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domingo, 7 de abril de 2013

A FÉ É O MOTOR DA HISTÓRIA



Hoje é o domingo da oitava da Páscoa, completando os oito dias da grande Festa da Ressurreição do Senhor.  É o domingo da FÉ, tema que nos inspira uma importante reflexão sobre o seu papel ao longo dos séculos. Sempre existiram pessoas descrentes, mas nunca houve um povo ateu na história, o que nos demonstra a fundamentação religiosa na construção da memória histórica coletiva.  Marx dizia que a história é movida pela luta de classes e assim tem sido interpretada pelos historiadores. Na verdade é a superestrutura que determina a história, sendo a religião um dos seus elementos essenciais. A história até agora tem sido movida pela Fé, a fonte inspiradora das relações humanas e das principais realizações da humanidade.
Que grandes obras foram produzidas pela mentalidade materialista ateia? Nenhuma. Aliás, o esquecimento de Deus, o materialismo e o egoísmo estão na origem de todos os conflitos, de todas as guerras.  Ao contrário, sem a Fé provavelmente não existiriam as grandiosas obras como as Catedrais, as Universidades, as escolas, os grandes santos, as grandes obras de arte, nem as pirâmides do Egito. O próprio progresso científico se desenvolveu a partir de uma Filosofia cristã que considerava o mundo racional e, portanto possível de ser conhecido nas suas leis físicas através do uso da razão.
E o Cristianismo é o ápice do processo histórico e a realização mais perfeita da Fé religiosa, pois está fundamentado na Revelação do próprio Deus através do seu único Filho, Jesus Cristo, que veio ao mundo e com sua Paixão e Morte resgatou a humanidade. O historiador Jônatas Serrano afirmou que o Nascimento de Cristo é de fato o divisor de águas da história, o fato mais importante, que modificou os rumos da vida humana sobre a Terra.  E ao longo destes seus dois mil anos de história o Cristianismo tem sido o elemento determinante na construção da cultura Ocidental em todos os seus aspectos: econômicos, sociais e políticos.
A Fé cristã convenceu o Império Romano, que de pagão e perseguidor dos cristãos durante mais de 300 anos adotou o Cristianismo como religião oficial a partir do ano 380, com o imperador Teodósio. Converteu os povos germânicos destruidores do Império Romano e guiou o processo histórico da Idade Média, onde a sociedade era governada pelos princípios do Cristianismo. O espírito de fé cristalizou as relações humanas, aperfeiçoando a família, a forma de governar, as relações econômicas guiadas por regras mais justas e construiu lentamente todos os valores que fundamentam a nossa sociedade.  A Fé era um patrimônio daquela sociedade e a Igreja e o Estado estavam unidos, cuidando do espiritual e do temporal, respectivamente, mas juntos para atingir o mesmo fim, a salvação das almas. É verdade que existiam conflitos, guerras, disputas pelo poder, interferência excessiva do poder temporal na Igreja, corrupção de membros da hierarquia da Igreja, mas tudo isso exagerado pela historiografia marxista, que inspirada nas fontes protestantes desde a época da Reforma e nas fontes iluministas, ambas detratoras da Igreja Católica, pretendeu ridicularizar e desprestigiar o Catolicismo. E vale destacar que o ser humano é contingente, imperfeito, muitas vezes egoísta e sujeito a cometer erros.
Essa mesma Fé motivou a expansão marítima europeia. Portugal e Espanha navegaram para descobrir novas terras, chegar ao Oriente, ainda muito influenciados pelo espírito cruzadista, fruto das Guerras da Reconquista, que duraram oitocentos anos para expulsar os muçulmanos do seu território. Pretenderam expandir o Cristianismo e conter o avanço Islâmico, que constantemente ameaçava invadir a Europa.  O que motivou Colombo não foi o ouro, mas o desejo sincero da conversão dos povos à Fé. E toda a legislação dos reinos europeus no tocante ao processo de colonização da América, o incentivo às missões e o heroico trabalho dos jesuítas e de tantas outras ordens religiosas no Novo Continente demonstram a centralidade da ideia da expansão cristã, da importância da Fé como elemento motivador do processo citado.
Diz o historiador Hilário Franco Júnior que muito do que temos na nossa sociedade contemporânea é fruto da Idade Média cristã. São as permanências históricas, os resquícios de valores do Cristianismo que ainda de alguma forma norteiam a nossa civilização. Por outro lado, a Fé tem sido o alvo dos ataques das ideologias revolucionárias desde o Iluminismo, ou melhor, desde a Reforma e o Renascimento. A mentalidade racionalista e humanista, colocando a razão como única fonte do conhecimento e o homem como centro e medida de todas as coisas iniciou o processo de decadência da pureza da Fé.  A Revolução Francesa, a difusão das ideologias liberais e das Filosofias agnósticas, ateias, relativistas e materialistas dos séculos XIX e XX acentuaram o processo da autossuficiência do ser humano, da crença no progresso, no cientificismo e descristianização e perda da Fé.  No século XX Capitalismo e comunismo se encontraram no que diz respeito à ideia da construção de um paraíso sem Deus. A visão utilitarista, imediatista, relativista e hedonista passou a ser determinante como sentido da vida, ou vida sem sentido, uma vez que os resultados de tal mentalidade produziram uma crise civilizacional sem precedentes, que afeta todos os aspectos da vida humana e  deteriora as relações sociais.
Nestas circunstâncias a centralidade da Fé é a proposta mais viável para reverter a situação de caos social e parece que de certa forma a sociedade vem percebendo a necessidade de resgatar os valores tradicionais, derivados da Fé. Quando se chega ao fundo do poço não há outra opção que não a busca de saídas. Há um lento retorno das pessoas para a prática da Religião, embora muitos estejam perdidos, desorientados, buscando uma espiritualidade que atenda os seus anseios imediatos, sem muitos critérios para a busca da verdade. A Fé é o caminho fundamental para a realização do ser humano como pessoa, da construção da felicidade e da paz social.
JOSÉ ANTÔNIO DE FARIA

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Guia politicamente incorreto da História do Brasil

Lancei recentemente pela editora Leya o livro Guia Politicamente Incorreto da Históriado Brasil, uma reunião de informações esquecidas e episódios irritantes e desagradáveis a quem se considera vítima de "grandes potências", "exploradores" e "imperialistas". Deixo para os leitores do MSM alguns exemplos.
Zumbi tinha escravos
Nos anos 70, os historiadores marxistas projetaram no Quilombo de Palmares tudo o que imaginavam de sagrado para uma sociedade comunista: igualdade, relações de trabalho pacíficas e comida para todos. Sabe-se hoje que o quilombo do século 17 estava mais para um reino africano daquela época que para uma sociedade de moldes que surgiram mais de um século depois. Zumbi provavelmente descendia de imbangalas, os "senhores da guerra" da África Centro-Ocidental. Guerreiros temidos, eles habitavam vilarejos fortificados, de onde partiam para saques e sequestros dos camponeses de regiões próximas. Durante o ataque a comunidades vizinhas, recrutavam garotos, que depois transformariam em guerreiros, e adultos para trocar por ferramentas e armas. Esse modo de vida é bem parecido ao descrito por quem conheceu o Quilombo dos Palmares. "Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor", afirma o capitão holandês João Blaer.
Décio Freitas inventou dados sobre Zumbi
Os historiadores marxistas que engrandeceram Zumbi tinham um problema: não há sequer um documento dando detalhes da personalidade ou da biografia do líder negro. Para resolver esse obstáculo, Décio Freitas mentiu sem culpa. No livroPalmares: A Guerra dos Escravos, Décio afirma ter encontrado cartas mostrando que o herói cresceu num convento de Alagoas, onde recebeu o nome de Francisco e aprendeu a falar latim e português. Aos 15 anos, atendendo ao chamado do seu povo, teria partido para o quilombo. As cartas sobre a infância de Zumbi teriam sido enviadas pelo padre Antônio Melo, da vila alagoana de Porto Calvo, para um padre de Portugal, onde Décio as teria encontrado. Ele nunca mostrou as mensagens para os historiadores que insistiram em ver o material. A mesma suspeita recai sobre outro livro seu,O Maior Crime da Terra. O historiador gaúcho Claudio Pereira Elmir procurou por cinco anos algum vestígio dos registros policiais que Décio cita. Não encontrou nenhum.
Quem mais matou índios foram os índios
Nas bandeiras ao interior do Brasil, geralmente apontadas como a maior causa de morte da população indígena depois das epidemias, havia no mínimo duas vezes mais índios - normalmente dez vezes mais. Sobre a mais mortífera delas, a que o bandeirante Raposo Tavares empreendeu até as aldeias jesuíticas de Guaíra, os relatos apontam para uma bandeira formada por 900 paulistas e 2 mil índios tupis. "No entanto, nestas versões, o total de paulistas parece exagerado, uma vez que é possível identificar apenas 119 participantes em outras fontes", escreveu o historiador John Manuel Monteiro no livroNegros da Terra. Cogita-se até que o modelo militar das bandeiras seja resultado mais da influência indígena que europeia. "É difícil evitar a impressão, por exemplo, de que as bandeiras representavam uma predileção tupi por aventuras militares", afirma o historiador Warren Dean.
Os portugueses ensinaram os índios a preservar a floresta
Apesar de muitos líderes indígenas de hoje afirmarem que o "homem branco" destruiu a floresta enquanto eles tentavam protegê-la, esse discurso politicamente correto não nasceu com eles. Nasceu com os europeus logo nas primeiras décadas após a conquista. Os portugueses criaram leis ambientais para o território brasileiro já no século 16. As ordenações do rei Manuel I (1469-1521) proibiam o corte de árvores frutíferas em Portugal e em todas as colônias. No Brasil, essa lei protegeu centenas de espécies nativas. Em 1605, o Regimento do Pau-Brasil estabeleceu punições para os madeireiros que derrubassem mais árvores do que o previsto na licença. Conforme a quantidade de madeira cortada ilegalmente, o explorador poderia ser condenado à pena de morte.
João Goulart favorecia empreiteiras
A informação vem do próprio Samuel Wainer, no livroMinha Razão de Viver. De acordo com o jornalista, então diretor do Última Hora e um dos principais aliados do presidente, o esquema da época era aquele famoso tipo de corrupção que hoje motiva escândalos. "Quando se anunciava alguma obra pública, o que valia não era a concorrência - todas as concorrências vinham com cartas marcadas, funcionavam como mera fachada", escreveu Wainer. O que tinha valor era a combinação feita entre homens do governo e das empresas por trás das cortinas. "Naturalmente, as empresas beneficiadas retribuíam com generosas doações, sempre clandestinas, à boa vontade do governo."
Os guerrilheiros comunistas não lutavam por liberdade
De dezoito estatutos e documentos escritos por organizações de luta armada nos anos 1960 e 1970, catorze descrevem o objetivo de criar um sistema de partido único e erguer uma ditadura similar aos regimes comunistas que existiam na China e em Cuba. A Ação Popular, por exemplo, defendia com todas as letras "substituir a ditadura da burguesia pela ditadura do proletariado".
Leandro Narloch é jornalista.
Compre aqui o livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Conhecer a História para Entender nosso Tempo


