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sábado, 23 de março de 2013

Alguns traços da mente revolucionária



Excerto dos rascunhos inéditos do livro A Mente Revolucionária.
Stalin-Lenin-Kalinin-1919A mente revolucionária é um fenômeno histórico perfeitamente identificável e contínuo, cujos desenvolvimentos ao longo de cinco séculos podem ser rastreados numa infinidade de documentos. Não é um fenômeno essencialmente político, mas espiritual e psicológico, se bem que seu campo de expressão mais visível e seu instrumento fundamental seja a ação política.
Para facilitar as coisas, uso as expressões “mente revolucionária” e “mentalidade revolucionária” para distinguir entre o fenômeno histórico concreto, com toda a variedade das suas manifestações, e a característica essencial e permanente que permite apreender a sua unidade ao longo do tempo.
“Mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao “tribunal da História”. Mas o tribunal da História é, por definição, a própria sociedade futura que esse indivíduo ou grupo diz representar no presente; e, como essa sociedade não pode testemunhar ou julgar senão através desse seu mesmo representante, é claro que este se torna assim não apenas o único juiz soberano de seus próprios atos, mas o juiz de toda a humanidade, passada, presente ou futura. Habilitado a acusar e condenar todas as leis, instituições, crenças, valores, costumes, ações e obras de todas as épocas sem poder ser por sua vez julgado por nenhuma delas, ele está tão acima da humanidade histórica que não é inexato chamá-lo de Super-Homem.
Autoglorificação do Super-Homem, a mentalidade revolucionária é totalitária e genocida em si, independentemente dos conteúdos ideológicos de que se preencha em diferentes circunstâncias e ocasiões.
Recusando-se a prestar satisfações senão a um futuro hipotético de sua própria invenção e firmemente disposto a destruir pela astúcia ou pela força todo obstáculo que se oponha à remoldagem do mundo à sua própria imagem e semelhança, o revolucionário é o inimigo máximo da espécie humana, perto do qual os tiranos e conquistadores da antigüidade impressionam pela modéstia das suas pretensões e por uma notável parcimônia no emprego dos meios.
O advento do revolucionário ao primeiro plano do cenário histórico – fenômeno que começa a perfilar-se por volta do século XV e se manifesta com toda a clareza no fim do século XVIII – inaugura a era do totalitarismo, das guerras mundiais e do genocídio permanente. Ao longo de dois séculos, os movimentos revolucionários, as guerras empreendidas por eles e o morticínio de populações civis necessário à consolidação do seu poder mataram muito mais gente do que a totalidade dos conflitos bélicos, epidemias, terremotos e catástrofes naturais de qualquer espécie desde o início da história do mundo.
O movimento revolucionário é o flagelo maior que já se abateu sobre a espécie humana desde o início dos tempos históricos.
A expansão da violência genocida e a imposição de restrições cada vez mais sufocantes à liberdade humana acompanham pari passu a disseminação da mentalidade revolucionária entre faixas cada vez mais amplas da população, pela qual massas inteiras se imbuem do papel de juízes vingadores nomeados pelo tribunal do futuro e concedem a si próprias o direito à prática de crimes imensuravelmente maiores do que todos aqueles que o ideal revolucionário promete extirpar.
Mesmo se não levarmos em conta as matanças deliberadas e considerarmos apenas a performance revolucionária desde o ponto de vista econômico, nenhuma outra causa social ou natural criou jamais tanta miséria e provocou tantas mortes por desnutrição quanto os regimes revolucionários da Rússia, da China e de vários países africanos.
Qualquer que venha a ser o futuro da espécie humana e quaisquer que sejam as nossas concepções pessoais a respeito, a mentalidade revolucionária tem de ser extirpada radicalmente do repertório das possibilidades sociais e culturais admissíveis antes que, de tanto forçar o nascimento de um mundo supostamente melhor, ela venha a fazer da História humana inteira um gigantesco aborto.
Embora as distintas ideologias revolucionárias sejam todas, em maior ou menor medida, ameaçadoras e daninhas, o mal delas não reside tanto no seu conteúdo específico ou nas estratégias de que se servem para realizá-lo, quanto no fato mesmo de serem revolucionárias no sentido aqui definido.
O socialismo e o nazismo são revolucionários não porque propõem respectivamente o predomínio de uma classe ou de uma raça, mas porque fazem dessas bandeiras os princípios de uma remodelagem radical não só da ordem política, mas de toda a vida humana. Os malefícios que prenunciam tornam-se universalmente ameaçadores porque não se apresentam como respostas locais a situações momentâneas, mas como mandamentos universais imbuídos da autoridade de refazer o mundo segundo o molde de uma hipotética perfeição futura. A Ku-Klux-Klan é tão racista quanto o nazismo, mas não é revolucionária porque não tem nenhum projeto de alcance mundial. Por essa razão seria ridículo compará-la, em periculosidade, ao movimento nazista.
Por isso mesmo é preciso enfatizar que o sentido aqui atribuído ao termo “revolução” é ao mesmo tempo mais amplo e mais preciso do que a palavra tem em geral na historiografia e nas ciências sociais presentemente existentes. Muitos processos sócio-políticos usualmente denominados “revoluções” não são “revolucionários” de fato, porque não participam da mentalidade revolucionária, não visam à remodelagem integral da sociedade, da cultura e da espécie humana, mas se destinam unicamente à modificação de situações locais e momentâneas, idealmente para melhor. Não é necessariamente revolucionária, por exemplo, a rebelião política destinada apenas a romper os laços entre um país e outro. Nem é revolucionária a simples derrubada de um regime tirânico com o objetivo de nivelar uma nação às liberdades já desfrutadas pelos povos em torno. Mesmo que esses empreendimentos empreguem recursos bélicos de larga escala e provoquem modificações espetaculares, não são revoluções, porque nada ambicionam senão à correção de males imediatos ou mesmo o retorno a uma situação anterior perdida.
O que caracteriza inconfundivelmente o movimento revolucionário é que sobrepõe a autoridade de um futuro hipotético ao julgamento de toda a espécie humana, presente ou passada. A revolução é, por sua própria natureza, totalitária e universalmente expansiva: não há aspecto da vida humana que ela não pretenda submeter ao seu poder, não há região do globo a que ela não pretenda estender os tentáculos da sua influência.
Se, nesse sentido, vários movimentos político-militares de vastas proporções devem ser excluídos do conceito de “revolução”, devem ser incluídos nele, em contrapartida, vários movimentos aparentemente pacíficos e de natureza puramente intelectual e cultural, cuja evolução no tempo os leve a constituir-se em poderes políticos com pretensões de impor universalmente novos padrões de pensamento e conduta por meios burocráticos, judiciais e policiais. A rebelião húngara de 1956 ou a derrubada do presidente brasileiro João Goulart, nesse sentido, não foram revoluções de maneira alguma. Nem o foi a independência americana, um caso especial que terei de explicar em outro lugar. Mas sem dúvida são movimentos revolucionários o darwinismo e o conjunto de fenômenos pseudo-religiosos conhecido como Nova Era. Todas essas distinções terão de ser explicadas depois em separado e estão sendo citadas aqui só a título de amostra.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Igreja e direitos humanos



Falar de Igreja e direitos humanos – a partir da Declaração de 1789 – significa enfrentar o nó da relação desta instituição com a modernidade. Fá-lo presente Daniele Menozzi, que volta a percorrer com grande atenção as posições tomadas sobre esta questão pelas hierarquias eclesiásticas, no livro Chiesa e diritti umani (il Mulino), consciente de que sobre este tema o debate foi intenso desde o início.
Os Papas do século XIX condenaram a Declaração porque a viam, por bons motivos, como «um caminho de emancipação da sociedade civil em relação à direcção da Igreja sobre a sociedade». Em síntese, pensavam que os direitos dos seres humanos, necessariamente mutáveis, se opusessem aos de Deus – assentes sobre a verdade e portanto eternos – dos quais a Igreja era depositária.
Mas as vexações políticas e económicas às quais muitos regimes laicos tinham submetido a Igreja impuseram depressa uma maior flexibilidade: com efeito, os direitos começaram a ser invocados para obter a liberdade religiosa e de ensino. Mas a mudança teórica fundamental é a de Leão XIII, que abre aos direitos económico-sociais, mas também à ideia de que os direitos humanos são positivos porque dependem da lei natural desejada por Deus, conservada pela Igreja.
Porém, a finalidade proposta aos católicos não é a realização dos direitos mas, também no plano social, a do Reino de Cristo, projecto que infelizmente é muitas vezes acompanhado de posições hostis em relação aos judeus, para os quais se pede sim a suspensão de toda a violência, mas não a igualdade. Por conseguinte, um conflito entre verdade e liberdade que, com efeito, caduca diante das grandes ditaduras. Elas fazem redescobrir aos opositores católicos – como o bispo Clemens August von Galen – a importância dos direitos humanos. Mas é também o desprezo por eles da parte das mesmas ditaduras ateias que contribui para o fortalecimento, na cultura católica, da ideia de que só a fundação transcendente da pessoa oferece a possibilidade de atribuir ao homem o valor absoluto que está na base dos direitos. E vemo-lo – embora Menozzi não o observe – já na condenação da eugenética, contida na encíclica Casti connubii (1930), única entre as vozes autorizadas dessa época.
As posições católicas a favor dos direitos humanos – a mais relevante foi sem dúvida a de Jacques Maritain – multiplicam-se durante e após a segunda  guerra mundial, e  desempenharão um papel não secundário na redacção da Carta de  1948. Todavia, o verdadeiro obstáculo para a aceitação total por parte da Igreja é a liberdade de consciência, que só será acolhida por João XXIII, com a encíclica Pacem in terris (1963): nela os direitos humanos são considerados uma «etapa de aproximação», válida a nível planetário, para «o modelo ideal de organização da sociedade civil», proposto pelos católicos.
A partir daquele momento – graças também à contribuição decisiva de Paulo VI – a Igreja torna-se fomentadora sincera dos direitos humanos, considerados «ponto de referência essencial para tutelar a dignidade da pessoa». No entanto, Menozzi atribui a João Paulo II e a Bento XVI uma involução eclesiocêntrica testemunhada, na sua opinião, pela evocação cada vez mais forte da lei natural da qual somente a Igreja é intérprete. Em síntese, acusada de falta de actualização e portanto de um «retorno invasivo (...) à lei natural, em detrimento dos direitos humanos».
O historiador esquece que, nestes anos, foram precisamente os direitos humanos que mudaram, abrindo-se a uma extensão ilimitada da liberdade individual, a começar pelos chamados direitos reprodutivos que compreendem também o aborto. Ampliação em que a Igreja vê uma violação do primeiro direito, precisamente à vida. Portanto, esta involução presumível é determinada por motivos perfeitamente compreensíveis.
Menozzi é muito polémico também em relação a uma reconstrução histórica, por ele considerada apologética – o estudioso define deste modo qualquer posição não crítica – que vê os católicos, inclusive Bento XVI, atribuírem a génese dos direitos à tradição cristã. Esquecendo que esta tese foi defendida por intelectuais que dificilmente podem ser considerados  apologetas, de Alexis de Tocqueville a Marcel Gauchet.
  Lucetta Scaraffia

15 de Junho de 2012
[palavras-chave: Direitos humanos]
http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer%2FDetail&last=false=&path=/news/editoriali/2012/137q12-Chiesa-e-diritti-umani.html&title=%20%20%20Church%20%20and%20human%20rights%20%20%20%20%20%20%20%20%20&locale=pt

Doutorando em História na USP: "Quem não crê em Jesus Cristo permanece escravo" e Albert Einstein



Autorizados, transcrevemos abaixo email do Doutorando em História, da USP, José Miguel Nanni Soares, comentando texto e citando o pensador e historiador francês Alexis de Tocqueville, sobre a interdependência entre a liberdade e o cristianismo.

