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domingo, 10 de abril de 2011
Amor e razão, os dois pilares do real
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Filosofia além do Iluminismo e do relativismo
ZP08052811 - 28-05-2008
Permalink: http://www.zenit.org/article-18569?l=portuguese
Entrevista ao decano da Faculdade de Filosofia da Urbaniana
ROMA, quarta-feira, 28 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Foi apresentado hoje, em Roma, na sala Marconi da Rádio Vaticano, o livro em italiano do sacerdote Aldo Vendemiati, «Universalismo e relativismo nell’etica contemporanea» (Edições Marietti), que aponta para a busca de sentido, superando o universalismo ético iluminista e o relativismo pós-moderno e propõe um pluralismo fundado nos deveres e na responsabilidade.
O autor, especializado em ciências éticas e bioéticas, é professor de Filosofia Moral e decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Pontifícia Urbaniana de Roma.
Para apresentar o livro de Vendemiati, estiveram o cardeal Carlo Caffarra, ex-professor de Teologia Moral e de Ética Médica, e a professora Franca D’Agostini, de Filosofia Contemporânea no Politécnico de Turim.
Para compreender as razões que estão no centro do debate, Zenit entrevistou Aldo Vendemiati.
-O Iluminismo expressou um pensamento ético fortemente universalista: basta pensar nas declarações «universais» dos direitos humanos. Como é que hoje isso parece estar «fora de moda»?
-Vendemiati: Isso depende do fato de que grande parte do pensamento contemporâneo é explicitamente cético sobre as possibilidades da razão. O enfoque culturalmente mais difundido é o voluntarista, segundo o qual seria possível conhecer o bem e a virtude só quando se soubesse o que Deus quer; mas sendo isto impossível em perspectiva ‘leiga’ (que nestes contextos significa simplesmente ‘não fideísta’), não resta outro critério fora do que as pessoas querem: não já o diálogo (que implica uma comunicação racional), mas o consenso entre as pessoas (sua «permissão») é o único princípio moral válido.
Pois bem, se esta é a perspectiva «leiga», das duas uma: ou esta é uma posição racional ou não o é. Se é racional, é porque – apesar do que sustentam seus defensores – se reconheceu o valor universal da autonomia, da negociação e da convivência pacífica. Se, pelo contrário, a proposta não é racional, se tudo repousa sobre a vontade das pessoas, não se vê por que se a deverá respeitar.
O fundamento teorético do pluralismo é, ao contrário, a afirmação de que nosso conhecimento está condicionado e que, portanto, se por um lado nenhum pensamento humano pode presumir de possuir a Verdade absoluta, por outro lado são possíveis diversos pontos de vista sobre uma mesma matéria, cada um dos quais está potencialmente em grau de contribuir para o conhecimento da própria matéria.
Quando, com Gadamer, afirmo «iniludível vínculo da razão com horizontes, tradições e situações», eu me situo, com a razão, sobre horizontes, tradições e situações e afirmo uma verdade de caráter universal.
Isso significa que o pensamento não é tal frágil como se quer fazer crer. A própria afirmação da condicionalidade pressupõe uma razão forte, seguramente uma razão pobre e nua – porque aquele que sabe com certeza é em verdade bastante pouco, e está cheia de dúvidas, titubeios, erros – mas tão forte como para reconhecer a própria pobreza e não envergonhar-se da própria nudez.
Penso, portanto, que seja não só necessário mas também possível superar o impasse que nos vê oprimidos entre o universalismo moderno e a «insustentável leveza» do relativismo pós-moderno.
-Quais são as motivações do relativismo atual? São a última palavra possível no campo da ética?
-Vendemiati: O pior serviço ao universalismo foi feito pelas ambições racionalistas e idealistas do pensamento ocidental, que pretenderam elevar a própria «razão» ao nível de «Razão» em absoluto, ou seja, de situar-se «desde o ponto de vista de Deus» (como diria H. Putnam), em outras coisas após ter negado valor cognoscitivo à fé n’Ele.
Em ética, isto se expressa assumindo a perspectiva da «terceira pessoa»: a reflexão moral consistiria na busca de normas, elaboradas «desde o ponto de vista de Deus», mas de um deus secularizado e imanente, coincidente – em última análise – com o legislador ou o juiz humano.
A tal pretensão se opõem as «razões» da democracia liberal, da antropologia, da hermenêutica, da epistemologia ou da própria ética contemporânea, que – de diversas maneiras – mostram a condicionalidade de nosso conhecimento, a vã inconsistência de quem pretende possuir a Verdade absoluta, o Inteiro, o Todo.
O pensamento único deve deixar-se empobrecer e desnudar por tais razões, para chegar a uma correta visão do pluralismo: sobre a mesma matéria são, de fato e de direito, possíveis diversos pontos de vista, cada um dos quais poderiam contribuir a uma melhor compreensão da realidade.
Contudo, é preciso guardar-se bem também dos «excessos de correção» nos quais as perspectivas relativistas vêm a cair. O relativismo, longe de garantir os valores do pluralismo e do diálogo entre as civilizações, nivela todos os enfoques ético-culturais em uma equivalência teorética e prática, da qual se sai unicamente com a violência da manipulação ou do terrorismo.
-Qual é o sentido e o papel da busca ético-racional para quem vive no horizonte da fé cristã?
-Vendemiati: O conhecimento racional tem uma especificidade própria que não pode nunca desaparecer. E isso é particularmente evidente hoje, na sociedade complexa e secularizada na qual nos movemos.
