sexta-feira, 12 de julho de 2013

Nova Ordem Mundial: revolução cultural e política – Marcus Boeira

Não há dúvida de que uma parte da maçonaria e outras sociedades secretas e discretas do ocidente contribuíram decisivamente para o desmantelamento da Igreja Católica nos últimos três séculos. Formas alternativas de institucionalização do gnosticismo foram promovidas ao longo da modernidade ocidental de um modo avassalador. O Ocidente, à beira de uma nova ordem mundial orquestrada por grupos como o Clube de Bilderberg, caminha para a destruição completa não só da Igreja de Roma, como também de toda a cristandade de um modo geral.
É claro que a consumação disso dependerá da permissão de Deus. Porém, considerando os aspectos dessa questão relativos à natureza revolucionária de seus agentes, vemos que intentos destes são de uma diabolicidade atroz. Começaram pela filosofia e pela cultura, quando as teses ditas iluministas prepararam a Revolução Francesa. A continuidade veio, de forma mais marcante, com o fomento das internacionais socialistas e do marxismo cultural, desenhado patologicamente por aqueles interessados em estabelecer uma “novus ordo seclorum”.
Também avançaram com o chamado empirismo mitigado, com algumas facetas do liberalismo inglês e com as formas liberais peninsulares que chegaram no novo mundo (nas Américas) após a Constituição de Cádiz de 1812 e as revoltas das Cortes no Porto em 1820. Por fim, avançou sob variadas formas no século XX: o romantismo, o idealismo, o existencialismo, o estruturalismo, dentre outras.
Todo esse esquema, acusado por muitos de “mera conspiração”, está se desenrolando diante de nossos olhos, por meio dos media e das universidades, que se transformaram em templos de propagação da mentira e da estupidez.
Ricardo de la Cierva, grande historiador espanhol, em seus renomados livros Los Signos del Anticristo e Las Puertas del Infierno, demonstra com detalhes esse plano diabólico costurado para o aniquilamento da cristandade, transformando o antigo orbe cristão em um mundo secularizado. Com esse objetivo em mente, os planejadores globais utilizam-se dos meios de comunicação e do cenário político continental, bem como das infiltrações de grupos anticristãos em instituições cristãs para acelerar o desmoronamento da fé cristã, como foi o caso, por exemplo, da invasão do marxismo cultural dentro da Sociedade de Jesus para desestruturá-la propositadamente.
A Companhia, antigo braço apologético da Igreja contra a Maçonaria especulativa, abriu as portas para o recebimento de um dos maiores inimigos da Cristandade. La Cierva denuncia a criação do instituto denominado “Fe y Secularidad”, dentro da Companhia de Jesus, com o intuito de estabelecer um diálogo entre o cristianismo e o marxismo, mas que, ao longo das décadas de 70 e 80 do século passado, foi se tornando cada vez mais assinalada pelo marxismo cultural. E isso se evidenciava pela práxis do instituto, que segundo o autor assinalara-se pelo “princípio de um sinal marxista-cristão de caráter revolucionário”. Esse processo rompeu as paredes do instituto interno e logo a ordem inaciana viu-se destruída em suas raízes tradicionais.
Em outra obra, Goodbye Goodmen, Michael S. Rose demonstra de que forma os “liberals” (esquerdistas norte-americanos) tomaram a Igreja Católica nos país, levando a ruína para dentro dos seminários. Diante disso, cabe a pergunta: será que a “nova era” (movimento revolucionário contra a Verdade) foi um evento que surgiu do nada, ou foi um ataque coordenado e previamente pensado pelos financiadores da destruição da cultura cristã? La Cierva afirma que
nem a ciência, nem pois a filosofia moderna nasceram e se desenvolveram contra a religião, nem por sua vez contra a Igreja. Temos visto com toda clareza ao traçar as linhas mestras de sua evolução, paralelas algumas vezes, entrecruzada em outras. E muito embora no século XVIII, tomando como bandeira o predomínio da Razão e a supremacia da Ciência, se desencadeou contra a religião e contra a Igreja católica uma ofensiva sem precedentes que logrou o desmantelamento cultural, político e social da Igreja e desembocou na terrível persecução declarada e consumada pela Revolução Francesa, a mais cruel e exterminadora desde os tempos de Diocleciano e a extinção do florescente cristianismo norteafricano pelo Islã na Alta Idade Média”.
Sabemos que ao largo de dois milênios a cristandade encontrou muitos anticristos, e esta é uma razão para alguns de seus altos e baixos. Assim como no passado os gnósticos tentaram levar heresias para dentro da Igreja, na era atual o objetivo ocultista e maquiavélico de transfigurar a história humana de uma era pisciana para uma aquariana, como eles mesmos dizem, demonstra que o agir oculto do reino das trevas está a levar o desmantelamento da Igreja não apenas para aquilo que os elitistas do Bilderberg Club e outros conspiradores globalitas acreditam ser um paraíso perfeito de acordo com suas mentes doentias, senão também para a criação de uma nova ordem política internacional, constituída em contraposição ao legado ocidental de mais de dois mil anos.
