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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Eu acuso


04/11/2013 - 03h00


Muitos alunos de universidade e ensino médio estão sendo acuados emsala de aula por recusarem a pregação marxista. São reprovados em trabalhos ou taxados de egoístas e insensíveis. No Enem, questões ideológicas obrigam esses jovens a "fingirem" que são marxistas para não terem resultados ruins.
Estamos entrando numa época de trevas no país. O bullying ideológico com os mais jovens é apenas o efeito, a causa é maior. Vejamos.
No cenário geral, desde a maldita ditadura, colou no país a imagem de que a esquerda é amante da liberdade. Mentira. Só analfabeto em história pensa isso. Também colou a imagem de que ela foi vítima da ditadura. Claro, muitas pessoas o foram, sofreram terríveis torturas e isso deve ser apurado. Mas, refiro-me ao projeto político da esquerda. Este se saiu muito bem porque conseguiu vender a imagem de que a esquerda é amante da liberdade, quando na realidade é extremamente autoritária.
Nas universidades, tomaram as ciências humanas, principalmente as sociais, a ponto de fazerem da universidade púlpito de pregação. No ensino médio, assumem que a única coisa que os alunos devem conhecer como "estudo do meio" é a realidade do MST, como se o mundo fosse feito apenas por seus parceiros políticos. Demonizam a atividade empresarial como se esta fosse feita por criminosos usurários. Se pudessem, sacrificariam um Shylock por dia.
Estamos entrando num período de trevas. Nos partidos políticos, a seita tomou o espectro ideológico na sua quase totalidade. Só há partidos de esquerda, centro-esquerda, esquerda corrupta (o que é normalíssimo) e do "pântano". Não há outra opção.
A camada média dos agentes da mídia também é bastante tomada por crentes. A própria magistratura não escapa da influência do credo em questão. Artistas brincam de amantes dos "black blocs" e se esquecem que tudo que têm vem do mercado de bens culturais. Mas o fato é que brincar de simpatizante de mascarado vende disco.
Em vez do debate de ideias, passam à violência difamatória, intimidação e recusam o jogo democrático em nome de uma suposta santidade política e moral que a história do século 20 na sua totalidade desmente. Usam táticas do fascismo mais antigo: eliminar o descrente antes de tudo pela redução dele ao silêncio, apostando no medo.
Mesmos os institutos culturais financiados por bancos despejam rios de dinheiro na formação de jovens intelectuais contra a sociedade de mercado, contra a liberdade de expressão e a favor do flerte com a violência "revolucionária".
Além da opção dos bancos por investirem em intelectuais da seita marxista (e suas similares), como a maioria esmagadora dos departamentos de ciências humanas estão fechados aos não crentes, dezenas de jovens não crentes na seita marxista soçobram no vazio profissional.
Logo quase não haverá resistência ao ataque à democracia entre nós. A ameaça da ditadura volta, não carregada por um golpe, mas erguida por um lento processo de aniquilamento de qualquer pensamento possível contra a seita.
E aí voltamos aos alunos. Além de sofrerem nas mãos de professores (claro que não se trata da totalidade da categoria) que acuam os não crentes, acusando-os de antiéticos porque não comungam com a crença "cubana", muitos desses jovens veem seu dia a dia confiscado pelo autoritarismo de colegas que se arvoram em representantes dos alunos ou das instituições de ensino, criando impasses cotidianos como invasão de reitorias e greves votadas por uma minoria que sequestra a liberdade da maioria de viver sua vida em paz.
Muitos desses movimentos são autoritários, inclusive porque trabalham também com a intimidação e difamação dos colegas não crentes. Pura truculência ideológica.
Como estes não crentes não formam um grupo, não são articulados nem têm tempo para sê-lo, a truculência dos autoritários faz um estrago diante da inexistência de uma resistência organizada.
Recebo muitos e-mails desses jovens. Um deles, especificamente, já desistiu de dois cursos de humanas por não aceitar a pregação. Uma vergonha para nós.


LUIZ FELIPE PONDÉ

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Das manifestações pacíficas ao mais puro terrorismo