(resumo de palestra que o autor - renomado escritor de livros
didáticos da Editora Saraiva - tem proferido para professores
de 1
0 e 20 graus nos mais diversos pontos do país)

Elian Alabi Lucci


     Com o desenvolvimento acelerado do processo de globalização entramos na era do conhecimento e da criatividade. Essa passagem para a "sociedade do conhecimento" (para usar a expressão de Peter Drucker) deve colocar a pessoa no centro do mundo. E a sociedade do conhecimento precisa ter em seu âmago a educação da pessoa. Uma educação que aponta para a universalidade, exatamente porque a sociedade do conhecimento é uma sociedade de conhecimentos e é global - não só em sua moeda e em sua economia, mas em suas carreiras, em sua tecnologia, em suas questões básicas e, acima de tudo, em seus conhecimentos.
     Assim a sociedade pós-capitalista, a sociedade do conhecimento necessita precisamente do oposto daquilo que é, afinal, propugnado por desconstrucionistas, pelas feministas radicais ou pelos anti-ocidentais. Ela precisa daquilo que eles rejeitam: uma pessoa educada para o universal.
     A sociedade pós-capitalista necessita dessa educação aberta mais do que qualquer sociedade anterior e, nesse quadro, o acesso à grande herança do passado é um elemento essencial.
     Segundo Peter Kreef, "Nosso mundo é um mundo sem heróis". Um país sem heróis - claro que não se trata aqui só (nem principalmente...) de heróis de armas, mas de todo tipo de heróis (aí incluídos os protagonistas do quotidiano) -, sem memória é um triste país.
     Mas como manter a memória nacional? É exatamente através do estudo de sua História, do seu passado, de seus heróis, de seus comportamentos em determinadas situações.
     Regine Pernoud, ao lembrar que o homem é também um animal histórico, indaga-se: "Mas como é possível interessar-se pela história na época em que os homens andam sobre a lua?". A resposta é simples, qual foi o primeiro ato realizado pelo homem quando se viu na Lua? Abaixar-se para apanhar uma pedra. O gesto ancestral. Para além de todas as definições, história é vida e o homem se define pela sua história: se uma pedra pode ter tanto interesse para ele, é porque ela é "signo da vida". A História é a busca do vivido, esse vivido através do qual traçamos nossa própria existência.
     Por que é preciso conhecer a História do mundo e de seu país, das tradições sociais, culturais e políticas de um povo? Para que não sejamos levados - como é muito comum hoje em dia - a pensar com a cabeça alheia; e trata-se de conduzir e não de sermos conduzidos. Chesterton, diz que o homem não é verdadeiramente um homem enquanto não vê o mundo de pernas para o ar e de cabeça para baixo. Pode-se praticar esse exercício sem muita fadiga, estudando História.
     Ao se familiarizar com outros tempos, outras épocas, outras civilizações, adquire-se o salutar hábito de desconfiar dos critérios de seu tempo: eles evoluirão, como outros evoluíram. É a ocasião de revisar, dentro de si próprio, o mecanismo de pensamento, suas próprias motivações etc. por confronto com o outro.
     O estudo da História permite também avaliar melhor a noção de progresso. Geralmente nós fazemos uma idéia muito elementar do progresso.
     Lewis Mumford, escreve que somos levados a pensar que se as ruas de nossa cidade eram sujas no século XIX, elas deveriam estar quinhentas vezes mais sujas seiscentos anos antes. Quantos estudantes acreditam piamente que o que aconteceu no século XIX, por exemplo, o trabalho das crianças nas fábricas, sempre existiu e que só as lutas de classe e o sindicalismo, no final do século XIX, liberaram a humanidade desta situação! Quando se tem uma educação histórica, o progresso (em geral) é uma clara evidência, mas também o é o fato de que não se trata jamais de progresso contínuo e uniforme. Na verdade, a humanidade avança em certos pontos, recua em outros: o impacto em nós produzido pela constatação de tal avanço deve ser o mesmo que ante a constatação de um retrocesso...
     A História não fornece soluções, mas permite enquadrar corretamente os problemas. Ora, todos nós sabemos que um problema corretamente proposto já está meio resolvido.
     Negligenciando a formação do sentido histórico, esquecendo que a História é a memória dos povos, o ensino forma desmemoriados. É relativamente freqüente o lamento de que nas universidades contemporâneas estejamos formando irresponsáveis, valorizando a fria formação técnica em detrimento da sensibilidade e do caráter. E, nesse quadro, deve-se observar que é grave também formar desmemoriados. Tanto quanto o irresponsável, o desmemoriado não é uma pessoa completa, nem um nem outro desfrutam do pleno exercício das suas faculdades, que é a única coisa que permite ao homem, sem perigo para ele e para os seus semelhantes, o exercício de uma verdadeira liberdade.

Ensino e Metodologia Crítica
     As Ciências Sociais em nosso País passaram historicamente, dos anos 50 até aproximadamente 1970, por um processo de ensino voltado para a pesquisa empírica (experiência e observação), sem nenhum apoio teórico para os assuntos abordados.
     A partir de 70, surgiu uma tendência - igualmente exagerada - a de descarregar no aluno as mais diversas informações estrututradas por modelos de análise, freqüentemente distantes de nossa realidade social.
     Tanto uma como outra abordagem metodológica, não dá ao aluno condições para estabelecer relações entre a teoria e a prática. Assim elas contribuem para que as análises metodológicas se caracterizem ainda hoje pelo conservadorismo.
     As diferentes Ciências Sociais (Antropologia, Geografia, Sociologia, Política...) da maneira como são ensinadas, distanciam o aluno da realidade e dos problemas da sociedade. A realidade social, devido a complexidade da nossa sociedade, exige no seu estudo, uma ação conjugada - e não compartimentada - das Ciências Sociais. E o que ocorre é que outros contextos - para além do particular enfoque da ciência em questão - tendem a ser desconsiderados.
     Assim, em Geografia, ao priorizarmos "modelos" que não consideram o contexto histórico e social não permitimos ao aluno ultrapassar o nível superficial das nações que são estudadas. Uma metodologia crítica deve procurar dar ao aluno amplo contato com a realidade que o cerca. Para isto é importante que o aluno tenha consciência de sua dimensão espaço-temporal, para que possa questionar os processos de mudança social: ele deve ter consciência do processo que está vivendo, por exemplo: o significado e o alcance de estarmos situados na América Latina.
     Outra necessidade na abordagem crítica das Ciências Sociais implica em que os principais acontecimentos sociais, econômicos, políticos e culturais do problema a ser estudado sejam tratados em unidade (por exemplo: A guerra do Contestado - ou a de Canudos - não podem ser compreendidas sem a análise do condicionamento dado pelo ambiente geográfico, tanto quanto pelo o contexto social em que ocorreram).
     Para tanto é necessária a interdisciplinariedade, para que não se promova um conhecimento parcial e fragmentado do real. Concluindo, todo ser humano para produzir conhecimento, deve ser crítico, questionador e ter uma postura metodológica cujas técnicas de investigação sejam coerentes com a visão do mundo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

: O que ensinam às nossas crianças

Artigo excelente do jornalista Ali Kamel, publicado n'O Globo de 18/09/2007, sobre a conhecida cartilha anticapitalista de Mário Schimidt, "Nova História Crítica", para alunos da 8ª série.
 
Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático "Nova História Crítica, 8ª série" distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.
Sobre o que é hoje o capitalismo: "Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários."
Sobre o ideal marxista: "Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores. "
Sobre Mao Tse-tung: "Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."
Sobre a Revolução Cultural Chinesa: "Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes 'politicamente esclerosados'. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: 'Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.' As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo."
Sobre a Revolução Cubana e o paredão: "A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular."
Sobre as primeiras medidas de Fidel: "O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%." Essas medidas eram justificadas assim: "Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde."
Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: "Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?"
Sobre os motivos da derrocada da URSS: "É claro que a população soviética não estava passando forme. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?"
Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?
Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um outro olhar sobre o cristianismo – uma entrevista com Rodney Stark

Um outro olhar sobre o cristianismo



Por Mike Aquilina
Um dos mais respeitados sociólogos da religião, Rodney Stark estuda o fenômeno das conversões religiosas desde o começo da década de 1960; o seu foco são especialmente os movimentos religiosos mais recentes como o Mormonismo, o Moonismo e o Hare Krishna. É autor de muitos livros, dentre os quais destacamos: The Rise of Christianity (HarperSanFrancisco, 1997), The Churching of America, 1776–1990: Winners and Losers in Our Religious Economy (Rutgers University Press, 1992), and A Theory of Religion (Peter Lang, 1987). Agnóstico, Stark leciona na Universidade de Washington em Seattle, perto da casa onde mora com a esposa. Foi entrevistado por Mike Aquilina originalmente para a revista norte-americana Our Sunday Visitor de janeiro / fevereiro de 2000.
 
