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sábado, 17 de janeiro de 2026

EDUCAÇÃO CLÁSSICA CATÓLICA

A expansão da Educação Clássica Católica através de cursos, pós- graduações e todo tipo de divulgação de materiais, lives e palestras na Internet, bem como da fundação de colégios católicos com esta perspectiva ocorre em meio ao grande crescimento do estudo e da prática da Fé Católica nos últimos anos. Milhões de pessoas estão rezando o Rosário, as igrejas estão cheias, há um aumento das vocações e muitas conversões, inclusive de protestantes retornando para o catolicismo.


Neste contexto e diante da situação da crise moral da nossa sociedade e da grave crise educacional (analfabestismo funcional, estatísticas alarmantes de déficits educacionais em todos os segmentos...) e da perda de identidade da maioria das escolas católicas, a proposta da Educação Clássica Católica, aliás, a educação que a Igreja sempre fez, ressurge como solução para tais crises, através da formação completa da pessoa, de uma educação integral de fato, que valorize a formação dos aspectos físicos, intelectuais, da vontade, para a verdadeira liberdade, a formação emocional e espiritual e não apenas a preparação para os vestibulares, a formação para o mercado ou para a militância, a serviço das ideologias revolucionárias, que caracterizam a educação moderna. 


Esta é a Educação iniciada na Antiguidade Clássica pelos gregos e romanos e desenvolvida durante a Idade Média, aperfeiçoada pelo Cristianismo, que valoriza a busca da verdade, do bem e da beleza. Através do estudo dos grandes nomes da Antiguidade, como Platão, Aristóteles e Homero, dos grandes santos, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, por meio do estudo da filosofia, da literatura e da religião os alunos são estimulados ao amor e sede do conhecimento, à prática das virtudes, a uma vida ordenada, a uma formação completa, intelectual, moral, da mente e da vida interior, preparando-os para enfrentar o mundo real, com as suas potencialidades e desafios. 


Na Educação Clássica Católica educar é cooperar com a Graça, tendo como objetivo o fim último da salvação das almas, educar para o Céu. A meta é a busca da santidade. E formar bons cristãos traz como consequência a formação de bons cidadãos, pois a Fé transforma vidas, muda comportamentos... e valores como a disciplina, o respeito, a valorização da hierarquia, a centralidade do papel do mestre, da sua autoridade, o ambiente de reverência, obediência, sobriedade e gentileza, 

são valores civilizacionais.


Nesta perspectiva, os critérios de análise, de interpretação de toda a realidade devem ser a Vida e os Ensinamentos de Cristo, os Evangelhos, a Tradição, o Magistério da Igreja, a Doutrina Social da Igreja, além da reta razão e do bom senso. A partir deles todas as aulas, suas temáticas e os materiais devem ser filtrados. 


Portanto, as demandas pela Educação Clássica Católica aumentarão. Cada vez mais as escolas católicas serão buscadas e cobradas por famílias desejosas de uma boa formação. Então, tais escolas são chamadas a viverem a sua identidade, com o máximo cuidado na formação dos seus professores, católicos que vivenciem a Fé e transbordem o amor de Cristo para os seus alunos, com a escolha e filtros de todos os materiais (dos textos, das imagens, das ideias, por exemplo), de forma que as ideologias de gênero, do relativismo, do materialismo, do hedonismo e outras sejam combatidas, bem como o cuidado com ambientes, de forma que favoreçam a Fé e as virtudes.  


Tudo isso  somado a boas aulas de Religião, oração todos os dias, Adoração ao Santíssimo,  Confissões, Missas, Cantatas, Coroações e outros eventos religiosos. E esta educação pode ser  plenamente conciliada com a preparação para o mercado, com toda a legislação, como a LDB, a BNCC, os Parâmetros Curriculares, que serão observados e ao mesmo tempo elevados pelos princípios da Educação Clássica Católica.

domingo, 29 de dezembro de 2024

DEZ MANEIRAS DE DESTRUIR A IMAGINAÇÃO DE SEU FILHO.

(Resumo) Este é o título do livro de Anthony Esolen, professor acadêmico, renomado escritor, pensador norte-americano e defensor das tradições culturais ocidentais. Segundo ele, as crianças (não apenas elas) vivem num mundo artificial, fora da realidade, sem a possibilidade da contemplação da Beleza, da Verdade e do Bem, com a imaginação contida e por isso inertes, dóceis às imposições do Estado, da sociedade de massas e dos controladores sociais em geral... estão encaixadas num mundo de shoppings centers, de enlatados, de burocracia e entretenimento iguais por toda parte, motivados pelas mídias e por uma educação esvaziada de estímulos à imaginação e à memorização, em nome de um tal "pensamento crítico"... fatos reais, ciência objetiva, gramática e aritmética, que são algumas das bases de toda uma estrutura intelectual, são negligenciados... Dito isto, eis o método para destruir a imaginação... 

 Método 1: MANTENHA OS SEUS FILHOS EM AMBIENTES FECHADOS o máximo possível, num mundo virtual, irreal, (sair deste mundo pode ser perigoso para criar autonomia, independência) longe da contemplação dos elementos da natureza, que estimula a curiosidade, o conhecimento e as noções de infinitude, de liberdade e o desejo do sagrado, da busca do transcendental, contra o imediatismo do mundo material. 

 Método 2: JAMAIS DEIXE AS CRIANÇAS SOZINHAS. Trate-as como se fossem feitas de vidro, incapazes de resistirem a algumas quedas, colisões e ferimentos, tornando-as incapazes do auto gerenciamento e organização. Esvazie a competitividade dos jogos, para evitar "frustrações", desencoraje a assumir riscos, incapacite para a organização em comunidades com objetivos comuns. 

 Método 3: MANTENHA AS CRIANÇAS LONGE DE MÁQUINAS OU DE QUEM SABE OPERÁ-LAS. Elas devem ficar longe de adultos que saibam fazer coisas, para que sejam alienadas da engenhosidade, da inventividade. Desencorajadas de colocar a mão na massa, deixam de saber como as coisas funcionam (o importante é apenas acreditar na ciência, como uma cartilha política). As crianças não devem ficar fascinadas pelo mundo animal, não devem se envolver com o mundo (exceto sob a forma de engajamento ideológico), devem afastar-se de pessoas que fazem brinquedos com mapas e projetos que ajudam no raciocínio estratégico, a lidar com questões abstratas, enfim, incapazes para a leitura mais profunda e de um encontro imaginativo com o mundo real... 

 Método 4: SUBSTITUA OS CONTOS DE FADAS POR CLICHÊS POLÍTICOS E MODAS... Ao invés de valorizar os contos que trazem personagens fiéis à verdade da vida, que habitam um mundo moral, que são fundamentos positivos da imaginação, elimine, corrompa e subverta-os, de forma que estejam bloqueados para o conhecimento do universo das artes e dos mistérios da vida humana, sem os quais serão suscetíveis às baboseiras políticas e ao entretenimento vazio das massas, a acreditar em quaisquer coisas. Leiam livros efêmeros, que não abram a mente, reduza tudo (ciências, artes, religião...) a um sentido político, como se toda a realidade fosse um jogo de poder. A redução de tudo à política é a redução de tudo à insignificância. 

 Método 5: DIFAME O HEROICO E O PATRIÓTICO. A perda do senso de honrar o país e os país ( no sentido histórico), como mostra George Orwell no livro 1984 (anulação das referências do passado), arraigam as pessoas no imediatismo do presente, com o desejo apenas de novidade. Para os controladores sociais é importante "matar" o passado, e também "matar os pais", no sentido de afastar a influência dos pais biológicos sobre as crianças. E, através do multiculturalismo, destruir a cultura. 

 Método 6: DIMINUA TODOS OS HERÓIS. Riem-se deles, eduque para mostrar que seus feitos são inúteis, desconsiderem as histórias de heroísmo, as figuras dos heróis e o risco do narcisismo ficará evidente. Para isso, difame o ideal militar, ridicularize as virtudes mais difíceis de se obter, e, como o heroico amplia a nossa imaginação, ensine os seus filhos a suspeitar e a odiar a excelência (democratize a excelência, como se a excelência de alguém fosse uma ofensa à autoestima dos outros), destruindo a admiração pelo heroísmo. Ridicularize as figuras históricas, ensine que todos são iguais (igualdade putativa) e que se for para admirar alguém, que seja a si mesmo. Assim, privados de grandes mananciais da imaginação, buscarão satisfação nos prazeres desenfreados. 