No debate sobre temas que despedaçam a consciência das nações e do mundo inteiro (por exemplo, sobre os temas da eutanásia, do aborto, da política econômica, etc), nós, cristãos, não podemos apoiar nossos argumentos a partir da autoridade do Evangelho, já que nos encontramos discutindo com pessoas (e são a maioria) que não reconhecem esta autoridade.
Devemos fundar racionalmente nossos argumentos. A tradição cristã, neste sentido, ensinou que a filosofia está «ao serviço» da teologia (philosophia ancilla theologiae). E se trata de um serviço prestado em duas frentes: por um lado, a teologia descobre algumas verdades que facilitam a acolhida do Evangelho; por outro lado, a filosofia desmascara alguns erros que impedem a acolhida do Evangelho.
Por outra parte, nós nos sentimos convidados por nossa própria fé a exercitar até o final a razão: um axioma teológico clássico diz: «A graça não destrói a natureza, mas a supõe»; em nosso campo isto pode ser traduzido assim: «A fé não destrói a razão, mas a supõe».
A fé não substitui a razão, mas a completa e a eleva: portanto, é necessário que haja algo a completar e elevar: uma atividade racional que a fé não substitui. Feita esta distinção metodológica, é agora possível sublinhar que para a ética é necessário pôr-se à escuta das grandes tradições religiosas e, em nosso caso, do cristianismo.
-É possível propor uma ética que permita dar razão às instâncias da autenticidade, da diversidade social e do reconhecimento? Ou estamos obrigados a submeter-nos à «ditadura do relativismo»?
-Vendemiati: Para a salvação do planeta e da humanidade que o habita, é necessário proporcionar as bases éticas de confrontação que possam garantir o diálogo, e, se não a convivência pacífica, ao menos uma eqüitativa resolução dos conflitos.
Se não é possível considerar alguma civilização concreta como uma cultura universalmente válida, não é nem sequer possível negar que há valores universalmente válidos aos que todas as civilizações podem (com maior ou menor esforço) em última análise remeter-se.
Este é o sentido de uma busca sobre o universalismo moral. Para fazer isto é necessário que a ética se ponha à escuta das grandes tradições religiosas: estas são um horizonte interpretativo universal, capaz de oferecer um sentido último à vida e à morte. Nelas, efetivamente, os valores, as normas e as motivações ficam garantidas.
Incondicionalmente, concretizados, capazes de criar segurança espiritual, confiança e esperança.
Onde, ao contrário, a secularização corta o cordão umbilical entre as grandes tradições da fé e a busca racional, ou onde o fundamentalismo exclui a possibilidade da própria busca racional, os riscos são evidentes. O fundamentalismo, quando não conduz ao isolamento e à incomunicabilidade, desemboca no conflito e no terrorismo.
O secularismo tende a substituir a verdade pelo consenso, e – como assinala Ratzinger – «quão frágeis são os consensos e que rapidamente, em um certo clima intelectual, grupos partidários podem impor-se como os únicos representantes autorizados do progresso e da responsabilidade, está diante dos olhos de todos nós».
Permalink: http://www.zenit.org/article-18569?l=portuguese
Entrevista ao decano da Faculdade de Filosofia da Urbaniana
ROMA, quarta-feira, 28 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Foi apresentado hoje, em Roma, na sala Marconi da Rádio Vaticano, o livro em italiano do sacerdote Aldo Vendemiati, «Universalismo e relativismo nell’etica contemporanea» (Edições Marietti), que aponta para a busca de sentido, superando o universalismo ético iluminista e o relativismo pós-moderno e propõe um pluralismo fundado nos deveres e na responsabilidade.
O autor, especializado em ciências éticas e bioéticas, é professor de Filosofia Moral e decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Pontifícia Urbaniana de Roma.
Para apresentar o livro de Vendemiati, estiveram o cardeal Carlo Caffarra, ex-professor de Teologia Moral e de Ética Médica, e a professora Franca D’Agostini, de Filosofia Contemporânea no Politécnico de Turim.
Para compreender as razões que estão no centro do debate, Zenit entrevistou Aldo Vendemiati.
-O Iluminismo expressou um pensamento ético fortemente universalista: basta pensar nas declarações «universais» dos direitos humanos. Como é que hoje isso parece estar «fora de moda»?
-Vendemiati: Isso depende do fato de que grande parte do pensamento contemporâneo é explicitamente cético sobre as possibilidades da razão. O enfoque culturalmente mais difundido é o voluntarista, segundo o qual seria possível conhecer o bem e a virtude só quando se soubesse o que Deus quer; mas sendo isto impossível em perspectiva ‘leiga’ (que nestes contextos significa simplesmente ‘não fideísta’), não resta outro critério fora do que as pessoas querem: não já o diálogo (que implica uma comunicação racional), mas o consenso entre as pessoas (sua «permissão») é o único princípio moral válido.
Pois bem, se esta é a perspectiva «leiga», das duas uma: ou esta é uma posição racional ou não o é. Se é racional, é porque – apesar do que sustentam seus defensores – se reconheceu o valor universal da autonomia, da negociação e da convivência pacífica. Se, pelo contrário, a proposta não é racional, se tudo repousa sobre a vontade das pessoas, não se vê por que se a deverá respeitar.
O fundamento teorético do pluralismo é, ao contrário, a afirmação de que nosso conhecimento está condicionado e que, portanto, se por um lado nenhum pensamento humano pode presumir de possuir a Verdade absoluta, por outro lado são possíveis diversos pontos de vista sobre uma mesma matéria, cada um dos quais está potencialmente em grau de contribuir para o conhecimento da própria matéria.
Quando, com Gadamer, afirmo «iniludível vínculo da razão com horizontes, tradições e situações», eu me situo, com a razão, sobre horizontes, tradições e situações e afirmo uma verdade de caráter universal.