Esse legado está nos modelos políticos das antigas cidades gregas (pólis), nas unidades políticas modernas (Estados-Nação), bem como nas demais formas de organização do poder, como Reinos e Impérios, constituídos de acordo com uma filosofia política que se identificava com uma teologia da história, mas que agora são entendidas pelos globalistas como formas políticas inadequadas para o tempo presente.
Portanto, mesmo dentro de um padrão revolucionário de ódio contra a tradição e, assim, contra a verdade constitutiva da história, os inúmeros movimentos revolucionários existentes possuem um ponto comum de conexão: todos eles objetivam a inversão da estrutura da realidade tal como a conhecemos. E, nesse intento, suas articulações internas e ações estratégicas unem-se para essa finalidade política.
Vejamos, por exemplo, o caso da constituição da autoridade civil, bem como das instituições organizadoras do poder. Segundo a herança ocidental, o centro gravitacional do poder político deve estar imantado o mais próximo da comunidade política local (lição perene do princípio da subsidiariedade). Já no mundo construído pelo imaginário ocultista e bizarro dos Bilderberg´s e dos movimentos revolucionários, o centro de poder deve estar o mais distante da sociedade concreta, a fim de permitir uma maior concentração de poder nas instituições internacionais. É claro que o objetivo não poderia ser outro: a instalação de um poder político de abrangência mundial, voltado para coordenar a humanidade e manipulá-la em concordância com os interesses egoístas de uma elite poderosa.
O desmantelamento da Igreja é proposital por que, para chegar à esse objetivo, precisam “mudar a civilização”, transformando-a conforme suas idéias fechadas e modelos esquematizados em planilhas, de maneira a destruir a família, a propriedade, a vida natural (e não artificial, como querem os media), o matrimônio e a tradição. Querem acabar com esse legado, criando um “admirável mundo novo”, como já dizia Huxley. Muitas são as iniciativas desses grupos para desmantelar a Igreja. Na América latina, por exemplo, a Teologia da Libertação encarregou-se de politizar e imanentizar o corpo místico de Cristo, querendo, com isso, determinar histórica e materialmente o plano de salvação segundo conceitos e práticas revolucionárias, como se a fé – o firme fundamento das coisas que não se vêem (Hb 11,1) -, fosse deslocada para uma convicção naquilo que se está vendo e realizando politicamente, para transformar a sociedade e, dessa forma, alocar uma salvação político-ideológica na própria história.
Na Europa, o sucesso da teologia revolucionária de Renold Blank e J. Moltmann, bem como das doutrinas heréticas de Hans Küng, ajudaram a canalizar setores da Igreja para a chamada Nova Era, com maior apreço para o ambientalismo e o ecumenismo.
Em todas as partes, uma onda de revolução contra a tradição se intensificou nos últimos trinta anos. O movimento feminista, a revolução cultural cujo momento-síntese foi o festival de Woodstock (com sua descarada apologia do uso liberado de drogas e instrumentos bioquímicos utilizados para gerar uma alienação da realidade), o apoio ao aborto, ao que chamam de formas não convencionais de casamento, ao direito dos animais (com o charlatanismo intelectual de Peter Singer), não apenas mostra um ódio contra a Igreja e contra a constituição mesma da ordem da realidade, senão também o estado patológico a que os artífices e participantes desses movimentos estão imersos.
Até mesmo nas universidades, uma onda de tecnicismo e de mercantilismo transformou o ensino em palco de pregações ora revolucionárias, ora laborais (não poderia ser diferente!). O surto de revolta contra a ordenação equilibrada dos fenômenos sociais, bem como dos modos de legitimação dos tipos sociais existentes, é visto pelos newagers como uma etapa a ser superada.
Não há mais liberdade para discordar; só há liberdade para se liberar!
Mutatis mutandis, há uma imposição velada da opinião sobre a verdade efetiva. Uma obrigação de consciência determinada pela “Nova Era” acerca de dados da existência humana que, antes, eram bem compreendidos pela tradição, mas que agora possuem um componente ideológico que os preenche segundo os padrões invertidos dos gnóstico-revolucionários.
Esse plano diabólico, engendrado pelas elites que controlam o CFR (Council of Foreign Relations), a Comissão Trilateral, dentre outros órgãos voltados para a promoção intelectual, cultural, política, econômica e comercial de uma concentração de poder na seara internacional, está a realizar uma massiva e paulatina destruição das soberanias nacionais por meio da transferência de funções político-jurídicas para as instituições internacionais, rumo a uma crescente centralização do mando em âmbito mundial. Também subsidiam instituições culturais cuja única meta é a de reescrever a história, tentando tratá-la como se a tradição fosse o bode expiatório da civilização.
O ataque de dois lados, na cultura e na política, mutuamente agredidas no centro mesmo de suas respectivas naturezas, explica-se na medida em que percebemos que, para destruir a civilização cristã, corroem seus lados imanentes mais duradouros e permanentes na história: as instituições políticas locais e os símbolos culturais representativos da existência das sociedades.