 Método 7: REBAIXE TODA CONVERSA SOBRE AMOR A NARCISISMO E SEXO. Não mais aquele amor que inspirou toda a literatura, alto e nobre, que reverência o mistério do outro (não carnal) como aquele de Odisseu e Nausica, na Odisseia de Homero e de Dante e Beatriz na Divina Comédia. Reduza eros à comichão da luxúria ou da vaidade, o amor entre um homem e uma mulher a algo privado, socialmente indiferente e arbitrário, povoe o imaginário de sensualidade e luxúria, do bizarro e repugnante, reduzindo tudo ao narcisismo e ao sexo banal. 

 Método 8: EQUIPARE AS DISTINÇÕES ENTRE HOMEM E MULHER O fascínio, a curiosidade entre os sexos, a admiração e os ritos iniciáticos devem ser banalizados, as pessoas virtuosas escarnecidas, o que desencoraja a ideia de começar uma família, o desejo de devoção e entrega ao outro. 

 Método 9: DISTRAIA A CRIANÇA COM O SUPERFICIAL E O IRREAL . É preciso privar a criança do silêncio e da quietude (porque restauram o poder da imaginação, que é uma faculdade da alma). Privando a criança do sossego por meio de televisores, computadores, videogames e celulares, as crianças convivem com o barulho o tempo todo, tornando-se incapazes da observação e contemplação. Em paz, as crianças poderiam descobrir livros maravilhosos e alcançar a independência, o conhecimento de si e da realidade, da verdade e a conversão. 

 Método 10: NEGUE O TRANSCENDENTE. Negue a nobreza da fé, ensine a ser hostil à fé e que é pior, banalize a fé, transformando-a numa coisa infantil. Então, o materialismo é a melhor opção, ensine que tudo o que existe é matéria, a ideia de Deus é uma projeção do pai, a beleza é apenas um tic neurológico ou uma opinião pessoal, o amor é apenas a tendência para a reprodução e o homem apenas um ser na poeira cósmica. No fundo, o que querem os destruidores da imaginação, é a destruição do próprio homem.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

EDUCAÇÃO CLÁSSICA ou EDUCAÇÃO CATÓLICA?

Há um gigantesco movimento de leitura/estudo da Cultura Clássica e uma proliferação de narrativas e iniciativas sobre a Educação Clássica pelo Brasil afora, via internet especialmente, como um fenômeno de crescente conservadorismo, uma reação ao processo revolucionário, que está na origem da atual crise educacional. 

 Neste sentido, as citações abaixo, de Santo Agostinho, nos fornecem critérios básicos e claros de discernimento acerca de tal literatura/educação, à luz dos princípios cristãos, inspirados nas Escrituras e na Tradição da Igreja, como fundamentos da Educação Católica e sua relação com os clássicos. "Quanto é pequena a quantidade de ouro, prata e vestes tirada do Egito pelo povo hebreu em comparação com as riquezas que lhe sobrevieram de Jerusalém, e que aparecem sobretudo com o rei Salomão (cf 1 RS 10, 14-23), assim é igualmente pequena ciência - se bem que útil - recolhida nos livros pagãos, em comparação com a ciência contida nas Divinas Escrituras" [...] "Porque tudo o que um homem tenha aprendido de prejudicial alhures, aí está condenado, e tudo o que aprendeu de bom, aí está ensinado. E quando cada um tiver encontrado tudo o que aprendeu de proveitoso em outros livros, descobrirá muito mais abundantemente aí. E o que é mais, o que não aprendeu em nenhuma outra parte, somente encontrará na admirável superioridade e profundidade destas Escrituras". (Santo Agostinho 354 - 430 - A Doutrina Cristã 2, 43, 63.) 

 Portanto, os clássicos são essenciais para a formação do conhecimento racional, da ciência e da virtude. É preciso ler Platão, Aristóteles, Cícero, Ovídio, Homero e tantos outros autores da Filosofia perene e da Literatura Clássica. No entanto, são insuficientes para darem respostas sobre as questões existenciais mais profundas. Daí a necessidade dos textos sagrados, das Escrituras, de infinita sabedoria, para, A PARTIR DAS SEMENTES de verdade e de bem presentes nos clássicos, promoverem a educação integral (formação intelectual, socioemocional, espiritual e moral) da pessoa humana.

sábado, 1 de abril de 2023

ENSINAR MATEMÁTICA COM O TERÇO E ALFABETIZAR AS CRIANÇAS COM A HISTÓRIA DE UMA ALMA

Algumas famílias, com a intenção de preservar os seus filhos do "lixo cultural", de fundo materialista, niilista e relativista, de uma educação ideologizada, fazem a opção por educar as crianças em casa.

Ensinam as ciências, os números e as suas operações com o terço e outros símbolos religiosos. Alfabetizam e fazem o letramento com os textos Sagrados, com a história dos Santos e os textos clássicos, selecionados rigorosamente. "Tabuada católica", análise sintática com as frases dos santos e regras disciplinares autoritárias e absurdas fazem das aulas quase uma catequese.
É verdade que há uma gravíssima crise do processo educacional, no que se refere aos antivalores presentes no ambiente educacional (não podemos generalizar) e na própria crise de qualidade, como o demonstra o avanço do analfabetismo funcional. E é verdade que a família, pelo direito natural, é a primeira educadora, sendo a escola e as demais instituições complementos necessários.
Por outro lado, submeter as crianças a um moralismo proselitista, ao invés de uma moralidade desenvolvida e assimilada por convicções, privar as crianças do convívio e da interação social com os seus pares e as diferenças na escola podem causar enormes prejuízos, socioemocionais, afetivos e até intelectuais. A nossa personalidade, o nosso caráter e toda a nossa cultura é contruída na relação com os outros. Assimilamos valores como o respeito, a solidariedade e a caridade vivenciando-os nas nossas relações sociais diárias. E mais, essa supersacralização pode causar aversão à religião. O Terço não foi feito para ensinar matemática. E ainda tem toda a questão da discussão sobre preparo e recursos para ensinar, sobre as metodologias, pois muitas vezes as crianças até aprendem, mas a partir de métodos massacrantes.
Privar as crianças do conhecimento da diversidade da produção artística e literária (e aqui não se trata de estudar obras que em si mesmas não têm nenhum valor, que têm péssima qualidade e são puras propagandas ideológicas) significa limitar o acesso da pessoa à complexidade da vida (onde convivem o joio e o trigo), à realidade, o que pode fechar os horizontes para a construçao da pessoa na sua integralidade.
O cardeal Ratzinger (depois papa, Bento XVI), na palestra aos bispos italianos, sobre a questão do cristão e a cultura, cita São Basílio, que orientava a necessidade da leitura da literatura pagã, das letras gregas, aproveitando o que nela havia de melhor, a sua grande riqueza artística e até ética e moral, rejeitando o que feria os princípios cristãos. Afirmava que era preciso fazer uma leitura aberta e crítica, com muito discernimento, de tais textos. Aliás, os textos dos santos padres estão repletos de referências aos escritores pagãos. Ratzinger disse ainda que o papel do cristão não é fazer proselitismo, mas deixar a sua marca na cultura, através da vivência dos valores cristãos em todos os ambientes sociais e culturais, aos poucos, nos pequenos detalhes, transformando a cultura por dentro.

NOVOS DADOS SOBRE DEPRESSÃO EM ADOLESCENTES SÃO ASSUSTADORES. E A CULPA É DAS REDES SOCIAIS.

 

Este é o título do artigo de Gabriel Arruda, publicado na Gazeta do Povo, em 10.03.2023. Ele mostra que estudos recentes alertam para a piora da saúde mental entre os adolescentes.
Segundo o CDC, órgão do governo americano, uma espécie de ANVISA, em 2021, 31% das garotas e 21% dos garotos adolescentes pensaram em suicídio.
Pesquisas apontam que adolescentes e jovens que passam horas nas redes sociais têm mais sintomas depressivos, por causa do sono ruim, má imagem corporal , baixa autoestima, intimidação virtual, etc.
O psicólogo Jonathan Haidt, que é professor da Universidade de Nova York, afirma: “As horas que as meninas passavam todos os dias no Instagram eram tiradas de sono, exercícios e tempo com amigos e familiares. O que achamos que aconteceria com elas?”
"A doutora em Psicologia pela UFMG, Carolina Nassau Ribeiro afirma que a percepção dela vai na mesma direção dos estudos científicos recentes: empiricamente, a gente tem visto um aumento nos casos de ansiedade, de autolesão e de tentativa de suicídio"
"Para Carolina, embora impedir totalmente o acesso de adolescentes às redes sociais seja difícil, os pais não podem abrir mão de acompanhar de perto o que os jovens estão fazendo no ambiente virtual. 'Hoje em dia já existem vários aplicativos em que os pais podem acompanhar os adolescentes no uso das redes sociais, na internet e nos jogos. A internet é uma rua virtual. Assim como ele precisa de supervisão no mundo real, ele precisa no mundo virtual', diz".