Isso significa que o pensamento não é tal frágil como se quer fazer crer. A própria afirmação da condicionalidade pressupõe uma razão forte, seguramente uma razão pobre e nua – porque aquele que sabe com certeza é em verdade bastante pouco, e está cheia de dúvidas, titubeios, erros – mas tão forte como para reconhecer a própria pobreza e não envergonhar-se da própria nudez.
Penso, portanto, que seja não só necessário mas também possível superar o impasse que nos vê oprimidos entre o universalismo moderno e a «insustentável leveza» do relativismo pós-moderno.
-Quais são as motivações do relativismo atual? São a última palavra possível no campo da ética?
-Vendemiati: O pior serviço ao universalismo foi feito pelas ambições racionalistas e idealistas do pensamento ocidental, que pretenderam elevar a própria «razão» ao nível de «Razão» em absoluto, ou seja, de situar-se «desde o ponto de vista de Deus» (como diria H. Putnam), em outras coisas após ter negado valor cognoscitivo à fé n’Ele.
Em ética, isto se expressa assumindo a perspectiva da «terceira pessoa»: a reflexão moral consistiria na busca de normas, elaboradas «desde o ponto de vista de Deus», mas de um deus secularizado e imanente, coincidente – em última análise – com o legislador ou o juiz humano.
A tal pretensão se opõem as «razões» da democracia liberal, da antropologia, da hermenêutica, da epistemologia ou da própria ética contemporânea, que – de diversas maneiras – mostram a condicionalidade de nosso conhecimento, a vã inconsistência de quem pretende possuir a Verdade absoluta, o Inteiro, o Todo.
O pensamento único deve deixar-se empobrecer e desnudar por tais razões, para chegar a uma correta visão do pluralismo: sobre a mesma matéria são, de fato e de direito, possíveis diversos pontos de vista, cada um dos quais poderiam contribuir a uma melhor compreensão da realidade.
Contudo, é preciso guardar-se bem também dos «excessos de correção» nos quais as perspectivas relativistas vêm a cair. O relativismo, longe de garantir os valores do pluralismo e do diálogo entre as civilizações, nivela todos os enfoques ético-culturais em uma equivalência teorética e prática, da qual se sai unicamente com a violência da manipulação ou do terrorismo.
-Qual é o sentido e o papel da busca ético-racional para quem vive no horizonte da fé cristã?
-Vendemiati: O conhecimento racional tem uma especificidade própria que não pode nunca desaparecer. E isso é particularmente evidente hoje, na sociedade complexa e secularizada na qual nos movemos.
No debate sobre temas que despedaçam a consciência das nações e do mundo inteiro (por exemplo, sobre os temas da eutanásia, do aborto, da política econômica, etc), nós, cristãos, não podemos apoiar nossos argumentos a partir da autoridade do Evangelho, já que nos encontramos discutindo com pessoas (e são a maioria) que não reconhecem esta autoridade.
Devemos fundar racionalmente nossos argumentos. A tradição cristã, neste sentido, ensinou que a filosofia está «ao serviço» da teologia (philosophia ancilla theologiae). E se trata de um serviço prestado em duas frentes: por um lado, a teologia descobre algumas verdades que facilitam a acolhida do Evangelho; por outro lado, a filosofia desmascara alguns erros que impedem a acolhida do Evangelho.
Por outra parte, nós nos sentimos convidados por nossa própria fé a exercitar até o final a razão: um axioma teológico clássico diz: «A graça não destrói a natureza, mas a supõe»; em nosso campo isto pode ser traduzido assim: «A fé não destrói a razão, mas a supõe».
A fé não substitui a razão, mas a completa e a eleva: portanto, é necessário que haja algo a completar e elevar: uma atividade racional que a fé não substitui. Feita esta distinção metodológica, é agora possível sublinhar que para a ética é necessário pôr-se à escuta das grandes tradições religiosas e, em nosso caso, do cristianismo.
-É possível propor uma ética que permita dar razão às instâncias da autenticidade, da diversidade social e do reconhecimento? Ou estamos obrigados a submeter-nos à «ditadura do relativismo»?
-Vendemiati: Para a salvação do planeta e da humanidade que o habita, é necessário proporcionar as bases éticas de confrontação que possam garantir o diálogo, e, se não a convivência pacífica, ao menos uma eqüitativa resolução dos conflitos.
Se não é possível considerar alguma civilização concreta como uma cultura universalmente válida, não é nem sequer possível negar que há valores universalmente válidos aos que todas as civilizações podem (com maior ou menor esforço) em última análise remeter-se.
Este é o sentido de uma busca sobre o universalismo moral. Para fazer isto é necessário que a ética se ponha à escuta das grandes tradições religiosas: estas são um horizonte interpretativo universal, capaz de oferecer um sentido último à vida e à morte. Nelas, efetivamente, os valores, as normas e as motivações ficam garantidas.
Incondicionalmente, concretizados, capazes de criar segurança espiritual, confiança e esperança.
Onde, ao contrário, a secularização corta o cordão umbilical entre as grandes tradições da fé e a busca racional, ou onde o fundamentalismo exclui a possibilidade da própria busca racional, os riscos são evidentes. O fundamentalismo, quando não conduz ao isolamento e à incomunicabilidade, desemboca no conflito e no terrorismo.
O secularismo tende a substituir a verdade pelo consenso, e – como assinala Ratzinger – «quão frágeis são os consensos e que rapidamente, em um certo clima intelectual, grupos partidários podem impor-se como os únicos representantes autorizados do progresso e da responsabilidade, está diante dos olhos de todos nós».
