segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Dom Dolan: que o legado de 11S seja de esperança
ZP11091204 - 12-09-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-28818?l=portuguese
O 10º aniversário é um momento para recordar e seguir adiante
WASHINGTON, segunda-feira, 12 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – O 10º aniversário dos ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 é um momento não somente para ser lembrado, mas também para seguir adiante, segundo o presidente da Conferência Episcopal dos EUA.
DomTimothy Dolan, de Nova York, disse isso em uma declaração divulgada alguns dias antes do aniversário. Este comemora os 10 anos do sequestro dos quatro aviões que colidiram em Nova York, Washington, Shanksville e Pensilvânia. No total, 3 mil mortos como resultado dos ataques, incluindo os 19 sequestradores.
“Recordamos com respeito os afetados diretamente por esta tragédia, os que morreram, ficaram feridos ou perderam seus entes queridos – escreveu Dom Dolan. De forma especial, recordamos a generosa resposta (de policiais, bombeiros, sacerdotes e outras valentes pessoas) dos que arriscaram, e muitas vezes perderam, suas vidas esforçando-se corajosamente para salvar outros.”
Estima-se que mais de 400 profissionais, incluindo 343 membros do corpo de bombeiros, morreram em Nova York no dia 11 de setembro. Muitos deles perderam a vida quando as torres caíram.
O arcebispo disse que é importante não somente recordar os ataques, mas também a resposta: “Nós nos dedicamos à oração e à ajuda mútua. As mãos se abriam em oração e ao serviço de todos os que haviam perdido tanto”.
Indo mais longe, Dom Dolan disse que, como país, “continuamos decididos a rejeitar as ideologias extremistas que perversamente utilizam a religião para justificar ataques contra civis inocentes”.
“Este 10º aniversário do 11S pode ser um tempo de renovação”, acrescentou.
“Há 10 anos, nos âmbitos religioso, político, social e étnico, nós nos unimos como um só povo para curar as feridas e defender-nos do terrorismo.”
“À medida que enfrentamos os desafios atuais, das pessoas desempregadas, da lutas das famílias e dos contínuos perigos das guerras e do terrorismo, convoquemos o espírito de unidade do 11S para enfrentar os nossos desafios. Rezemos para que o último legado do 11S não seja o medo, mas a esperança para um mundo renovado.”
O dia 12 de setembro
Em um artigo publicado na última quarta-feira no site Catholic New York, Dom Dolan disse que, além do que aconteceu em 11S, havia muito a aprender do dia seguinte, 12 de setembro. Relatou como o pároco de St. Peter, perto da Zona Zero, lhe disse: “Nós, cidadãos de Nova York, não recordamos somente os horrores e os sofrimentos de 11S; também comemoramos o dia 12 de setembro”.
“Demorei um pouco para entender o significado desta frase”, confessou o arcebispo. Mas então explicou: “Os moradores de Nova York estavam sobressaltados, bravos, entristecidos e chocados pela morte e destruição inesquecível de 11S, sim; mas não estavam paralisados ou derrotados!”.
“Recuperaram-se de imediato, tornando-se pessoas de fé, oração, esperança e amor intensos, tão rapidamente quanto começou o resgate, a recuperação, a reconstrução e a assistência. E, desde então, não pararam.”
“O 11S poderia ter nos transformado em animais estáticos, paranoicos e viciosos, e nossos atacantes dementes teriam nos vencido – continuou Dom Dolan –, ou extrair a parte mais nobre da alma humana, como o sacrifício heroico, a solidariedade no serviço, os esforços infinitos no resgate, as comunidades unidas, as orações pelos que morreram e pelas suas famílias em luto, a cura e a renovação.”
“O 11S não teve a última palavra, mas sim o dia 12”, concluiu.
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Texto completo da declaração no site de ZENIT (em inglês): www.zenit.org/article-33379?l=english
Artigo do Catholic New York: www.cny.org
domingo, 11 de setembro de 2011
Bento XVI sobre o 11 de setembro: Rejeitar a violência e resistir à tentação do ódio
Bento XVI sobre o 11 de setembro: Rejeitar a violência e resistir à tentação do ódio
ANCONA, 11 Set. 11 / 04:02 pm (ACI/EWTN Noticias)
Ao presidir este meio-dia (hora local) a oração do ângelus dominical da localidade italiana de Ancona, o Papa Bento XVI recordou novamente os trágicos eventos de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque, e alentou a "rejeitar a violência, como solução dos problemas” e a “resistir à tentação do ódio".
Logo depois da Missa que presidiu na cidade de Ancona, aonde chegou para dar encerramento ao Congresso Eucarístico italiano que realizado durante esta semana, o Santo Padre disse que a oração do ângelus permite contemplar a Maria.