Aproveitamos para complementar com Albert Einstein, que, escrevendo sobre Ciência e Religião, para explicar a importância dos princípios cristãos, propôs o cumprimento de um enunciado que teria a religião retirada do contexto. As pessoas deveriam cumprir somente os princípios extraídos da religião, logo após email.

Excelentíssimo bispo Dom Luiz,

Que a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora de Fátima estejam sempre convosco em vossa corajosa atividade pastoril! Que a mesma sirva de exemplo para todos os católicos do Brasil.

Não podemos mais permitir o avanço de doutrinas desumanas que, sob o verniz de promoverem os direitos humanos e o progresso da humanidade, cortejam o ódio, o orgulho e, em última instância, a morte.

Na condição de doutorando em história pela USP, gostaria de pedir-vos licença para citar um grande autor que equilibrava dois valores em seus escritos, a saber, a Liberdade e o Cristianismo, razão pela qual não logrou sistematizar uma doutrina (como Marx e Comte).

Trata-se de Alexis de Tocqueville e a seguinte frase: "Se for livre, tem que crer [no Cristianismo]; se não crê, tem que ser escravo". Tocqueville não poderia estar mais certo. 

Alexis de Tocqueville

Do marxismo de Marx e Engels às seitas micróbicas de hoje, o verdadeiro inimigo desta seita não é o capitalismo, mas o Cristianismo e sua grande nave (palavras do genial Joseph de Maistre), a Igreja Católica.

Parabéns ao digníssimo Bispo, sempre presente em nossas orações!

Atenciosamente,
 José Miguel Nanni Soares 



Aproveitando a intervenção do futuro, em breve, Doutor José Miguel Nanni Soares, trazemos a interpretação do indiscutível Albert Einstein, que, ao tratar da relação entre Ciência e Religião, apresentou uma síntese maravilhosa dos princípios. 
"Quando Einstein foi tratar da relação entre Ciência e Religião, apresentou uma síntese maravilhosa dos princípios.
Disse ele que os mais elevados princípios e aspirações das pessoas do mundo contemporâneo são fornecidos pela tradição judaico-cristã.
Essa tradição é, na verdade, um objetivo bastante elevado que dificilmente o ser humano, repleto de imperfeições, atinge, mas, deveras, se apresenta como um fundamento seguro para qualquer construção humana.
Propôs o genial pensador que, se fosse retirado o contexto religioso desse objetivo e se se mantivesse dele o conteúdo puramente humano, poderia ele ser assim enunciado:

Albert Einstein
"...desenvolvimento livre e responsável do indivíduo, de tal modo que ele possa colocar seus poderes livre e prazerosamente, a serviço de toda a humanidade."  (Rizzato Nunes, "O Princípio Constitucional da Dignidade Humana", Saraiva, capítulo 2, "O princípio absoluto")
Tocqueville e Einsten foram conscientes que os princípios cristãos são imprescindíveis para fundamentar a vida da pessoa humana.

Naquela época, agora e sempre! 

SEXTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2011

http://www.domluizbergonzini.com.br/2011/12/doutorando-em-historia-na-usp-quem-nao.html

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A tabula rasa da história



eucccpO secularismo quer muito mais do que destruir o cristianismo na civilização ocidental. Quer implantar um regime totalitário pagão, restabelecendo todas as perversões do mundo antigo, que a própria Cristandade fez questão de abolir.

Na atual mentalidade ocidental há uma espécie de tabula rasa da memória, no que diz respeito a várias situações históricas, incluindo aí as próprias origens. Um exemplo particular desta omissão é a Idade Média. Quase toda uma divulgação em escolas, mídia e universidades, com algumas exceções honrosas, retrata uma caricatura da Igreja medieval e da sociedade cristã, além do surrado rótulo da “Idade das Trevas”. O Velho Continente teria sido dominado por mil anos de obscurantismo. Só depois do Renascimento e do Iluminismo é que surgiu a razão, o progresso e a evolução da Europa, tal como conhecemos. Naturalmente, tal explanação é uma falsificação deliberada da história, para dizer o mínimo. Os secularistas, para justificarem seus intentos, precisam mentir sobre o passado. Como nunca contribuíram com nada de significativo para a civilização, a melhor maneira de impor seus propósitos ideológicos é evitar comparações. O passado denuncia os males do presente.
Curioso é pensar que a civilização greco-romana seja sempre elevada como espantalho contra o mundo medieval. A falsificação não se limita à Idade Média, mas a própria noção do mundo antigo. Há uma lenda de que os homens de Roma e Grécia seriam criaturas racionalistas, cientificistas e esclarecidas, em comparação aos cristãos medievais, fanáticos, crédulos e extremistas. A verdade é que o homem do mundo antigo era bem mais supersticioso do que o homem medieval. A “Cidade Antiga”, na definição de Fustel de Coulanges, não conseguia separar a religião de cada elemento da vida pública e privada. Na verdade, o homem antigo não conseguia ver mais além dos aspectos cívicos da cidade e da família. Não via o estrangeiro ou o forasteiro como parte da espécie humana ou como um próximo a ser respeitado. A religião da cidade modelava cada detalhe da vida do homem antigo e o fechava num círculo estreito e pequeno.
Séculos se passaram até que os romanos tratassem os povos dominados como iguais. A religião civil e doméstica não o permitia. A caridade e a hospitalidade, expressões cabais do amor cristão, eram desprezadas pelos antigos. Não é por acaso que a idolatria religiosa chegava ao ponto de adorar um imperador como deus. Quem faz a dissociação radical entre o temporal e o espiritual, entre o civil e o religioso, é justamente o cristianismo medieval. O direito romano, tal como é conhecido hoje, não provém da jurisprudência romana, cheia de inclinações religiosas que inviabilizavam sua praticidade, porém, do direito imperial bizantino, com o Digesto e as Institutas do Imperador Justiniano.
Presumir que o mundo antigo seja apenas Sócrates, Platão e Aristóteles é simplesmente desconhecer a mentalidade da época. Esses filósofos foram bastante impopulares, justamente por contestarem vários enunciados religiosos e míticos caros ao mundo antigo. Quem de fato deu o devido crédito a eles foram os cristãos do fim da Antiguidade e início da Idade Média. Dá para compreender por que estes pensadores foram tão cultivados no mundo medieval. Uma boa parte da cosmovisão filosófica grega platônica e aristotélica corroborava com o monoteísmo cristão, ainda que possuísse o vício do naturalismo. O homem medieval não rejeitava a filosofia pagã. Achava-se o seu continuador, um herdeiro das tradições filosóficas e jurídicas de Roma e de Grécia, embora rejeitasse os elementos mitológicos e as superstições do passado. Rejeitava a estreiteza mental da religião antiga, para pregar uma fé universal, na qual todos os seres humanos eram irmãos, filhos de um mesmo Deus. O cristianismo acrescentava à filosofia grega uma perspectiva particular da transcendência e do sobrenatural, estranha ao mundo antigo clássico, e que mudou radicalmente a noção da natureza. Ela é dessacralizada. O mundo não é como descrito pelos animistas da religião antiga, nem é algo próxima do que propõe o panteísmo. Mas é algo criado, como o homem, algo distinto do Criador.
Tal cosmovisão também muda radicalmente a política. A separação do poder temporal e do poder espiritual faz da autoridade secular um elemento humanizado, destoando assim da divinização comum dada a ela no mundo antigo. O príncipe pode ser ungido pela Igreja. Mas ele obedece a princípios, diretrizes e valores perenes, em favor da sociedade. O poder é um legado de Deus. Contudo, quando se exerce esse poder, essa “potestas”, o príncipe está sujeito a valores transcendentes ao quais deve obedecer, em favor da comunidade e do bem comum. O poder espiritual é “auctoritas”, autoridade moral, referência para a sociedade e a cultura intelectual no âmbito dos princípios. A Igreja é a figura institucional dos princípios religiosos. Ela abarcava, de fato, a unidade moral da Europa, dentro das distinções políticas e fragmentações do mundo medieval. Essa distinção é que fez do poder político algo que pode ser contestado ou combatido, em nome de valores transcendentes como a justiça e a lei natural. A individualização do ser humano na perspectiva cristã permitia esse caminho. Não era produto da cidade ou da coletividade, mas a imagem e semelhança de Deus, um ser independente das suas origens sociais.
O homem grego e romano obedecia cegamente a autoridade pública, pois esta era, ao mesmo tempo, religiosa. Sócrates tomou a cicuta por querer ser um bom cidadão ateniense até na morte. Não queria desobedecer às leis da cidade. Já o homem medieval, ao conceber valores morais transcendentes, era um cidadão do mundo. Estava livre das amarras da cidade ou do feudo, ao qual só era leal por uma questão de convivência e sentido de ordem social. E se achava no direito de se rebelar contra o governante, quando este não agia conforme os valores cristãos, mas tão somente em causa própria. O camponês medieval poderia viver na servidão. Todavia, se o nobre abusasse de suas prerrogativas, o servo se rebelava. O mesmo se aplicava aos súditos do rei. As teorias sobre a rebelião contra o governante injusto são genuinamente medievais. O regicídio, idéia desenvolvida pelo jesuíta espanhol Juan de Mariana, em pleno século XVI, tem sólidas referências no mundo medieval.
A fragmentação da sociedade medieval fundou uma civilização embasada na divisão dos poderes e na sua constitucionalização. O rei não era uma autoridade absoluta. Prestava contas à Igreja, às cortes dos nobres e aos súditos; enfim, vivia num amálgama de relações de lealdades e pactos que viabilizava a governabilidade do reino. Cada estamento social era uma esfera de poder, que limitava a outra. Cada súdito tinha um papel social determinado pelas funções herdadas pela origem. Isso não impedia a mobilidade social. Na verdade, em uma sociedade fragmentada, as famílias, os estamentos sociais, as castas e os ofícios eram formas institucionalizadas de proteção mútua de seus associados.
Embora essas instituições fossem precárias, conceitos como liberdade civil, parlamentos, leis limitadoras dos poderes monárquicos surgem a partir da gênese do pensamento e da dinâmica política do mundo medieval. Essa limitação de poder é retratada, inclusive, nas esferas de intervenção da Igreja e da monarquia, em particular, nas disputas de poder entre o Sacro Império e a Santa Sé. Ao contrário dos lugares-comuns, a sociedade medieval não era teocrática. Os bispos e papas tinham limitações de poder na esfera política. E os príncipes costumavam não intervir na esfera religiosa. A esfera secular e a religiosa coexistiam frontalmente, ora brigando entre si, ora se conciliando.
O Império Romano como idéia no Ocidente sobreviveu mesmo após sua derrocada, por beneplácito da Igreja. Na verdade, a missão dela foi preservar o que foi perdido no passado. A criação do Sacro Império Romano Germânico era uma forma de restaurar a unidade europeia imperial. Tarefa, portanto, inglória, já que outras monarquias europeias também queriam restabelecer a perspectiva do Império. A expansão marítima portuguesa e espanhola é produto dessa coesão entre Império e Igreja, entre a identidade romana jamais extinta na consciência da Europa.
Na verdade, a Igreja guardou o legado imperial na memória. Cultivou a literatura latina e a filosofia grega, preservando-a do perecimento. Criou escolas, hospitais, universidades e fundou o sistema educacional do Ocidente. Ela foi muito mais além. Criou uma nova sociedade sob os escombros da velha. Forjou o continente chamado Europa. Ou melhor, seus valores fundaram uma nova ordem mundial, um novo ciclo histórico.
Apesar da influência decisiva do cristianismo na consciência ocidental, os arautos da modernidade querem apagar o passado, impor uma tabula rasa sobre ele, no pior sentido do termo. A União Européia fez questão de suprimir qualquer menção às raízes cristãs do Velho Continente. No documento da Constituição da Europa, com mais de 70 mil páginas, não há uma única referência sequer ao fato óbvio de que a Cristandade é o elemento mais genuíno do mundo europeu. E pior: a União Européia imprimiu várias agendas escolares na quais se suprimia qualquer menção ou data de comemoração cristã. Só as comemorações islâmicas e judaicas foram preservadas. Tamanho ódio secularista se coaduna perfeitamente com a engenharia ideológica da socialdemocracia que hoje domina a Europa. Na verdade, a própria idéia da “constituição europeia” é uma antítese da Cristandade, pois idolatra um poder estatal acima das autonomias, das identidades, das liberdades civis e dos valores transcendentes da justiça e do direito. Na prática é uma constituição que despreza totalmente as tradições políticas das nações envolvidas. Imposta de cima para baixo, despreza as nacionalidades e as independências nacionais e ignora solenemente as raízes morais, éticas e religiosas do continente. A Constituição e a União Européia são as modernas perversões oferecidas pelo secularismo e pelo socialismo.
Não é de se admirar que o secularismo levará a Europa, de novo, ao totalitarismo. O desprezo pela fé cristã visa restaurar um novo paganismo político, que faz do indivíduo mera engrenagem do Estado onipotente e auto-sacralizado. A União Européia é um monstro cheio de agendas políticas destrutivas para a liberdade e o indivíduo. É uma Europa socialista, tanto no sentido institucional, como no cultural. A legalização irrestrita do aborto, da eutanásia, do “casamento homossexual” e a expansão dos controles estatais sobre detalhes comezinhos da vida do cidadão europeu visam destruir os elementos intermediários da sociedade que impõem limitações ao poder estatal: a família, as instituições privadas, a Igreja, a religião e a própria nação.
O Estado europeu visa remodelar comportamentos, pensamentos e até mesmo a memória histórica. A descristianização e secularização da Europa são acompanhadas da expansão e inchaço do Estado e da burocracia. Burocracia esta que apaga a memória histórica da Europa, para que o cidadão comum não se recorde nem mais de si mesmo. A Constituição Europeia é totalitária, agnóstica e anticristã. A religião da Europa estatizante é o eco-fascismo, o New Age e outras formas deturpadas de crenças. É o gnosticismo e panteísmo mais rasteiro junto a uma religião civil com ranços materialistas.
Contudo, a perversidade em falsificar a realidade histórica não se limita à Europa contemporânea. Já dominou uma boa parte do Ocidente, com a mentira e a mistificação elevadas a versões histórico-científicas. Qualquer professor semiletrado de história de uma universidade pública ou escola de ensino médio qualquer, repete a falácia boba de uma Cristandade malvada contra um mundo secular elevado a paraíso terreno. Raros são os esclarecidos, que não pregam tais falsidades. O ataque ao cristianismo adquiriu um caráter mundial.
O secularismo quer muito mais do que destruir o cristianismo na civilização ocidental. Quer implantar um regime totalitário pagão, restabelecendo todas as perversões do mundo antigo, que a própria Cristandade fez questão de abolir. Relativizar a sacralidade da vida humana e da família para absolutizar a vontade onipotente dos engenheiros sociais e burocratas, endossados por uma visão pseudocientífica da sociedade: eis o que esperemos do novo mundo pagão que ressurge, como um novo César divinizado à frente. A União Européia é apenas um exemplo regional de uma nova União Soviética. Um modelo a ser imitado em escala mundial. O “admirável mundo novo” está mais próximo do que se imagina...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Liberalismo