As manifestações de rua, iniciadas em junho de 2013, já passaram por vários estágios.
Inicialmente, manifestantes de esquerda, do Movimento Passe Livre (MPL), começaram a “desfilar” em São Paulo (e também em outras cidades, como Porto Alegre), para azucrinar o governador Geraldo Alckmin. Como todos sabem, é ponto de honra para o PT eleger Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde, como futuro governador de São Paulo. É uma aposta pessoal de Lula, como foram os “postes” Dilma Rousseff e Fernando Haddad. E o ministro está bastante visível na mídia, principalmente devido ao Programa Mais Médicos - com destaque para os milhares de “companheiros” contrabandeados de Cuba.
O mote foi o "Passe Livre", ou seja, a exigência de transporte gratuito para os estudantes. Na ocasião, o MPL era contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus em São Paulo. Tanto o governador Alckmin, quanto o prefeito Haddad, caíram na arapuca e anunciaram que não haveria mais aumento. Resultado: Haddad irá aumentar o IPTU, em 2014, em até 50%, para cobrir o rombo.
Nessa primeira fase das manifestações, houve ações de vândalos, que foram combatidos com vigor pela polícia. A esquerda acusou a polícia de ser violenta - com apoio irrestrito da mídia, já que alguns jornalistas ficaram feridos durante as manifestações. Outros prefeitos, Brasil afora, também suspenderam o aumento das passagens de ônibus. Ficaram todos reféns de arruaceiros.
Num segundo momento, os esquerdistas do MPL perderam a condução das manifestações. Foi quando o povo apareceu em massa, centenas de milhares, em várias capitais, especialmente estudantes de classe média, que faziam questão de não se vincular aos partidos políticos, expulsando os que conduziam bandeiras vermelhas do stalinismo, como as do PT, PSTU, MST e congêneres, rasgando e queimando muitas delas. Os cartazes que os manifestantes carregavam foram bem significativos: críticas aos políticos, aos serviços de Saúde, à Educação, aos transportes precários, à corrupção, aos gastos bilionários com a Copa etc. A esquerda se sentiu acuada e começou a acusar os manifestantes como sendo da "extrema direita" - o que faz até hoje, com o apoio da mídia em geral, incluindo a jornalulista Tereza Cruvinel no Correio Braziliense. E olha que as cruzes suásticas que apareceram na avenida foram carregadas por esquerdistas acusadores, não pela dita “extrema direita”. Era a máxima de Lênin sendo colocada em prática: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.
Depois da suspensão do aumento das passagens de ônibus, os esquerdistas do MPL em São Paulo deram por encerradas as manifestações, mas por pouco tempo, e logo continuaram os protestos, junto com os sem-teto na periferia da cidade, contra o “latifundiário rural e urbano”. Como se comprovou, caíram as máscaras dos farsantes do MPL, que na verdade não lutam pelo passe livre, mas pela implantação do comunismo no Brasil. Nessa ocasião, Lula convocou uma manifestação-pelego em São Paulo, para mostrar força, mas que se revelou um tremendo fracasso. O objetivo, como sempre, foi atentar contra o governo de Geraldo Alckmin. Na mesma época, que também incluíram manifestações contra Sérgio Cabral, governador do Rio, as passeatas eram essencialmente pacíficas, mas, invariavelmente, terminavam violentas, por conta de carbonários mascarados do Anonymous tupiniquim e dos Black Blocs, de anarquistas e outros – com o apoio ostensivo dos também esquerdosos Fora do Eixo e Mídia Ninja, cujos líderes, como Pablo Capilé, são amigos de longa data de autoridades petistas.
Junto com as manifestações populares, afloraram as intenções bolivarianas de Dilma Rousseff. Primeiro, foi a pretendida convocação de uma Constituinte exclusiva, para reforma política, a qual foi enterrada em menos de 24 horas. Depois, foi sugerido um plebiscito urgentíssimo, para tratar da mesma reforma política, que deveria ser realizado ainda em 2013, antes de outubro, de modo a valer para as próximas eleições, em 2014. Essa proposta também foi para o beleléu, ainda bem, pois iria apenas desperdiçar dinheiro público, via TSE. Por que não colocar em plebiscito algumas questões realmente essenciais para o Brasil, como a menoridade penal e – por que não? - a pena de morte para crimes hediondos, junto com as eleições de 2014, como fazem os EUA regularmente, sem acréscimo de despesas?
E quem Dilma recebeu de braços abertos no Palácio? Dentre os manifestantes, apenas os líderes dos baderneiros esquerdistas, como o MPL. A presidente afirmou que as “manifestações ajudaram a melhorar a vida do brasileiro”. É verdade. A vida dos vidraceiros e dos fornecedores de tapumes melhorou muito, com a reposição milionária desses materiais depois da ação dos chamados vândalos, que na verdade não passam de terroristas em estado puro.
Aí, veio o pulo do gato do PT: o Programa Mais Médicos, que meses antes havia sido descartado pelo governo, no dizer do pinóquio Alexandre Padilha. Esse programa atenta contra a legislação trabalhista, já que os escravos cubanos de jaleco branco – a maioria do contrabando importado – irão receber apenas uma pequena parcela do salário, em torno de 7%, sendo que a maior parte, a do leão, irá para os cofres da ditadura cubana, de modo a fortalecer o regime comunista-terrorista da Ilha. Com essa patifaria, serão enviados cerca de R$ 1,3 bilhão para Cuba nos próximos 3 anos e ninguém deve se surpreender se parte desse valor bilionário voltar ano que vem ao Brasil, para “bombar” a campanha da reeleição de Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, esses médicos de péssima formação (se é que realmente são médicos) irão para as regiões mais pobres do Brasil, no interior e na periferia das metrópoles, para fazer proselitismo comunista justamente junto à população analfabeta e mais carente. Com a falta de médicos brasileiros voluntários para trabalharem nessas regiões pobres, o governo petista, maquiavelicamente, conseguiu colocar a população pobre contra a classe médica. Afinal, é fácil convencer um analfabeto que os médicos brasileiros são interesseiros e que os cubanos são solidários e amigos dos pobres, já que deixaram o conforto do paraíso de Cuba para trabalhar quase de graça no purgatório brasileiro.
Trata-se de um verdadeiro atentado contra a Segurança Nacional, um cavalo-de-troia ultrajante, porque nada impede que os guerrilheiros-espiões cubanos, fantasiados de médicos, se unam às organizações de extrema esquerda do Brasil, junto com as FARC do Foro de São Paulo, de modo a criar focos de guerrilha, tanto rural, como urbana – o que já ocorre em alguns Estados, como Rondônia, Pará e Minas Gerais.
O Exército sofreu a humilhação de ser obrigado a dar hospedagem e comida aos integrantes do cavalo-de-troia cubano em seus quartéis, durante a fase de estágio, antes de eles seguirem para seus destinos. Aos médicos que irão trabalhar na Amazônia, principalmente compostos por cubanos, o Exército vai oferecer um estágio de guerra na selva, o que vale dizer que a instituição militar está formando guerrilheiros comunistas que mais tarde terá que combater. Do jeito que as coisas vão, não será surpresa se no próximo Dia do Soldado o comandante do Exército aparecer fantasiado com a farda de Fidel Castro e a boina de Che Guevara – obviamente acolitado por guerrilheiros cubanos camuflados de branco.
O Conselho Federal de Medicina e seus Conselhos estaduais também foram humilhados pela tirania petista e obrigados a conceder documentação aos médicos contrabandeados pelo PT, que não fizeram o Revalida, como manda a legislação brasileira. A ditadura petista está apenas começando e já provou que não tem limites, pois também aparelhou o STF, com advogados pró-PT, como Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli, de modo a inocentar os ladravazes do mensalão petralha. [A propósito, é possível que em 2014 o STF se pronuncie sobre o mensalão tucano, ou seja, sobre o processo que envolve o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo; em ano de eleição, seria o timing perfeito para tentar dinamitar a candidatura de Aécio Neves.]
Como as passeatas se tornaram cada vez mais violentas, a massa de manifestantes ordeiros não voltou mais às ruas. Hoje, as avenidas do centro do Rio e de São Paulo se tornaram um palco iluminado de terroristas, que a mídia insiste em chamar apenas de “vândalos”, os quais têm um único objetivo: depredar e incendiar tudo o que encontram pela frente. E a polícia, que apanhou dos manifestantes e da imprensa, faz corpo mole, tanto no Rio, como em São Paulo, deixando que a baderna se repita, sem fim. Só depois de tudo estar destruído é que a polícia põe os bandidos para correr, não prendendo ninguém - o mesmo vergonhoso esquema “espalha-bandido” feito pela PM nos morros cariocas, sem confronto, nem prisão de bandidos ou captura de armas, para instalação da farsa chamada Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Quando, finalmente, a polícia leva alguns incendiários para a delegacia, para prestar depoimentos, logo são soltos. Não faltam dezenas de “advogados de cadeia”, recrutados pela OAB local, para liberar de imediato quem deveria ficar longo tempo no xadrez. Na noite seguinte, num círculo vicioso sem fim, os terroristas voltam à cena do crime, cada vez mais fortalecidos e ousados.
Geraldo Alckmin que se prepare para 2014. “Vai ser o diabo”, como prometeu Dilma Rousseff. Não será surpresa se os chefões do PCC convocarem novamente seus assassinos para matar policiais e “tucanos”, e votar em candidatos do PT, como ocorreu em 2006, depois de São Paulo ser palco de atos terroristas de todos os tipos, com incêndios de ônibus, ataques a bala contra postos policiais, PMs e agentes penitenciários. Não foi mera coincidência a matança de mais de 100 policiais paulistas, em 2012, ter ocorrido num ano que elegeu o petista Fernando Haddad. Vergonhoso foi Alckmin não ter ido a nenhum desses funerais, de modo a prestar solidariedade às viúvas e aos órfãos dos militares. Na percepção de nossos governantes, militar é feito para levar chumbo.
Este é o Brasil atual, o país da impunidade por excelência, refúgio seguro de terroristas e de bandidos em geral. Por isso, nosso País ainda não tem uma lei antiterrorista para se proteger contra os “vândalos” das cidades e do meio rural (MST). Seria querer muito de uma presidente que um dia foi terrorista da VAR-Palmares, que pertence a um partido que é membro do Foro de São Paulo e abriga terroristas em nosso território, como o italiano Cesare Battisti e Olivério Medina, das FARC, e teve o descaramento de afirmar na Assembléia-Geral da ONU, no dia 24/09/2013, que “O Brasil sabe se proteger. Repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas”.