O CHAT GPT E O ALVOROÇO QUE VEM CAUSANDO NO MUNDO DA TECNOLOGIA.


O CHATGPT (Generative Pretrained Transformer) é uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA), um modelo de linguagem artificial desenvolvido pela OpenAI, que foi disponibilizado para a utilização pública em novembro de 2022. GPT-3 é um modelo de linguagem que conta com 175 bilhões de parâmetros que o permite ter uma comunicação muito próxima da humana.
Ela revoluciona a maneira como lidamos com a tecnologia e causa espanto sobre as perspectivas de futuro neste campo. Em pouco tempo conquistou mais de 100 milhões de usuários e tem gerado muita discussão.
O CHAT GPT tem como base o cruzamento dos trilhões de informações presentes na internet e transforma os questionamentos dos usuários (quaisquer perguntas) em respostas rápidas, inclusive criativas, contextualizadas, diferentes do que ocorre nos sites de buscas, como o de pesquisas do Google. Estas respostas vêm em forma de resumos, textos pequenos ou longos, letras de músicas, poesias, contos, códigos de programação, receitas e assim por diante.
Em outras palavras, o usuário pode conversar com a IA via chat, fazer perguntas sobre quaisquer assuntos, pode, por exemplo, pedir a solução de uma inequação, um texto completo para TCC sobre qualquer tema, solicitar a criação de uma música ou poesia, pode realizar conversas muito mais complexas que as “simples” ferramentas de IA como a ALEXIA. As respostas são dadas segundo as necessidades dos usuários. Outra novidade é que a IA será capaz de criar e recriar dados de programação para o surgimento de problemas complexos que surgirão na sua utilização. O mundo das profissões e do emprego sofrerá uma grande transformação.
Definitivamente, entramos na era da Inteligência Artificial. Em breve, ou agora mesmo, nossos alunos estarão acessando o CHAT GPT, onde obterão respostas para todas as suas perguntas. O nosso desafio será trazer tal tecnologia para o nosso lado, aprimorar as atividades, as práticas pedagógicas, reinventar nossas práticas para forçar o aluno a pensar sobre tais respostas prontas, inserir o debate ético no contexto da artificialização das relações humanas.
Para acessar basta entrar no site chat.openai.com. fazer um cadastro, login e começar a fazer perguntas. Experimente!

sábado, 2 de abril de 2022

 PARA REFLETIR...

Alguns dos SEGREDOS DOS PROFESSORES DE SUCESSO, excelentes, "professores-feras", como dizem os alunos. E por isso admirados (não se trata de questão de likes, mas de dar legitimidade ao que ensina e ter credibilidade):

1- Domínio de conteúdo, repertório cultural, explicação clara, objetiva, dinâmica e interativa. Ensino da verdade, do bem e do belo, da realidade ("Fala com amor, ensina com sabedoria" - Pr 31,26 - Campanha da Fraternidade 2022).
2- Entusiasmo, motivação e envolvimento com os conteúdos e com a arte de ensinar (amor pelo que faz).
3- Postura e tom de voz adequados, "olho no olho", bom exemplo, preocupação com a linguagem verbal e não verbal (gestos, movimentos e palavras), envolvente e equilibrada.
4- Preocupação com a formação integral dos alunos, nos seus aspectos cognitivos, socioemocionais e morais, com os seus interesses, com o seu bem e o seu sucesso ("Os alunos precisam ser amados e saber que são amados" - São João Bosco).
5- Correção com humildade, fraterna, amável, individual, com mansidão, sem raiva, injustiças, sermões, sem deboches e ironias ("Quem quer ser amado ama. E quem é amado tudo alcança, sobretudo dos jovens". São João Bosco).
"Professores brilhantes ensinam para uma profissão. Professores fascinantes ensinam para a vida". Augusto Cury

domingo, 22 de dezembro de 2019

NOSSOS PAIS E AVÓS FORAM "DOUTORES" EM EDUCAÇÃO


Especialistas em educação, estudiosos de diversas áreas e educadores em geral apresentam muitas propostas "inovadoras", radicais, que seriam as soluções para os fracassos da educação e por consequência da falência do ser humano e das relações sociais. Eis algumas delas:
Para o desenvolvimento motor global e fino da criança, o progresso do movimento, o importante é que a criança tenha oportunidades de andar, correr, pular, subir em árvores, segurar objetos diversos e por aí vai ... mas a nossa infância foi exatamente fazendo estas coisas, seja na roça, nos quintais, nas ruas, nas praças e em todo lugar.
A brincadeira é a chave para o desenvolvimento integral da criança (toda criança tem o direito de brincar): constrói a identidade, desenvolve habilidades cognitivas, emocionais, afetivas, sociais e promove a criatividade... mas isso foi o que mais fizemos na infância: brincamos o tempo todo, na maioria das vezes construímos os nossos próprios brinquedos (cultura maker), interagimos com todos e não ficamos trancafiados em apartamentos, cercados de eletrônicos, saturados e entendiados.
Neurocientistas e linguistas afirmam que a melhor forma de desenvolvimento da oralidade, para o posterior progresso da leitura e da escrita e da comunicação é o contar e recontar de histórias, a roda de conversa, as cantigas de roda ... lembram das brincadeiras de roda, das histórias da vovó, quando não havia celular e todos se encontravam ao redor da mesa para jogar e brincar, onde interagiam e os conflitos eram resolvidos por meio do diálogo...?
Pedagogos modernos salientam que a horta e o cuidado de animais é um poderoso recurso pedagógico para a aprendizagem das Ciências da Natureza, além de eficaz terapia para o desenvolvimento da afetividade ... mas, lembrem-se que nossos pais nos colocavam para cuidar da horta, regar as plantas, capinar, jogar milho e ração para as galinhas, mesmo quem morava nas cidades, pois os quintais eram amplos...
É consenso entre educadores, psicólogos e outros especialistas que é preciso dizer não, colocar limites, pois só assim educamos de fato para a empatia, o cumprimento das regras e a boa convivência ... assim fomos educados, nossos pais nos ensinaram "que não é não", "a respeitar os mais velhos", a ceder o lugar, "a pensar nos outros", a valorizar o professor e ser solidários "com quem precisa"... e acima de tudo a reverenciar a Deus.
Há mesmo quem defenda, pediatras inclusive, que é importante tomar banho de chuva, pisar na lama, cair, se machucar, pois assim nos tornamos preparados para os desafios da vida, para superar as quedas e as frustrações ... e quantas vezes chegamos ralados e fomos tratados com remédios que ardiam ... caímos e levantamos, como o que ocorre tantas vezes na nossa história...
Nossos pais e avós tinham razão, com sabedoria e bom senso, com simplicidade, sem a necessidade de tantas especulações e debates teóricos, muitas vezes estéreis, nos ensinaram que educação primeiro se aprende em casa.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A EDUCAÇÃO 4.0 DA ERA DIGITAL, A CULTURA DA INOVAÇÃO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUALIFICADOS PARA UMA ESCOLA NOTA 1000.