Porque não sou liberal nem marxista, muito pelo contrário

Perguntaram-me se sou liberal (corrente político-econômica de natureza capitalista). Respondi que:

Não sou liberal, nem marxista. Sou, no entanto, 100% anti-marxista (afinal sou católico!), embora não seja 100% anti-liberal em termos econômicos. Explico: em termos econômicos, e puramente econômicos, o liberalismo tem coisas interessantes a oferecer, além de uma visão de mundo que pode, com as devidas cautelas, ser colocada em harmonia com a Doutrina Social da Igreja. Foi isso, por exemplo, que o Pinochet tentou fazer com os Chicago boys. Ele salvou a economia do Chile usando o receituário liberal, "temperado" com doses de intervenção estatal que fariam Adam Smith e Mises virarem no túmulo. As minas de cobre, por exemplo, principal produto de exportação do Chile, nunca foram privatizadas.

Um liberal 100% liberal acharia isso o horror dos horrores. Eu não acho. Acho até uma boa idéia, na medida em que isso garante uma maior autonomia econômica para o governo e permite que haja menos impostos engessando a economia.

Note que não considero - longe disso! - o Pinochet um modelo a ser seguido! Em termos econômicos, porém, é fácil perceber que enquanto os nossos governantes militares lançaram o Brasil em uma espiral de estatolatria e inflação, que ainda por cima possibilitou tremendamente a ação dos comunistas infiltrados no aparato estatal, o Chile foi um oásis de prosperidade na América Latina.

Meu ideal de governo para o Brasil seria uma monarquia constitucional, nos modelos do Império (voto censitário, o Imperador exercendo o Poder Moderador, emissão de moeda só com lastro, etc.), com uma economia (uma economia, só uma economia. Não uma imprensa, não um "mercado religioso", não uma TV...) aberta e organizada em moldes liberais e de livre-concorrência. Nem um welfare state nem um "cada um por si e Deus por todos" liberal. O liberalismo puro é a elevação da ganância a princípio organizativo. A idéia liberal, porém, quando conjuminada a um governo que obedeça o princípio de subsidariedade, incentivando as associações civis livres (dentre as quais os partidos, que não deveriam ser obrigatórios para participação política, e especialmente as associações locais de moradores, consumidores, conselhos profissionais como o CRM, etc.), pode ser uma boa solução.

Algo que, creio, é inquestionável, é o tamanho absurdo do Estado no Brasil. O MEC, por exemplo - aí a questão já fica pessoal!, sou professor! - mete o bedelho em questões que não são absolutamente da alçada do governo, infringindo os direitos dos pais (ao tornar a "educação sexual" compulsória, a frequência a escolas compulsória, o currículo anti-católico compulsório...), impedindo a ação dos educadores particulares (vc sabia que se alguém não paga uma fita de vídeo pornô que alugou pode ir preso, mas se não pagar a escola por dois anos não acontece rigorosamente nada?). A enorme quantidade de funcionários vivendo do Estado no Brasil para não fazer absolutamente nada é espantosa. A dificuldade para qualquer pessoa estabelecer um negócio é igualmente apavorante (e mais apavorante ainda quando vemos que há no Brasil mais gente que trabalha por conta própria, tanto em termos absolutos qto relativos, que nos EUA, e a imensa maioria não consegue legalizar seu negócio). E por aí vai.

Nessa hora a crítica liberal é válida. Se, porém, eu um dia fosse feito ditador plenipotenciário do Brasil - que isso nunca aconteça, pelo bem de minh'alma! - provavelmente os liberais ficariam horrorizados com minhas posições em tudo o que não é estritamente econômico.

Este foi, aliás, o erro dos militares. Eles fizeram o Estado crescer tremendamente, e gastaram toda a sua energia combatendo meia-dúzia de jornalistas e universitários armados com fuzis M-1 enferrujados no meio do mato. Ao mesmo tempo, eles deixaram acontecer uma enorme infiltração comunista em todo o aparato estatal (ao ponto de hoje em dia a maneira mais fácil de ter um livro didático não aprovado pelo MEC é fazer um que não seja marxista e igualitarista), uma revolução cultural (em bom português: deixaram a Leila Diniz quieta e mobilizaram dezenas de milhares de soldados para prender meia-dúzia de comunistas no Araguaia), etc. Se eu fosse o governante - mais uma vez, que isso não aconteça! -, faria exatamente o contrário. Diminuiria tremendamente o poder do Estado, a ingerência do Estado na vida das pessoas, e procuraria reverter a revolução cultural. Melhor seria não a ter deixado acontecer, mas agora é tarde. Não adianta chorar sobre o leite derramado.