domingo, 18 de agosto de 2013

Nas franjas do Black Bloc

15 de agosto de 2013 

Demétrio Magnoli

"Muitos dos jovens que estão usando essa estratégia da violência nas manifestações vieram das periferias brasileiras. Eles já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e por isso os protestos violentos passam a fazer sentido para eles." Rafael Alcadipani da Silveira, autor do diagnóstico que equivale a uma celebração do vandalismo, não é um músico punk, mas um docente da FGV-SP. O seu (preconceituoso) raciocínio associa "violência" a "periferia" - como se esse sujeito abstrato (a "periferia") fosse portador de uma substância inescapável (a "violência"). Por meio do conhecido expediente de atribuir a um sujeito abstrato (a "periferia") as ideias, as vontades e os impulsos dele mesmo, Silveira oculta os sujeitos concretos que produzem um "sentido" para "protestos violentos". Tais sujeitos nada têm que ver com a "periferia": são acadêmicos-ativistas engajados na reativação de um projeto político que arruinou a vida de uma geração de jovens na Alemanha e na Itália.
No DNA humano estão inscritas as "pegadas" da evolução dos seres vivos. Nas obras de arte encontram-se os sinais de uma extensa cadeia de influências que as interligam à história da arte. Similarmente, pode-se identificar nos textos políticos uma genealogia doutrinária, que se manifesta em modelos argumentativos típicos e expressões estereotipadas. O professor da FGV menciona a "violência cotidiana por parte do Estado". Nas páginas eletrônicas dos Black Blocs pipoca a expressão "Estado policial". Bruno Torturra, o Mídia Ninja ligado a Marina Silva, definiu os Black Blocs como "uma estética" e defendeu a "ação direta", desde que "dirigida aos bancos". Pablo Ortellado, filósofo e ativista, elogiou a "ação simbólica" de destruição de uma agência bancária, que, interpretada "na interface da política com a arte", simularia a ruína do capitalismo. Eu já li essas coisas - e sei onde.
Tudo isso foi escrito na década de 1970 pelos intelectuais italianos que lideraram os grupos autonomistas Potere Operaio, Lotta Continua e Autonomia Operaia. Eles mencionavam as qualidades exemplares da "ação direta" e a eficiência da "violência simbólica". Toni Negri pregava a violência como ferramenta para defender os "espaços" criados pelas "ações de massa" e exaltava o "efeito terrível que qualquer comportamento subversivo, mesmo se isolado, causa sobre o sistema". Avançando um largo passo, Franco Piperno clamava pela "combinação" da "potência geométrica da Via Fani" (referência ao sequestro de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, em Roma, no 16 de março de 1978) "com a maravilhosa beleza do 12 de março" (alusão ao assassinato de um policial, em Turim, pelo grupo extremista Prima Linea, em 1977).
Depois do assassinato de Moro, Negri e Piperno foram processados e injustamente condenados a cumprir sentenças de prisão, que acabaram sendo revertidas. Intelectuais, de modo geral, não sujam as próprias mãos. Os líderes autonomistas não integravam as Brigadas Vermelhas ou a Prima Linea - e, portanto, não deram as ordens que resultaram em atos de terror. Eles apenas ensinaram a seus jovens seguidores, alguns dos quais viriam a militar nas organizações terroristas, que a violência é necessária, eficaz e bela. A responsabilidade deles não era criminal, mas política e moral, algo que jamais tiveram a decência de reconhecer.
Onde fica a fronteira entre a violência "simbólica" e a violência "real"? Na noite de 2 de abril de 1968 bombas incendiárias caseiras explodiram em duas lojas de departamentos de Frankfurt, que já estavam fechadas. A ação pioneira do grupo Baader-Meinhoff, inscrita "na interface da política com a arte", foi cuidadosamente planejada para não matar ninguém. Era a violência "só contra coisas", não "contra pessoas", na frase de Ortellado para justificar as ações dos Black Blocs. O primeiro cadáver do Baader-Meinhoff, um guarda penitenciário, surgiu na operação de resgate de Andreas Baader, em maio de 1970. Depois, vieram outros cadáveres, de chefes de polícia, juízes, promotores ou empresários. Tais personalidade seriam "símbolos" do "sistema" - isto é, segundo uma interpretação possível, "coisas", não "pessoas".
A tragédia alemã precedeu a tragédia italiana, mas não a evitou. No "Outono Alemão" de 1977, um jovem radical desiludido escreveu uma carta amarga, irônica, indagando sobre os critérios para decidir quem tinha mais responsabilidade pela opressão capitalista - e, portanto, deveria ser selecionado como alvo. "Por que essa política de personalidades? Não poderíamos sequestrar junto uma cozinheira? Não deveríamos pôr um foco maior nas cozinheiras?". Os nossos alegres teóricos dos Black Blocs aplaudem o incêndio "simbólico" de uma agência bancária, mas ainda não se pronunciaram sobre o valor artístico da vandalização de edifícios empresariais, shopping centers, delegacias, palácios de governo ou residências. Por que esse "foco" nos bancos?
Eugênio Bucci - ele também! - usou a palavrinha "estética" quando escreveu sobre a suposta novidade do "esporte radical e teatral de jogar coquetel molotov contra os escudos da tropa fardada". Não há, porém, novidade. Ortellado publicou um artigo sobre as fontes da "tática" dos Black Blocs, evidenciando suas conexões com os movimentos autonomistas de "ação direta" na Alemanha e na Itália dos anos 70 e 80, cujos destacamentos de choque servem de modelo aos nossos encapuzados. Ele não diz com clareza, mas as teses políticas que reativam o culto da manifestação violenta se originam precisamente de alguns dos acadêmicos-ativistas daquele tempo, hoje repaginados como mestres grisalhos do movimento antiglobalização.
Os Black Blocs anunciam um "badernaço nacional" para o 7 de Setembro. Mas o "badernaço" intelectual começou antes, na forma dessas piscadelas cúmplices para idiotas vestidos de preto que rebobinam um desastroso filme antigo.
* Demétrio Magnoli é sociólogo, doutor em Geografia Humana pela USP. E-mail: demetrio.magnoli@uol.com.b
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sábado, 13 de julho de 2013