Reflexão sobre os mártires da Espanha


O Vaticano realizou na semana passada a maior cerimônia de beatificação de sua história. No domingo, 28 OUT 07, mais de 40.000 pessoas assistiram na Praça de São Pedro a missa em que foram beatificados 498 católicos mortos durante a Guerra Civil Espanhola, ocorrida entre 1936 e 1939.  
Participaram 71 bispos espanhóis, 1.300 sacerdotes concelebrantes e 2.500 familiares dos novos beatos; 50 mil peregrinos, dos quais 30 mil peregrinaram da Espanha. 
Os beatos proclamados são 2 bispos, 24 sacerdotes diocesanos, 462 membros de Institutos de Vida Consagrada, um diácono, um subdiácono, um seminarista e sete leigos; todos assassinados pelos republicanos por serem contra o regime comunista que se implantava na Espanha.  
Os religiosos foram beatificados, segundo o Vaticano, por ter morrido em nome da fé. “Esse martírio ocorrido com pessoas comuns é um testemunho importante para a sociedade secularizada de hoje”, disse o papa Bento XVI, no domingo. O  Papa João Paulo II já tinha beatificado 977 mártires da Guerra Civil Espanhola, dos quais onze já foram canonizados.  
Lamentavelmente a Espanha de hoje vive uma nova perseguição à Igreja com o primeiro ministro José Luiz Zapatero, que impulsiona um laicismo anti-católico naquele pais.  Em 2005, este governo socialista conseguiu aprovar o casamento entre homossexuais, inclusive com direito à adoção de crianças; incentiva o aborto, o divórcio e a eutanásia. 
A revista Veja (n. 2033 – 07 nov 07) em um artigo sobre os mártires, trouxe uma foto que mostra padres e freiras assassinados expostos ao povo em seus caixões. Diz a revista, que não é católica, que “Estima-se que 7.000 integrantes da Igreja Católica tenham sido mortos durante a Guerra Civil Espanhola. Na Catalunha e em Valência, padres foram queimados e castrados. Alguns foram enterrados vivos após ser obrigados a abrir suas próprias covas. Outros, depois de assassinados, ficavam expostos à população dentro de seu caixão. Muitas igrejas foram vandalizadas e incendiadas. Em algumas cidades, múmias das catacumbas de conventos foram exumadas.” 
Diz ainda a Revista que “A Guerra Civil Espanhola não foi apenas um conflito interno entre os espanhóis. Era uma guerra de todas as forças políticas que estavam em disputa na Europa. Entre os republicanos, que fizeram tantos mártires,  encontravam-se anarquistas, stalinistas, trotskistas, socialistas moderados e democratas liberais.” 
É lamentável que um acontecimento tão grande como esse, onde um atentado bárbaro à vida de 7000, entre bispos, padres, freiras e leigos, tenha tido tão pouca repercussão na mídia. Ao contrário, quando um padre erra, quando menos de 0,5% caem no pecado e no crime da pedofilia – que deve ser punido com rigor – neste caso a imprensa faz um estardalhaço tremendo; mas quando 7000 morrem assassinados de maneira fria e cruel, esta mesma imprensa quase se cala. É a prova da discriminação que existe hoje contra a Igreja Católica. Ela continua cada vez mais sozinha na defesa dos verdadeiros valores cristãos e está pronta hoje também a enfrentar novas perseguições. 
Sabemos que o século XX produziu mais mártires do que todos os outros séculos anteriores juntos. Com o passar do tempo a perseguição à Igreja parece, então, aumentar. O comunismo ateu e materialista matou cem milhões de pessoas, segundo Stephane Courtois (O livro negro do comunismo, Ed. Bertrand Russel, SP, 2005), e também o nazismo gerou muitos mártires. Ao lado disso temos as terríveis perseguições na Espanha (1936) e no México (1929) que deixaram milhares de mártires.  Será que não estamos diante de novas perseguições deste tipo?…

Em todas as épocas a Igreja não teve medo de defender a verdade de Deus e do Evangelho, e por isso é perseguida e martirizada; mas como Jesus Cristo, ela não tem medo da morte, embora alguns de seus filhos possam fugir do combate. Ela sabe que depois da morte Cristo a acolhe no seu Reino.  
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

Comunismo


Sobre a mentalidade comunista e como lidar com ela, suscitado por uma dúvida inusitada: como condenar o comunismo fazendo recurso aos Padres da Igreja?

Perguntaram-se se há como recorrer aos Padres da Igreja para condenar o comunismo. Ora, isto não é necessario: o que não falta é condenação do Magistério ao comunismo. É também evidente que podemos encontrar textos em que, de passagem, os padres da Igreja vituperam o assassinato. A questão, porém, é que apesar de o assassinato ser um crime antigo (desde Caim e Abel) a idéia de que vidas humanas podem e devem ser terminadas de maneira violenta, à moda chinesa, para evitar a superpopulação, ou qualquer delírio do gênero, é uma idéia nova que - por simplesmente não existir naquele tempo - não foi objeto de ataque dos Padres da Igreja.

Na verdade isso faz parte da enorme virada do pensamento moderno, que - ao contrário de tudo o que sempre foi crido por todos os povos - lança para o futuro a perfeição. Explico: em todas as culturas mais estabelecidas sempre houve a noção de um tempo primevo bom, seguido por desordem crescente. Esta noção, de que caminhamos sempre para o pior  - ainda que com uma lembrança (não necessariamente pessoal) de um tempo melhor para nos iluminar o caminho e inspirar desejos de uma retomada da situação anterior -, foi substituída a partir de Kant por uma utopia futura para a qual deveriámos nos encaminhar (e, em Hegel e depois Marx, esta utopia passou a ser uma "necessidade histórica" inescapável). A ordem das coisas assim foi revertida. Ao invés de procurarmos conter as forças da entropia, estamos - para os modernos - em perpétua "evolução" rumo a uma utopia futura. No comunismo isso é ainda mais forte.

O comunista não vive no hoje, tendo aprendido com o ontem a buscar a eternidade, como o cristão, mas sim vive no amanhã imaginário de seus sonhos, vendo o hoje como uma ilusão. Assim, cada acontecimento, cada decisão do comunista ocorre (ou melhor, ocorreria, pois isso é tão contrário à natureza humana que graças a Deus ainda persiste um pé na realidade, ainda que de maneira algo esquizofrênica: comunistas tbm amam) como não uma decisão consciente das circunstâncias, mas em função de um determinismo histórico sob o qual isto deveria ser julgado. Assim, se matar as criancinhas (ou os kulaks, ou qualquer um) parece fazer com que se avance mais rapidament rumo à utopia, isto é correto. Não importa se as criancinhas choram, se o sangue dos mortos cobre o chão e mancha as paredes; não é em funcão do presente (julgado inexistente  nao ser como etapa evolucionária sempre já ultrapassada), mas do futuro utópico que os atos presentes são julgados (há um artigo interessante sobre os devaneios socialistas emhttp://www.nybooks.com/articles/14864. Excerto: "The German Communist Wolfgang Leonhard, who grew up in Moscow, describes his confusion when in 1935 he and his mother sought to replace their outdated 1924 map of Moscow and discovered that the new map contained all the improvements destined to be completed by 1945: 'We used to take both town plans with us on our walks from then on—one showing what Moscow had looked like ten years before, and the other showing what it would look like ten years hence.' As Brooks says, 'what had vanished or, more exactly, become compressed between two dream worlds was the present.'"*).