Aquilina: Você diz que o seu livro The Rise of Christianity (“A ascensão do cristianismo”) é um “hobby”. O que o levou a interessar-se pela história da Igreja e não por miniaturas de navios em garrafas?
Rodney Stark: Meus hobbies, à exceção de ser um fã dos esportes, sempre envolvem livros. Li alguns livros recentes de História e disse: “Isto aqui é legal”. Li um pouco mais e disse: “Posso contribuir com alguma coisa, porque, se são bons em História, são fracos em Ciências Sociais”.

Muitos cristãos poderiam achar a sua obra iconoclasta. Você solapou uma série de verdades tradicionais sobre a história das Igrejas.
Não acho que as pessoas devam ficar ofendidas. As minhas descobertas tornam as realizações dos cristãos ainda mais maravilhosas.

Uma das tradições que você questiona é a de que o cristianismo teria sido inicialmente um movimento de pobres. Por quê?
Desde cedo, havia muitas mulheres cristãs nas famílias de classe alta e senatorais, e mesmo na família imperial. Em 1920, encontrou-se uma pedra de pavimento dedicada a Erasto, nome mencionado por Paulo na Epístola aos Coríntios. E as inscrições mostram que Erasto era tesoureiro da cidade. Também há motivos para crer que a igreja primitiva era um grupo bastante culto. Por exemplo, ao ler o Novo Testamento, pergunte-se: A quem essas pessoas escrevem? A linguagem que empregam é a linguagem usada pelas pessoas cultas.

A pedra de pavimento com o nome de Erasto, encontrada em Corinto no ano de 1929.

Você descreve as mazelas cotidianas da Antiguidade. O cristianismo mudou isso?
O cristianismo tornou-as muito mais suportáveis. A Igreja não limpou as ruas. Os cristãos não instalaram esgotos. De maneira que você continuava a conviver com uma vala aberta no meio da rua, na qual podiam aparecer cadáveres em decomposição. O que, sim, os cristãos faziam era cuidar uns dos outros. As suas casas eram tão cheias de fumaça como as dos pagãos, já que não existiam chaminés; eram frias, úmidas e fedorentas. Mas os cristãos amavam-se uns aos outros e por isso cuidavam uns dos outros quando ficavam doentes. Alguém levava sopa ao doente. É possível fazer uma infinidade de coisas para aliviar essas misérias quando há preocupação pelos outros.

Você também defende que o crescimento se deu mais por conversões individuais do que por conversões em massa. Por quê?
Não temos um único caso documentado de conversão em massa. Sim, há a passagem no Livro dos Atos [2, 41], e eu não sou do tipo de pessoa que diz: “Não confie na Bíblia”. Mas é preciso entender o que os números significavam para as pessoas da época. Eram exercícios retóricos: dizia-se um milhão, quando na verdade se queria dizer cem. O que realmente se queria dizer era “muitos”. Penso que nos Atos os números significam: “Veja, estão acontecendo coisas maravilhosas!” Se os dados estiverem corretos, Jerusalém tinha cerca de vinte e cinco mil habitantes naquela época. Assim, falar de oito ou dez mil conversões fica um pouco fora da escala.

E quanto às conversões forçadas?
Não houve nenhuma no período de que trato. Constantino não causou o triunfo do cristianismo: pegou carona nele. De fato, ousaria dizer que o imperador causou grandes estragos. Penso que é ruim para as igrejas tornarem-se parte da ordem estabelecida. Acabam envolvidas na esfera mundana de maneiras impróprias e corruptoras. Ao final do império de Constantino, vemos homens competindo loucamente para se tornarem bispos só por causa do dinheiro. O cristianismo já não se difundia de pessoa para pessoa.
Se examinarmos a propagação do cristianismo depois do Império, veremos que se deu quase que totalmente por meio de tratados e batismos de reis. Penso que uma das razões por que a freqüência à Igreja era tão fraca na Alemanha e na Escandinávia medievais consistia em que esses povos não eram cristãos de verdade. E talvez o fossem se a Igreja não tivesse feito parte da ordem estabelecida. Os seus territórios ter-se-iam tornado cristãos porque muitas pessoas teriam ido de porta em porta para cristianizar os habitantes – e depois batizado o rei.
Isso foi ruim para a Igreja. Acho que o papa João Paulo II concordaria comigo; e acho que muitos papas medievais me queimariam por dizer isso.
Por outro lado, os católicos americanos entendem bem o que digo. Sabem o como foi bom para a Igreja ter de lutar pela sua vida nos Estados Unidos. A velha história protestante diz que o padre ficava à espera do navio no porto e pronto: mais um carregamento de católicos. Mas isso não é verdade; os imigrantes não costumavam freqüentar a igreja nem contribuir financeiramente. Tinham de ser transformados em católicos de verdade. Trata-se de um feito memorável. A Igreja superou muito bem esse desafio, e a Igreja Católica nos Estados Unidos é muito forte se comparada à Igreja na América Latina.

Outra verdade tradicionalmente aceita é que muitos cristãos foram martirizados. No entanto, você diz que as testemunhas de sangue foram poucas.
Há um consenso entre os historiadores de que o número de mártires não foi tão grande assim e de que quase chega a ser possível saber o nome de cada um. Os romanos decidiram atacar o movimento pela cabeça. Isso teria funcionado com as outras religiões da época, uma vez que o paganismo não tinha base: os templos pagãos funcionavam como lojas de um shopping center; e as pessoas não se importavam muito com ser fiéis a uma ou outra. Assim, se os romanos enxotassem o sacerdote-chefe e tirassem os subsídios do governo, um templo pagão se desmancharia.
O império perseguiu o cristianismo desse mesmo jeito, pensando: “É só exterminarmos os bispos que o resto ruirá sozinho”. É claro que isso não funcionou, porque havia noventa e dois caras em condições de se tornarem bispos, como acontece num movimento surgido das bases.

Isso minimiza a idéia tradicional de que “o sangue dos mártires é sementeira de cristãos”?
De maneira nenhuma. Uma das coisas que podemos dizer sobre as verdades religiosas é que elas têm de ser aceitas por fé, e a fé precisa ser confirmada. E o que a pode confirmar mais do que saber que pessoas que você admira têm tanta certeza da verdade da fé que estão dispostas a morrer por ela?

Você também defende que o cristianismo foi uma força social extraordinariamente benéfica para as mulheres.
E foi! Uma mulher cristã tinha vantagens enormes se comparada com a sua vizinha, igual a ela em tudo exceto pelo fato de ser pagã. Primeiro, em que idade casavam? A maioria das pagãs casava-se por volta dos onze anos, antes da puberdade, com algum cara de trinta e cinco. E não podiam opinar. As cristãs opinavam muito e casavam por volta dos dezoito anos.
O aborto matava muitas mulheres na época, mas as cristãs estavam protegidas disso. Disso, e também do infanticídio: os pagãos matavam bebês do sexo feminino a torto e a direito. Escavações revelaram esgotos lotados de ossadas de recém-nascidas. Mas os cristãos não faziam isso. Conseqüentemente, a proporção entre os sexos mudou e os cristãos não padeciam da grande escassez de mulheres que castigava o resto do império.

E quanto à Igreja em si? Como é que as mulheres encontraram o seu lugar?
As mulheres eram líderes na Igreja primitiva. Paulo deixa isso claro. E temos uma carta de Plínio* em que ele diz haver diaconisas entre as pessoas que torturava**. As traduções da Bíblia que substituem “diaconisa” por “esposa do diácono” não nos ajudam em nada. Não estou dizendo que a Igreja ordenava mulheres naquele tempo; é claro que não ordenava. Mas as mulheres eram líderes, e provavelmente havia um número desproporcional de mulheres entre os primeiros cristãos.
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(*) Plínio o jovem, escritor e político romano (c. 61 a.C.- c.112 d.C.)
(**) As diaconisas foram mulheres santas, piedosas, instituídas diríamos hoje – e não ordenadas sacramentalmente –, para um ministério da Igreja que nada tem a ver com o sacramento da Ordem. O rito de instituição das diaconisas – largamente existente nos tempos antigos da Igreja bizantina e mesmo na Síria e no Egito – faz pressupor não um sacramento, senão a entrega de um mandato para determinado serviço. Era semelhante aos atuais ritos de instituição do acólito, do leitor e do ministro extraordinário da comunhão eucarística, ou às anteriores “ordens menores” (acólito, leitor, ostiário, exorcista) e ao extinto “subdiaconato” (Dr. Rafael Vitola Brobdeck, “A mulher e o sacramento da Ordem”, no site Veritatis Splendor).
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Talvez encontrássemos alguns maridos nas atividades da Igreja primitiva, mas com certeza encontraríamos as suas esposas. Isso é outra coisa que não compreendemos: em toda a sociedade de que temos alguma notícia, as mulheres são mais religiosas que os homens. Não temos certeza do porquê, mas isso significa que os movimentos religiosos são femininos na sua maioria. Isso ficou mais evidente nos séculos XIX e XX, dos quais temos números confiáveis. As pessoas já comentavam isso na Igreja primitiva, e os Padres da Igreja notavam que o movimento tinha mais mulheres.