"Graças ao ‘Fiat’ da Virgem, o Verbo se fez carne e habitou entre nós", disse e logo encomendou a Itália à Virgem de Loreto, para que em toda esta nação se faça presente "Cristo Ressuscitado, fonte de esperança e de consolo para a vida cotidiana, especialmente nos momentos difíceis".
Seguidamente o Santo Padre afirmou que "hoje o nosso pensamento se volta também para o 11 de setembro de dez anos atrás".
"Ao recordar ao Senhor da Vida as vítimas dos atentados executados naquele dia e as suas famílias, convido os responsáveis das Nações e os homens de boa vontade a rejeitar a violência, como solução dos problemas”, disse.
Bento XVI também exortou "a resistir à tentação do ódio e a operar na sociedade, inspirando-se nos princípios da solidariedade, da justiça e da paz".
O Papa enviou ontem uma carta ao Presidente da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), Dom Timothy Dolan, na que assegurou que "nenhuma circunstância pode justificar atos de terrorismo" e na qual ele elevou suas orações pelas vítimas dos atentados.
Na carta o Santo Padre reitera que "toda vida humana é preciosa aos olhos de Deus e deve se economizar nenhum esforço na tentativa de promover em todo mundo um genuíno respeito pelos direitos inalienáveis e pela dignidade dos indivíduos em todo lugar".
Como parte dos atos que o Vaticano está organizando em lembrança das vítimas dos atentados, a Missão Permanente da Santa Sé perante a ONU em Nova Iorque celebrou ontem uma Missa na Catedral do St. Patrick às 17:30h, presidida pelo Arcebispo Francis Chullikatt, Núncio ante este organismo.
As tragédias do 11-9
Em 11 de setembro de 2001 o grupo terrorista Al Qaeda seqüestrou dois aviões comerciais nos Estados Unidos. Dois deles colidiram contra as Torres Gêmeas no World Trade Center provocando a completa destruição destes edifícios.
Os terroristas seqüestraram outros dois aviões, um dos quais impactou contra uma das paredes do Pentágono na Virginia, e o outro caiu em campo aberto.
Como resultado dos atentados morreram umas de 3 mil pessoas e outras 6 mil resultaram feridas.
O lugar onde estavam estes edifícios foi rebatizado depois como Zona Zero, aonde chegou o Papa Bento XVI, em sua viagem de abril de 2008, para rezar pelas vítimas destes trágicos eventos.
Antes de realizar sua viagem aos Estados Unidos, o Santo Padre tinha feito um pedido explícito para que esse momento de oração na zona do desastre fizesse parte do programa oficial na visita a este país e à sede da ONU em Nova Iorque.
O 11 de setembro
Em 2001 tivemos o triste fato da destruição das Torres Gêmeas nos Estados Unidos, ocasionando pânico em todo o mundo. Foi a expressão que revelou até que ponto chega a violência entre as pessoas. Como consequência, tivemos a ceifa de tantas vidas.
Diante de um acontecimento como esse, a sensação natural é de vingança. Parece até que não cabe aí a palavra "perdão". A morte de Bin Laden foi consequência disto. No coração de muita gente brotou um sintoma de alívio, de corte do mal pela raiz.
Não só esse fato, mas sofremos tantos atos de violência todos os dias sejam nos assaltos, nos lares, no trânsito, na ação das quadrilhas defendendo pontos de venda de drogas etc. É sinal de que todos nós estamos na vulnerabilidade.
Fomos criados para a vida e a morte natural. Na verdade, a pessoa humana é patrimônio da humanidade. Não existe para ser objeto de violência e de vingança. Nos ensinamentos de Jesus Cristo, a felicidade passa pelo perdão, "até setenta vezes sete".
Num mundo de violência e vingança, não é fácil entender o Mistério do Amor de Deus. É o Mistério do Perdão como gesto profundo de gratuidade. Não é a vingança por vingança, que causa cada vez mais violência, deixando o povo sem esperança.
O rancor e a raiva são coisas detestáveis, que prejudicam o relacionamento humano. O perdão é sempre mais forte do que a vingança. Conseguimos usufruir da vida se for na liberdade e no respeito mútuos, no saber entender a diversidade.
Só a justiça é capaz de construir relações novas e um mundo novo. Ela leva ao perdão de qualidade, a gestos de nobreza e de bênçãos de Deus. É a superação do "olho por olho e dente por dente". Aquilo que as nações não têm conseguido fazer.
A morte e a destruição nos nivelam a todos. Só aí vão cessar o rancor e a raiva. O ensinamento de Deus se apóia na misericórdia e na capacidade do perdão em todas as circunstâncias.
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Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto - SP
Ter fé em Deus é bom para a Pátria?