Tal negação da realidade e da natureza humana força a uma dicotomia interna bem esquizóide, que é percebida por quem não é comunista como auto-contraditória por parecer negar agora o que falava há dois minutos, ou julgar com dois pesos e duas medidas, etc. A questão é que o referencial do comunismo é outro, é tudo ao contrário. Não é a experiência do passado que ajuda a perceber os perigos do futuro, mas a utopia futura "garantida" é que justifica os atos presentes. É o "homem novo" do futuro que justifica o assassinato do presente e a vituperação ou oblívio do passado. Só há um problema: este "homem novo:, esta utopia que avaliza os piores massacres, não existe. "Não existe ainda",  diria o comunista. Na verdade, porém, nós que vivemos no presente sabemos que o que não existe no presente ou bem já acabou, ou bem é incerto.

Esta utopia, assim, seria na melhor das hipóteses algo incerto, e jamais uma justificativa para o que quer que seja no presente. Já para eles, não é que os fins justifiquem os meios; não, matar não é um meio para fazer com que chegue algo que inevitavelmente chegará, sim um meio de apressar e eliminar obstáculos para uma chegada mais rápida desta utopia.

Ora, tamanha inversão da realidade e da percepção naturais do homem é o triste apanágio da era moderna. A irracionalidade que faz com que slogans sejam tomados por prova do que quer que seja tampouco é algo contra o que tenha sido necessário aos Padres da Igreja levantar suas forças.

Infelizmente, portanto, temos que - sempre com a Graça de Deus - lutar com apenas nossas fracas inteligências contra esta nova e irracional ameaça, contando apenas com as orações dos Padres da Igreja...


NOTA:

* "O comunista alemão Wolfgang Leonhard, que cresceu em Moscou, descreve sua confusão quando, em 1935, ele e sua mãe resolveram trocar o velho mapa de Moscou que tinham, impresso em 1924, e descobriram que o novo mapa continha todas as melhorias que deveriam ser completadas até 1945: 'Passamos a levar ambos os mapas conosco a partir de então: um mostrava como Moscou havia sido dez anos antes, e o outro como seria dez anos depois." Como diz Brooks, "o que desaparecera ou, mais exatamente, fôra comprimido entre dois mundos de sonho era o presente."


©Prof. Carlos Ramalhete - livre cópia na íntegra com menção do autor
Aviso ao leitor: Este artigo foi escrito em algum momento dos últimos quinze anos; as referências nele contidas podem estar datadas, e não garantimos o funcionamento de nenhuma página de internet nele referida.

sábado, 29 de junho de 2013

A escolha do Brasil

 | Categoria: Sociedade


Só há uma solução para o Brasil e ela passa por aquela premissa estabelecida pelo Papa Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est: "um governo sem princípios morais não passa de uma quadrilha de malfeitores".
A Revolução Francesa que sacudiu a Europa no final do século XVIII não foi um fenômeno espontâneo devido às péssimas circunstâncias sociais da época, mas um processo planejado, cuja meta era uma só: derrubar a monarquia e, consequentemente, a Igreja Católica. Logo que o rei da França decidiu convocar os Estados Gerais - o parlamento - a fim de resolver os problemas referentes aos impostos, a burguesia passou a redigir uma Constituição e com ela, os pressupostos para o golpe. O final dessa história todos já conhecem: do liberté, egalité et fraternité, chegou-se à guilhotina.
Qualquer semelhança com o que ocorre no Brasil há quase um mês não é mera coincidência. Trata-se da mesma lógica revolucionária de outrora que usa o furor das massas para conquistar suas metas. Apesar da heterogeneidade dos grupos que marcham país afora - e das pautas desconexas - todo esse movimento está sendo cooptado por grupos esquerdistas dedicados à implantação do socialismo em terras brasileiras. Negar isso é vendar os olhos e brincar de cabra cega, saindo à procura de um alvo que não se sabe de onde veio, nem como chegou onde está.
Há mais de uma década o filósofo Olavo de Carvalho denuncia a ação do Foro de São Paulo na América Latina e as suas estratégias subversivas. Para se ter ideia do naipe das figuras que compõem essa organização, num dos encontros em 2008, um dos palestrantes não hesitou em prestar condolências ao então chefe da narcotraficante e terrorista FARC, morto no mesmo ano pelo exército colombiano. É mais ou menos como prestar condolências à Al-Qaeda pela morte de Osama Bin Laden. E embora esses fatos sejam públicos, faz-se um silêncio sepulcral a respeito, enquanto os partidos filiados a essa agência socialista vão ocupando os espaços e disseminando o caos na sociedade.
É bem verdade que o povo que está nas ruas é maciçamente contrário à presença das siglas políticas, mas isso não impede a presença de militantes esquerdistas que apregoam pautas que não estão no itinerário da maior parte da população. Assim, aproveitam-se dos números para empurrarem projetos totalmente imorais e absurdos. Veja, por exemplo, a publicação no site da Câmara dos Deputados a respeito de uma reunião que pretende tratar, entre outras coisas, da afirmação da laicidade do Estado contra o Estatuto do Nascituro. Ora, quem mais defenderia isso a não ser as velhas militâncias esquerdistas e anticlericais? Destarte, uma Constituinte para reforma política, como propôs a presidente Dilma Rousseff, é uma oportunidade ímpar para sepultar de vez o que ainda resta de moral cristã no Brasil, pois, quem mais faria essa reforma senão os que já detêm o monopólio do poder?
O Foro de São Paulo e seus militantes estão nas ruas junto ao povo para criar instabilidade. Eles querem mais poder, mais socialismo. E a população que engrossa as suas fileiras, achando que está protestando contra a corrupção e tudo isso que está aí, nada mais faz que servir de caixa de ressonância para bandeiras que nem de longe a representam. Se o protesto é contra a corrupção, porque até agora não se levantou cartazes pedindo a prisão dos mensaleiros e uma auditoria dessa organização criminosa que é o Foro de São Paulo? Por que, como se diz no velho ditado, não se tem dado nome aos bois? Para que a corrupção exista, é preciso que alguém a pratique.
Só há uma solução para o Brasil e ela passa por aquela premissa estabelecida pelo Papa Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est: "um governo sem princípios morais não passa de uma quadrilha de malfeitores". Se a nação brasileira de fato pretende reconstruir o país, urge, em primeiro lugar, solidificar as bases que o sustentam, ou seja, os princípios inegociáveis da lei natural: o direito à vida desde a concepção até a morte natural, o matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher e o direito à educação dos filhos. Urge, portanto, tirar do poder o ideal socialista - e com ele seus propugnadores - que há mais de um século perverte e mata sociedades inteiras. O Brasil deve fazer uma escolha. "Vede: proponho-vos hoje bênção ou maldição" (Cf. Dt 11, 26). Fazer-se de marionete nas mãos dos radicais esquerdistas, ou desmascarar de uma vez por todas essa ideologia perversa e, assim, mostrar que realmente "o gigante acordou".