‘A marcha dos oprimidos’, um artigo de Rodrigo Constantino

11/06/2013
 às 16:40 \ Feira Livre


PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA
RODRIGO CONSTANTINO
Represento a ONG Minorias Unidas na Luta Ativista (Mula). Somos uma entidade que defende as pobres vítimas do “sistema”, ou seja, os gays, as lésbicas, os transexuais, os negros, as mulheres, os índios, os muçulmanos e todos os demais grupos excluídos que são explorados pelos brancos capitalistas.
Nossa visão de mundo não engloba o indivíduo, essa figura de carne e osso criada pelos ocidentais para fins espúrios. Nós só enxergamos grupos, que formam nossas identidades: classe, raça, gênero, inclinação sexual, religião. Somente essas abstrações nos interessam. Falar em indivíduo é cair na estratégia pérfida dos liberais. Não aceitamos isso!
Dividir para conquistar, eis nossa meta. Separamos o mundo entre aqueles que estão conosco, e nossos inimigos mortais. Estes são representados pela ONG Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados (Brocha). São nossos arquiinimigos na retórica, e ao mesmo tempo nossos melhores amigos na prática. É que precisamos deles para que paguem a conta de nossos privilégios.
Conseguimos isso por meio de chantagem emocional, incutindo culpa nas “elites”. A bilionária Fundação Ford é ótimo exemplo, sempre do nosso lado. É verdade que o mundo teve escravidão desde sempre, que até Zumbi tinha escravos, que os próprios africanos escravizaram outros africanos, e que foi o Ocidente que colocou um fim nessa prática nefasta. Não importa! Vamos dizer que todo negro é vítima e que os brancos precisam pagar.
Alguns negros, como Thomas Sowell, condenam isso? Simples: chamamos eles de traidores da raça. Funcionava com Lênin e os demais comunistas. Lembrem-se: existem apenas dois grupos. Por isso podemos fazer como o ex-presidente Lula e culpar os “brancos de olhos azuis” pela crise de 2008, mesmo que o CEO de um dos maiores bancos envolvidos na confusão fosse negro.
Por falar em Lula, eis outra grande vítima: nordestino e metalúrgico. Não importa que ele não trabalhe em um chão de fábrica há décadas, ou que receba duzentos mil por palestra, ou que só ande em jatinho particular, ou que seja aliado de todos os velhos caciques da política. Lula sempre será um ícone das minorias oprimidas!
O mais importante é vender a ideia de que somos vítimas, e que os brancos são responsáveis por todos os males do mundo. Sabemos que os negros e “chicanos” americanos gozam de muito mais liberdade e prosperidade do que seus pares africanos e latino-americanos. Não importa! Eles são vítimas, mesmo que o homem mais poderoso do mundo seja negro. Eternas vítimas.
Somos herdeiros de Foucault, o sadomasoquista que falava da forma mais cruel de tirania: a “hegemonia” oculta. Esqueça Coreia do Norte, Irã ou Cuba. A verdadeira ditadura está nos Estados Unidos! Sabemos que os gays correm risco de vida nos regimes comunistas ou islâmicos, mas o que importa isso? São os gays em São Francisco e Ipanema as verdadeiras vítimas. É que tem de ser muito macho para ser ativista em Cuba ou no Irã.
Somos filhos de Paulo Freire, e também acreditamos na “pedagogia dos oprimidos”. As escolas e faculdades não podem ser máquinas de formação de engenheiros e cientistas para ajudar na hegemonia capitalista. Precisamos de ainda mais professores marxistas, engajados nas causas das minorias, doutrinando nas áreas humanas. Viva Gramsci!
Vamos criar várias nações dentro do Brasil. A nação negra, a nação gay, a nação indígena, e por aí vai. Nada de ver todos apenas como brasileiros. Cada um desses grupos vai receber sua legítima cota, e vai direto para ótimos cargos públicos ou dar aulas nas faculdades. Merecemos essa vantagem, nada mais do que uma reparação pelo domínio dos brancos ao longo dos séculos.
E podemos ficar tranquilos: o povo da Brocha costuma aceitar calado nossas demandas. Nada como uma “elite” culpada, mesmo que de classe média. Basta acusarmos eles de “homofóbicos”, “racistas”, “reacionários”, ou “preconceituosos” que eles logo se intimidam e recuam. Sempre funciona acusar alguém que não é nada disso dessas coisas feias. O verdadeiro homofóbico ou racista não liga, mas a turma da Brocha entra em pânico.
Eis nosso grito revolucionário: minorias do mundo todo, uni-vos! Vamos pleitear mais privilégios de grupo, pois essa coisa de igualdade perante as leis que os liberais defendem é muito chata. Alguns podem estranhar eu ser homem e branco. Mas Chico Buarque é branco, com olhos claros, rico e heterossexual, e é aclamado pela Mula. Somos nós contra eles. Só há identidade no grupo. Abaixo o indivíduo! Socialismo ou morte! A morte dos que discordam, claro.

