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sábado, 8 de março de 2014

Profetas desastrados


Tendo contactos periódicos com acadêmicos de várias faculdades, descobri que, além dos bons professores, existem nas escolas superiores aqueles que praticam um apostolado ao inverso. São evangelizadores ao contrário. Procuram extinguir a fé sob a alegação de espírito aberto. Dando uma de modernos, exigem que os alunos façam resumos de livros de escritores decididamente ateus, como Crick, Hawkings, Marx, Freud. São apóstolos do ateísmo.
Jamais vi esses mestres da dúvida mandarem ler "A linguagem de Deus" de Francis Collins, ou "A fé e a razão" de João Paulo II, ou ainda "Jesus de Nazaré" de Joseph Ratzinger. Quando os alunos são forçados a ler a cartilha agnóstica, podem não concordar com seus ditos. Como não há quem lhes explique a verdade, sobra no seu espírito uma ponta de dúvida que, muitas vezes, se traduz em esfriamento da fé.
Concordo que os próceres da vida sem Deus tenham a liberdade de existir, e continuem fazendo o esforço árduo de provar que o Criador não existe. Entre eles, especialmente os mais abertos – eles existem – apareceram algumas dúvidas. As grandes profecias do ateísmo, sombrias, falharam.
Feuerbach previu a "morte da religião". Os dez milhões de romeiros, que frequentam Aparecida anualmente, o desmentem.
Freud, Marx e Nietzche, com absoluta certeza, prognosticaram a "substituição da religião" e a "morte de Deus". Os milhões e milhões de jovens nas Jornadas Mundiais da Juventude, que se reúnem nos encontros internacionais, nem tomam conhecimento da profecia.
As tragédias do século XX, sim, fizeram morrer o socialismo ateu. Este parecia ter fôlego de gato, mas estertorou em asfixia mortal. Na Rússia houve uma inversão do "ópio do povo" atribuído à religião. Agora é o marxismo que é acusado de ser droga para enganar o povo.
O "Catecismo da Igreja Católica" vendeu vários milhões de exemplares, num mundo que se dizia farto de religião. E pode-se crer na presunção dos arautos da vitória da "ciência", que vaticinaram a regressão irreversível da fé, diante dos funerais do Papa João Paulo II?
Nunca mais multidões se reunirão em tão grande número. "O profeta que fala com presunção, não o temais" (Dt 18, 22).
Todos recomendam aos ateus profetas mais cautela. Agora, se quiserem dialogar, estamos abertos.

Arcebispo de Uberaba (MG).

sábado, 2 de março de 2013

O perigo do marxismo




marxismoAinda hoje o marxismo encanta muita gente, especialmente nas universidades, e acaba enganando até mesmo jovens cristãos que pouco ou quase nada conhecem de Marx e do marxismo. Pior ainda é quando teólogos católicos querem misturar o marxismo com o Evangelho e geram uma tal de teologia da libertação de cunho marxista, tão bem condenada pelos últimos papas, especialmente por João Paulo II e Bento XVI, que tão bem conheceram seus amargos frutos.
O “Livro Negro do Comunismo”, do ex-comunista Stephen Courtoir (Bertrand Russell, 2005) fala em cem milhões de mortos do comunismo marxista. Em números absolutos, os autores dos maiores crimes contra a humanidade foram o chinês Mao Tsé-tung e o georgiano Josef Stalin (líder da ex-URSS). Em percentual da população, superou-os Pol Pot, que assassinou dois milhões de pessoas quando comandou o regime maoísta do Khmer Vermelho, entre 1976 e 1979, no Camboja. Ele e seus asseclas dizimaram um quarto da população do país embalados pelo comunismo marxista.
Mao iniciou, a partir de 1950, um programa de reforma agrária e coletivização da agricultura que provocou a maior fome da História. Em meados dos anos 60, lançou a Revolução Cultural para preparar a população chinesa para o socialismo. Atribuem-lhe mais de 50 milhões de mortes.
Para fazer triunfar o socialismo marxista, Stalin implantou um regime de terror, e também de fome. Estão na biografia dele mais de 40 milhões de cadáveres.
Por isso, publico aqui um bom artigo do conceituado Cônego José Vidigal (KARL MARX, ATEU RADICAL),  por mais de quarenta anos professor de teologia do Seminário Arquidiocesano de Mariana, MG, que nos mostra muito bem o rosto de Karl Marx.
Karl Marx, ateu radical
Karl Marx foi sempre um ateu radical. G. Siewerth patenteia que para Marx, “a fé em Deus é, pois, ao mesmo tempo, uma divisão da consciência e uma ilusão. Urge, portanto, desmascarar esta ilusão a fim de restituir ao homem a dignidade perdida da sua interioridade infinita”. Karl Marx tende, ab ovo, ao antitranscendentalismo. É o materialismo prático.
Escreve ele: “A luta contra a religião implica a luta contra o mundo do qual a religião é o aroma espiritual”. Como verdadeiro discípulo de Feuerbach, Marx conclui que a adesão a Deus tira ao homem a consciência de sua grandeza: é uma alienação. Eis seu asserto contundente: “Mais o homem coloca realidade em Deus e tanto menos resta de si mesmo”.
A ação de um Deus Supremo impede sua independência total. Sua emancipação exige “a priori” a morte de Deus. É exatamente o trabalho que permite ao homem construir-se enquanto homem.
Fica claro, pois, que o ateísmo não é acidental ao marxismo, impossível ser um “bom” marxista, permanecendo crente.
Marx é taxativo: “O ateísmo é uma negação a Deus e por esta negação coloca a existência humana”.  Entre a razão e a fé o conflito é peremptório. Diria depois Lénine: “O marxismo é o materialismo. Por este título ele é tão implacavelmente hostil à religião, quanto o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach”. Prossegue ele: “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. Não se trata de um conselho facultativo. Fala categoricamente: “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”.
É a própria religião, sob a forma mais pura, que o marxismo considera como alheação perigosa da equidade do homem. O comunismo, que é o herdeiro mais fiel de Karl Marx, se revela, pois, em lógica consequência, intransigente neste ponto.
Lénine assim se manifestou também, em 1905: “A religião é uma espécie de mau vodka espiritual no qual os escravos do Capital afogam seu ser humano e suas reivindicações para com uma existência ainda pouco digna do homem”.
Marxismo e ateísmo não podem ser dissociados. O ateísmo é intrínseco ao marxismo. É-lhe medular, parte integrante. O ateísmo não é em Marx uma superestrutura. A própria consciência que o homem tem de si exclui, completamente, a possibilidade de Deus. Daí ser um erro primário querer abstrair dos escritos de Marx o ateísmo. É desestruturá-los. Não há meio termo. Há uma contestação terminante à Transcendência.  (Por Cônego Vidigal – 17/07/2008)
Prof. Felipe Aquino
Do site Cleofas

sábado, 30 de junho de 2012

DO PROTESTANTISMO AO ATEÍSMO MODERNO E RELATIVISMO CONTEMPORÂNEO

ZP12062802 - 28-06-2012
Permalink: http://www.zenit.org/article-30690?l=portuguese