Ou a escola se transforma ou ela terá grandes dificuldades para sobreviver às demandas da nova sociedade, às disputas comercias e às concorrências ferozes da guerra mercadológica educacional, pois estática já não atenderá mais às necessidades do exigente mercado de trabalho e da sociedade midiatizada, marcada pelas inovações tecnológicas, pela digitalização e pela globalização. Entenda-se aqui a escola como um todo institucional funcionando nos moldes tradicionais, oriundos das necessidades criadas na época do 1ª Revolução Industrial. E tais mudanças devem ser rápidas e radicais, começando por uma transformação das mentalidades educacionais, desde a gestão de recursos e de pessoas, passando pela coordenação/orientação dos processos pedagógicos e chegando à cultura da inovação, que revolucione na prática os espaços de aprendizagens por excelência, como as salas de aula, bibliotecas, laboratórios, pátios, todo o ambiente escolar e as práticas pedagógicas inerentes a estes espaços.
Uma das afirmações mais repetidas nos congressos, feiras pedagógicas, programas de capacitação e eventos educacionais em geral, no Brasil e no mundo, é que “temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”. Temos escolas e professores brilhantes, inovadores, com práticas excepcionais, mas muitas vezes isolados como ilhas de modernidade. Mas via de regra o que ainda prevalece na realidade são escolas e professores acomodados, temerosos e resistentes às inovações, que não conseguem conectar a educação com o mundo real, alunos desestimulados e desinteressados e famílias indiferentes, onde cada um dos atores joga a culpa dos fracassos sobre os outros, sem fazer uma auto reflexão acerca das suas respectivas responsabilidades.
A revolução técnica científica criou o meio técnico científico informacional e nos últimos anos acelera os processos da 4ª revolução industrial, que impactam na dinamização das atividades econômicas, nas relações sociais e na cultura de um mundo cada vez mais globalizado, integrado e dinâmico. Fala-se o tempo todo de digitalização, de inteligência artificial, robótica e realidades virtuais, que produzem uma mudança de época, na qual estão inseridos os nossos alunos. Aliás, eles não viveram num mundo sem celular, sem internet, sem a comunicação virtual e sequer conseguem vislumbrar esta realidade. Suas experiências dizem respeito às realidades virtuais interativas, dinâmicas e aceleradas. Dizem alguns estudos que até a configuração cerebral e a lógica de pensar já mudou por influência dos impactos da tecnologia. Essa nova geração de jovens cresceu usando intensivamente as tecnologias digitais e se comunica mesclando comunidades virtuais e reais, em rede, de acordo com as suas necessidades. Para eles a escola se tornou uma instituição alheia ao seu mundo, onde as práticas de copiar, ouvir passivamente, reproduzir conhecimentos são consideradas irrelevantes em suas vidas cotidianas, em um paradoxo com as sensações e oportunidades oferecidas pelo universo midiático onde estão inseridos. Mas em geral estão asfixiados por tanta informação e carentes de orientação e referências éticas para lidarem com elas e transformá-las em conhecimentos significativos, úteis para a melhoria da qualidade de suas vidas e para a transformação da realidade do mundo.
Neste cenário é que os especialistas em educação tanto falam que a necessidade de orientar o aluno para o desenvolvimento de novas habilidades é dever de uma escola 4.0. Modelos que se reduzem ao uso de livros didáticos, lousa, ao aluno fazedor de cópias e decorebas (escola 1.0), ao uso de hardware e softwares sem interatividade (2.0) ou o uso de múltiplos recursos, mas com decisões centradas no professor, sem o protagonismo do aluno, não são suficientes. A escola 4.0 prioriza metodologias ativas, ambientes inovadores, cooperativos, a cultura maker (aprender fazendo), a resolução de problemas, a programação, a incorporação das tecnologias ao universo escolar sob a intencionalidade da perspectiva pedagógica, buscando aproximar o aluno da realidade e prepará-lo para dar respostas satisfatórias aos novos desafios propostos.
 Não se trata de demonizar e abandonar as boas práticas da escola tradicional, como a disciplina, o cuidado com a formação de valores e a ênfase nos conteúdos. A própria aula expositiva continua sendo importante, desde que seja bem dada, dialogada e interativa, de forma que prenda a atenção do aluno e seja motivadora para aquisição de conhecimentos. Os conteúdos são fundamentais, extremamente importantes, pois ninguém raciocina e constrói pensamento crítico sobre o nada, sobre o vazio. Mas podem ser construídos a partir de metodologias mais dinâmicas, lúdicas e prazerosas. Assim, as metodologias ativas devem ser complementares dessas práticas mais tradicionais, formando um conjunto misto e harmônico, que colabore para aprendizagens ricas e significativas.
A educação 4.0 é concebida a partir de novos paradigmas. O aluno passa a ser o protagonista e o professor o orientador qualificado para a construção eficaz dos conhecimentos. O aluno assume um papel mais ativo e torna-se o sujeito do seu próprio conhecimento. No entanto, é imprescindível notar que a máquina não vai substituir o professor, pois a interatividade, a mediação e a orientação serão sempre essenciais para os processos de aprendizagens. Sempre aprendemos na interação com o mundo, com as pessoas, que nos transmitem os saberes produzidos ao longo do tempo.  
Neste contexto a qualificação dos profissionais da educação é a condição sine qua nom para que ocorram as mudanças significativas na direção da cultura da inovação. Neste processo a gestão assume o papel de agente principal das mudanças. Urge a necessidade de uma gestão motivadora da equipe, que deve criar na escola um ambiente de formação continuada, através de reuniões e apoio ao estudo e à formação. Cabe também ao gestor atender com qualidade a clientela, aplicar racionalmente os recursos, priorizando a questão da qualidade dos processos pedagógicos, bem como acompanhar o andamento das práticas educacionais, tudo sob a perspectiva da gestão democrática, onde todos são envolvidos e participam ativamente das decisões. A Escola de hoje requer um professor mais crítico, criativo, que participe e que empreenda, que tenha mais dinamismo em lidar com as situações imprevisíveis e solucionar problemas. Nesse sentido, é que a escola deve se tornar o lócus formativo, onde se possam compartilhar experiências, socializar reflexões, fazer um trabalho colaborativo e produzir conhecimentos efetivos. Para isso os professores terão de se encontrar muito e interagir qualitativamente.
Essa cultura da inovação é contemplada na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que foi homologada e tem caráter normativo, força de lei. Ela deverá reorientar obrigatoriamente todos os currículos a partir de 2020. Nas suas 10 competências gerais, a base evidencia a necessidade da construção e valorização do conhecimento a partir da investigação, experimentação, argumentação e comunicação, da fruição e (re) elaboração de repertório cultural, centrados no protagonismo do aluno como sujeito da construção do seu próprio saber. Também é competência geral da BNCC a cultura digital, que diz: “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”. Assim, o aluno deverá ser capaz de usar as ferramentas digitais para resolver problemas, criar e apresentar produtos digitais, como páginas da web, vídeos, aplicativos, usar linguagens de programação, dominar algoritmos, entender os impactos da tecnologia na sociedade e fazer uso ético dos diversos recursos tecnológicos.
Outra demanda da nova sociedade presente na BNCC é que a escola deverá ensinar as competências e as habilidades socioemocionais. Os impactos dos avanços tecnológicos serão cada vez mais avassaladores sobre as atividades econômicas, sociais e culturais, transformando a maneira como trabalhamos e a maneira como vivemos. Segundo pesquisas do Fórum Econômico Mundial 65% dos jovens que estão começando o ensino fundamental trabalharão, daqui há 15 ou 20 anos, em profissões que hoje nem existem e terão que lidar com frustrações, ter grande capacidade de adaptação, de reinvenção e, portanto, de regulação emocional. Segundo os especialistas a escola deverá desenvolver competências socioemocionais como a autoconfiança, a empatia, o julgamento para a tomada de decisões, a liderança, a resiliência, enfim, as habilidades de autoconhecimento, de comunicação, de relacionamentos e a consciência social.
Diante de toda essa complexidade das relações sociais impactadas pela tecnologia, das novas contribuições da neurociência sobre como o cérebro aprende à escola caberá o papel de se transformar, racionalizar e modernizar os seus diversos espaços de conhecimento, personalizar o seu atendimento educacional, aplicar as metodologias ativas como a sala da aula invertida, o ensino híbrido e tantas outras, além de priorizar a criação e resolução de problemas, sem que o professor ofereça as respostas prontas, incorporar as tecnologias nos currículos, inclusive o tão polêmico uso do celular na sala de aula. As aulas deverão ser mais dinâmicas, lúdicas, prazerosas, onde os alunos poderão fazer experimentações, debates, dialogar, aprendendo através da interatividade e cooperação. A escola 4.0 deverá oferecer atividades extracurriculares como o xadrez, aulas de música, práticas esportivas, além da promoção de eventos culturais que aproximem a comunidade e reforcem a parceria entre a família e a escola. Tudo isso é uma questão de sobrevivência da escola e deverá acontecer dentro do padrão dos valores e da identidade da escola e da comunidade por ela atendida, conciliando a inovação cultural com as tradições de sucesso da instituição. É assim que se forma para a vida.
José Antônio de Faria

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Considerações críticas sobre a 3ª versão da BNCC (Base Nacional Comum Curricular)


PALESTRA NO ENCONTRO DE DIRETORES E COORDENADORES DAS ESCOLAS DA ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA (05-08-17)