domingo, 26 de maio de 2013

História da Igreja: A Igreja e as Missões




O Padroado
A Igreja no Brasil, durante quase quatro séculos, foi marcada pela instituição do padroado. Tratava-se de uma estreita ligação do rei de Portugal (e, após a independência, dos Imperadores do Brasil) com o poder eclesiástico, no sentido de que aquele teria certos direitos e privilégios, como nomear bispos, conferir benefícios eclesiásticos ou receber dízimos das igrejas sob sua jurisdição.
A origem do padroado situa-se na Idade Média, ligada a dois fatores: o sistema feudal e as Ordens Religiosas militares.
O sistema feudal: Durante a ldade Média, especialmente no séc. X, desenvolveu-se a praxe segundo a qual o Senhor do feudo era o patrono das igrejas situadas em seu domínio. Desse modo, os senhores feudais escolhiam os vigários e curas para as ditas igrejas. No Séc. XVI, visto que os reis da Espanha e Portugal se tinham empenhado na propagação da fé católica nas terras então descobertas, foram-lhes concedidos pela Santa Sé privilégios semelhantes.
As Ordens Militares: Outro fator que se encontra na origem do padroado consiste na formação de Ordens Militares, compostas de leigos que seguiam uma regra de vida aprovada pela Santa Sé. Tendo surgido no tempo das Cruzadas, muito se desenvolveram na Idade Média. Entre elas, destaca-se a Ordem dos Templários, a qual, com o passar do tempo, acumulou muitos bens. Estes foram cobiçados por Filipe, o Belo, rei da França (séc. XIV), que pressionou o Papa, com diversas acusações à Ordem, para obter a supressão da mesma. Esta, de fato, ocorreu na França em 1312. Em Portugal, o rei D. Diniz, com o fim de aproveitar os bens da dita Ordem, formou contra semelhante, a Ordem da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo (em 1313, aprovada em 1319), mais tarde unida às Ordens de Aviz e de Santiago.
Em 1456 foi outorgada, pelo Papa Calixto III, à Ordem de Cristo, a jurisdição espiritual nas terras conquistadas (Bula “Inter Coetera”). Com isto o Prior do Convento de Tomar, da Ordem de Cristo, recebia, sobre as regiões conquistadas, os mesmos poderes de um bispo em sua diocese. Este poder, reservado ao Prior de Tomar, foi logo cobiçado pelos reis, que para isso procuraram para si o título de Grão-Mestre da Ordem.
Em Bula de 1516 o papa Leão X concedeu ao rei de Portugal o Padroado sobre todas as igrejas das terras conquistadas. A jurisdição espiritual, porém, era reservada ao Prior do Convento de Tomar. Muitos, porém, interpretaram erroneamente a Bula papal, outorgando a prerrogativa da jurisdição espiritual aos reis de Portugal, que possuíam o título de Grão-mestre da Ordem.
Houve assim abusos da parte da Coroa, especialmente em certas épocas, como o exigir que as Bulas pontifícias (exceto as de “foro da consciência”) fossem aprovadas pela Coroa antes de chegar ao clero português e que os bispos tivessem a concessão da Corte para manter relações com a Santa Sé.
O sistema do padroado, a par desses aspectos negativos, teve também seu saldo positivo, quando exercido dentro dos limites das Bulas: facilitou a ereção de igrejas; providenciou a remuneração do clero e dos missionários e a dotação de dioceses, paróquias, colégios…, favoreceu ainda as missões e a unidade da lgreja nas terras conquistadas.
Quando da independência do Brasil, o Papa Leão XII separou de Portugal a Ordem de Cristo e atribuiu a ela e a seus Grão-mestres (então, os Imperadores), o padroado (Bula Praeclara Portugaliae, 1827). Permaneceu assim estreitamente unida a Igreja ao Estado no Brasil. Isto levou a ingerência indevidas do poder civil na Igreja; no tempo do lmpério, um dos casos mais graves foi o dos Padres Feijó e Antônio Maria de Moura, apresentados pela Regência, em 1833, para bispos; a sua indicação não foi aceita pela Santa Sé, visto terem os referidos padres certas idéias discordes da Igreja. Houve fortes tensões, chegando um membro da Câmara a propor o desvinculamento da Igreja no Brasil frente do Vaticano, cuja autoridade se tranferiria para o Governo. Esta proposta não foi aprovada e a questão se resolveu com a renúncia de Pe. Feijó e Pe. Moura a mitra episcopal, tendo então o Governo apresentado novos nomes.
Outro grave conflito foi a chamada “Questão Religiosa”, durante o segundo lmpério.
A evangelização no Brasil Colônia