Papa explica aspectos positivos e negativos do Iluminismo
ZP08060603 - 06-06-2008
Permalink: http://www.zenit.org/article-18664?l=portuguese
Ao receber aos bispos da Malásia, Brunei e Singapura
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 6 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Segundo Bento XVI, a liberdade religiosa constitui uma das heranças positivas que o Iluminismo deixou, junto a perigos reais como a «ditadura da razão positivista».
O Papa fez uma análise nesta sexta-feira das luzes e sombras desse movimento filosófico e cultural do século XVIII, que acentua o predomínio da razão humana e a crença no progresso humano, ao receber em audiência os bispos da Malásia, Brunei e Singapura.
O pontífice explicou aos prelados que eles «têm de assegurar que o Evangelho cristão não seja confundido com os princípios seculares associados ao Iluminismo».
«Pelo contrário, falando na verdade e no amor, podeis ajudar vossos concidadãos a distinguir o trigo do Evangelho do joio do materialismo e do relativismo», indicou.
O pontífice pediu aos prelados desses países com uma importante presença de muçulmanos, budistas e hindus que «respondam aos desafios urgentes propostos pelo Iluminismo, familiar para o cristianismo ocidental nos dois últimos séculos, mas que só agora começa a ter um impacto significativo em outras partes do mundo».
«Resistindo à ditadura da razão positivista, que busca excluir Deus do terreno público, deveríamos dar boas-vindas às autênticas conquistas do Iluminismo, sublinhando em particular os direitos humanos e a liberdade de religião e sua prática», sugeriu.
Segundo assegurou aos bispos asiáticos, Bento XVI, «acentuando o caráter universal dos direitos humanos, baseados na dignidade da pessoa humana, criada à imagem de Deus, ofereceis uma importante contribuição à evangelização, pois este ensinamento constitui um aspecto essencial do Evangelho».
«Ao fazê-lo – concluiu –, estais seguindo os passos de São Paulo, que aprendeu a expressar a essência da fé e a vida cristã de uma maneira que poderá ser compreendida pelas comunidades pagãs às que foi enviado.»
No dia 28 de junho começará o ano de São Paulo, convocado pelo Papa para a Igreja universal, ao se celebrarem os dois mil anos de seu nascimento.
Permalink: http://www.zenit.org/article-18664?l=portuguese
Ao receber aos bispos da Malásia, Brunei e Singapura
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 6 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Segundo Bento XVI, a liberdade religiosa constitui uma das heranças positivas que o Iluminismo deixou, junto a perigos reais como a «ditadura da razão positivista».
O Papa fez uma análise nesta sexta-feira das luzes e sombras desse movimento filosófico e cultural do século XVIII, que acentua o predomínio da razão humana e a crença no progresso humano, ao receber em audiência os bispos da Malásia, Brunei e Singapura.
O pontífice explicou aos prelados que eles «têm de assegurar que o Evangelho cristão não seja confundido com os princípios seculares associados ao Iluminismo».
«Pelo contrário, falando na verdade e no amor, podeis ajudar vossos concidadãos a distinguir o trigo do Evangelho do joio do materialismo e do relativismo», indicou.
O pontífice pediu aos prelados desses países com uma importante presença de muçulmanos, budistas e hindus que «respondam aos desafios urgentes propostos pelo Iluminismo, familiar para o cristianismo ocidental nos dois últimos séculos, mas que só agora começa a ter um impacto significativo em outras partes do mundo».
«Resistindo à ditadura da razão positivista, que busca excluir Deus do terreno público, deveríamos dar boas-vindas às autênticas conquistas do Iluminismo, sublinhando em particular os direitos humanos e a liberdade de religião e sua prática», sugeriu.
Segundo assegurou aos bispos asiáticos, Bento XVI, «acentuando o caráter universal dos direitos humanos, baseados na dignidade da pessoa humana, criada à imagem de Deus, ofereceis uma importante contribuição à evangelização, pois este ensinamento constitui um aspecto essencial do Evangelho».
«Ao fazê-lo – concluiu –, estais seguindo os passos de São Paulo, que aprendeu a expressar a essência da fé e a vida cristã de uma maneira que poderá ser compreendida pelas comunidades pagãs às que foi enviado.»
No dia 28 de junho começará o ano de São Paulo, convocado pelo Papa para a Igreja universal, ao se celebrarem os dois mil anos de seu nascimento.
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Iluminismo: A Filosofia Sem Deus
por Carlos Eduardo Maculan
O pretensioso projeto revolucionário e sua abertura para o fim da moral. O iluminismo, que sem sombra de dúvidas, é o mais trivial período do pensamento humano, que proporcionou ao mundo a marginalização do Sagrado, e uma tentativa de destituir o Império de Cristo Rei do Universo, Senhor espiritual e temporal sentado à direita do Pai.