O objetivo desta palestra é fazer algumas reflexões e considerações críticas sobre a 3ª versão da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a ser homologada pelo CNE (Conselho Nacional de Educação) neste ano de 2017. É necessário compreender os seus princípios norteadores e o seu papel no futuro da educação brasileira. Instituições por todo o país promovem congressos, seminários e debates sobre a Base e muitos ressaltam os seus pontos positivos e os avanços que ela trará na educação. A centralidade da formação cidadã, pautada no respeito ao outro, na tolerância, na solidariedade, na inclusão e em outros diversos valores sociais são exemplos de aspectos bastante positivos. No entanto, diversos autores têm visto nela uma centralização ilegal da educação pelo Estado, uma concepção materialista do ser humano, reducionista, que desconsidera a espiritualidade como parte essencial da natureza humana, além da permanência da ideologia de gênero perpassando quase todo o texto e do enfoque multiculturalista relativista da educação. Estes elementos provocarão, mais do que mudanças, uma verdadeira revolução educacional e por consequência sociocultural no Brasil.
A 1ª versão da BNCC foi elaborada por 116 especialistas e serviu de base para a elaboração das outras duas versões, referendadas por uma consulta pública (12 milhões de contribuições, sistematizadas por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). A BNCC determina diretrizes, conteúdos (60%) e competências (conhecimento mobilizado, operado e aplicado nas situações reais) a serem praticadas no sistema educacional brasileiro. As políticas públicas de educação, as avaliações externas, como a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), os currículos, os projetos educacionais e toda as práticas pedagógicas realizadas nas escolas serão adequadas, moldadas pela Base.
E mesmo que a BNCC justifique um embasamento legal fundado na Constituição de 1988 e na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996), alguns autores chamam a atenção para os seus aspectos centralizadores ilegais. Dizem que a criação de um sistema único de educação contraria a Constituição de 1988 (artigo 205 e 210) e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1966, artigo 15), que consideram além do Estado e da escola, a família como educadora. E a nova versão da Base não é apenas constituída de diretrizes e bases, mas de um detalhamento gigantesco de conteúdos e competências definidos por um sistema único de educação, que de certa forma anula o papel da família e a própria autonomia pedagógica das escolas. Bem de acordo com um certo viés ideológico que defende o protagonismo do Estado na educação e que considera a família como conservadora e a sua formação incompleta, muitas vezes preconceituosa e retrógrada para os padrões culturais da pós-modernidade. É o Estado sequestrando nossas crianças, nossas mentes e corações.
O padre José Eduardo, doutor em Teologia Moral pela Università dela Santa Croce, em Roma, em entrevista à agência de comunicação Zenit (2016), traça um histórico da legislação brasileira mostrando a tendência contrária à criação de um “sistema único” (expressão do professor Jamil Cury, amigo do professor Demerval Saviani, numa conferência do CONAE em 2010), de educação e os seus propósitos revolucionários. Demonstra que a centralização produzirá uma ideologização da educação, cuja meta, travestida de formação para a cidadania, passa a ser a criação de uma nova sociedade, pautada nos princípios do pragmatismo, do materialismo, do desconstrucionismo e do relativismo. 
A BNCC, na introdução, define como objetivo central da educação a formação integral da pessoa, a sua formação para a cidadania e a construção de uma sociedade democrática. E para ela a formação integral, global do homem, deve considerar a perspectiva cognitiva, emotiva, estética, física e sociocultural. Mas, afinal, qual é a concepção de homem considerada pelos seus autores? É uma visão materialista, pois desconsidera o transcendental, a espiritualidade como aspecto fundamental da essência do ser homem. Tanto que o ensino religioso, como oferta obrigatória pelas instituições de ensino e opcional ao aluno foi retirado da Base e todas as competências focam nas dimensões materiais da vida humana, desconsiderando a transcendentalidade da vida.
 A Igreja Católica, perita em humanidade, com experiência de dois mil anos de história no processo de evangelização e de educação, aliás, a grande fomentadora da educação, fundadora de escolas e universidades e organizadora de sistemas de ensino que vigoraram por séculos, concebe o homem como criatura de Deus, composto de corpo e de uma alma espiritual e imortal, possuidor de um destino eterno e de uma natureza decaída pelo pecado. E a partir desta concepção a Igreja tem ideias e propostas claras sobre a educação. Defende o princípio de subsidiariedade, que a família é a primeira educadora e a escola e o Estado são apenas colaboradores complementares desta nobre missão. Entende que a formação global da pessoa não se reduz aos aspectos materiais da vida humana, como a formação para o mercado de trabalho, mas a educação que considera essencialmente três aspectos fundamentais da natureza humana: a racionalidade, a emotividade e a espiritualidade.
Assim, afirma que é preciso dar uma formação cognitiva que satisfaça o motivo para o qual existe a inteligência, o conhecimento da verdade. O educando tem que aprender a pensar, não ser “adestrado” como um mero repetidor de conhecimentos, doutrinado por quaisquer ideologias. E a verdadeira educação deve contemplar também a dimensão espiritual do homem, que é inerente à sua natureza e transcende a vida material. É preciso educar para a Fé, ensinar as crianças a fazerem experiências de Fé, a terem contato com as verdades espirituais iluminadas pelo Espírito Divino, a compreenderem a importância da Religião para a construção de uma sociedade ética, pautada na prática das virtudes, cimento da paz social. Acreditar numa educação laicista, que não reconhece Deus e nem a dimensão espiritual do homem e na construção uma sociedade alicerçada apenas em valores derivados de convenções humanas e do consenso universal é uma utopia. Exatamente como afirmou Ivan Karamazov, do romance Os irmãos Karamazov, do grande Fiódor Dostoiévski (1821-1881), que se Deus não existe, tudo é permitido.
Outro princípio norteador da BNCC é a questão do pluralismo, do multiculturalismo, centrados na aceitação, defesa e valorização da diversidade, aliás, palavra insistentemente repetida (111 vezes) no texto da Base. Assim, as convivências humanas devem ser regidas pelo diálogo e pela valorização das diferenças. Não existe cultura superior, mais avançada, mas apenas a diferença, o outro, que deve ser aceito, reconhecido, acolhido e amado.
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de origem, etnia, gênero, idade, habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de qualquer outra natureza, reconhecendo-se como parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer. (BNCC p.19)
É o triunfo do subjetivismo, da “ditadura do relativismo”, como diz Bento XVI. Tudo fica reduzido à problematizações, desnaturalização segundo o conceito de Foucault (1926-1984), ao império da dúvida, da incerteza e sujeito às interpretações, às experiências vivenciadas pelos sujeitos nas diversas culturas, mesmo aquelas detentoras de barbaridades como as mutilações genitais de mulheres na África, as apologias da violência nas letras de Funk e o uso indiscriminado de drogas nas festas Rave, entendidas como formas genuínas de expressividade cultural e algumas delas muitas vezes até elogiadas como a expressão da contracultura, da voz das minorias oprimidas pelo conjunto sistemático da moralidade ocidental burguesa.
É evidente que o diálogo, a aceitação e o amor são valores importantes para a convivência fraterna, porém sem os limites da verdade, do bem e sem os princípios éticos derivados da Lei Natural e dos mandamentos divinos não haverá relações humanas saudáveis e nem paz social.  
Outro elemento polêmico da 3ª versão é a permanência da ideologia de gênero, como demonstra o brilhante estudo de Orley José da Silva (UFG), mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás e Viviane Petinelli, doutora em Ciência Política (UFMG/Harvard) no texto “A 3ª versão da BNCC: análise e constatações (Nota Técnica)”.
Orley e Viviane destacam que por causa das pressões da frente parlamentar católica e evangélica houve vitórias políticas simbólicas contra a ideologia de gênero. Os conceitos de “identidade de gênero” e “orientação sexual” foram retirados do texto da Base. Porém a ideologia de gênero, por meio de estratégias linguísticas, de discursos pretensamente científicos, expressa por palavras carregadas de significados de identidade pessoal, em períodos bem construídos, de forma camuflada e sutil, perpassa de forma diluída todo o texto.
A pedagoga Priscila Pereira Boy, no seu artigo Discussões sobre a Ideologia de Gênero, para o  Educare (Jornal da Pastoral da Educação da Administração Apostólica, ano 1, nº 3) diz:
“A Ideologia de Gênero, ou melhor dizendo, a Ideologia da Ausência de Sexo, é uma crença segundo a qual os seres humanos nascem ‘iguais’, sendo a definição do ‘masculino’ e do ‘feminino’ uma construção social, ou seja, comportamentos aprendidos. Despreza-se a determinação biológica do sexo, para conceber a ideia de que ninguém nasce homem ou mulher, aprende-se a sê-lo na criação que se recebe, nos costumes e papéis que a sociedade diz que você deve desempenhar”.