Os índios
Ao chegarem os portugueses ao Brasil, aqui encontraram os habitantes nativos, dispersos pelo, território, em vida semi-nômade e agrupados em diversas tribos. Em sua religião, possuíam vaga idéia de um Ser supremo e muito poderoso, a quem chamavam Tupã; criam também em espíritos, bons e maus (o espírito mau era denominado Anhangá). Algumas tribos cultuavam o Sol (Guaraci) e a Lua (Jaci). Não possuíam ídolos, templos ou sacerdotes, embora admitissem um feiticeiro ou curandeiro (o pagé).
Muitas teorias consideravam os índios seres inferiores, irracionais, incapazes de autodeterminação e assim destinados a ser dominados. Contra estas teorias lutou a lgreja, destacando-se nesse contexto o Breve do Papa Paulo III (Veritas ipsa, de 29.5.1537), que defendia a racionalidade dos indígenas, sua capacidade, por conseguinte, de se abrir a fé cristã e a abraçar; sendo seres livres, não poderiam ser obrigados a conversão nem submetidos à escravidão.
Primeira Evangelização
Embora estivesse os principais objetivos da ação da Coroa na terra recém-descoberta, não houve, até 1549, evangelização sistemática e continuada dos indígenas.
O primeiro trabalho de evangelização foi realizado certamente pelos degredados ou vítimas de naufrágio, talvez já pelos dois degredados aqui deixados por Cabral, pois é dito no relatório da expedição de Gonçalo Coelho (entre 1502 e 1503) que o capelão da nau batizou a muitos indígenas. Isto supõe um trabalho anterior de evangelização. Também os capelães das naus portuguesas e espanholas que aqui aportavam e permaneciam por algum tempo, dedicavam-se à evangelização, como, por exemplo, os padres Francisco Lemos e Francisco Garcia, no ano 1526 e seguintes.
Um número maior de indígenas, entretanto, foi evangelizado e batizado na época das feitorias (1516-1534). Como as condições eram ainda muito precárias, a evangelização foi bastante rudimentar.
A partir da formação de Capitanias, com a fundação das primeiras paróquias (1535), o trabalho de evangelização tornou-se mais organizado. A primeira missão se deu por iniciativa de franciscanos espanhóis, chefiados por Frei Bernardo de Armenta, que se dirigiam ao Rio Prata. Desembarcando em Santa Catarina no ano de 1538, iniciaram uma missão entre os índios Carijós: a missão de Mabiaçá ou lmbiaça. Houve muitos convertidos, o trabalho prosperou mas a missão acabou em 1548 quando os aprisionadores de índios os levaram para São Vicente e Ilhéus.
Os jesuítas
A evangelização sistemática dos indígenas começou propriamente com a chegada dos membros da Companhia de Jesus ao Brasil, a quem se deve de fato o maior mérito na evangelização neste período. Os primeiros jesuítas chegaram com o Governador-Geral Tomé de Souza à Bahia em 1549. Vieram em número de seis, sendo quatro padres e dois irmãos: Pe. Manoel da Nóbrega (superior), Pe. Leonardo Nunes, Pe. João de Azpilcueta Navarro, Pe. Antônio Pires e os irmãos Vicente Rodrigues e Diogo Jácome, mais tarde ordenados.
Os primeiros contatos com os indígenas se deram nas aldeias próximas a Salvador. De início, limitaram-se a batizar crianças e adultos em perigo de vida. Pouco depois dedicaram-se a preparar os adultos para o batismo. Seu ensino consistia, segundo o costume da época, numa breve explicação das verdades fundamentais da fé. Os maiores problemas, porém, concentraram-se no combate a hábitos arraigados entre os indígenas, como a atropofagia e a poligamia. Quanto a isto, do catecúmeno adulto era exigido, para o batismo: não matar seus semelhantes, não comer carne humana, viver com apenas uma mulher. O costume de mais árduo combate foi a antropofagia, para o quê foram necessárias leis proibitivas de Tomé de Souza e Mem de Sá.
No início de 1550 chegaram mais quatro jesuítas, que se localizaram em São Vicente, com sete meninos órfãos que vinham para ajudar na catequese. Em julho de 1553, chegaram outros sete missionários à Bahia, entre os quais o Pe. Luís da Grã, futuro provincial, e o Ir. José de Anchieta mais tarde ordenado sacerdote, e que foi beatificado em 1980, pelo Papa João Paulo II.
O método utilizado pelos jesuítas consistia em contatos diretos com os índios e na formação de aldeamentos indígenas, com a finalidade de atraí-los para hábitos mais civilizados e para a fé cristã. Há quem julgue atualmente que os jesuítas teriam imposto o Cristianismo reprimindo os indígenas e usando a força. Ora, devemos observar em primeiro lugar que os índios possuíam um caráter belicoso, que os levava a numerosos ataques aos brancos, o que era duramente punido pela autoridade civil. Por outro lado, os portugueses agiam muitas vezes somente com o intuito de explorar. Tais abusos sempre foram condenados pelos missionários, de modo que não lhes podem ser atribuídos os desmandos da autoridade civil. Se muitas vezes os missionários aproveitaram da relativa pacificação dos índios, devida a força civil, para estender seu trabalho de evangelização, isto não significa obrigar a fé e impor o Cristianismo a força. Pelo contrário, era norma da Santa Sé respeitar a liberdade dos ameríndios adultos no tocante à aceitação ou não da fé cristã.
Em síntese, neste período o trabalho de evangelização foi repleto de dificuldades e não chegou a ser muito profundo: havia falta de pessoas aptas que conhecessem a língua e os costumes dos nativos; faltava também apoio mais expressivo (quando não havia hostilidade) dos colonizadores; além disso, o caráter semi-nômade das populações indígenas e as enormes distancias criaram outros tantos obstáculos.
Carmelitas, Beneditinos, Franciscanos
O trabalho de catequese, embora entregue principalmente aos jesuítas, contou ainda com colaboradores. A par dos padres diocesanos e da missão franciscana em Santa Catarina, vieram estavelmente, após a chegada dos jesuítas, outras Ordens Religiosas, que se fixaram no fim do séc. XVI: carmelitas, beneditinos, franciscanos.
Os Carmelitas foram os primeiros a se fixar após os jesuítas. Chegaram a Pernambuco, com a expedição de Frutuoso Barbosa, em 1580. Fixaram-se em Olinda. Outro grupo, chegado pouco mais tarde, dirigiu-se para a capitania de São Vicente. Não se dedicaram às missões indígenas, mas ao trabalho com os brancos.
Os Beneditinos tiveram em 1581 autorizada a fundação de um Mosteiro na cidade de Salvador, o qual foi elevado a Abadia em 1584. Com as vocações da terra e os auxílios provenientes de Portugal, foram feitas novas fundações: Rio de Janeiro (1585), Olinda (1590), Paraíba (1596) e São Paulo (1598). Por serem Ordem monástica, não se dedicaram às missões indígenas, mas muito contribuíram para o aprofundamento doutrinal e espiritual dos habitantes da terra.
Os Franciscanos estiveram presentes já bem cedo, na missão de Imbiaça (1538-48), bem como em Porto Seguro em 1520 e 1546. Em 1583 trabalharam perto de São Paulo e também no Espírito Santo. Sua fixação, porém, deu-se a partir de 1585, quando Frei Melquior de Santa Catarina chegou ao Brasil com a permissão de aqui fundar conventos. Neste mesmo ano foi fundado o Convento de Nossa Senhora das Neves em Olinda. Posteriormente a Ordem passou à Bahia, lgaraçu, Paraíba, Espírito Santo, dedicando-se a catequese indígena e aos colonos brancos.
Lançando um olhar panorâmico sobre esta época, podemos ver que o trabalho dos missionários foi rico de boa vontade e desenvolvido de acordo com os meios e o pensamento de então. Não é correto dizer que a cultura indígena não foi respeitada. A par do combate árduo, mas necessário, aos costumes indígenas, como a antropofagia, a poligamia, as bebedeiras, houve grande respeito aos valores positivos da cultura indígena e grande capacidade no tratar com os índios. Por outro lado, nunca houve uso da força para converter ao Cristianismo. A ação missionária da Igreja no Brasil nessa época tem, portanto, valioso saldo positivo.
Eis como, em sua visita ao Brasil, o S. Padre João Paulo II apreciou o trabalho missionário:
“Numa carta de 1º de junho de 1560, revelando a sua ânsia de conduzir ao Senhor os povos deste país, o Padre Anchieta escrevia textualmente: ‘Por este motivo, sem nos deixar intimidar pelas calmarias, tempestades, chuvas, correntezas espumantes e impetuosas dos rios, procuramos sem descanso visitar todas as aldeias e vilas, quer dos índios, quer dos portugueses; e mesmo de noite acorremos aos doentes, atravessando florestas tenebrosas, a custo de grandes fadigas, tanto pela aspereza dos caminhos como pelo mau tempo.’
Com esta mesma finalidade, levando em consideração os dotes e qualidades naturais dos índios, a sua sede de saber, a sua generosidade, hospitalidade e o seu senão comunitário, Anchieta promoveu e desenvolveu as ‘aldeias’, centros onde a vida de cada um se fundia com a dos outros, de maneira adequada, no trabalho, na solidariedade, na cooperação. Coração de cada um desses centros era sempre a Casa de Deus, onde o Sacrifício Eucarístico era celebrado regularmente e onde o Senhor Sacramentado permanecia presente.
Apreciando a sede de saber dos ‘brasis’, o seu acentuado talento para a música, a sua habilidade e outros dotes, criou para eles centros de formação cultural e artesanal que, pouco a pouco, contribuíram para elevar o nível geral das gerações futuras”. (Homilia proferida durante a missa em São Paulo, 3 de julho de 1980).