10 de setembro de 2011
Dom Odilo P. Scherer - O Estado de S.Paulo
A comemoração do Dia da Pátria, no aniversário da independência do Brasil, sugere uma reflexão sobre a relação entre Pátria e fé em Deus. A questão pode parecer inócua, mas não é, sobretudo quando pensamos em "partidos religiosos", ou em ideologias político-religiosas, que promovem violência em nome de Deus e se impõem, como totalitarismo asfixiante, sobre toda uma nação. É inegável que existem várias lamentáveis instrumentalizações da religião para fins não próprios dela. Proponho minha reflexão a partir da posição da Igreja Católica Apostólica Romana.
Tomemos a noção de "fé em Deus" não como algo genérico ou subjetivo, mas relacionada com um corpo de doutrinas, elaborado e professado oficialmente por determinada religião; afirmações e interpretações pessoais não podem ser atribuídas ao grupo religioso como um todo. A fé em Deus professada pela Igreja Católica está definida e explicada oficialmente no Catecismo da Igreja Católica; outros textos do Magistério eclesiástico explicitam ainda mais determinados aspectos da sua fé.
A comunidade política e a comunidade religiosa, embora se exprimam por estruturas visíveis, por vezes semelhantes, são de natureza bem diversa, quer pela sua configuração, quer, sobretudo, pela sua finalidade. São independentes e autônomas. A Igreja organiza-se com formas aptas a satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis e não pretende substituir-se ao Estado, ou à comunidade política; reconhece e respeita a competência desta para gerar relações e instituições para o serviço do bem comum temporal.
Portanto, a laicidade do Estado, entendida como separação de Poderes, autonomia e respeito pelas competências próprias de Estado e Igreja, fica plenamente preservada. Isso é bom, contanto que essa laicidade não seja usada como álibi para a imposição, aos cidadãos, da não religião como postura oficial, para cercear a liberdade religiosa, ou para discriminar cidadãos em função de suas convicções de fé. Compete ao Estado assegurar a todos os seus membros a liberdade de crer, ou não crer, e de expressar a sua fé, se forem religiosos.
Tenho plena convicção de que fé em Deus e amor à Pátria não se excluem, muito pelo contrário! Um bom cristão deve ser também um bom cidadão. Um mau cidadão, certamente, não é um bom cristão. Como pessoas de fé, estamos conscientes de que "não temos neste mundo pátria definitiva, mas estamos a caminho da que há de vir" (cf. Hb 13,14); mas também temos clara consciência de sermos membros de uma Pátria neste mundo; somos parte de um povo, com o qual nos identificamos e com cujo bem estamos - e devemos estar - inteiramente comprometidos.
Nossa convicção de fé, como cristãos e católicos, não pode ser desvinculada da edificação da comunidade humana, da qual fazemos parte. O ensino social da Igreja oferece as diretrizes para traduzir as luzes e os valores do Evangelho do Reino de Deus para o viver e agir quotidiano. Karl Marx - e outros com ele - interpretou de maneira equivocada o potencial da fé religiosa para a vida de um povo, ao qualificar, de modo simplista, a religião como ópio do povo...
Além de cumprirem os seus deveres cívicos, como os demais cidadãos, as pessoas de fé têm uma contribuição própria a dar para o bem da Pátria. A fé em Deus, bem entendida e manifestada publicamente, com suas convicções traduzidas em antropologia, moral e cultura, pode representar uma contribuição fundamental para o bem comum. Da fé em Deus decorre uma valiosa compreensão da pessoa e sua existência, do mundo e do convívio social, da economia e de todas as atividades humanas. Decorre também um alto conceito de dignidade da pessoa e de seus direitos inalienáveis, bem como um embasamento sólido para práticas de respeito, justiça e honestidade, tão necessárias ao convívio humano e às relações sociais.
A fé em Deus também é capaz de despertar e sustentar belas ações de caridade, compaixão e solidariedade; dificilmente nossas organizações religiosas deixam de estar ligadas a iniciativas de beneficência, de grande importância social, como obras sociais, escolas, hospitais e lugares de acolhida e cuidado de pessoas esquecidas ou rejeitadas pela sociedade. A fé em Deus, quando verdadeira, leva a uma aproximação sempre maior do Mistério Sublime e ao enlevo ante sua beleza - nasceram daí, e continuam a nascer, tantas expressões artísticas! E a esperança, decorrente da fé em Deus, longe de alienar das realidades presentes, é fonte de energias para enfrentar os desafios e as tarefas desta vida.