Segundo Orley e Viviane a ideologia de gênero visa desconstruir a heteronormatividade (normalidade de ser homem e ser mulher), com um discurso de condenação da família patriarcal, sob o pretexto de acabar com o preconceito, a discriminação e a exclusão. E os seus ideólogos defendem a problematização da família tradicional, a desconstrução na cabeça das crianças da família natural, do casamento, do modelo hegemônico de família, e de toda a moral religiosa que constituem o fundamento judaico-cristão da nossa sociedade.

Autores como o Dr. Jorge Scala, no seu livro Ideologia de Gênero: O Neototalitarismo e a Morte da Família (2011), diversos cardeais e bispos, como por exemplo, Dom Orani Tempesta e dom Fernando Rifan, os padres José Eduardo e Paulo Ricardo e tantos outros, em inúmeros artigos e textos disponíveis na internet denunciam a ideologia de gênero como artífice da destruição da moralidade, dos valores cristãos, da família, do casamento e do próprio sujeito em sua natureza. O papa emérito Bento XVI afirmou que a ideologia de gênero é um pecado contra o Deus Criador e o Papa Francisco disse: “Muitos problemas escondem ideologias. São verdadeiras colonizações ideológicas presentes na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina, na África, na Ásia. “E uma delas – digo-a claramente por ‘nome e apelido’ – é o gênero”! Hoje, às crianças – às crianças! –, nas escolas, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo” e acrescentou: “é terrível” (discurso na Polônia- 2017).
À guisa de conclusão eis algumas citações da 3ª versão da BNCC feitas por Orley e Viviane, que comprovam o seu perfil multiculturalista, relativista, desconstrucionista da heterenormatividade, da família, do casamento e dos valores da civilização cristã ocidental (Vale destacar que esta versão é para a Educação Infantil e Fundamental – temática para ser trabalhada com crianças e adolescentes e o pior, a critério da “criatividade” dos educadores):

(EF01HI07) Identificar mudanças e permanências nas formas de organização familiar, de modo a reconhecer as diversas configurações de família, acolhendo-as e respeitando-as (BNCC, p. 357).

Ao articular os aspectos sensíveis, epistemológicos e formais do movimento  dançado ao seu próprio contexto, alunos problematizam e transformam percepções acerca do corpo e da dança, por meio de arranjos que permitem novas visões de si e do mundo. Eles têm, assim, a oportunidade de repensar dualidades e binômios (corpo versus mente, popular versus erudito, teoria versus prática), em favor de um conjunto híbrido e dinâmico de práticas. [BNCC, p. 153]

(EF15AR12) Discutir as experiências corporais pessoais e coletivas desenvolvidas em aula, de modo a problematizar questões de gênero e corpo. [BNCC, p. 153].

(EF08CI11) Selecionar argumentos que evidenciem as múltiplas dimensões da sexualidade humana (biológica, sociocultural, afetiva e ética) e a necessidade de respeitar, valorizar e acolher a diversidade de indivíduos, sem preconceitos baseados nas diferenças de gênero. [BNCC, p. 301]

(EF09HI27) Avaliar as dinâmicas populacionais e as construções de identidades étnico-raciais e de gênero na história recente (BNCC, p. 381).

(EF09HI07) Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões de gênero no Brasil durante o século XX e compreender o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema (BNCC, p. 379).  

(EF69AR15) Refletir sobre as experiências corporais pessoais e coletivas desenvolvidas em aula ou vivenciadas em outros contextos, de modo a problematizar questões de gênero, corpo e sexualidade (BNCC, p. 165). 

Na Educação Infantil, o corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é o partícipe privilegiado das práticas pedagógicas de cuidado físico, orientadas para a emancipação e a liberdade, e não para a submissão. (BNCC, p. 37).                                                                
                                                                                                    
                                                                  JOSÉ ANTÔNIO DE FARIA

                                                                   Professor Pós Graduado em História

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Consultores iluminados


Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 15 de julho de 2013 
          

Pelo seu currículo de cientista político membro de não sei quantas associações e outras tantas comissões, o sr. Alberto Carlos Almeida é um típico representante da classe de consultores iluminados a que as nossas elites políticas e empresariais concedem atenção reverente e sólida remuneração. Tão típico que, em entrevista ao programa Marília Gabriela, ele mostrou mais uma vez que o exercício de tão altas funções, neste país, independe de qualquer domínio das matérias sobre as quais se opina.
 
Não digo que todos os seus pareceres sobre o que quer que seja ilustrem esse fenômeno. Não li, por exemplo, o seu livro A Cabeça do Brasileiro, que juram que é bom, coisa em que vou continuar acreditando sob palavra até que um exemplar dessa obra me caia nas mãos e mostre se ela é, ou não, capaz de se defender sem apoio externo.
 
Mas, quando um cidadão investido de autoridade científica, consultado em público nessa qualidade, emite sobre matéria grave uma opinião que ameaça lançar o descrédito sobre uma instituição milenar e todas as pessoas que a representam, espera-se que o faça, pelo menos, com algum senso de responsabilidade e conhecimento de causa. Se ele falha a esse dever elementar em circunstância tão exigente, não é demasiado supor que o fará mais ainda em assuntos de menor consequência, como, por exemplo, "a cabeça do brasileiro".
 
P erguntado pela entrevistadora sobre quais as causas do atraso brasileiro, e em especial do desprezo do nosso povo pela educação, o distinto não hesitou em lançar todas as culpas sobre um único suspeito: a Igreja Católica. E fez isso não no tom de quem arriscasse um palpite informal, mas de quem transmitisse a plateia uma certeza científica bem provada.
 
Sua tese, em resumidas contas, foi esta: a Igreja Católica, ao longo da História europeia, e também nas Américas desde a descoberta, só se ocupou da educação da elite, da aristocracia, deixando o povo na ignorância. Foi a Reforma protestante que inaugurou a educação popular, datando daí o progresso com que as nações assim beneficiadas sobrepujaram as suas concorrentes católicas. No Brasil em especial, os grandes malvados foram os jesuítas, que apenas  davam instrução às elites e nada para o povo.
 
O  sr. Almeida, com toda a evidência, jamais leu uma história da educação. Então eis aqui algumas coisinhas que ele teria a obrigação de saber para poder opinar a respeito:
1. Ao longo de toda a História medieval, a Igreja não educou aristocracia nenhuma. Os nobres, os barões, consideravam que só a guerra era atividade à sua altura, o estudo sendo bom apenas para as mulheres, os futuros padres e alguns empregados subalternos.
 
2. Desde o começo da Idade Média até épocas bastante avançadas para dentro da modernidade, as escolas elementares fundadas pela Igreja funcionavam ou nas catedrais, ou nos templos paroquiais, ou nos monastérios. O sr. Almeida acredita realmente que os nobres, abandonando seus palácios, iam frequentá-las, submetendo-se ao vexame de nivelar-se aos padrecos e escreventes?
 
3. Quanto às universidades, elas não formavam os nobres e sim médicos, advogados, professores, funcionários: eram uma via de ascensão social para quem vinha de baixo. A aristocracia reinante só passou a se interessar por elas quando se tornaram centros de uma influência política independente. Começou então, entre os governos monárquicos e a Igreja, a disputa pelo domínio sobre a massa universitária. Como a Igreja levou a melhor, o que se seguiu foi um dos fenômenos mais característicos da modernidade: a criação de uma nova  intelectualidade composta quase que inteiramente de nobres, alheia e não raro hostil às universidades. Os nomes de Descartes, Bacon, Montaigne e Newton representam-na exemplarmente, assim como a criação da Royal Society. A história real é exatamente inversa à história imaginária do sr. Almeida.
 
4.  Em meados do século 18, decorridos nada menos do que dois séculos da Reforma protestante, a França católica ainda era o país mais próspero e culto da Europa, enquanto a Alemanha, berço de Lutero, jazia no atraso econômico e cultural mais abjeto, ao ponto de que o alemão não tinha sequer se consolidado como língua de alta cultura (os intelectuais escreviam em francês ou latim). Ainda em meados do século 19, foi em Paris que pela primeira vez um governante alemão, Otto von Bismarck, percebeu que era importante para cada nação ter uma classe média educada, modelo que ele então procurou implantar no seu país, apenas com signo religioso invertido, perseguindo os católicos e fomentando a educação protestante.
 
5.  Porém, o mais bonito na entrevista foi o que o sr. Almeida disse dos jesuítas. Quem quer que tenha estudado um pouquinho a história deles sabe que seu principal esforço foi educar índios, que estavam no fundo do poço social. Nas Missões, os nativos brasileiros receberam educação muito superior àquela de que dispunha, nas capitais, uma classe alta notabilizada pela mais acachapante indolência intelectual e que, quando desejava educar seus filhos, os enviava à Europa e não aos jesuítas.
 