O Estado brasileiro, meu caro, é ainda patrimonial. A diferença é que de repente o Estado-patrimônio passou a ser um monopólio, coisa que nunca havia sido! A minha proposta é justamente diminuir o tamanho do Estado até que seja só umas dez vezes maior que o Estado patrimonial tradicional. Na monarquia portuguesa, de que somos herdeiros, jamais houve, por exemplo, nem um milésimo das restrições e obrigatoriedades que hoje o Estado coloca à educação (sei, estou voltando ao mesmo ponto. A questão é que não só é esta a minha profissão, logo algo que conheço bem, mas é tbm o que forma os futuros súditos). Do mesmo modo, jamais houve tamanha dependência do Estado em termos de sustento da população (funcionalismo público direto e indireto, etc.). O Estado era e é patrimônio do governante. A diferença é que o Estado era infinitamente menor e os governantes não eram uma Nomenklatura comunista dedicada a fazer valer pela força suas utopias igualitárias.

O Estado que é patrimônio do governante (e das autoridades supostamente delegadas) é o que faz com que o Brasil seja, graças a Deus, um país em que, apesar de todos os problemas, há enorme estabilidade. As relações entre o público e o governo-provedor são ainda relações de amizade, parentesco, clientela. Isso impede os confrontos violentos que houve e há na França por exemplo, desde que foi quebrada a ordem feudal e o povo passou a não ser mais retido pelo juramento que ainda retém a ação do governo.

Creio que agora já deu para entender a minha posição nesta questão, não? Não sou liberal, mas acho que a crítica liberal ao Estado inchado brasileiro é perfeitamente correta e pode conduzir a um sistema que esteja de acordo com o que realmente já acontece. Explico: temos, como afirmei acima, uma visão de governo que é completamente patrimonialista. E temos um sistema teórico de governo que não o é, em absoluto. Assim, para o brasileiro médio, o policial que multa ou deixa de multar está exercendo um poder *pessoal*, assim como o está um vereador que, sei lá, bota um posto de saúde em um bairro. Pela lei, no entanto, não é isso que acontece. O vereador seria em teoria um legislador (como se já não houvesse mais leis que o que um sábio poderia estudar ao longo de toda a sua vida); os grupos de interesse político, constantemente cambiantes em sua composição, seriam em tese partidos dedicados a uma posição política definida. O policial teria uma autoridade delegada impessoal. E por aí vai.

A visão política (no sentido grego; não quero usar a palavra "cidadania", pois se presta a incompreensões) do brasileiro médio é, assim como a de seus (teoricamente, muito teoricamente) "representantes" eleitos, completamente patrimonial. Precisamos é de uma legislação que se adeqüe à realidade, não de tentar a ferro e fogo adequar a realidade à legislação (mesmo pq isso não funciona; basta ver os conflitos constantes na França quando se passou a basear a legislação política francesa na visão de contrato social). Há porém um problema enorme a resolver, algo aliás que só seria possível resolver dentro do quadro de uma ditadura: o tamanho do Estado. Patrimônio sim, monopólio não. Enquanto o Estado é gigantesco, é inviável assumir o patrimonialismo. Quem consegue segurar o Leviatã pela coleira?

Além disso, seria impossível diminuir o Estado enquanto tivessem poder os que dele vivem e querem que ele aumente cada vez mais (ACMs e PTs da vida). Se um presidente, em seu primeiro dia de mandato, tentasse, por exemplo, fechar o MEC (e mandar os burocratas do MEC colonizar a Amazônia se quisessem manter seus salários públicos. Ah, aí seria perfeito...), todos os deputados, governadores, prefeitos... todos os que vivem de verbas públicas e alojam seus cupinchas nas graciosas tetas MECquianas se levantariam contra o governo.

Então o Estado só não pode é liberar o aborto e proibir as armas? Isto basta, o resto é coisa de comuna comedor de criancinha?

Não, em absoluto. O que prego é que a União só pode fazer o que o governo estadual não pode fazer, e este só pode fazer o que o município não pode fazer, e este só pode fazer o que o bairro não pode fazer, e este só pode fazer o que a família não pode fazer... Não se trata de liberalismo puro (que pressupõe, como vc mesmo lembrou, relativismo religioso, etc.), mas de simples aplicação na prática à situação brasileira (Estado patrimonialista aumentado ao ponto de dominar completamente cada momento da vida dos cidadãos) do princípio da subsidariedade, somado à adeqüação da legislação à realidade.

O povo brasileiro é empreendedor. A livre iniciativa privada, no Brasil, tem muito mais chances de funcionar se for permitida que, por exemplo, na França ou no Peru. Se o Estado não coibisse tanto a livre iniciativa privada, provavelmente o Brasil seria mais rico que os EUA. Assim, aqui seria relativamente fácil fazer com que a iniciativa privada cubra aquilo que não é função do Estado cobrir.

Do mesmo modo, a visão política do povo brasileiro é patrimonialista. Todos os políticos de sucesso são "clientelistas", ou seja, têm uma prática política de dispor pessoalmente de favores, considerados como seus. Assim - mais ainda quando consideramos o absurdo que é a idéia de mudar toda a realidade para que se adeqüe à legislação, como se tem tentado fazer há décadas - a legislação deve ser adeqüada à realidade: monarquia constitucional. O que é do Estado deve ser do Rei, não de ninguém (ou de quem pegar primeiro...).

O Estado, porém, é grande demais. Jamais houve um Estado tão grande sem derramamento de sangue e/ou pobreza e miséria generalizada. Nós temos impostos como se fôssemos um welfare state, mas não somos. O INSS tem uma burocracia proporcional e absolutamente maior que qualquer outro instituto de seguridade social estatal, sem que a população tenha algo em troca. O MEC se imiscui em cada detalhe do ensino (gastando fortunas e sustentando multidões de burocratas ineptos) sem que em doze anos as escolas sejam capazes de alfabetizar um aluno. E por aí vai. Assim, com um Estado gigantesco que impede uma população empreendedora de progredir e garantir seu próprio sustento, ao mesmo tempo sem que o Estado o garanta, a coisa fica preta. É aí que entra a crítica - econômica - liberal, que está neste ponto substancialmente correta.

A diferença é que o liberal vai ver o Estado como fruto de contrato, o que não ocorre no Brasil. Aqui a "otoridade" não recebeu do povo seu poder. O poder é dele.


©Prof. Carlos Ramalhete - livre cópia na íntegra com menção do autor

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CARDEAL GEORGE PELL: "SEM DEUS NAO SOMOS NADA"

ZP09100517 - 05-10-2009 Permalink: http://www.zenit.org/article-22870?l=portuguese Intervenção no "Festival de Ideias Perigosas" Ópera de Sydney nd Por Inma Álvarez SYDNEY, segunda-feira, 5 de outubro de 2009 (ZENIT.org) .- "Continuarei acreditando no Deus Único e Verdadeiro do Amor porqué sustento Que nenhum ATEU PoDE explicar o sorriso de Criança UMA". ASSIM afirmou o cardeal George Pell, arcebispo de Sydney, no Festival de Ideias Perigosas ("Festival de Ideias Perigosas") celebrado Neste Fim de Semana no Opera House de Sydney. O cardeal Pell participou los hum debate Público não quali estiveram also Presentes o Escritor antirreligioso inglês Christopher, com UMA Intervenção intitulada "A religião envenena tudo" ("A religião envenena tudo"), eA conhecida feminista e acadêmica Germaine Greer, Que falou Sobre a Liberdade " , a idéia mais perigosa de todas "(" Liberdade, uma IDEIA Mais perigosa de TODAS "). Segundo comunicou uma ZENIT um Arquidiocese de Sydney, o purpurado referiu si à Questão da existência de Deus enquanto à Relação Entre Fé e Ciência, e enquanto AO ateísmo e laicismo AO ocidental. QUANTO à Questão da Relação Entre Ciência e Fé, o cardeal Pell afirmou Opaco "Ainda Que muitas Pessoas, inclusive anti-teístas OS e OS provocadores, ainda consideram Deus Como hum Inimigo, OS Recentes Desenvolvimentos em Física e biologia reforçaram um Consideração de Deus Como hum Matemático de Primeira categoria ". O purpurado afirmou Opaco "Não É Possível Chegar um Deus no marco da Ciência, porqué Deus está online fóruns do Espaço e do Tempo". Citando Anthony Flew, hum Filosofo e ATEU conhecido e influente, Que Recentemente Mudou de Opinião proclamando Que HÁ UM Deus, o cardeal Pell Disse Que quando si estuda uma Interação dos Corpos físicos, Como Partículas subatômicas como, FAZ-SE Ciência. "Quando perguntamos nn Como OU ESTAS Por quê existem Partículas, Física parágrafo Vamos da uma metafísica, estamos Fazendo Filosofia", acrescentou. "O Deus Sobre o quali estamos Discutindo Não É UM Deus de Ossos, nao hum Deus Contratado parágrafo preencher vazios de Nosso Conhecimento Atual, Que si preencherão quando um avançar Ciência". "E o Conjunto do Universo o quali si explicativo Por si MESMO, inclusive um Infraestrutura e OS Elementos Que conhecemos cientificamente", afirmou o cardeal Pell. Ateísmo UO anticristianismo? Perguntado Por quê muitos australianos São nao crentes, ateus agnósticos UO, o cardeal Disse Que apenas 17% da População nao aceita uma existência de Deus. Afirmou Que uma Ausência de Deus no debate Australiano nao si um desen nenhuma TEORIA POLÍTICA anglófona, Mas sim à hostilidade laicista par com o Cristianismo. "Com frequencia, Deus Vê si Preso nd hostilidade laicista parágrafo com uma Defesa Cristã da Vida Humana, Princípio e especialmente AO AO final, à Defesa Crista do matrimônio, da Família e do vinculo da Sexualidade com Amor e vida". "Nestes Conflitos Culturais si Encontra um Origem da Maior Parte do Ódio um Deus e à religião, enquanto Que OS Novos atos de Violência de UMA minoria de terroristas muçulmanos dram EAo laicisitas Ocidentais Novos Motivos par atacar TODAS como Religiões. Contudo, e Muito Mais Seguro OS atacar cristãos ", Disse o cardeal Pell. O purpurado acrescentou Que par medir um Popularidade Internacional de Deus, então E Preciso Olhar parágrafo Tendências Atuais como indicam Que Que a China, não final do Século XXI, poderá ter uma População Cristã Maior do Que QUALQUÉR País do Mundo. Em SUAS CONCLUSÕES, declarou-se "assustado" ao ver tantas Pessoas no Ocidente incapazes de CRER, especialmente como Nações vinculadas culturalmente com o Cristianismo EO judaísmo. "Para Mim, uma Questão e Muito Importante parágrafo serviços deixada à polêmica UO à autocomplacência", acrescentou. "Vou continuar 'crendo no Único e Verdadeiro Deus do amor, porqué sustento Que nenhum ATEU PoDE explicar o sorriso de Criança UMA". "Contra Isto É, o tsunami Recente also nn recorda brutalmente o Problema do Sofrimento dos inocentes. Mas ESSE Sofrimento e Pior si nao HÁ Vida DEPOIS parágrafo equilibrar o Balanço da Desgraça e da injustiça, e Pior ainda nao HÁ SE Inocência UO culpabilidade, si nao HÁ Bem mal Nem, SE TEM Tudo o Significado moral da espuma los UMA onda ".