sábado, 2 de março de 2013

Em torno de Yoani Sanchez



yoanisoroscuba
Certas controvérsias surgidas dias atrás a propósito da blogueira Yoani Sanchez, uns considerando-a uma heroína, os outros uma perigosa agente camuflada dos irmãos Castro, podem ser resolvidas facilmente se a ânsia de julgar ceder o passo ao desejo de compreender.
Os próprios dados do problema trazem a sua solução, bastando ordená-los de maneira razoável.
1. Desde logo, é insensato pensar que as denúncias da blogueira possam fazer algum bem ao regime cubano. Mais do que ninguém nos últimos tempos, ela tem contribuído para divulgar crimes e atrocidades que mancham de uma vez para sempre a reputação dos irmãos Castro. Quando, por exemplo, os horrores da ditadura cubana foram expostos no nosso Congresso Nacional com a visibilidade que lhes deu a visita de Yoani Sanchez? Imaginar que o governo cubano se alegre com isso é levar longe demais a conjeturação de planos secretos.
2. Igualmente insensato é supor que, para fazer o que faz, Yoani tenha de ser uma direitista ou conservadora ou deva satisfações ideológicas aos que assim se definem. Ela nunca foi direitista nem conservadora, e não faz o menor sentido julgar a confiabilidade, a idoneidade ou a utilidade do seu trabalho por um imaginário dever de fidelidade a uma corrente política à qual ela nunca pertenceu.
3. Yoani é uma protegida de George Soros, o que basta para situá-la historicamente como um instrumento -- voluntário ou involuntário, pouco importa -- do grande processo de renovação interna do movimento revolucionário, empenhado em desfazer-se de sua antiga casca bolchevista para assumir feições mais sedutoras e lançar-se a novas e mais ambiciosas conquistas.
4. Nesse processo, os velhos bolchevistas que não puderem se adaptar às novas condições serão sacrificados, como ciclicamente acontece na história das revoluções, que progridem e crescem por autodestruição, limpando-se na sua própria sujeira cuja existência negavam até a véspera. Nessas transições, o movimento revolucionário se renova e se fortalece, mas torna-se temporariamente vulnerável, de modo que suas contradições internas podem ser aproveitadas pelos seus adversários, se estes não caírem nas duas esparrelas opostas: ou imaginar que os dissidentes internos do socialismo se converteram todos às idéias democráticas e conservadoras ou, inversamente, condená-los como falsos conservadores e agentes infiltrados quando seu discurso não coincide com aquilo que em outras nações se entende como conservadorismo “autêntico”.
5. Malgrado todas as ambigüidades e hesitações no curso do processo, em última instância é impossível que Yoani sirva igualmente ao novo e ao velho esquema revolucionário. A opção dela está feita, na prática. Como ela encara isso subjetivamente é irrelevante no momento. Seus motivos íntimos só se revelarão mais tarde, e até lá toda tentativa de julgá-la moralmente, seja para aplaudi-la, seja para condená-la, é ejaculação precoce.
6. A destruição do regime cubano é um bem em si, independentemente do seu futuro aproveitamento pelo movimento revolucionário, cuja nova encarnação terá de ser combatida num outro quadro de condições, totalmente diverso da luta contra a ditadura castrista.
7. Os conceitos descritivos e categorias mentais em que se expressa o conflito interno em Cuba não coincidem com os da luta politica no resto do continente latino-americano nem muito menos no Brasil em especial ou no quadro geral do mundo. Como diria um trotsquista, historicamente esses fenômenos pertencem a “fases” diferentes. Numa ditadura socialista totalitária, não é muito urgente saber se seus dissidentes são conservadores, liberais ou apenas socialistas com pretensões democráticas desiludidos com algo que lhes parece um pseudo-socialismo – diferenças que, no quadro de uma democracia, ou mesmo de um regime meramente autoritário como o brasileiro, podem se tornar essenciais. O “novo” socialismo do sr. George Soros só existe hoje fora de Cuba. Nesse quadro, ele representa o inimigo número um da democracia tradicional e de todos os conservadores. Dentro de Cuba, ele aparece junto com estes como a quintessência do direitismo reacionário – assim como, mutatis mutandis, no Brasil o socialismo light dos tucanos é pintado pelo governo com as cores da “extrema direita”. A diferença é que no Brasil algo à direita dos tucanos ainda pode subsistir em relativa liberdade, o que não acontece em Cuba. Se o governo cubano concede a Yoani Sanchez a margem de ação que nega a seus concorrentes de direita é por dois motivos: teme o apoio internacional que ela desfruta e, não excluindo a possibilidade de uma mudança de regime amanhã ou depois, embora lute para evitá-la, está preparado para aceitá-la com a condição de que ela não destrua de todo a idéia socialista, mas apenas lhe dê novo formato.
8. No presente momento, o trabalho de Yoani é da mais alta importância e não cabe depreciá-lo sob pretexto nenhum. O que importa é estar preparado para combater, mais tarde, as tentativas de aproveitar os resultados dele em favor do “novo” movimento revolucionário. Transformar isso numa luta pró e contra Yoani Sanchez, do ponto de vista da fidelidade ou infidelidade da blogueira a valores democráticos tradicionais que objetivamente nunca foram os dela, é processar o cão em vez do dono que o atiçou. Revelar os compromissos de Yoani com o movimento revolucionário é decerto útil e necessário, mas fazer disso um motivo para fulminá-la com anátemas ideológicos é extemporâneo e contraproducente.

Publicado no Diário do Comércio.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Papa e a Igreja em foco