Mesmo historiadores cristãos tendem a desacreditar histórias miraculosas e a minimizar a veracidade dos documentos da Igreja primitiva. No entanto, você confia neles de maneira notável.
Alguns estudiosos da Patrística criticaram-me dizendo que aceitei ingenuamente os relatos primitivos. Certa mulher, em especial, mencionou as regras da Igreja primitiva contra o aborto e o infanticídio feminino, dizendo que eu parecia não compreender que essas proibições não eram obedecidas por todos.
Bem, é claro que eu sabia disso. Receio, porém, ser tão ingênuo que chegue a crer que os grupos que criticam alguma coisa são mais contrários a ela do que os grupos que, nos seus textos oficiais, a proclamam como uma ação louvável e maravilhosa, que todos devemos praticar.
Todos os filósofos clássicos, desde Platão e Aristóteles, aprovaram o aborto. E também não viram problemas no infanticídio. Claro, houve cristãos que não obedeceram aos mandamentos da Igreja, assim como há mórmons que mascam tabaco. No entanto, assim como a maioria dos mórmons não masca tabaco, a maioria dos cristãos não praticava o aborto nem o infanticídio.
Quanto aos milagres, veja, é fato que há pessoas que ficam curadas – espontanea e, ao que parece, milagrosamente. Nenhum médico na terra seria capaz de negá-lo. Qual é a causa? Não sei. Mas negar que haja pessoas que ficam curadas nas igrejas dos Estados Unidos é simplesmente um erro. Não há motivos para negar que tais coisas acontecem só porque não partilhamos da explicação dada sobre ela por pessoas de outro local ou época.
Alguém da Harvard Divinity School poderia dizer: “Isso não foi um milagre; foi uma remissão espontânea”. “Remissão espontânea” é a maneira de os especialistas dizerem “não temos a menor idéia do que aconteceu”. Mesmo o cientista mais cabeça-dura do mundo não tem razão para duvidar da existência de milagres na Igreja primitiva. As opiniões do ateu de aldeia são mais fundamentalistas do que as de qualquer batista.

Você conclui o livro dizendo que “o que o cristianismo deu aos seus conversos foi nada menos do que humanidade”. O que quer dizer?
Quando olhamos para o mundo romano, é inevitável perguntar-se se ao menos metade daquelas pessoas tinha qualquer traço de humanidade. Ir à arena para ver pessoas serem torturadas e mortas não me parece muito saudável. Sou um grande fã de futebol americano. Sempre que um jogador se machuca, alguém chama uma ambulância e os médicos o tiram do gramado em vinte minutos. O público não quer gente machucada em campo. Mas os romanos queriam e até gritavam: “Acaba com ele! Pula em cima dele!”

O cristianismo colaborou apenas com a eliminação do circo?
Não, era toda uma nova mentalidade. Entre os pagãos, parecia que as pessoas só se preocupavam umas com as outras de uma forma tribal. É o que vemos hoje nos Bálcãs: você cuida dos seus irmãos e mata todas as outras pessoas. O cristianismo disse ao mundo greco-romano que a definição de “irmão” tem de ser muito mais abrangente. Há coisas que você deve fazer em benefício de qualquer ser humano vivo.

Você fica preocupado com a ascensão dos esportes sanguinários e dos filmes violentos e com a volta do aborto e do infanticídio com força total?
Esses fatos não me surpreendem; ofendem-me. Conseguimos manter por mais de um século um período de decência pública considerável. Agora talvez estejamos deixando-nos arrastar para aquilo que é mais vulgar. Culpo os tribunais, que dizem que não podemos censurar nada a não ser a religião. O fato é que, quando eu era criança, havia leis sobre o que se podia ou não pôr numa mala-direta ou mostrar nos filmes.
Algumas dessas leis podem ter sido rígidas demais, mas como saber onde parar? Onde você põe os seus limites? Se você não os deixa bem firmes, logo as pessoas estarão explodindo umas as cabeças das outras. Não é que nos anos quarenta as pessoas não morressem nos filmes, mas tampouco havia essa imoralidade toda. O mal sempre era punido antes do final do filme. Também não havia todo esse banho de sangue gratuito. Esse tipo de coisa vira a cabeça de certas pessoas e assim acabamos ajudando a criar monstros.

Você diz que o cristianismo teve sucesso em parte por causa dos seus elevados padrões morais. Hoje, porém, muitas Igrejas aliviam a barra para tornar a religião mais popular. Como você analisaria essa atitude?
São idéias que já nascem mortas. As pessoas avaliam as religiões pelo seu custo e as mais baratas acabam desvalorizadas. As religiões que nada pedem nada recebem. É possível escolher: ser uma igreja ou um clube de campo. Quando se escolhe ser uma igreja, é melhor oferecer religião aos assistentes. Do contrário, é melhor construir um campo de golfe, pois nenhum clube vai para frente sem um campo de golfe. Foi isso o que aconteceu com os episcopalianos, com os metodistas, os congregacionalistas, unitaristas e, de fato, com alguns setores do catolicismo.

Os cristãos estão abrindo os olhos para isso?
A maioria das denominações está cerrando fileiras. E a razão é a falta de fiéis. Os jovens clérigos têm motivações religiosas das quais os mais velhos não partilhavam necessariamente: há quarenta anos atrás, ser clérigo era um emprego muito mais atraente. Se você olhar para as ordens católicas, vai ver que umas se estão recuperando e que outras novas estão surgindo. As únicas a crescer são aquelas que possuem regras de vida em comunidade, ao invés de deixarem cada membro abandonado a si; aquelas que têm normas para organizar o culto religioso; aquelas cujos membros usam roupas que os distinguem de um burocrata comum ou de um professor de escola. Esse fenômeno é um CQD. Se a religião fica muito barata, ninguém se dispõe a pagar por ela.
Por exemplo: você precisa mesmo comer hambúrgueres às sexta-feiras? Acabar com a abstinência às sextas-feiras pareceu-me um equívoco por parte da Igreja Católica. Quando era garoto – na minha cidade havia 60% de protestantes e 40% de católicos –, a sexta-feira era um marco cultural extremamente importante. Toda a sexta-feira lhe recordava quem era igual a você e quem era diferente – e de uma maneira que não era ofensiva para nenhum dos dois lados.
As partidas de futebol americano na escola eram nas noites de sexta. Depois do jogo, a gente levava a namorada para um restaurante estilo drive-in. Por volta da meia-noite, ouvíamos os garotos católicos fazer contagem regressiva e gritar: “Hambúrguer!”. Todos riam. Tratava-se de um pequeno ritual social que dava aos católicos um tremendo sentido de solidariedade. O hambúrguer parecia-nos uma grande diferença denominacional.

Qual é a sua opinião sobre o papa João Paulo II?
Foi alguém que sabia como corriam as coisas para os primeiros cristãos, que sabia o que significa lutar pela vida da sua Igreja. Se um bispo italiano quer saber quantos católicos há na sua diocese, basta procurar nos livros de censo quantas pessoas moram ali. Um bispo na Polônia comunista sabia que o censo e o número de católicos não eram a mesma coisa e que precisava arrumar alguns católicos se quisesse ter uma Igreja. Quer você concordasse com ele, quer não, está muito claro que esse Papa era um homem santo, um homem que estava cumprindo uma missão.

Uma vez você escreveu que “não é religioso no sentido em que o termo é convencionalmente empregado”.
É verdade, embora nunca tenha sido um ateu. O ateísmo é uma fé ativa: “Eu acredito que não há Deus”. Mas eu não sei no que creio. Fui criado como luterano em Jamestown, Dakota do Norte. Tenho problemas com a fé. Não me orgulho disso. Não acho que isso faça de mim um intelectual. Acreditaria se pudesse, e talvez venha a consegui-lo antes de chegar ao fim. Ficaria feliz com isso.
Rodney Stark
É vice-presidente do Saint Paul Center for Biblical Theology e autor de mais de uma dúzia de livros sobre história, doutrina e espiritualidade católicas. Participa freqüentemente de programas de TV e de rádio e os seus artigos saem em diversas publicações nos EUA e no mundo.

Fonte: Touchstone Magazine
Link: http://www.touchstonemag.com/archives/article.php?id=13-01-044-i
Tradução: Quadrante

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Introdução aos Mitos Anticatólicos: Economia, Direito, Terra plana…

Por Thomas E. Woods
Tradução: Kandungus
Fonte: EWTN/YouTube

Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?

“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.

Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.

Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”. Sou seu anfitrião, Thomas Woods, e gostaria de começar esta série com um fato bem óbvio para a maioria: há um certo “duplo padrão” no mundo quando se fala em Igreja Católica. Você pode dizer o que quiser sobre a Igreja Católica; sua carreira não terminará, ninguém se importará, não haverá indivíduos ofendidos, nem greves de fome… Você diz o que quiser e está tudo bem. Na verdade, você será ainda melhor tratado nos círculos em voga do que antes.

Então, qual o resultado disso?

O resultado é que você pode escapar impune mesmo dizendo as coisas mais absurdas e ridículas sobre a Igreja Católica. E as pessoas acreditam! Elas tendem a acreditar em toda e qualquer calúnia absurda contra a Igreja Católica; mas, pior ainda, alguns católicos – eu acredito – começaram a incorporar algumas dessas críticas e, no fundo, acho que eles mesmos se perguntam: “A Igreja foi, afinal das contas, uma influência positiva na História? Não foi ela responsável só por repressão e ignorância? Não foi ela uma oponente das ciências?” Todos fomos ensinados a acreditar nisto… Aliás, seria um milagre se não acreditássemos!

Porém, não é verdade! E nesta série mostraremos por quê. Iremos exibir a verdadeira glória da Igreja Católica.

Os ataques à Igreja Católica e à crença religiosa em geral aceleraram-se nos últimos cinco anos, mais ou menos. Nós vimos em anos recentes best-sellers escritos por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, condenando a crença religiosa em geral como “irracional” e “imbecil”; na verdade, eles estão dizendo às crianças deste país: “Seus pais são tolos por ensiná-los a religião”.