Na antropologia cristã, além disso, está presente aquilo que a globalização vai trazendo sempre mais à luz: nossa pertença a uma única família humana, à qual estamos ligados de maneira solidária. Cremos num único Deus e Pai de toda a humanidade; ele quer o bem de todos os filhos e que vivam como irmãos e em paz. Um povo não pode ser indiferente aos outros, nem deixar de se interessar pela sorte sempre mais compartilhada por todos os membros da comunidade humana. Limites territoriais, tradições culturais, diferenças raciais, heranças históricas e interesses econômicos, em vez de contrapostos, deveriam ser cada vez mais conjugados e harmonizados.
Quando se dá espaço para Deus, também o homem ganha importância; sua dignidade, seus direitos, a liberdade e o sentido de sua vida neste mundo não são diminuídos, mas iluminados e potencializados. A fé em Deus oferece bases sólidas para valores e virtudes que devem nortear o vida humana nas esferas privada e pública.
Ter fé em Deus e manifestá-la abertamente, indo às suas consequências éticas e culturais, é bom e faz bem à Pátria.
CARDEAL-ARCEBISPO DE SÃO PAULO
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sábado, 10 de setembro de 2011
Gentil pátria amada
ZP11090902 - 09-09-2011
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Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo
BELO HORIZONTE, sexta-feira, 9 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – O florão da América, ao comemorar os 189 anos de sua Independência, cobriu-se de verde-amarelo e de outras cores, com a inclusão de outros valores e patrimônios imateriais da cultura brasileira. Vestiu-se também de preto. O 17º Grito dos Excluídos, congregando movimentos e pastorais sociais, ganhou um pouco mais de sonoridade com o movimento de combate à corrupção que, historicamente, assola instituições na sociedade brasileira. É uma lamentável pandemia que entranha facilmente e, confortavelmente, se hospeda na cultura, isto é, nos hábitos e costumes, até nos mais elementares. A consequência é o comprometimento da cidadania que o Dia da Pátria poderia celebrar como conquista e comprovação de grandes e contundentes avanços.
As nulidades ainda estão triunfando com força de perpetuar atrasos e um modus vivendi que, justificados como cultura - na verdade uma subcultura, ou melhor, uma contracultura -, impedem avanços, mais rapidez e inteligência estratégica para geração de cenários novos enquanto superação da deficitária situação habitacional, a erradicação da miséria e, particularmente, uma configuração mais nítida e incidente da cultura da solidariedade.
Essas e outras demandas, com suas urgências, precisam incontestavelmente de uma modificação significativa na realidade da corrupção que envenena projetos, compromete programas, corrói o erário público, aumenta a indiferença que anula o sentido, o comprometimento social e político das cidadanias. Além de estratégias perversas - o uso equivocado da razão, que faz pouco efeito em função da cegueira produzida pela ganância e pelo incontido amor ao dinheiro -, estão incluídos outros agentes perniciosos que fortemente contribuem para complicar a solução deste enigma moral.
É lamentável e desolador constatar a condição de refém que instituições importantes na sociedade têm experimentado como uma verdadeira camisa de força, impeditiva de avanços essenciais e de velocidade no parâmetro da rapidez que esta segunda década do terceiro milênio pressupõe para que não se perca, ainda mais, o trem da história. A incompetência é um destes agentes.
Na verdade, é comum encobrir a incompetência com uma consciência de si que está, ridiculamente, além dos desempenhos mostrados em tarefas, funções e missões. Aliás, não se consegue introduzir tão facilmente o mecanismo de avaliação de desempenho. A resistência é sempre grande. Avaliar é oportunidade de, por diálogos e medições, refletir competências. Pode revelar o blefe de aparências e faz de conta. Esse mal assola todas as instituições. As religiosas, como as políticas, governamentais e sociais estão vivendo esse problema. Constata-se um agravante disfarçado num tipo de crítica pejorativa que se põe como defesa de mediocridades e sustento de lideranças frágeis na condução de processos e nas respostas a exigências de transformações mais profundas e rápidas.
Este cenário, configurado também com outras nuanças, aponta que só o diálogo pode abrir um caminho novo. Esse entendimento inclui, de maneira inteligente, supondo a postura crítica, a possibilidade de um julgamento que desvenda complexidades, permite encontrar soluções novas e respostas adequadas. Ora, crítica em diálogo não é discurso rasteiro próprio de magoados, de amantes do poder perdido, dos amargurados e dos que adotam arbitrariedades para conseguir, a qualquer preço, um lugar ao sol.
O sentido de pátria na cidadania, exigência própria e conduta indispensável de cada cidadão, indica a premência da elaboração de uma definição mais apurada da crise ética que se está vivendo, atingindo frontalmente a direção que alavanca a vida no rumo correto para se perceber os riscos dos relativismos que emolduram a cidadania e a vida contemporânea.