Uma leitura dos acontecimentos históricos

Por Daniel Marques*
RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 28 de junho de 2012 (ZENIT.org) -É possível fazer uma leitura dos acontecimentos históricos que percorrem desde o surgimento do Luteranismo até o relativismo atual através da chave de interpretação da quádrupla negação. Sendo que uma negação prepara o sucessivo “não”. Vejamos de modo concreto para entender a questão.
DEUS SIM, IGREJA NÃO
É a negação surgida e instaurada por Lutero. Permite uma visão mais subjetivista da fé, onde realça o caráter pessoal da salvação em detrimento do caráter institucional. É possível seguir a Deus, sem seguir uma instituição em concreto. Nega-se o caráter necessário da Igreja para a salvação, para isto, será necessário defender um conjunto de conceitos epistemológicos que será à base do pensamento da filosofia moderna.
DEUS SIM, CRISTO NÃO
Esta segunda grande negação é própria do século da ilustração, onde se busca uma fé fundada apenas na razão. Aceita-se a Deus, mas apenas como um grande relojoeiro que fez sua obra prima (o cosmos), a dotou das forças necessárias para se autogerir e foi embora. A providência é jogada no lixo, surge o DEISMO. Um Deus sem culto e despersonalizado. O homem é senhor total e absoluto de seu próprio destino. Nega-se a transcendência. A realidade não é apreendida objetivamente pelo ser humano, mas construída intelectualmente através das percepções sensitivas que são próprias a toda raça humana.obra prima (o cosmos), a dotou das forças necessárias para se autogerir e foi embora. A providência é jogada no lixo, surge o DEISMO. Um Deus sem culto e despersonalizado. O homem é senhor total e absoluto de seu próprio destino. Nega-se a transcendência. A realidade não é apreendida objetivamente pelo ser humano, mas construída intelectualmente através das percepções sensitivas que são próprias a toda raça humana.
É no contexto desta segunda negação que surge a Revolução Francesa, retirando dos templos católicos a presença dos santos e de Cristo eucaristia, e erigindo altares à Deusa Razão. Uma “contraditio terminis”, pois “mitologizam” a fé católica, retiram dos evangelhos tudo que seja milagroso e sobrenatural e ao mesmo tempo criam culto e templo para a “Deusa Razão”.
É um racionalismo fundando na irracionalidade do caos e da violência. Destinada intelectualmente ao fracasso, a revolução tinha seus dias contados, apesar da propaganda massiva da revolução perpetrada por Jacques-Louis David criando obras como o Juramento de Horácio (cena dramática que convida a população a pegar em armas) e perpetuando o mártir da revolução no quadro “A morte de Marat”.
A revolução francesa nasce de exigências legítimas de uma população que sofria pela fome, crise nas colheitas e impostos sufocantes. No entanto, conduzida não pela razão que tanto defendia, mas pelo terror das guilhotinas. O lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, pese seu caráter evangélico e de se propor como novo evangelho, era escrito pelo sangue de muitos homens e mulheres que não se alinhavam. Vemos a expropriação das propriedades do clero, a assassinato de sacerdotes, religiosos e religiosas. A Fé católica é vista como fundamento do Ancient Regime e como tal deve ser varrida do mapa, como principal inimiga da revolução e de seus ideais.
Surge, então, como resposta a esta barbárie um novo absolutismo que se espalha por toda a Europa. Mas, o mundo já não era mais monárquico, a semente do pensamento revolucionário já tinha sido plantada. E mais tarde crescerá com mais furor através da revolução marxista que veremos a seguir na terceira negação.
DEUS NÃO, O HOMEM SIM
É a última negação presente no séc. XIX. Deus já não é necessário para garantir a ordem do mundo. A única realidade é a material e a este senhor devemos prestar contas. Seu fundamento é a filosofia Hegeliana. Onde o espirito absoluto é traduzido à matéria. E os indivíduos são apenas um momento, uma ocasião para o desenvolvimento da matéria, do mundo perfeito sem classes e de total igualdade.
Na filosofia marxista, não há pessoas, existe apenas o estado, que se desenvolve através da dialética de lutas de classes. O novo homem e nova humanidade marxista é a síntese final do processo dialético, onde a tese são os sistemas econômicos burgueses e a antítese é a classe operária explorada. O marxismo acelera o confronto entre ambas que ocorrerá de modo necessário.
A visão de pessoa humana como um momento do processo dialético materialista é o que justifica a barbárie de mais de 100 milhões de pessoas exterminadas por Stalin. Os comunistas alegam que isto ocorreu porque Stalin desvirtuou a revolução. Em realidade, ele se apresenta como aquele que leva até as últimas consequências os pressupostos filosóficos da revolução.
A negação de Deus só é possível, em última instância, através da negação do ser humano, o que nos conduz a uma quarta negação.
O HOMEM NÃO
A degradação da razão humana conduz a negação da impossibilidade da existência de qualquer verdade absoluta. A filosofia hermenêutica presente na obra “Verdade e Método” de Gadamer é um exemplo. O homem constrói a verdade segundo seu grupo social e cultura, e este grupo com “suas verdades" é que constrói o homem e a verdade das coisas. Deste modo, a verdade é sempre mutável e não um termo “ad quo”, não há uma finalidade para vida humana, mas apenas uma construção de algo caótico a um nada último.
Esta visão epistemológica se apresenta como fundamento do relativismo moral e do indiferentismo religioso. Quando tudo é verdade, não existe verdade. E quando nada é objetivamente verdadeiro, todas as coisas são colocadas no mesmo plano, perdendo seu valor. Priva a racionalidade humana do principio de não contradição, conduzindo a humanidade a ações bárbaras.
Sobre a bandeira da tolerância, o relativismo implanta uma verdadeira ditadura da força e do poder. Pois quando não há uma verdade como critério e medida de nossas ações, se implanta a verdade subjetiva dos mais fortes. Por isso, as politicas e medidas sociais são implantadas não em vistas a um bem comum, ou um critério de bondade e verdade, mas segundo pressões sociais, econômicas ou interesses privados.
Assim vemos a aprovação das uniões homoafetivas, a aprovação do aborto em geral, e do bebê anencéfalo em especifico. O homem volta-se contra o mesmo homem, pois ferido em sua racionalidade, é incapaz de perceber as consequências de seus atos que vão contra a sua própria humanidade.
CONCLUSÃO: UNIDADE SUBSTANCIAL DO SER HUMANO
Existe uma profunda unidade entre as questões religiosas, econômicas, filosóficas, sociais e politicas. Não são elementos separados, pois quem as elabora, vive e pratica é o homem. O ser humano é o centro das questões.
Por isso, um subjetivismo religioso exacerbado de Lutero nos conduz a uma filosofia moderna que coloca o homem como criador da realidade e a Deus apenas como garantidor de uma ordem. Este racionalismo moderno exige a existência de um Deus impessoal e ordenador, surgindo o Deísmo próprio do iluminismo, com sua expressão mais “gloriosa e nefasta” instaurado no culto à “Deusa Razão” no período da Revolução Francesa. Revolução esta guiada por um desejo de fazer o bem, mas com princípios que levariam ao terror. Neste processo de degradação da razão humana o surgimento de regimes ateus, o indiferentismo e o relativismo presentes nos dias atuais são consequências naturais.
Um processo de negação da objetividade das coisas que "corrói" a razão humana, pois negar a capacidade de transcendência humana, é negar a mesma humanidade. 
* Daniel Marques é formado em Humanidades Clássicas em Salamanca, Espanha, obteve a graduação e o Mestrado em Filosofia em Roma, e atualmente cursa o 2o. ano de teologia na arquidiocese do Rio de Janeiro.

sábado, 21 de abril de 2012

OS MAIORES GÊNIOS DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE ACREDITAVAM EM DEUS.







Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA



http://www.thestate.com


http://www.ardmoreite.com/stories/040497/news/news12.html 






 




Um estudo indica que muitos cientistas acreditam em Deus conforme o conceito mais comum e usual.


Repetindo com exatidão uma famosa pesquisa realizada em 1916, Edward Larson, da Universidade da Geórgia, constatou que a profundidade da fé religiosa entre os cientistas não diminuiu apesar dos avanços científicos e tecnológicos deste século.


Tanto em 1916 como agora, em torno de 40% dos biólogos, físicos e matemáticos que participaram da pesquisa disseram que acreditavam em um Deus que, segundo a estrita definição do questionário, se comunica com a humanidade e a quem se pode orar "na expectativa de receber uma resposta".


Cerca de 15% em ambas as pesquisas alegaram ser agnósticos ou de não ter "uma convicção definida" sobre a questão.


Em torno de 42% em 1916 e aproximadamente 45% agora disseram que não criam em um Deus como o especificado no questionário, apesar de que não se verificou se eles criam em alguma outra definição de divindade ou ser superior.


