto multiforme não pode ser descrito aqui sequer de maneira aproximada- quero somente referir-me de forma crítica a um dos lemas do debate contemporâneo, que se oferece oportuno como a chave geral para o esclarecimento dos processos atuais: a expressão "fundamentalismo" .

Se, em primeiro lugar, nos asseguramos de forma muito breve sobre as bases nas quais se apoia o renascimento atual do muno islâmico, saltam à vista duas causas.

Em primeiro lugar, encontra-se o fortalecimento econômico e, com este, também o político e militar do mundo islâmico, a partir do significado que o petróleo adquiriu na política internacional. Mas enquanto no Ocidente o impulso econômico conduziu à debilidade da substância religiosa, no mundo islâmico vincula-se ao novo impulso econômico uma nova consciência religiosa, na qual conjugam-se em indissolúvel unidade a religião islâmica, a cultura e a política.

Esta nova consciência religiosa e as posturas que se desprendem dela qualificam-se hoje no Ocidente como fundamentalismo. Do meu ponto de vista, transpõe-se um conceito do protestantismo norte-americano, de forma inadequada, a um mundo conformado de modo completamente diferente, e isto não contribui ao verdadeiro conhecimento das circunstâncias.

O fundamentalismo é, segundo seu sentido original, uma corrente surgida contra o evolucionismo e a crítica bíblica que, junto com a defesa da absoluta infalibilidade da Escritura, tentou proporcionar um sólido fundamento cristão contra ambos.

Sem dúvida, existem analogias a respeito desta posição em outro universos espirituais, mas se se converte em identidade a analogia, se incorre em uma simplificação errônea.

De tal fórmula extraiu-se uma chave demasiadamente simplificada, através da qual se pretende dividir o mundo em duas metades, uma boa e outra má. A linha do pretendido fundamentalismo estende-se, então, desde o protestante e o católico, até o fundamentalismo islâmico e o marxista.

A diferença dos conteúdos não conta aqui para nada. Fundamentalista é aquele que sempre tem convicções firmes, por isso atua como fator criador de conflitos e como inimigo do progresso. O bom seria, ao contrário, a dúvida, a luta contra antigas convicções, e com isto, todos os movimentos modernos não dogmáticos ou anti-dogmáticos.

Mas, como se depreende do conteúdo, a partir de um esquema classificatório puramente formal não se pode interpretar realmente o mundo.

Segundo meu parecer, deveria ser deixado de lado a expressão "fundamentalismo Islâmico", porque oculta, sob uma mesma etiqueta, processos muitos diferentes em lugar de esclarecê-los. Deveria ser diferenciado, segundo me parece, o ponto de partida do novo despertar islâmico e suas diversas formas.

No que diz respeito ao ponto de partida, me parece muito significativo que os primeiros sintomas da mudança de rumo no Irã foram os atentados contra os cinemas norte-americanos. O "way of occidental", com sua permissividade moral, foi assumido como um ataque à própria identidade e à dignidade da própria forma de vida.

O mundo cristão tinha gerado, nos momentos de sua maior realização de poder, um sentimento negativo em torno ao próprio subdesenvolvimento e dúvidas sobre a própria identidade, ao menos nos círculos cultos do mundo islâmico. Deste modo, cresceu o desprezo frente ao confinamento do moral e do religioso no âmbito puramente privado, frente a uma configuração da vida pública, na qual só seria válido o agnosticismo religioso e moral.

O poder com o qual esse estilo de vida foi imposto formalmente, sobretudo mediante a exportação da cultura norte-americana, um estilo de vida que devia aparecer como o único normal, foi percebido cada vez mais como um ataque contra o mais profundo da própria essência. O fato de que a união Soviética não seja ateísta, mas os Estados Unidos da América, tolerantes em matéria religiosa e ao mesmo tempo fortemente marcados pela religião, os que são combatidos e atacados depende desse choque entre uma cultura moralmente agnóstica e um sistema de vida, choque no qual a nação, a cultura, a moral e a religião apareciam como uma totalidade indivisível.

As configurações concretas dessa nova autoconsciência são muito variadas. Aferrar-se freneticamente às tradições religiosas vincula-se em muitos sentidos ao fanatismo político-militar, no qual a religião é consideradas de forma direta como um caminho de poder terreno. A instrumentalização das energias religiosas em função da política é algo muito próximo sem dúvida à tradição islâmica.

Em consonância a isto, desenvolveu-se, em relação ao fenômeno da resistência palestina, uma interpretação revolucionária do Islã que esbarra na teologia cristã da libertação, e que fez com facilidade uma mistura de terrorismo ocidental, inspirado pelo marxismo, e o islâmico. O que de maneira superficial denomina-se "fundamentalismo islâmico" poderia se vincular com facilidade às idéias socialistas sobre a libertação: o islã é apresentado como o verdadeiro conduto exemplo, encontrou Roger Garaudy seu caminho do marxismo ao islã. Vê nesse último o portador das forças revolucionárias contra o capitalismo dominante.

Em contraposição a isto, um mandatário fortemente marcado pela religião como é o rei Hassam do Marrocos expressou sua profunda preocupação pelo futuro do Islã: uma interpretação do Islã que considere como seu núcleo a entrega a Deus está repreendida com uma interpretação político-revolucionária, na qual a questão religiosa se converte em parte de um chauvinismo cultural e com isso subordina-se ao político. Não deveríamos nos dispor com tanta rapidez à análise de um fenômeno tão complexo como este.

O Islã, tão seguro de si mesmo, atua ha muíto tempo sobre o Terceiro Mundo como algo mais fascinante que um cristianismo dividido em si mesmo.


Cardeal Joseph Ratzinger