sábado, 12 de outubro de 2013

Brasil, um país católico.


“E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valorosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte”.
(Os Lusíadas, Camões – II estrofe).
As origens do Brasil estão ligadas ao espírito cruzadista do final da Idade Média e início da Idade Moderna nos séculos XV e XVI, fundamentado no ideal de expansão do Cristianismo para outros povos, realizado principalmente por portugueses e espanhóis. Lendo os diários de Colombo, as instruções dos reis para os colonos e tantos outros documentos fica provado que o ideal da expansão da Fé Católica foi elemento motivador da expansão marítima e colonização da América.
A Fé Católica sempre foi o fator de unidade, de construção da identidade do nosso povo. O marco inicial de posse do Brasil foi uma cruz, nosso primeiro monumento histórico. A primeira cerimônia foi a celebração de uma Missa, marco da fundação do Brasil. Durante o período colonial diversas ordens religiosas, como a dos jesuítas, heroicamente difundiram o catolicismo nas nossas terras. Vejamos, por exemplo, o trabalho do padre Anchieta, o Apóstolo do Brasil. Nas missões, no ensino, na Literatura, na fundação de São Paulo, na pacificação dos índios, na expulsão dos invasores franceses e em tantos outros trabalhos é um herói da nossa história.  Por tudo isso sempre tão querido pelos índios e em especial pela população mais pobre.
A religiosidade é o traço mais característico da História do Brasil. Todo o universo cultural construído nestes 500 anos de História está relacionado com o Cristianismo. Negligenciar tal influência, como fez a história marxista que interpretou toda a nossa história a partir do sentido econômico e de conflitos de classe é desconhecer o essencial dos nossos processos históricos, falsificar a nossa história, pois não sobra quase nada para além de influência cristã. As provas são evidentes. Observemos os documentos históricos, os nomes dos acidentes geográficos, das nossas cidades, a Literatura do padre Antônio Vieira, as construções de tantas igrejas, orgulho artístico do Brasil, os fatos históricos marcantes, como a expulsão dos holandeses protestantes do Nordeste brasileiro através da interseção de Nossa Senhora na batalha de Guararapes. Vejamos a própria vida cotidiana e a vida social. Tudo girava em torno das festas religiosas, das Missas de domingo, das novenas e cerimônias diversas, o que realmente dava sentido a vida das pessoas e aos poucos construía o sentimento de nacionalidade, antecedido pelo sentimento católico.
A própria Constituição de 1824, a primeira do Brasil, estabelecia o Catolicismo como Religião Oficial do país recém-independente. Continuava o princípio do Padroado, a profunda união entre Estado e Igreja. Os Documentos da Igreja, como as certidões de Batismo e de Casamento eram válidas como documentos civis e os princípios cristãos eram acatados pelo Estado, o que só foi mudado com a República, que criou o Estado laico, separado da Igreja. A devoção a Nossa Senhora, as festas religiosas e tantas outras expressões do Catolicismo continuavam sendo fatores de identidade do nosso povo. A mentalidade que orientava a vida das pessoas era cristã, sendo os seus fundamentos os 10 mandamentos. O ensino era religioso, a Igreja tinha prestígio, bispos e padres eram respeitados, venerados e considerados importantes autoridades em cada lugarejo, vilas e cidades deste país de dimensões continentais.
Mesmo com o advento da República e com as ameaças de ideologias modernistas, anarquistas, socialistas e liberais que tanto causaram danos à mentalidade cristã e estiveram por trás de tantas perseguições e ataques á Igreja no Brasil o catolicismo sobreviveu, adaptou-se às novas realidades históricas do século XX, superou crises e perdas de fiéis, mas continuou sendo um elemento característico da nossa cultura e a Igreja uma instituição privilegiada. O Estado brasileiro, na pessoa do presidente Getúlio Vargas e das principais autoridades republicanas reconheceu oficialmente Nossa Senhora Aparecida como a padroeira do Brasil, uma prova de tal prestígio. E a Igreja ainda detém grande credibilidade e o atual afervoramento da fé é uma realidade considerável nos dias atuais, o que cria expectativas para um futuro mais ligado ao passado, às nossas origens, mais religioso, mais valoroso e mais feliz.


JOSÉ ANTÔNIO DE FARIA

Um comentário:

  1. Marcelo Henrique da Silva2 de junho de 2015 21:22

    Simplesmente enriquecedor! muito bom! forte abraço!

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