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Devotos de um vigarista



folhacomuna
Longe de ampliar o horizonte dos problemas filosóficos, o que Karl Marx fez foi restringi-lo com um dogmatismo acachapante, instituindo aquilo que Eric Voegelin caracterizou como “proibição de perguntar”.


Folha de S. Paulo (v. http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1234518-intelectuais-brasileiros-explicam-porque-ainda-e-importante-ler-marx.shtml) perguntou a quatro dos seus mais típicos mentores por que é ainda importante ler Karl Marx. Nenhum deles deu a resposta certa: porque ninguém pode ignorar, sem grave risco, as idéias que mataram mais seres humanos do que todos os terremotos, furacões, epidemias e desastres aéreos do último século, mais duas guerras mundiais. Infringindo a regra elementar do próprio Karl Marx, de que a verdadeira substância de uma idéia é a sua prática e não a sua mera formulação conceitual, três deles mostraram enxergar o marxismo como pura teoria, separada da ação que exerceu no mundo, e incorreram assim no delito de “formalismo burguês”, o mais abominável para um cérebro marxista. Eu não tomaria aulas de marxismo com esses sujeitos nem se eles me pagassem.
O quarto, prof. Delfim Neto, na ânsia de redimir-se ante a intelectualidade esquerdista do pecado de ter servido à ditadura militar, caprichou no hiperbolismo e atribuiu a Karl Marx o dom da eternidade, que numa perspectiva marxista não faz o menor sentido.