Mais revelador do que os próprios números, segundo disseram os especialistas, é a sua estabilidade. O fato das convicções pessoais dos cientistas terem permanecido inalteradas durante quase um século caracterizado por mudanças sugere que a religiosidade ortodoxa não está desaparecendo em maior grau entre os que são considerados a elite intelectual e a população em geral. Os resultados também indicam que, enquanto a religião e a ciência são freqüentemente apontadas como irreconciliavelmente antagônicas, cada uma disputando para si o trono da verdade, muitos cientistas não vêem contradição entre a busca para entender as leis da natureza e a fé em uma divindidade superior. ( The State, South carolina`s Home Page, 4/4/97)






Albert Einstein
MarcadorAlbert Einstein - Nasceu em Ulm, Alemanha, em 1879. Foi um físico alemão radicado nos Estados Unidos mais conhecido por desenvolver a teoria da relatividade. Ganhou o Prémio Nobel da Física de 1921 pela correta explicação do efeito fotoeléctrico; no entanto, o prémio só foi anunciado em 1922. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atômica, apesar de não prever tal possibilidade :



"A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro.


Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu. Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia.


Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam idéias que datam de 1880. Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas.


No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis.


Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.


Há, porém, várias maneiras de se representar Deus. Alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas.

É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos. Outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.


Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.


A mais bela e profunda emoção que se pode experimentar é a sensação do misterioso. Este é o semeador da verdadeira ciência. Aquele a quem seja estranha tal sensação, aquele que não mais possa devanear e ser empolgado pelo encantamento, não passa, em verdade, de um morto.


Saber que realmente existe aquilo que é impenetrável a nós, e que se manifesta como a mais alta das sabedorias e a mais radiosa das belezas, que as nossas faculdades embotadas só podem entender em suas formas mais primitivas, esse conhecimento, esse sentimento está no centro mesmo da verdadeira religiosidade.


A experiência cósmica religiosa é a mais forte e a mais nobre fonte de pesquisa científica.


Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos.


A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia.


Essa convicção, profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a idéia que faço de Deus".








Isaac Newton
MarcadorAlessandro Volta - Nasceu em Como, Itália, 1745. Volta mostrou que a origem da corrente eléctrica, descoberta por Luigi Galvani, não estava nos seres vivos mas sim no contacto entre dois metais diferentes num meio ionizado. Construiu as primeiras pilhas químicas no final do século XVIII, cujo nome deu origem ao termo "voltagem", marcando o início do estudo da electricidade e dos circuitos eléctricos. Estes estudos foram as bases do rápido desenvolvimento da teoria electromagnética nas décadas seguintes. Volta também descobriu e isolou o gás metano e inventou o electróforo, aparelho que permite produzir cargas electrostáticas por atrito. Foi director da Faculdade de Filosofia da Universidade de Pádua :



"Submeti a um estudo profundo as verdades fundamentais da fé, e […] desse modo encontrei eloqüentes testemunhos que tornam a religião acreditável a quem use apenas a sua razão".










Andre Marie Ampere
MarcadorAndré Marie Ampere - Nasceu em Lyon, França, em 1775. Foi professor de física, química e matemática em Lyon e em Bourg. Para além de ser um extraordinário professor, Ampère desenvolveu trabalhos muito importantes nos campos da física, química e da matemática. Entre 1807 e 1816, estabeleceu a diferença entre átomos e moléculas, enunciou o chamado “princípio de Avogadro”, descobriu um ácido ao qual deu o nome de Fluorine, publicou uma tese sobre a refracção da luz e concebeu uma classificação de elementos, precursora da tabela periódica de elementos. Descobridor da lei fundamental da eletrodinâmica, cujo nome deu origem ao termo “amperagem” :



"A mais persuasiva demonstração da existência de Deus depreende-se da evidente harmonia daqueles meios que asseguram a ordem do universo e pelos quais os seres vivos encontram no seu organismo tudo aquilo de que precisam para a sua subsistência, a sua reprodução e o desenvolvimento das suas virtualidades físicas e espirituais".










Carl Friedrich Gauss
MarcadorCarl Friedrich Gauss - Nasceu em Braunschweig, Alemanha, em 1777. Famoso matemático, astrônomo e físico alemão. Era conhecido como o príncipe dos matemáticos. Muitos consideram Gauss o maior gênio da história da Matemática. Seu QI foi estimado em cerca de 240. Em Física, deu grandes contribuições ao campo do magnetismo, área em que trabalhou fazendo parceria com Weber. Hoje, a unidade de campo magnético pode ser o gauss ou o weber/m2 :



"Quando tocar a nossa última hora, teremos a indizível alegria de ver Aquele que em nosso trabalho apenas pudemos pressentir".









Ernst Werner von Siemens
MarcadorErnst Werner Von Siemens - Nasceu em Lenthe, perto de Hannover, Alemanha, em 1816. Foi um inventor e industrial alemão. Siemens inventou um telégrafo que usava uma agulha para apontar para a letra correcta, em vez de usar o código Morse. Baseado na sua invenção, fundou a companhia Siemens AG em 12 de Outubro de 1847. Inventou ainda um comboio eléctrico em 1879, a borracha, como isolador térmico, o fotómetro de selénio e o dínamo eléctrico de corrente alterna, entre outras invenções. Foi ainda o construtor das primeiras linhas subterrâneas de telégrafo na Europa :



"Quanto mais fundo penetramos na harmoniosa dinâmica da natureza, tanto mais nos sentimos inspirados a uma atitude de modéstia e humildade […] e tanto mais se eleva a nossa admiração pela infinita Sabedoria, que penetra todas as criaturas".










Guglielmo Marconi
MarcadorGuglielmo Marconi - Nasceu em Bolonha, Itália, em 1874. Foi um físico inventor do rádio, primeiro sistema práctico de telegrafia sem fios, em 1896. A teoria de que as ondas electromagnéticas poderiam propagar-se no espaço, formulada por James Clerk Maxwell, e comprovada pelas experiências de Heinrich Hertz, em 1888, foi utilizada por Marconi entre 1894 e 1895. Ele tinha apenas vinte anos quando transformou o celeiro da casa onde morava em laboratório e estudou os princípios elementares de uma transmissão radiotelegráfica. Inventor do telégrafo sem fio, prêmio Nobel em 1909 :



"Declaro com ufania que sou homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como fiel cristão, mas também como Cientista".












Isaac Newton
MarcadorIsaac Newton - Nasceu em Woolsthorpe, Inglaterra, em 1642. Fundador da física clássica e descobridor da lei da gravidade. Cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrônomo, alquimista e filósofo natural. É autor da obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, publicada em 1687, em que descreve a lei da gravitação universal e as Leis de Newton — as três leis dos corpos em movimento que assentaram-se como fundamento da mecânica clássica :



"A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isso fica sendo a minha última e mais elevada descoberta".












James Prescott Joule.jpg
MarcadorJames Prescott Joule - Nasceu em Salford, perto de Manchester, Inglaterra, em 1818. Joule, foi um físico e estudou a natureza do calor, e descobriu relações com o trabalho mecânico. Isso direcionou para a teoria da conservação da energia (a Primeira Lei da Termodinâmica). A nomenclatura joule, para unidades de trabalho no SI só veio após sua morte, em homenagem. Joule trabalhou com Lorde Kelvin, para desenvolver a escala absoluta de temperatura, também encontrou relações entre o fluxo de corrente através de uma resistência elétrica e o calor dissipado, agora chamada Lei de Joule :



"Nós topamos com uma grande variedade de fenômenos que […] em linguagem inequívoca falam da sabedoria e da bendita mão do Grande Mestre das obras".












John Ambrose Fleming
MarcadorJohn Ambrose Fleming - Nasceu em Lancaster, Inglaterra, em 1849. Foi um engenheiro eletrônico e físico britânico. Fleming foi aluno James Clerk Maxwell (1831-1879) nas cadeiras de matemática e eletricidade. Foi consultor científico de Marconi de 1899-1905, onde desenvolveu técnicas de radiotelegrafia, osciladores de centelhamento, geradores de ruído branco, e desenvolvimento de circuitos sintonizados. Descobridor da válvula e do diodo :



"A grande quantidade de descobertas modernas destruiu por completo o antigo materialismo. O universo apresenta-se hoje ao nosso olhar como um pensamento. Ora, o pensamento supõe a existência de um Pensador".