A complexidade da realidade, gerada pela lista incontável de demandas, exige um debruçar-se sobre ela, não apenas com o critério, por exemplo, do mercado que produz, incontestavelmente, a erosão das relações básicas e inegociáveis. Exige-se a pinça afiada da ética para enfrentar adequadamente as crises como a ecológica, humana, de sentido e exercitar a cidadania na desafiadora assimetria que caracteriza a vivência da solidariedade - um remédio urgente e indispensável visando o futuro, não tão mais caótico, da sociedade.
A escuta do clamor dos pobres - exercício do verdadeiro e indispensável sentido social e equilíbrio no campo político - para além das aberrações diárias no âmbito da representação do povo, e o luto que caracteriza a indignação indispensável contra a corrupção, produz avanços para que seja realidade a referência gentil pátria amada.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo é arcebispo de Belo Horizonte - MG
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O papel da fé na política internacional
ZP11090401 - 04-09-2011
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Religião e conflitos globais
ROMA, domingo, 4 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – No décimo aniversário do 11 de setembro, permanece vivo o debate sobre o papel da religião nos conflitos e na política.
O recente livro Religion, Identity and Global Governance: Ideas, Evidence and Practice (University of Toronto Press) traz uma valiosa contribuição ao debate, recopilando muitas atas de uma conferência de outubro de 2007.
John F. Stack, professor na Universidade Internacional da Flórida, analisa num dos capítulos o desafio à teoria das relações internacionais. Antes mesmo dos acontecimentos da última década, estava claro que a religião, longe de ter desaparecido, é uma poderosa força global, afirma Stack.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as influências protestantes e evangélicas tiveram importante papel na política interior. A religião voltou aos países da antiga União Soviética desde a queda do comunismo, e a influência do islã tem sido evidente na África, Ásia e Europa.
Mas Stack observa que a teoria das relações internacionais ignora o papel da religião. Em muitos casos, durante o século XX, os pensadores influentes em ciências sociais teorizaram que a religião não só é irrelevante, mas ainda que desapareceria de modo gradual.
A sobrevivência da religião e sua evidente influência na política forçou, depois, a mudança de perspectiva. A religião é importante, explica Stack, e é uma dimensão básica da vida humana que influencia cultura, tradição e visões do mundo. “As crenças religiosas podem não agradar aos estudiosos sociais do Ocidente, que analisam o comportamento dos indivíduos, grupos, movimentos sociais, estados, mas ressoam profundamente nos valores e nas opções mais básicas”.
Stack admite que é difícil avaliar o papel concreto da religião e discernir se ela é uma mera manifestação de outros fatores étnicos, culturais ou de afirmação de um grupo.
Reação laicista
Na última década, vivemos uma verdadeira explosão de estudos sobre religião e assuntos internacionais, escreveu Ron E. Hassner em seu capítulo. Hassner, professor adjunto na Universidade da Califórnia em Berkeley, diz que foram publicados mais livros sobre o islã e a guerra desde o 11 de setembro do que desde a invenção da imprensa até aquela data.
Ele deplora o que chama de “reação laicista e borbulhante”, que caracterizou um bom número de livros. “Rejeitar a religião como se fosse apenas uma forma perigosa de demência de grupo não é só irracional, mas também inútil, porque não se pode rejeitar a religião e ao mesmo tempo querer entendê-la”.
Hassner acusa escritores como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchins de afirmar que há uma relação causal entre religião e guerra. Ao mesmo tempo, eles rejeitam como falsa qualquer associação com a promoção da moral, da cultura e da ciência.
Em seu texto, Cecília Lynch, professora da Universidade da Califórnia, propõe uma postura de estudo da religião diferente da de Dawkins. É importante considerar a prática da religião e não unicamente a doutrina, afirma ela.
Temos que entender também que a religião, embora proporcione diretrizes éticas, sempre deixa espaço para a interpretação. As doutrinas e tradições religiosas, segundo Lynch, não podem cobrir todas as possibilidades na hora de prescrever um comportamento. Devemos considerar a crença e a prática religiosa como moldadas pelas circunstâncias e tradições históricas, além de fatores econômicos e sociais contemporâneos.
Um dos aspectos da religião em que Lynch se concentra é o compromisso com a atividade humanitária. Nos conflitos das últimas décadas, envolvendo tanto cristãos quanto muçulmanos, suas organizações humanitárias respectivas começaram a trabalhar juntas. As organizações laicas tiveram que se adaptar para trabalhar em sociedades de maioria muçulmana. Desde os acontecimentos de 2001, porém, alguns países olham com desconfiança para as organizações humanitárias islâmicas.
Guerra justa
James L. Heft, padre marianista e professor na Universidade do Sul da Califórnia, analisa a doutrina da guerra justa e como ela é interpretada por João Paulo II.