O prof. José Arthur Gianotti recomendou reler Karl Marx cuidadosamente, porque “sua concepção da história foi adulterada, por ter sido colada, sem os cuidados necessários, a um darwinismo respingado de religiosidade.” Adulterada? Colada? Nenhum dos continuadores de Karl Marx revelou tanta dívida intelectual para com Charles Darwin quanto o próprio Karl Marx, que declarou sua filosofia nada mais que a interpretação darwinista da História e só não dedicou O Capital ao autor de A Origem das Espécies porque este não permitiu. Quanto à tonalidade religiosa, ou pseudo-religiosa, ela é mais do que notável nos Manuscritos de 1944 e ressoa em cada linha das verberações proféticas anticapitalistas espalhadas ao longo de toda a obra de Marx. O prof. Gianotti é que quer separar artificialmente aquilo que nasceu junto. “Reler cuidadosamente”? Não é preciso. Bastaria ter lido.

Mas o mais cômico dos quatro foi o sr. Leandro Konder, que intelectualmente já saiu do mundo dos vivos há três décadas e não precisaria ter abandonado seu estado de animação suspensa para confirmar, na Folha, aquilo que ele já provou centenas de vezes: sua prodigiosa incultura, seu total desconhecimento dos assuntos em que opina.

Disse ele: “Os grandes pensadores são grandes porque abordam problemas vastíssimos e o fazem com muita originalidade. A perspectiva burguesa, conservadora, evita discuti-los. E é isso o que caracteriza seu conservadorismo.”
Leandro Konder
Os conhecimentos que não só ele pessoalmente, mas toda a corriola de mentecaptos marxistas deste país tem daquilo que ele chama “perspectiva burguesa” podem ser avaliados pelo Dicionário Crítico do Pensamento da Direita, em que 104 dessas criaturas ridículas se encheram de dinheiro público para dar um show de ignorância como nunca se viu no mundo. Leia em http://www.olavodecarvalho.org/textos/naosabendo.htm e depois volte aqui.

Essa gente simplesmente não estuda os pensadores que parecem antipáticos ao seu partido. Adivinha ou cria suas idéias à distância, partindo de fofocas, piadas, fantasias preconcebidas e lendas urbanas que constituem, no seu ambiente mental sufocantemente provinciano, a única bibliografia requerida para quem deseje pontificar a respeito. Fazem isso até comigo, que tenho uma obra publicada relativamente escassa, por que não o fariam com os autores de muitas dezenas de volumes, como Leibniz, Husserl, Voegelin ou o nosso Mário Ferreira dos Santos?

A um boboca que desconhece tudo aquilo que despreza, é forçoso que o horizonte de problemas pensado por Karl Marx pareça, em comparação com o nada, “vastíssimo”. Mas Karl Marx, em verdade, pensou num único problema: a luta de classes. Todos os outros conceitos da sua filosofia foram recebidos prontos, como os de dialética, de alienação ou de comunismo, ou são apenas afirmados sem nenhuma discussão crítica, como o próprio “materialismo dialético”, ou derivam da luta de classes por mero automatismo, como os de ideologia, superestrutura etc. Longe de ampliar o horizonte dos problemas filosóficos, o que Karl Marx fez foi restringi-lo com um dogmatismo acachapante, instituindo aquilo que Eric Voegelin caracterizou como “proibição de perguntar”. Já nem falo dos grandes problemas clássicos como o fundamento do ser, o sentido da existência, o bem e o mal, etc. Nem o próprio conceito de “valor”, essencial na sua economia, ele discute. Postula-o no começo de O Capital e segue adiante, sem notar que disse uma tremenda asneira.

Comparado ao de Leibniz, de Aristóteles ou de Platão (ou mesmo ao de um Eric Voegelin, de um Max Weber, de um Christopher Dawson ou de um Pitirim Sorokin), o horizonte de problemas de Karl Marx é deploravelmente pobre. Sua cultura literária é a de um professor de ginásio, seus conhecimentos de história da pintura, da arquitetura e da música praticamente nulos, suas noções de teologia não fazem inveja a nenhum seminarista. Pergunto-me, por exemplo, qual a relevância do pensamento de Karl Marx para as ciências biológicas, para a física, para as matemáticas. Zero. A breve incursão do seu amigo Engels nesses domínios foi um vexame espetacular.

Em matéria de ética, então, o tratamento que Marx dá ao problema da felicidade humana é decerto o mais besta, o mais grosseiro de todos os tempos: tomemos o dinheiro da burguesia e todos serão felizes. Enfeitado o quanto seja, o argumento é esse. Só por esse detalhe o homem já mereceria o adjetivo com que o resumiu Eric Voegelin: “Vigarista”.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

'Nunca fui um assassino'

Em depoimento à Comissão da Verdade, coronel Carlos Brilhante Ustra nega ter cometido torturas e diz que lutou contra o terrorismo. Curió será o próximo a depor na comissão.


“Lutamos contra o terrorismo. Eles atacavam quartéis, roubavam armas, incendiavam radiopatrulhas e explodiram dezenas de bombas. Enfrentei várias organizações de esquerda, entre elas quatro nas quais a atual presidente da República atuou”, listou Ustra, que afirmou também que “quem deveria estar sentado aqui é o Exército Brasileiro, não eu. O Exército que cumpriu ordens expressas do presidente da República de combater o terrorismo. Nunca fui um assassino”.

Bem diferente é a versão apresentada pelos historiadores e professores de História. Como uma camisa de força vestem os fatos na teoria marxista da luta de classes. Mentem, apresentando os militares como criminosos, vilões, sanguinários, escondendo ou minimizando  a ação dos revolucionários que pretendiam cubanizar o Brasil. Os terroristas, assaltantes de bancos, sequestradores, são considerados vítimas inocentes,  como mártires que lutaram em benefício da Democracia e da justiça social. E se os grupos de esquerda    tivessem logrado êxito em derrubar o governo e implantar um República Comunista no Brasil qual teria sido o nosso destino? Provavelmente catastrófico como o que se mostrou na  realidade econômica, política e social de tantos países comunistas. E o pior de tudo é que essa gente hoje comanda o Brasil, impondo ao país suas ideologias esquerdistas, como nas políticas educacionais do MEC, carregadas de um conteúdo revolucionário.