domingo, 15 de janeiro de 2012

Exposição revela os Arquivos Secretos do Vaticano

Museus Capitolinos abrem exposição "Lux in Arcana" em 1º de março ROMA, quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) - Um evento único na história da Igreja: a partir de 1º de março até 9 de setembro, ficará aberta para visitação a mostra Lux in Arcana: O Arquivo Secreto do Vaticano se revela. Uma centena de códigos, pergaminhos, arquivos, registros e manuscritos serão temporariamente transferidos do Arquivo Secreto Vaticano para os Museus Capitolinos, em Roma. Os documentos cobrem a história desde o século VIII até o XX. Esta será a primeira vez, e talvez a única, que esses documentos secretos vão cruzar as fronteiras do Vaticano. A exposição Lux in arcana, organizada por ocasião do quarto centenário da fundação do Arquivo Secreto Vaticano, tem como objetivo explicar e dizer o que é e como funciona o Arquivo dos Papas, ao mesmo tempo em que "torna visível o invisível" e abre acesso a algumas das maravilhas que até o momento estavam custodiadas em cerca de 85 km lineares de estantes. Entre os documentos de época que poderão ser vistos, está o manuscrito em que Galileu Galilei abjurou das suas teorias, aceitando a condenação da Igreja (1633); o Privilegium Ottonianum, com que o Imperador Otto I da Saxônia se comprometeu a defender o pontífice de eventuais ataques e agressões (962); a excomunhão de Martinho Lutero (1520); a carta em que o papa Celestino V fez a "grande recusa", renunciando ao papado (1294); o dogma da Imaculada Conceição, assinado por Pio IX (1854), entre outros muitos. O olhar do visitante passará através dos tempos, encontrando figuras históricas tão diversas como Wolfgang Amadeus Mozart (de quem está exposta a decoração pontifícia), Abraham Lincoln (com o discurso que encerrou a escravidão nos Estados Unidos) e Napoleão Bonaparte (será exposto o Tratado de Tolentino, que obrigou o papa Pio VII a entregar manuscritos valiosos e importantes obras de arte). A Lux in arcana é realizada em colaboração com organismos como o Departamento de Assuntos Culturais e do Centro Histórico e a Superintendência do Patrimônio Cultural de Roma. A exposição estará aberta todos os dias, exceto às segundas-feiras, das 9h às 20h. O ingresso integrado Museu + Exposição custará 12 euros na versão inteira, mas há descontos e gratuidades previstas. A gratificação é concedida, por exemplo, a crianças menores de 6 anos, a grupos de escolas de ensino fundamental e médio, a portadores de necessidades especiais e ao seu respectivo acompanhante, além dos usuários de passes como o RomaPass e o Roma&Più Pass. Mais informações e reservas no site www.luxinarcana.org

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O discurso de Bento XVI aos novos embaixadores junto à Santa Sé

[normal] [medium] [big] ZP11121505 - 15-12-2011 Permalink: http://www.zenit.org/article-29386?l=portuguese A interdependência entre os povos não é uma ameaça CIDADE DO VATICANO, quinta-feira 15 dezembro, 2011 (ZENIT.org) - "A unidade da família humana é agora vista como um fato." O afirmou o Papa Bento XVI durante o seu discurso, pronunciado em francês, durante a audiência com os onze embaixadores junto à Santa Sé, por ocasião da apresentação das suas cartas credenciais. Bento XVI referiu-se, em particular, "aos meios de comunicação social que conectam todas as partes do mundo entre si", aos "transportes que facilitam os intercâmbios humanos", às "relações comerciais que fazem as economias interdependentes", aos desafios relativos ao ambiente e fluxos migratórios. Todos esses fenômenos nos fazem ver como a humanidade tem "um destino comum", disse o Pontífice. Porém, "diante dos aspectos positivos", a toma de consciência de tudo o que é percebido por muitos como "um fardo". No entanto, o Santo Padre recordou que "o olhar da própria humanidade sobre si mesma deve evoluir no sentido de descobrir nesta interdependência, não uma ameaça, mas um benefício: Os homens que trabalham uns com os outros e uns para os outros". Uma vez que todos nós somos "responsáveis por tudo", torna-se importante "ter uma concepção positiva da solidariedade", por meio da qual pode ser realizado o "desenvolvimento humano integral que permite a humanidade alcançar a sua realização." A solidariedade que o Papa falou é, em primeiro lugar, uma solidariedade "entre as gerações" que "está enraizada na família que deve ser mantida, para continuar a cumprir sua missão na sociedade." Outro instrumento privilegiado para a promoção da solidariedade é "a educação da juventude"; a este respeito é essencial que os governos "invistam os recursos necessários para dar aos jovens as bases éticas fundamentais" para ajudá-los a lutar contra os "males sociais" do nosso tempo: "o desemprego, as drogas, a criminalidade e o desrespeito da pessoa." Bento XVI também destacou que o "pluralismo cultural e religioso não se opõem à busca comum do bem, do Belo e do verdadeiro". A Igreja, portanto, "sustentada pela luz da Revelação," encoraja as pessoas "a confiarem na razão que, se purificada pela fé" é capaz de elevá-los e de colocá-los em busca insondável do mistério. Os "novos desafios", portanto, apelam para a "mobilização das inteligências e da criatividade do homem para lutar contra a pobreza e para um uso eficaz e saudável das energias e dos recursos disponíveis." Outra questão levantada pelo Santo Padre é o da "responsabilidade de todos", para que sejam garantidos "o respeito e a promoção da dignidade humana". O "primado do espírito", então, não é uma prerrogativa exclusiva das religiões, mas também deve ser incentivado pelas autoridades estaduais, obrigadas a colocar "políticas culturais que incentivem o acesso de qualquer um aos bens do espírito”, sem desencorajar nunca o homem do “buscar livremente a sua calma espiritual".

sábado, 3 de dezembro de 2011

Farc recorria à bruxaria para "bloquear" operações contrárias à guerrilha

De acordo com o jornal colombiano El Tiempo (30/9/2011), uma investigação revelou que os guerrilheiros marxistas da Frente 29 das Farc utilizavam a prática da bruxaria para tentar barrar as atividades das forças públicas contrárias ao movimento. Entre os 12 guerrilheiros capturados, em uma operação da Inteligência colombiana no departamento de Cauca, estava uma mulher misteriosa com um olhar desconfiado e grandes brincos na orelha. Tratava-se de Clara Maria Fernandez, uma bruxa que costumava atender seus clientes em um cybercafé na capital de Cauca, Popayán. Uma investigação policial havia revelado que Clara Maria tinha um estranho cliente. Via telefone, ela fornecia, à Frente 29 das Farc, seus relatórios sobre as bruxarias que realizava, a pedido dos guerrilheiros, contra o chefe de Polícia, o general Óscar Naranjo - atual vicepresidente da interpol, e o comandante de Cauca, o coronel Carlos Rodriguez. O objetivo era deter as operações anti-Farc. A bruxa também fazia "trabalhos" para auxiliar a concretização de negócios do tráfico de drogas. Segundo os investigadores, há um ano e meio as Farc tinham contratado a bruxa para prever o futuro e prevenir a guerrilha contra as operações nessa região. "Ela lhes dizia: 'Troquem de lugar porque vão fazer uma operação, vejo coisas obscuras, movimentos que podem vos prejudicar", contou um oficial que participou das investigações. Em setembro último, as Farc pediram á bruxa, de 33 anos, que fizesse um "trabalho" contra o general Naranjo para mudar o destino de uma operação que estava em andamento. Em quase todos os casos, quando ela os advertia sobre as supostas operações, não havia nenhum registro de atividade das forças de segurança contra esse grupo. Parafraseando Bertrand Quinquet, quando a chama da Fé se apaga, a lâmpada da superstição se reanima. *** Fonte: http://www.eltiempo.com/justicia/ARTICULO-WEB-NEW_NOTA_INTERIOR-10475686.html

domingo, 6 de novembro de 2011

E o sistema financeiro?