O racionalismo, para os defensores de hoje e de outrora, despoticamente assume a condição de ser o sustento da base política do Estado, e o meio pelo qual se conhece a verdade, pois, negando que o homem é criado e se submete ao governo da lei natural que está impressa no coração de todos, expropria-se Deus da vida cotidiana, e estabelece uma forma de atuar politicamente que concretize a negação da moral. Acreditam que tudo está sujeito ao domínio da razão, e somente dela se faz a verdadeira leitura dos acontecimentos. Voltaire sintetiza essa questão no seu “dicionário filosófico” ao discorrer sobre a pretensiosa perniciosidade da religião. Tudo deve ser construído fora de Deus, e Aquele que É dominador da razão humana é categoricamente negado em benefício da liberdade. A filosofia sem Deus declara que o homem só pode conhecer a si mesmo no próprio homem, sendo ele fruto dele mesmo. A sentença “Nosce te Ipsum” de Sócrates, que já era de forma imperfeita um lampejo da luz divina, e que já condensava no seu enunciado aquilo que foi posteriormente enxertado na verdadeira videira conhecida por Cristo Jesus, é deturpado tanto em sua essência, quanto na sua prática. Vigora o utopismo onde o fundamental é a criação de um lugar fantasioso, contrário ao mundo criado, não importando se Deus, o Sumo Bem, está ou não no centro da filosofia, atuando então para substituir a religiosidade, a moral, a doutrina cristã, sancionando a destruição da firmeza de uma doutrina reta, fruto de séculos inteiros de verdadeira filosofia cristã, que em Santa Catarina de Siena faz a autêntica leitura do conhecimento do homem e de sua existência, purificando Sócrates e afirmando o absoluto: - Conhece a ti mesmo, em Deus. O Criador é o centro, e obrigatoriamente toda nossa construção filosófica deve para Ele convergir e n’Ele encontrar a razão do existir humano e toda ordem criada. O mundo só se conhece em Deus, pois a criatura não tem por direito enxergar-se fora de sua origem.
O iluminismo necessitava destruir essa base filosófica tão profunda, fruto da fé que presta auxílio à razão, pois ela existindo e vigorando, seria uma ameaça real para as pretensões ilustradas que coloca a humanidade como senhora de si própria. Logo, com o desejo de fundar uma nova ordem de pensamento, tendo o homem e sua razão sem fé no centro, estabelecem os adeptos da revolução a mais perfeita corrupção do pensamento, colocando a humanidade na direção de sua própria história, e centralizando a busca da felicidade de forma a se negar que cada um possa escutar a voz de sua consciência, e ouvindo o desejo do infinito, deve se pautar pelo senso do correto fruto da lei moral. Pelas coisas criadas, o homem - segundo a doutrina Santa e Católica -, é capaz de conhecer Deus, portanto, toda a realidade circundante deve nos levar para a contemplação de Deus, sendo Ele a razão infinita, a inteligência suprema que supre as incapacidades da razão humana, e na melhor esteira do Doutor Angélico, sabe-se com certeza filosófica cristã, como servidora a teologia, que o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo nem seu princípio primeiro nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim por estas diversas "vias", o homem pode aceder ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, "e que todos chamam Deus" (Santo Tomás de Aquino: Suma Teológica I, 2, 3)
O “justo” para a corrente iluminista não é mais aquele que passa do estado de pecado para o estado de justiça diante de Deus, tornando-se amigo e servo do Seu Senhor, aceitando a iniciação cristã e submetendo à confissão sacramental, mas, aquele que muda a sociedade para só depois pensar em Cristo que nos colocou em estado de filiação divina, quando não - mesmo fazendo mudanças estruturais na vida social -, esquece-se totalmente da Sã Doutrina pregada pelos lábios Santíssimos do Nosso Senhor, e validando essas mudanças por meios que podem variar do uso da força revolucionária, até da subversão moral, de forma que a sociedade assuma os falsos valores pela repetição de conceitos livremente pregados contra a fé. Desconstruir o vigor cristão na vida cotidiana era a palavra de ordem, criando conceitos que colocavam a religião no campo das superstições, além o ataque frontal às certezas oriundas do catolicismo e dos mistérios divindos. O que os homens louvam no iluminismo é a destituição de Deus do poder e de Sua primazia sobre a filosofia; o que se aplaude é o decreto do pensamento que tenta – como se possível fosse -, retirar Deus do seu trono excelso para assim, colocar o homem no lugar; este mesmo que não lhe compete ocupar, pois qualquer criatura não exerce poder sobre si mesma. Opostamente, a máxima da verdade cristã enfatizada pelos filósofos do cristianismo, por sua vez, apregoa que a mudança começa pelo homem – criatura de Deus que é princípio e fim de toda a criação - que aceita a supremacia divina, devotando toda a capacidade intelectual em benefício de Cristo, sendo essa mesma inteligência devedora de se inclinar humildemente diante do esplendor da verdade; e depois de curvada diante do Senhorio Divino, modifica o espaço criado, pelo fato de ter assumido a prática das virtudes cristãs mantidas pela Igreja Católica, e anunciadas como frutos da Revelação Divina. Inverte-se os papéis na filosofia ilustrada, pois para os homens modernos, a sociedade deve ceder espaço para a humanidade no centro e Deus às margens. O utilitarismo da divindade, que só será consultada quando necessário, quanto surgir o interesse de ver a criação partindo do Criador, ou para justificar a imoralidade da razão como se fosse fruto de um desejo transcendental, ou então, é negada categoricamente, para dizer que o cristianismo perfeito e puro dentro da Igreja Católica, é pernicioso e insalubre ao conhecimento. Nega-se a direção única para a qual toda ciência deve tender: “Procurai as coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita Deus. Pensais nas coisas do alto, e não nas da terra, pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. (Col 3, 2 – 3).