Pior do que isso é que depois do atentado de 7 de julho de 2005 em Londres, o que vemos é essa tendência do terrorismo islâmico dar a intelectuais uma justificativa para que se oponham à todas as religiões, com o argumento de que “toda religião é irracional; toda religiâo pode causar violência; então todas devem ser condenadas”. Por exemplo, no escocês “Sunday Herald”, Muriel Gray afirma: “A causa de toda esta miséria, desordem, violência, terror e ignorância é, evidentemente, a própria religião”.

E ela chama a religião de “disparate da Idade das Trevas”: “Para o governo de um país secular como o nosso” – ela diz – “tratar a religião como se esta tivesse mérito verdadeiro ao invés de tomá-la como um anacronismo absurdo, que educação, conhecimento e experiência podem ‘esperançosamente’ superar com o tempo, é um dos eventos mais deploráveis do século XXI”.

Vou deixar de lado o fato de que ela não sabe usar corretamente a palavra ‘esperançosamente’. Isso é um outro assunto; o principal é que esta é a crítica.

Outra crítica: Polly Toynbee, do “London Guardian” diz: “Chegou o momento de ser sério sobre toda religião e traçar uma linha firme entre o mundo real e o mundo dos sonhos”.

No “London Spectator”, Matthew Parris diz: “Aquilo que une um Mulá extremista a um padre católico ou pastor evangélico protestante é, na verdade, muito mais significativo e interessante do que aquilo que os separam”.

Estas críticas tornaram-se rotina; ouvimo-las [sempre], entra dia, sai dia. Toda religião é inimiga do progresso, mas a Igreja Católica em particular é consistentemente vista como inimiga da ciência e do progresso; do conhecimento, principalmente. Por que isso? Como aconteceu?

Em parte, começou há 200 anos ou pouco mais, durante o assim chamado “Iluminismo”, que apareceu no século XVIII da História Europeia, época em que a classe intelectual se tornou incomumente hostil à Igreja. Eles depreciaram sistematicamente a Idade Média – aliás, é por isso que usaram a palavra “iluminismo”, pois a ideia era que, antes do “ilumininismo”, antes do formidável século XVIII, só havia miséria, atraso e ignorância estimulados pela Igreja Católica; mas então, felizmente, tínhamos intelectuais seculares para nos trazer “esclarecimento”.

Às vezes, acredito que o trabalho mais deprimento do mundo deve ser o de professor de História da Idade Média. Deve ser o trabalho mais deprimente… Imagine você, durante o dia inteiro ensinando sobre a Idade Média e dizendo: “A Idade Média não foi tão ruim! Em verdade, muitas coisas importantes aconteceram na Idade Média! A Igreja Católica tornou possível vários acontecimentos notáveis!” Leciona-se isso durante o dia inteiro; você escreve livros e artigos; você vai inclusive à televisão, ao rádio; você palestra sobre o assunto e o que acontece? Você chega em casa, liga a TV e nada do que fez surtiu efeito… Todos ainda acreditam que o Medievo foi um período de ignorância e repressão; e foi tudo culpa da Igreja Católica! É algo impossível de mudar. Deve ser muito deprimente…

Por quê? Por que são tão resistentes à verdade? Por que é tão difícil fazê-los mudar de ideia? Desde o Iluminismo, algo que se enraizou em nossa cultura e pensamento, foi a presunção de que a Igreja Católica está errada e o Secularismo, a ideia de organizar a sociedade e a vida sem referenciar a Deus, é a fonte do progresso. Assim, naturalmente, tudo que se ligue à Igreja envolve retrocesso, enquanto que se há algo que um intelectual secular nos traz, essa coisa é o progresso. Esta tem sido a lente pela qual a História tem sido vista nos últimos dois séculos.

É por isso que apenas nos últimos, digamos, 50 anos, é que vemos historiadores, enfim, desmentindo esses absurdos e dizendo: “Esperem! A Igreja não só jamais obstruiu as ciências como pode ter as promovido! Os secularistas não apenas nunca criaram, por exemplo, a Ciência Econômica, como na realidade foram padres e professores católicos que a desenvolveram séculos antes!” E por aí vai.

Mas está se levando muito tempo para refutar essa ideia em geral aceita de que a Igreja é responsável por retrocesso e ignorância. Está demorando demais… Vamos refletir sobre algumas dessas áreas em que a Igreja Católica realmente construiu a nossa Civilização.

Escolhi essa palavra conscientemente. Por que pode-se considerar a Igreja Católica sua construtora? Ora, por exemplo, considere a maneira como vemos a “caridade”, o trabalho caridoso: acreditamos que você está fazendo caridade quando ajuda alguém sem nenhuma expectativa de retribuição; quando você o faz porque é bom e porque é certo fazê-lo; você o faz porque sabe que, numa visão mais ampla, aquela pessoa desafortunada é, de algum modo, seu semelhante feito à imagem e semelhança de Deus; então você a ajuda. Você não a ajuda por esperar, três anos depois, visitá-la e dizer: “Lembra-se daqueles 50 dólares que eu te dei?”; ou visitá-la e dizer: “Preciso de votos; preciso de apoio político; me ajude”. Não fazemos isso para poder dizer ao mundo: “Ei! Vejam o quanto eu sou maravilhoso! Eu dei àquele sujeito 10 dólares!” Não fazemos caridade por essas razões; fazemos pelos motivos que já citei: motivos puramente desinteressados.

De onde veio essa ideia? Essa ideia veio da Igreja Católica. Na antiga Grécia ou Roma, se você dissesse: “Oh! Vou ajudar alguém sem nenhuma expectativa de reciprocidade; farei isso por pura bondade”, achariam você demente: “Do que você está falando?!!” Ainda pior seria a ideia de orar e até mesmo tentar ajudar os próprios inimigos: “Quê?!! Ficou louco?!!” Mas hoje admitimos isso como o ideal, como os princípios que um bom homem tenta incorporar. Mas, novamente: de onde eles vêm? Eles vêm da Igreja Católica! A Igreja ensina isso sobre a caridade; o mundo antigo, não.

Então aqui está uma área em que temos as coisas por certo (este é o modo como pensamos: temos por certo!). De onde vêm? Vêm da Igreja Católica. Direi mais da caridade em um [momento] futuro.

E quanto à ideia de “Direito”, de que tenho “direito à propriedade”, ou “direito de não ser assassinado”, por exemplo? De onde vem essa ideia? Sempre nos disseram que os secularistas no Iluminismo, ou pouco antes disto, surgiram com essa ideia no século XVII. De repente, surgiram os direitos! Bom… Isso também não é verdade. E, novamente, a investigação moderna vem para resgatar o Catolicismo. Eu sei que parece estranho… Vocês imaginam que pesquisadores modernos deveriam estar do “outro lado”, mas na verdade professores honestos, tanto católicos quanto não-católicos, dizem que a ideia de Direito remonta ao século XII e que surgiu com juristas de Direito Canônico. Essa ideia tem um significado simples: eu tenho uma certa imunidade contra uma ofensa sua, ou seja, você não pode me matar ou tomar a minha propriedade, coisas assim. O Direito é isso: que seria errado você interferir nessas áreas que são minhas. De onde vem essa ideia libertadora? Do coração da Igreja!

Ou, novamente, a Ciência Econômica… Por acaso, Adam Smith simplesmente pensou em Economia no século XVIII? Saiu tudo da cabeça dele? Ele tinha essa cabeça gigante e toda a Economia brotou dela? Não, na realidade, nos últimos 50 anos, o que os historiadores têm dito? Eles têm dito que os católicos escolásticos, professores que ensinavam principalmente em universidades espanholas e, mais especificamente, na Universidade de Salamanca, é que criaram a Ciência Econômica moderna. Foram eles os fundadores da Economia, não os secularistas do Iluminismo. Isso está sendo descoberto agora. Na parede do meu escritório tenho um retrato em moldura da Universidade de Salamanca. Muitos entrariam lá e perguntariam: “Como assim? Por que, de todas as universidades, você escolheu esta aqui?” É porque eu sei que foi lá que nasceu a Economia; e se você for um profundo interessado como eu, você amará Economia…

Finalmente, o que dizer sobre o nosso comprometimento com a razão? Não nos orgulhamos sempre da civilização ocidental por esse compromisso com o uso da razão? Que usamos a racionalidade para resolver disputas e solucionar debates? Bom, certamente! Mas de onde vem isso? Isso também vem da Igreja Católica! Por quê? Porque o sistema universitário que a Igreja estimulou encorajava o debate rigoroso e a racionalidade era tida como o maior árbitro para decidir todas as questões a se debater. Isto não é o oposto do que te contaram? Nos contaram que a Igreja Católica é inimiga da razão. Pelo contrário: nunca houve maior defensor da razão! Mas não é apenas da razão; é mais das aplicações específicas dela.

Por exemplo, as ciências em especial. As ciências, mais do que imaginamos, devem muito à Igreja. Como isso? É o oposto do que nos dizem. Mas, acreditem ou não, historiadores dos últimos 50 anos dizem que a Igreja Católica é mais e mais responsável pelas ciências. [...]

Quantos dos fatos que descobrimos apenas agora são escondidos em escolas regularmente? Nem preciso perguntar. [...] Eu acho este o aspecto mais deturpado e adulterado da História católica e mais usado para golpear a Igreja. Quero mostrar que isso é em grande medida feito injustamente. Digo “apenas agora”, pois na verdade nos últimos 50 anos cientistas que escrevem a História da Ciência começaram a repensar os velhos argumentos contra a Igreja, dizendo: “Querem saber? Pensando melhor, a Igreja fez coisas muito importantes!”