Thomas Edison
MarcadorThomas Alva Edison - Nasceu em West Orange, Estados Unidos, em 1847. Foi um inventor e empresário. Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento tecnlógico e científico encontra-se a lâmpada eléctrica incandescente, o gramofone, o cinescópio ou cinetoscópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone, Edison é um dos precursores da tecnologia do século XX. Tem um papel determinante na indústria do cinema. Muitos o consideram o maior inventor de todos os tempos. O seu QI seria estimado em cerca de 240, boa marca para o ego americano. A ele são atribuídas mais de 1300 patentes das quais várias centenas são de facto de sua própria autoria :



"Tenho […] enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles : Deus".












Von Braun.jpg
MarcadorWernher Magnus Maximilian Von Braun - Nasceu em Wyrzysk, Prússia, região que fazia parte da antiga Alemanha, em 1912. Foi um cientista alemão e uma das figuras principais no desenvolvimento de foguetes na Alemanha e nos Estados Unidos. Nos EUA, é respeitado como um dos heróis do programa espacial. Entrou na NASA em 1960, tornando-se diretor do Centro Espacial de vôo Marshall de 1960 à 1970, onde dirige os programas de vôos habitados Mercury, Gemini e Apollo. Ele é o pai do foguete Saturno V que levou os astronautas estadunidenses à Lua :



"Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que na época das viagens espaciais temos conhecimentos da natureza tais que já não precisamos de crer em Deus. Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salve da catástrofe o nosso mundo. Ciência e religião são, pois, irmãs, e não pólos antiéticos […] Quanto mais compreendemos a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontramos razões novas para nos assombrarmos diante dos esplendores da criação divina".










Wiliam Thompson Kelvin
MarcadorWilliam Thomson Kelvin - Nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1824. Foi um físico-matemático e engenheiro britânico, considerado um líder nas ciências físicas do século XIX. Ele fez importantes contribuições na análise matemática da eletricidade e termodinâmica, e fez muito para unificar as disciplinas emergentes da física em sua forma moderna. Ele é amplamente conhecido por desenvolver a escala Kelvin de temperatura absoluta. O título de Barão Kelvin foi dado em homenagem às suas realizações :



"Estamos cercados de assombrosos testemunhos de inteligência e benévolo planejamento; eles nos mostram através de toda a natureza a obra de uma vontade livre e ensinam-nos que todos os seres vivos são dependentes de um eterno Criador e Senhor".



domingo, 1 de abril de 2012

"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig


Ciência
REVISTA VEJA
25/03/2012

Filosofia e Teologia

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus

"Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. 'Isso Funciona? Não importa se é verdade, quero saber se funciona'"
William Lane Craig
Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

"Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério", disse. "Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável", continuou. "Normalmente as pessoas não me dizem 'boa sorte' ou 'não nos decepcione' antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo". Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.
O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. "Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso", escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros —  entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão(Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.
Perfil
Nome: William Lane Craig
Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia
Nascimento: 23 de agosto de 1949
Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé CristãEm Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova
Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.
Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.
Por que deveríamos acreditar em Deus?Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes? Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus? Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião? A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’? Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente? Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta? As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural? A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus? Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução? Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo? A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade? As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade? Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?", perguntam elas. "Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.
 (Colaborou Gabriel Castro)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CARDEAL GEORGE PELL: "SEM DEUS NAO SOMOS NADA"

ZP09100517 - 05-10-2009 Permalink: http://www.zenit.org/article-22870?l=portuguese Intervenção no "Festival de Ideias Perigosas" Ópera de Sydney nd Por Inma Álvarez SYDNEY, segunda-feira, 5 de outubro de 2009 (ZENIT.org) .- "Continuarei acreditando no Deus Único e Verdadeiro do Amor porqué sustento Que nenhum ATEU PoDE explicar o sorriso de Criança UMA". ASSIM afirmou o cardeal George Pell, arcebispo de Sydney, no Festival de Ideias Perigosas ("Festival de Ideias Perigosas") celebrado Neste Fim de Semana no Opera House de Sydney. O cardeal Pell participou los hum debate Público não quali estiveram also Presentes o Escritor antirreligioso inglês Christopher, com UMA Intervenção intitulada "A religião envenena tudo" ("A religião envenena tudo"), eA conhecida feminista e acadêmica Germaine Greer, Que falou Sobre a Liberdade " , a idéia mais perigosa de todas "(" Liberdade, uma IDEIA Mais perigosa de TODAS "). Segundo comunicou uma ZENIT um Arquidiocese de Sydney, o purpurado referiu si à Questão da existência de Deus enquanto à Relação Entre Fé e Ciência, e enquanto AO ateísmo e laicismo AO ocidental. QUANTO à Questão da Relação Entre Ciência e Fé, o cardeal Pell afirmou Opaco "Ainda Que muitas Pessoas, inclusive anti-teístas OS e OS provocadores, ainda consideram Deus Como hum Inimigo, OS Recentes Desenvolvimentos em Física e biologia reforçaram um Consideração de Deus Como hum Matemático de Primeira categoria ". O purpurado afirmou Opaco "Não É Possível Chegar um Deus no marco da Ciência, porqué Deus está online fóruns do Espaço e do Tempo". Citando Anthony Flew, hum Filosofo e ATEU conhecido e influente, Que Recentemente Mudou de Opinião proclamando Que HÁ UM Deus, o cardeal Pell Disse Que quando si estuda uma Interação dos Corpos físicos, Como Partículas subatômicas como, FAZ-SE Ciência. "Quando perguntamos nn Como OU ESTAS Por quê existem Partículas, Física parágrafo Vamos da uma metafísica, estamos Fazendo Filosofia", acrescentou. "O Deus Sobre o quali estamos Discutindo Não É UM Deus de Ossos, nao hum Deus Contratado parágrafo preencher vazios de Nosso Conhecimento Atual, Que si preencherão quando um avançar Ciência". "E o Conjunto do Universo o quali si explicativo Por si MESMO, inclusive um Infraestrutura e OS Elementos Que conhecemos cientificamente", afirmou o cardeal Pell. Ateísmo UO anticristianismo? Perguntado Por quê muitos australianos São nao crentes, ateus agnósticos UO, o cardeal Disse Que apenas 17% da População nao aceita uma existência de Deus. Afirmou Que uma Ausência de Deus no debate Australiano nao si um desen nenhuma TEORIA POLÍTICA anglófona, Mas sim à hostilidade laicista par com o Cristianismo. "Com frequencia, Deus Vê si Preso nd hostilidade laicista parágrafo com uma Defesa Cristã da Vida Humana, Princípio e especialmente AO AO final, à Defesa Crista do matrimônio, da Família e do vinculo da Sexualidade com Amor e vida". "Nestes Conflitos Culturais si Encontra um Origem da Maior Parte do Ódio um Deus e à religião, enquanto Que OS Novos atos de Violência de UMA minoria de terroristas muçulmanos dram EAo laicisitas Ocidentais Novos Motivos par atacar TODAS como Religiões. Contudo, e Muito Mais Seguro OS atacar cristãos ", Disse o cardeal Pell. O purpurado acrescentou Que par medir um Popularidade Internacional de Deus, então E Preciso Olhar parágrafo Tendências Atuais como indicam Que Que a China, não final do Século XXI, poderá ter uma População Cristã Maior do Que QUALQUÉR País do Mundo. Em SUAS CONCLUSÕES, declarou-se "assustado" ao ver tantas Pessoas no Ocidente incapazes de CRER, especialmente como Nações vinculadas culturalmente com o Cristianismo EO judaísmo. "Para Mim, uma Questão e Muito Importante parágrafo serviços deixada à polêmica UO à autocomplacência", acrescentou. "Vou continuar 'crendo no Único e Verdadeiro Deus do amor, porqué sustento Que nenhum ATEU PoDE explicar o sorriso de Criança UMA". "Contra Isto É, o tsunami Recente also nn recorda brutalmente o Problema do Sofrimento dos inocentes. Mas ESSE Sofrimento e Pior si nao HÁ Vida DEPOIS parágrafo equilibrar o Balanço da Desgraça e da injustiça, e Pior ainda nao HÁ SE Inocência UO culpabilidade, si nao HÁ Bem mal Nem, SE TEM Tudo o Significado moral da espuma los UMA onda ".