Enquanto os frutos do movimento revolucionário iluminista determinam uma inteira corrupção da razão, limitando ainda mais suas incapacidades, e orientando a humanidade para radicalizar a vida social sem ter a doutrina cristã como centro, instaurando modificações somente no campo material, vitimando o pensamento e as condutas humanas para ações somente em benefício da coletividade sem ter Deus, em detrimento da verdade católica, esta, por sua santa e esponsal união com Jesus Cristo, com toda sinceridade, e sabendo que nossas vidas devem ser pautadas pela abertura para o transcendente, condicionando nossas ações para o que é agradável aos olhos de Deus, ensinou pelos séculos passados e vindouros que a vida plena é a vida sobrenatural da qual já participamos no mundo criado redimidos pelos méritos da Cruz de Cristo e por sua ressurreição, a qual nascemos pelo batismo. A mudança deve, portanto, ter a base sólida no Redentor, que não degrada sob nenhuma hipótese a mudança da sociedade sob os valores fundados pela doutrina cristã – que é diametralmente oposta da pretensão iluminista -, pois mesmo procurando as coisas do alto, trabalham diuturnamente todos os homens cristãos para a construção do mundo mais humano na humanidade de Jesus Cristo, sendo a Pessoa Divina de Cristo o santificador concreto e absoluto da corrupção humana experimentada na corrupção moral, por isso, o mal iluminista reside no direcionamento deturpado que se dá para as coisas terrenas, usando-as não em benefício do bem, mas da expropriação de Deus. O poder é puramente material, e jamais decorrente de Supremo Senhor. Tudo que vive o cristão, que assume a filosofia com Deus e não sem Ele, deve ser adquirido pelo espírito da fé que recebe do amor a sua perfeição; o mundo é visto com Cristo no poder, então, a esperança que opta pela glória do Senhor latentemente irá se iniciar na terra: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rom 12, 2).
O homem não é o fim de si mesmo, pois se ele fosse seu próprio fim, além de salvar a si mesmo por seus próprios méritos, seria ele também sua causa, e sabemos fortemente que não exercermos senhorio sobre nós, porque se assim fosse, certamente escolheríamos nascer ou não nascer, quando, onde e como entraríamos na existência terrena. Pelo contrário, a causa e o fim de todas as coisas é Deus, sem Ele o sustento do universo e seu ordenamento, e evidentemente a sociedade, que faz parte do universo criado, não se sustentaria fora de Deus, e fora de Deus, tudo caminha para a aniquilação total de toda a criação. Quando o pensamento faz sua ruptura com a busca de contemplar as coisas do alto, deixando de procurá-la no universo criado e fazendo com que elas se iniciem aqui na terra, Aquele que É a causa e o fim de todas as coisas (Deus) não está no centro, pelo contrário, renuncia-se ao bem para se abraçar o mal, pois Deus é o sumo Bem, e por ser tal, não existe sumo Bem fora de Deus. Toda e qualquer filosofia que não tende para o seu fim último, sendo esse fim a causa primeira de tudo, arvora-se arrogantemente em dizer que ela é o fim de si própria. (cf. Santo Tomás de Aquino: Suma Contra os Gentios III, XVIII, 1)
Existe a certeza cristã, que nos assevera com doce inteligência e excelsa sabedoria, que toda a criação, a sociedade, a humanidade, e todas as demais coisas estão sujeitas ao Cristo, até que Ele as submeta ao Pai (Cf. I Cor 15, 27s). Cristo reina em soberano império absoluto e supremo sobre todas a criaturas: “E necessário que Cristo reine na inteligência do homem, a qual, com perfeito acatamento, há de dar assentimento firme e constantemente às verdade reveladas e à doutrina de Cristo; é necessário que reine na vontade, a qual há de obedecer às leis e preceitos divinos” [Sua Santidade, o Papa Pio XI – Carta Encíclica Quas Primas ]. O homem só será governado para praticar o bem, quando participar da sabedoria celestial assistido pelo Espírito Santo, que beneficia a condição humana limitada com o discernimento para entender o que é bem e o que é mal. A disposição estável da inteligência é dominada por Deus, que permite, por grande amor do Pai pelos seus filhos, que não condicionemos em construir pensamentos que sejam distantes de Deus, pois buscando Sua face (Salmo 27) , encontraremos a justiça que abarca cada um para se viver Cristo, imitando-O; porque só assim não iremos corromper a vida social, como desejam os partidários das correntes iluministas.
A conservação da vida, da sociedade, a pregação da verdadeira doutrina não se constrói concorrentemente ao poderio de Deus, porém, se faz de forma tão íntima com o Senhor, que com Ele a razão e a vontade de dirigir nossas ações para a concretização da vontade divina na terra se unem, o que possibilita toda a conservação do existir humano. O iluminismo pretende por sua vez, colocar a humanidade centrada em si própria pela negação dos conceitos universais da fé, fruto da verdade Revelada por Deus, e que já foi entregue de forma completa, sendo que nada há entre os homens que necessita ser revelado. O depósito dessa Revelação, que Deus fez de Si próprio, dando-se a conhecer através Filho, Encarnado no seio da Virgem Maria pela ação do Espírito Santo, está contido e guardado fielmente pela Igreja Católica, que na sucessão dos apóstolos, e sob o Primado de Pedro, fundador da Sé Romana, por sua autoridade constituída por Cristo, legou aos seus sucessores, os Papas, a mesma primazia sobre a fé dos povos.
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Para citar:
MACULAN, Carlos Eduardo. Apostolado Sociedade Católica: Iluminismo: A Filosofia Sem Deus. Disponível em: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=123.
Marcadores:
Filosofia,
Iluminismo,
Laicismo
Uma guerra surda: cristianismo x iluminismo ateu
Publicado por Pe Henrique
Há uma guerra surda sendo travada, no Brasil e no mundo, entre os
crentes e os herdeiros do iluminismo ateu e anti-cristão, nascido a
partir do século XVIII. A sociedade ocidental, século após século, foi
sendo plasmada pelo cristianismo: suas leis, suas expressões culturais,
sua sensibilidade, tudo tem a marca dos discípulos de Cristo...