ZP11110605 - 06-11-2011 Permalink: http://www.zenit.org/article-29183?l=portuguese Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo BELO HORIZONTE, domingo, 6 de novembro de 2011 (ZENIT.org) – Refletir sobre o sistema financeiro é sempre crucial. Torna-se um exercício ainda mais importante na atualidade - vivemos outra significativa crise econômica que está assombrando sociedades, nações e instituições pelo mundo afora. Numas regiões do planeta a crise é sentida mais agudamente, noutras de maneira menos forte. Contudo, sempre cabe questionar a lógica do sistema financeiro e monetário internacional. No atual momento da economia global, torna-se ainda mais oportuna a Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz, importante órgão da Sé Apostólica no auxílio ao Santo Padre, o Papa Bento XVI. O documento destaca que o Evangelho de Jesus Cristo não é uma tinta verniz nas culturas, para os povos e para os sistemas. Tem força configuradora, com prerrogativas para correção de descaminhos e balizamentos de horizontes para os rumos de uma pretendida sociedade igualitária, solidária e justa. A Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz leva em consideração a situação atual do mundo que exige uma abordagem complexa, capaz de incorporar articuladamente os aspectos econômicos, culturais e espirituais. Há, pois, um grande espaço para a colaboração da Igreja Católica, perita em humanidade, sempre buscando cumprir sua tarefa de servidora e educadora no coração da sociedade contemporânea. A Igreja se pronuncia sobre os mais diversos assuntos a partir de sua fidelidade ao impulso do Espírito Santo Consolador e da consciência sobre sua tarefa na Obra de Cristo. É sempre solidária com os mais pobres e sofredores, operária do bem da humanidade. A Igreja assume as preocupações dos povos, particularmente daqueles que mais sofrem o peso da situação mundial atual. Deseja sempre colaborar com as autoridades civis e políticas. Por isso, a Igreja Católica considera urgente e inadiável a necessidade de se refletir uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional. Uma reforma que alimente a esperança de um futuro melhor, com mais dignidade e capacidade para as pessoas fazerem o bem. Essa reforma nasce do compromisso de cada indivíduo em buscar melhorias nas condições de vida de todos, preservando os valores e a riqueza de tradições, o verdadeiro tesouro sustentador da vida como dom que dá gosto ao viver. A grave crise econômica e financeira deste momento tem causas variadas. São muitas as opiniões, das que apontam erros de políticas econômicas e financeiras, passando pelo comprometimento da ética nas intervenções diversas e de diferentes níveis, até o quadro de uma economia mundial dominada pelo utilitarismo e pelo materialismo. A Nota da Santa Sé conclui que a crise é resultado de uma combinação de erros técnicos e de irresponsabilidades morais. Além do tratamento inadequado dos recursos naturais, nos últimos decênios verifica-se um aumento do crédito, promovido pelos bancos, que acentua o consumismo. Ainda que explicitado de modo sintético, sabe-se que o sistema econômico foi empurrado na direção de uma espiral inflacionária que encontra limites, podendo escorregar, com facilidade, na direção da falência massiva de instituições e, em consequência, a queda de todo sistema econômico e financeiro. A história dessas últimas décadas precisa ser retomada, entendida e analisada à luz de critérios e valores que ajudem a encontrar a solução do grave problema que se coloca, não permitindo apenas o uso de procedimentos paliativos ou sazonais, sem resolver a questão de fundo. O Papa Bento XVI, na sua encíclica social, Caritas in Veritate, apontou com clareza e com precisão que a raiz de uma crise não é apenas de natureza econômica e financeira, mas, acima de tudo, de ordem moral, além de ideológica. O Papa ressalta a importância de considerar que a economia poderá alcançar o seu funcionamento correto, não por meio de uma ética qualquer, mas a partir de uma ética amiga. Nesse âmbito, o Santo Padre denuncia o papel funesto do utilitarismo e do individualismo. A denúncia feita pelo Papa Bento XVI aponta a perversidade da ideologia e da tecnocracia. A resposta à pergunta: “e o sistema financeiro?”, para ser adequada e inteligente, precisa assumir, com clarividência, o significado e o alcance da técnica e do desafio ético posto à sociedade contemporânea. É urgente continuar avaliando o grande desenvolvimento econômico e social do século passado, com suas luzes e sombras, a tecnologia, os progressos do mundo digital e suas aplicações na economia, para alcançar a compreensão sobre crise a financeira atual. Dom Walmor Oliveira de Azevedo é arcebispo metropolitano de Belo Horizonte - MG

domingo, 16 de outubro de 2011

Quem está por trás do movimento esquerdista “Ocupe Wall Street”?

Ou: Obama como potencial beneficiário do “fascismo de esquerda” Quem, afinal de contas, dá suporte ao movimento esquerdista “Ocupe Wall Street”? O debate corre solto nos Estados Unidos, e um nome se tornou freqüente no debate: alguns conservadores vêem na patuscada dinheiro do bilionário George Soros, já que ele financia ONGs “progressistas” que, por sua vez, apóiam a “ocupação”. Huuummm… Parte dos que estão na praça quer o fim do capitalismo, reivindicação surgida junto com o capitalismo, há alguns séculos. Outro tanto defende uma sobretaxação para os ricos, e isso, sim, conta com o apoio de alguns milionários e bilionários “progressistas”, que igualmente censuram a ganância do capitalismo financeiro — nesse caso, não vêem contradição nenhuma em arrancar o máximo possível do “sistema”, ainda que o façam com dor no coração e alguma culpa. Um expoente dessa corrente dos “bilionários com alma” é Warren Buffet, que passou a defender ativamente que os ricos paguem mais impostos, como quer Barack Obama. Bem, o meu “jornalismo investigativo” pessoal se atém mais à lógica dos processos e à análise da metafísica influente do que à caça de “culpados”. Temos não mais do que frases esparsas de Obama expressando sua simpatia pelo movimento. Parte da pauta da turma da praça coincide com a sua. Mas não é algo que possa ser considerado uma “prova” em sentido técnico. A minha prova é, como posso explicar?, imaterial. Soros, Buffet ou outro potentado qualquer, todos eles, para mim, são irrelevantes. Quero saber a quem interessa essa esfera de valores que sai da praça, retratada com entusiasmo pela imprensa liberal (nos EUA, isso quer dizer “esquerdista”). A resposta leva a um único homem: Barack Hussein Obama. Parece-me evidente que a origem do movimento está nos grupos “obamistas” espalhados na rede, os mesmos que deram à luz o fenômeno Obama e fizeram de um senador inexperiente do Illinois, que havia administrado, no máximo, uma ONG, o candidato a Demiurgo, supostamente apto a tirar os EUA da crise — ele só a aprofundou! — e a salvar a civilização: o mundo está potencialmente menos seguro. Obama se atrapalhou todo na política institucional; não conseguiu encontrar as respostas pelos métodos convencionais. A democracia americana está mais protegida da vontade cesarista de um líder do que ele gostaria. O Congresso não é “cooptável” — não do modo como é o nosso ao menos. Urgia criar uma movimento de opinião pública, algo para responder, de algum modo, ao Tea Party, este um movimento mais institucionalizado. O “Ocupe Wall Street” tem, na imprensa, inclusive na nossa, uma presença muito superior à sua real importância, ao menos por enquanto. Estamos falando, AINDA, de meia-dúzia de gatos-pingados com uma pauta que vai do centro (onde pretende se situar o obamismo) para a esquerda. No ritmo em que as coisas ainda caminham, Obama vai para uma derrota eleitoral. É preciso mobilizar a sociedade contra “os ricos”, “o capitalismo financeiro”, “os bancos”, “os políticos”, “as instituições corruptas” etc. Essa pauta vem lá de de Mussolini, hehe… Não sei se a coisa vai prosperar como pretendem os obamistas. No melhor dos mundos para eles, mais de milhão vai para a rua, com aqueles jargões muito próprios do fascismo de esquerda, de que o presidente americano e candidato à reeleição pretende ser o beneficiário. E o Brasil? Reitero: qualquer associação com os atos contra a corrupção no Brasil são infundados, estúpidos até. A turma do “Ocupe Wall Street” está brava, curiosamente, porque as instituições americanas funcionam, e o demiurgo não pode fazer o que lhe dá na telha; tem de prestar contas ao Congresso. Obama está com o saco cheio de ter de governar o país segundo a Constituição que herdou. No Brasil, os que se mobilizam pedem justamente o contrário: que as instituições funcionem; que a letra da lei seja seguida, que o Congresso exerça suas prerrogativas. Texto publicado originalmente às 18h36 deste sábado Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Steve Jobs

Jornal vaticano recorda Steve Jobs como "visionário" da tecnologia e da arte Roma, 06 Out. 11 / 03:09 pm (ACI/EWTN Noticias) O jornal vaticano L'Osservatore Romano (LOR) recordou o fundador da companhia Apple e inventor do Ipod, Steve Jobs, falecido ontem 5 de outubro, como um "visionário que uniu a tecnologia e a arte". Em um artigo titulado "O talento de Mr. Apple", LOR assinala que Jobs - falecido aos 56 anos de idade depois de vários lutando contra o câncer de pâncreas- "foi um dos protagonistas e símbolos da revolução do Silicon Valley", o lugar nos Estados Unidos onde estão todas as principais empresas informáticas. Esta revolução, diz o artigo, também foi uma "revolução de costumes, de mentalidades, de cultura. Revolução filha, mas não herdeira, dos não-preconceituosos anos 70". Jobs, prossegue o texto, "foi um visionário que uniu a tecnologia e a arte. Certo, não era um técnico nem um empreendedor. Não era um desenhista nem um matemático. Tampouco era o clássico nerd da informação nem homem de espetáculo. Pirata ou pioneiro? Será a história quem o diga. Enquanto isso ficam suas geniais criações". De "gravidez não desejada" a gênio Steve Jobs nasceu em 24 de fevereiro de 1955 e foi dado em adoção por sua mãe biológica, Joanne Simpson, porque seu pai se opôs à sua relação com Abdulfattah John Jandali, de origem síria e pai biológico do Steve. Joan e Abdulfattah se casaram depois da morte do avô de Steve. O casal teve uma filha e tentou recuperar o menino, mas legalmente foi impossível. Jobs, criado por um casal de classe trabalhadora, fundou a empresa Apple com Steve Wozniak em 1976 na garagem de sua casa. "Em apenas dez anos a sociedade chegou aos dois bilhões de dólares faturados", recorda LOR. Apple lançou em 24 de janeiro de 1984 o Macintosh 128K, o primeiro computador pessoal que comercializado exitosamente, que usava uma interface gráfica de usuário (GUI) e um camundongo (mouse) em vez da linha de comandos. No ano 2001 Jobs lançou o Ipod, uma ferramenta "que entrou no coração e na mente de milhares de pessoas". "Talento, puro talento", acrescenta o texto. Sobre o legado de Steve Jobs, o novo diretor da revista Civiltá Cattolica e perito em novas tecnologias da comunicação, o sacerdote jesuíta Antonio Spadaro, assinalou que sua maior contribuição está "no fato que a tecnologia, para ele, é parte da vida" já que esta "não é um pouco reservado apenas aos técnicos" mas para "nossa vida de todos os dias". O Pe. Spadaro recordou a compreensão do Papa Pio XI sobre o fenômeno da comunicação e considerou que tanto Jobs como o Pontífice compreenderam "que a comunicação é o maior valor que hoje temos à disposição e devemos fazer dar fruto. Nele se uniu assim uma grande capacidade inovadora e uma grande capacidade criadora". "No fundo, a mensagem mais importante de Steve Jobs é: 'Stay hungry, stay foolish', mantenha-se faminto, mantenha-se tolo; quer dizer, sempre tenha a capacidade de ver a vida em novos termos", acrescentou o sacerdote em alusão ao histórico discurso que ofereceu Jobs na Universidade de Stanford em 2005. Esta maneira de ver as coisas, conclui o perito jesuíta, está relacionado com a capacidade de ver além dos limites. "Esta tensão adiante do limite e à superação de uma condição de estática, de adequação ao existente, é muito importante e, para nós, é algo que temos que aprender", concluiu.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ONU deve defender claramente a liberdade religiosa