6.  Desde a Independência até o advento da República, a Igreja esteve proibida de abrir escolas, de modo que a população urbana em expansão se viu cada vez mais privada de uma instrução comparável, pelo menos, àquela que os índios haviam recebido nas Missões. A incultura popular no Brasil não resultou da educação católica, mas do estrangulamento dela ao longo de quase um século.
 
O sr. Almeida jura que o problema do Brasil é a educação. É sim. A começar pela dele próprio. E pela dos consultores iluminados em geral.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Revolução cultural para baixinhos


Vivemos em uma época em que a nova moda é desconstruir os velhos contos e reescrevê-los, esvaziando-os totalmente dos ensinamentos morais e espirituais que auxiliavam no desenvolvimento, manutenção e fortalecimento das virtudes características da cultura judaico-cristã.
Super Why

Iludem-se aqueles que imaginam que as cartilhas e livros governamentais são os únicos materiais nocivos dos quais nossas crianças precisam ser protegidas. Sim, neles há toda sorte de erros, de concepções ideológicas travestidas de "fatos", estímulos às drogas, ao desenvolvimento prematuro da sexualidade, entre outras coisas. No entanto, nossos adversários são bem mais espertos do que isso e seus braços são bem mais longos também.
Não raras vezes vejo pais e mães comemorando o interesse dos filhos em livrinhos infantis. Dizem, aliviados, que os filhos gostam de ler, que pegaram gosto pela coisa, que serão estudiosos e por aí vai. O problema é que poucas vezes os pais têm o mesmo entusiasmo para averiguar o tipo de conteúdo presente nos livrinhos e a respectiva mensagem que eles transmitem. Tal imprudência é mais ou menos o mesmo que deixar a criança entregue à TV, alegando que, afinal de contas, trata-se de um inofensivo canal de TV a cabo infantil.
Os engenheiros sociais sabem que juntamente com a influência dos pais (cada vez menor, dado o esfacelamento das famílias e as altíssimas cargas horárias de atividades que as crianças cumprem, hoje em dia, fora do cuidado e da supervisão familiar), a influência exercida sobre o imaginário infantil através das histórias, desenhos, fábulas e até músicas será decisiva para a construção do tipo de "cidadão" desejável. Não por acaso vivemos em uma época em que a nova moda é desconstruir os velhos contos e reescrevê-los, esvaziando-os totalmente dos ensinamentos morais e espirituais que auxiliavam no desenvolvimento, manutenção e fortalecimento das virtudes características da cultura judaico-cristã. 

Como exemplos concretos daquilo a que me refiro, citarei apenas dois casos, dos mais óbvios dentre muitos outros e mais sutis:
Super Why é um desenho exibido no Discovey Kids Brasil, um canal de TV a cabo voltado para o público da primeira infância, desde bebês até crianças por volta dos seis anos de idade. Sob o pretexto de ensinar novas palavras às crianças, expandindo seu vocabulário, o Super Why reescreve os contos clássicos, tais como "O lobo mau" e "João e o pé de feijão", alterando-lhes por completo o sentido. No episódio, por exemplo, do lobo mau, que é a representação alegórica do pedófilo, é transformado na raposa legal, de modo que todo o desenrolar da trama original é adulterado, e, portanto, a moral da história, que pretendia alertar as meninas para os perigos das conversas com homens desconhecidos, é perdida. 
The night dad went to jail
Lançado em 2011, nos EUA, o livrinho acima, cuja tradução do título poderia ser "A noite em que papai foi para prisão", faz parte de uma série chamada Life's Challenges, da CapstoneComo vocês podem imaginar, a proposta do livro é bastante explícita em sua intenção de ajudar as crianças a lidar com problemas reais e cada vez mais comuns nas famílias (se você não se chocou com o que acabei de escrever, por favor, faça soar o alarme). A obra, bem como a série da qual faz parte, não receberam, até onde pude averiguar, tradução para a língua portuguesa, mas se não o receberam, certamente apontam para uma nova tendência e para um novo nicho do mercado editorial infantil. Já pensaram no quão úteis podem ser historinhas como "O dia em que mamãe virou prostituta", "Quando meu irmão tornou-se um dependente químico" e coisas semelhantes?
Em outras palavras, não basta apenas que as crianças adquiram o hábito da leitura ou assistam a programações pretensamente selecionadas de acordo com a idade em que estão. Não. É preciso que adquiram o hábito da leitura lendo boas obras, preferencialmente mais antigas e clássicas, as quais ainda transmitem a riqueza do patrimônio imaginativo e cultural sobre o qual se assenta o Ocidente. Investindo em obras desse tipo, que geralmente encontram-se disponíveis em sebos a preços bem mais em conta do que os últimos lançamentos editoriais, bem como investindo em brinquedos e jogos que realmente estimulem a imaginação e a participação das crianças, não haverá tanto tempo nem tanto desejo de programas de TV. Além disso, é preciso que tenhamos sempre claro que, assim como a qualidade daquilo que comemos afetará nossa saúde física, assim também a qualidade daquilo que lemos, assistimos e ouvimos repercutirá sobre nossa saúde psíquica, moral e espiritual. Os engenheiros socias sabem muito bem disso. Mas e nós, pais e mães brasileiros?

Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia. Edita o blog Encontrando Alegria

domingo, 14 de julho de 2013

Método Paulo Freire, ou Método Laubach?


Por David Gueiros Vieira*
O Método Laubach de alfabetização de adultos foi criado pelo missionário protestante norte-americano Frank Charles Laubach (1884-1970). Desenvolvido por Laubach nas Filipinas, em 1915, subseqüentemente foi utilizado com grande sucesso em toda a Ásia e em várias partes da América Latina, durante quase todo o século XX.
Em 1915, Frank Laubach fora enviado por uma missão religiosa à ilha de Mindanao, nas Filipinas, então sob o domínio norte-americano, desde o final da guerra EUA/Espanha. A dominação espanhola deixara à população filipina uma herança de analfabetismo total, bem como de ódio aos estrangeiros.