Há uma razão pela qual a ciência foi estabelecida e mantida por tanto tempo na civilização ocidental enquanto não o foi em outras. No fim das contas, isso não ocorre “apesar” da Igreja Católica, mas em certos aspectos “por causa” dela. Há 100 anos, tudo bem, você poderia ter lido um livro de Andrew Dickson White sobre uma lendária guerra entre Ciência e Religião no Ocidente. Hoje, esse livro é considerado praticamente uma piada entre professores; é tão ultrapassado quanto ridículo.

Hoje, há professores como Edward Grant escrevendo livros editados pela Universidade de Cambridge; Thomas Goldstein, A.C.Crombie, David Lindberg e muitos outros. E todos eles concordam que você não pode dizer simplesmente que a Igreja foi uma oponente das ciências. Pelo contrário, há aspectos do pensamento católico que foram indispensáveis para o desenvolvimento da ciência; e veremos especificamente quais foram eles. Mas, neste momento, desejo que saiba que esse velho mito está sendo derrubado por professores. Infelizmente, as descobertas desses mestres ainda não conseguiram chegar ao público mais geral; é o que tentaremos fazer nesta série [de artigos].

Deixe-me dar um exemplo de história típica sobre a Igreja Católica em que as pessoas são ensinadas a crer [nesses mitos] e então refletir por que elas acreditavam tão prontamente quando não havia nem a menor evidência para tanto. Aqui vai um exemplo que até muitos espectadores podem ter acreditado… Até eu acreditei! Não havia razão para pensar de outro modo… É a ideia de que Cristóvão Colombo, quando empregou suas famosas navegações, estava em parte tentando provar que a Terra não era plana, mas sim esférica. Todos nós já ouvimos a história habitual, que Colombo foi avisado: “Não, Colombo, não! Não navegue tão longe! Você irá cair [no abismo] na extremidade da Terra! A Terra é um grande disco plano! Você cairá da margem e será devorado por dragões e aranhas radioativas e gigantes”, algo assim… Ele foi advertido a não fazer aquilo; mesmo assim, ele fez e isso mostraria o quão valente e formidável ele era.

Veja: não duvido que Colombo era mesmo um grande navegador, mas se ele estivesse aqui hoje, lhe diria que não estava tentando provar que a Terra era redonda. Por quê? Porque todos já sabiam disso! Todos já sabiam que o planeta era uma esfera! Nenhum indivíduo instruído na Europa acreditava que a Terra era plana! Isso é um mito, um mito absurdo! Tente encontrar alguém na História do mundo cristão que acreditava nisso! Procure por eles! Se todos acreditavam, não deve ser assim tão difícil! E, apesar disso, não se consegue encontrar nenhum exemplo. Bem, quero dizer, você pode encontrar 2 exemplos de pessoas de quem você nunca ouviu falar:

1) Lactâncio, por exemplo, que viveu entre os séculos III e IV, não tinha influência alguma e, em todo caso, falava alegoricamente.

2) Outro possível crente foi uma pessoa do século VI chamado Cosmas Indicopleustes. Já ouviram falar dele? Nem eu! E nem ninguém na Europa ocidental, pois Cosmas escrevia em grego e, naquela época, poucos no Ocidente conheciam grego. São Gregório Magno, que foi Papa de 590 a 604, nem ele sabia sequer uma palavra em grego. Então dificilmente alguém poderia ter lido Cosmas; ele só foi traduzido para o latim em 1706!

Logo, qualquer um que possa ter ensinado sobre a “Terra Plana” foi ouvido por 1 ou 2 pessoas! Não tiveram influência nenhuma! A verdade é que todos entendiam que a Terra era uma esfera! O que havia era uma relutância em patrocinar a viagem de Colombo, mas não porque acreditassem que ele cairia da extremidade; o motivo para que tivessem medo era que eles pensavam que Colombo havia subestimado muito o tamanho dessa esfera… Colombo dizia: “Oh, não! Não se preocupem! A Terra não é tão grande! Só vou dar uma voltinha e volto logo! Tudo terminará bem!” Mas diziam a ele: “Não, a Terra é muito maior do que você pensa e você acabará morrendo de fome! Você vai navegar, navegar e navegar e não haverá terra alguma”. Para sorte de Colombo, uma porção de continentes “brotou” lá no meio, ao contrário das suas expectativas e para sorte dele e da sua tripulação. É por isso que não queriam que ele fosse e não porque achavam que ele ia cair da extremidade [da Terra].

Percebo que isso é tão oposto ao que lhe ensinaram, que você deve estar achando que estou inventando isso tudo, não? “É claro que acreditavam em Terra Plana”. Mas prometo a vocês que não. Existe até um livro inteiro escrito para resolver a questão que segue: se ninguém acreditava em Terra Plana, como esse mito pode ter começado? E a resposta vem em um pequeno livro escrito por um rapaz chamado Jeffrey Burton Russell; ele escreveu um livro chamado “Inventando a Terra Plana”. Ele descobriu que havia um pequenino grupo de intelectuais no século XIX que deu à luz esse mito: eles o criaram porque fazia a Igreja Católica parecer ridícula, porque no século XIX havia muito debate e disputa com a Igreja sobre Darwin e outros assuntos e a ideia era a de que se podia retratar a Igreja como sendo tão ridícula que chegou ao ponto de ensinar que a Terra era plana; então, poderiam mostrá-la como uma oponente absolutamente desprezível. Assim, inventaram essa história para colocar a Igreja sob um juízo absurdo.

Tenho certeza de que eles não tinham ideia da durabilidade desse mito, que ainda no século XXI ainda o ensinariam! Tenho certeza de que em algum lugar, neste momento, alguém é ensinado: “A Igreja idiota dizia que a Terra era plana e o bravo e heróico Colombo a desmentiu”. Isso nunca tem fim… Mas por que não tem? Por que possui tanta durabilidade? A razão é que o mito serve bem a este estereótipo iluminista: “A Igreja Católica é estúpida; ela impede o progresso; ela nos força a acreditar em asneiras”. É precisamente o que vemos no mito da Terra Plana, não? Quem acreditaria que a Terra era plana? Os antigos gregos até mediram a circunferência da Terra! Obviamente sabiam que era redonda! Como é que a Igreja pensou diferente?

Aqui está um bom exemplo de que o mito pode ser facilmente derrubado, mas ele não foi porque serve a um propósito. Tentasse você inventar um mito agora, sobre qualquer pessoa famosa que pudesse pensar, e dissesse que Fulano e Sicrano acreditavam em tal e qual coisa, duraria uns três segundos! Contudo, as pessoas crêem naquilo em que estão preparadas para crer; e as pessoas estão preparadas para crer no pior sobre a Igreja Católica.

O objetivo desta série [de artigos] [...] é ir atrás não apenas desses pequenos mitos, mas construir um edifício para mostrar as glórias da Igreja Católica; não apenas para dizer: “Oh, a Igreja, na verdade, não fez isso; a Igreja não foi tão má nessa questão”. Não iremos avançar se a nossa mensagem for: “A Igreja Católica: não tão má quanto você pensava”. Precisamos de algo mais vigoroso; mais vigor em nossa mensagem. Precisamos dizer: “Não apenas a Igreja Católica não é tão má quanto você pensava, como não ensinava que a Terra era plana”. Não dá para vencer só correndo para apagar os incêndios; ninguém jamais construiu um casa só apagando o fogo! Incêndios devem ser apagados, é verdade, mas achamos que não dá para construir se só fazemos isso. Se sempre deixarmos que os oponentes da Igreja definam o debate, então sempre ficaremos na defensiva. Parece-me que, dado o estado da nossa Civilização, já é tempo de partir para a ofensiva e mostrar às pessoas todas as glórias da Igreja, mostrar toda essa história oculta, para que não precisemos dizer: “Oh, não somos tão maus quanto vocês pensam”.

Somos muito mais gloriosos do que nós mesmos imaginamos! E estaremos contra, francamente, pessoas muitíssimo influentes neste mundo…

Tenho certeza de que vocês se recordam que a Constituição da União Europeia exclui toda menção à influência cristã na Civilização Ocidental. Quão teimoso você precisaria ser, para cercado por catedrais e obras religiosas, e dos frutos que a Igreja nos deu; quão cego você teria de ser para não mencionar que a Igreja teve algum papel na criação dessa Civilização? A Constituição da União Europeia inicia e termina com a ideia de qual “Civilização Ocidental”? “Isso aí vem da Antiguidade Greco-Romana e, depois, da Renascença e do Iluminismo”. E aquele período de cerca de 1000 anos entre essas coisas, sei lá o que ocorreu! Provavelmente nada demais…

Essa é a concepção padrão, a mesma que muitos tinham até uns 50 ou 100 anos atrás. Hoje, qualquer historiador de Idade Média digno do seu salário sabe que isso tudo são asneiras e as rejeitaria com uma gargalhada. Mas os arquitetos da União Europeia excluem a menção à Igreja ou a Cristo em seu documento de fundação. Não é que sejam idiotas – se fosse isso, seria simples: apresentaríamos os fatos e tudo estaria bem -, é que eles são hostis à Igreja. Nada mais óbvio. Veja o que fazem na União Europeia! Por acaso eles se parecem com católicos devotos? Eles não têm interesse em propagar a verdade sobre a Igreja e é por isso que nós, católicos, temos uma obrigação especial: temos de aprender tudo o que pudermos sobre a nossa Fé, temos de espalhar esse conhecimento e temos de contar às pessoas a verdadeira História da Igreja Católica, porque se não nos defendermos, ninguém o fará por nós!