domingo, 15 de janeiro de 2012

A Contradição de Dawkins

Li há poucos dias, num jornal de larga circulação, uma entrevista que entre si fazem dois declarados ateus. É claro, falam às soltas, e sem nenhum cuidado para com outras opiniões. Trata-se do conhecido militante ateu Dawkins (não garanto pela grafia), do Reino Unido. Assume a postura de "palmatória do mundo". Entre outras iniciativas, assumiu a árdua tarefa de comprovar (vejam só), que Hitler era cristão, e que seus colaboradores diretos eram...católicos. Até então eu só ouvira falar de tramas do nazismo contra ordens religiosas, de resistências de líderes católicos ao totalitarismo, da organização da juventude católica contra os absurdos do nazismo. Talvez ele tenha informações, desconhecidas pelos habitantes do lado de cá do Atlântico. Está suposto por Dawkins, que a primeira guerra mundial (como todas as demais guerras), não teriam existido se o mundo fosse dirigido por ateus e agnósticos. Eu até lhe concedo que nós cristãos cometemos erros, dos quais nos penitenciamos. Mas a imensa maioria das guerras não tiveram motivações religiosas, mas patrióticas, de vingança, de poder. Mas a maior invectiva do autor é reservada aos fautores das guerras, dos ódios, que não são outros se não os seguidores de religiões. Todas as guerras nascem, segundo ensina, da perversidade mental dos que acreditam em Deus. São eles que matam, que torturam os inocentes, bombardeiam cidades, dinamitam pontes e poços de petróleo, enfim, semeiam o ódio e a morte por toda a parte. Sua acusação é total e irrestrita. Agora, eu gostaria de perguntar ao famoso escritor: o que ele deseja alcançar com seus ataques virulentos contra os seguidores das diversas religiões, e contra os católicos em particular? Sem fazer uso de refinada psicologia, digo que quer "matar", "extirpar" e "acabar com os cristãos". Trata-se de extermínio por meios morais. Daquilo de que ele acusa os religiosos, ele próprio faz uso. Não suporta seguidores de Jesus. Por isso os quer deletar. O mandamento bíblico de "não matar" não se aplicaria ao genocídio que ele próprio quer promover. Se o famoso suporta um conselhinho de um pobre admirador de Cristo, eu lhe diria para refletir no que falou o maior homem do mundo: "Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz". Ele é garantia de nossa paz. *** Dom Aloísio Roque Oppermann Arcebispo de Uberaba (MG)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fundamentalismo ateu

Ives Gandra da Silva Martins Além dos avanços na ciência feitos por sacerdotes, a Igreja ofereceu ao mundo moderno o seu maior instrumento de cultura, ou seja, a universidade Voltávamos, Francisco Rezek e eu, de uma posse acadêmica em Belo Horizonte quando ele utilizou a expressão "fundamentalismo ateu" para se referir ao ataque orquestrado aos valores das grandes religiões que vivemos na atualidade. Lembro-me de conversa telefônica que tive com meu saudoso e querido amigo Octavio Frias, quando discutíamos um editorial que estava para ser publicado sobre encíclica do papa João Paulo 2º, do qual discordava quanto a alguns temas. Argumentei que a encíclica era destinada aos católicos e que quem não o era não deveria se preocupar. Com inteligência, perspicácia e bom senso, Frias manteve o editorial, mas acrescentou a observação de que o papa, embora cuidando de temas universais, dirigia-se fundamentalmente aos de fé cristã. Quando fui sustentar, pela CNBB, perante o STF, a inconstitucionalidade da destruição de embriões para fins de pesquisa científica -pois são seres humanos, já que a vida começa na concepção-, antes da sustentação fui hostilizado, a pretexto de que a Igreja Católica seria contrária à ciência e que iria falar de religião, não de ciência e direito. Fui obrigado a começar a sustentação informando que a Academia de Ciências do Vaticano tinha, na ocasião, 29 Prêmios Nobel, enquanto o Brasil até hoje não tem nenhum, razão pela qual só falaria de ciência e direito. Mostrei todo o apoio emprestado pela Academia às experiências com células-tronco adultas, que estavam sendo bem-sucedidas, enquanto havia um fracasso absoluto nas experiências com células-tronco embrionárias. De lá para cá, o sucesso com as experiências utilizando células tronco adultas continuam cada vez mais espetaculares. Já as pesquisas com células embrionárias permanecem em estágio "embrionário". Trago essas reminiscências, de velho advogado provinciano, para demonstrar minha permanente surpresa com todos aqueles que, sem acreditar em Deus, sentem necessidade de atacar permanentemente os que acreditam nos valores próprios das grandes religiões, que, como diz Toynbee em seu "Estudo da História", terminaram por conformar as grandes civilizações. Por outro lado, Thomas E. Woods Jr., em seu livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental", demonstra que, além dos fantásticos avanços na ciência feitos por sacerdotes cientistas, a Igreja ofereceu ao mundo moderno o seu maior instrumento de cultura e educação, ou seja, a universidade. Aos que direcionam essa guerra ateia contra aqueles que vivenciam a fé cristã e cumprem seu papel, nas mais variadas atividades, buscando a construção de um mundo melhor, creio que a expressão do ex-juiz da Corte de Haia é adequada. Só não se assemelham aos "fundamentalistas" do Oriente Médio porque não há terroristas entre eles. Num Estado, o respeito às crenças e aos valores de todos os segmentos da sociedade é a prova de maturidade democrática, como, aliás, o constituinte colocou no artigo 3º, inciso IV, da nossa Constituição Federal, ao proibir qualquer espécie de discriminação. ________________________________________ IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 76, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Breves considerações sobre o ateísmo