Respostas a alguns comentários errôneos a respeito do Papa e da Igreja

Campinas,  (Zenit.org). Vanderlei de Lima | 170 visitas

Nestes dias, devido à renúncia do Papa Bento XVI, muitos comentários são feitos a respeito do Papa e da Igreja, de modo a requerer, para o bem da verdade, oportunas reflexões.
A revista Veja, de 20/02, trouxe, num artigo, de modo geral, simpático a Bento XVI, mas ácido em relação à Cúria Romana e à Igreja, o seguinte questionamento: “Se a um papa é permitido renunciar ao que seria um casamento com a Igreja, abençoado pela vontade divina, por que marido e mulher não poderiam divorciar-se?” (p. 79).
Em resposta notamos, muito sinteticamente, que Joseph Ratzinger não renunciou ao “casamento com a Igreja”, pois ser Papa não é um tipo de complemento do sacramento da Ordem que ele possui em grau pleno, na condição de Bispo, e continuará a possuir até o fim de seus dias, apesar de não mais exercer a função de Bispo de Roma.
Assim como a Igreja não pode apagar a marca indelével (caráter) do sacramento da Ordem conferido a um de seus filhos, também não pode abolir a indissolubilidade do sacramento do Matrimônio. Ela é administradora zelosa e não dona da Palavra de Deus.
É certo que se a Igreja abrisse as portas ao segundo ou ao terceiro casamentos, às uniões homossexuais, ao aborto, ao uso de preservativos etc. atrairia o aplauso de alguns, mas trairia a sua verdadeira missão. Fiel a Deus e não aos desenfreados caprichos humanos, ela preferiu perder, no século XVI, o Reino Unido do que declarar nulo o casamento válido do rei Henrique VIII com Catarina de Aragão.
Por essas e por outras razões, a Igreja é incompreendida pelos falsos libertários, anticlericais e católicos incoerentes de nossos dias como sempre foi ao longo da história. Todavia, ela nunca deixou de ser, apesar das falhas de não poucos de seus filhos, um porto seguro aos homens e às mulheres de todos os tempos.
Portanto, nenhuma pessoa de bom-senso pode afirmar que a Igreja está longe do povo, mas reconhece, sem demora, que são os homens que estão afastados de Deus e, por isso, se opõem à mensagem do Evangelho ou trocam-na por mesquinharias.
Outra bijuteria que mais especialmente nestes dias ronda o mundo é a afirmação infundada de que o Papa João Paulo I foi assassinado, em 1978, pela Cúria Romana ávida de poder e cheia de interesses mesquinhos.
Em resposta, notamos que ao acusador cabe o ônus da prova. Não basta falar, é preciso comprovar o que se diz sob pena de cair em descrédito. Na verdade, porém, tal prova não existe, uma vez que a causa mortis de João Paulo I foi, conforme seu atestado de óbito citado por historiadores e jornalistas imparciais, um infarto agudo do miocárdio. Aliás, sua família teve também outros membros falecidos subitamente pelo mesmo motivo, segundo atestam Andrea Tornielli e Alessando Zangrando no penúltimo capítulo do livro João Paulo I. O Papa sorriso, publicado no Brasil pela Editora Quadrante.
E mais: quem estuda atentamente a história dos Papas não faz mistério em torno da morte de João Paulo I com apenas 32 dias de pontificado, pois sabe que Estevão II (752) faleceu três dias após a eleição e Urbano VII (1590) morreu doze dias depois de assumir a cátedra de Pedro. Outros Papas que ficaram entre 13 e 30 dias no cargo foram por ordem de tempo: Celestino IV (1241), Sisinio (708), Teodoro II (897), Marcelo II (1555), Dâmaso II (1048), Pio III (1503), Leão XI (1605), Valentim (827) e Bonifácio VI (896).
Não negamos, com isso, que na Cúria Romana, criada para auxiliar o Papa, se tenha – como em outros lugares (que o diga o nosso país do “mensalão” e da “privataria tucana”) – homens falhos e indignos. Contudo, não façamos dessas falhas trampolins para acusar a Igreja. Ela é santa, mas traz em si os filhos pecadores para os quais, como mãe carinhosa, oferece o remédio às suas faltas no sacramento da Confissão.
Vanderlei de Lima é filósofo e autor do livro Papa Bento XVI: aspectos polêmicos do seu pontificado, a ser lançado pela Editora Ecclesiae, de Campinas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez, a desinformatzia cubano-brasileira e a mídia idiota nacional



yoaniPara hoje, 18 de fevereiro, foi anunciada a chegada ao Brasil, via Recife, da mais famosa blogueira cubana, tida como de oposição ao regime comunista, Yoani Sánchez.
Esta señorita é certamente o maior sucesso da desinformatzia cubana e, como sempre acontece com os agentes de desinformação comunista, encanta os idiotas úteis de todo o mundo. É desnecessário re-escrever o que já publiquei anteriormente sobre esta mentirosa e falsa oposicionista cubana.
Faz-se, no entanto, necessário comentar a montagem de mais uma manobra de desinformação para dar mais credibilidade à impostora: a invenção de uma vasta operação de espionagem sobre sua visita ao Brasil por parte dos serviços de informação de Cuba em conluio com o governo brasileiro.
Divulgada pela Revista Veja, foi engolida a isca com anzol e tudo pelo ‘coleguinha’ blogueiro brasileiro, o famoso (?) Tio Rei (da cocada preta) Reinaldo Azevedo, supostamente muito bem informado (ver os textosYoani e a sujeira do governo cubano e de petistas e ESCÂNDALO, BAIXARIA E ILEGALIDADE).
É claro que existiu uma vasta operação que envolveu os dois governos comunistas, de Raúlzito e Dilmita, mas foi uma operação tipicamente comunista de desinformação exatamente para atrair a mídia nacional, e, via idiotas úteis como o acima mencionado, escandalizar a população. Dilma, Lula, os irmãos Castro e demais comunas devem estar rindo à socapa da imbecilidade da mídia nacional!
Vale lembrar que num documento do KGB chamado Manual do Diretório RT, desinformatzia era definida como‘a aberta apresentação ao inimigo de falsa informação ou materiais e documentos especialmente preparados com a finalidade de enganá-lo e induzi-lo a decisões e ações que correspondem aos interesses da URSS’ [[i]]. Antes o KGB e o GRU já haviam plantado com sucesso dezenas de falsas informações, das quais duas devem ser referidas aqui.
A primeira foi a criação de um grupo de resistência interna ao governo comunista chamado Trust, usado para desorientar os inimigos de fora e de dentro da URSS. Incluía vários ardis – falsos líderes de resistência e exércitos imaginários para confundir com a verdadeira e autêntica resistência que estava presa e sofrendo o diabo. Até parece que Yoani é pura imitação cubana, pois os verdadeiros dissidentes cubanos ao invés de fazer compras em feiras maravilhosas às quais os cubanos não têm acesso (ver abaixo as fotos da Veja; deve ser nas áreas de acesso exclusivo dos membros do partido) ou beberem alegremente com os amigos, dormem sobre seus próprios excrementos nas masmorras.
O projeto WIN, desenvolvido na Polônia em 1941 era outro grupo ‘de oposição’ para ser visto pelo ocidente [[ii]].
Republico abaixo o artigo ‘De Cuba con cariño - un regalo de los hermanitos castro a los idiotas útiles de Brasil', e forneço links para outros. Leiam a vejam se esta señorita merece a credibilidade que lhe está sendo dada pela mídia brasileira.