Escrevi um livro chamado “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, porque achei que já fosse tempo de contar a nossa História. É o que farei nos próximos [artigos]: contar a nossa História. Os próximos 3 [artigos] serão dedicados ao tema “Igreja e Ciência” e vocês terão tanta munição que não saberão o que fazer com ela depois de concluirmos esses próximos [artigos]…

Vocês sabiam, por exemplo, que os Jesuítas – a Companhia de Jesus – foram tão exímios nas ciências que, neste exato momento, 35 crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas? Sabiam que 1 entre cada 20 dos maiores matemáticos da História fazia parte da Companhia de Jesus? Ou que os Jesuítas ajudaram a fundar e se tornaram os maiores praticantes do estudo de terremotos, a Sismologia?

E poderíamos citar tantos outros exemplos: teoria atômica; estudo do Antigo Egito; física; e eu poderia aqui continuar citando… Há muitas maneiras pelas quais a Igreja contribuiu com as ciências! Então, até o próximo [artigo] da série: “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”.

VOCÊ SABIA?

* Que a Igreja Católica Romana forneceu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia, por mais de seis séculos – da recuperação do saber antigo da Baixa Idade Média ao Iluminismo -, do que qualquer outra e, provavelmente, todas as outras instituições? (J.L.Heilbron – Universidade da Califórnia, em Berkeley).
* Que a Igreja Católica teve de empreender a tarefa de introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo de justiça? (Christopher Dawson).

sábado, 25 de setembro de 2010

Uma história que não é contada

Objetivo:
 Demonstrar, ao longo da história, a contribuição inestimável da Igreja Católica para a construção de nossa civilização, nos campos da razão, arquitetura, agricultura, arte, música, ciências etc.

OS TEMPOS BÁRBAROS (400-1050)

 A civilização romana desaba com as invasões dos povos bárbaros.
 600 anos onde se formaram várias civilizações, uma verdadeira encruzilhada na História onde a Igreja serviu como GUIA ESPIRITUAL E MORAL de todos estes povos bárbaros que ocuparam a Europa.
 Nenhuma instituição ficou de pé, somente a Igreja Católica.
 A Igreja, através de seus bispos e missionários, dedicou-se à ação evangelizadora desses povos.
 Os pagãos acharam ALTAMENTE SIGNIFICATIVO o anúncio do Evangelho, das verdades cristãs.
 Os Bispos tiveram que assumir tarefas de ordem temporal, pois o Ocidente se achava debaixo das invasões bárbaras e os Imperadores, residentes em Bizâncio (Oriente), pouco se importavam com o povo que estava sofrendo no Ocidente.
 OS BISPOS tiveram que administrar os bens materiais de suas comunidades e protegiam, alimentavam e abrigavam as populações mais carentes.
 PAPA SÃO LEÃO MAGNO (magnífico): Romano, nobre e corajoso. Foi ao encontro do bárbaro Átila, rei dos Hunos, nas proximidades de um lugar chamado Mântua, em 452, convencendo-o a retornar e não destruir Roma e em 455, dirigiu-se ao rei dos vândalos, Genserico, que, atendendo, renunciou de também destruir Roma.
 Alguns Bispos defensores das populações e da civilização:
 São Paulino de Nola (353-431);
 São Máximo de Turim (465);
 São Agostinho de Hipona (430);
 São Hilário de Poitiers (315-367);
 São Pedro Crisólogo de Ravena (450) e muitos outros (S. Clemente de Roma, S.Justino, S.Irineu, S.Policarpo, S.Basílio Magno, S.Gregório Magno, S.Jerônimo, S. Columbão etc (sem mentira, sem violência e sem fraudes)
 FOI A IGREJA QUE SALVOU A CIVILIZAÇÃO DAS INVASÕES BÁRBARAS E ASSEGUROU A UNIÃO DOS HABITANTES DO IMPÉRIO ROMANO, JÁ DESTRUÍDO.
 Sem um governo forte no ocidente, os BISPOS pregavam o evangelho, administravam os bens das comunidades civis, lidavam com os bárbaros, protegiam e alimentavam os pobres, que não podiam fugir para o Oriente. Daí é possível entender porque a Igreja liderou o Ocidente.
Anexo: A LENDA

O general Aécio, o último dos romanos, já não podia deter Átila.
Quando Átila foi atravessar um rio chamado Núncio, viu um grupo de sacerdotes cristãos, paramentados, se aproximando.
Eram monges e diáconos empunhando cruzes e levantando ao alto OSTENSÓRIOS DOURADOS QUE BRILHAVAM COMO O SOL, cantando hinos e salmos.
No meio deles, um ancião de barbas brancas que orava, Leão Magno, Papa da Igreja.
Átila gritou: – Como te chamas?. – Leão, papa. Átila avançou com seu cavalo dentro do rio e o Papa foi ao seu encontro…
Não sabemos quais foram os argumentos que o papa usou, mas Átila desistiu de atacar Roma.
As lendas falam em intervenção sobrenatural. Átila teria visto, por trás de Leão, um personagem vestido de branco, como um sacerdote que lhe apontava uma espada. Para Deus nada é impossível…

 A IGREJA, NOS SEUS CONVENTOS, PROTEGEU A CULTURA E A ARTE.
 Impediu que a ANARQUIA (o caos) destruísse a Europa, reconstituiu as elites dirigentes (ordem), preparou o renascimento da Civilização, converteu reis bárbaros e preparou a fusão de raças DE ONDE NASCERIA A EUROPA.
 JESUS NÃO PROMETEU “QUE AS PORTAS DO INFERNO JAMAIS PREVALECERIAM CONTRA A IGREJA?” (Mt 16,18)
 A Igreja, durante estes 600 anos de luta, salvou o homem e a Civilização. Guardou toda a doutrina de Cristo e ainda salvou a Civilização.
 HISTORIADORES MUNDIAIS:
 Daniel Rops: “Foi a Igreja, unicamente a Igreja, quem preservou as possibilidades de luz. Graças à Igreja, bem tudo soçobrou”. “Ela soube amar os bárbaros que acabavam de derrubar o mundo romano; soube amar as almas violentas que Cristo chamava, e pacientemente, heroicamente, conseguiu conquistá-las para Ele” (vol II p.615)
 Joseph Maistre: “Nenhuma instituição humana durou dezoito séculos” (DR vol.II, p.617)
 Sem armas e sem violência, mas pela força da fé e pelo amor de Cristo.

O ensino e as Universidades da Igreja

 É calúnia dizer que a Igreja tinha o interesse em manter o povo na ignorância para dominá-lo; os fatos mostram o contrário, e contra fatos não há argumentos.
 No Concílio de Vaison (529) já se expunha por S.Cesário de Arles a necessidade de escolas no campo, e os bispos se dedicaram a isto.
 No 3o Concílio de Latrão (1179), em Roma, o Papa Alexandre III ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Pelo menos cada diocese deveria ter uma escola.
 ESSAS ESCOLAS FORAM AS SEMENTES DAS UNIVERSIDADES QUE LOGO SURGIRAM: SORBONE (PARIS), BOLONHA (ITÁLIA), CANTERBURY (INGLATERRA), TOLETO E SALAMANCA (ESPANHA), SALERNO E RAVIERA (ITÁLIA), COIMBRA (PORTUGAL); LA SAPIENZA, OXFORD E ROMA.
 O ensino superior na Idade Média foi ministrado por iniciativa da Igreja. Ela foi a mãe das universidades. A razão e a fé sempre caminharam juntas na Igreja.
 Pela falta de instrumentos precisos, como computadores e balanças de precisão, os cientistas medievais procediam mais por dedução do que por indução, estando sujeito muitas vezes a erros. Os medievais julgavam que a Bíblia pode ser usada para questões científicas (mesmo que de boa fé) e, por falta de critérios, usavam-na para resolver problemas de ordem biológica, astronômica etc. Como no caso Galileu, no séc.XVII.
 Até 1440 foram criadas na Europa 55 universidades e 12 institutos de ensino superior, todas pela Igreja. (Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências,Filosofia, Teologia, etc.

A Igreja desenvolvendo a tecnologia e a ciência

 Os monges, durante 1500 anos, salvaram a agricultura quando ninguém mais poderia fazê-lo. Devemos a restauração da agricultura de uma grande parte da Europa aos monges.
 No início do séc.XI, um monge chamado EILMER voou mais de 600 pés com um planador. Alguns anos depois, o irmão Francesco Lana-Terzi, um pe. Jesuíta tentou voar sistematicamente, ganhou um prêmio de honra sendo chamado de “o pai do avião”. Seu livro de 1670, “Prodromo alla Arte Maestra” foi o PRIMEIRO A DESCREVER A FÍSICA E A GEOMETRIA de um aparelho voador. Isto aconteceu muito antes de Santos Dumont.
 O primeiro relógio que se tem notícia foi fabricado pelo Papa Silvestre II (999-1003) para a cidade alemã de Mafgdeburg.
 Peter Lightfoot, monge do séc. XIV, de Glastonbury, construiu um dos mais antigos relógios e que existe até hoje em excelente condição no Museu de Ciência de Londres.
 A IGREJA NUNCA REJEITOU A CIÊNCIA, PELO CONTRÁRIO, NÃO ACEITA USAR SUAS DESCOBERTAS CONTRA A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
 O ensino superior na Idade Média foi ministrado por iniciativa da Igreja. Ela foi a mãe das universidades. A razão e a fé sempre caminharam juntas na Igreja.
 Pela falta de instrumentos precisos, como computadores e balanças de precisão, os cientistas medievais procediam mais por dedução do que por indução, estando sujeito muitas vezes a erros. Os medievais julgavam que a Bíblia pode ser usada para questões científicas (mesmo que de boa fé) e, por falta de critérios, usavam-na para resolver problemas de ordem biológica, astronômica etc. Como no caso Galileu, no séc.XVII.

Impressionante o número de padres cientistas na Idade Média(exemplos).