A existência de Deus não é um dado apenas da fé, pois Ele é cognoscível naturalmente, ou seja, sua existência pode ser verificada por meio de provas racionais. Dessa forma, como explicar que haja ateus? Será verdade que existem? E, se existem, quais são as causas e conseqüências do ateísmo? Ateu é o que não crê na existência de Deus. Desta definição se vê que não devemos incluir no número dos ateus: a) Os indiferentes, que põem de parte o problema da origem do mundo e da alma, e vivem sem preocupações acerca de seu destino. Ainda que esta disposição de espírito conduza ao ateísmo, os indiferentes não são ateus propriamente ditos. b) Os agnósticos, para os quais Deus pertence ao domínio do incognoscível. Esta atitude equivale a um cepticismo religioso. c) Muito menos devem ser tidos por ateus aqueles que ignoram quase por completo a religião e professam exteriormente o ateísmo, porque julgam essa atitude própria dos espíritos fortes, ou porque têm interesse de seguir a corrente do favoritismo oficial. Portanto, devemos somente considerar como ateus os homens de ciência e os filósofos que, depois de ponderar maduramente as razões, pró e contra, da existência de Deus, optam pela negativa. Embora pouco numerosos proporcionalmente, os ateus têm um número crescente e geralmente atuam em conjunto com agnósticos. As causas do ateísmo podem ser intelectuais, morais e sociais. Causas intelectuais a) A incredulidade dos homens de ciência, deve atribuir-se ordinariamente a preconceitos e ao emprego de um método falso. É evidente que nunca poderão ultrapassar os fenômenos e atingir as substâncias, se nesta matéria empregam o método experimental, que só admite o que pode ser objeto da experiência e ser observado pelos sentidos. Notemos ainda que algumas fórmulas, por eles usadas, não são verdadeiras, pelo menos no sentido em que tomam. Por exemplo, quando alegam que a matéria é necessária e não contingente, invocam para o demonstrar a necessidade da energia e das leis. Ora, é bem claro que a palavra necessária neste caso é equívoca. A necessidade pode ser absoluta ou relativa. É absoluta, quando a não-existência encerra contradição; relativa quando a coisa em questão, na hipótese de existir, deve possuir tal ou tal essência, esta ou aquela qualidade, por exemplo: uma ave deve ter asas, sem elas já não seria ave.Como a energia e as leis são necessárias somente no sentido relativo, os materialistas erram em concluir que a matéria é o "Ser necessário no sentido absoluto". b) O ateísmo dos filósofos contemporâneos tem a sua origem no criticismo de Kant e no positivismo de Conte. Segundo os criticistas e os positivistas, a razão não pode chegar à certeza objetiva, nem conhecer as substâncias que se ocultam sob os fenômenos. Diminuindo assim o valor da razão, rejeitam todos os argumentos tradicionais da existência de Deus. Pode pois dizer-se que a crise de fé, na maioria dos filósofos contemporâneos, é de fato uma crise da razão. Mas há de acontecer a esta o que acontece aos que estão injustamente detidos: será um dia reabilitada e retomará os seus direitos. Causas morais a) A falta de boa vontade. Se as provas da existência de Deus se estudassem com mais sinceridade e menos espírito de crítica, não haveria tanta resistência à força dos argumentos. Também não se deve exigir dos argumentos mais do que eles podem dar: é evidente que a sua força demonstrativa, ainda que real e absoluta, não nos pode dar evidência matemática. b) As paixões. A fé é um obstáculo para as paixões. Ora, quando alguma coisa nos incomoda, encontramos sempre motivos para nos afastar. "Há sempre no coração apaixonado, motivos secretos para julgar falso o que é verdadeiro...facilmente se crê o que muito se deseja; e quando o coração se entrega à sedução do prazer, o espírito abraça voluntariamente o erro que lhe dá razão" (Frayssinous, Defense du christianisme. L´ incrédulité dês jeunes gens). P. Bourget (Essai de psychologie contemporaine), refletindo sobre a realidade francesa, numa análise penetrante que faz da incredulidade, escreve as seguintes linhas: "O homem quando abandona a fé, desprende-se, sobretudo, duma cadeia insuportável aos seus prazeres...Nenhum daqueles, que estudaram nos nossos liceus e universidades, ousará negar que a impiedade precoce dos livres pensadores de capa e batina começou por alguma fraqueza da carne, seguida do horror de a confessar. Acode imediatamente a razão a aduzir argumentos (!!!) em defesa duma tese de negação, que já antes admitira por causa das necessidades da vida prática". c) Os veículos de comunicação. Não aludimos aos que são claramente imorais, mas aos que atacam disfarçadamente e continuamente os fundamentos da moralidade e, em nome de um pretendido progresso e de uma suposta ciência, querem fazer-nos crer que Deus, a alma e a liberdade são apenas palavras a encobrir quimeras. Causas sociais a) A educação. Não é exagero dizer que as escolas neutras são um terreno excepcionalmente próprio para a cultura do ateísmo. A sociedade hodierna em geral caminha para o ateísmo, porque assim o quer. b) O respeito humano. Muitos têm medo de parecer crentes porque a religião já não é estimada em certos círculos influentes e temem cair no ridículo. Consequências do ateísmo O ateísmo, pelo fato de negar a existência de Deus, destrói radicalmente o fundamento da moral e dá origem às mais funestas conseqüências para o indivíduo e para a sociedade. Para o indivíduo: a) O ateu deixa-se arrastar pelas paixões. Se não há Deus, se não existe um Senhor Supremo, que possa impor a prática do bem e castigar o mal, porque razão não se hão de satisfazer todos os apetites e correr atrás da felicidade terrena, por todos os meios que estiverem ao alcance de cada um? b) Além disso, o ateísmo priva o homem de toda a consolação, tão necessária nos reveses da vida. Para a sociedade: As conseqüências do ateísmo são ainda mais prejudiciais à sociedade. Suprimindo as idéias de justiça e de responsabilidade, o ateísmo leva os Estados ao despotismo e à anarquia, e o direito é substituído pela força. Se os governantes não vêem acima de si um Senhor que lhes pedirá contas da sua administração, governarão a sociedade segundo os seus caprichos. Mais ainda, os homens, na realidade, não são todos iguais nas honras, nas riquezas, nas situações e nas dignidades. Ora, se não existe um Deus para recompensar um dia os mais deserdados da fortuna, que cumprem animosamente o seu dever e aceitam com resignação as provas da vida, porque não haveriam de se revoltar contra um mundo e uma sociedade injusta e reclamar para si, a todo custo, o seu quinhão de felicidade e prazer? *** Bibliografia: BOULANGER. Manual de Apologética Por Thiago Santos de Moraes http://veritatis.com.br

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Deus Morreu, Marx morreu - EB




Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
D. Estevão Bettencourt, Osb
Nº 217, Ano 1978, p. 3