Segundo Heft, João Paulo II desenvolveu uma compreensão dos ensinamentos sobre a guerra justa que tornou mais difícil justificar a guerra, e também as enquadrou num marco ético que privilegia os meios não violentos de resolução de conflitos.
Esta tendência se iniciou muito antes de João Paulo II, diz Heft. Depois que a Igreja católica perdeu os Estados Pontifícios e seu poder temporal, ela se viu livre para defender melhor os direitos dos outros e passou a se opor à guerra com mais intensidade. Este desenvolvimento ficou especialmente evidente na encíclica de João XXIII Pacem in Terris, publicada em 1963.
Em 4 de outubro de 1965, dirigindo-se às Nações Unidas, Paulo VI exclamou: “Basta de guerra, guerra nunca mais!”.
Heft escreve que João Paulo II defendia os direitos humanos em suas encíclicas e discursos e se opunha repetidamente à guerra. Não descartava inteiramente o uso da força, mas o limitava cuidadosamente.
Os acontecimentos de 1989, que determinaram a libertação sem guerra da Europa do Leste, confirmaram as convicções do papa na força dos métodos não violentos, afirma Heft. Ele tocaria no tema dois anos depois, na encíclica Centesimus Annus. Nos anos seguintes, João Paulo II se oporia com firmeza à invasão do Iraque.
Heft observa, porém, que João Paulo II apoiou com cautela a derrocada do governo talibã do Afeganistão. Na mensagem para a Jornada Mundial da Paz de 2002, o papa afirmou que existe um direito a defender-se contra o terrorismo. Defendeu também a intervenção humanitária na antiga Iugoslávia.
Em geral, a consciência de João Paulo II das consequências da guerra o fez rejeitar a violência, mas não é correto apresentá-lo como um pacifista, conclui Heft.
Religião e Resolução de Conflitos
Abordando a questão da paz, Robert B. Llloyd fala dos enfoques para a resolução de conflitos baseados na religião. Lloyd, professor associado da Universidade Pepperdine, assinala que personalidades, como a ex-secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, tinham afirmado que a diplomacia baseada na religião era uma ferramenta útil de política externa.
Lloyd concentrou sua atenção sobre o cristianismo. O mundo não tem carecido de mediadores – observa ele –, mas o mediador cristã difere devido à formação recebida em uma comunidade religiosa concreta.
Lloyd fala da longa história de mediação da Igreja Católica. O Tratado de Tordesilhas, de 1494, patrocinado pelo Papa Alexandre VI, resolveu o conflito entre Espanha e Portugal pelo controle das terras recém-descobertas na Ásia, África e Américas.
Mais recentemente, em 1984, um tratado foi assinado entre o Chile e a Argentina para resolver uma disputa sobre as ilhas do Canal de Beagle. A mediação da Igreja ajudou a resolver um conflito que levou os dois países à beira da guerra.
Lloyd também se referiu à Comunidade de Sant’Egidio. Desempenhou um papel fundamental na mediação para acabar com uma guerra de 15 anos em Moçambique.
Existe alguma coisa que distingue a mediação cristã? Lloyd identificou algumas diferenças. Os cristãos enfatizam a reconciliação ou a construção de novas relações onde não existiam.
Outra preocupação é o resultado justo. A importante questão da justiça que é encontrada nas Escrituras fornece uma motivação adicional para os cristãos, quando comparados com outros mediadores.
Uma terceira característica é a preferência pela negociação e, sobretudo, por estabelecer linhas de comunicação que não teriam existido entre as partes.
Como seus colegas leigos, os mediadores cristãos nem sempre são bem sucedidos, mas Lloyd afirma que isso mostra como uma forte identidade religiosa não é apenas fonte de conflito, mas também um meio de paz e reconciliação.
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domingo, 4 de setembro de 2011
Existe guerra entre muçulmanos e cristãos na Nigéria?
ZP11090403 - 04-09-2011
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Arcebispo de Abuja: tensão religiosa não é o maior perigo
ABUJA, domingo, 4 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – A maior causa das tensões na Nigéria não é a divisão entre cristãos e muçulmanos, mas entre ricos e pobres, afirma o arcebispo de Abuja, capital do país.
Em entrevista ao programa de televisão Deus chora na Terra, da Catholic Radio and Television Network (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre, o arcebispo John Onaiyekan explica que o maior perigo para a paz na Nigéria “é a injustiça social no país”.
Em aproximadamente uma década, 3.000 pessoas foram assassinadas pela violência inter-étnica e inter-religiosa. Qual é a origem desta violência?