 Roger Bacon, monge franciscano (1214-1294) – criou máquinas a vapor, navios mecânicos, carruagens, os óculos… Muitos “iluminados” usaram esses óculos para escrever discursos contra a Igreja, acusando-a de impedir o avanço da Igreja. Que paradoxo!
 Cardeal Nicolau de Cursa – Antes de Copérnico, assegurou que a Terra não era o Centro do Universo. Antes de Copérnico, disse que o espaço é infinito.
 Papa Silvestre II (994-1003)- matemático, introduziu o sistema numérico arábico (1,2,3…) no lugar do romano (I,II,III,IV…). Mas só 200 anos mais tarde aproveitaram suas idéias. Seu corpo encontra-se incorrupto. Projetou um órgão musical a vapor na Catedral de Reims. Inventou diversas máquinas hidráulicas, como o relógio de pêndulo. Foi muito questionado por causa do seu avanço científico, porque é próprio da condição humana o medo diante do desconhecido, assim como aconteceu com Galileu.
 Pe.Nicolau Steno (1638-1686) – pai da estratigrafia, o estudo das camadas da Terra.
 Pe. Leon Battista Alberti (1404-1472) – desenvolveu a ciência da Óptica.

Idade Média foi uma Idade das trevas?(476-1453)

 A Idade Média, fruto do trabalho da Igreja em muitos séculos junto aos bárbaros, jamais foi uma “idade das trevas.”
 A “Idade das trevas” começa mesmo na Revolução iluminista, onde se pretendeu eliminar Deus, tempos depois.
 Na Idade Média, a ciência estava associada ao respeito a Deus e à pessoa humana. Após 1789, com a Revolução Francesa, o ATEÍSMO invadiu a sociedade e o progresso da ciência passou a estar quase sempre ligado à ganância e à vanglória.
 POR QUE A IDADE MÉDIA TEVE SEUS MALES? Pela mesma razão de hoje: a fragilidade humana. Nunca houve guerras tão cruéis como as 2 guerras mundiais do nosso século XX e regimes tão sangüinários como o nazismo e o comunismo. A 1a Guerra matou mais de 10 milhões, a 2a, 50 milhões. E isto foi no século XX.
 A Revolução Francesa (1793-1794-1 ano) matou mais do que toda a Id.Média em 600 anos. Milhares de católicos foram assassinados pela Guerra Civil Espanhola(1936) e Mexicana(1929). O nazismo assassinou 6 milhões de judeus (pelo menos 2mil padres católicos) e o comunismo ateu levou à morte 100 milhões de pessoas.
 O historiador agnóstico Will Durant (1950) defende a Igreja: “A causa básica da regressão cultural não foi o Cristianismo, mas o barbarismo, não a religião, mas a guerra. Talvez a destruição tivesse sido pior se a Igreja não tivesse mantido ALGUMA ORDEM na civilização decadente.”
 A historiadora Régine Pernoud, especialista em estudos medievais, premiada internacionalmente, consagrada como uma das mais notáveis conhecedoras da Idade Média. Sobre os cidadãos da Idade Média, ela escreve:
 “Do conjunto sobressai uma confiança na vida, uma alegria de viver de que não encontramos equivalente em mais nenhuma civilização. Essa espécie de fatalidade que pesa sobre o mundo antigo, esse teor do Destino, deus implacável ao qual os próprios deuses estão submetidos, o mundo medieval ignorou-a totalmente” (1997)

Católicos após a Idade Média

 Louis Pasteur, de Sorbonne – pai da microbiologia
 Edward Milikan – descobriu a carga do elétron
 Descartes e Galileu morreram como bons cristãos com todos os sacramentos
 Leibiniz escreveu uma “Teodicéia” contra o ATEÍSMO.
 Pe. Cristóforo Clavio – fez manuais de Aritmética, Geomatria, Álgebra e Astronomia.
 Pe. Scheiner (1573-1650) – Descobriu as manchas solares antes que Galileu. Construiu o primeiro telescópio.
 Pe. Atanasius Kirchner – pai da Geologia Moderna.
 Pe. João Batista Riccioli – destaque na Física e grande astrônomo, escreveu uma enciclopédia sobre astronomia (não é astrologia!)
 Pe. Ângelo Secchi (1818-1878) – pai da Astrofísica.
 Pe.GEORGES HENRI JOSEPH ÉDUARD LEMAITRE
 Propôs a teoria do Big-bang da origem do universo, como o nome de “Hipótese do 1o Átomo”. Afirmou que o universo está em expansão. Sua hipótese dizia que todo o universo estava comprimido em um átomo chamado “átomo primordial” ou “ovo cósmico”.
 Mais tarde, George Gamow desenvolveu esta teoria, NÃO A CRIOU, que foi sarcasticamente chamada de Big-bang durante uma transmissão de rádio.

Anexo: Louis Pasteur, de Sorbonne – pai da microbiologia

“Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia, e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou: O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices? Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?- respondeu o senhor. Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso. – afirmou categoricamente o jovem. É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia? – indagou o idoso. Bem,- respondeu o universitário,- como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência. O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito: Professor Doutor LOUIS PASTEUR Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França. “UM POUCO DE CIÊNCIA NOS AFASTA DE DEUS. MUITO, NOS APROXIMA”. (Louis Pasteur)

A Caridade da Igreja

 Maior instituição de caridade no mundo!
 Por exemplo: 25% das obras que cuidam de aidéticos em todo o mundo são mantidas pela Igreja Católica.
 Incontáveis hospitais, sanatórios, escolas para crianças carentes, asilos, creches etc espalhadas em todo o mundo!
 Na época em que a lepra foi um grande mal, nó na Europa e Ásia haviam 3000 leprosários católicos.
 Durante 2000 anos, 20 séculos de existência, ninguém como a Igreja socorreu tanto os pobres, órfãos, viúvas e doentes, como ainda hoje fazem, por exemplo, as irmãs de Madre Teresa de Calcutá.
 É inegável, nenhuma instituição no mundo ocidental fez e faz tanta caridade como a Igreja Católica, infelizmente isto parece não ser importante para os que guardam ressentimentos contra ela.

Fontes utilizadas e que merecem ser estudadas a fundo:

UMA HISTÓRIA QUE NÃO É CONTADA – Prof. Felipe Aquino – Editora Cleófas
CIÊNCIA E FÉ EM HARMONIA – Prof. Felipe Aquino – Editora Cleófas

domingo, 29 de agosto de 2010

O sentido da História

O HISTORIADOR CRISTÃO:
1- Considera o sobrenatural na história de cada um e da sociedade, que o homem foi chamado ao sobrenatural pela Graça e que não há história puramente humana. Nega que o mundo e a vida são obras do acaso. Sabe que Deus criou e governa o mundo.
2- Reconhece Jesus Cristo como o Filho de Deus que se fez homem para a nossa salvação e que a Igreja foi fundada por Ele, tem sucessão Apostólica na pessoa do Santo Padre e dos Bispos e a assistência do Espírito Santo até o final dos séculos.
3- Vê no Cristianismo a Revelação de Deus, o mais perfeito e coerente conjunto de verdades e valores necessários para a salvação e para no plano terreno a construção de uma sociedade justa e fraterna.
4- Condena as escolas historiográficas fatalistas, materialistas e relativistas, que interpretam a história prescindindo de Deus, do sobrenatural e dos valores cristãos, que negam a civilização cristã, atacando e procurando desmoralizar a Igreja e erradicar a fé das consciências.
5- Considera o pecado original, que o mal existe. E a história, mais que a Luta de Classes proposta por Marx, é a luta do bem contra o mal, dos que procuram servir a Deus e construir a verdadeira civilização (Cidade de Deus), contra os que desconhecendo a Deus colocam o homem como deus, servindo às riquezas, ao prazer e ao poder (Cidade dos Homens).
6- Relata o contrato de Deus com o povo judeu, que guardou a Revelação, as tradições, os princípios morais na esperança do Messias, Jesus Cristo, redentor da humanidade. Por isso sabe que a culminância da História é o Nascimento de Cristo e que a única divisão que realmente faz sentido é esta: a.C (antes de Cristo) e d. C (depois de Cristo).
7- Reconhece e relata os milagres da conversão do Império Romano e dos povos bárbaros, por força da pregação, da santidade, do bom exemplo dos mártires, das respostas satisfatórias que só o Cristianismo dá para as perguntas que o homem sempre se fez (de onde vim? Para onde vou? etc) e que a Igreja, apesar de ter sido tão atacada, pelos inimigos externos e internos (hereges e cismáticos) continuou ao longo dos séculos.
8- Comenta o papel histórico dos grandes santos na história, na conversão dos povos, nas ciências, no progresso técnico, nas Artes e na cultura, na construção da civilização. Por exemplo São Bento, que tanto contribuiu para a construção da civilização Ocidental através de tantos mosteiros espalhados pela Europa; São Tomás de Áquino, mestre da Escolástica, Filosofia que buscou a conciliação perfeita da Fé e da Razão; São Francisco de Assis, São Francisco Xavier, tantos santos reis, rainhas, imperadores e imperatrizes e tantos outros.
9- Analisa a Reforma e o Renascimento, O Iluminismo, a  Revolução Francesa e o Comunismo como as grandes revoluções da história, que tiveram um papel fundamental na descristianização do Ocidente, através da negação do sobrenatural e da Graça, da autoridade da Igreja e até do próprio Deus.
10- Interpreta os acontecimentos iluminados pela Razão e pela Fé, à luz do Evangelho, de acordo com o contexto histórico, levando em consideração a mentalidade da época. Assim identifica a Idade Média como a época de ouro da civilização cristã, onde os princípios cristãos governavam os povos e rebate todas as acusações contra as Cruzadas, Inquisição e em geral contra a Igreja, buscando a verdade dos fatos, nos escritos de historiadores sérios, imparciais. Reconhece as falhas humanas, mas sabe que a Igreja é uma instituição humana e divina, valoriza tudo de bom que a Igreja fez pela civilização.

Professor Faria