"DEUS MORREU, MARX MORREU E EU MESMO NÃO ME ESTOU SENTINDO BEM"
(Michel Le Bris)
 Em síntese:  Em meados de 1977, tornou-se notória na França a corrente dos "Novos Filósofos". Foram marxistas, maoístas ou mesmo ultra-maoístas, mas hoje se confessam entediados de todo e qualquer totalitarismo, seja de esquerda, seja de direita. A experiência do marxismo, comprovada no decorrer do século XX pela política de esmagamento do homem, os desiludiu. Embora não tenham substitutivo exato para propor em lugar dos totalitários, os "Novos Filósofos" se professam seguidores de Sócrates, o pensador que apregoava, antes do mais, os valores éticos. Insinuam, assim, que a renovação da sociedade só poderá ser obtida se doravante os homens começarem a dar atenção às qualidades da honestidade, da veracidade, da fidelidade, do respeito ao semelhante.
A posição dos "Novos Filósofos" é altamente significativa porque transfere o problema da renovação da sociedade do plano meramente jurídico e institucional para o plano da consciência moral e da ética. Verdade é que os homens nunca poderão viver em sociedade sem sistema jurídico e distribuição de direitos e deveres; também nunca poderão deixar de cultivar a ciência e a técnica, que beneficiam grandemente a humanidade. Mas é outrossim verdade que toda organização social e qualquer progresso tecnológico estão fadados ao fracasso se não se basearem no cultivo dos valores éticos e no despertar da consciência moral em cada indivíduo.
É por lembrarem tais verdades que os "Novos Filósofos" são importantes. Representam a alma humana como tal (mesmo sem Religião) cansada do materialismo e dos ídolos do totalitarismo e posta à procura de outros valores que são os do Transcendental e Infinito ou os valores de Deus (... Deus procurado ainda às apalpadelas; cf. At 17, 27).
Comentário: Em meados de 1977 tornou-se notório na França um grupo de intelectuais que, após ter feito a experiência da militância marxista, proclamam estar Karl Marx ultrapassado ou morto; põem-se a denunciar o totalitarismo de Marx e o de Mão como também os abusos do capitalismo, assumindo posições de contestação radical a todos os extremismos... A atitude desses pensadores vem chamando a atenção do público estudioso, que lhes atribui o título de "Novos Filósofos"; parecem representar o pensamento de numerosos cidadãos tanto do mundo ocidental como dos países da Cortina de Ferro.
Na realidade, trata-se de um grupo de oito ou nove homens cuja idade vai dos 28 aos 40 anos. Aderiram ao marxismo ou mesmo ao maoísmo no início de sua reflexão filosófica; todavia vieram a desiludir-se, tendo em vista o comportamento dos países líderes do comunismo (a Rússia e a China). Os escritos de Alexandre Solzenitsyn, como também a conduta dos marxistas franceses por ocasião do movimento esudantil-operário de 1968, muito contribuíram para desapontá-los. Hoje em dia não apregoam modelo algum do Estado público, mas anseiam pela restauração do código de honra entre os indivíduos humanos e os povos. O seu modelo é Sócrates, o filósofo questionador que preconizava entre os seus contemporâneos uma consciência mais profunda dos grandes valores da ética.
Aliás, esse grupo de pensadores contrários às ideologias políticas parece exprimir um estado de espírito que se tem propagado nos países ocidentais durante os últimos anos. O sociólogo norte-americano Daniel Bell publicou em 1960 o livro "The End of Ideology" (O fim das ideologias), no qual afirmava que as ideologias totalitárias do século XIX foram esvaziadas pelos graves males que elas produziram no século XX, como os campos de concentração, a sufocação das revoltas húngara e tchecoslovaca, os ensaios de shows moscovitas, os Estados totalitários promissores de bem-estar (...), Embora o comunismo tenha hoje seu peso a Itália e na França, aparece nítida a seguinte verificação: para a "intelligentsia" mais exigente, as ideologias perderam "a sua verdade" e a sua capacidade de persuadir. São poucos os pensadores sérios que acreditam que, mediante uma "engenharia social", possa ser atingida a utopia da harmonia social.
Com outras palavras, os "Novos Filósofos" franceses afirmam a desintegração do marxismo precisamente quando ele parece vivo e vibrante no setor da política. Têm a coragem de denunciar o socialismo num momento em que a aliança socialista-comunista na França goza de forte probabilidade de dominar o Parlamento por ocasião das eleições de março pf. Estigmatizam os comunistas como ditadores exatamente quando o eurocomunismo, com as suas promessas de pluralismo democrático, está a seduzir intelectuais franceses, italianos e espanhóis. Como filósofos dissidentes estão ganhando audiência no mundo pelo fato de impugnarem o totalitarismo sob qualquer das suas formas, asseverando que todas as ideologias são perigosas. Michel Le Bris, um dos menos conhecidos pensadores do grupo, está precisamente escrevendo um livro que terá o título desafiador: "Deus está morto, Marx está morto, e eu mesmo não me estou sentindo bem".
Ora a repórter Sandra Burton, correspondente da revista norte-americana "Time", foi entrevistas cinco dos "Novos Filósofos", que lhe expuseram seu modo de pensar. É o conteúdo de tais declarações que vamos abaixo apresentar resumidamente, tendo por base a edição de 5/IX/77 da mesma revista "Time".
Alguns representantes dos "Novos Filósofos"
Passaremos em revista o pensamento de cinco dos mais significativos.
André Glucksmann
Figura preeminente do grupo, Glucksmann tem atualmente seus quarenta anos de idade. Filho de pais marxistas, teve que deixar, com os mesmos, a Alemanha nazista em 1936. Aos quatorze anos de idade, já era membro do Partido Comunista. Mais tarde foi seduzido pelo maoísmo e, ainda, por um tipo de esquerdismo mais avançado. Dos quatro livros de sua autoria que descrevem a sua odisséia política, o mais importante é "The Cook and the Man-Eater" (O cozinheiro e o devorador de homens), 1975, inspirado pelas revelações de Solzhenitsyn referentes ao arquipélago Goulag.
Na obra "The Master Thinkers" (Os Grandes Pensadores), Glucksmann considera os sistemas filosóficos de Fichte, Hegel, Marx e Nietzche (século XIX); julga que estes pensadores são responsáveis pelo conceito de "ciência humana" em virtude da qual os Estados modernos controlam os seus cidadãos; critica-os também por haverem concebido a idéia de "revolução definitiva", que procura apagar o passado e realiza a "lavagem  cerebral" dos súditos em nome de um mundo novo e belo. Diz ele:
"Estou preocupado com a crença no mito da revolução que permite aos Stalins e Brezhnevs cometer crimes em nome da mesma e impedir ao povo que resista a tal processo".
Mais: "Hoje em dia na França, existem os novos socialistas que de novo formulam a promessa de transformação da sociedade. Todavia recusam examinar o que realmente ocorre debaixo dos regimes socialistas. Somente quando alguém toma consciência de que o Estado é tão perigoso quanto os monopólios particulares, pode perceber que não tem sentido a nacionalização das indústrias propostas pela esquerda".
Glucksmann, finalmente, sente-se estimulado pelos sinais de crescimento do arquipélago de dissidentes na França e em outros países,... dissidentes que protestam contra os planos nucleares e pedem mais autonomia para as minorias, sem compromisso com alguma ideologia totalitária.
Bernard-Henri Lévy
Com vinte e nove anos de idade atualmente, foi jornalista de esquerda, admirador de Fidel Castro e Mão, e colaborador da Editora Grasset de Paris. O título do seu "best-seller" é "Barbarism with a Human Face" (Barbárie com face humana), obra em que descreve o socialismo. Convencido de que "o marxismo é o ópio do povo", sente-se obrigado a apregoar esta convicção visto que o socialismo está em avanço na Europa. São suas palavras:
"Pela primeira vez na história, o socialismo adquiriu uma hegemonia universal. Mas, paradoxalmente, ao mesmo tempo está em crise no mundo inteiro. Na Itália, os jovens de Bolonha estão-se rebelando contra o Partido Comunista italiano, que em toda parte é totalitário ao máximo. O mesmo fenômeno acontece em Nápoles, Angola, na Europa Oriental, na Suécia, em Grenoble, em Portugal. Não obstante, na França há quem aguarde com grande esperança a vinda do comunismo".
Lévy mostra-se preocupado pelo fato seguinte:
"Muitos jovens não querem admitir que o capitalismo - que há muito eles consideram seu inimigo - é a mesma coisa que o socialismo. Eu costumava levantar protestos contra a Embaixada dos Estados Unidos. Hoje eu preferiria fazer o mesmo contra a União Soviética... Entre a barbárie do capitalismo, que muitas vezes censura a si mesmo, e a barbárie do socialismo, que não censura a si mesmo, declaro que eu escolheria o capitalismo".
Em outra passagem observa o mesmo autor:
"Estamos tomando consciência de que a grande invenção do século XX vem a ser os campos de concentração, os quais nada mais são do que morticínio generalizado, empreendido por razões de Estado. Não apregôo a tristeza, mas apenas o reconhecimento de que não se pode institucionalizar a felicidade".
Em suma, Bernard-Henri Lévy elogia os "novos resistentes" esparsos pelo mundo inteiro, os quais não são fortes por terem armas ou sistemas filosóficos pretensiosos, mas, sim, por apregoarem valores pessoais e morais.
Jean-Marie Benoist
Com seus trinta e cinco anos de idade, Benoist julga que o pensamento filosófico e político tem sido esclerosado por Marx e Mão; é preciso, pois, sacudi-lo e remover estes dois autores, como Galileo teve a coragem de sacudir o pensamento do século XVII e remover a cosmovisão de Aristóteles. Os "Novos Filósofos" seriam precisamente os continuadores do papel de Galileu, desta vez, porém, no setor sócio-político, que Marx e Mão têm dominado. São dizeres de Benoist:
"Quer se trate de uma gigantesca Companhia multinacional, quer se trate do Partido Comunista, em toda parte assistimos à reação do povo contra as grandes estruturas que envolvem ideologias políticas".
1.4 Jean-Paul Dallé
Com trinta e oito anos de idade, Dollé é doutor em Filosofia e professor de Sociologia na Escola das Belas Artes de Paris. Há cinco anos, publicou a história de sua rixa com o Marxismo no livro intitulado "Desire for Revolution" (Desejo de Revolução). É da opinião de que atualmente "todas as nações ocidentais estão atestando, como Nietzsche predisse, que Deus morreu. Em lugar de Deus da religião, diz ele, colocamos o progresso técnico. Todavia a própria ciência reconhece não ter condições de ser um ídolo. É o que explica que aos poucos tenha começado amplo movimento em demanda de nova sensibilidade, Movimento do qual é parte a Nova Filosofia".
Dollé julga que "estamos vivendo em autêntico período socrático. Ponto por ponto, os homens estão levantando todas as questões importantes que se relacionam com a vida: Que valor tem um reator nuclear ? Qual é a verdadeira identidade da mulher ?" Observando os aglomerados de edifícios "monstruosos" e os meios de transporte que caracterizam as cidades, os homens começam a rejeitar a ética do progresso perpétuo ¹, São palavras de Dolleé:
"Assim existe um vazio. As pessoas estão interessadas em muitas coisas, desde a música dos trovadores do séc. XIV até a legalização da marijuana; mas nada há que unifique esses interesses. A nossa era é dispersiva. Em conseqüência, os homens de cúpula - acham difícil o exercício de suas funções. O sistema vigente é cada vez menos operante e se acha em pânico. Eis por que os membros do sistema político francês reagem contra os Novos Filósofos perguntando: "São da direita ou da esquerda ?" Na verdade, nós somos  sintoma de algo muito maior ainda, que os políticos ainda não reconheceram. Todavia o povo simples já o descobriu".
Como se vê, os "Novos Filósofos" pretendem ultrapassar as categorias políticas hoje em dia vigentes, a fim de propor uma ordem entre os homens baseada na autoeducação que leve ao respeito e à colaboração sincera.
1.5 Gui Lardreau
Aos trinta anos de idade, Lardreau é professor no "Lycée d'Auxerre" e autor da obra antimarxista "Monkey of Gold" (Macaco de Ouro), 1974... A sua mensagem se caracteriza pelos seguintes termos:
"Atualmente nada de novo pode acontecer no campo da política francesa, porque o país inteiro está paralisado até as eleições de 1978... Todavia, quer você vote pela direita, quer pela esquerda, faça-o sem ilusões. É necessário renunciar à idéia de que algum sistema possa ser salvador".
Esta declaração faz eco fiel às do filósofos atrás citados.
Importa-nos agora tentar realizar um balanço da posição dos "Novos Filósofos", balanço que os próprios pensadores europeus de outras escolas já começaram a esboçar.
Reflexões sobre a "Nova Filosofia"
Proporemos os três seguintes pontos:
1) Os "Novos Filósofos" fazem genuíno eco ao cansaço e à frustração de certas populações da Europa e de outras partes do mundo, que o comunismo tem dominado ou ameaçado. O eurocomunismo seria a mais recente forma de máscara adotada pelo marxismo para se impor aos povos da Europa Ocidental. Ora os "Novos Filósofos" denunciam toda ideologia ¹ sob qualquer de suas aparências ou máscaras. E com muita razão o fazem... Na verdade, qualquer sistema totalitário, ou seja, qualquer sistema que se apregoe suficiente para responder a todas as indagações do homem e trazer-lhe a felicidade, é falso, pois é impossível satisfazer ao homem tão somente dentro dos parâmetros da ciência, da economia e da organização social. Todo ser humano tem aspirações ao Infinito e ao Transcendental, de modo que só uma cosmovisão religiosa, ou melhor, as proposições da fé poderiam responder cabalmente aos anseios do homem; é à fé que compete propor o sentido pleno da vida humana e as perspectivas definitivas que devem nortear a ordem política e social ². Os "Novos Filósofos" não falam de Deus; talvez mesmo não o aceitem. Mas pode-se-lhes reconhecer o mérito de haver explicitado a insatisfação dos homens contemporâneos diante das ideologias ou dos ídolos da política e da filosofia social vigentes.
A contestação, mesmo destituída de modelo positivo, pode ser útil no caso, pois há de incitar os cristãos a propor de novo modo a Grande Resposta que o Evangelho apresenta ao homem sôfrego de nossos dias. O homem que se afastou do Evangelho na expectativa de encontrar algo de melhor, entedia-se dos ídolos que ele criou para si mesmo; assim se constitui o clima propício para se reconhecer sob nova luz a veracidade das proposições da mensagem cristã.
2) Embora não tenham novo modelo político a propor, os "Novos Filósofos" se professam seguidores de Sócrates. Este questionava a ordem de coisas vigente em sua época (séc. VI a.C.), pretendendo assim, antes do mais, renovar as consciências e os valores éticos. Com efeito reunindo seus concidadãos nas praças de Atenas, perguntava-lhes se tinham noção do que vêm a ser a justiça, a fortaleza, a prudência, a temperança... E aos mais sábios mostrava que nada sabiam. Sócrates quis começar a reestruturação da sociedade do seu tempo chamando a atenção para a ordem moral e despertando as consciências dos homens para novo comportamento ético. Ora este é realmente o autêntico caminho para qualquer soerguimento da sociedade, principalmente em nossos dias: muito se fala em mudanças de estruturas, como se apenas novas disposições jurídicas viessem trazer a felicidade dos homens, e cada vez mais se esquecem os valores da consciência, como a honestidade, a retidão, a veracidade, a fidelidade, a dignidade na  vida política, o respeito ao próximo... Ora, se não há sério respeito e cultivo de tais valores, está de antemão fadada à ruína qualquer procura de paz e bem-estar para os indivíduos e os povos.
Donde se vê que, embora predominantemente contestatários, os "Novos Filósofos" indicam o cerne donde se poderá derivar o projeto de solução das crises sociais de nossos dias.
3) Os "Novos Filósofos" parecem rejeitar qualquer sistema ou estrutura política. Fazem-nos talvez mais para levar os homens a refletir do que para propor uma tese. A propósito observemos que o ideal de uma sociedade regida unicamente por valores éticos sem intervenção de leis ou de unicamente por valores éticos sem intervenção de leis ou de ordem jurídica vem seduzindo os pensadores desde os tempos da "República" de Platão (+ 347 a.C.); e também hoje o ideal do marxismo em sua fase mais evoluída. Deve-se, porém, reconhecer que a boa ordem na sociedade exige organização sistemática das tarefas, com distribuição de direitos e deveres as instituições civis e políticas são a garantia de certa ordem e de progresso sadio para a sociedade.
Mais: não se podem rejeitar os avanços da ciência  e da técnica de maneira global. Se, de um lado, o tecnicismo ou a hipertrofia da técnica (com as exigências de consumo e as conseqüências de massificação) é nocivo, de outro lado a sociedade e os indivíduos podem validamente beneficiar-se das facilidades e comodidades que os recursos científicos e técnicos proporcionam ao gênero humano no tocante ao trabalho, à saúde, à alimentação, à moradia, ao lazer, às comunicações, etc. Eis por que não se pode rejeitar a estruturação jurídica e sistêmica da sociedade, nem se pode menosprezar o planejamento do progresso científico e técnico, mas é necessário favorecer tais interesses do gênero humano. Contudo importa incutir na humanidade a consciência (que muitos indivíduos já conceberam implicitamente) de que os valores do progresso técnico são relativos ou vêm a ser subsídios para a caminhada em demanda dos únicos bens capazes de satisfazer plenamente aos homens, que são os bens transcendentais.
Eis o que nos convinha dizer a respeito dos "Novos Filósofos". Estes têm grande significado, principalmente pelo fato de representarem o ser humano como tal (mesmo sem Religião) insatisfeito diante dos ídolos do totalitarismo e frente aos paraísos que estes prometem. Constituem um paralelo aos pensadores soviéticos, que, mesmo sem professar crenças religiosas, protestam contra o endeusamento do Estado e da matéria e bradam ao menos implicitamente em demanda do Deus verdadeiro. Em todos esses casos, é a alma humana que fala a partir do que tem de mais autêntico e representativo. Assim se corroboram mais uma vez os dizeres de S. Agostinho "Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti" (Confissões I, 1).

¹ Ética do progresso perpétuo é aquela que toma como critério do bem e do mal a contribuição para o progresso técnico. Eticamente bom seria tudo o que fomentasse o progresso (o que estimularia sem limite a técnica); eticamente mau seria o que retardasse a evolução tecnológica.
¹ Ideologia vem a ser neste contexto o sistema de idéias que se baseia na observação de fatos concretos econômicos e sociais e que propõe uma visão do homem e do mundo destinada a transformar a ordem social e econômica vigente. A ideologia tem sempre um cunho totalitário e maquiavélico, professando, ao menos implicitamente, que o fim justifica os meios.
² Com isto não queremos dizer que a fé ou a teologia deva traçar planos de ação política ou econômica - o que seria exorbitante. Mas afirmamos que só a ampla visão do mundo e do homem proposta pela fé ou pelo Senhor Deus pode indicar as principais metas e a escala de valores que uma boa organização social deve observar.