Notas:
[i] Political Intelligence the Territory of USSR, Andropov Institute of the KGB, Moscou, 1989
[ii] WIN é a abreviatura para o lema polonês ‘Liberdade e Independência’. Segundo o relatório para Moscou: ‘Desinformar o inimigo envolveu fornecer alguma informação autêntica (para estabelecer credibilidade) junto com puros engodos’.
(Operação César, publicação do Partido Comunista Polonês, 1954)

De Cuba com Cariño

Não é ao menos estranho que um regime que faz o que bem entende com os opositores, conta com quase total apoio internacional inconteste para prender, matar, raramente exilar qualquer um dos cidadãos, que tem leis estritas sobre o uso da internet, proíbe computadores pessoais, principalmente laptops e notebooks, permita que esta moça continue impunemente comandando um blog oposicionista?

Será lançado hoje (29), no Auditório d'O Globo, o livro De Cuba com Carinho, de Yoani (ou Yoanis) Sánchez, a 'superblogueira' cubana que consegue burlar todas as diretivas do Partido Comunista Cubano quanto ao uso da Internet. Consegue mesmo? É autêntica a moça? Ou não passa de uma impostora e seu blog Generación Y de um embuste genialmente montado pelo aparelho de desinformação da DGI - Dirección General de Investigaciones - o KGB cubano?
Cada noticia sobre la "ciudadana bloguera" Yoani Sánchez  me deja  más confundida, y repito  que  no es  porque tenga  nada en su contra  personalmente, sino porque sus posibilidades y libertad de movimientos llegan a poner en duda a cualquier persona por imberbe que sea,  imagínense a un opositor o periodista independiente cubano que haya 
sufrido o sufra en carne propia la represión, el acoso, la humillación  y la tortura psicológica que el régimen castrista aplica a los que 
disienten de sus dictámenes.
Adela Soto Álvarez
Não existe nesta maldita história escrita com o sangue dos mártires há cinqüenta anos, nenhum FATO semelhante ao desta blogueira que tivesse ficado impune. A forma arrogante como ela refere ter deixado a delegacia quando foi intimada "apenas" para ser notificada de que não poderia realizar o encontro dos blogs é por si só, um fato alarmante. Não se conhece um só opositor que tivesse sido tão desaforado com os interrogadores e que não tivesse - no mínimo - levado uns bofetões de arrancar os dentes e em seguida jogado no calabouço da Villa Marista. Mas Yoani disse o que quis e saiu ilesa, inclusive saudada pela rede inteira como "heroína". Agora afronta ninguém menos que a filha do ditador hereditário substituto e não passa nada?
Graça Salgueiro
Adela Soto Alvarez sabe do que está falando. É licenciada em Filologia, Jornalista, Escritora, Poeta. Fundou a Imprensa Independente em Cuba e foi condenada a um ano de prisão domiciliar na Primavera Negra de 2003, por suas atividades contestatórias. Reside atualmente em Miami como refugiada política. Autora da novela-testemunho "O Império da Simulação" (Miami 2005) e outros livros sobre a realidade cubana.
Graça Salgueiro dispensa apresentações, vale dizer apenas que na minha opinião, na de Alejandro Peña Esclusa, Olavo de Carvalho e vários outros estudiosos da Iberoamérica, Graça é a pessoa que mais entende do assunto no Brasil, talvez em mais ampla área, mormente nas questões cubanas, a cujos mártires vem dedicando sua vida há anos, adquirindo reconhecimento e respeito internacional.
No mesmo dia em que recebi o primeiro aviso do lançamento do livro, o Diário Exterior anunciava com o TítuloSentenciado a dos años de prisión:
Dos días después de la visita de Moratinos (Ministro do Exterior da Espanha) se ratifica la condena de cárcel a otro opositor cubano (El miembro del Movimiento Cristiano de Liberación (MCL) y coordinador del Proyecto Varela en el este de Cuba, Agustín Cervantes). Los miembros de la oposición cubana habían advertido que a la excarcelación de un preso de conciencia y el decreto de libertad a otro opositor que se encontraba fuera de prisión con licencia extrapenal, seguirían nuevas condenas y encarcelamientos a disidentes. Tan sólo dos días después de esas medidas, tomadas tras la visita de Miguel Ángel Moratinos a La Habana, el régimen castrista ha ratificado la sentencia de dos años de prisión al primer demócrata sometido a juicio sumario desde 2003.
2003 é exatamente o ano da 'Primavera Negra' em que o governo comunista prendeu 75 pessoas, entre eles médicos, jornalistas, professores. Submetidos a julgamento sumário a maioria foi condenada a penas de prisão de 15 a 20 anos por "atentarem contra a segurança do Estado e difundir idéias contrárias ao sistema comunista cubano'.
Não é ao menos estranho que um regime que faz o que bem entende com os opositores, conta com quase total apoio internacional inconteste para prender, matar, raramente exilar qualquer um dos cidadãos, que tem leis estritas sobre o uso da internet, proíbe computadores pessoais, principalmente laptops e notebooks, permita que esta moça continue impunemente comandando um blog oposicionista?
yoanifaketotalSegundo levantamento feito pelo site de oposição NOTICUBA, Yoanis vive em Nuevo Vedado numa confortável residência com telefone e serviço de internet, única cubana com liberdades para utilizar o serviço de internet sem interrupções, e que jamais foi objeto de perseguição ou maltrato e muito menos detida, pelo que desconhecem o porquê de sua presença como opositora.
Nuevo Vedado é considerado um dos melhores bairros de Havana, onde estão hotéis de 4 a 5 estrelas e alugam-se residências bastante amplas comparada aos miseráveis cortiços em que vivem os cubanos comuns.
O mesmo Editorial afirma o que confirmei pessoalmente em detalhada pesquisa pela Internet: (Jornalistas cubanos independentes) afirmaram que a conheciam de ouvir falar, outros que nem a conheciam porque ela não é membro de nenhum grupo opositor, que somente souberam pela imprensa estrangeira que havia feito um ato de presença no caso do roqueiro Gorki, e sobre as demais participações no estrangeiro. (...) Depois de muita sondagem soubemos que em Cuba ninguém sabe o porquê da fama de Yoanis Sánchez, nem o porquê do Prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo Digital 2008, nem a viagem à Espanha suspensa pelo governo de Cuba. Muito menos a participação em vídeo na SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) (...) Isto, porém não corresponde com Yoanis Sánchez, pois ela não responde pela imprensa independente cubana, não foi detida, nem perseguida politicamente, nem sequer, como afirma a oposição, pertence a nenhum grupo organizado. Apenas criou um blog em 2007, chamado "Generación Y" com o objetivo, segundo ela, de poder dizer o que sente e para que o mundo conheça [seus pensamentos].
Como Yoanis mora neste lugar? Como paga o aluguel - ou é proprietária (o que seria uma aberração em Cuba)? Segundo ela mesma em seu site é 'Licenciada en Filologia, Reside en La Habana y combina su pasión por la informática con su trabajo en el Portal Desde Cuba'. Como se sustenta? Como pode usar a Internet sem interrupções? São perguntas que permanecem sem resposta.
YOANIS E GENERACIÓN Y COMO OPERAÇÃO DE DESINFORMAÇÃO?
Uma das principais armas do movimento comunista internacional é a desinformação (do russodesinformatsiya). Ela difere da propaganda convencional porque suas verdadeiras intenções são secretas e as operações sempre envolvem alguma ação clandestina. Significa a disseminação de informação falsa ou provocativa. Inclui a distribuição de documentos, cartas, fotos forjadas, propagação de rumores enganosos e inteligência errada. Segundo Biezmenov o KGB gastava 85% dos seus recursos em medidas ativas e de influência (lavagem cerebral) (O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, p. 57-59).
A DGI, discípula fiel do KGB, segue os mesmos passos. Uma de suas operações mais bem sucedidas foi convencer o mundo todo de que após a revolução cubana houve uma melhora imensa na educação e na saúde, mentiras deslavadas, pois antes da revolução Cuba apresentava os melhores níveis educacionais das Américas, melhores inclusive que os da Itália e da Suécia. E sua medicina que era de ponta virou uma mixórdia com alguns centros de sub-excelência baseados em estudos nos EUA e que só estão à disposição para ricos turistas. Fidel, quando passa mal, vai para Isla de Margarita, Venezuela, onde Chávez montou um hospital de primeira linha. Os hospitais para os cubanos comuns são horríveis, sujos, sem médicos (pudera, ganhando 5 dólares por mês!).
Conseguido este intento é bem possível que a DGI passasse a atacar um ponto negativo para os ocidentais: a falta de liberdade individual e de imprensa. Ora, o que haveria de melhor do que uma mulher jovem, bonita, bem falante e boa escritora, com toda a liberdade de escrever o que queira (talvez passando antes pelo crivo da DGI), com acesso total à internet e morando muito bem?
A parte clandestina da desinformação são as mensagens subliminares para criar dúvidas nas mentes ocidentais (lavagem cerebral):
não se vive tão mal em Cuba
- esta moça diz o quer, até mesmo interpela em público Mariela, a filha de Raúl Castro e não vai presa! Ora, Cuba não é tão repressiva assim!
- quando é chamada à polícia é tratada com delicadeza inusitada e sai livre, leve e solta! A polícia cubana não é o que a propaganda direitista fala, é melhor até que a PM do Rio!
- compartilha festinhas com seu marido e amigos livremente, ouvem música e bebem bebidas estrangeiras, igual aqui, ora!