Dom Onaiyekan: Essa é a má notícia, a perda de vidas em conflitos que têm conotações religiosas e são interpretados como religiosos. Mas eu acho que nós temos que lembrar que milhares de vidas se perdem no meu país, ano após ano, por causa dessas mortes diárias em hospitais por culpa da má gestão, e também por causa de conflitos em áreas onde não existem cristãos ou muçulmanos. E ninguém fala delas. Só da violência entre muçulmanos e cristãos. Nós estamos falando de uma cultura que desvaloriza a vida humana em geral. E eu digo isso como nigeriano, com toda a responsabilidade e tristeza. Temos que colocar tudo no seu devido contexto. Para falar de 3.000, eles calculam normalmente com base nos que perderam a vida no norte da Nigéria.
Na região de Jos?
Dom Onaiyekan: A região de Jos é só a última, porque tem outras da Nigéria com enfrentamentos: em Kaduna, Bauchi, e, quando fizeram aquelas famosas “caricaturas dinamarquesas”, tivemos distúrbios em Duguri e em toda a região, e, depois, na meseta de Jos.
Jos foi especialmente surpreendente, porque Jos não tem uma grande população muçulmana. Nem é um lugar onde se possa dizer que os cristãos e muçulmanos tenham uma relação tensa. É de maioria cristã e nós ficamos surpresos de que num lugar como aquele ocorra esse tipo de violência. Em segundo lugar, seja em Jos ou em qualquer outro lugar, as pessoas não atacam as outras só por causa da religião.
Mas quando escrevem sobre isso, apresentam justamente assim: violência por motivos religiosos entre muçulmanos e cristãos. Se não é assim, qual é a verdadeira origem?
Dom Onaiyekan: Pode haver uma dimensão religiosa, porque os nigerianos são profundamente religiosos, o que é uma coisa grandiosa. E este é um dos casos em que algo bom pode virar uma coisa ruim. Eles são profundamente comprometidos com a fé, e isso quer dizer que tudo o que eles fazem é com fervor religioso. Se duas pessoas brigam, até no mercado, e um é muçulmano e o outro é cristão, antes de saber qualquer coisa as pessoas vão dizer: “aquele muçulmano e aquele cristão estão brigando”. Não vão dizer: “aqueles dois nigerianos”, como deveriam dizer, e eu acho que é isso o que faz parecer que é uma disputa religiosa.
No caso de Jos, o assunto é bem claro: é entre os que são considerados “indígenas” da meseta e os considerados “colonos”. O problema nem é tanto com os colonos, porque existem colonos e indígenas pela Nigéria toda. O problema na meseta é a situação dos colonos que exigem plenos direitos como indígenas, um ponto em que eu pessoalmente estou de acordo, e que não é válido só para aquela meseta, mas para toda a Nigéria.
Há outros elementos em jogo?
Dom Onaiyekan: Eu quero insistir no seguinte: os nigerianos não são só cristãos ou muçulmanos; os nigerianos são também hausa, ibo e ioruba. Os nigerianos têm também ideologias políticas diferentes. E a maior diferença hoje, e uma das causas da maioria dos problemas, e o maior perigo para a paz na Nigéria, não é essa história dos cristãos e dos muçulmanos; é a injustiça social no país. A grande diferença, o grande abismo entre uns poucos que são muito ricos e a imensa maioria que são pobres numa nação que é muito rica.
Os poucos ricos, a maioria dos quais são também ladrões, bandidos que roubam o nosso dinheiro, gente corrupta, são cristãos e muçulmanos que estão sentados nas mesmas mesas diretivas. Os pobres que estão sofrendo também são cristãos e muçulmanos, e também se dão bem entre si, porque têm os mesmos problemas. Estas são as coisas que deveríamos considerar de modo cuidadoso, e, se você vive na Nigéria, tem que usar essa lente para não se deixar levar por explicações que parecem simples e diretas, mas são simplistas demais.
Então podemos dizer que o sucesso ou o fracasso político na Nigéria se traduz em poder econômico ou na falta dele?
Dom Onaiyekan: Isso. É uma mentalidade de “o ganhador leva tudo”. Se você é do partido do governo, então você consegue todos os contratos, todas as promoções e todos os trabalhos no governo para os filhos. Mas se você é da oposição, aí você não consegue nada. Se, além de pertencer ao partido da oposição, você ainda pertence a uma tribo diferente, porque além da divisão política você acrescente também a étnica, e se você acrescentar também que pertence a outra religião, é fácil alguém dizer que cristãos e muçulmanos se enfrentam... E esta é a imagem que você vê no mundo inteiro sobre a Nigéria.