Cristãos são o grupo religioso mais perseguido pela sua fé NOVA YORK, quinta-feira, 29 de setembro de 2011 (ZENIT.org) - O respeito à liberdade religiosa de todas as pessoas é um dos três grandes desafios, junto ao da gestão da crise humanitária e da crise econômica, que a comunidade internacional deve enfrentar hoje. Quem sublinhou isso foi Dom Dominique Mamberti, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, em seu discurso na 66ª Assembleia Geral da ONU. O respeito à liberdade religiosa, disse o representante vaticano, "é o caminho fundamental para a construção da paz, o reconhecimento da dignidade humana e a proteção dos direitos do homem". No entanto, advertiu, "as situações nas quais o direito à liberdade religiosa é lesionado ou negado aos crentes das diferentes religiões são, infelizmente, numerosas". "Observa-se ainda um aumento da intolerância por motivos religiosos e se constata que os cristãos são atualmente o grupo religioso que sofre o maior número de perseguições devido à sua fé", lamentou o prelado. Neste sentido, Dom Mamberti sublinhou, diante da assembleia, que a falta de respeito à liberdade religiosa "representa uma ameaça para a segurança e a paz e impede a realização de um autêntico desenvolvimento humano integral". Proteger as minorias O prelado destacou a situação das minorias religiosas em alguns países. "O peso particular de uma religião determinada em uma nação não deveria jamais implicar que os cidadãos pertencentes a outras confissões fossem discriminados na vida social ou, pior ainda, se tolerasse a violência contra eles", afirmou. Sobretudo, quis chamar a atenção sobre a perseguição que as minorias cristãs padecem, sublinhando que os cristãos "são cidadãos com o mesmo título que os outros, ligados à sua pátria e fiéis a todos os seus deveres nacionais". "É normal que possam gozar de todos os direitos de cidadania, de liberdade de consciência e de culto, de liberdade no campo do ensino e da educação e no uso dos meios de comunicação social", acrescentou. Por isso, recordou a preocupação da Santa Sé "para que se adotem medidas eficazes para a proteção das minorias religiosas, lá onde elas são ameaçadas, com o fim de que, acima de tudo, os crentes de todas as confissões possam viver em segurança e continuar oferecendo sua contribuição à sociedade da qual somos membros". O bispo afirmou a importância de que o compromisso comum de reconhecer e de promover a liberdade religiosa "seja favorecido por um diálogo inter-religioso sincero, promovido e posto em prática pelos representantes das diferentes confissões religiosas e apoiado pelos governos e pelas instâncias internacionais". Secularismo Por outro lado, afirmou, "há países nos quais, ainda que se conceda muita importância ao pluralismo e à tolerância, paradoxalmente se tende a considerar a religião como um fator estranho à sociedade moderna", ou inclusive "considerá-la como desestabilizador, buscando, por diversos meios, marginalizá-la e impedir-lhe toda influência na vida social". "Como pode ser negada a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização?", perguntou à assembleia. Neste sentido, indicou que "as comunidades cristãs, com seus patrimônios de valores e de princípios, contribuíram fortemente para a conscientização das pessoas e dos povos com relação à sua própria identidade e dignidade, assim como para a conquista das instituições do Estado de direito e para a afirmação dos direitos do homem e dos seus correspondentes deveres". Por isso, concluiu afirmando a importância de que "os crentes, hoje como ontem, se sintam livres para oferecer sua contribuição para a promoção de um ordenamento justo das realidades humanas, não somente mediante um compromisso responsável no âmbito civil, econômico e político, mas também mediante o testemunho da sua caridade e da sua fé".

domingo, 25 de setembro de 2011

Papa aos muçulmanos: Constituição, marco do respeito

ZP11092303 - 23-09-2011 Permalink: http://www.zenit.org/article-28910?l=portuguese Sociedade não se sustenta no longo prazo sem consenso sobre os valores éticos fundamentais BERLIM, sexta-feira, 23 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Em uma sociedade pluralista, é preciso estar atentos para que haja sempre respeito pelo outro. Esse respeito cresce com base em valores inalienáveis, cujo marco, na Alemanha e em muitos outros países, está representado pela Constituição. Esse foi o teor do discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta sexta-feira aos 15 representantes das comunidades muçulmanas presentes na Alemanha, a quem o Papa recebeu na Nunciatura Apostólica de Berlim, antes de seguir viagem rumo a Erfurt. O Papa afirmou que Igreja Católica está comprometida para que se outorgue o justo reconhecimento à dimensão pública da fé. “Trata-se de uma exigência de não pouco relevo no contexto de uma sociedade maioritariamente pluralista”, disse. “No entanto – prosseguiu o pontífice –, é necessário estar atentos para que o respeito pelo outro se mantenha sempre. O respeito recíproco cresce somente sobre a base de um entendimento sobre certos valores inalienáveis, próprios da natureza humana, sobretudo a inviolável dignidade de toda pessoa”. “Este entendimento não limita a expressão de cada uma das religiões; ao contrário, permite a cada um dar testemunho de forma propositiva daquilo em que crê, sem esquivar do debate com o outro.” O Papa recordou que na Alemanha, como em muitos outros países, não só ocidentais, “tal marco de referência comum está representado pela Constituição, cujo conteúdo jurídico é vinculante para todo cidadão, pertencente ou não a uma confissão religiosa”. Bento XVI assinalou que o debate sobre uma melhor formulação dos princípios, como da liberdade de culto público, “é amplo e sempre aberto”; contudo, “é significativo o fato de que a Lei Fundamental os formule de modo ainda válido a mais de 60 anos de distância. Nela se manifesta, antes de tudo, esse ethos comum que fundamenta a convivência civil e que, de alguma maneira, marca também as regras aparentemente só formais do funcionamento dos órgãos institucionais e da vida democrática”. “Poderíamos nos perguntar como pode um texto, elaborado em uma época histórica radicalmente diferente, em uma situação cultural quase uniformemente cristã, ser adequado à Alemanha de hoje, que vive no contexto de um mundo globalizado, e marcada por um notável pluralismo em matéria de convicções religiosas.” A razão disso – afirmou o Papa –, “encontra-se no fato de que os pais da Lei Fundamental eram plenamente conscientes de dever buscar naquele importante momento um terreno sólido, no qual todos os cidadãos pudessem se reconhecer”. “Ao realizar isso, eles não prescindiram de sua afiliação religiosa, e mais, para muitos deles, a visão cristã do homem era a verdadeira força inspiradora. No entanto, sabendo que deveriam se confrontar com pessoas de uma base confessional diversa, ou inclusive não religiosa, o terreno comum foi encontrado no reconhecimento de alguns direitos inalienáveis, próprios da natureza humana e que precedem qualquer formulação positiva”, afirmou o Papa. Deste modo – disse Bento XVI –, “uma sociedade substancialmente homogênea assentou o fundamento que hoje reconhecemos válido para um mundo marcado pelo pluralismo. Fundamento que, na realidade, indica também os evidentes limites deste pluralismo: não se pode pensar que uma sociedade possa se sustentar no longo prazo sem um consenso sobre os valores éticos fundamentais”. (Alexandre Ribeiro)

domingo, 3 de julho de 2011

Homilia do Padre Françoá Costa – Solenidade de São Pedro e São Paulo

Viva o Papa!

Tu és o Cristo”, eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro”, eis a demonstração de que Deus confia nos homens. Na clausura do Ano Sacerdotal, o Papa Bento XVI falava da audácia de Deus, que consiste em confiar nos homens a tal ponto de fazer deles instrumentos e canais de graça. Realmente, Deus confia em nós! Não nos necessita, mas quis necessitar de nós.
São Pedro nasceu em Betsaida, cidade da Galiléia. Conheceu Jesus através de seu irmão André. Jesus “fixando nele o olhar” (Jo 1,42) o chamou para segui-lo. O olhar carinhoso de Cristo devia ser arrebatador, convincente e encerrava um radicalismo de entrega a Deus atraente. Aquele olhar transformou Pedro, agora chamado Cefas, pedra, Pedro. De simples pescador converte-se num pescador de homens. Foi o vigário de Cristo na terra quando ele, o Senhor, já não estava entre os seus em corpo mortal.
Jesus quis instituir a sua Igreja tendo Pedro e seus sucessores à frente dela, e isso para sempre. Pedro, Lino, Cleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério, Vítor,… Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI: 266 papas, 265 sucessores de São Pedro. Que maravilha! Cheios de entusiasmo professemos a nossa fé nesta Igreja, que é “Una, Santa, Católica e Apostólica, edificada por Jesus Cristo, sociedade visível instituída com órgãos hierárquicos e comunidade espiritual simultaneamente (…); fundada sobre os Apóstolos e transmitindo de geração em geração a sua palavra sempre viva e os seus poderes de Pastores no Sucessor de Pedro e nos Bispos em comunhão com ele; perpetuamente assistida pelo Espírito Santo” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus).
S. Jerônimo expressou firmemente a sua adesão ao Papa com as seguintes palavras: “não sigo nenhum primado a não ser o de Cristo; por isso ponho-me em comunhão com a Sua Santidade, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja”.
A história da Igreja – são já dois mil anos! – é uma demonstração de força e de debilidade, também no que se refere à história do papado. Graças a Deus, o século XX está cheio de grandes Papas, a começar por S. Pio X no começo do século culminando com João Paulo II. Todos nós somos testemunhas também da bondade e da inteireza do atual Romano Pontífice, Bento XVI: quanta fortaleza, quanto amor a Deus, quantas lutas para defender a Santa Igreja. A maioria dos Papas foram homens magníficos, cheios de Deus e entregues ao serviço do rebanho a eles confiado.
A Igreja é santa, é guiada e sustentada por Deus, nada a pode derrotar. É Santa, os pecadores somos nós; Deus a fundamentou de tal maneira que nem o inferno e seus demônios, nem os homens, poderão derrotá-la. A Igreja, esposa de Cristo, chegará à Parusia. Outro fato maravilhoso é que os Papas, mais santos ou menos santos, sempre guardaram intacto o depósito da fé. Deus garante o pastoreio da Igreja através desses homens que ele mesmo escolheu. É fato e é dogma de fé: o Papa quando fala sobre coisas de fé e de moral com a sua autoridade de Supremo Pastor do rebanho não pode errar, não pode equivocar-se.
O Papa é sempre o bispo de Roma. Deus quis – em sua providência – que Roma tivesse esse significado especial na história da Igreja peregrina. O Romano Pontífice como vigário de Cristo é o administrador de Cristo aqui na terra, como sucessor de Pedro leva consigo toda a autoridade que Cristo confiou ao mesmo Pedro para apascentar o rebanho do Senhor. S. Josemaria Escrivá dizia que “o amor ao Romano Pontífice há de ser em nós uma bela paixão, porque nele vemos Cristo”.
O católico deve estar sempre perto do Papa: escutá-lo, apoiá-lo, rezar por ele e suas intenções. Não podemos romper a unidade católica: todos com o Papa! De fato, para estar em plena comunhão com a Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, é preciso professar a mesma fé, celebrar os mesmos sacramentos e estar unidos à hierarquia cujo ponto principal é o Papa. “Sou católico, vivo a minha fé” (Edições CNBB), um Compêndio da Doutrina elaborado pela Conferência Episcopal, quando se pergunta “Quem é o Papa para nós, católicos?” responde da seguinte maneira: “o Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constituiu como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (…) é o pastor de toda a Igreja. (…) tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo confiou a Pedro (…) Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica” (V,15)
Pe. Françoá Costa

domingo, 24 de abril de 2011

Mensagem de Páscoa de Bento XVI

ZP11042405 - 24-04-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-27814?l=portuguese