A população moura filipina era analfabeta, exceto os sacerdotes islamitas, que sabiam ler árabe e podiam ler o Alcorão. A língua maranao (falada pelos mouros) nunca fora escrita. Laubach enfrentava, nessa sua missão, um problema duplo: como criar uma língua escrita, e como ensinar essa escrita aos filipinos, para que esses pudessem ler a Bíblia. A existência de 17 dialetos distintos, naquele arquipélago, dificultava ainda mais a tarefa em meta.
Com o auxílio de um educador filipino, Donato Gália, Laubach adaptou o alfabeto inglês ao dialeto mouro. Em seguida adaptou um antigo método de ensino norte-americano, de reconhecimento das palavras escritas por meio de retratos de objetos familiares do dia-a-dia da vida do aluno, para ensinar a leitura da nova língua escrita. A letra inicial do nome do objeto recebia uma ênfase especial, de modo que aluno passava a reconhecê-la em outras situações, passando então a juntar as letras e a formar palavras.
Utilizando essa metodologia, Laubach trabalhou por 30 anos nas Filipinas e em todo o sul da Ásia. Conseguiu alfabetizar 60% da população filipina, utilizando essa mesma metodologia. Nas Filipinas, e em toda a Ásia, um grupo de educadores, comandado pelo próprio Laubach, criou grafias para 225 línguas, até então não escritas. A leitura dessas línguas era lecionada pelo método de aprendizagem acima descrito. Nesse período de tempo, esse mesmo trabalho foi levado do sul da Ásia para a China, Egito, Síria, Turquia, África e até mesmo União Soviética. Maiores detalhes da vida e trabalho de Laubach podem ser lidos na Internet, no site Frank Laubach.
Na América Latina, o método Laubach foi primeiro introduzido no período da 2ª Guerra Mundial, quando o criador do mesmo se viu proibido de retornar à Ásia, por causa da guerra no Pacífico. No Brasil, este foi introduzido pelo próprio Laubach, em 1943, a pedido do governo brasileiro. Naquele ano, esse educador veio ao Brasil a fim de explicar sua metodologia, como já fizera em vários outros países latino-americanos.
"As cartilhas de Laubach foram copiadas pelos marxistas em Pernambuco, dando ênfase à luta de classes. O autor dessas outras cartilhas era Paulo Freire, que emprestou seu nome à "nova metodologia" como se a ela fosse de sua autoria"
Lembro-me bem dessa visita, pois, ainda que fosse muito jovem, cursando o terceiro ano Ginasial, todos nós estudantes sabíamos que o analfabetismo no Brasil ainda beirava a casa dos 76% - o que muito nos envergonhava - e que este era o maior empecilho ao desenvolvimento do país.
A visita de Laubach a Pernambuco causou grande repercussão nos meios estudantis. Ele ministrou inúmeras palestras nas escolas e faculdades — não havia ainda uma universidade em Pernambuco — e conduziu debates no Teatro Santa Isabel. Refiro-me apenas a Pernambuco e ao Recife, pois meus conhecimentos dos eventos naquela época não iam muito além do local onde residia.
Houve também farta distribuição de cartilhas do Método Laubach, em espanhol, pois a versão portuguesa ainda não estava pronta. Nessa época, a revistaSeleções do Readers Digestpublicou um artigo sobre Laubach e seu método — muito lido e comentado por todos os brasileiros de então, que, em virtude da guerra, tinham aquela revista como único contato literário com o mundo exterior.
Naquele ano, de 1943, o Sr. Paulo Freire já era diretor do Sesi, de Pernambuco — assim ele afirma em sua autobiografia — encarregado dos programas de educação daquela entidade. No entanto, nessa mesma autobiografia, ele jamais confessa ter tomado conhecimento da visita do educador Laubach a Pernambuco. Ora, ignorar tal visita seria uma impossibilidade, considerando-se o tratamento VIP que fora dado àquele educador norte-americano, pelas autoridades brasileiras, bem como pela imprensa e pelo rádio, não havendo ainda televisão. Concomitante e subitamente, começaram a aparecer em Pernambuco cartilhas semelhantes às de Laubach, porém com teor filosófico totalmente diferente. As de Laubach, de cunho cristão, davam ênfase à cidadania, à paz social, à ética pessoal, ao cristianismo e à existência de Deus. As novas cartilhas, utilizando idêntica metodologia, davam ênfase à luta de classes, à propaganda da teoria marxista, ao ateísmo e a conscientização das massas à sua "condição de oprimidas". O autor dessas outras cartilhas era o genial Sr. Paulo Freire, diretor do Sesi, que emprestou seu nome à essa "nova metodologia" — da utilização de retratos e palavras na alfabetização de adultos — como se a mesma fosse da sua autoria.
Tais cartilhas foram de imediato adotadas pelo movimento estudantil marxista, para a promulgação da revolução entre as massas analfabetas. A artimanha do Sr. Paulo Freire "pegou", e esse método é hoje chamado Método Paulo Freire, tendo o mesmo sido apadrinhado por toda a esquerda, nacional e internacional, inclusive pela ONU.
No entanto, o método Laubach — o autêntico — fora de início utilizado com grande sucesso em Pernambuco, na alfabetização de 30.000 pessoas da favela chamada "Brasília Teimosa", bem como em outras favelas do Recife, em um programa educacional conduzido pelo Colégio Presbiteriano Agnes Erskine, daquela cidade. Os professores eram todos voluntários. Essa foi a famosa Cruzada ABC, que empolgou muita gente, não apenas nas favelas, mas também na cidade do Recife, e em todo o Estado. Esse esforço educacional é descrito em seus menores detalhes por Jules Spach, no seu recente livro, intitulado,Todos os Caminhos Conduzem ao Lar(2000).
"A 'bolsa-escola' de Cristovam Buarque não é novidade. Foi adotada há décadas por discípulos de Laubach e criticada pela esquerda na época. A bolsa-escola já era defendida por Antônio Almeida, um educador do século XIX.
O Método Laubach foi também introduzido em Cuba, em 1960, em uma escola normal em Bágamos. Essa escola pretendia preparar professores para a alfabetização de adultos. No entanto, logo que Fidel Castro assumiu o controle total do poder em Cuba, naquele mesmo ano, todas as escolas foram nacionalizadas, inclusive a escola normal de Bágamos. Seus professores foram acusados de "subversão", e tiveram de fugir, indo refugiar-se em Costa Rica, onde continuaram seu trabalho, na propagação do Método Laubach, criando então um programa de alfabetização de adultos, chamado Alfalit.
A organização Alfalit foi introduzida no Brasil, e reconhecida pelo governo brasileiro como programa válido de alfabetização de adultos. Encontra-se hoje na maioria dos Estados: Santa Catarina (1994), Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Sergipe, São Paulo, Paraná, Paraíba e Rondônia (1997); Maranhão, Pará, Piauí e Roraima (1998); Pernambuco e Bahia (1999).
A oposição ao Método Laubach ocorreu desde a introdução do mesmo, em Pernambuco, no final da década de 1950. Houve tremenda oposição da esquerda ao mencionado programa da Cruzada ABC, em Pernambuco, especialmente porque o mesmo não conduzia à luta de classes, como ocorria nas cartilhas plagiadas do Sr. Paulo Freire. Mais ainda, dizia-se que o programa ABC estava "cooptando" o povo, comprando seu apoio com comida, e que era apenas mais um programa "imperialista", que tinha em meta unicamente "dominar o povo brasileiro".
Como a fome era muito grande na Brasília Teimosa, os dirigentes da Cruzada ABC, como maneira de atrair um maior número de alunos para o mesmo, se propuseram criar uma espécie de "bolsa-escola" de mantimentos. Era uma cesta básica, doada a todos aqueles que se mantivessem na escola, sem nenhuma falta durante todo o mês. Essa bolsa-escola tornou-se famosa no Recife, e muitos tentavam se candidatar a ela, sem serem analfabetos ou mesmo pertencentes à comunidade da Brasília Teimosa. Bolsa-escola fora algo proposto desde os dias do Império, conforme pode-se conferir no livro de um educador do século XIX, Antônio Almeida, intituladoO Ensino Público, reeditado em 2003 pelo Senado Federal, com uma introdução escrita por este Autor.
No entanto, a idéia da bolsa-escola foi ressuscitada pelo senhor Cristovam Buarque, quando governador de Brasília. Este senhor, que é pernambucano, fora estudante no Recife nos dias da Cruzada ABC, tão atacada pelos seus correligionários de esquerda. Para a esquerda recifense, doar bolsa-escola de mantimentos era equivalente a "cooptar" o povo. Em Brasília, como "idéia genial do Sr. Cristovam Buarque", esta é hoje abençoada pela Unesco, espalhada por todo o mundo e não deixa de ser o conceito por trás do programa Fome Zero, do ilustre Presidente Lula.
O sucesso da campanha ABC — que incluía o Método Laubach e a bolsa-escola — foi extraordinário, sendo mais tarde encampado pelo governo militar, sob o nome de Mobral. Sua filosofia, no entanto, foi modificada pelos militares: os professores eram pagos e não mais voluntários, e a bolsa-escola de alimentos não mais adotada. Este novo programa, por razões óbvias, não foi tão bem-sucedido quanto a antiga Cruzada ABC, que utilizava o Método Laubach.
A maior acusação à Cruzada ABC, que se ouvia da parte da esquerda pernambucana, era que o Método Laubach era "amigo da ignorância" — ou seja, não estava ligado à teoria marxista, falhavam em esclarecer seus detratores — e que conduzia a "um analfabetismo maior", ou seja, ignorava a promoção da luta de classes, e defendia a harmonia social. Recentemente, foi-me relatado que o auxílio doado pelo MEC a pelo menos um programa de alfabetização no Rio de Janeiro — que utiliza o Método Laubach, em vez do chamado "Método Paulo Freire" — foi cortado, sob a mesma alegação: que o Método Laubach estaria "produzindo o analfabetismo" no Rio de Janeiro. Em face da recusa dos diretores do programa carioca, de modificarem o método utilizado, o auxílio financeiro do MEC foi simplesmente cortado.
Não há dúvida que a luta contra o analfabetismo, em todo o mundo, encontrou seu instrumento mais efetivo no Método Laubach. Ainda que esse método hoje tenha sido encampado sob o nome do Sr. Paulo Freire. Os que assim procederam não apenas mudaram o seu nome, mas também o desvirtuaram, modificando inclusive sua orientação filosófica. Concluindo: o método de alfabetização de adultos, criado por Frank Laubach, em 1915, passou a ser chamado de "Método Paulo Freire", em terras tupiniquins. De tal maneira foi bem-sucedido esse embuste, que hoje será quase que impossível desfazê-lo.
O autor é historiador. Artigo copiado dehttp://paraibarama.blogspot.com/2008/12/mtodo-paulo-freire-ou-mtodo-laubach.html, em 01.02.2011, e publicado originalmente em Mídia Sem Máscara, em 9 março de 2004.
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