Jamais eu vi na Nigéria que nós tenhamos brigado porque Jesus Cristo seja ou não seja Deus, que é a maior diferença teológica entre os cristãos e os muçulmanos. Nós nunca brigamos por isso nem nunca nos enfrentamos para discutir se Maomé é um verdadeiro profeta ou não é. Nós lutamos pela terra. Nós discutimos quantos ministros são muçulmanos ou cristãos. Nós discutimos sobre quem é o líder deste ou daquele partido político. Estes é que são os temas em que existe enfrentamento.
Isso levanta a questão: Por que é apresentado como um assunto religioso e não como o que ele realmente é - interesses econômicos ou políticos?
Dom Onaiyekan: É devido à natureza da comunidade nigeriana. Nós facilmente nos identificamos como cristãos ou muçulmanos. Se você estiver na Nigéria num domingo, verá que as igrejas estão cheias. Todo mundo vai à igreja no domingo. Se você é um cristão e estiver sentado em casa em um domingo, te perguntarão: "por que não vai à igreja? O quê acontece? Você tem algum problema?". E se pode dizer o mesmo para um muçulmano. É como se sua identidade se definisse em termos de sua religião. Então, seja lá o que você faça, você é considerado cristão ou muçulmano.
Em segundo lugar, quando duas pessoas são rivais, tentam implantar todos os recursos para se proteger. Assim, se eu estou lutando com um parceiro que é muçulmano e eu estou prestes a perder, direi: "Olha como eles me tratam. Eu sou cristão". Isso me lembra de São Paulo quando ele estava em pé diante do Sinédrio, olhou os fariseus entre os saduceus e disse: "Eu sou fariseu e por isso sofro." Então os fariseus apoiaram. Há algo disso também. Do lado muçulmano, há pessoas que querem atrair a solidariedade dos muçulmanos, não só na Nigéria, mas também no exterior. Vemos que isso acontece em ambos os lados.
Mas a questão é: Quando este tipo de coisa ocorre, não se pensa muito no resultado. Estamos caminhando para resolver nossos problemas de convivência ou estamos nos preparando para a guerra que haverá, finalmente, entre cristãos e muçulmanos?
O senhor mencionou os interesses estrangeiros. Há interesses estrangeiros provocando isso?
Dom Onaiyekan: Há muitos interesses em jogo, creio eu, já que estamos falando de uma base religiosa, obviamente, em ambos os lados, com correntes que têm posições muito fortes contra os outros. Há correntes islâmicas que acreditam que os cristãos são maus crentes. Há muitas pessoas na Nigéria que assistem TV ou ouvem sermões que vêm Iêmen e são emitidos pelos canais islâmicos. Há pequenos grupos que são muito tendenciosos em ambos os lados.
Também há cristãos que dizem coisas horríveis sobre os muçulmanos. Acham que os muçulmanos que vão a Meca adoram um ídolo, uma pedra, e que não há maneira de um muçulmano alcançar o céu, porque Jesus disse que, se não nascer da água e do espírito, não entrarás no Reino de Deus. Quando alguém vai a público dizer isso diretamente aos muçulmanos, está provocando, mas, digo novamente, trata-se de um pequeno grupo. Nossa Igreja não ensina isso. Quando há choques, o resto de nós fica envolvido, o que é um grande problema. A razão final que lhe daria – já que estamos falando em termos de comunicação – é que os jornalistas às vezes são preguiçosos.
Nós conversamos sobre o diálogo nessas situações tão complicadas. O senhor tem esperanças?
Dom Onaiyekan: Eu sou um otimista incurável e sempre olho para o que mais deslumbra e também porque acredito que essa é a atitude cristã. Nós acreditamos em Jesus ressuscitado, e seu espírito nos move. Por isso não temos medo de olhar até mesmo a realidade da corrupção. Amo a Nigéria intensamente. Há tantas pessoas maravilhosas. A grande maioria dos nigerianos, de todas as crenças, são pessoas maravilhosas e quando veem algo de bom, admiram e se apegam a ele. Nosso grande problema é que precisamos de um bom governo, um governo forte, que possa implementar todas estas coisas maravilhosas e não só os recursos naturais, mas, acima de tudo, os recursos humanos da Nigéria. Com a ajuda de Deus, não deveria haver problemas entre cristãos e muçulmanos. De fato, minha opinião é que a Nigéria será um modelo para o mundo de como os cristãos e muçulmanos vivem juntos, porque nossa cultura tem o maior número de cristãos e muçulmanos vivendo juntos em um mesmo país. Em outros países, uma ou outra das religiões é maioria ou minoria. Faça o que fizer, eles são separados. Na Nigéria, somos iguais e nos encontramos face a face e somos cidadãos do mesmo país, às vezes, os membros da mesma família.
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Esta entrevista foi realizada por Marie-Pauline Meyer para "Deus chora na terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt, http://www.wheregodweeps.org/countries/nigeria
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