O Ocidente foi parido pelo cristianismo. Agora, com a descristianização generalizada, os bem-pensantes iluministas querem criar um novo ordenamento, totalmente alheio e até contrário à cultura cristã. Querem também que os cristãos aceitem isso sem reagir... Se o leitor quiser um exemplo, basta ler as revistas semanais brasileiras (Época, Veja, IstoÉ) e os jornais de maior circulação no País (Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, o Jornal do Brasil, O Globo). O argumento deles é o seguinte: a sociedade hoje é pluralista, o Estado é laico, sem vínculo com qualquer religião; logo, a Igreja e os cristãos, de modo geral, não têm nada a dizer sobre as questões da atualidade: aborto, manipulação genética, uso de embriões humanos em experiências para adquirir células-tronco, união civil dos homossexuais, eutanásia... nada disso compete aos cristãos. Aqui, cada um deve seguir sua consciência, sem querer impor ao conjunto da sociedade sua visão. Religião é questão privada, é questão de opinião e não deve ter nenhum influxo na construção do ordenamento social.
Aparentemente, o raciocínio dessa gente parece certo: cada um siga a sua consciência e pronto! Mas, aqui, há alguns pontos que precisam ser esclarecidos:
(1) É verdade que o Estado é laico e, enquanto tal, não deve professar ou favorecer religião alguma. Mas também e verdade que o Estado está a serviço do Povo, deve respeitar e tutelar os valores do Povo e o Povo brasileiro é cristão, na sua grande maioria e na sua matriz cultural. O Estado brasileiro não pode ser anticristão, não pode ignorar o cristianismo, não pode tratá-lo com desdém. Se o fizer, deve ser desautorizado e reformado pelo Povo! O Estado não é Deus e não está acima do bem e do mal! Então, quando se propõe arrancar o crucifixo do Supremo Tribunal Federal, se está agredindo a grande maioria do povo brasileiro: hoje arranca-se o crucifixo para amanhã se arrancar os valores cristãos que guiam nossa sociedade.
(2) É bobagem pensar que existam valores soltos, neutros e imparciais. Na verdade, o que os neo-iluministas desejam é impor seus valores: valores laicos, que apregoam a destruição da família e a adoção de uma ética atéia para decidir sobre o conceito de família, aborto, pesquisa genética, eutanásia, assassinato de embriões anencéfalos, etc. Note-se bem: não há uma ética neutra! Querem fazer o povo brasileiro engolir uma ética pagã, fundamentada numa razão meramente utilitarista e individualista.
(3) Os cristãos têm todo direito de gritar e defender seus valores. Se a sociedade é democrática e pluralista e a Igreja e outras denominações cristãs são membros dessa sociedade, têm direito sim de fazer pressão. É interessante: quando as minorias fazem barulho, todos elogiam; quando os cristãos o fazem, a turma iluminista reclama e mete o pau na Igreja católica (que é a bruxa velha) e nos outros cristãos! A Igreja deve gritar, deve organizar os que crêem, deve se articular com as demais denominações cristãs e com as pessoas de boa vontade para defender que nossas leis exprimam valores cristãos. Todos devem ser respeitados, mas temos o direito de lutar por nossas idéias.
(4) Isso não significa querer impor aos outros nosso modo de pensar. A questão é que uma sociedade permissiva, com leis em contradição com uma cultura cristã, marca toda a sociedade, marca as famílias, marca as escolas, marca nossos jovens e crianças. Temos o direito de lutar para defendê-los! Basta pensar no que uma idéia pagã de matrimônio e família, veiculada pelos meios de comunicação, tem gerado no Brasil: o conceito de família tem sido totalmente destruído na nossa cultura brasileira. Agradeçamos à Rede Globo e demais emissoras de televisão! Como seria interessante escutar os filhos de descasados e recasados, os filhos de mães solteiras e adolescentes, para vermos de perto o resultado desastroso de tudo isso! O que será dos jovens daqui a cinqüenta anos, formados em famílias totalmente alheia a valores sólidos?
As coisas, como estão, encaminham-se para uma contraposição forte. Estamos chegando num ponto de fusão, no qual os cristãos terão de dizer claramente “basta”! É preciso perguntar se é correto promover a desconstrução do Ocidente como se está fazendo. O Estado não religioso é uma conquista que deve ser mantida; a separação entre religião e governo é uma realidade sadia. O problema é quando grupos poderosos – os senhores dos meios de comunicação, por exemplo – fazem uma campanha bem orquestrada para arrancar as marcas cristãs de nossa cultura. Aí é necessário dizer “basta”, é necessário gritar, pressionar e mostrar que os cristãos não estão dormindo.
Devemos caminhar para a elaboração de uma ética civil, isto é, critérios éticos, fundamentados no princípio de respeito profundo pelos valores humanos mais nobres, que possam, de modo geral, ser por todos compartilhados. Todos – crentes ou não, cristãos ou não-cristãos – têm algo a dizer e têm em que colaborar. Mas, não se pode esquecer que este País chamado Brasil ainda é majoritariamente cristão e católico. Não se pode esquecer de nossas raízes culturais e dos valores que plasmaram nossa sociedade. Não se pode aceitar a ditadura intelectual de uma minoria “iluminada” por uma razão atéia querendo impor seus contra-valores – ainda na semana passada a Veja referia-se a Jesus como um simples “mito” e ridicularizava sutilmente os que acreditam que Cristo nasceu de uma Virgem... Uma guerra ideológica não faria bem a ninguém, pois provocaria somente exacerbações e exageros... Mas, os cristãos não ficarão calados; não ficarão quietos... Quem viver, verá!