“Na vossa Ressurreição, ó Cristo, alegrem-se os céus e a terra”

CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de abril de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a mensagem de Páscoa que Bento XVI dirigiu do balcão central da Basílica de São Pedro ao meio-dia deste Domingo da Ressurreição.
* * *
«In resurrectione tua, Christe, coeli et terra laetentur – Na vossa Ressurreição, ó Cristo, alegrem-se os céus e a terra» (Liturgia das Horas).
Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!
A manhã de Páscoa trouxe-nos este anúncio antigo e sempre novo: Cristo ressuscitou! O eco deste acontecimento, que partiu de Jerusalém há vinte séculos, continua a ressoar na Igreja, que traz viva no coração a fé vibrante de Maria, a Mãe de Jesus, a fé de Madalena e das primeiras mulheres que viram o sepulcro vazio, a fé de Pedro e dos outros Apóstolos.
Até hoje – mesmo na nossa era de comunicações supertecnológicas – a fé dos cristãos assenta naquele anúncio, no testemunho daquelas irmãs e daqueles irmãos que viram, primeiro, a pedra removida e o túmulo vazio e, depois, os misteriosos mensageiros que atestavam que Jesus, o Crucificado, ressuscitara; em seguida, o Mestre e Senhor em pessoa, vivo e palpável, apareceu a Maria de Magdala, aos dois discípulos de Emaús e, finalmente, aos onze, reunidos no Cenáculo (cf. Mc 16, 9-14).
A ressurreição de Cristo não é fruto de uma especulação, de uma experiência mística: é um acontecimento, que ultrapassa certamente a história, mas verifica-se num momento concreto da história e deixa nela uma marca indelével. A luz, que encandeou os guardas de sentinela ao sepulcro de Jesus, atravessou o tempo e o espaço. É uma luz diferente, divina, que fendeu as trevas da morte e trouxe ao mundo o esplendor de Deus, o esplendor da Verdade e do Bem.
Tal como os raios do sol, na primavera, fazem brotar e desabrochar os rebentos nos ramos das árvores, assim também a irradiação que dimana da Ressurreição de Cristo dá força e significado a cada esperança humana, a cada expectativa, desejo, projecto. Por isso, hoje, o universo inteiro se alegra, implicado na primavera da humanidade, que se faz intérprete do tácito hino de louvor da criação. O aleluia pascal, que ressoa na Igreja peregrina no mundo, exprime a exultação silenciosa do universo e sobretudo o anseio de cada alma humana aberta sinceramente a Deus, mais ainda, agradecida pela sua infinita bondade, beleza e verdade.
«Na vossa ressurreição, ó Cristo, alegrem-se os céus e a terra». A este convite ao louvor, que hoje se eleva do coração da Igreja, os «céus» respondem plenamente: as multidões dos anjos, dos santos e dos beatos unem-se unânimes à nossa exultação. No Céu, tudo é paz e alegria. Mas, infelizmente, não é assim sobre a terra! Aqui, neste nosso mundo, o aleluia pascal contrasta ainda com os lamentos e gritos que provêm de tantas situações dolorosas: miséria, fome, doenças, guerras, violências. E todavia foi por isto mesmo que Cristo morreu e ressuscitou! Ele morreu também por causa dos nossos pecados de hoje, e também para a redenção da nossa história de hoje Ele ressuscitou. Por isso, esta minha mensagem quer chegar a todos e, como anúncio profético, sobretudo aos povos e às comunidades que estão a sofrer uma hora de paixão, para que Cristo Ressuscitado lhes abra o caminho da liberdade, da justiça e da paz.
Possa alegrar-se aquela Terra que, primeiro, foi inundada pela luz do Ressuscitado. O fulgor de Cristo chegue também aos povos do Médio Oriente para que a luz da paz e da dignidade humana vença as trevas da divisão, do ódio e das violências. Na Líbia, que as armas cedam o lugar à diplomacia e ao diálogo e se favoreça, na situação actual de conflito, o acesso das ajudas humanitárias a quantos sofrem as consequências da luta. Nos países da África do Norte e do Médio Oriente, que todos os cidadãos – e de modo particular os jovens – se esforcem por promover o bem comum e construir um sociedade, onde a pobreza seja vencida e cada decisão política seja inspirada pelo respeito da pessoa humana. A tantos prófugos e aos refugiados, que provêm de diversos países africanos e se vêem forçados a deixar os afectos dos seus entes mais queridos, chegue a solidariedade de todos; os homens de boa vontade sintam-se inspirados a abrir o coração ao acolhimento, para se torne possível, de maneira solidária e concorde, acudir às necessidades prementes de tantos irmãos; a quantos se prodigalizam com generosos esforços e dão exemplares testemunhos nesta linha chegue o nosso conforto e apreço.
Possa recompor-se a convivência civil entre as populações da Costa do Marfim, onde é urgente empreender um caminho de reconciliação e perdão, para curar as feridas profundas causadas pelas recentes violências. Possa encontrar consolação e esperança a terra do Japão, enquanto enfrenta as dramáticas consequências do recente terremoto, e demais países que, nos meses passados, foram provados por calamidades naturais que semearam sofrimento e angústia.
Alegrem-se os céus e a terra pelo testemunho de quantos sofrem contrariedades ou mesmo perseguições pela sua fé no Senhor Jesus. O anúncio da sua ressurreição vitoriosa neles infunda coragem e confiança.
Queridos irmãos e irmãs! Cristo ressuscitado caminha à nossa frente para os novos céus e a nova terra (cf. Ap 21, 1), onde finalmente viveremos todos como uma única família, filhos do mesmo Pai. Ele está connosco até ao fim dos tempos. Sigamos as suas pegadas, neste mundo ferido, cantando o aleluia. No nosso coração, há alegria e sofrimento; na nossa face, sorrisos e lágrimas. A nossa realidade terrena é assim. Mas Cristo ressuscitou, está vivo e caminha connosco. Por isso, cantamos e caminhamos, fiéis ao nosso compromisso neste mundo, com o olhar voltado para o Céu.
Boa Páscoa a todos!
[Tradução distribuída pela Santa Sé

terça-feira, 15 de março de 2011

Alastrar-se da violência sinaliza desorientação cultural

ZP11031503 - 15-03-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-27492?l=portuguese
“A conduta reta, ou o seu contrário, depende da educação”, diz cardeal Scherer

SÃO PAULO, terça-feira, 15 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Os abundantes episódios de violência no convívio social “denotam uma radical desconsideração pela dignidade da pessoa humana, pelos seus mais elementares direitos e pelos valores éticos que devem orientar as decisões na vida”.
É o que afirma o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, em artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, nesse sábado.

Segundo o cardeal, “a violência é dos brutos e denota uma lamentável inconsciência diante da dignidade da pessoa, dos seus direitos fundamentais. É ausência de sensibilidade, ou desprezo pelos valores básicos da conduta”.

Dom Odilo afirma que certamente todos esperam “que os responsáveis cumpram o seu dever e as leis sejam mais conhecidas e respeitadas, porém não é por falta de leis que os crimes acontecem”.

“E, se a grande garantia para a inibição do crime fosse a autoridade que representa a lei, estaríamos muito mal e não haveria policiais em número suficiente para vigiar todos os potenciais criminosos. A ausência da autoridade encarregada da aplicação lei não legitima o crime.”

De acordo com o arcebispo, o alastrar-se da violência “está sinalizando para uma desorientação cultural, em que há pouca adesão a referenciais éticos compartilhados, ou mesmo a falta deles”.

“Valores altamente apreciáveis, como a vida humana, a dignidade da pessoa, o bem comum, a justiça, a liberdade e a honestidade caem por terra quando outros ‘valores’ lhes são sobrepostos, como a vantagem individual a qualquer custo, a satisfação das paixões cegas, como o ódio, a avareza, a luxúria, a vaidade egocêntrica...”

“Princípios éticos tão elementares quanto essenciais, como ‘não faças aos outros o que não queres que te façam’, ou os da inviolabilidade da vida humana, do respeito pela pessoa, do senso da justiça e da responsabilidade compartilhada perdem cada vez mais seu espaço para algo que se poderia qualificar como ‘pragmatismo individualista sem princípios’.”

Dom Odilo assinala que, “se cada um elabora os referenciais para seu agir de acordo com os impulsos das paixões, as conveniências ou ganhos do momento, perdemos os referenciais comuns da conduta no convívio social”.

A conduta reta, ou o seu contrário – prossegue o cardeal –, “depende da educação; virtude e vício têm mestres e currículos próprios”.

“Valores e princípios são ensinados e apreendidos; e a inteligência humana é capaz de reconhecê-los, de distinguir entre o que é bom e o que é mau. Por sua vez, a consciência pessoal e a vontade, quando bem esclarecidas e motivadas, inclinam-se para o bem e rejeitam o mal.”

“A lei exterior, por si, é constritiva, porque vem acompanhada pela ameaça, não muito eficaz, do castigo e da pena. Eficácia maior da lei é garantida pela adesão interna e livre ao valor protegido por ela. É a lei moral inscrita no coração.”

Dom Odilo reconhece que nesse ponto há muito para se fazer. “Sabemos que, atualmente, os tradicionais agentes de educação, como a família, a escola e as organizações religiosas, estão conseguindo fazer isso de maneira muito limitada e seu papel na educação é até dificultado, quando se dedicam a fazê-lo”.

“Por outro lado, há uma progressiva desconstrução dos referenciais éticos da conduta pessoal e coletiva”, afirma.

Dom Odilo cita vário fatores que contribuem para a erosão dos valores e para a desorientação da ética no convívio social.

Por exemplo, “a exaltação dos ‘heróis bandidos’ e do ‘valentão mau caráter’; a espetacularização da violência; o mau exemplo que vem do alto; a impunidade, que leva a crer que o crime compensa; e também a exploração econômica da corrupção dos costumes e a capitulação do poder constituído diante do crime organizado, que ganha muito dinheiro com o comércio letal da droga.”

“O alastrar-se da violência gratuita é uma consequência natural”, afirma o arcebispo.