A fábrica de mitos comunista produz dissidentes
No mesmo livro (PP 168-173) mostro como o KGB fabricou um dissidente muito mais importante que uma menina boba como Yoani: Andreiï Sakharov, o 'Pai da Bomba H soviética'. O estrago causado por ele na intelectualidade ocidental foi devastador!
A entrevista na imigração - negativa para sair do país
Foi amplamente divulgado um vídeo pelo Youtube onde Yoani comparece na Imigração cubana e lhe é negado sair do país. Assistam o vídeo: a gravação interrompe o vídeo e só fica o áudio, as vozes mudam. Obviamente falso! Montagem!






Links:
A cidadã blogueira - de Adela Soto Álvarez;
Desconstruindo falsos mitos - de Graça Salgueiro;
Editorial - NOTICUBA INTERNACIONAL.
Você acredita em Papai Noel? Em Coelhinho da Páscoa que põe ovos? Em mula sem cabeça? OK, se a resposta é sim para qualquer uma das perguntas, você deve acreditar que Cuba é um paraíso que permite uma blogueira desancar los hermanitos – y la hijita de uno de ellos – sem nenhum problema.
OUTROS LINKS:

As impessoas e la bloguera cariñosa

As impessoas e la bloguera cariñosa - 2

O enigma Yoani Sanchez

Vídeo:
{youtube}4tCGC8_Zpew{youtube}

N. do E.:
 Leiam ainda ‘Quem está por trás de Yoani Sánchez’.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Coréia do Norte: horror em campos de concentração não pára



campo22Guardas desertores narraram numerosas formas de tortura no “Campo 22” (foto), experimentações “médicas” e de novas armas tomando os presos como alvo, inclusive crianças.


Imagens de satélite desmentiram as alegações da ditadura norte-coreana de que o campo de concentração conhecido como “Penal Labour Colony 22” foi fechado e os presos distribuídos em outras prisões.
Flagradas em 11 de outubro, as imagens foram exibidas pelo Committee for Human Rights in North Korea, com sede em Washington D.C., noticiou o diário londrino “The Telegraph”.
Segundo o relatório, a tirania marxista executa uma matreira substituição de prisioneiros para dizer ao Ocidente que os está retirando do campo.
“As imagens de satélite mostram que foi derrubado um prédio que segundo desertores funcionava como centro de interrogatórios, mas o campo em si mesmo continua operacional” – diz o relatório.
De fato, esse campo de concentração é uma rede de instalações presidiárias interconectadas, que cobrem 87 milhas quadradas, rodeadas por arame eletrificado. Ex-carrascos que fugiram da Coréia do Norte disseram que o campo tem mil guardas armados com metralhadoras.

KimJong-Un
Kim Jong-Un perpetua velhos e cruéis métodos e é súdito fiel da  China.
Não há noticias de um só prisioneiro que tenha conseguido fugir do campo para o exterior.
A maioria dos presos foi condenada à perpetuidade por causa de crimes políticos e crenças religiosas, ou são membros ‘expurgados’ do partido comunista.
Há 50 mil presos nessa galáxia carcerária. Eles são obrigados a trabalhos forçados em fábricas ou em minas de carvão.
Guardas desertores narraram numerosas formas de tortura no “Campo 22”, experimentações “médicas” e de novas armas tomando os presos como alvo, inclusive crianças.
Em 2011, mais de 120 países representados na Assembleia Geral da ONU manifestaram “séria preocupação” pela “existência de um grande número de campos de concentração e de uma larga utilização da mão de obra forçada” na Coréia do Norte.
O documento foi engrossar os enormes arquivos de decisões da ONU sem qualquer prosseguimento.
Muitos produtos “made in China” talvez tenham saído das mãos daqueles infelizes prisioneiros.

Luis Dufaur, escritor, edita o blog Pesadelo Chinês.