Côn. Henrique Soares da Costa
fonte: www.padrehenrique.com
O Ocidente foi parido pelo cristianismo. Agora, com a descristianização generalizada, os bem-pensantes iluministas querem criar um novo ordenamento, totalmente alheio e até contrário à cultura cristã. Querem também que os cristãos aceitem isso sem reagir... Se o leitor quiser um exemplo, basta ler as revistas semanais brasileiras (Época, Veja, IstoÉ) e os jornais de maior circulação no País (Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, o Jornal do Brasil, O Globo). O argumento deles é o seguinte: a sociedade hoje é pluralista, o Estado é laico, sem vínculo com qualquer religião; logo, a Igreja e os cristãos, de modo geral, não têm nada a dizer sobre as questões da atualidade: aborto, manipulação genética, uso de embriões humanos em experiências para adquirir células-tronco, união civil dos homossexuais, eutanásia... nada disso compete aos cristãos. Aqui, cada um deve seguir sua consciência, sem querer impor ao conjunto da sociedade sua visão. Religião é questão privada, é questão de opinião e não deve ter nenhum influxo na construção do ordenamento social.
Aparentemente, o raciocínio dessa gente parece certo: cada um siga a sua consciência e pronto! Mas, aqui, há alguns pontos que precisam ser esclarecidos:
(1) É verdade que o Estado é laico e, enquanto tal, não deve professar ou favorecer religião alguma. Mas também e verdade que o Estado está a serviço do Povo, deve respeitar e tutelar os valores do Povo e o Povo brasileiro é cristão, na sua grande maioria e na sua matriz cultural. O Estado brasileiro não pode ser anticristão, não pode ignorar o cristianismo, não pode tratá-lo com desdém. Se o fizer, deve ser desautorizado e reformado pelo Povo! O Estado não é Deus e não está acima do bem e do mal! Então, quando se propõe arrancar o crucifixo do Supremo Tribunal Federal, se está agredindo a grande maioria do povo brasileiro: hoje arranca-se o crucifixo para amanhã se arrancar os valores cristãos que guiam nossa sociedade.
(2) É bobagem pensar que existam valores soltos, neutros e imparciais. Na verdade, o que os neo-iluministas desejam é impor seus valores: valores laicos, que apregoam a destruição da família e a adoção de uma ética atéia para decidir sobre o conceito de família, aborto, pesquisa genética, eutanásia, assassinato de embriões anencéfalos, etc. Note-se bem: não há uma ética neutra! Querem fazer o povo brasileiro engolir uma ética pagã, fundamentada numa razão meramente utilitarista e individualista.
(3) Os cristãos têm todo direito de gritar e defender seus valores. Se a sociedade é democrática e pluralista e a Igreja e outras denominações cristãs são membros dessa sociedade, têm direito sim de fazer pressão. É interessante: quando as minorias fazem barulho, todos elogiam; quando os cristãos o fazem, a turma iluminista reclama e mete o pau na Igreja católica (que é a bruxa velha) e nos outros cristãos! A Igreja deve gritar, deve organizar os que crêem, deve se articular com as demais denominações cristãs e com as pessoas de boa vontade para defender que nossas leis exprimam valores cristãos. Todos devem ser respeitados, mas temos o direito de lutar por nossas idéias.
(4) Isso não significa querer impor aos outros nosso modo de pensar. A questão é que uma sociedade permissiva, com leis em contradição com uma cultura cristã, marca toda a sociedade, marca as famílias, marca as escolas, marca nossos jovens e crianças. Temos o direito de lutar para defendê-los! Basta pensar no que uma idéia pagã de matrimônio e família, veiculada pelos meios de comunicação, tem gerado no Brasil: o conceito de família tem sido totalmente destruído na nossa cultura brasileira. Agradeçamos à Rede Globo e demais emissoras de televisão! Como seria interessante escutar os filhos de descasados e recasados, os filhos de mães solteiras e adolescentes, para vermos de perto o resultado desastroso de tudo isso! O que será dos jovens daqui a cinqüenta anos, formados em famílias totalmente alheia a valores sólidos?
As coisas, como estão, encaminham-se para uma contraposição forte. Estamos chegando num ponto de fusão, no qual os cristãos terão de dizer claramente “basta”! É preciso perguntar se é correto promover a desconstrução do Ocidente como se está fazendo. O Estado não religioso é uma conquista que deve ser mantida; a separação entre religião e governo é uma realidade sadia. O problema é quando grupos poderosos – os senhores dos meios de comunicação, por exemplo – fazem uma campanha bem orquestrada para arrancar as marcas cristãs de nossa cultura. Aí é necessário dizer “basta”, é necessário gritar, pressionar e mostrar que os cristãos não estão dormindo.
Devemos caminhar para a elaboração de uma ética civil, isto é, critérios éticos, fundamentados no princípio de respeito profundo pelos valores humanos mais nobres, que possam, de modo geral, ser por todos compartilhados. Todos – crentes ou não, cristãos ou não-cristãos – têm algo a dizer e têm em que colaborar. Mas, não se pode esquecer que este País chamado Brasil ainda é majoritariamente cristão e católico. Não se pode esquecer de nossas raízes culturais e dos valores que plasmaram nossa sociedade. Não se pode aceitar a ditadura intelectual de uma minoria “iluminada” por uma razão atéia querendo impor seus contra-valores – ainda na semana passada a Veja referia-se a Jesus como um simples “mito” e ridicularizava sutilmente os que acreditam que Cristo nasceu de uma Virgem... Uma guerra ideológica não faria bem a ninguém, pois provocaria somente exacerbações e exageros... Mas, os cristãos não ficarão calados; não ficarão quietos... Quem viver, verá!
Côn. Henrique Soares da Costa
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